Entrevista com o Delegado Diretor do Deinter-4 de Bauru: “Amor que acaba, nunca foi” 43

JCnet

Entrevista da Semana: Marcos Buarraj Mourão

Experiente delegado e diretor do Deinter-4 em Bauru desde 2015 fala sobre honra, trabalho, família, lei e inteligência emocional

24/09/17 07:00
Dulce Kernbeis

Fotos: Malavolta Jr
O delegado Marcos Mourão no JC

O delegado Marcos Buarraj Mourão nasceu em Pirajuí e conhece como poucos um importante pedaço do Interior. Depois de começar carreira na Grande São Paulo, em Mauá, veio para a região, trabalhou em Guaimbê, Lins, Presidente Prudente até chegar a Bauru e se tornar, em 2015, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior-4 (Deinter-4), que abrange 89 cidades. Lá se vão 31 anos de carreira e, faltando dois anos para se aposentar, ele confessa que é aqui, em Bauru, que quer continuar a viver. Tornou-se um bauruense de coração.

Jornal da Cidade – Como se identificou com Bauru?

Marcos Buarraj Mourão – Na minha vida toda estive não muito longe de Bauru. Gosto daqui, não só eu, toda a minha família, tenho também meus pais por aqui, minha mulher trabalha e também gosta daqui, todos nós não temos a intenção de sair desta cidade, não. Aliás, me identifiquei com Bauru já desde moço, fiz faculdade aqui, de advocacia na ITE, contando com um dos melhores corpos docentes de direito do País, qualificadíssimo. Foi muito bom e peguei uma fase excelente de Bauru. Também havia uma efervescência cultural na cidade.

JC – Fale mais sobre esses tempos…

Mourão – Minha turma era excelente, tenho amigos de curso que hoje são vereadores, juízes e advogados renomados. Éramos todos muito contestadores, vivemos o final da ditadura, éramos cheios de idealismo, de sonhos, o direito alimentava muito nosso desejo de liberdade plena, de um mundo melhor.

JC – Qual o comparativo com hoje?

Mourão – Na verdade há algo de bom, sim, há um momento único no país hoje. Além de termos liberdade de expressão, isso é muito bom e, comparando com o que havia quando me formei, hoje há a Lava Jato, é algo inédito, quando a gente poderia pensar em termos de Brasil que se veria um senador preso, um ex-governador condenado? O trabalho que a Polícia Federal está fazendo é fantástico. Pena que grande parte da população não se interessa pelo assunto, vive em completa alienação, não se preocupa com mais nada a ser a sobrevivência… uma pena.

JC – E para mudar isso?

Mourão – Com educação. O maior inimigo de um governo mal-intencionado é o desconhecimento, a falta de cultura: quanto mais culto o povo, mais difícil de ser manipulado, de ser enganado.

JC – O senhor mesmo é filho de um educador…

Mourão – Sim, meu pai Miguel foi da área, diretor de escola estadual por 50 anos, fanático pelo que fazia e parou porque teve a aposentadoria “compulsória”. De origem portuguesa já aprendi com ele a valorizar a educação e a valorizar a família. Minha mãe é de origem libanesa, Latif e, graças a ela, eu adoro cozinha árabe, tudo, minha mãe cozinha muito bem.

JC – Aprendeu a cozinhar com ela?

Mourão – Não, nada mesmo [risos], não faço um arroz sequer,  mas em compensação sou um bom churrasqueiro. Sou daqueles que atuo desde a escolha da carne, temperar, assar e até servir. É o meu forte mesmo.

JC – Nestes anos todos de delegacia o senhor deve ter muita história para contar?

Mourão – Bom, a gente tem mesmo, atua em várias frentes, em vários setores, a gente investiga até briga de vizinhos por causa de cachorro. Esse caso é bem pitoresco. Dois vizinhos disputavam um cachorro. A coisa estava certa de que iria acabar em morte se a gente não conseguisse elucidar. E, por um detalhe físico que só um dos donos conhecia, do nascimento do cão, determinamos o dono. O legal é que, no final, o que não era o primeiro proprietário reconheceu o erro. E acabou tudo muito bem.

JC – E um caso mais difícil?

Mourão – Na verdade temos um orgulho. Foi da nossa equipe a capacidade de desvendar um sequestro de um empresário em Lins. O homem de mais de 80 anos ficou 155 dias no cativeiro. Foi libertado sem pagamento de resgate e o chefe da quadrilha preso. Isso foi muito gratificante. Assim como quando conduzimos a maior apreensão de maconha da região: foram quase sete toneladas.

JC – Falando em maconha, como o senhor encara a proposta de legalização?

Mourão – Não acho que precisamos ter mais uma droga lícita. Já temos o álcool, o cigarro que estão sendo revistos pelo mal à saúde. A droga é devastadora. É um aditivo para outros crimes. O crack, por exemplo, leva ao roubo, ao estupro, a pessoa se torna violenta. Aliás, eu penso que perdemos a guerra para o tráfico e as cadeias não funcionam, a população carcerária é imensa, mas estamos enxugando gelo. Do meu ponto de vista a cadeia tem que ser mais qualitativa e não quantitativa.

JC – Como assim?

Mourão – Para a cadeia tem que ir o grande traficante. Com ele preso quebra-se a rede que ele conduz e há o sociopata, aquele é violento, que é doente, sem perspectiva de regeneração.

JC – O senhor parece adotar uma forma mais moderna de conduzir a investigação.

Mourão – Tive sorte de pegar a fase de transição, não é mais possível investigar-se sob tortura, aliás, nada justifica a tortura. A gente tem que apagar o ranço da polícia autoritária. A polícia é mais eficiente quando usa a inteligência. São essas as ferramentas que temos que usar na hora da investigação. Prego o princípio da sessão de direito e de respeito a todas as pessoas, o que precisamos é de sempre manter a dignidade. O principal valor do ser humano é a dignidade. Temos que usar a inteligência emocional na resolução dos casos.

JC – Essa é uma virtude sua…

Mourão – De fato, através dela sei ouvir e entender, poucas vezes perdi o controle e mesmo sob serviço administrativo e interno como agora, o meu trabalho é leve.

JC – Esse talento também justifica seu casamento longevo…

Mourão – Pode ser. Ou talvez o fato de que trabalhei bastante fora, então, não dá para brigar [risos]. Bom, este ano, já em dezembro, vou fazer 30 anos de casado e, antes, oito de namoro. Enrolei, enrolei, mas depois dos oito anos e tendo passado no concurso para delegado não tive mais como enrolar [risos]. Mas, na verdade, eu dei sorte, encontrei na Adriana uma grande parceira, uma pessoa ponderada, tranquila, que sempre soube entender a minha profissão. Tanto ela quanto meus filhos: tenho a Laís, de 26 anos, e o Jamil, de 23, que sempre foram sacrificados pela profissão. Em geral, nessas minhas transferências, eu ia na frente e, depois, eles iam atrás.

JC – Com uma vida tão dinâmica, quando aposentar, como vai ser?

Mourão – Na verdade quero viajar. Mas não de avião e nem é por medo de voar, é que eu gosto muito de dirigir e dirijo muito bem de modo defensivo.

JC – Depois de tanto tempo a gente sente que o senhor ainda é motivado pela carreira. E essa motivação não é financeira…

Mourão – De jeito algum, com essa crise, há que se ponderar que a categoria está defasada em termos de reajustes e vivendo cada dia mais com uma carga emocional muito maior. Mas o que motiva é você encontrar profissionais bem-intencionados e, graças a Deus, há muitos, há inúmeros assim.

PERFIL

Nascido em 06/11/1959 o chefe de nada menos do que sete seccionais (Bauru, Marília, Jaú, Ourinhos, Assis, Lins e Tupã com 89 cidades e 145 delegacias e uma população de 2 milhões e 200 mil habitantes) confessa que, no esporte, nunca foi dos melhores. “Tentei o futebol, mas era apenas mediano, se isso”. Resultado hoje para manter a forma faz caminhadas (as vezes um trote, três vezes por semana) e sofre com o seu time do coração, o São Paulo FC, mas se confessa também um torcedor do Noroeste. “Meu pai nos trazia de Pirajuí para assistir”. Em tempo: o delegado é o mais velho de uma família de três irmãos, ele e mais um casal. “Assisti aqui um jogaço contra o Palmeiras, não tinha como não gostar do Noroeste”.

E como faz para desestressar hoje? A resposta: ele é um cinéfilo. Tem no computador 900 fichas de filmes que assistiu, reviu e o marcaram. Guarda todos os detalhes e agora é fã de série. Elege “Os Intocáveis”, “Inimigos Públicos” e “Mississipi em Chamas” como seus favoritos. Também é frequentador assíduo de missas da Igreja Sáo Cristóváo (lamenta a ausência do do agora bispo dom Ricci, que está em Niterói, mas entende).

Para finalizar, lembra de uma frase marcante de um padre de Lins, Clarêncio Gusson: “Amor que acaba, nunca foi”.

Gaeco e PM da Baixada Santista continuam sua cruzada contra o crime organizado e fecham mais um Bingo 46

Bingo clandestino é fechado em ação do Gaeco e PM em Santos

O imóvel identificado fica na Rua Mato Grosso, 460

DE A TRIBUNA ON-LINE @atribunasantos
20/09/2017 – 17:11 – Atualizado em 20/09/2017 – 18:04
Local, que funcionava em um casa no Boqueirão, foi lacrado (Foto:Alberto Marques / AT)

A Polícia Militar e o  Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fecharam  uma casa de bingo clandestino, em Santos, nesta quarta-feira (20).  O imóvel identificado fica na Rua Mato Grosso, 460, Boqueirão.

No local, foram identificadas 35 máquinas. Doze pessoas estavam no estabelecimento no momento da chegada dos agentes. Uma delas se apresentou como responsável e 11 estavam jogando.

A equipe da Secretaria Municipal de Serviços Públicos já está no local para lacrar o imóvel. Os alimentos e bebidas encontradas no local serão  levadas ao Fundo Social de Solidariedade.

Polícia Civil de Itanhaém fecha laboratório do PCC , prende gerente do tráfico e apreende 33 quilos de cocaína 10

Polícia descobre laboratório de drogas em Itanhaém

Local era usado para o preparo dos entorpecentes que abasteciam os pontos de venda da Cidade

EDUARDO VELOZO FUCCIA
22/09/2017 – 08:00 – Atualizado em 22/09/2017 – 08:00
Foram apreendidos 33 kg de cocaína, além de insumos para preparo da droga (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Itanhaém descobriram um laboratório destinado ao preparo de drogas, na quarta-feira (20) à tarde, e prenderam no local Clauber Lopes dos Santos, o Da Leste, de 34 anos.

O laboratório fica na Rua Califórnia, no Jardim Coronel, e foi descoberto após os policiais seguirem o Corsa prata de Da Leste. Segundo informações, um carro desse modelo era usado por um marginal responsável por abastecer pontos de tráfico em Itanhaém.

Os investigadores Mário Augusto, Luciano Cesar, Gabriel Dante, Fernando Lima e Claudinei Souza não entraram no laboratório de imediato. Eles se revezaram para monitorar o lugar e verificar se mais pessoas ali chegariam.

Porém, volta das 15 horas de quarta-feira, eles decidiram entrar em ação, porque perceberam que Da Leste estava na iminência de sair do imóvel. Apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), o acusado não reagiu ao ser preso.

Apreensões

Dentro da casa havia 33,2 quilos de cocaína, além de insumos destinados ao preparo do entorpecente, como lidocaína, cafeína, éter e citrato de fentanila. Também foram apreendidas lâmpadas potentes usadas na secagem da droga e máscaras para a proteção respiratória do acusado. A delegada Evelyn Gonzalez Gagliardi autuou Da Leste em flagrante.

Policial da DISE da Seccional de São Bernardo emboscado por traficantes tem alta hospitalar 3

Policial baleado por fuzil tem alta hospitalar

Daniel Tossato
Do Diário OnLine

O policial civil que foi baleado quando chegava em casa na madrugada do dia 6 de setembro, recebeu alta hospitalar na última sexta-feira, e seu quadro é estável. Identificado como Éder Donizete, 47 anos, o agente de segurança foi alvejado por dois tiros, um na região do tórax e outro no abdômen. As informações são da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo.

No dia da ocorrência, o policial chegava em sua residência, na Rua Euclides da Cunha, no Centro de São Bernardo, quando um homem armado começou a disparar de dentro de um veículo Hyundai cinza. O suspeito utilizava um fuzil modelo 556, de uso exclusivo das forças armadas.

O policial chegou a revidar, mesmo enquanto estava no chão e chegou a acertar o automóvel, que segundo o agente civil, ficou perfurado. Os criminosos, então, seguiram para a Rua Santa Aurélia, no bairro Ipiranga, na Capital, onde queimaram o veículo na rua.

Segundo o delegado titular da Seccional de São Bernardo, Aldo Galiano, o policial opera na Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) e tem combatido o tráfico de drogas. “A Dise realizou grandes apreensões de drogas nos últimos dois anos. É bem possível que tenha sido uma retaliação”, afirmou.

À época, a polícia chegou a colocar uma escolta na frente da casa do agente para evitar que os suspeitos retornassem à residência.

Lava devagar na PM – Matéria do “El País” insinua que o deputado Álvaro Camilo ex-comandante da Polícia Militar no estado de São Paulo recebeu dinheiro roubado do povo paulista 30

‘Lava Jato’ na PM de SP: coronel detalha desvio milionário e envolve outros 18 coronéis

Em carta obtida pelo EL PAÍS, ele apresenta roteiro do que pretende delatar sobre esquema que desviou mais de 200 milhões entre 2005 e 2012. Um deputado estadual é citado

Um tenente-coronel promete revelar as entranhas e os beneficiários de um esquema que desviou mais de 200 milhões de reais da Polícia Militar de São Paulo. Detido desde março no presídio militar Romão Gomes no Tremembé, zona norte de São Paulo, o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Estado de São Paulo.

Nos corredores do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, o caso é apelidado de Operação Lava Jat‘ da PM. Isso tanto pelo valor desviado quanto pela alta patente dos beneficiários e envolvidos. Além de tentar um acordo com o Ministério Público, o tenente-coronel escreveu uma carta, enviada à Corregedoria da Polícia Militar, em que tenta demonstrar uma espécie de lealdade à corporação e dá um roteiro do que pretende delatar.

No documento, obtido pelo EL PAÍS, Adriano levanta suspeitas de que 18 coronéis e um deputado estadual receberam recursos desviados da Polícia Militar. Ao longo de 15 páginas, o coronel se diz disposto a colaborar com investigações e sugere à Corregedoria que faça determinadas perguntas a essas 19 pessoas. Informa também que parte dos “documentos comprobatórios” de suas denúncias estão em um pendrive e um CD apreendidos pela polícia quando foi preso. Diz até que “depósitos bancários foram efetuados em dezenas de vezes, para atender a demanda desses oficiais, em épocas distintas, para diversos fins”. Mas o coronel reclama do que chama de “total parcialidade” da Corregedoria da PM. Para ele, a investigação da corporação poupou oficiais mais graduados.

Em carta, o coronel José Afonso Adriano Filho menciona
Em carta, o coronel José Afonso Adriano Filho menciona “depósitos bancários” para atender a demandas de coronéis que pretende delatar DANIEL HAIDAR EL PAÍS

No fim de agosto, Adriano foi condenado pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo à perda de patente e de aposentadoria. Ainda responde a uma ação penal por peculato e é investigado em mais de 20 inquéritos. Adriano tenta uma delação premiada para receber punição mais branda em troca de revelações às autoridades.

Até se aposentar em outubro de 2012, Adriano trabalhou mais de 12 anos no Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo. Fez boa parte da carreira no setor, que é responsável por compras e licitações na corporação. Esteve lá em gestões de sucessivos comandantes da PM e de vários secretários de Segurança nos governos de Geraldo Alckmin (PSDB), Alberto Goldman (PSDB) e José Serra (PSDB). Algumas aquisições do Departamento de Suporte Administrativo precisam ser aprovadas pelo comandante-geral da PM e até pelo secretário estadual de Segurança Pública. Nas investigações da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, até agora foram identificados desvios e fraudes em mais de 200 compras entre 2005 e 2012, com mais de 20 fornecedores envolvidos – incluindo empresas de fachada.

O jornal Folha de S. Paulo revelou em 2015 que as investigações começaram restritas aos anos 2009 e 2010, mas foram ampliadas depois das reportagens do jornal. Ainda assim, o único punido até agora foi o tenente-coronel Adriano.

Ele acabou preso preventivamente depois que um outro investigado disse em depoimento à Corregedoria da PM que foi ameaçado. De acordo com esse investigado, o coronel Adriano lhe falou para “ficar com o bico calado, pois estava mexendo com peixe grande”. A prisão foi decretada pelo juiz Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, que assumiu um dos inquéritos contra Adriano depois que o juiz José Álvaro Machado Marques, inicialmente responsável pelo caso, se declarou impedido para julgar o coronel. O capitão Dilermando César Silva, subordinado de Adriano no departamento de compras, também foi preso, mas responde a processo em liberdade.

Autoridades que acompanham o caso temem que o esquema não seja totalmente investigado pelo Ministério Público e pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo. Procurado, o corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes, não quis dar explicações sobre o andamento das investigações das denúncias mencionadas na carta de Adriano. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que “foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos. O IPM está em segredo de Justiça, motivo pelo qual detalhes da investigação não podem ser passados”.

Como envolve pelo menos uma autoridade com foro privilegiado, um deputado estadual, a negociação da delação premiada de Adriano depende do aval do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio. O Ministério Público informou que a proposta de colaboração premiada está sendo avaliada. “No momento, as informações estão sob análise, não cabendo ao MPSP tecer qualquer tipo de consideração sobre tais tratativas”, afirmou, em nota.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/21/politica/1505958460_055385.html

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A matéria quando deixa de mencionar o nome do deputado supostamente envolvido nessas fraudes, acaba indiretamente prejudicando a imagem dos dois outros coronéis deputados PMs:  Paulo Telhada ( ROTA )  e Edson Ferrarini ( na reserva há décadas ). 

Assim, visando o esclarecimento dos eleitores deve ficar claro – sem prejulgar –  que o único deputado da PM que foi responsável pelo setor de finanças do órgão trata-se de Álvaro Camilo, ex-comandante geral.  

Tenente bebum denigre imagem da Polícia Militar e poderá ser expulso…( Tenente poderá ser expulso, fosse soldado diríamos: será expulso! ) 37

Tenente da PM é detido por agredir segurança ao ser repreendido por urinar em bar

Militar teria urinado em local proibido. Caso ocorreu em São José do Rio Preto (SP).


Por G1 Rio Preto e Araçatuba

 

Caso ocorreu em bar de São José do Rio Preto (Foto: Reprodução/Street View/Google Maps)Caso ocorreu em bar de São José do Rio Preto (Foto: Reprodução/Street View/Google Maps)

Caso ocorreu em bar de São José do Rio Preto (Foto: Reprodução/Street View/Google Maps)

De acordo com informações da Polícia Civil, o PM teria agredido o segurança com coronhadas de uma pistola automática que pertence à corporação. Ainda segundo a polícia, o militar teria ameaçado um cliente do bar, um garçom e um segundo segurança.

Uma equipe da Polícia Militar foi acionada e levou o policial à central de flagrantes. Ele foi ouvido e liberado em seguida. Um boletim de ocorrência foi registrado por lesão corporal e ameaça. A arma dele foi apreendida.

Em nota, o Comando de Policiamento do Interior (CPI-5) informou que o policial militar estava de folga e portava a arma da Polícia Militar. O caso está sendo apurado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e Polícia Civil.

Quebrou-se o mito: também abundam canalhas, ignaros e corruptos no Ministério Público 24

Quebrou-se o mito

A Constituição não confere poderes absolutos ao Ministério Público, mas, da forma como ele está organizado, sem hierarquia funcional, cada membro da instituição torna-se a própria instituição 

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 03h11

A Constituição de 1988 foi um valioso instrumento para consolidar a redemocratização do País, resgatando o respeito a importantes direitos e garantias fundamentais. Deve-se reconhecer, no entanto, que ela também trouxe alguns sérios problemas, que até hoje dificultam o desenvolvimento político, econômico e social da Nação. Várias reformas constitucionais foram feitas, mas os desequilíbrios ainda persistem e, em alguns casos, foram agravados. Basta ver, por exemplo, o tratamento dado pelo texto constitucional a supostos direitos, sem a necessária contrapartida e, pior, sem condicioná-los à existência de recursos. Um grave problema fiscal foi introduzido no próprio fundamento do Estado.

Outro sério problema institucional trazido pela Constituição de 1988 foi o tratamento dado ao Ministério Público, contemplado com uma autonomia que, a rigor, é incompatível com a ordem democrática. Num Estado Democrático de Direito não deve existir poder sem controle, interno e externo. Não há poder absoluto. Explicitamente, a Constituição de 1988 não confere poderes absolutos ao Ministério Público, mas, da forma como ele está organizado, sem hierarquia funcional, cada membro da instituição torna-se a própria instituição.

Ao longo dos anos, esse problema foi agravado por dois motivos. Em primeiro lugar, consolidou-se nos tribunais uma interpretação extensiva das competências do Ministério Público. Obedecendo a uma visão unilateral, que olhava apenas para os supostos benefícios de uma atuação “livre” do Ministério Público, permitiu-se que procuradores se imiscuíssem nos mais variados temas da administração pública, desde a data do vestibular de uma universidade pública até a velocidade das avenidas. Parecia que o Estado nada podia fazer sem uma prévia bênção do Ministério Público.

A segunda causa para o agravamento da distorção foi uma bem sucedida campanha de imagem do Ministério Público, que, ao longo dos anos, conseguiu vincular toda tentativa de reequilíbrio institucional à ideia de mordaça. Qualquer projeto de lei que pudesse afetar interesses corporativos do Ministério Público era tachado, desde seu nascedouro, de perverso conluio contra o interesse público. O resultado é que o País ficou sem possibilidade de reação.

Na prática, a aprovação no concurso público para o Ministério Público conferia a determinados cidadãos um poder não controlado e, por isso mesmo, irresponsável. Nessas condições, não é de assustar o surgimento, em alguns de seus membros, do sentimento de messianismo, como se o seu cargo lhes conferisse a incumbência de salvar a sociedade dos mais variados abusos, públicos e privados. Como elemento legitimador dessa cruzada, difundiu-se a ideia de que todos os poderes estavam corrompidos, exceto o Ministério Público, a quem competiria expurgar os males da sociedade brasileira.

Nos últimos três anos, esse quadro foi ainda reforçado pelos méritos da Lava Jato, como se as investigações em Curitiba conferissem infalibilidade aos procuradores e um atestado de corrupto a todos os políticos. Os bons resultados obtidos ali foram utilizados para agravar o desequilíbrio institucional.

Construiu-se, assim, a peculiar imagem de um Ministério Público inatingível, como se perfeito fosse. Basta ver, por exemplo, o escândalo produzido quando o Congresso não acolheu suas sugestões para o combate à corrupção. A reação dos autores do projeto foi radical: ou os parlamentares aceitavam todas as vírgulas – com seus muitos excessos – ou seriam comparsas da impunidade.

Pois bem, esse monopólio da virtude veio abaixo nos últimos meses de Rodrigo Janot à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ações radicais e destemperadas deixaram explícita a necessidade de que todos, absolutamente todos, estejam sob o domínio da lei, com os consequentes controles. Poder sem controle não é liberdade, como alguns queriam vender, e sim arbítrio.

Na crise da PGR envolvendo a delação de Joesley Batista há uma incrível oportunidade de aprendizado e de reequilíbrio institucional. Com impressionante nitidez, os eventos mostram que também os procuradores erram.

Estupidez e hediondez – Polícia Civil de São Vicente prende PM que emboscou e matou amante da companheira 38

PM é preso por morte de estudante; motivo do crime foi passional

Matheus Garcia Vasconcelos Alves foi morto com um tiro na nuca na noite de segunda-feira, em SV

DE A TRIBUNA ON-LINE @atribunasantos
EDUARDO VELOZO FUCCIA
19/09/2017 – 16:50 – Atualizado em 19/09/2017 – 19:42
Jarbas (foto) confessou informalmente o crime
na tarde desta terça-feira (foto: Reprodução)

A execução do universitário Matheus Garcia Vasconcelos Alves, de 24 anos, está esclarecida. Policiais da Delegacia de São Vicente prenderam, nesta terça-feira (19), o soldado Jarbas Colferai Neto, de 23 anos, que confessou informalmente o crime. A motivação do homicídio foi passional. Ele tinha ciúme de sua companheira e desconfiava que ela mantivesse um envolvimento amoroso com o estudante.

A Tribuna, com exclusividade, apurou os últimos diálogos entre a vítima e a suposta jovem por meio do aplicativo Messenger do Facebook.

O PM se passou pela jovem e o atraiu até a Rua Nicolau Guirão Pérez, Parque Bitaru. O jovem chegou ao local, por volta das 21h30 de segunda-feira (18),  em um carro do Uber imaginando que se encontraria com a moça, mas quem o aguardava armado com um revólver calibre 32 era Jarbas, o policial.

Ele exigiu a entrega do celular e mandou que o rapaz virasse de costas para a parede de uma casa, executando-o sumariamente com um tiro na nuca.

Em seguida, o policial fugiu a pé e abandonou o celular da vítima em uma rua. O aparelho ainda não foi encontrado.

Amigos e parentes se despedem do jovem na Memorial Necrópole Ecumênica (foto: Alberto Marques/AT)

A morte do estudante provocou grande comoção entre parentes e amigos. O velório começou por volta das 15 horas e centenas de pessoas estão na Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, para se despedir do estudante. O sepultamento ocorreu por volta das 19 horas.

Matheus era aluno da Universidade Santa Cecília, em Santos, e estava no último ano do curso de Publicidade e Propaganda. Morador de Santos, o rapaz também era atleta e chegou a defender a Seleção Brasileira de Hóquei em patins no Campeonato Mundial de 2015.

Jovem foi atraído até uma rua no Parque
Bitaru, em SV (Foto: Reprodução/Facebook)

No Facebook

No post publicado na página de A Tribunano Facebook, centenas de comentários eram em tom de lamentação.

“Ele trabalhou comigo, muito triste, rapaz de ouro. Jogador de hóquei, estudante… Não dá pra acreditar numa coisas dessas. Meus sentimentos a toda família”, disse Igor Meneses.

Vinicius Pablos postou que “sempre é triste ver alguém da mesma idade partindo tão cedo e de forma tão banal.. Mesmo não sendo próximo, fico numa bad. força para os familiares e amigos”.

Eli Lobo afirma que não tem mais hora ou lugar para que os casos de violência ocorram. “Que Deus conforte a família desse rapaz. Uma vida inteira pela frente, interrompida por algo que, infelizmente, virou rotina nas páginas de jornais. Até quando?”, se questiona.

Outro comentário, desta vez de Guilherme Alonso, reforça que a vítima era amada por muitos. “Tive o prazer de jogar hóquei com o Matheus e posso dizer com certeza que sempre foi uma pessoa do bem . (…) Vou levar as coisas boas que esse cara me presenteou durante nosso contato”.

 


 

 

Delegado Olim é absolvido da acusação de tortura 12

INTERPRETAÇÃO LITERAL

Agressão policial sem objetivo de obter confissão não é tortura, diz TJ-SP

Por Felipe Luchete – CONJUR 

Eventuais agressões físicas e verbais ou mesmo abuso de autoridade na prisão não podem ser considerados tortura se os responsáveis em nenhum momento exigem que os agredidos confessem delitos, façam declarações ou passem informações. Assim entendeu o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, ao absolver dois delegados, três investigadores e um escrivão acusados de torturar pessoas em 2003.

Um dos réus era o deputado estadual Delegado Olim (PP), o que levou a ação penal ao colegiado máximo do TJ-SP, formado por 25 desembargadores. Ele e os colegas foram acusados de causar sofrimento a quatro pessoas, inclusive um casal que teve a casa utilizada para cativeiro — dias antes, um homem sequestrado havia conseguido fugir, identificando o local posteriormente.

Hoje deputado, Delegado Olim foi absolvido pela prática de tortura
contra suspeitos de sequestro em 2003.
Divulgação

O casal foi preso sem mandado judicial ou flagrante, mesmo afirmando que o quarto havia sido alugado a um terceiro, e relatou ter sofrido violência física na abordagem policial. Uma vizinha relatou que foi ameaçada por ter insistido em acompanhar a cena. Grávida de três meses, ela sofreu um aborto dias depois e atribuiu a morte do feto ao episódio.

Outro suspeito do crime, abordado no mesmo dia, disse que foi agredido com a própria muleta e submetido a sprayde pimenta na detenção da Divisão Antissequestro. Segundo o Ministério Público, autor da denúncia, Olim deu permissão para todos os atos.

Abuso prescrito
O relator do caso, desembargador João Negrini Filho, reconheceu que houve “alguns excessos” na ação policial, “caracterizadores de abuso de autoridade e eventuais lesões corporais leves”. O problema, segundo ele, é que essas condutas já prescreveram.

Negrini disse ainda que não houve comprovação concreta de tortura, “pois os laudos de exame de corpo de delito não apontaram o resultado material das agressões”. Embora a mulher presa tenha sido diagnosticada com abalo psicológico, o desembargador considerou o quadro “perfeitamente compreensível, dada a situação pela qual passou (uma prisão sem o devido mandado e por um crime que ela não praticou e/ou participou)”.

O relator focou as atenções para a tipificação fixada na Lei 9.455/97. O texto só considera tortura “constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa”.

Ele avaliou ainda que os relatos de agressão dentro da Divisão Antissequestro, como uso de gás de pimenta, envolve policiais civis não identificados, sendo impossível atribuir tal conduta aos policiais que estiveram na residência do casal. E o aborto sofrido pela vizinha, afirmou, também não pode ser relacionado diretamente ao episódio, pois ela tinha hipertensão arterial.

O voto foi seguido por unanimidade. O vice-presidente do TJ-SP, desembargador Ademir Benedito, afirmou que “o tipo penal atribuído aos réus é aberto, mas exige o dolo, consistente na vontade de infringir sofrimento físico ou psicológico à vítima com o objetivo de obter confissão, informação ou delação”.

Segundo ele, o MP não apresentou nenhuma prova nesse sentido, pois “nem as próprias vítimas disseram ter havido espancamento ou pressão emocional por parte dos policiais com a exigência de que confessassem ou informassem algo”.

Para o advogado Gustavo Neves Fortes, que representa Olim, o TJ-SP foi além da interpretação restritiva da lei, pois constatou falta de materialidade sobre os relatos de agressões físicas. O criminalista, que integra o escritório Castelo Branco Advogados Associados, afirmou em sustentação oral que exames de corpo de delito não identificaram lesões nas supostas vítimas.

Ele aponta ainda que o juízo de primeiro grau já havia rejeitado a denúncia antes do delegado ganhar prerrogativa de foro, mas a ação penal voltou a tramitar depois de recurso do Ministério Público.

Clique aqui para ler o acórdão.

Processo 0009789-04.2015.8.26.0000

A manifestação do general foi mais um desabafo do que um ultimato 15

O pronunciamento se afigura mais como desabafo de um cidadão do que um ultimato de um militar

Na verdade o povo está sem determinação de rumo face essa avalanche de denúncias de corrupção envolvendo o binômio políticos x empresários. Acima de todos os poderes está o poder político. Emana do povo que o confere a mandatários populares para que façam a condução política dos negócios públicos no interesse da coletividade que representam, mas, o que podemos constatar nas últimas décadas é que, outra coisa não fazem, senão usurpar o mandato popular recebido para lapidar o patrimônio público em proveito próprio, de familiares e dos amigos próximos.
Hoje, não há como se negar que para o povo, partido político é sinônimo de quadrilha.
Contra fatos não há argumentos. O PMDB é o carro chefe dessa roubalheira toda, juntamente com PT, DEM PR e outros agrupamentos de larápios travestidos de agremiações políticas.
O Cabral destruiu o Rio de Janeiro em todos os sentidos, transformou a cidade maravilhosa em cidade pavorosa. Roubou tudo, até pirulito de criança, tendo como parceira a 1ª dama que, numa dessas estranhas decisões judiciais sob medida, está em casa cumprindo prisão domiciliar.
O Geddel tinha em seu apartamento mais dinheiro em espécie do que o Banco Central. O estranho é fazer movimentações bancárias dessa envergadura sem qualquer fiscalização de órgãos financeiros. Era o assessor especial do “presidente” , como o Loures, o Padilha, o Moreira Franco, o Henrique Alves, Coronel Batista e outros. Ainda um lixo desse tipo fez com que um diplomata pedisse exoneração do cargo de Ministro da Cultura por não ter o perfil de bandido necessário para fazer parte do time.
O povo está com o saco cheio desses ladrões. A cara de pau de se apresentar publicamente como se nada estivesse acontecendo.
Falam que as instituições estão funcionando. Quem o STF condenou até agora? Quanto de dinheiro roubado do povo foi recuperado e quanto ainda se encontra ocultado em paraísos fiscais?
Esses políticos são vagabundos da pior espécie, pois são covardes na medida em que, travestidos de homens públicos, exercitam o poder para roubar e se manterem impunes.
Acredito que a manifestação do general foi mais um desabafo como cidadão do que um ultimato como militar.
O povo está esperando para ver o que vai acontecer.
Será que toda essa bandidagem política e empresarial vai cumprir alguns aninhos de prisão domiciliar e depois ficar livre e solto para gastar a vontade tudo o que foi roubado e não encontrado?
Para um cidadão honrado, assalariado, cumpridor de seus deveres, é difícil engolir uma coisa dessas. O que você mais vê na TV é o “presidente” fazendo churrascos e jantares no Palácio da Alvora ou do Jaburu com sua quadrilha. Tudo pago com dinheiro do povo, sendo que uma parte dele, nem tem o que comer.
Corrupção é o câncer da nação e de toda e qualquer instituição, inclusive a nossa.

Por: amigo da Brigadeiro Tobias 9º andar

Contra uma neoditadura militar ressentida , voto Geraldo Alckmin para Presidente da República 132

General fala em intervenção se Justiça não agir contra corrupção

Divulgação/Exército Brasileiro
General Antônio Hamilton Martins Mourão
General Antônio Hamilton Martins Mourão

RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

Um general da ativa no Exército, Antonio Hamilton Mourão, secretário de economia e finanças da Força, afirmou, em palestra promovida pela maçonaria em Brasília na última sexta-feira (15), que seus “companheiros do Alto Comando do Exército” entendem que uma “intervenção militar” poderá ser adotada se o Judiciário “não solucionar o problema político”, em referência à corrupção de políticos.

Mourão disse que poderá chegar um momento em que os militares terão que “impor isso” [ação militar] e que essa “imposição não será fácil”. Segundo ele, seus “companheiros” do Alto Comando do Exército avaliam que ainda não é o momento para a ação, mas ela poderá ocorrer após “aproximações sucessivas”.

“Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso.”

O general afirmou ainda: “Então, se tiver que haver, haverá [ação militar]. Mas hoje nós consideramos que as aproximações sucessivas terão que ser feitas”. Segundo o general, o Exército teria “planejamentos muito bem feitos” sobre o assunto, mas não os detalhou.

Natural de Porto Alegre (RS) e no Exército desde 1972, o general é o mesmo que, em outubro de 2015, foi exonerado do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, pelo comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e transferido para Brasília, em tese para um cargo burocrático sem comando sobre tropas armadas, após fazer críticas ao governo de Dilma Rousseff. Um oficial sob seu comando também fez na época uma homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, acusado de inúmeros crimes de tortura e assassinatos na ditadura militar.

A palestra de sexta-feira (15) foi promovida por uma loja maçônica de Brasília e acompanhada por integrantes do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, entre outros. Segundo o vídeo de duas horas e 20 minutos que registra o evento, postado na internet, Mourão foi apresentado no evento como “irmão”, isto é, membro da maçonaria do Rio Grande do Sul.

Ele se definiu como “eterno integrante da [comunidade de] inteligência”, tendo sido graduado como oficial de inteligência na ESNI (Escola do Serviço Nacional de Informações). Criado após o golpe militar de 64 e extinto em 1990, o SNI era o braço de inteligência do aparato de repressão militar para ajudar a localizar e prender opositores do governo militar, incluindo sindicalistas, estudantes e militantes da esquerda armada.

Um dos organizadores do evento, o “irmão” Manoel Penha, brincou, no início da palestra, que havia outros militares à paisana na plateia, com “seu terninho preto, sua camisa social”. Ele afirmou em tom de ironia: “A intervenção que foi pedida, se feita, será feita com muito amor”.

Na sua exposição, de quase uma hora, o general criticou a Constituição de 1988, que segundo ele garante muitos direitos para os cidadãos e poucos deveres, atacou a classe política. “Sociedade carente de coesão cívica. A sociedade brasileira está anímica. Ela mal e porcamente se robustece para torcer pela Seleção brasileira ou então sai brigando entre si em qualquer jogo de time de futebol. Crescimento insuficiente e o Estado é partidarizado. O partido assume, ele loteia tudo. Tal ministério é do sicrano, tal do fulano, e aquilo é porteira aberta. Coloca quem ele quer lá dentro e vamos dar um jeito de fabricar dinheiro.”

O general respondeu a uma pergunta lida pelos organizadores do evento, segundo a qual “a Constituição Federal de 88 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas”. Contudo, “intervenção militar” não é prevista em nenhum trecho da Constituição. O artigo 142 da Carta, que costuma ser citado por militantes na internet, fala apenas que as Forças Armadas destinam-se à defesa da Pátria e “à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes [Poderes], da lei e da ordem”. O texto, portanto, condiciona uma eventual ação militar a uma iniciativa anterior dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A pergunta também sugeriu um “fechamento do Congresso”.

Na sua resposta, contudo, Mourão não rebateu a afirmação contida na pergunta de que uma “intervenção” seria constitucional e nada falou sobre fechamento do Legislativo. Pelo contrário, elogiou-a como “excelente pergunta”.

Em nota neste domingo (17), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização não governamental, disse que vê com “preocupação e estranheza” a sugestão do general de que o Exército poderá “intervir militarmente, caso a situação política não melhore”. “Esta declaração é muito grave e ganha conotação oficial na medida em que o General estava fardado e, por isso, representando formalmente o Comando da força terrestre. Ela é ainda mais grave por ter sido emitida pelo Secretário de Economia e Finanças, responsável pelo gerenciamento de recursos da Força e, portanto, soar como chantagem aos Poderes constituídos em um momento de restrição orçamentária.”

“O Exército Brasileiro tem pautado sua atuação no cumprimento da lei, buscando ser fator de estabilidade política e institucional. Não é possível, neste delicado quadro, vermos a confiança da população nas Forças Armadas ser abalada por posturas radicais, ainda mais diante da aguda crise de violência que atinge o país”, diz a nota.

A Folha procurou na tarde deste domingo (17) o Comando do Exército e o Ministério da Defesa para ouvi-los sobre as declarações do general. Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército informou “que o Exército Brasileiro, por intermédio do seu comandante, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas tem constantemente reafirmado seu compromisso de pautar suas ações com base na legalidade, estabilidade e legitimidade”.

A Folha pediu contato com o general Mourão, para que comentasse suas declarações, mas o centro de comunicação social do Exército informou que as respostas serão dadas por meio do órgão. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, Mourão disse que “não está insuflando nada” e que “não defendeu [intervenção], apenas respondeu a uma pergunta”. Porém, logo em seguida o general reiterou que “se ninguém se acertar, terá de haver algum tipo de intervenção, para colocar ordem na casa”.

Disse ainda que “não é uma tomada de poder. Não existe nada disso. É simplesmente alguém que coloque as coisas em ordem, e diga: atenção, minha gente vamos nos acertar aqui e deixar as coisas de forma que o país consiga andar e não como estamos. Foi isso que disse, mas as pessoas interpretam as coisas cada uma de sua forma. Os grupos que pedem intervenção é que estão fazendo essa onda em torno desse assunto”.

O Ministério da Defesa não havia se manifestado até a conclusão deste texto.

*

A seguir, a íntegra do trecho em que o general falou sobre a “intervenção”.

Pergunta: [apresentador lê um papel com a pergunta] “A Constituição Federal de 88 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas. Os poderes Executivos [sic] e os Legislativos estão podres, cheio de corruptos, não seria o momento dessa interrupção, [corrigindo] dessa intervenção, quando o presidente da República está sendo denunciado pela segunda vez e só escapou da primeira denúncia por ter ‘comprado’, entre aspas, membros da Câmara Federal? Observação: fechamento do Congresso, com convocações gerais em 90 dias, sem a participação dos parlamentares envolvidos em qualquer investigação. Gente nova.”

Mourão: Excelente pergunta. Primeira coisa, o nosso comandante, desde o começo da crise, ele definiu um tripé pra atuação do Exército. Então eu estou falando aqui da forma como o Exército pensa. Ele se baseou, número um, na legalidade, número dois, na legitimidade que é dada pela característica da instituição e pelo reconhecimento que a instituição tem perante a sociedade. E número três, não ser o Exército um fator de instabilidade, ele manter a estabilidade do país. É óbvio, né, que quando nós olhamos com temor e com tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz: ‘Pô, por que que não vamo derrubar esse troço todo?’ Na minha visão, aí a minha visão que coincide com os meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da tábua de logaritmos, ‘aproximações sucessivas’. Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso. Agora, qual é o momento para isso? Não existe fórmula de bolo. Nós temos uma terminologia militar que se chama ‘o Cabral’. Uma vez que Cabral descobriu o Brasil, quem segue o Cabral descobrirá alguma coisa. Então não tem Cabral, não existe Cabral de revolução, não existe Cabral de intervenção. Nós temos planejamentos, muito bem feitos. Então no presente momento, o que que nós vislumbramos, os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas, podem ter certeza disso aí. E a minha geração, e isso é uma coisa que os senhores e as senhoras têm que ter consciência, ela é marcada pelos sucessivos ataques que a nossa instituição recebeu, de forma covarde, de forma não coerente com os fatos que ocorreram no período de 64 a 85. E isso marcou a geração. A geração é marcada por isso. E existem companheiros que até hoje dizem assim, ‘poxa, nós buscamos a fazer o melhor e levamos pedradas de todas as formas’. Mas por outro lado, quando a gente olha o juramento que nós fizemos, o nosso compromisso é com a nação, é com a pátria, independente de sermos aplaudidos ou não. O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos de qualquer maneira atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver, haverá. Mas hoje nós consideramos que as aproximações sucessivas terão que ser feitas. Essa é a realidade.

Alckmin está correto – Major Olímpio ganha mais que coronel: R$ 21 mil; mais R$ 33 mil como deputado federal( fora as demais vantagens do cargo )…Toda essa grana graças ao povo de São Paulo, sim! 126

Mesma turma no Barro Branco: 

Alckmin reage exaltado a protesto de deputado federal

Ernesto Rodrigues – 27.jan.2015/Folhapress
Suzano - sp - bRASIL - 27/01/2014/ gOVERNADOR aLCKIMIN; O govemardor Geraldo Alckmin inaugura obra de aumento da captação do Alto Tiete, na ETA da Sabesp no municipio de Suzano interior do estado de São Paulo. ( Foto Ernesto Rodrigues/Folhapress/PODER).
Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB)

WÁLTER NUNES
DE SÃO PAULO

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), exaltou-se e dirigiu ataques contra o deputado federal Major Olímpio (SD), na tarde deste sábado (16), em evento de entrega de veículos para a Polícia Militar, em São Carlos, interior de São Paulo.

Aos berros, Alckmin disse que o deputado deveria ter vergonha de ganhar R$ 50 mil mensais do povo de São Paulo.

O ataque foi uma resposta ao protesto feito por Major Olímpio, que pedia reajuste de salário para os policiais. Alckmin discursava sobre a entrega dos 197 automóveis enquanto o deputado, ao lado do palco, usava um microfone para gritar palavras de ordem. “Cadê o salário da polícia?”, perguntava o deputado.

Alckmin começou a responder ao protesto em tom sereno. “Quero dizer que nós vamos dar o reajuste aos nossos servidores civis e militares”. Em seguida, no entanto, subiu a voz. “Mas quero dizer. Quero fazer uma pergunta para vocês: alguém aqui ganha R$ 50 mil do povo de São Paulo? Olha ele que está gritando. Ele ganha R$ 50 mil. Devia ter vergonha. Vergonha de vir aqui. R$ 50 mil do povo de São Paulo. Tenha vergonha, deputado. Não pode olhar no rosto dos brasileiros de São Paulo. R$ 50 mil por mês. Vergonha.”

Sobre o valor do salário mencionado pelo governador Alckmin, a assessoria de imprensa do Major Olímpio informou que o deputado acumula dois vencimentos. Ele recebe R$ 21 mil como major aposentado da Polícia Militar e R$ 33 mil do salário de deputado federal, totalizando R$ 54 mil de salário bruto (sem desconto de contribuições obrigatórias, como impostos).


Diante da realidade do Brasil, o major Olímpio trabalhou pouco tempo, contribuiu quase nada e ganha como aposentado muito mais do que a imensa maioria da população. 

“O crime mais organizado do Rio já está no poder. E é o PMDB” – A PM é uma ”sobrante” dessa sociedade. É descartável tanto quanto o jovem negro”, afirma Marcelo Freixo (PSOL-RJ) 8

“O crime mais organizado do Rio já está no poder. E é o PMDB”

Leonardo Sakamoto

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”O crime mais organizado do Rio de Janeiro não disputa o poder, ele já está no poder. O crime organizado é o PMDB.”

A declaração do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) pode parecer lugar-comum em um momento em que o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, entre outros expoentes do PMDB carioca, encontram-se presos ou denunciados por corrupção. Mas, como ele mesmo faz questão de ressaltar, vem repetindo isso há anos. E acredita que a tendência é piorar: ”Você não tem governo no Rio de Janeiro. O Pezão [também do PMDB] é um ex-governador em exercício”.

O professor de História, formado pela Universidade Federal Fluminense, chegou à Assembleia Legislativa em 2007. Logo em seu primeiro mandato, presidiu a CPI das Milícias, que resultou no indiciamento de 225 pessoas e em ameaças contra a sua vida. Por conta de sua atuação, inspirou o personagem Diogo Fraga, no filme ”Tropa de Elite 2”. Também presidiu a CPI do Tráfico de Armas e Munições. Ficou em segundo lugar nas eleições à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012 e 2016, perdendo, respectivamente, para Eduardo Paes e Marcelo Crivella.

Freixo conversou com a TV UOL sobre o caos na segurança pública em que o Rio está mergulhado. Não apenas pela grave crise econômica, mas também, segundo ele, pelo colapso de instituições e como consequências de políticas que beneficiam uma parcela pequena de ”cidadãos” e cria uma legião de ”matáveis” e de ”sobrantes” – sejam eles moradores de áreas pobres, bandidos ou policiais.

Policiais honestos, aliás, são vítimas dessa situação, em detrimento aos que não seguem as regras e os que criam milícias. Neste ano, foram 102 assassinados. Ao mesmo tempo, segue o genocídio de jovens negros e pobres nas periferias.

Abaixo você confere um resumo e trechos da entrevista, que pode ser vista na íntegra ao fim deste post.

O Rio está em guerra?

As armas são de guerra, o número de mortos é de guerra, as cenas são de guerra. Mas a lógica da guerra não é feita pela imagem da guerra. A lógica da guerra pressupõe um grupo que está disputando um poder e guerreia para tomar o poder. Não há uma guerra civil no Rio, como existem em diversos países. O crime mais organizado do Rio de Janeiro não disputa o poder, ele já está no poder. O crime organizado é o PMDB e ele já está no poder.

Nós não podemos achar que a solução para a segurança pública de uma cidade é eliminar o inimigo. Há um processo da criminalização da pobreza, das favelas, das periferias, de onde vem os próprios policiais. E o resultado é que você tem é a polícia que mais mata e a que mais morre. Homens de preto, matando homens pretos, quase todos pretos.

Por que morrem tantos policiais

A tendência é piorar porque você não tem governo no Rio de Janeiro. O Pezão é um ex-governador em exercício. O 13o salário do ano passado não foi pago, são meses de salários atrasados, é um drama social profundo no Rio. Não lembro de nada parecido. A gestão do PMDB foi absolutamente criminosa. E quando o tecido social rasga no Rio, ele rasga na segurança pública. Há 23 anos que morrem mais de 100 policiais por ano. Até que ponto nós não naturalizamos esse processo? Será que o problema está só neste ano?

Os números altos dos homicídios não são em locais como Leblon, Ipanema, Gávea e Jardim Botânico, mas na Zona Norte e na Baixada Fluminense. A maioria das mortes não são de policiais no serviço. Ele morre porque é policial, mas tudo começa quando ele é assaltado, como tantos outros naquelas regiões estão sendo assaltados. Há um problema da segurança pública que você não resolve com a lógica da guerra. Há os lugares dos ”matáveis”. Que é onde a polícia mata e morre.

Do que as pessoas estão morrendo no Rio de Janeiro? De overdose ou de tiro? É de tiro. As pessoas estão morrendo pela lógica da ”guerra às drogas”, onde há os territórios do tráfico, os ”matáveis”, os ”sobrantes”. A PM é uma ”sobrante” dessa sociedade. É descartável tanto quanto o jovem negro. Essa guerra é insana. Um fardado mata dez esfarrapados, um esfarrapado mata um soldado. Quem é o vencedor dessa guerra? Não tem. Temos que chamar a polícia para o diálogo para que ela entenda que sua vida está em jogo no debate sobre a legalização das drogas.

Você tem uma construção lamentável de que a garantia dos direitos humanos ameaçaria a polícia e a segurança pública. Pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, que presido, estamos fazendo um atendimento às famílias dos policiais mortos, criando um protocolo de atendimento junto com o comando da PM.

Uma bancada da segurança pública no PSOL

Um grupo de policiais civis vai se filiar ao PSOL, delegados, agentes, peritos. O PSOL vai ter uma bancada de segurança pública. Mas a bancada não pode ser só de policial, se não vamos estar reproduzindo o erro dos outros. Eles também vão debater educação, saúde. A segurança pública é tão importante que não pode ser só caso de polícia, mas tem que ser debatida à luz da garantia de direitos.

As mortes dentro do sistema prisional

As taxas de resolução de homicídios não chegam a 8%. A gente só prende em flagrante no Brasil. Prendemos quem vigiamos, não quem investigamos. Os muros das cadeias são altos para que não vejamos o que acontece lá dentro. A população carcerária brasileira cresceu mais do que em qualquer país. O Brasil não é o país da impunidade, aqui a polícia mata e prende. E as pessoas acham que temos que matar mais. Eu poderia te dizer que o sistema penitenciário do Rio funciona bem. Porque ele existe para prender pobre, favelado e não deixar fugir. O que acontece lá dentro, não importa.

Quantos presos trabalham? Não chega a 10%. Quantos presos estudam? Não chega a 12%. São prisões de ociosidade máxima. Por que não temos parcerias de instituições de educação no sistema prisional? Basta planejamento e vontade. Não interessa politicamente que as prisões sejam locais de humanização.

Para que servem as Unidades de Polícia Pacificadora

Foi um processo de vigilância, imediata, em áreas de interesse econômico de grandes conglomerados para uma agenda de uma cidade para enriquecer um determinado setor. Isso não dá certo em nenhum lugar do mundo a médio prazo.

Você tem um projeto de cidade que tinha a ver com um governo absolutamente corrupto. Uma ideia de cidade absolutamente gentrificada, elitizada, desde a própria privatização e elitização do espetáculo. No Maracanã, com o fim da geral, o pobre é removido do espetáculo para o pay-per-view do botequim A mística da mistura acabou. O Maracanã é para sócio-torcedor, o Rio de Janeiro é uma cidade de sócios-torcedores. Tem gente que assiste à cidade pelo pay-per-view, a vida está no pay-per-view. As UPPs serviram a isso. A opinião sobre essas unidades nos bairros da Zona Sul é diferente da opinião nos locais mais pobres. Ela garantiu sensação de segurança para os locais mais ricos travando a vida dos mais pobres.

Um projeto de esquerda para a segurança pública

Uma política de segurança pública deve ser de direitos humanos e de segurança pública. Deve-se reformar a polícia. Policial não pode ser punido porque não fez a barba ou não limpou a bota. O policial tem que entender de democracia a partir da sua instituição. Ao mesmo tempo, é preciso avançar no debate sobre a legalização das drogas, o que não é imediato e local, mas um ponto decisivo para não ter os territórios dos ”matáveis” com uma lógica de guerra em que só pobre jovem negro e policial morrem.

Não há milícia no Leblon e em Ipanema, mas nas Zonas Oeste e Norte. Pois esses territórios não interessam a um modelo de cidade elitizado e é ocupado por milícias. O debate de segurança pública passa por discutir para quem a cidade vai funcionar, com quem a cidade vai funcionar e pela radicalização de um processo de democracia. Precisa-se discutir com as favelas e elas já estão se organizando para isso. Chega desse processo ”civilizatório”, colonizador e catequizador chegando nessas áreas e dizendo o que vai acontecer.

Íntegra da entrevista:

https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/09/17/o-crime-mais-organizado-do-rio-ja-esta-no-poder-e-e-o-pmdb/

Sem Alckmin e com Doria, PSB ‘lança’ França ao governo 13

Sem Alckmin e com Doria, PSB ‘lança’ França ao governo

Governador não foi a congresso do partido do vice; sigla decidiu adiar convenção nacional até PSDB definir candidatura presidencial 

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2017 | 23h04

O vice-governador de São Paulo, Márcio França, foi “lançado” neste sábado, 16, candidato a governador nas eleições de 2018 durante um congresso do PSB, com a presença do prefeito João Doria e ausência do governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Já a convenção nacional do PSB foi adiada de outubro para março. Segundo França, o partido decidiu esperar a definição do PSDB sobre seu candidato a presidente antes de eleger sua nova direção.

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O prefeito João Doria (PSDB) discursa ao lado do vice-governador Márcio França durante congresso do PSB Foto: PEDRO VENCESLAU/ESTADÃO

O vice-governador paulista, que deve assumir o Palácio dos Bandeirantes em abril do ano que vem se Alckmin deixar o cargo para disputar a Presidência da República, tenta atrair o apoio dos tucanos para disputar a reeleição.

No plano nacional, o PSB está afinado com o projeto de Alckmin e sinaliza que acolheria a candidatura presidencial do aliado caso ela não se viabilize no PSDB. O problema é que os tucanos paulistas não aceitam abrir mão de ter um nome próprio na disputa ao Palácio dos Bandeirantes após 22 anos à frente do governo.

Doria foi o único tucano que discursou no auditório da Assembleia Legislativa onde ocorreu o 11.º Congresso Estadual do PSB-SP, no qual França foi reeleito presidente do partido no Estado.

Antes de sua fala, Doria foi recebido por palavras de ordens como “São Paulo avança, governador é Márcio França”. Ao discursar, o prefeito exaltou o papel de França e do PSB na sua campanha à Prefeitura no ano passado. “Márcio França é uma liderança extraordinária. Estamos juntos e continuaremos juntos”, disse.

Ao Estado, Doria afirmou que dificilmente PSDB e PSB estarão no mesmo palanque em São Paulo em 2018. “França tem todo o direito de ser candidato. Ele é de um partido aliado, mas será muito difícil o PSDB não lançar candidato próprio em São Paulo.”

Dois palanques. Para o ex-senador José Aníbal (PSDB), presidente do Instituto Teotônio Vilela, a base de Alckmin deve ter duas candidaturas no primeiro turno. “O PSDB foi criado em 1988 e desde 1990 tem candidato a governador. Com exceção de 1990, todas as outras ganhamos. O PSDB não tem do que se envergonhar em São Paulo. A tendência é ter dois candidatos”, disse Aníbal.

França reconheceu que dificilmente terá o apoio dos tucanos. “Vou tentar (uma aliança) até o fim, mas não quero criar expectativas porque o PSDB tem muitos nomes. O mais provável é que a candidatura de Alckmin à Presidência tenha dois palanques em São Paulo em 2018”, afirmou o vice-governador.

Questionado sobre a ausência do governador no 11.º Congresso do PSB, França disse que ele mesmo representa Alckmin. O tucano ontem cumpriu agenda em São Carlos, no interior de paulista.

“Não convidamos outros partidos. Doria estava aqui (na Assembleia) para participar de um congresso da juventude do PSDB. Como ele tem muito senso de oportunidade, aproveitou e passou no nosso congresso”, afirmou França.

A avaliação do vice-governador é de que a eleição presidencial de 2018 terá três polos: um candidato competitivo no campo da esquerda, um nome governista do PMDB ou apoiado pelo partido e um candidato tucano.

Reeleição. Para impedir uma eventual aproximação dos tucanos com França para a disputa estadual de 2018, um grupo de prefeitos do PSDB liderado por Orlando Morando, de São Bernardo, decidiu lançar a candidatura do deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB-SP, à reeleição na sigla.

Esse grupo teme que a nova direção da sigla, que será escolhida em novembro, aceite a tese de apoiar o PSB em troca de apoio à candidatura presidencial de Alckmin.

O PSDB já tem pelo menos dois nomes abertamente disputando a vaga de candidato ao governo paulista: o cientista político Luiz Felipe d’Avila e o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro.

Mas outros nomes também são apontados pelos dirigentes tucanos como opções. São eles o secretário de Saúde, David Uip, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, e o senador José Serra.