SUBVERSIVO BOCA SUJA E PATRIOTAS BUNDAS-SUJAS…FECHANDO O ANO LEMBRANDO DE TARSO DE CASTRO Resposta


As voltas que o mundo dá Nilson Borges Filho
Cientista político e professor/borgesfilho@uol.com.br

Era final dos anos 60, mais precisamente 26 de junho de 1969, em pleno regime de exceção implantado pelos militares em 1964 e agora sob a égide do AI 5, nascia um semanário que fez história no jornalismo brasileiro: “O Pasquim”. A idéia de um jornal de jornalistas feito por jornalistas partiu da cabeça de um dos mais brilhantes repórteres daquela geração: Tarso de Castro. Polêmico, brigão, sedutor, amigo dos amigos, pai extremado e irresponsável quando se tratava de cuidar de si próprio. Passou pelas redações do que havia de melhor no jornalismo brasileiro, comprou brigas homéricas com seus inimigos e com alguns dos seus amigos bem próximos.
Tarso de Castro era intenso e exagerado, principalmente quando se sentava numa mesa de bar. Escandalizou a sociedade carioca ao namorar a atriz Candice Bergen, um monumento de mulher. Ela fazia sucesso em Hollywood, mais pela beleza do que pelo talento. Tarso era feio, descuidado no vestir, pobretão e inconveniente, mas sabia como seduzir uma mulher. Candice Bergen sucumbiu, finalmente, às investidas de Tarso ao saber que aquele jornalista desajeitado que fazia a sua corte tinha participado da revolução cubana, ao lado de Che Guevara. Ao publicar sua biografia, a atriz confessa esse “detalhe histórico”, o de ter tido um namorado brasileiro que pegou em armas e ajudou Che Guevara na luta pela libertação de Cuba.
De fato, Tarso de Castro gostava de exibir uma fotografia em que aparecia junto com Che, quando este esteve em visita ao Brasil, mas escondeu da atriz o fato de que estava ali como jornalista e não como companheiro de armas. Ficou íntimo de Sérgio Buarque de Holanda, que não era de dar muitas intimidades com quem quer que fosse. Teve a admiração de Otávio Frias, proprietário do jornal “Folha de S. Paulo”, que se deliciava com os textos daquele jornalista louquíssimo, porém, brilhante. Homem discreto e contido, Otávio Frias ia às gargalhadas com as histórias de Tarso de Castro.
Em 20 de maio de 1991, depois de muitas e boas e da oitava hemorragia interna, falecia o jornalista Tarso de Castro, de cirrose hepática. Foi uma morte anunciada por ele mesmo: confidenciava aos amigos que depois dos 40 anos, a vida não tinha mais sentido. Morreu aos 49.

Quando o corpo chegou à terra natal do jornalista, Passo Fundo, o então superintendente da Polícia Federal, Romeu Tuma, estava no aeroporto da cidade e soube, ali mesmo, que, segundo suas palavras, estava havendo o translado dos restos mortais “daquele subversivo boca suja”.

Desde essa época, início dos anos 90, Romeu Tuma já entendia de sujeira.

A RAZÃO DE SER O “HOMEM DE TODOS OS PRESIDENTES E PRESIDENCIÁVEIS”.

Exemplo de conduta não faltam

Brasília, 12 de setembro de 2007.

O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), dá início aos trabalhos da sessão secreta que irá julgar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por falta de decoro, conforme havia decidido o Conselho de Ética daquela casa. O clima no Senado indicava que alguns senadores haviam mudado de opinião e que votariam pela cassação do mandato de Renan Calheiros, inclusive Romeu Tuma. Com acordos de fim de noite, traições e chantagens as mais variadas possíveis, o presidente do Senado foi absolvido, com os votos de alguns senadores oposicionistas.
São Paulo, um dia antes.

Depois de meses de muita espera, o ex-deputado Romeu Tuma Filho recebeu um telefonema de Brasília, confirmando sua nomeação para a Secretaria Nacional da Justiça.

As digitais do senador Renan Calheiros constam no ato de nomeação do filho do senador Romeu Tuma (DEM-SP), do partido que faz oposição ferrenha ao governo federal.

Brasília, um dia depois da sessão secreta.

Como em política não se consegue guardar segredo, veio à tona que um senador da oposição, que defendia a cassação de Renan Calheiros em público, votou pela absolvição no privado.

Argumento do traidor: estava agradecido pelo emprego que Renan havia conseguido para um de seus filhos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Realmente, em matéria de boca e outras coisas sujas, essa gente é imbatível.

Tarso de Castro subverteu o jornalismo político com aguda inteligência e humor; com suas artes fez verdadeira arte …

Os patriotas subverteram a moral.