Universitário foi morto no último dia 3
Sem algemas, caminhando livremente e fora do alcance das câmeras e microfones da imprensa, André Rodrigues de Barros Freire, de 22 anos, passou despercebido ao ingressar ontem no Palácio da Polícia.
A cena destoou da véspera, quando o rapaz chegou ao mesmo local algemado e conduzido por policiais militares. Apontado pelos PMs como autor de um homicídio a tiro que confessara, ele tinha à sua espera diversos jornalistas.
O rapaz procurou a polícia ontem (13) espontaneamente e na condição de vítima. Ele se dirigiu até a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), e conversou com o delegado titular Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior.
André levou recibo de exame de corpo de delito ao qual se submeteu no Instituto Médico-Legal (IML) de Santos. O laudo ainda não ficou pronto e será remetido ao delegado.
André quer que seja apurado supostos abusos cometidos por policiais do 39º BPM/I que o detiveram no início da manhã de quarta-feira, no Jardim Rio Branco, na Área Continental de São Vicente.
Segundo os policiais militares, a detenção para averiguação ocorreu após informação anônima revelar que André estaria envolvido no assassinato do universitário Matheus Demétrio Soares, de 19 anos.
Mas a reclamação de André não é quanto à detenção em si, mas dos procedimentos adotados pelos PMs, que ingressaram em sua casa sem permissão e sem o respaldo de mandado de busca e apreensão.
Ainda conforme o jovem, os policiais o “pressionaram” para confessar a morte do segundanista de Sistemas da Informação da Universidade Santa Cecília (Unisanta), na terça-feira da semana passada, na Rua Oswaldo Cruz, no Boqueirão, quase na frente da instituição de ensino.
A confissão de André foi gravada e o vídeo, compartilhado com jornalistas, antes mesmo de o suspeito ser apresentado à DIG, por onde tramita o inquérito. Na gravação, ele está sem camisa, com as mãos algemadas para trás e no chiqueirinho (compartimento de presos da viatura).
Até que fosse levado à delegacia, André ficou cerca de cinco horas em poder dos policiais. O comando da PM na região tinha ciência da detenção e, inclusive, encaminhou “nota à imprensa” anunciando a apresentação do preso na DIG ao meio-dia.
Destacando que o averiguado, “no momento da prisão, disse ter matado o Matheus”, o comunicado oficial da corporação tornou-se uma das principal pautas do dia dos veículos de imprensa da Baixada Santista, mas nada do que fora previamente divulgado se confirmou.
Três testemunhas oculares do assassinato do estudante não reconheceram André. “Elas foram categóricas e decisivas no sentido de que ele não participou da morte do universitário”.
Sobre a confissão prestada aos PMs, o suspeito justificou ao delegado que só confirmou falsamente participação no crime, porque foi “pressionado” e queria ser logo levado à delegacia, onde poderia esclarecer toda a verdade.
Lara afirmou que o relato prestado pelo até então suspeito dentro da viatura aos policiais militares diverge do relato das testemunhas e das demais provas do inquérito, entre elas o laudo necroscópico.
Matheus foi morto com um único disparo e mais nenhum outro foi efetuado. No vídeo dos PMs, André diz que deu “uma pá” de tiros na vítima. Para o delegado, a gravação tem características “evidentes e cristalinas de uma história fantasiosa”.

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Como é que funciona o circo completo da PM:
1 – Inventa-se uma denúncia anônima contra uma pessoa com alguma semelhança ao retrato falado ( meio de identificação auxiliar da investigação , cuja fragilidade é notória ) :
2. Arromba-se o barraco do suspeito; obviamente um mulatinho pobre morador da quebrada;
3. Praticam tortura física e moral durante as cinco horas seguintes à “prisão para averiguação” ;
4. Filmam o suspeito confessando a prática do homicídio ;
5. Levam o suspeito para o Comandante do Policiamento Ostensivo da Baixada Santista e Vale do Ribeira;
6. O Comando divulga a filmagem e agenda uma coletiva para logo após a apresentação do suspeito à delegacia encarregada das investigações: DIG de Santos;
7. Quando da chegada do “elemento” ao Palácio da Polícia de Santos o circo já estava preparado com toda a imprensa nacional a espera do flagrante;
8. As testemunhas não reconhecem o suspeito;
9. O suspeito disse que confessou para não sofrer maiores agressões e para ser apresentado imediatamente à delegacia;
10. O delegado – após as necessárias providências – libera o suspeito;
11. Os PMs fazem aquela cara de BUNDA e convocam o Secretário de Segurança; falando merda da Polícia Civil que não prestigia o trabalho da PM;
12. Comparecem ao MP reclamando do delegado e levando a filmagem da confissão espontânea como prova da lisura de seus trabalhos;
13 – É a sexta-feira de carnaval de fevereiro de 2015.
Olha só a cara do Cumando da PM:
