Por muito menos um promotor, provavelmente viado, requisitou um inquérito em nosso desfavor por crime de racismo; pelo simples fato de eu ironizar a Pátria Educadora da Dilma.
Por muito menos um promotor, provavelmente viado, requisitou um inquérito em nosso desfavor por crime de racismo; pelo simples fato de eu ironizar a Pátria Educadora da Dilma.

Post do promotor Avelino Grota, que ele diz ser irônico (Reprodução/Facebook)
O promotor de Justiça Avelino Grota, do Ministério Público Estadual de São Paulo, enfrentará investigações na Procuradoria-Geral de Justiça e na Corregedoria por causa de um texto que, segundo ele, ironizava o arquivamento de uma investigação sobre a exigência de clubes paulistanos para que babás usassem uniformes brancos em suas dependências. Em um grupo privado de promotores no Facebook, Grota escreveu uma postagem com diversas ofensas a pobres, negros e babás.
As mensagens foram reveladas pelo blog do Fausto Macedo, no jornal O Estado de S. Paulo. Elas foram postadas entre os dias 25 e 26 de agosto. Foi justamente em 25 de agosto que o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu arquivar os inquéritos que a Promotoria de Direitos Humanos havia aberto para investigar a discriminação de clubes paulistanos ao regular a vestimenta de babás.
“Analisei, ponderei e cheguei a algumas conclusões. Vamos a elas. Pobre, em regra, é feio; babá, em regra, é pobre; logo, babá, em regra, é feia”, disse Grota. “E negro, como todos sabem, tem o péssimo costume de não dar muita atenção à higiene – tanto do corpo quanto da roupa”. Em seguida, o promotor enumera razões que justificariam o uso do uniforme branco pelas babás, todas elas carregadas de termos ofensivos.
“É por isso que negro, em geral, é catinguento, porque sua muito e, não tomando a quantidade diária certa de banhos, acaba fedendo mais do que o recomendável. Daí porque o uso da roupa branca pelas babás é uma solução muito adequada”, afirma, em certa passagem do texto.
Após a repercussão do texto, Grota voltou ao grupo do Facebook para dizer que “qualquer colega de boa-fé” compreendeu “que tudo o que nele [no post] está escrito é rigorosamente irônico – ou, mais propriamente, sarcástico”.
Ele criticou o promotor – que não nomeou – que tirou o texto de contextualização e vazou o seu conteúdo para a imprensa e para um grupo de delegados no Whatsapp, o que, segundo ele, causou “o regojizo de algumas autoridades da Polícia Civil que nunca tiveram grande apreço pelo MP”. Grota também lamentou que outro promotor tenha entrado com as representações.
“O fato é que o colega que vazou, se não entendeu a ironia ou o sarcasmo, foi seletivo, porque vazou apenas o texto principal e dois dos três primeiros comentários, omitindo todos os demais, nos quais, se dúvida alguma havia sobre a natureza do post, ficava esclarecido que todo ele era e é rigorosamente uma crítica à obrigatoriedade do uso do branco pelas babás, e não, obviamente, um devaneio racista sobre negros ou um panfleto classista contra pobres”, afirmou.
O promotor disse que se considera negro, que não nasceu “em berço de ouro” e que jamais manifestou preconceito contra ninguém. Grota declarou que responderá aos processos administrativos no tempo certo e que avaliará se tomará alguma medida judicial contra o colega que fez a representação às instâncias superiores do MP.
Para se justificar diz que é negro e “casado com um negro”.
Homossexual ele até pode ser, casado com negro até pode ser, mas negro não parece.Talvez eu esteja com problemas de visão.
De qualquer forma, desde quando toda babá é negra e feia, todo segurança é negro e todo pobre é fedorento?,
Só no inconsciente desse douto membro do MP de São Paulo, né ?
— Todos que me conhecem sabe que eu sou irônico, sarcástico, sempre escrevo nessa linha. E, em segundo lugar, porque eu mesmo sou negro. Em recente censo interno do MP, eu fui um dos poucos que se identificaram como negro. Sou casado com um negro, tenho 26 anos de carreira, sempre fui ligado à área dos direitos humanos, assessor de quatro ex-procuradores gerais — disse.
Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/texto-sobre-racismo-gera-polemica-entre-promotores-de-sp-21904242#ixzz4uYyxDNCl
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Pois é, nos últimos tempos , o GAECO do Ministério Público com estardalhaço realizou diversas operações contra o jogo do bicho na Baixada Santista, especialmente em Santos e São Vicente.Luís Adorno
Do UOL, em São Paulo
A Polícia Civil alugou um imóvel para acomodar policiais disfarçados e vigiou suspeitos por dias até conseguir achar o túnel de 600 metros e os líderes da quadrilha que planejava furtar cerca de R$ 1 bilhão do Banco do Brasil em São Paulo.
A investigação começou há cerca de três meses, quando policiais do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) receberam informações preliminares de que uma quadrilha tentaria assaltar o Complexo Verbo Divino do Banco do Brasil, na zona sul de São Paulo.
A polícia não disse se recebeu dicas de informantes ou se interceptou comunicações de suspeitos para ter acesso a essa informação inicial.
Mas ainda era preciso descobrir como o assalto aconteceria e quem eram os líderes da quadrilha.
Uma das primeiras medidas dos policiais foi ir visitar as instalações do banco. Lá eles verificaram que havia um grande aparato de segurança e por isso concluíram que dificilmente os criminosos optariam por um assalto convencional.
A partir de então começaram a suspeitar que os bandidos tentariam cavar um túnel para entrar no cofre do banco de noite.
“Há um mês, identificamos o QG (dos criminosos), na zona norte (de São Paulo). Vimos uma movimentação anormal”, disse o delegado responsável, Fábio Pinheiro Lopes.
Policiais disfarçados então alugaram uma casa e de lá começaram a vigiar um imóvel onde suspeitavam que os criminosos preparavam ferramentas e instrumentos que seriam usados no túnel que seria cavado até o cofre do banco.
O fato de os suspeitos sempre saírem do local carregados de equipamentos reforçou a hipótese da polícia de que eles estavam construindo um túnel. Os policiais perceberam que estavam lidando com uma quadrilha especializada em roubos a banco.
“Em uma semana, a gente conseguiu identificar onde seria o túnel. Monitoramos a região e optamos para “startar” (começar) essa operação quando os líderes estivessem reunidos”, afirmou o delegado Lopes.
O túnel estava sendo cavado a partir de uma casa alugada na Chácara Santo Antônio, zona sul da capital paulista, próxima ao complexo de cofres do Banco do Brasil. O local também passou a ser monitorado dia e noite.
Quando foi descoberto, o túnel estava quase concluído e já era quase oito vezes maior ao que foi usado pela quadrilha que realizou o maior assalto a banco do Brasil — quando foram levados R$ 164 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), em agosto de 2005. A estrutura usada na época tinha 75,4 metros de comprimento. O túnel de São Paulo tem cerca de 600 metros.
Os policiais decidiram continuar monitorando as atividades dos criminosos até conseguir identificar quem eram os líderes do bando. Na noite desta segunda-feira, quando os policiais do Deic tiveram certeza de que as lideranças estavam reunidas, uma grande operação com equipes táticas e um helicóptero foi deflagrada.
Foram presos os supostos líderes da quadrilha: Fernando Augusto Santiago, 40 anos, mecânico, e Alceu Ceu Gomes Nogueira, 35 anos, perueiro, além de outros 14 suspeitos.
“Quatro (suspeitos) que foram contratados para cavar estão foragidos. Não teve reação. Até porque foi rápido. Não teve nem tempo de reagir. Eles nem acreditaram no que estavam vendo”, disse o delegado.
Os investigadores encontraram no local usado como base pelos criminosos uma estrutura completa, com maquinários que permitiam o corte de metais para confecção de escoras, trilhos e carrinhos utilizados na retirada dos numerários.
Ao entrar no túnel, os policiais perceberam que as escavações já haviam praticamente chegado aos cofres — no complexo do Banco do Brasil já era até possível ver rachaduras no chão.
O furto aconteceria na sexta-feira, segundo os policiais.
Os presos responderão por tentativa de furto qualificado e associação criminosa. Entre os detidos, 12 apresentavam passagens na polícia por homicídio, roubo, furto, tráfico de drogas, estelionato e porte de arma. Os policiais apreenderam seis automóveis.
Ainda de acordo com a polícia, alguns dos assaltantes também atuaram em dois grandes roubos a banco no Brasil: o maior do país, em Fortaleza, em 2005, e o do Itaú, em 2011, em São Paulo.
Nogueira também é investigado por suposta participação em um assalto à transportadora de valores Prosegur, no Paraguai, em abril deste ano. Na ocasião foram roubada em dólares uma quantia equivalente a R$ 120 milhões de reais. O crime foi atribuído a membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com a defesa dos 16 suspeitos até o horário da publicação. Segundo o Deic, eles estão no Fórum da Barra Funda, onde devem passar por audiência de custódia nesta terça-feira.
Curiosos tentam entender e se questionam como os criminosos conseguiram tramar tudo, durante tanto tempo, e cavar o tanto que conseguiram, até o banco, sem gerar nenhum alarde e sem barulho. Ninguém quis se identificar.
Uma vizinha, que mora ao lado na casa, e que pediu para não ser identificada, disse que os criminosos não faziam barulho nenhum e que nunca suspeitou de nada. “Eles entravam e saíam toda hora com uma van. A casa ficou desocupada há 3 anos. Antes, funcionava um cabeleireiro, que deixou o local porque, quando chovia, entrava água dentro da casa”.
Especialistas críticos à atuações da polícia analisaram com bons olhos a ação ocorrida ao longo dos últimos meses, de inteligência, e a forma com que os policiais abordaram e capturaram os criminosos, sem a necessidade de disparo de armas de fogo.
Para a professora da Universidade de Chicago, Yanilda Gonzales, que está no Brasil para uma pesquisa sobre segurança pública, há um “contraste” entre a ação de ontem e uma outra ação recente da polícia no Morumbi — onde dez suspeitos de uma quadrilha que roubava residências foram mortos em um tiroteio com a polícia.
“É um espelho para avaliar o que aconteceu no Morumbi. A Polícia Civil demonstrou ontem que tem a capacidade de executar uma operação sofisticada sem violência letal, então é necessário perguntar porque a ação no Morumbi teve esse resultado trágico”, disse.
“Foi uma ação que todo o cidadão quer e que o Brasil precisa: uma polícia que age de forma inteligente, que investiga com cuidado, com atenção, e que prende os criminosos em uma ação que não foi necessário efetuar nenhum disparo. Isso é uma operação de sucesso”, afirmou Rafael Alcadipani, que é membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
“É o tipo de ação que a gente precisa incentivar, tanto como mídia, sociedade e especialista de segurança. A gente tem que incentivar ações inteligentes da polícia, que previne o crime, evita e faz com que ele não aconteça e que respeita o direito de todo mundo”, complementou.
Até o governador Geraldo Alckmin participou de uma entrevista à imprensa sobre a prisão da quadrilha — o que não é prática comum em casos policiais.
“Dezesseis presos. Fruto de três meses trabalho. E a prisão desta quadrilha com indícios de envolvimento em outros grandes crimes pelo Brasil. Era uma quadrilha altamente especializada. Tiveram um investimento inacreditável de quase R$ 4 milhões (para construir o túnel). Quero cumprimentar todos os policiais e toda a equipe que participou”, afirmou o governador.
Em carta enviada à Corregedoria da Polícia Militar em 20 de maio, o ex-tenente-coronel da reserva José Afonso Adriano Filho sugere que 19 oficiais do comando da PM paulista, entre eles o ex-comandante da corporação e atual deputado estadual coronel Álvaro Camilo, estão envolvidos no caso de corrupção que pode ter desviado, segundo denúncia do Ministério Público, mais de R$ 300 milhões dos cofres públicos e o levou à prisão em março deste ano.
Adriano, que está negociando uma delação premiada, solicita a abertura de inquérito contra os oficiais, e reclama de parcialidade do órgão. Na carta, ele fala em reformas de apartamento, mimos a policiais e compra de viaturas incompletas. Por conta da tentativa de delação do ex-coronel, o caso vem sendo chamado de Lava Jato da PM nos bastidores.
“Verifica-se que esta Corregedoria apura com rigor os fatos ocorridos no DSA-CG [Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral], porém com total parcialidade, tendo em vista que muito embora tenha conhecimento da participação e conhecimento de outros oficiais superiores, sequer (sic) foram ouvidos, limitando-se a investigar com rigor extremo o denunciante”, diz o documento obtido na íntegra pelo R7.
Adriano era oficial da PM até 16 de agosto deste ano, quando foi julgado pelo TJM (Tribunal de Justiça Militar), que afirma que o oficial teve seu posto de tenente-coronel cassado, assim como seu salário mensal — R$ 15.766,70 — e pensão como reservista. Segundo o TJM, ele ainda foi expulso da corporação junto com a decisão.
O R7 entrou em contato com os advogados do tenente-coronel, que não responderam até a publicação desta reportagem.
O PM teve seu pedido de Habeas Corpus negado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) na última quarta (27), que cita o relatório da promotoria. Na decisão, o ministro Ribeiro Dantas defende a prisão preventiva de Adriano afirmando que mesmo com o passaporte retido, o policial poderia fugir a um país membro do Mercosul.
A decisão também afirma que Adriano ameaçou um parceiro, exigindo “ficar calado, pois estaria mexendo com peixe grande”.
Questionado, o MP confirma o interesse de fazer um acordo de delação premiada, e afirma que “no momento, as informações estão sob análise, não cabendo ao MP tecer qualquer tipo de consideração sobre tais tratativas”.
207 crimes
De acordo a denúncia, de 10 de abril de 2017, o esquema teve início em meados de 2005, quando a empresa Construworld LTDA foi contratada para um serviço de reparo no lago de carpas do quartel do Comando-Geral, na região da Luz, em São Paulo.
A empresa de materiais de construção é acusada de ser o ralo por onde escoou dinheiro público através de licitações fraudulentas entre 2005 e 2012.
O relato diz que em “determinado momento” de 2006, o tenente-coronel comprou a construtora por R$ 5.000. O acordo, no entanto, foi verbal, e Adriano nunca figurou entre os sócios da empresa na Junta Comercial de São Paulo.
A partir deste momento, de acordo com a denúncia do MP, o PM assumiu o controle da empresa de materiais de construção e “fazia com que a Construworld celebrasse contratos de fornecimento de serviços à Polícia Militar. Estes contratos ocorriam, por vezes, através de dispensas (irregulares) de licitações. Em outras ocasiões, havia a concorrência com outras empresas, mas os resultados eram manipulados para que a Construworld fosse vencedora. No entanto, tudo era fraude para o desvio de dinheiro (…) tudo era ‘fachada’, simulação para desviar o dinheiro da Administração Militar em proveito do tenente-coronel Adriano e dos comparsas dele, sem que houvesse a prestação dos serviços ou o emprego de materiais nas formas como estavam nos editais e nos contratos.”
Segundo as investigações do Inquérito Policial Militar, os valores dos contratos de serviços e materiais não prestados somam R$ 7.164.973,57 (mais de sete milhões). O dinheiro seria recebido por Adriano na conta bancária da Construworld. A empresa fechou as portas em dezembro de 2012.
A denúncia no MP calcula que o prejuízo com a fraude ultrapasse R$ 300 milhões.
Reforma em apartamento
Na carta à Corregedoria obtida pelo R7, o PM afirma não ser o único beneficiário dos desvios, e cita 18 coronéis — o posto mais alto da PM — e um major da PM. Em forma de perguntas, ele sugere possíveis irregularidade nas quais os oficiais estariam envolvidos.
Entre os citados pelo ex-PM está o coronel da reserva Álvaro Batista Camilo. Mais conhecido como deputado estadual coronel Camilo (PSD), Camilo foi comandante-geral da PM entre março de 2009 e abril de 2012. Segundo o relato de Adriano, Camilo teria utilizado policiais militares e recursos públicos para reformar o apartamento de seu filho Adriano Camilo.
O PM ainda sugere que a Corregedoria questione coronel Camilo sobre a suposta determinação de internar o filho em uma clínica de reabilitação utilizando recursos públicos.
Assim como a todos os citados, Adriano questiona ainda se Camilo recebeu cheque ou dinheiro em espécie para custear “despesas diversas”.
Em nota, a assessoria de imprensa do deputado estadual diz que “a alegação sobre sua pessoa é completamente infundada, provavelmente motivada por vingança, tendo em vista que ele, como Comandante-Geral, tomou conhecimento da denúncia e determinou imediatamente apuração, e o afastou das atribuições e o transferiu de unidade. Esta atitude culminou na perda de posto, patente e salário do ex-PM. coronel Camilo confia na isenção da Justiça”.
O coronel da reserva João Claudio Valério é citado como reponsável por determinar o pagamento de obrigações não inerentes à Polícia Militar.
R$ 21 milhões em tablets e mimos
Ao coronel da reverva Marco Antonio Augusto, Adriano questiona o que aconteceu com tablets e capas de colete que teriam sido comprados por cerca de R$ 21 milhões e descartados. Pergunta ainda se Augusto observou “mimos ou comportamentos diferenciados” a membros do alto comando, e se observou irregularidades como reformas custeadas pelo DSA-CG a outras unidades da PM.
O coronel da reserva Kooki Taguti é questionado pelo período à frente do DSA-CG, em que teria recebido vantagens vinda de escalão superior e não tomado nenhuma “medida pertinente em relação aos fatos apurados”. Laerte Veloso Pazzoto, também coronel da reserva, é questionado se recebeu do DSA-CG materiais e serviços em unidades onde serviu.
O ex-coronel Adriano questiona ao coronel da reserva Vagner Bernardo Maria se recebeu ordem do diretor da diretoria de finanças para realizar uma auditoria interna nas UGEs (Unidades Gestoras Executoras — órgãos que, pela lei, utilizam o crédito recebido de outra unidade).
Viaturas incompletas
Ao coronel da reserva Marcus Vinicius Valério, Adriano questiona se, quando estava lotado na DAL (Diretoria de Apoio Logístico), teve conhecimento de que o órgão recebeu viaturas Fiat Palio Weekend básicas, mas pagou pelo modelos ELX, completo. Adriano sugere que a Corregedoria questione se Valério autorizou o recebimento do básico, apesar do veículo completo constar nas notas fiscais; se sabe a diferença de preço entre um modelo e outro, e quantos veículos foram adquiridos.
O coronel da reserva Marinho Oliveira é questionado sobre se recebeu materiais e serviços para reformas no DSA-CG. O coronel da reserva Audi Anastácio Felix é questionado apenas por receber verba em dinheiro ou cheque da DSA-CG “para custear despesas diversas”, questão feita a todos os envolvidos. E o major Marcello Hideo Takarabe é questionado por receber verba do DSA-CG quando atuou no Comando-Geral como ajudante de ordens do comandante geral da PM.
Outro lado
O R7 solicitou à SSP entrevista com todos os oficiais citados na carta do ex-coronel Adriano, e questionou a pasta sobre qual foi o encaminhamento dado pela Corregedoria às denuncias feitas em maio pelo ex-oficial preso. Em nota, a SSP respondeu:
“A Corregedoria da Polícia Militar instaurou, em 2015, IPM [Inquérito Policial Militar] para investigar fraudes em licitações ocorridas na seção de finanças do Departamento de Suporte Administrativo da Polícia Militar. O inquérito foi relatado à Justiça Militar em abril de 2017.
A SSP esclarece que não compactua com qualquer desvio de conduta e ressalta que todas as denúncias contra policiais, civis ou militares, são rigorosamente investigadas pelas respectivas Corregedorias. Se comprovada as irregularidades apontadas, os responsáveis podem penalizados civil e criminalmente”.

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| Reunião ocorreu na manhã desta segunda, em Praia Grande (Foto: Carlos Nogueira/AT) |
Durante encontro com prefeitos da região, em Praia Grande, o secretário de Segurança Pública do Estado, Mágino Alves Barbosa Filho, afirmou, nesta segunda-feira (2), que não haverá redução do efetivo da Polícia Militardurante a temporada de verão 2017/2018.
A informação de que o número de PMs poderia ser 20% menor foi divulgada no último dia 28 de setembro, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano da Baixada Santista (Condesb).
Entretanto, segundo ele, ao invés de serem enviados para a região homens formados pela Escola de Soldados, desta vez, serão encaminhados sargentos da Academia de Polícia Militar para suprir a demanda da operação da PM.
Ao todo, ainda de acordo com o secretário, 1.200 policiais serão enviados à região. Uma parte formada por sargentos e a outra de policiais militares da região que atuarão por meio da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (Dejem). ”Não haverá prejuízo para a operação deste ano. A polícia está fazendo, está acontecendo, temos feito operações”, declarou Barbosa Filho.
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| Uma das delegacias fechadas é o 1º DP de Mongaguá (Foto: Carlos Nogueira/AT) |
Delegacias
O secretário afirmou, ainda, que não houve fechamento dos distritos policiais de Peruíbe e Mongaguá, declarando que ocorreu remanejamento de pessoas que atuavam nestes postos para anexos de delegacias sede de cada uma das cidades.
Em 11 de setembro, A Tribuna noticiou que o 1º DP de Peruíbe e os 1º e 2º distritos de Mongaguá foram fechados por determinação da Delegacia Seccional de Itanhaém, que solicitou medidas de contingência diante da crise econômica no Estado. O atendimento ficou concentrado nas delegacias sede de Peruíbe e Mongaguá.
Durante o encontro, o secretário se comprometeu com as prefeituras das duas cidades a marcar uma reunião para avaliar a situação.
* Com informações de Rogério Stonoga
Que absurdo! Chefe dos investigadores mauro eduardo a.o.p Oeste instala escuta e rastreadores nas viaturas da secc Oeste… é o fim mesmo
Jose
“O poder público não existe na Cidade”. O desabafo do jornalista Omar Bermedo evidencia o sentimento de derrota e tristeza, após os pais terem sido assaltados dentro da própria casa, na Vila Valença, em São Vicente. O saldo negativo do roubo vai além das perdas materiais, no caso: três televisores, R$ 700,00 e um veículo CRV-Honda.
“Eles têm uma história grande com a Cidade, como comerciantes, e nunca haviam passado por isso. Eu fui criado aqui (quando criança) e a situação era muito diferente. Hoje, sinto preocupação e insegurança ao vir visitá-los”.
Bermedo e os outros dois filhos do casal querem que os pais deixem a casa em que moram há 43 anos e se mudem para um apartamento.
Segundo ele, a região está largada e os moradores, inclusive, criaram um grupo para equipar as ruas com câmeras de monitoramento. “Por ser um bairro residencial e com muitos idosos, se tornam alvos fáceis. Outros vizinhos já passaram pela mesma situação”.
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| Crime aconteceu às 11h30 desta quarta-feira na Rua Dr. Fernando Costa (Reprodução) |
Como aconteceu
O sentimento de insegurança se torna maior ao pensar em como tudo aconteceu. A vítima, um aposentado de 67 anos, conta que tem o hábito de ir à academia com a esposa – da mesma idade – e ao supermercado pelas manhãs, rotina que seguiram nesta quarta-feira.
“Quando chegamos do mercado eu coloquei o carro na garagem e minha esposa começou a entrar com as sacolas em casa. Quando estava fechando o portão, dois homens armados apareceram e disseram: perdeu, perdeu”, detalha.
O ex-comerciante demonstrou indignação com a audácia dos bandidos, por cometer o crime à luz do dia. “Eram 11h30 da manhã. Nunca esperei que fosse acontecer (roubo) a essa hora. Esperamos que seja à noite e tomamos cuidado”.
Já dentro da casa os dois homens armados retiraram os televisores e se comunicavam por celular com alguém que estava do lado de fora. “Diziam que ficaria tudo bem e pediam dinheiro e ouro. Minha esposa falou que não tinha ouro e subiu para o segundo andar com um dos bandidos e entregou o dinheiro”.
Preocupado com a mulher e pensando em uma solução para assustar os ladrões, a vítima diz ter simulado um problema de coração, que chamou a atenção da dupla de assaltantes.
“Um deles ficou comigo na cozinha e me dava água. Depois disso nos levaram para o fundo da casa (em um cômodo) fecharam a porta e disseram para que só saíssemos depois de deixassem o local”.
Os equipamentos roubados foram levados dentro do próprio carro das vítimas, que por sorte não ficaram feridas.
Desmotivados
Junto ao filho Omar, o casal foi registrar o Boletim de Ocorrência no 1º Distrito Policial do Município, porém ao chegar no local foram orientados a retornarem depois das 20 horas, sob a alegação de que a delegacia estava repleta de ocorrências.
A situação, segundo as vítimas, deixa claro o motivo pelo qual muitas pessoas não registram os crimes sofridos.
Os abnegados e compromissados que nos desculpem ; o Delegado titular, inclusive!
Mas enquanto um trabalha, cinco ficam moscando e o atendente ( nem sempre policial de carreira ) chutando para outro plantão.
Com efeito, crime de roubo contra idosos e ainda mais com subtração de veículo deveria merecer prioridade.
Entrar na favela do Mata Porco, Buraco do Sapo Paraisópolis, Jd. Macedônia, Bela Vista, favela da Paz em 2, 3 policia, e prender os malas nessa minha empreitada de 5 quinquênios eu vi uma meia dúzia de policia. Com camisão pra fora, calça jeans, uma pistola ou revólver, nenhum carregador sobressalente.
Agora esses aí “geração nova” começo a ter respeito. Porque verdade seja dita: quando Vão pra cumprir um mandadinho bosta Vão em 8 barcas, fuzil, colete e lógico com o celular filmando pra colocar no Instagram depois.
Quem está certo ou errado?
Olha, diante da merda salarial que estamos acho que os antigões é que estavam (e estão) errados. Não deu certo. A PC tá moribunda.
Então quando vejo um vídeo desse enfrentando o morro, o mato, e a cartolina (menos ladrão de verdade) quem sabe é uma nova PC surgindo parecida com a Federal: muito oba-oba, muita propaganda, muito “h pra população ” , e um puta salário.
Vai saber se não é esse o caminho?
Autor: SUSPEITO É JORNALISTA
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| Delegados deram coletiva para falar da Operação (Foto: Divulgação) |
Uma operação, coordenada pela Delegacia Seccional de Santos, abrangeu os municípios de Praia Grande, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Bertioga, resultou na prisão de 82 pessoas e apreensão de 37,6 quilos de maconha, cocaína e crack, além de 18,5 litros de lança-perfume caseiro, popularmente conhecido por loló. Anteriormente, a informação era de que 50 pessoashaviam sido presas.
“A retirada desses entorpecentes de circulação representou aos traficantes prejuízo em torno de R$ 650 mil”, enfatizou o delegado seccional Manoel Gatto Neto. Ele divulgou o balanço da operação com os delegados Carlos Schneider, Marcos Alexandre Alfino e Marco Antonio do Couto Perez, respectivamente, titulares das cidades de São Vicente, Praia Grande e Guarujá.
A operação durou das 11 horas de terça-feira até o mesmo horário desta quarta-feira. Dos 82 adultos capturados e removidos à cadeia, 20 foram autuados em flagrante e 62 tinham contra si mandados de prisão. Ainda houve as apreensões de 23 adolescentes infratores e as detenções de 267 autores de infrações penais de menor potencial ofensivo. Estes foram libertados após o registro de termos circunstanciados (TCs).
Quatro veículos com queixa de furto ou roubo foram recuperados. Mais dois foram apreendidos devido a restrições de caráter administrativo. Uma grande quantidade de objetos contrabandeados ou de procedência duvidosa também foi recolhida pelas equipes que saíram a campo. “Os resultados da operação foram positivos, principalmente, porque não houve o registro de qualquer incidente”, finalizou Gatto.
Tráfico
A maioria das prisões em flagrante foi por tráfico de drogas. Um dos autuados é Jefferson Ribeiro Machado de Araújo, de 32 anos, em cujo apartamento, em São Vicente, havia 2,4 quilos de maconha, mais 143 porções da erva em formato de tiras, 725 gramas de crack, 900 gramas de cocaína, materiais usados no tráfico e R$ 200,00 em notas de R$ 5,00 e R$ 2,00.
Jefferson mora no prédio da Avenida Presidente Wilson, 400, no Itararé, e policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) para lá se dirigiram para checar denúncia de tráfico. Ele mesmo foi quem atendeu os agentes, afirmando “guardar” os entorpecentes para um homem apelidado por Presuntinho, conforme informou o chefe dos investigadores Paulo Carvalhal.
| Pedro Ladeira/Folhapress | ||
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| Imagem do Senado; Casa discute proposta para exoneração de servidores públicos |
O Senado Federal discute uma proposta que pode resultar na exoneração de servidores municipais, estaduais e federais que tiverem avaliação insuficiente.
O projeto de lei complementar que está na pauta da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) prevê a criação de exames regulares para avaliar o desempenho do funcionalismo.
A proposta é de autoria da senadora Maria do Carmo (DEM-SE) e relatado por Lasier Martins (PSD-RS).
De acordo com a senadora, a ideia é regulamentar o artigo 41 da Constituição, que prevê casos em que servidor com estabilidade pode perder o cargo.
Uma das possibilidades previstas no texto constitucional é “mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar”.
Inicialmente, o projeto previa avaliação semestral para servidores públicos municipais, estaduais e federais. O servidor poderia ser exonerado caso obtivesse notas inferiores a 30% da pontuação máxima por quatro avaliações consecutivas ou desempenho abaixo de 50% em cinco das últimas dez provas.
O texto foi modificado por Lasier, que ampliou a periodicidade das avaliações de seis meses para um ano.
Em casos de avaliação abaixo do limite exigido, o servidor terá um prazo para recorrer. A exoneração só ocorre com o esgotamento de todos os direitos de contestação e após concluído um processo administrativo.
A proposta sofre forte resistência de sindicatos que representam servidores.
O projeto consta na pauta da CCJ, mas ainda não há previsão para que sua votação seja concluída. O relatório foi lido na semana passada, mas a apreciação acabou adiada por um pedido de vista.
Além da CCJ, o texto precisa passar pelo crivo de três comissões do Senado. A Câmara também tem de aprová-lo.
Na esteira da discussão, o governo do presidente Michel Temer pretende enviar ao Congresso uma outra proposta de avaliação de servidores.
Como publicou a Folha, o Planalto pretende encaminhar ainda neste mês um sistema de metas e controles de resultados na administração pública, a exemplo do que ocorre na iniciativa privada, para melhorar os serviços.
Contudo, diferentemente do texto em discussão no Senado, a proposta do Executivo é de que nenhum servidor será demitido se tiver avaliação negativa (só em casos de crimes), mas o governo estudará forma de “premiar” os que cumprirem essas metas.
A proposta tem apoio do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes, que auxilia a Casa Civil na elaboração do plano.
QUEDA DE BRAÇO
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil quer derrubar norma do Conselho Nacional do Ministério Público que permite a promotores e procuradores desistirem da persecução penal em troca da confissão de suspeitos. A entidade prepara ação no Supremo Tribunal Federal contra a Resolução 181/2017, assinada nos últimos dias da gestão Rodrigo Janot.
Segundo o texto, qualquer unidade do MP no país pode fechar acordo de não persecução penal com suspeitos de crimes sem violência ou grave ameaça: o investigado deve confessar o delito e, em troca, não será alvo de denúncia.
Diferentemente da transação penal, já prevista em lei para casos que tramitam nos juizados especiais criminais, o meio de negociação agora reconhecido permite acordos para um leque maior de crimes, quando o dano for inferior a 20 salários mínimos (R$ 19,5 mil).
Para a Ordem, o texto contraria o princípio da obrigatoriedade e quebra a paridade entre Ministério Público e advocacia. Outro problema, segundo a entidade, é que o CNMP excluiu do Judiciário o controle acerca do Ministério Público, deixando o arquivamento da investigação penal à margem do controle jurisdicional.
A decisão de questionar a norma no STF foi determinada durante sessão do Conselho Pleno da entidade. O presidente do Conselho Federal, Claudio Lamachia, afirma que as novas regras apresentam “flagrantes e gravíssimas inconstitucionalidades”, pois legislam sobre “um assunto absolutamente delicado no âmbito das investigações criminais pelo Ministério Público”.
“Entendemos a necessidade do contínuo aprimoramento das investigações criminais levadas a cabo pelo Ministério Público, mas jamais em franco descompasso com a Constituição”, diz o vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia da OAB, Cassio Telles, relator do assunto no Pleno.
Na avaliação do presidente da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia, Jarbas Vasconcelos, “o Ministério Público diz à nação brasileira que é, dentre todas as instituições do estado democrático brasileiro, a maior. Afirma que está acima de todos os poderes e da própria Constituição”.
Controvérsias
Especialistas ouvidos pela ConJur quando o texto foi publicado já demonstravam preocupação com a mudança. O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, por exemplo, declarou que a novidade cria uma instituição “superpoderosa”, que ao mesmo tempo investiga, acusa e agora define a pena.
A exceção foi o procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino, membro do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. Ele entende que a resolução está dentro dos poderes do CNMP, como órgão normatizador de procedimentos para a classe, e que a não persecução penal pode ajudar a tornar o Judiciário mais eficiente ao evitar que casos sem violência e com réu confesso tramitem por longo período.
Passo a passo
A Resolução 181/2017 foi aprovada pelo Plenário do CNMP em 7 de agosto. O objetivo oficial é regulamentar a instauração e o andamento dos chamados procedimentos investigatórios criminais (PICs, sem necessariamente passar pela polícia).
No meio das regras, fica autorizado que membros do Ministério Público ofereçam acordo ao investigado, “desde que este confesse formal e detalhadamente a prática do delito e indique eventuais provas de seu cometimento” e cumpra alguns desses requisitos: reparar o dano; pagar prestação pecuniária; renunciar voluntariamente a bens e direitos; prestar serviço à comunidade e comunicar qualquer mudança de endereço, número de telefone e e-mail.
Cada acordo vai estipular as condições e eventuais valores que deverão serão devolvidos, com assinatura de membro do MP, investigado e seu advogado. Se a parte seguir todas as cláusulas, a investigação será arquivada, “sendo que esse pronunciamento (…) vinculará toda a instituição”. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.
Por Sandra Pereira | 26/09/2017
Leitor do Jornal Na NetAlém de prender quadrilha a polícia identificou parte dos integrantes da facção criminosa que opera na região
A Polícia Civil desarticulou e prendeu uma quadrilha de traficantes drogas acusada de faturar mais de R$ 1 milhão por semana e comandar 33 pontos de vendas de entorpecentes. Ao todo, foram cumpridos 22 mandados resultando na prisão de 15 pessoas acusadas de tráfico, associação para o tráfico e ligação com uma facção criminosa que age nos presídios paulistas. Entre os presos estão moradores de Taboão da Serra, Embu, Itapecerica e da zona sul de São Paulo. A operação foi a maior realizada esse ano pela Seccional.
A quadrilha tinha ampla participação de mulheres jovens atuando como “mulas”. Cabia a elas levar as drogas aos pontos de venda e depois passar recolhendo o dinheiro. Elas utilizavam transporte público para se locomover e mochilas para levar as drogas e pegar o dinheiro.
De acordo com a polícia, a quadrilha comercializava vários tipos de drogas, entre as quais se destacam lança perfume, cocaína crack e maconha.
A quadrilha estava sendo monitorada há três meses numa investigação que começou no 1º Distrito Policial do jardim Jacira, em Itapecerica da Serra. Por causa do volume a operação de prisão foi coordenada pela Delegacia Seccional de Taboão da Serra para onde foram levados todos os presos.
“Vamos representar pela prisão temporária dessas pessoas por envolvimento com grupo organizado. Esses presos agiam principalmente na zona sul de São Paulo, Itapecerica, Embu das Artes e Taboão da Serra e movimentava mais de 1 milhão de reais por semana”, relatou o delegado titular do 1º DP de Itapecerica da Serra, Fábio da Silva Siqueira.
Ele lembra que a operação começou após uma apreensão de drogas na zona sul de São Paulo. “A operação desarticulou toda organização estrutural dessa quadrilha. Tivemos a participação de 70 viaturas e mais de 140 policiais. Eles usam o subterfúgio de utilizar mulheres para transporte de droga e o dinheiro. Essas mulheres são as mulas deles. Desde o começo da investigação eles já usavam essa metodologia”, citou o delegado.
Todos os presos foram indiciados por tráfico, associação para o tráfico e ligação com facção criminosa. Os crimes são inafiançáveis e as penas variam de 5 a 15 anos de prisão.
| Amanda Gomes/Folhapress | ||
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| Máquinas apreendidas pela Polícia Civil |
Três pessoas foram presas na casa, sendo um homem de 40 anos que seria o responsável por administrar a “produção”, uma estudante de economia de 22 anos e uma mulher de 42. Outra mulher, de 28 anos, foi detida em uma casa em Indaiatuba (98 km de SP).
Segundo o delegado André Figueiredo, da 1ª Delegacia do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), os traficantes adaptaram máquinas usadas nas indústrias para fazer sachês de mostarda e catchup. O valor de cada um dos equipamentos pode chegar a R$ 500 mil.
As máquinas ficavam em uma edícula nos fundos da casa. A edícula tem isolamento acústico para que o barulho não chamasse a atenção dos vizinhos. A casa era alugada pelos bandidos.
Segundo a polícia, o local era apenas o responsável pela embalagem da droga. O entorpecente chegava à noite em sacos. O trio preso na casa colocava a cocaína em pó no equipamento, que embalava, em cada saquinho, 1 g da droga.
A droga era retirada para distribuição, em bairros da periferia, toda quinta-feira e sexta-feira. Cada pacote era vendido por R$ 10, segundo a investigação.
“É praticamente uma industria de embalagem e distribuição de drogas. Antigamente o trabalho era manual. Neste caso, a mão de obra é pouca, o lucro é bem grande, tem controle maior e não tem perda da droga. É a modernização do tráfico de drogas”, diz Figueiredo.
Segundo ele, a apuração começou após a equipe de investigação perceber que a embalagem da droga estava diferente e não era mais manual. A equipe ficou três meses apurando até chegar ao local com as máquinas.
Foram apreendidos no total cerca de 270 kg de cocaína. Dez quilos estavam na casa em Indaiatuba (ainda não embalados). O restante estava pronto para venda.
OPINIÃO
Com o advento da Constituição de 1988 o até então acanhado Ministério Público brasileiro ganhou foros de “quarto poder”, abarcando uma grande variedade de incumbências, dentre as quais, uma das mais importantes, é a de tradicional “Fiscal da Lei”.
O órgão, grandioso em termos constitucionais e legais, continuou e continua, em prejuízo da sociedade, mirrado em recursos materiais e pessoais, de modo que mal dá conta de uma mínima parcela de suas numerosas funções.
Mesmo nesse quadro, se embrenha, seja em nível estadual, seja federal, numa sanha para abarcar funções de investigação criminal. É claro que não pretendendo atender, juntamente com as Polícias Judiciárias, a toda a demanda de delitos em uma divisão equânime de trabalho, mas com a pretensão de escolher a dedo casos e criar equipes especialmente dedicada, as famosas “forças-tarefa”.
Assim sendo, à margem de mandamento constitucional expresso e sem qualquer base legal ordinária, por meio de Resolução, passa a “legislar” (sic) os famigerados PICs (Procedimentos Investigatórios Criminais do MP). Os fiscais da lei imprimem um duro golpe no seu objeto de proteção. Sem controle externo, nem mesmo do Judiciário, passam a realizar, por conta e risco próprio, investigações especiais de casos de repercussão.
A tática do “vamos fazer para ver no que dá” ou do “bumba meu boi”, resulta bem. Acontece que, com a escolha de casos específicos, com investigações com dedicação exclusiva, conseguem levar a Juízo episódios de alta repercussão social e midiática. É óbvio que as Polícias Judiciárias, atulhadas de casos de pequena monta, não poderiam competir com essa atuação seletiva. Nesse clima, quando a absoluta inconstitucionalidade e ilegalidade de sua atuação é posta em xeque perante o STF, aquele tribunal não tem a coragem de reconhecer a ilegalidade patente e acaba sanando os vícios de iniciativa, mediante uma nova usurpação legislativa (agora do Poder Judiciário) e uma violação à Constituição Federal em vários aspectos (processo legislativo, legalidade, atribuições constitucionais, divisão de poderes etc.). Enfim, o STF afirma que a investigação criminal pelo Ministério Público é legal! Aceita uma Resolução como regramento de processo penal! Acata uma suposta atribuição constitucional que não está escrita em lugar algum da Constituição! Afinal, ficaria mal decretar a nulidade absoluta de todas as investigações e processos delas decorrentes naquela altura do campeonato. O “troféu” tão desejado estava conquistado pelo Ministério Público, à custa do vilipêndio de sua própria função, esta, sim, constitucional, de Fiscal da Lei. Era agora o titular exclusivo da ação penal (titularidade esta constitucionalmente e legalmente indiscutível) e autor facultativo e seletivo de investigações criminais.
Sobre o tema, é lapidar a lição de Delmanto:
Destarte, de forma ilegal, tanto no plano constitucional (como acima referido) quanto no ordinário (por inexistir lei definindo critérios, impondo limites e permitindo amplo acesso à defesa), membros do Ministério Público têm, literalmente, “escolhido” o que, quando e quem desejam investigar, agindo, portanto, de forma arbitrária, mediante verdadeiras devassas, com abusos em razão do excesso de poder, uma vez que, se o Ministério Público fiscaliza a polícia, ninguém fiscaliza o Ministério Público.
(…) Em que pese hoje vigorar o chavão, de viés populista, de que “quanto mais órgãos públicos puderem investigar, menor a impunidade”, há que se ter muito cuidado com essa ideia. A nosso sentir, se o Ministério Púbico, como parte, pudesse investigar para ver comprovados os fatos que pretende fazer constar de sua denúncia, há sério e palpável risco de provas contrárias, favoráveis ao futuro denunciado, poderão ser preteridas, havendo um enorme desequilíbrio.[1]
Consignamos, outrossim, que esse tipo de discricionariedade (investigação seletiva) é extremamente temerária e inconcebível no campo do Direito Público. Por não contar com um respaldo legal, consideramos um absurdo jurídico as investigações realizadas pelo Ministério Público. Causa-nos espécie o fato de uma instituição que deve atuar como fiscal da lei, acabe atuando às suas margens. Com base no princípio da legalidade pública, os agentes públicos só podem fazer aquilo que está previsto na lei. Na legalidade privada, por outro lado, a pessoa comum pode fazer tudo aquilo que não for proibido por lei, prevalecendo, assim, a autonomia da vontade.
Tendo em vista que os agentes estatais não têm vontade autônoma, eles devem se restringir à lei, que, por sua vez, representa a “vontade geral”, manifestada por meio dos representantes do povo, que é o legítimo titular da coisa pública. Nesse contexto, o princípio da legalidade pública tem estrita ligação com o postulado da indisponibilidade do interesse público, que deve pautar a conduta do Estado e de todos os seus agentes. Assim, considerando que o interesse público é determinado pela lei e pela própria Constituição da República, não é suficiente a ausência de proibição em lei para que o servidor público possa agir, é necessária a existência de uma lei que autorize ou determine certa conduta.
Não bastassem esses argumentos, entendemos que um dos pontos principais que inviabiliza, sob o aspecto jurídico, a investigação de infrações penais pelo Ministério Público, está diretamente ligado à ação penal privada subsidiária da pública. Como é cediço, esta ação supletiva possui previsão constitucional (artigo 5°, inciso LIX), caracterizando-se como um direito fundamental do indivíduo, o que impossibilita sua supressão, vez que se trata de uma cláusula pétrea.
O objetivo dessa previsão constitucional foi, justamente, fornecer à vítima um instrumento contra a inércia do Ministério Público. A ação penal privada subsidiária tem cabimento sempre que o representante do Parquet deixar de se manifestar dentro do prazo legal, não promovendo a denúncia, ou, em sendo o caso, não se manifestando pelo arquivamento do inquérito policial, ou, ainda, não requisitando novas diligências à autoridade de polícia judiciária. Trata-se, na verdade, de uma forma de fiscalização do Ministério Público que evita eventuais desídias de sua parte.
Seguindo esse raciocínio, lembramos que o prazo para a propositura da denúncia começa a correr a partir do recebimento dos autos do inquérito policial pelo Ministério Público (5 dias para indiciado preso e 15 dias para indiciado solto). Se não houver qualquer manifestação dentro desse prazo, nasce o direito da vítima em propor a ação penal privada subsidiária da pública.
Nesse contexto, o inquérito policial se destaca como um instrumento indispensável na constituição de um direito fundamental: direito de propor ação privada supletiva. Isto, pois, é a partir do encerramento das investigações e recebimento dos autos pelo Parquet que poderá ser contado o prazo para a sua manifestação.
Percebe-se, pois, que se a investigação for perpetrada pelo próprio órgão Ministerial, não seria possível constatar com clareza o final do procedimento investigativo e o início da contagem do prazo para a propositura da denúncia. Nesse sentido, ficaria absolutamente ameaçado o direito fundamental da vítima em propor uma eventual ação subsidiária. Além disso, o indiciado também ficaria desprotegido, uma vez que o termo final para a manifestação do Ministério Público seria de difícil verificação, o que poderia acarretar abusos por excesso de prazo.
Sem embargo do exposto, as questões levantadas não são o foco deste texto, o qual nem sequer pretende ter ares de juridicidade ou metodologia científica rígida, mas persegue um objetivo de analisar questões estritamente de fato.[2]
Uma questão prática que vem passando ao largo do debate que envolve a investigação direta pelo Ministério Público, se relaciona ao fato de que antes de se embrenhar nessa seara, os promotores de Justiça estavam praticamente blindados do convívio direto com o submundo criminoso. Recebiam autos de inquéritos policiais concluídos e lidavam com a realidade em forma de papéis, quase nunca se envolvendo diretamente com pessoas ou circunstâncias impróprias ou duvidosas. Ocorre que nesse novo contexto, o Ministério Público, ainda que seletivamente, começava a pisar numa lama à qual seus sapatos brilhosos não estavam habituados. E é impossível aproximar-se da lama sem misturar-se aos porcos de alguma forma, ainda que aparentemente.
Entrava em risco a tão cara imagem imaculada do Ministério Público. Porque uma grande verdade é aquela que se fala sobre a aparência da “mulher de César” (“não basta ser honesto, é preciso parecer honesto”). Ora, as Polícias em geral, incluindo a Judiciária, já estão e sempre estiveram calejadas em enfrentar suspeitas sobre suas ações e inações, de andar no fio da navalha entre o abuso e a prevaricação, de aguentar, com paciência infinita, suspeitas e insinuações de corrupção e, inclusive, de conviver com casos reais de corrupção que vêm a público, já que a lida com o submundo é direta. O Ministério Público nunca foi habituado a nada disso. E mesmo a corrupção, que certamente sempre existiu no órgão, os desvios que são comuns a qualquer entidade humana, acabavam camuflados porque não havia uma atividade de maior exposição, tratava-se de uma atuação restrita a gabinetes. Nessa situação, mesmo os casos de efetiva corrupção são menos visíveis e o órgão como instituição é preservado.
Acontece que a atividade de investigação criminal direta implica em atuação de maior proximidade com o submundo e de muito maior exposição. Os fatos, a realidade, se impuseram e, hoje, vemos, não um Promotor interiorano, mas o procurador geral da República sentado num boteco “pé sujo” em conversa que gera suspeitas com um advogado envolvido em caso de grande repercussão. A foto mostra o Procurador trajando vestes informais, com óculos escuros, com toda a aparência do estereótipo de um investigador dos anos 1960 ou 1970, frequentando locais de nível duvidoso para encontros com informantes das mais variadas espécies (criminosos, prostitutas (os) etc.). Só faltaram as correntes e pulseiras de ouro e camisa com os botões entreabertos no peito. Ele falava com um advogado, é verdade, mas era um causídico envolvido em um caso rumoroso, o qual acaba de gerar um escândalo acerca de uma delação que já era objeto de crítica generalizada e envolvia a corrupção (em tese) de um outro Procurador da República, braço direito do Procurador Geral em questão. A alegação é de uma conversa sobre “banalidades” e de um “encontro casual” naquele local. Mas, e a “mulher de Cesar”? E a imagem imaculada do Ministério Público? Para onde foram? Como serão recuperadas?
E é de se notar que o Ministério Público, especialmente o Federal, não lida com a criminalidade comum, está em um nível de “White Collar Crime”, mas mesmo assim consegue se enlamear. Imagine se realmente tomasse para si, a sério, sem seletividade, a investigação criminal direta. Se mesmo em casos de colarinho branco consegue se expor de tal forma, imagine-se numa situação em que atuasse como verdadeiro investigador, não como este que escolhe quando quer atuar, quando não quer, qual criança caprichosa que diz, disso eu quero brincar, disso não!
Onde a alvura parecia grassar praticamente sem limites, agora surgem manchas por todos os lados, mesmo quando se atua de forma totalmente seletiva. Como afirma Zagrebelsky, “até mesmo assumir responsabilidades pode ser um ato irresponsável”. [3] E a responsabilidade de manter a imagem imaculada de uma instituição, mergulhando-a na investigação criminal é algo que somente num ato de plena e absoluta irresponsabilidade se pode assumir. Fato é que o Ministério Público teve o que desejava e é preciso mesmo ter cuidado, muito cuidado com o que se deseja!
Referências
CABETTE, Eduardo Luiz Santos. O papel do Inquérito Policial no Sistema Acusatório: O modelo brasileiro. Disponível em www.jusbrasil.com.br, acesso em 11.09.2017.
DELMANTO, Roberto. et al. Leis Penais Especiais Comentadas. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
ZAGREBELSKY, Gustavo. A crucificação e a democracia. Trad. Monica de Sanctis Viana. São Paulo: Saraiva, 2012.
[1] DELMANTO, Roberto. et al. Leis Penais Especiais Comentadas. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 998.
[2] Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, sugerimos o nosso Estatuto do Delegado de Polícia Comentado – Lei 12.830/13. Rio de Janeiro: Processo, 2017.
[3] ZAGREBELSKY, Gustavo. A crucificação e a democracia. Trad. Monica de Sanctis Viana. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 126.
Eduardo Luiz Santos Cabette é delegado de Polícia, mestre em Direito Social e pós–graduado em Direito Penal e Criminologia. Professor no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal). Membro do Grupo de Pesquisa de Ética e Direitos Fundamentais do Programa de Mestrado do Unisal.
Francisco Sannini Neto é delegado de polícia do Estado de São Paulo, mestre em Direito pela Unisal, professor da graduação e da pós-graduação na Unisal e professor concursado da Academia de Polícia Civil de São Paulo.