Policiais julgados no Fórum de Santos são absolvidos
O julgamento dos seis policiais militares acusados de um homicídio e uma tentativa de homicídio durante tiroteio com criminosos, na Zona Noroeste, durou mais de 18 horas no Fórum de Santos. Por volta das 3h30, o juiz Antonio Álvaro Castello leu a sentença que absolveu os policiais.
A Justiça entendeu que não partiu dos seis policiais os tiros que mataram o frentista José Camilo da Penha, de 51 anos, e atingiram uma estudante de 15 anos.
Em entrevista à TV Tribuna, o advogado Alex Ochsendorf, disse que a defesa utilizou como base provas técnicas. “Quando nós fizemos a avaliação em plenário, não restou nenhum tipo de dúvida que o tiro fatal que vitimou José Camilo e que acertou a jovem não partiram das armas dos policiais. Isso ficou reconhecido pelos jurados”, disse.
O caso
Os réus são um tenente, um sargento, um cabo e três soldados. Eles respondiam ao processo em liberdade e alegam que realizavam uma operação para coibir o tráfico de drogas no Caminho São Sebastião, Jardim Rádio Clube, na madrugada de 5 de junho de 2009, quando cerca de oito marginais os receberam a tiros.
Os policiais disseram que revidaram os disparos em legítima defesa. Durante o confronto, dois inocentes foram baleados. Atingido no lado esquerdo do peito, o frentista José Camilo estava em um bar e morreu. Uma estudante foi alvejada no antebraço esquerdo, sendo medicada e liberada.
Os criminosos escaparam sem ser identificados. Um revólver calibre 38 e uma pistola 9 milímetros que eles usavam foram abandonados na fuga. Essas armas e outras nove portadas pelos PMs foram apreendidas para perícia. Porém, os projéteis que atingiram as vítimas as transfixaram e eventual confronto balístico ficou prejudicado.
‘Lei do Silêncio’
Doze testemunhas depuseram, sendo cinco comuns entre acusação e defesa. As demais foram indicadas exclusivamente pelos advogados Alex Sandro Ochsendorf e Renata Bonavides. As pessoas ligadas direta ou indiretamente às vítimas ou ao local do tiroteio demonstraram receio ao serem indagadas se traficantes receberam os PMs a tiros.
O delegado Flávio Máximo, que era titular do 5º DP de Santos à época dos fatos, foi ouvido como testemunha de defesa dos policiais. Ele classificou o Caminho São Sebastião como “um dos locais mais perigosos da Zona Noroeste, onde o tráfico é reinante”.
Máximo relatou que, meses após o caso pelo qual os PMs foram processados, ele próprio realizou diligência no Caminho São Sebastião, sendo recebido a tiros. “Os marginais enfrentam os policiais, civis ou militares, indiferentes à integridade física e à vida dos moradores da comunidade”.
O delegado também disse que acompanhou a reconstituição do caso e uma perita lhe disse que, “pela dinâmica do ocorrido”, os projéteis que atingiram as vítimas não poderiam ter partido das armas dos policiais militares. Por fim, Máximo lembrou que marginais incendiaram dois ônibus no Jardim Rádio Clube horas após o tiroteio.
*Com informações da Redação







