Atual governadoria conscientemente dá continuidade a antigos erros; logo é ainda mais culpado do que aqueles que o antecederam 6

Polícia Civil de SP enfrenta problemas com defasagem de investigadores

Faltam cerca de 17 mil profissionais na corporação do estado de SP 

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  • Polícia Civil de SP enfrenta problemas com defasagem de investigadores

Por

Naian Lucas Lopes

Polícia Civil enfrenta problemas
Tânia Rêgo/ Agência BrasilPolícia Civil enfrenta problemas

A situação da Polícia Civil, especialmente no interior de São Paulo, tem sido motivo de preocupação para os policiais civis devido à falta de profissionais nas delegacias. Atualmente, a corporação enfrenta uma defasagem de cerca de 17 mil profissionais, sendo os investigadores e escrivães os mais afetados pela carência de pessoal.

Apenas 63% das vagas existentes para policiais civis estão preenchidas. A expectativa entre os policiais é que esse cenário comece a mudar com a realização do concurso público promovido pelo governo do estado de São Paulo.

A esperança é que a contratação de novos profissionais ajude a suprir as demandas nas delegacias, uma vez que a atual defasagem tem prejudicado significativamente o trabalho da corporação.

Investigações importantes têm sido impactadas pela falta de equipe, o que também afeta o registro de boletins de ocorrência. Em algumas cidades, como exemplo, não há mais plantões nos fins de semana, resultando em ocorrências sendo encaminhadas para outras localidades.

Essa situação tem gerado um grande problema operacional para a Polícia Civil, levando a cobranças diretas ao secretário de Segurança Pública e ao governador Társia Freitas para acelerar as contratações e minimizar os impactos negativos.

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A expectativa é que essa questão seja resolvida até 2026. Enquanto isso não acontece, os policiais civis seguem enfrentando desafios sem equipe suficiente e precisam lidar com as demandas da melhor forma possível.

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Da Cunha , “a tua conta já deu” …Deveria ter permanecido camundongo magro roendo pelas beiradas da Baixada … 9

Ameaças, agressões à ex, sequestro encenado e afastamento da polícia; deputado Da Cunha coleciona polêmicas

Em outubro de 2023, Da Cunha virou réu em uma ação de violência doméstica contra a nutricionista Betina Grusiecki, com quem mantinha união estável há três anos. O deputado negou ter agredido a ex-mulher à Justiça.

Por g1 Santos

18/03/2024 05h11  Atualizado há uma hora

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Ex-mulher grava vídeo do momento em que diz ter sido agredida e ameaçada pelo deputado Carlos da Cunha

Um vídeo do deputado federal Carlos Alberto da Cunha, “Delegado Da Cunha”, de 46 anos, supostamente agredindo e ameaçando de morte a ex-companheira foi exibido pelo Fantástico, da TV Globo. O material, agora, faz parte de um pacote de polêmicas que o parlamentar tem colecionado. De 2021 para cá, ele chamou policiais de ratos e foi afastado da polícia, perdeu a posse de arma e distintivo, confessou ter encenado um sequestro foi acusado de agressão (veja abaixo).

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Em outubro de 2023, Da Cunha virou réu em uma ação de violência doméstica contra a nutricionista Betina Grusiecki, de 28 anos, com quem mantinha união estável há três anos. Ela o acusa por ameaça, agressão e injúria. O deputado negou ter agredido a ex-mulher à Justiça.

Coleção de polêmicas:

  1. Ratos na polícia
  2. Delegado da favela
  3. Licença por dois anos
  4. Sequestro encenado
  5. Sem armas e distintivo
  6. Agressões contra a ex
  7. Relacionamento com Betina
  8. Da Cunha contra a violência doméstica

Nas imagens, apresentadas pelo Fantástico, é possível ouvir o deputado fazer graves ameaça contra a vida de Betina. “Eu vou te matar. Vou te encher a tua cara de tiro”. O som batidas que podem ser ouvidas, conforme relatou a mulher ao Ministério Público, seria da cabeça sendo jogada pelo delegado contra a parede do banheiro.

Da Cunha e Betina tinham relacionamento há anos — Foto: Reprodução

Da Cunha e Betina tinham relacionamento há anos — Foto: Reprodução

Ainda no processo, Da Cunha negou o episódio em que teria batido com a cabeça da ex na parede. Ele citou apenas que o momento do casal não era bom. “Os dois estavam fora do prumo. Os dois estavam desestabilizados”. O laudo do Instituto Médico Legal (IML), porém, constatou escoriações no couro cabeludo e lesões corporais leves em Betina.

O advogado do deputado, Eugênio Malavasi, afirmou não ser possível confiar na veracidade do vídeo antes de uma análise. “Eu vou pedir a submissão desse vídeo à perícia. Porque esse vídeo não foi periciado. Não estou falando que é inverídico, mas não passou pelo crivo do Instituto de Criminalística. Não foi submetido a perícia oficial.”

Procurada pela Globo, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) justificou que, devido à atividade parlamentar, Da Cunha está afastado da atividade de delegado. Informou ainda que, contra ele, há cinco procedimentos em andamento pela Corregedoria da instituição, todos sem decisão definida.

5 milhões de seguidores e problemas

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Justiça proíbe deputado Da Cunha de se aproximar de mulher após acusação de agressão

O delegado Da Cunha, que soma mais de 5 milhões de seguidores, já vinha de um histórico de situações polêmicas até chegar à acusação de agressão pela ex. Justamente a exposição nas redes sociais o levaram à primeira queda. Em 2021, durante a participação em um podcast, comentou sobre a existência de corrupção na Polícia Civil e, como consequência, foi afastado.

Ainda em 2021, pediu afastamento por dois anos por motivos pessoas, mas as situações polêmicas ainda o circundavam. Ele também veio a confessar, no mesmo ano, ter publicado vídeos no Youtube de ações encenadas. (confira em detalhes abaixo)

‘Ratos’ na polícia

A tempestade na vida do delegado de Polícia Civil começou em 2021, quando participou do podcast com o vereador e ex-PM Gabriel Monteiro (PSD) e falou que “há grande corrupção no alto escalão da PM do Rio de Janeiro”. Em seguida, o deputado disse que existem “ratos” dentro da polícia.

Em seu canal no YouTube, o delegado afirmou que foi afastado das ruas por conta dessa alegação. Além do afastamento, de acordo com ele, lhe foi imposta a entrega das armas e do distintivo.

 

‘Delegado da favela’

Delegado Da Cunha teve a posse e porte de arma de fogo suspensa — Foto: Reprodução/Instagram

Delegado Da Cunha teve a posse e porte de arma de fogo suspensa — Foto: Reprodução/Instagram

O pedido de entrega das armas causou revolta no delegado que, ainda no canal, comentou ser complicado um policial ficar exposto e sem arma. Ele citou ter uma pessoal e com autorização.

À época ele disse: “Então eu passo anos e anos da minha vida combatendo o PCC, combatendo sequestrador, o mundo inteiro sabe que eu sou delegado, e quer que eu entregue as armas? Que eu fique sem arma na rua? Como eu trabalho e me defendo sem arma? Vai cuidar de mim? Se prepara que vou entrar na Justiça para discutir essa decisão”, disse em uma transmissão ao vivo.

Ainda de acordo com o delegado, apesar de ter entregue três armas a que tinha direito como autoridade policial, ele ainda tem uma arma particular, da qual tem autorização de uso. “Não sou delegado de pelúcia, eu sou delegado da favela”, falou, na ocasião.

 

Licença por dois anos

Enquanto respondia a um procedimento administrativo disciplinar junto ao órgão corregedor, Da Cunha pediu uma licença por dois anos por motivos particulares. O advogado do parlamentar informou à época que a decisão havia sido tomada porque com retirada das armas o cliente corria riscos, mesmo trabalhando em atividades burocráticas.

 

Sequestro encenado

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Assista a trecho do flagrante reconstituído pelo delegado Da Cunha

O delegado confessou publicamente que encenou o vídeo do flagrante de um sequestro em uma comunidade da capital paulista, em julho de 2020. Ao g1, na época, o delegado afirmou que encenação trata-se de uma reconstituição prevista em lei.

O flagrante citado por ele aconteceu na comunidade Nhocuné. Os policiais descobriram que um homem era mantido refém no chamado tribunal do crime, na mira de criminosos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Após retirá-lo do local, o delegado o colocou de volta no cativeiro e ‘encenou’ a ação policial que havia acabado de acontecer.

Ele filmou as cenas para publicar em seu canal no Youtube, que atualmente conta com 3,6 milhões de seguidores. A gravação foi publicada e distribuída a diversos veículos de comunicação, como se fosse a verdadeira operação. A descoberta da encenação aconteceu com os depoimentos de policiais envolvidos na operação e outras testemunhas ao Ministério Público.

 

Armas e distintivo

 Delegado Da Cunha comemorou a devolução do distintivo e funcional nas redes sociais — Foto: Reprodução/Instagram

Delegado Da Cunha comemorou a devolução do distintivo e funcional nas redes sociais — Foto: Reprodução/Instagram

Em julho de 2023, portanto, depois de dois anos, Da Cunha recebeu de volta as armas e o distintivo. Devido ao cargo político, o parlamentar não pode reassumir o cargo como delegado.

“O sentimento é de Justiça. Minha carreira como delegado de polícia e todo o trabalho limpo que desempenhei ao longo de quase duas décadas foram colocados em dúvida por acusações orquestradas e que, ao longo do processo, se mostraram frágeis e inócuas”, disse à época, em entrevista ao g1

O delegado de Santos(SP) alegou que foi vítima de perseguição política, se referindo à antiga gestão do Estado de São Paulo.

 

Agressões contra a ex

As supostas agressões contra Betina ocorreram no dia 14 de outubro, no aniversário de Da Cunha. A ex-companheira disse que ele voltou alcoolizado para casa depois de um passeio com os filhos e passou a ofendê-la.

Em certo momento do vídeo, Da Cunha diz “Pode parar. Pode parar, senão vou te matar aqui”. Após discutirem, em depoimento à Justiça, Betina explica que o deputado a empurrou com força para o banheiro, segundo ela, pelo pescoço, a sufocando e fazendo com que perdesse a consciência.

A vítima diz ter desmaiado e, caída no chão, conseguiu retomar a consciência, quando o viu batendo a cabeça dela contra a parede. Nesse momento a voz dele surge no vídeo dizendo “Desmaia aí. Desmaia aí. A tua conta já deu.”

Em seguida, Betina disse ter atirado contra Da Cunha um secador de cabelo. O aparelho abriu um corte no supercílio do deputado e os dois ficaram cobertos de sangue.

 

Relacionamento com Betina

Deputado Delegado Da Cunha e nutricionista Betina tinham união estável há três anos — Foto: Reprodução

Deputado Delegado Da Cunha e nutricionista Betina tinham união estável há três anos — Foto: Reprodução

Os dois se conheceram em 2020 e resolveram morar juntos. Porém, com o passar do tempo, Betina disse à Justiça que o deputado Da Cunha começou a desqualificá-la e agredir com xingamentos. Insatisfeita, ela ameaçava romper o relacionamento, provocando irritação ao parlamentar.

Para a advogada de Betina Grusiecki, Gabriela Manssur, o relacionamento entre os dois tinha altos e baixos. Pelo fato dela ser constantemente agredida verbalmente, tentava por diversos momentos se separar de Da Cunha. Porém, ele pedia perdão e, pelas insistências, os dois retomavam.

“Ela não conseguia romper o relacionamento. (…) ela muitas vezes ficava com pena e isso acabou enfraquecendo a Betina, porque ela começou a adoecer, o que dá margem para agressões mais graves e mais intensas”.

A advogada afirmou que a cliente jamais manifestou interesse em requerer bens materiais do deputado.

A Betina, em nenhum momento, entrou com qualquer ação, ainda que ela vivesse com ele em união estável, requereu partilha de bens, requereu alimentos ou qualquer outra providência no âmbito material. Não. Ela simplesmente quer proteção, justiça e tranquilidade para continuar vivendo a vida dela”. A Justiça concedeu medidas protetivas contra o deputado para Betina e para os pais.

 

Da Cunha contra violência doméstica

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Vídeo mostra Da Cunha falando sobre violência doméstica antes de ser acusado de agressão

Um vídeo obtido pelo g1 mostra Da Cunha (PP), acusado de agredir a companheira até ela desmaiar, falando sobre a importância do combate a violência doméstica (assista acima).

No conteúdo, publicado em agosto de 2020, o delegado conversou com o ex-deputado federal Arnaldo Faria de Sá sobre a lei Maria da Penha e o Estatuto do Idoso. Na conversa, ele citou as vítimas de violência doméstica e idosos como “minorias que estão desprotegidas”.

 

Quem é Da Cunha?

Delegado da Cunha faz sucesso nas redes sociais ao mostrar cotidiano da Polícia Civil — Foto: Reprodução/Facebook

Delegado da Cunha faz sucesso nas redes sociais ao mostrar cotidiano da Polícia Civil — Foto: Reprodução/Facebook

Em 2022, Da Cunha foi eleito deputado federal por São Paulo, sendo o 24ª candidato mais votado. Ele contabilizou 181.568 votos pelo Progressistas. O delegado começou a fazer sucesso na internet com vídeos que mostram operações policiais e o dia-a-dia dos agentes.

Proposta do Partido dos Trabalhadores para reestruturar e melhor remunerar os policiais civis de São Paulo 15

Projeto quer reestruturar carreira dos agentes da Polícia Civil de SP

Proposta do deputado estadual Reis (PT) foi aprovada na CCJR da Alesp e pede que salários dos policiais sejam pagos por meio de subsídios de forma obrigatória

Por

Bruno Andrade

A Polícia Civil atua com um déficit de 56 mil agentes
Tânia Rêgo/ Agência BrasilA Polícia Civil atua com um déficit de 56 mil agentes

A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da  Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, no dia 6 de março, um projeto de lei complementar que pede a reestruturação do plano de carreira dos policiais civis do Estado.

O autor do projeto, deputado Reis (PT), afirma que a intenção é tornar a ocupação mais atrativa para novos servidores. “O governo ainda não mandou nenhum projeto quanto a isso e estamos apresentando a proposta com base na  Constituição Federal  para que os policiais possam receber seus salários por subsídio e nivelados por cima”, defende.

idade

A remuneração bruta média de um policial civil no Brasil é de R$ 13.342,36, considerando as carreiras de escrivão, investigador e delegado. No Estado de São Paulo, essas carreiras recebem salários brutos de R$ 10.247,42, R$ 9.830,92 e R$ 25.872,96, respectivamente.

Servidores públicos estaduais não podem receber mais do que o governador do Estado, que atualmente tem um salário de R$ 34,6 mil. “Fui favorável que nós pudéssemos dar um aumento salarial para o governador”, disse o deputado estadual durante a Comissão.

“Acontece aqui, no Estado de São Paulo, mas acontece também nas cidades e na Prefeitura de São Paulo: o último aumento para o prefeito tinha sido em 2011 e, à medida que você vai reajustando o salário dos demais servidores, o salário do prefeito fica congelado, e as [demais] pessoas [do funcionalismo público], muitas vezes, tem que devolver parte do salário por causa do teto – ninguém pode ganhar mais que o prefeito, ninguém pode ganhar mais que o governador do Estado”, explica.

Para o deputado Reis, a reestruturação da Polícia Civil de SP passa diretamente por um reajuste salarial de todo o funcionalismo público. “Você passa 10 anos sem dar aumento para o Executivo, aí vai dar um aumento de 70%, 80% para poder compensar os 10 anos, e a sociedade enxerga isso de uma forma muito ruim. Isso prejudica os funcionários públicos de carreira.”

As  Polícias Civis apresentaram uma queda de 2% no efetivo entre 2013 e 2023 – um déficit de 56 mil agentes, segundo o  Raio-X das Forças de Segurança Pública, estudo divulgado pelo Fórum Brasil de Segurança Pública em 28 de fevereiro.

Quadros efetivos insuficientes

 

Na maioria dos estados do país, as Polícias Civis enfrentam um quadro de fragilização institucional “que interfere diretamente no trabalho de investigação, inteligência e elucidação de crimes”, de acordo com o estudo.

“Como agravante deste cenário, é importante lembrar que, além das atividades relacionadas à investigação criminal em si, como coleta de provas, depoimentos, etc, a Polícia Civil também é encarregada de realizar serviços públicos administrativos, o que aprofunda ainda mais a sobrecarga de trabalho de seu quadro já defasado”, expõe a pesquisa.

Apenas 63% das vagas existentes para policiais civis estão preenchidas. Segundo os pesquisadores, os critérios para definição das vagas dos efetivos não são claras — problema que poderia ter sido resolvido em 2023, em meio às discussões sobre as Leis Orgânicas das Polícias Civis e Militares.

Os concursos para instituições de segurança precisam ser justificados pela necessidade de preenchimento das vagas abertas no quadro efetivo (previsto em lei de cada instituição).

 

Na maior parte dos Estados, os quadros efetivos estão defasados e não seguem a lógica das atuais formas de policiamento. Na prática, a disponibilidade de vagas nesses quadros depende mais das condições fiscais de cada região.

No entanto, o estudo mostra que, em 2023, 33 mil dos 739 mil policiais e guardas do país receberam salários acima do teto do funcionalismo, no valor de R$ 39.293.

deste artigo: https://ultimosegundo.ig.com.br/policia/2024-03-16/projeto-quer-reestruturar-carreira-dos-agentes-da-policia-civil-de-sp.html

Do anús do Ministério Público: Observa-se que – “alguns” – recônditos em seus banheiros: SÃO PURA MERDA! 6

anais da procuradoria

ATROCIDADES VERBAIS NO SILÊNCIO DO TELEGRAM

Conversas trocadas no aplicativo mostram um pouco do que pensam alguns procuradores da República: de sofrimento “merecido” de nordestinos a veto de soropositivos no SUS

João Batista Jr.|14 mar 2024_10h12

Poucos temas mobilizaram tanto o Ministério Público Federal quanto a Operação Lava Jato, que tinha suas principais atividades centralizadas em Curitiba, mas braços em outras capitais. Mesmo procuradores que não faziam parte dos trabalhos se aproximavam da força-tarefa do Paraná, coordenada por Deltan Dallagnol, e trocavam ideias frequentes sobre as investigações. Muitos deram palpites até no texto da denúncia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio do tríplex do Guarujá, como mostrou reportagem da edição de março da piauí, a partir da leitura de aproximadamente 952.754 mensagens enviadas e recebidas no aplicativo Telegram do celular de Dallagnol.

Além de serem reveladoras sobre a operação, a análise das conversas frequentes sobre múltiplos assuntos permite entender um pouco o que pensam procuradores influentes a respeito de temas de interesse da sociedade civil. 

Na tarde de 1º de dezembro de 2015, um dos grupos mais ativos entre os procuradores, o BD (de “brigada digital”), discutia metas fiscais e aumento de gastos públicos de forma genérica. O assunto esquentou quando Helio Telho, procurador do estado de Goiás, lançou mão de uma proposta com objetivo de economizar dinheiro público na área da saúde: “Se a pessoa quer fumar até pegar um câncer, devia lhe ser exigido renunciar ao direito de atendimento pelo SUS, notadamente ao de buscar, inclusive na Justiça, remédios de alto custo financiados com impostos pagos pelos outros cidadãos.” Seu colega José Robalinho Cavalcanti, lotado no Distrito Federal e nessa época presidente da Agência Nacional de Procuradores da República, usou ironia para rechaçar o comentário de Telho, em cinco mensagens sequenciais:

“Idem para tomar Coca-Cola. Idem para esportes radicais. Idem para todos os atos ditos não saudáveis. Mais ainda para as deficiências congênitas. Gastam muito. Minha mulher, que é diabética desde os 11, deveria ser presa se descontrolar a dieta rs. Desculpe, Hélio, mas prefiro não viver neste mundo. PS: Vamos banir as motocicletas. Que tal? Gastam hoje mais do que o fumo. Dos sistemas de saúde.” A procuradora Janice Ascari, de São Paulo, deu força. Lembrando dos malefícios do álcool, constatou: “Estaríamos todos em cana.”

Os argumentos foram contestados por Wellington Saraiva, procurador também pelo DF (e motociclista, segundo seu perfil no X, o antigo Twitter):

 “Para motocicletas, já pagamos DPVAT altíssimo, muito maior do que o dos carros. A comparação é impertinente. Moto é meio de transporte, que tem risco (como carro, avião, elevador e escada rolante), mas não é necessariamente patogênica nem teratogênico [prejudicial ao embrião]. Cigarro é patogênico e teratogênico, além de desnecessário. Álcool também não é necessariamente patogênico. Em doses moderadas, é até saudável. Outra comparação impertinente.”

Robalinho rebateu: “E não acho impertinente não, mestre W. Posso citar dez comportamentos aceitos que fazem a indivíduos vários muito mais mal do que o cigarro à população em geral e são aceitos e até aplaudidos”, escreveu. Algumas mensagens a mais foram trocadas, até que o procurador Ailton Benedito de Souza, de Goiás, se manifestou em sobretaxar “quem fuma crack, maconha etc. Idem para quem pega HIV.”

O grupo levava a sigla de “brigada digital” por ser destinado a discutir temas a serem compartilhados nas redes sociais. Foi criado em 2013, quando os procuradores se organizaram para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição 37, que pretendia tirar o poder de investigação do Ministério Público. As discussões no campo do comportamento iam muito além e incluíam piadas duvidosas, como quando o procurador João Carlos de Carvalho Rocha, do Rio Grande do Sul, escreveu em março de 2015 no grupo Terra de Brutos: “Esse negócio de ser Gay, Lésbica, Botafoguense ou Transgênero é dureza. Rola muita incompreensão. Então respeito os caras”, em alusão aos empates em jogos com os times do Barra Mansa e Vasco da Gama, dias antes, pelo Campeonato Carioca.

Sem que nenhum integrante do grupo Terra de Brutos desse prosseguimento ao assunto, Telho quis expor sua visão sobre diversidade sexual: “50% irônico, 50% homofóbico, 100% matematicamente certo. A perpetuação da espécie depende do heterossexualismo.” Robalinho respondeu logo em seguida, para contestar a análise de seu colega e aprofundar o conceito de família. “Heterossexual convicto e absoluto que sou, ouso discordar rs. A perpetuação da espécie depende razoavelmente de relações sexuais heterossexuais esporádicas, sem contar hipóteses de inseminação artificial. Há inúmeros gays masculinos e femininos com filhos naturais; família é muito mais do que isso.” Robalinho ainda citou o Goiás de Telho, tradicional na agropecuária, em referência à inseminação artificial: “Nem todos os touros de raça pura e cara cobriram todas as vacas que tiveram filhos deles aí por Goiás, pois não? Rs.” Benedito de Souza se manifestou em defesa de Telho: “Robalovich, esses touros e esses vacas tampouco saem por aí praticando sexo homossexual bovino.”

Telho esticou a conversa (“Não dá para perpetuar espécie só com inseminação artificial”) para depois propor uma cota de heterossexuais no mundo para que a humanidade não entre em extinção: “Ademais, não me referi à família ou casamento. Me referia ao heterossexualismo. Se não houver um mínimo (uma cota) de heterossexualismo, a raça humana perecerá.”

Procurado pela piauí, Telho não se recorda das mensagens, diz não ser homofóbico e informa ter participado de uma Parada Gay no Rio ao lado de sua mulher. Ele também refuta ter sugerido que fumantes não pudessem ter acesso ao SUS. “Sem que eu possa ter acesso a todo o contexto, fica realmente difícil dizer algo. Não me lembro das mensagens, já faz muitos anos, sequer posso confirmá-las. O que eu posso dizer, lendo os trechos que você pinçou, é que a mensagem que você transcreveu não defende que o tabagismo não deva ser tratado pelo SUS, muito pelo contrário. Pessoas tabagistas que se recusam a tratar o tabagismo desenvolvem outras doenças cujo tratamento onera muito o SUS, é o que me parece dizer essa mensagem. Quanto à outra mensagem que você transcreveu, e de que também não me lembro e não posso confirmar, não me parece haver qualquer cunho homofóbico nela. Heterossexualidade e homossexualidade não são excludentes, ao contrário, podem e devem conviver e coexistir. Defender uma não significa excluir a outra. Só pensamentos binários é que interpretam que a defesa de um implica excluir o outro. Por exemplo, sou heterossexual e isso não me impediu de prestigiar e apoiar a parada LGBTQIA+ em Copacabana, em 2022, junto com minha mulher.” 

Robalinho, ao ser questionado sobre o teor dessas mensagens, diz não recordar de memória.

Oaborto virou tema de uma discussão acalorada no grupo BD. Foi quando compartilharam o link de uma reportagem sobre a ideia do deputado Laerte Bessa (PR-DF), relator do projeto de redução de maioridade penal na Câmara, que disse em entrevista para o jornal inglês The Guardian que no futuro será possível abortar quando se determinar, já no útero da mãe, se o feto tem tendências criminosas. O procurador Vladimir Aras, do Distrito Federal, viu nessa ideia bárbara uma desculpa de “abortistas para promover a lucrativa indústria do aborto”. Ailton Benedito mordeu a isca e começou a disparar mensagens sobre o assunto. Ele começou dizendo que as ações de planejamento familiar do SUS não têm eficácia alguma, para depois afirmar: “O estado nazista foi efetivo em minorar os desajustes.”

Benedito vai além em sua explicação ao lembrar que no nazismo aqueles que não eram arianos “deveriam ser eliminados, inclusive antes do nascimento”. O aborto dos potenciais “monstros”, para ele, é uma forma de praticar eugenia. O procurador sugere que pai e mãe que abandonam o filho devem receber dez chibatadas diárias em praça pública. Mas como essa medida não é possível, ele faz uma outra proposta: “Acabar com o Bolsa Família e todos os benefícios assistências que incentivam a procriação faria bem às famílias.”

Luiz Lessa, então, finaliza o assunto com ironia: “O boquete é a solução.” 

Mulheres com projeção na política nacional eram alvo frequente de comentários machistas nos grupos de procuradores.

Ainda que Gilmar Mendes fosse o ministro do Supremo Tribunal Federal mais criticado nos grupos, Cármen Lúcia, então presidente do STF, recebeu os comentários mais ultrajantes. Em uma conversa, especulam sobre sua vida pessoal e o fato de não pintar o cabelo.

Livia Tinoco: Cármen Lúcia é franciscana. Mulher simples. De muita renúncia. Não tem filho para sustentar.

Janice Ascari: Nem gasta com cabeleireiro.

Lívia Tinoco: Nem com dentista. Tem uns dentes horríveis, Amarelos e tortos. Mereciam uma lente pra ajudar um pouco o sorriso. […] Já passou da hora de fazer um preenchimento e um botox

Janice Ascari: hahahahahahaha 

Wellington Saraiva: Alguém sabe se é casada, já casou, teve união com qualquer nível de estabilidade e se tem filhos? Não que isso tenha relevância profissional, mas tem…

Lívia Tinoco: Eu gosto tanto da Cármen Lúcia. Acho ótima magistrada. Mas em matéria de cuidados corporais ela é péssima. Parece até ser anti-higiênica.

Janice Ascari: Galega, pegou pesado hahaha

Luiz Lessa: A quantidade de publicações indica que ela não teve tempo para romance.

No dia 24 de junho de 2015, o assunto era o famoso discurso em que Dilma saudou a mandioca (como item essencial da alimentação em território do povo brasileiro). A frase virou piada e deu munição a toda sorte de ironia. Ailton Benedito de Souza cravou: “Deve estar sempre sonhando acordada com a mandioca.” 

Preconceitos de origem também surgiram depois da reeleição de Dilma Rousseff, puxada especialmente por votos da região Nordeste. Em julho de 2015, Benedito de Souza, mesmo em meio a colegas de todas as regiões do país no grupo, escreveu: “Por isso que não tenho pena dos nordestinos […] Quando os vejo sofrer pelas suas desgraças, considero-as merecidas.” Vladimir Aras, nascido em Salvador e integrante do Ministério Público Federal em Brasília, rebateu: “Menos, Ailton, menos.” Souza arrematou: “Apenas consequências das próprias escolhas, que somos todos livres para fazer.”

Em abril de 2016, o assunto foi o discurso de Janaína Paschoal na USP. Peterson  de Paula Pereira disse: “Constrangedor… Caso de internação. Tivesse ali pulava em cima e chamava ambulância.” Helio Telho, fazendo joça, exclamou: “Pet, confesse. Você está querendo se perder com a Janaina!” Em seguida, Vladimir Aras elocubrou: “Imagina o marido dessa mulher como sofre.” Janice sugeriu: “Ela podia se candidatar a deputada. Ganhava fácil e as sessões iam ser bem divertidas. Podiam até criar a Bolsa Rivotril.”

Alvos da Lava Jato eram tema de piada. A procuradora Laura Tessler, de Curitiba, escreveu: “Diz que o sítio é mesmo do Lula. A primeira foto mostra uma 51!!!” Depois da prisão coercitiva de Lula, Luiz Lessa repetiu uma das troças que circulavam na internet: “Finalmente as piadas falando que o Lula é analfabeto vão acabar. Hoje Lula entrou na Federal!!” O próprio Lessa, no dia seguinte, chamou a falecida esposa de Lula, Marisa Letícia, “de tribufu do inferno stalinista”.

piauí pediu entrevista a todos os procuradores citados, diretamente ou por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal, mas apenas Telho, Saraiva e Robalinho falaram com a reportagem. 

As conversas relatadas acima estão entre as mensagens que integram o acervo da Operação Spoofing, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2019. O objetivo dessa operação foi investigar o vazamento de contas de Telegram mantidas por participantes da Lava Jato, um escândalo que ficou conhecido como Vaza Jato. Divulgados em primeira mão pelo site Intercept Brasil, os lotes de mensagens vazadas por um hacker mostraram que os procuradores da Lava Jato – com Deltan Dallagnol à frente – faziam combinações com o então juiz Sergio Moro. Eles trocavam informações e acertavam planos de ação.

No final do ano passado, a reportagem da piauí teve acesso ao conteúdo integral das mais de 952 mil mensagens enviadas e recebidas pelo coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, entre maio de 2014 e abril de 2019. Com base nelas, foi publicada uma reportagem na edição de março da revista, que pode ser lida aqui, sobre as táticas e motivações de Dallagnol na operação.

Colaboraram Allan de Abreu, Felippe Aníbal, Lígia Mesquita, Matheus Pichonelli e Luiz Fernando Toledo

Entrevista completa do presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu que os alimentos ainda estão caros no país. Em entrevista exclusiva ao SBT Brasil, o presidente criticou a Petrobras, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o país ainda está polarizado entre ele e Jair Bolsonaro e minimizou a importância das pesquisas que apontaram a queda de sua popularidade.

Veja os principais temas:

00:08 – Mudanças econômicas

01:15 – Popularidade

04:10 – Polarização

07:00 – Regulação das redes sociais

09:38 – Ações de combate a fome

13:52 – Baixar preço de alimentos

14:50 – Segurança 19:04

Fuga em Mossoró (RN) 26:30

Taxa de juros 29:45

Decisão para ser candidato 31:20

Petrobras 36:37

Minha Casa, Minha Vida 38:40

Marca do terceiro governo 41:27

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SIPESP com razão repudia o desvalor com que a classe “dirigente” da Polícia Civil empresta àqueles que lhes dão sustentação: OPERACIONAIS 39

  qua., 6 de mar., 20:03 (há 16 horas)  
para dipolflitparalisante

NOTA DE REPÚDIO

O SIPESP, legítimo representante dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo, vem a público externar a presente nota de REPÚDIO ao tratamento que a classe operacional da Polícia Civil do nosso Estado, especialmente os Investigadores de Polícia, vem recebendo dos responsáveis pelos estudos da nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Como todos sabem, um grupo de estudos foi criado, através da Portaria DGP nº 28/2023, para desenvolver o projeto da nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Porém, transcorridos meses da criação do citado grupo, não temos notícias sobre resultados efetivos dos estudos elaborados até o momento. Isto traz insegurança à toda classe operacional, especialmente aos Investigadores de Polícia, que temem sofrer prejuízos na carreira, no que tange direitos legitimamente conquistados ao longo da história. Para evitar desinformações, tivemos uma indicação, formulada pelo Deputado Estadual Reis, sob o nº 763/2024, devidamente publicada na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 22/02/2024, cujo objetivo é a indicação de um representante de cada carreira da polícia civil na composição do grupo de trabalho criado, para fortalecer os trabalhos e melhorar a comunicação.

Deste modo, o SIPESP, dirigiu um ofício sob o nº 04/2024, datado de 22/02/2024, ao presidente do Grupo de Trabalho, Delegado Geral Adjunto, Dr. Gilson Cezar Pereira da Silveira, em busca de um diálogo que pudesse agregar ideias em prol de toda a polícia civil, além de levar os anseios e preocupações da classe operacional, especialmente investigadores, com as possíveis mudanças que possam ocorrer com a nova Lei Orgânica. Em resposta ao ofício encaminhado, apesar de se colocar à disposição de um diálogo, não se manifestou em receber esta entidade classista para uma audiência, se limitando a informar que qualquer sugestão poderá ser encaminhado através de peticionamento eletrônico, conforme preceitua a própria Portaria DGP nº 28/2023.

Ora, enquanto entidade de classe, precisamos estreitar os diálogos e os debates, para que possamos avançar positivamente em favor de uma Polícia Civil mais forte e isto não se faz através de peticionamento eletrônico.

Não adianta receber entidades sem qualquer representatividade, demonstrando que é a favor do diálogo e fechar as portas para entidades que representam o maior número de policiais da classe operacional. Aliás, foi através deste tipo de tratamento, que foi desencadeada a greve de 2008, encabeçada pelo SIPESP, onde a classe operacional mostrou a sua força em busca de melhorias.

Repudiamos, veementemente, o tratamento recebido e vamos nos mobilizar, até que consigamos efetivamente participar da elaboração de um projeto que seja benéfico e justo à toda Polícia Civil.

Não podemos construir nada em favor da Polícia Civil, que não tenha a participação de todos.

Deste modo, tornamos pública a nossa indignação e convocamos todos os Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo a se mobilizarem, pois certamente, se nos mantivermos inertes, sofreremos por algo que podíamos ter evitado.

Teremos diversas oportunidades para tornar pública a nossa indignação, até que consigamos receber o tratamento que merecemos!!!

Fiquem atentos e participem! O SIPESP estará sempre junto com todos os Investigadores de Polícia!!!

Quadrilha formada por policiais militares é condenada por envolvimento com bicheiro de Praia Grande …Mas a banca continua firme e forte; tristemente com a proteção de personagens da Polícia Civil Santista… A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo disse que “está apurando” …Os lucros? 5

Quadrilha com policiais é condenada por envolvimento em jogo do bicho chefiado por idoso e tetraplégico

Organização criminosa mantinha 170 pontos na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Esquema incluía lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos.

Por Gyovanna Soares, g1 Santos

25/02/2024 06h18  Atualizado há um dia

À esquerda, dois GCMs e um dos envolvidos nas proximidades da sede da organização em Praia Grande (SP). À direita, mais de R$ 370 mil encontrado na casa do homem tetraplégico — Foto: g1 Santos

À esquerda, dois GCMs e um dos envolvidos nas proximidades da sede da organização em Praia Grande (SP). À direita, mais de R$ 370 mil encontrado na casa do homem tetraplégico — Foto: g1 Santos

A Justiça de São Paulo condenou 17 homens envolvidos em uma organização criminosa que mantinha 170 pontos de jogo do bicho em três cidades da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. O esquema, que incluía lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos, era comandado por um idoso de 85 anos e o filho tetraplégico.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou 21 envolvidos após uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em 2014. Durante o processo, quatro homens morreram. Entre eles, estão o chefe tetraplégico, um policial civil aposentado e outros dois envolvidos.

De acordo com a sentença da 2ª Vara Criminal de Praia Grande (SP) emitida na terça-feira (20), os 17 homens foram condenados entre 7 e 17 anos de prisão em regime inicial fechado. Entre os envolvidos, estão quatro policiais militares, quatro guardas civis municipais da cidade, um policial militar reformado, o idoso que chefiava o esquema e outros sete participantes.

No documento da sentença, obtido pelo g1, o juiz Antonio Carlos Martins constatou que a atividade do jogo do bicho em Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém era permitida e bem sucedida, graças a corrupção de policiais e guardas civis. Eles aceitavam propinas para proteger a organização criminosa.

Quadrilha com policiais era comandada por idoso e tetraplégico em Praia Grande (SP) — Foto: g1 Santos

Quadrilha com policiais era comandada por idoso e tetraplégico em Praia Grande (SP) — Foto: g1 Santos

Chefes e filho tetraplégico

A organização criminosa atuou por aproximadamente 30 anos dentro de panificadoras, lanchonetes, bares e bancas de jornal. O idoso comandava o esquema através do filho tetraplégico, que, de acordo com o documento da sentença, não tinha condições básicas para administrá-lo sozinho.

“[É] inviável a criação de grupo criminoso de tal porte e longa durabilidade sem um mentor de maior confiança, como seu pai […]. O ‘negócio’ foi herança de seu genitor, o qual paulatinamente lhe passava a liderança da organização criminosa, no entanto, sem desligar-se totalmente”, explicou o juiz.

Quando o esquema foi desarticulado, os valores movimentados pelo pai e o filho eram de aproximadamente R$ 94 mil por dia útil, já com o desconto do pagamento dos funcionários.

Esquema

À esquerda, um dos envolvidos na organização criminosa. À direita, munições apreendidas durante operação e sede do esquema — Foto: g1 Santos

À esquerda, um dos envolvidos na organização criminosa. À direita, munições apreendidas durante operação e sede do esquema — Foto: g1 Santos

Segundo a denúncia do MP, a organização era dividida em três núcleos. O primeiro era o gerencial, composto por quatro pessoas de confiança do pai e do filho. Este setor era responsável pela gestão financeira e supervisão dos outros envolvidos.

O setor operacional era responsável pela execução direta das atividades vinculadas ao jogo do bicho. Neste núcleo, haviam 170 pessoas, ainda não identificadas, que anotavam, recebiam e entregavam os jogos para ao menos 13 homens. Destes, cinco foram identificados e condenados.

Por fim, o setor da segurança que tinha participação direta de policiais militares e guardas municipais. Eles eram responsáveis por garantir a tranquilidade da organização no transporte dos pagamentos em dinheiro e evitar que o esquema fosse denunciado as autoridades.

O documento do MP apontou que há outros envolvidos na quadrilha, que ainda não foram identificados.

g1 entrou em contato com a Polícia Militar (PM) e com a Prefeitura de Praia Grande, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) disse estar apurando o caso