Corregedoria acusa policiais da delegacia sede do Guarujá de eventual favorecimento a membro do PCC 40

Atualizado: 12/08/2014 18:00 | Por Rafael Italiani, estadao.com.br

Polícia prende suspeito de lavar dinheiro para o PCC

Corregedoria investiga participação de policiais civis; Rodrigo de Oliveira Moura, de 36 anos, foi flagrado dando um tiro fatal no comerciante Marco Antônio Nemer, de 41 anos

SÃO PAULO – Investigadores da Corregedoria da Polícia Civil prenderam na manhã desta terça-feira, 12, o empresário Rodrigo de Oliveira Moura, de 36 anos, suspeito de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) através da compra de apartamentos, lojas de automóveis e estacionamentos.

Inicialmente, o preso é acusado por apenas um crime: o homicídio do comerciante Marco Antônio Nemer, de 41 anos. A vítima foi morta no dia 3 de janeiro deste ano, na praia da Enseada, no Guarujá, litoral sul de São Paulo. Um vídeo obtido pelo Estado mostra o momento em que Moura atira contra Nemer após montar uma metralhadora.

De acordo com o delegado Mitiaki Yamamoto, divisionário de Crimes Funcionais da Corregedoria Geral da Polícia Civil, existe a suspeita de envolvimento de policiais civis com o preso e o Primeiro Comando da Capital. A Corregedoria assumiu o caso há cerca de um mês com a justificativa de que a investigação poderia ter sido mais eficiente, prendendo o empresário com as provas que a polícia já tinha.

Até então, o homicídio era investigado pela Delegacia do Guarujá. Um dos elementos que comprovam a participação de Moura na morte de Nemer é justamente o vídeo. A suspeita é a de que o acusado estivesse negociando a venda da metralhadora. Segundo a polícia, ele tinha ido ao Guarujá para tratar de negócios relacionados ao setor automotivo.

“O inquérito acabou sendo avocado para a Corregedoria, para ser conduzido em um tempo mais célebre”, afirmou Yamamoto . Ainda de acordo com o delegado, foi durante a nova investigação que surgiram indícios que Moura “estaria envolvido” com a facção criminosa, assim como os policiais da investigação inicial.

“A facção criminosa pode, neste caso, de alguma forma, ter se alicerçado em algum favorecimento por parte de funcionário público. Nós vamos apurar esse possível envolvimento de um ou mais policiais”, disse o divisionário. Segundo Eduardo Assagra Ribas Neto, delegado titular da 6ª Corregedoria Auxiliar de Santos, Moura nunca foi chamado na delegacia que investigava o caso para prestar depoimento.

Bens de luxo. A polícia deflagrou a operação para prender o suspeito de lavar dinheiro para o PCC na manhã desta terça, na zona leste de São Paulo. Com ele, os policiais encontraram um veículo Ford Mustang e uma motocicleta Harley-Davidson. Moura foi detido na casa dos sogros.

Para chegar até o acusado e buscar mais provas, a Corregedoria cumpriu nove mandatos de busca e apreensão em imóveis relacionados ao nome de Moura, no Tatuapé. Somente em um dos prédios, ele é proprietário de três apartamentos. Ele ainda não é acusado de associação criminosa e lavagem de dinheiro. A polícia não revelou que tipos de documento encontrou para ter essa suspeita e nem o patrimônio de Moura.

Transcrito do ESTADÃO ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.‏

LEI Nº 13.022, DE 8 AGOSTO DE 2014 – institui normas gerais para as guardas municipais 134

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 13.022, DE 8 AGOSTO DE 2014.

  Dispõe sobre o Estatuto Geral das Guardas Municipais.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o  Esta Lei institui normas gerais para as guardas municipais, disciplinando o § 8o do art. 144 da Constituição Federal.

Art. 2o  Incumbe às guardas municipais, instituições de caráter civil, uniformizadas e armadas conforme previsto em lei, a função de proteção municipal preventiva, ressalvadas as competências da União, dos Estados e do Distrito Federal.

CAPÍTULO II

DOS PRINCÍPIOS

Art. 3o  São princípios mínimos de atuação das guardas municipais:

I – proteção dos direitos humanos fundamentais, do exercício da cidadania e das liberdades públicas;

II – preservação da vida, redução do sofrimento e diminuição das perdas;

III – patrulhamento preventivo;

IV – compromisso com a evolução social da comunidade; e

V – uso progressivo da força.

CAPÍTULO III

DAS COMPETÉNCIAS

Art. 4o  É competência geral das guardas municipais a proteção de bens, serviços, logradouros públicos municipais e instalações do Município.

Parágrafo único.  Os bens mencionados no caput abrangem os de uso comum, os de uso especial e os dominiais.

Art. 5o  São competências específicas das guardas municipais, respeitadas as competências dos órgãos federais e estaduais:

I – zelar pelos bens, equipamentos e prédios públicos do Município;

II – prevenir e inibir, pela presença e vigilância, bem como coibir, infrações penais ou administrativas e atos infracionais que atentem contra os bens, serviços e instalações municipais;

III – atuar, preventiva e permanentemente, no território do Município, para a proteção sistêmica da população que utiliza os bens, serviços e instalações municipais;

IV – colaborar, de forma integrada com os órgãos de segurança pública, em ações conjuntas que contribuam com a paz social;

V – colaborar com a pacificação de conflitos que seus integrantes presenciarem, atentando para o respeito aos direitos fundamentais das pessoas;

VI – exercer as competências de trânsito que lhes forem conferidas, nas vias e logradouros municipais, nos termos da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), ou de forma concorrente, mediante convênio celebrado com órgão de trânsito estadual ou municipal;

VII – proteger o patrimônio ecológico, histórico, cultural, arquitetônico e ambiental do Município, inclusive adotando medidas educativas e preventivas;

VIII – cooperar com os demais órgãos de defesa civil em suas atividades;

IX – interagir com a sociedade civil para discussão de soluções de problemas e projetos locais voltados à melhoria das condições de segurança das comunidades;

X – estabelecer parcerias com os órgãos estaduais e da União, ou de Municípios vizinhos, por meio da celebração de convênios ou consórcios, com vistas ao desenvolvimento de ações preventivas integradas;

XI – articular-se com os órgãos municipais de políticas sociais, visando à adoção de ações interdisciplinares de segurança no Município;

XII – integrar-se com os demais órgãos de poder de polícia administrativa, visando a contribuir para a normatização e a fiscalização das posturas e ordenamento urbano municipal;

XIII – garantir o atendimento de ocorrências emergenciais, ou prestá-lo direta e imediatamente quando deparar-se com elas;

XIV – encaminhar ao delegado de polícia, diante de flagrante delito, o autor da infração, preservando o local do crime, quando possível e sempre que necessário;

XV – contribuir no estudo de impacto na segurança local, conforme plano diretor municipal, por ocasião da construção de empreendimentos de grande porte;

XVI – desenvolver ações de prevenção primária à violência, isoladamente ou em conjunto com os demais órgãos da própria municipalidade, de outros Municípios ou das esferas estadual e federal;

XVII – auxiliar na segurança de grandes eventos e na proteção de autoridades e dignatários; e

XVIII – atuar mediante ações preventivas na segurança escolar, zelando pelo entorno e participando de ações educativas com o corpo discente e docente das unidades de ensino municipal, de forma a colaborar com a implantação da cultura de paz na comunidade local.

Parágrafo único.  No exercício de suas competências, a guarda municipal poderá colaborar ou atuar conjuntamente com órgãos de segurança pública da União, dos Estados e do Distrito Federal ou de congêneres de Municípios vizinhos e, nas hipóteses previstas nos incisos XIII e XIV deste artigo, diante do comparecimento de órgão descrito nos incisos do caput do art. 144 da Constituição Federal, deverá a guarda municipal prestar todo o apoio à continuidade do atendimento.

CAPÍTULO IV

DA CRIAÇÃO

Art. 6o  O Município pode criar, por lei, sua guarda municipal.

Parágrafo único.  A guarda municipal é subordinada ao chefe do Poder Executivo municipal.

Art. 7o  As guardas municipais não poderão ter efetivo superior a:

I – 0,4% (quatro décimos por cento) da população, em Municípios com até 50.000 (cinquenta mil) habitantes;

II – 0,3% (três décimos por cento) da população, em Municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, desde que o efetivo não seja inferior ao disposto no inciso I;

III – 0,2% (dois décimos por cento) da população, em Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, desde que o efetivo não seja inferior ao disposto no inciso II.

Parágrafo único.  Se houver redução da população referida em censo ou estimativa oficial da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é garantida a preservação do efetivo existente, o qual deverá ser ajustado à variação populacional, nos termos de lei municipal.

Art. 8o  Municípios limítrofes podem, mediante consórcio público, utilizar, reciprocamente, os serviços da guarda municipal de maneira compartilhada.

Art. 9o  A guarda municipal é formada por servidores públicos integrantes de carreira única e plano de cargos e salários, conforme disposto em lei municipal.

CAPÍTULO V

DAS EXIGÊNCIAS PARA INVESTIDURA

Art. 10.  São requisitos básicos para investidura em cargo público na guarda municipal:

I – nacionalidade brasileira;

II – gozo dos direitos políticos;

III – quitação com as obrigações militares e eleitorais;

IV – nível médio completo de escolaridade;

V – idade mínima de 18 (dezoito) anos;

VI – aptidão física, mental e psicológica; e

VII – idoneidade moral comprovada por investigação social e certidões expedidas perante o Poder Judiciário estadual, federal e distrital.

Parágrafo único.  Outros requisitos poderão ser estabelecidos em lei municipal.

CAPÍTULO VI

DA CAPACITAÇÃO

Art. 11.  O exercício das atribuições dos cargos da guarda municipal requer capacitação específica, com matriz curricular compatível com suas atividades.

Parágrafo único.  Para fins do disposto no caput, poderá ser adaptada a matriz curricular nacional para formação em segurança pública, elaborada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça.

Art. 12.  É facultada ao Município a criação de órgão de formação, treinamento e aperfeiçoamento dos integrantes da guarda municipal, tendo como princípios norteadores os mencionados no art. 3o.

  • 1o  Os Municípios poderão firmar convênios ou consorciar-se, visando ao atendimento do disposto no caput deste artigo.
  • 2o  O Estado poderá, mediante convênio com os Municípios interessados, manter órgão de formação e aperfeiçoamento centralizado, em cujo conselho gestor seja assegurada a participação dos Municípios conveniados.
  • 3o  O órgão referido no § 2o não pode ser o mesmo destinado a formação, treinamento ou aperfeiçoamento de forças militares.

CAPÍTULO VII

DO CONTROLE

Art. 13.  O funcionamento das guardas municipais será acompanhado por órgãos próprios, permanentes, autônomos e com atribuições de fiscalização, investigação e auditoria, mediante:

I – controle interno, exercido por corregedoria, naquelas com efetivo superior a 50 (cinquenta) servidores da guarda e em todas as que utilizam arma de fogo, para apurar as infrações disciplinares atribuídas aos integrantes de seu quadro; e

II – controle externo, exercido por ouvidoria, independente em relação à direção da respectiva guarda, qualquer que seja o número de servidores da guarda municipal, para receber, examinar e encaminhar reclamações, sugestões, elogios e denúncias acerca da conduta de seus dirigentes e integrantes e das atividades do órgão, propor soluções, oferecer recomendações e informar os resultados aos interessados, garantindo-lhes orientação, informação e resposta.

  • 1o  O Poder Executivo municipal poderá criar órgão colegiado para exercer o controle social das atividades de segurança do Município, analisar a alocação e aplicação dos recursos públicos e monitorar os objetivos e metas da política municipal de segurança e, posteriormente, a adequação e eventual necessidade de adaptação das medidas adotadas face aos resultados obtidos.
  • 2o  Os corregedores e ouvidores terão mandato cuja perda será decidida pela maioria absoluta da Câmara Municipal, fundada em razão relevante e específica prevista em lei municipal.

Art. 14.  Para efeito do disposto no inciso I do caput do art. 13, a guarda municipal terá código de conduta próprio, conforme dispuser lei municipal.

Parágrafo único.  As guardas municipais não podem ficar sujeitas a regulamentos disciplinares de natureza militar.

CAPÍTULO VIII

DAS PRERROGATIVAS

Art. 15.  Os cargos em comissão das guardas municipais deverão ser providos por membros efetivos do quadro de carreira do órgão ou entidade.

  • 1o  Nos primeiros 4 (quatro) anos de funcionamento, a guarda municipal poderá ser dirigida por profissional estranho a seus quadros, preferencialmente com experiência ou formação na área de segurança ou defesa social, atendido o disposto no caput.
  • 2o  Para ocupação dos cargos em todos os níveis da carreira da guarda municipal, deverá ser observado o percentual mínimo para o sexo feminino, definido em lei municipal.
  • 3o  Deverá ser garantida a progressão funcional da carreira em todos os níveis.

Art. 16.  Aos guardas municipais é autorizado o porte de arma de fogo, conforme previsto em lei.

Parágrafo único.  Suspende-se o direito ao porte de arma de fogo em razão de restrição médica, decisão judicial ou justificativa da adoção da medida pelo respectivo dirigente.

Art. 17.  A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destinará linha telefônica de número 153 e faixa exclusiva de frequência de rádio aos Municípios que possuam guarda municipal.

Art. 18.  É assegurado ao guarda municipal o recolhimento à cela, isoladamente dos demais presos, quando sujeito à prisão antes de condenação definitiva.

CAPÍTULO IX

DAS VEDAÇÕES

Art. 19.  A estrutura hierárquica da guarda municipal não pode utilizar denominação idêntica à das forças militares, quanto aos postos e graduações, títulos, uniformes, distintivos e condecorações.

CAPÍTULO X

DA REPRESENTATIVIDADE

Art. 20.  É reconhecida a representatividade das guardas municipais no Conselho Nacional de Segurança Pública, no Conselho Nacional das Guardas Municipais e, no interesse dos Municípios, no Conselho Nacional de Secretários e Gestores Municipais de Segurança Pública.

CAPÍTULO XI

DISPOSIÇÕES DIVERSAS E TRANSITÓRIAS

Art. 21.  As guardas municipais utilizarão uniforme e equipamentos padronizados, preferencialmente, na cor azul-marinho.

Art. 22.  Aplica-se esta Lei a todas as guardas municipais existentes na data de sua publicação, a cujas disposições devem adaptar-se no prazo de 2 (dois) anos.

Parágrafo único.  É assegurada a utilização de outras denominações consagradas pelo uso, como guarda civil, guarda civil municipal, guarda metropolitana e guarda civil metropolitana.

Art. 23.  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 8 de agosto de 2014; 193o da Independência e 126o da República.

DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Miriam Belchior
Gilberto Magalhães Occhi

Aécio Neves propõe reforma no Código Penal contra a impunidade 19

O candidato afirma que não haverá mais represamento de recursos para segurança, as propostas buscam reduzir o número de genocídios no Brasil

Em entrevista nesta terça-feira (12), em Imperatriz, no Maranhão, o Candidato à Presidência da República pela coligação Muda Brasil, Aécio Neves, assumiu um compromisso em relação à Segurança Pública, revelando planos para diminuir os índices de genocídio. Lembrando que dia 12 de agosto é o Dia Internacional da Juventude, o candidato enfatizou o número de assassinatos de jovens.
“Hoje é o Dia Internacional da Juventude e o Brasil assiste a um verdadeiro genocídio de jovens em todas as nossas regiões. Foram 56 mil assassinatos no ano passado e a maioria de jovens, e a grande maioria de jovens negros”, afirmou Aécio.
Para o candidato, os índices são resultado da falta de uma Política Nacional de Segurança, por isso ele ressalta a importância de sua proposta, exposta no Maranhão. “Vamos transformar o Ministério da Justiça no Ministério da Segurança Pública e Justiça, não haverá mais contingenciamento ou represamento, como alguns preferem, de recursos para área de segurança”, assegura Aécio, defendendo que o Ministério da Justiça deva se preocupar também com a segurança da população.
Aécio disse ainda que atualmente 550 mil homens trabalham em segurança pública no Brasil. Sua proposta é que 10% desses homens que estão em serviço administrativos possam ir para as ruas, com o apoio do Governo Federal aos Estados. “Oferecendo financiamento para servidores administrativos que substituiriam os policiais. E mais do que isso, vamos fazer uma profunda reforma do Código Penal e do Código de Processo Penal para não continuarmos a estimular a impunidade”, defende.
O candidato do PSDB defende que a Segurança Pública será uma prioridade absoluta em seu governo. “Aqui na região Nordeste, estamos assistindo, infelizmente, um crescimento avassalador desses índices em razão do Governo Federal não cuidar das nossas fronteiras e não atuar na repressão do tráfico de drogas, do tráfico de armas, matrizes para muitas dessas mortes”, exemplifica Aécio.

aecio

O POVO DE HORTOLÂNDIA QUER SABER: Tribunal de Justiça mantém condenação de ex-delegados que cobravam “pra encher o pátio” com veículos apreendidos 11

Os dois delegados que foram condenados por cobrar propina em Hortolândia entre os anos de 1992 a 1995, foram exonerados dos cargos no ano passado.  Segundo decreto assinado pelo governador Geraldo Alckmin, a demissão foi motivada “a bem do serviço público”.

Antonio Eribelto Piva Júnior e José Eduardo Cury foram acusados de obter vantagens indevidas quando exerciam cargos na Polícia Civil de Hortolândia.

Eles exigiam uma porcentagem de 35% sobre os valores arrecadados com o serviço de guincho na cidade. À época, eles eram delegado e investigador, respectivamente.

Antonio Eribelto Piva Júnior foi condenado a sete anos e meio em regime fechado, por cobrança de propina para serviço de guincho. José Eduardo Cury, a cinco anos em regime fechado, por cobrança para seguir em investigação.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, ontem , por votação unânime manteve integralmente a condenação imposta em primeira instância.

 

 

Inteiro teor ler aqui : ACORDAO

 

 

A lei penal é como a serpente, só pica os descalços 20

Par de chinelos e o STF.

Publicado por Luiz Flávio Gomes

Em abril/14 o STF julgou um “ladrão de galinha”. Agora vai se deparar com um pé descalço cujo sonho era se transformar em um “pé de chinelo” (HC 123.108). A frase de um camponês de El Salvador, referida por José Jesus de La Torre Rangel (e aqui difundida por Lenio Streck) é paradigmática: “La ley es como la serpiente; solo pica a los descalzos”. Isso vale, em grande medida, no Brasil, para a lei penal (em regra, só pica os descalços).

O Judiciário brasileiro (tanto nesse caso do par de chinelos como em outros, exemplificativamente o da subtração de duas galinhas de São João de Nepomuceno-MG, onde ficou vencido o ministro Marco Aurélio que não concedia o HC para o “ladrão de galinha”), depois de dezenas de anos em contato e experiência com a degeneração moral da sociedade e das instituições, degradação essa promovida pela prazerosa vulgaridade do homo democraticus (Tocqueville e Gomá Lanzón), nos seus surtos de desconexão absoluta da realidade, vez por outra, delibera se desligar do mundo dos humanos. Transforma-se, nesses momentos, num avatar.

Como já não tem contato com os humanos (os terráqueos), concede-se licença para se afastar do mundo tangível e de se expressar numa linguagem metafísica, absolutamente inacessível à quase absoluta totalidade dos habitantes do planeta azul. Não faz isso por se julgar superior aos mortais, certamente, sim, por se entender diferente (outro mundo, outro planeta, outra lógica, outra civilização).

O habeas corpus do “pé descalço” foi denegado pelo STJ (6ª Turma) com base nos seguintes argumentos (prestem atenção na linguagem): “É condição sine qua non ao conhecimento do especial que tenham sido ventilados, no contexto do acórdão objurgado, os dispositivos legais indicados como malferidos na formulação recursal. Inteligência dos enunciados 211⁄STJ, 282 e 356⁄STF.”

Tudo isso é fruto de uma inteligência das súmulas 211, 282 e 356 do STF. Que pena que essainteligência dos avatares não tem nada a ver com o ideal terráqueo da Justiça ao alcance de todos (na forma e na substância).

A ementa do julgado (6ª Turma) prossegue: “Possuindo o dispositivo de lei indicado como violado comando legal dissociado das razões recursais a ele relacionadas (sic), resta impossibilitada a compreensão da controvérsia arguida nos autos, ante a deficiência na fundamentação recursal. Incidência do enunciado 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.”

Claro que, aqui na Terra, para “compreender a controvérsia” e determinar o arquivamento imediato dos autos relacionados à subtração de um par de chinelos (devolvido, diga-se de passagem) só dependemos de uma caneta e de uma cabeça terráquea, dotada de humanidade e sensibilidade. Nada mais que isso.

Para a aplicação ou não do principio da insignificância (continua a ementa), “devem ser analisadas as circunstâncias específicas do caso concreto, o que esbarra na vedação do enunciado 7 da Súmula desta Corte.”

Quais circunstâncias específicas mais são necessárias além do fato de tratar-se de um par de chinelos de R$ 16 reais (devolvido) subtraído por um “pé descalço”, que foi condenado a um ano de prisão em regime semiaberto?

Para a 6ª Turma o arquivamento desse caso é muito relevante por possuir caráter constitucional. E a “A análise de matéria constitucional não é de competência desta Corte, mas sim do Supremo Tribunal Federal, por expressa determinação daConstituição Federal.”

Seja de que natureza for, aqui na Terra manda a sensibilidade humana que a subtração de um par de chinelos de R$ 16 reais deve ser arquivada prontamente, por meio de um habeas corpus de ofício. A matéria constitucional aqui existente é a dignidade humana, a liberdade, o Estado de direito, a proporcionalidade, a razoabilidade etc. Em síntese, tudo que os avatares desconhecem.

Há momentos que dá vontade de copiar, aqui no Brasil, aquela criança que, no Uruguai, no tempo da ditadura (criticada por Eduardo Galeano), pediu a sua mãe que a levasse de volta para o hospital porque ela queria “desnascer”!

Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes

Professor

Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). [ assessoria de comunicação e imprensa +55 11 991697674 [agenda de palestras e entrevistas] ]

O PT destruiu a Petrobras; em breve os brasileiros pagarão a conta na forma de 20% de inflação em 2015 56

Reajuste de combustíveis é ‘imprescindível’, afirma Petrobras

SAMANTHA LIMA
LUCAS VETTORAZZO
DO RIO

11/08/2014 13h55 – Atualizado às 16h35

O diretor de Finanças e Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, disse que o aumento dos combustíveis é “imprescindível” para que a empresa reduza seu endividamento.

O executivo afirmou, porém, que não tem como prever quando isso ocorrerá e negou que a decisão esteja relacionado ao calendário eleitoral. O último reajuste foi autorizado em novembro de 2013.

De acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura, a defasagem atual no preço da gasolina é de 9,6% e do diesel, de 8,4%, em relação aos preços internacionais. Os preços externos trazem impacto à Petrobras porque a empresa importa combustíveis que vende para atender à demanda interna e também porque importa petróleo, já que o óleo produzido no Brasil não pode ser todo processado internamente, devido a questões técnicas das refinarias e do produto.

A palavra final sobre o reajuste dos combustíveis cabe ao conselho de administração da empresa, instância máxima de gestão da companhia. O conselho é formado por dez integrantes, dos quais sete são representantes do governo, uma vez que a União é o principal acionista da companhia.

Apesar disso, Barbassa afirma que “a busca pela paridade entre os preços dos combustíveis vendidos no Brasil e as cotações internacionais continua sendo feita pela Diretoria Executiva da Petrobras junto ao Conselho de Administração”.

Questionada neste domingo (10) se a queda de 25% no lucro da Petrobras no primeiro semestre poderia forçar um aumento no preço dos combustíveis em breve, a presidente Dilma Rousseff afirmou que é “possível”, mas que não poderia fazer uma avaliação precisa sobre isso neste momento sem ter conhecimento de todos os dados.

“Não especulo nem alimento especulação no mercado. No futuro pode ser que tenha aumento. Não estou dizendo que vai ter ou não vai ter, só que é possível. Não é minha competência decidir sobre isso”, disse a presidente.

Na semana passada, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que em todos os anos houve correção nos preços da gasolina e que o comportamento do governo é continuar com reajustes normais, mas negou que haverá “tarifaço” após as eleições de outubro.

Os reajustes têm sido retidos devido ao impacto que trariam na inflação. Sem poder repassar a alta dos custos no mercado interno, a Petrobras é obrigada absorvê-los, o que tem trazido impacto negativo às suas finanças.

No primeiro semestre de 2014, a Petrobras lucrou R$ 10,4 bilhões, queda de 25% em relação aos primeiros seis meses de 2013, de 13,9 bilhões.

A dívida da Petrobras cresceu de R$ 221,6 bilhões para R$ 241,3 bilhões entre dezembro de 2013 e junho de 2014.

A empresa tem como metas de endividamento reduzir de 3,92 para 2,5 a relação entre dívida líquida e Ebitda (indicador de geração de caixa pela empresa), e de 40% para 35% a relação entre dívida líquida e dívida líquida somada ao patrimônio da empresa. Os dois indicadores são as principais medidas observadas pelo mercado para avaliar o quão endividada é uma empresa.

“Nós temos trabalhado ao longo dos trimestres, mostramos a evolução ao Conselho de Administração, e essa evolução depende de variáveis. Continuamos a meta de alinhar os preços domésticos aos internacionais e fornecido outras variáveis. Data eu não tenho”, disse Barbassa.

Ao negar que o reajuste dependa do calendário eleitoral, Barbassa disse que as variáveis monitoradas são câmbio, cotação internacional de óleo e volume interno de produção.

DEMISSÃO VOLUNTÁRIA

O PIDV (Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário da Petrobras) demitiu 3.102 até junho deste ano. Lançado em janeiro, o programa teve 8.289 inscritos. A ideia da estatal é desligar 55% do total dos inscritos até o final deste ano e os demais, em 2015.

Para dar conta de pagar todas as indenizações, a estatal fez uma provisão de R$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre, o que impactou no lucro da companhia no período.

O programa oferece indenizações de R$ 180 mil a R$ 600 mil (conforme a faixa salarial) a funcionários com mais de 55 anos completados até a data e habilitados a pedir aposentadoria pelo INSS.

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

Dilma só fez promessas – Programas de recuperação de dependentes e combate ao tráfico de drogas são prioridade de Aécio Neves 35

Programas de recuperação de dependentes e combate ao tráfico de drogas são prioridade de Aécio Neves

Para o candidato, esses são os dois principais pilares para enfrentar “uma das maiores tragédias do País”

O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, comprometeu-se nesta sexta-feira (8/08), em Botucatu (SP), a tratar a questão das drogas com foco na assistência social, na saúde e na segurança pública. Ele afirmou que a questão é uma das maiores tragédias do País e seu enfrentamento deve ter dois pilares: combate ao tráfico e programas de recuperação.

O objetivo de Aécio Neves é replicar, em outros Estados pelo governo federal, o Programa Recomeço, que contempla 68 municípios do interior paulista, para facilitar o acesso ao tratamento médico e a internação dos dependentes em hospitais, comunidades terapêuticas e moradias assistidas, e o projeto Aliança pela Vida, implementados em Minas Gerais durante sua gestão.

“O Programa Recomeço é uma demonstração clara de que o Estado pode sim ser parceiro na recuperação. Nosso governo vai ter também um projeto claro de ampliação desses centros de reabilitação, que já fazíamos em Minas Gerais, por todo Brasil”, destaca Aécio.

Desde 2011, o programa Aliança Pela Vida, criado pelo Governo de Minas, desenvolve ações de prevenção e combate ao uso de drogas, inclusive o crack. O projeto prevê a aplicação de até 1% do orçamento de órgãos e secretarias dos Estados, que tenham programas sociais, para iniciativas contra a dependência química.

A criação de uma Política Nacional de Segurança Pública também é uma das metas de seu governo para combater o tráfico. Para Aécio, a falta de investimentos em segurança pública atinge as fronteiras e facilita a entrada de armas e substâncias tóxicas. “O [combate ao] tráfico de drogas, de armas e controle das fronteiras são responsabilidades da União. O que o governo vem fazendo é a terceirização de responsabilidades. No nosso governo, vai haver uma política nacional de segurança pública. Nós vamos investir no controle das novas fronteiras, o que o atual governo não fez”, garante.

O candidato pretende realizar parcerias com os Estados e suspenderá a contenção de investimentos na área de Segurança Pública. No atual governo, apenas 10,5% do orçamento destinado ao Fundo penitenciário foram executados, e no Fundo Nacional de Segurança, chegou a 35%, apenas.

 

Proteja o seu dinheiro do governo PT – Inflação dispara depois das eleições 25

Até 2017, conta de luz poderá quase dobrar
11 Ago 2014

Governo não investe em obras vitais para ampliar oferta de eletricidade e, ao mesmo tempo, afasta capital privado que poderia bancar empreendimentos ao optar pela modicidade tarifária, a política do menor preço. Custo ao consumidor entra no debate eleitoral

SIMONE KAFRUNI – CORREIO BRAZILIENSE

Os consumidores devem preparar o bolso e, sobretudo, os ouvidos. Com as eleições se aproximando, a conta de luz entrará com tudo nos debates dos presidenciáveis. Certamente, todo tipo de promessa será apresentado na tentativa de angariar votos. Mas o sistema elétrico vive hoje um quadro tão complicado, que não haverá saída simples. O estrago acumulado nos últimos anos custará caro às famílias, ainda que os reajustes para cobrir o rombo no caixa das empresas — geradoras e distribuidoras — sejam diluídos ao menos até 2017. Se os especialistas estiverem corretos, os valores das tarifas até lá vão quase dobrar, com aumento médio anual de 25%.

Os nós a serem desatados refletem uma série de equívocos cometidos pelo governo. Diante da necessidade de fazer ajuste fiscal, mas sem disposição para conter os gastos com a máquina pública, o Palácio do Planalto optou por cortar investimentos que ampliariam a oferta de eletricidade. Nesse quadro, o ideal seria estimular o setor privado a tocar as obras de que o país tanto precisa. A conta fecharia. Mas, em vez de atrair o capital necessário, o governo o afastou ao optar pelo populismo e adotar um sistema chamado de modicidade tarifária — política do menor preço.

Não por acaso, o buraco no sistema só aumenta. Muitos dos projetos que poderiam dar alívio ao país em períodos de secas extremas, como a deste ano, continuam no papel. Apesar de os reservatórios das hidrelétricas estarem em níveis tão baixos quanto os de 2001, quando houve racionamento de energia, a presidente Dilma Rousseff decidiu intervir no setor para reduzir as tarifas em 20%, na média. Ao mesmo tempo, mandou ativar, ao máximo, as termelétricas que custam cerca de R$ 2,3 bilhões por mês.

Populismo
Como não queria ver o seu projeto de luz mais barata ir para o rol de promessas não cumpridas, a presidente determinou que o Tesouro Nacional assumisse parte do custo — desde o ano passado, já foram mais de R$ 14 bilhões. Mandou ainda uma entidade privada, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), tomar R$ 17,8 bilhões em empréstimos para repassar às distribuidoras. Essa dinheirama toda não será suficiente para evitar que a fatura caia no colo do consumidor.

Se os problemas persistirem no próximo ano, a conta chegará a R$ 78 bilhões. É o tarifaço que os economistas vêm alardeando, mas o governo insiste que ele não existe. “A raiz disso tudo está no populismo tarifário. A medida adotada por governos populistas, como os do Brasil e da Argentina, de estipular a modicidade tarifária, numa prática de preços artificialmente baixos, afasta investidores privados de obras prioritárias, que trariam ganhos à população”, diz o economista Raul Velloso, autor do livro Energia elétrica a caminho do estrangulamento.

Para ele, governos que mantêm políticas de assistencialismo sem reduzir os gastos correntes com a máquina ficam sem dinheiro para investir em infraestrutura. “É o caso do governo brasileiro. Só que ele também não oferece um ambiente de negócios propício para atrair capital privado. Os investidores querem taxas de retorno e temem quebra de contrato, infelizmente comum em concessões”, diz. Na avaliação de Velloso, o quadro está tão distorcido, que as térmicas, criadas para serem reservas, foram incorporadas por completo ao sistema, encarecendo a conta aos consumidores.

Nesse contexto, não há discurso que consiga se sobrepor à realidade. No entender do presidente da Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, a política de modicidade tarifária definida pelo Planalto é lamentável. “O governo quer sempre preços baixos, mas pesa demais a mão. Não há como atrair investimento e o interesse do setor privado se não houver retorno para os negócios”, avalia.

Especialista em Meio Ambiente do escritório L.O. Baptista-SVMFA, Márcio Pereira vai além e ressalta que o Brasil precisa planejar mais investimentos em recursos hídricos. “Faltam reservatórios de uso múltiplo da água para geração de energia, consumo e uso na indústria e na agricultura”, pondera. Por isso, a Região Sudeste, que responde por parcela significativa da oferta de eletricidade, sofre com a seca, com falta de água até para o consumo humano.

O governo Dilma empurra para estados o peso da criminalidade 50

O GLOBO
10 Ago 2014

Governo destina para segurança apenas 0,4% do que gasta e não cumpre meta de reduzir homicídios
Alexandre Rodrigues

Atribuição constitucional dos estados, a segurança pública é um pesadelo dos brasileiros há décadas. No entanto, sucessivos governos federais preferem manter distância do problema, deixando o peso apenas sobre os ombros dos governadores. Em agosto de 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ensaiou mudar esse histórico ao lançar o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), com quase R$ 7 bilhões disponíveis para estados e municípios desenvolverem projetos de combate à criminalidade.

O programa era tão ambicioso que era chamado de PAC da Segurança. Sete anos depois, apenas R$ 1,2 bilhão foi repassado, segundo dados do Portal da Transparência. A maior parte dos recursos se perdeu na falta de projetos regionais consistentes e nos cortes de orçamento que enfraqueceram o programa no governo de Dilma Rousseff (PT), sem que ele concretizasse a sua principal meta: reduzir pela metade os crimes de morte no Brasil a partir de 2008.

Entre 2008 e 2012, a taxa de homicídios no Brasil subiu 7%, de 24,2 para 25,8 por 100 mil habitantes. Pelos padrões internacionais, mais de 10 por 100 mil habitantes já é considerado um quadro de violência epidêmica. Em números absolutos, o registro de assassinatos no Brasil subiu quase 10% entre 2008 e 2012, de 45.885 para 50.081, de acordo com o mais recente anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Não é difícil entender por que, a cada eleição, a segurança figura entre os serviços públicos com pior avaliação dos brasileiros. Numa pesquisa feita pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas em seis regiões metropolitanas, publicada com exclusividade pelo GLOBO em maio, 80% dos entrevistados se disseram insatisfeitos com o combate à violência. Em sondagens do Datafolha e do Ibope, a segurança divide com a saúde a lista de maiores preocupações dos eleitores.

Embora a gestão das polícias civil e militar seja de responsabilidade dos governadores, especialistas em segurança dizem que é preciso envolver o governo federal para mudar o quadro. Do total de despesas da União, apenas 0,4% é direcionada para segurança pública. Esse percentual, apurado em 2012, fica bem abaixo do que é gasto pelo governo central de outros países com desafios similares.

Na Colômbia, essa proporção chega a 3,3%. No México, a 6,2%. A comparação foi feita por uma rede de pesquisadores liderada pelos institutos Sou da Paz e Igarapé num documento com propostas para a segurança que foi entregue às campanhas dos candidatos à Presidência. O grupo defende, inclusive, a criação do Ministério da Segurança Pública.

– Um ministério ajudaria a coordenar melhor as ações de segurança com as de justiça criminal, como a gestão dos presídios. Como vivemos uma situação de emergência, são necessários o investimento e o comprometimento do governo federal – diz Ilona Szabó de Carvalho, diretora do Instituto Igarapé, centro de estudos do tema no Rio. – Como o déficit é enorme, o governo usa a prerrogativa constitucional de que segurança é responsabilidade dos estados para evitar se responsabilizar pela redução da violência que assola o país. O Brasil não será um país desenvolvido sem resolver isso.

Enquanto o governo federal gasta pouco, a segurança pesa nas contas dos governos estaduais. Alguns chegam a direcionar mais de 10% de seus gastos ao combate à criminalidade. É o caso de Alagoas, Paraíba e Bahia. No entanto, a maior parte desse dinheiro vai para custeio e pagamento de salários. Um terço é gasto com pensionistas. Dessa forma, a maioria dos estados depende de repasses federais para fazer investimentos em equipamentos e instalações.

Para piorar, a polícia brasileira é uma das mais ineficientes do mundo. Apenas 8% dos homicídios são esclarecidos. Nos Estados Unidos, essa taxa sobe para 64%. E passa dos 95% em países como Alemanha e Japão. Contribui para esse contraste a falta de estrutura de delegacias e institutos de perícia. Numa pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça em 2012, só 17 estados tinham informações sobre a produção de exames balísticos.

A média de atendimento dos pedidos era de 44,4%, fruto da baixa qualidade de equipamentos e da falta de pessoal: apenas 14% dos peritos do país estavam nessa função. Em todo o país, os pesquisadores encontraram 22 mil pedidos de laudos que não foram produzidos. Na prática, inquéritos que terminaram sem provas para além de testemunhos, dificultando a condenação.

Outro problema é a falta de informação e de parâmetros de avaliação das políticas de segurança nos estados. Desde 1995, o governo já está na sua quarta tentativa de fazer funcionar o compartilhamento de dados criminais, através do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e Sobre Drogas (Sinesp). O Mapa da Violência, publicação anual muito utilizada por pesquisadores, usa como base informações de mortalidade do Ministério da Saúde.

A falta de subsídios para o planejamento do Pronasci foi o que levou o governo Dilma a esvaziá-lo. Em junho de 2012, um novo programa, o Brasil Mais Seguro, foi lançado para financiar a modernização e qualificação das polícias e do sistema de justiça criminal, com o foco em melhoria da investigação de homicídios, policiamento ostensivo e controle de armas. Mas os resultados demoram a aparecer.

Para o cientista político Guarcy Mingardi, especialista do Fórum de Segurança Pública que integrou a equipe do Ministério da Justiça no governo Lula, o Pronasci significou um passo à frente na participação do governo federal na segurança, mas Dilma não deu o seguinte.

– A ação prática, nas ruas, é realmente dos estados. O governo federal pode incentivar, mas não pode controlar a taxa de homicídios. O lado bom do Pronasci era o dinheiro para ações sociais, como os de prevenção com jovens, mas ninguém consegue controlar 94 ações em todo o Brasil. Acabou perdendo o foco.

A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, não deu entrevista. Em nota, informou apenas que, a partir de 2011, incorporou todos os princípios e diretrizes do Pronasci à política do governo federal para segurança pública. “Isso significa que o conceito do Pronasci deixou de ser restrito a um dos programas da União e passou a direcionar todas as ações”.

DELEGADO É CONDENADO POR CONCUSSÃO E PERDE O CARGO 54

        Decisão da 1ª Vara da Comarca de Espírito Santo do Pinhal condenou um delegado de polícia a 4 anos de reclusão, em regime aberto, e à perda do cargo público pelo crime de concussão.

        Em denúncia, ele foi acusado de ter exigido, indevidamente, a quantia de R$ 26.600 para dar um desfecho favorável a um inquérito policial em outubro de 2008. Diante do não-pagamento da quantia exigida, a vítima foi indiciada por extorsão e exploração de prestígio.

        Para a juíza Paula Velloso Rodrigues Ferreri, o acusado detinha conhecimento das consequências de seus atos. “Crimes da espécie do presente merecem ser apenados com rigor, pois são causadores de indignação e insegurança social, visto tratar-se de verdadeira extorsão praticada por aqueles que agem em nome do Poder Público, valendo-se da função que desempenham, como meio de coação, sendo exatamente outra a conduta esperada de seus servidores”, anotou em sentença.

        Cabe recurso da decisão.

        Processo nº 0001052-64.2009.8.26.0180

        Comunicação Social TJSP – AG (texto) / GD (foto ilustrativa)
imprensatj@tjsp.jus.br

“Polícia militar não serve para combater crime”, diz especialista 116

AMÉRICA LATINA

Jurista da Universidade da Paz, da Costa Rica, país que extinguiu Forças Armadas há seis décadas, defende que polícia brasileira tenha caráter civil. Para ele, treinamento militar afasta forças de segurança da população.

O Exército da Costa Rica foi dissolvido em 1948 pelo então presidente, José Figueres Ferrer. Ele considerava suficiente para a segurança nacional ter um bom corpo policial. Sem armas de alto calibre e sem treinamento militar, o país de cerca de 4 milhões de habitantes é considerado um dos mais seguros da América Latina.

Decano da Universidade da Paz da Costa Rica, instituição vinculada às Nações Unidas, Francisco Jose Aguilar Urbina argumenta que a formação militar impede a aproximação das polícias com a comunidade e cria a ideia de uma sociedade inimiga.

O ex-presidente do Comitê de Direitos Humanos da ONU defende que a polícia brasileira complete o processo de redemocratização ainda em curso no país e ganhe um caráter civil. “A consequência será visível: a polícia vai atuar com a população e não contra ela”, garante.

DW: Como se estrutura a segurança pública na Costa Rica?

Francisco Jose Aguilar Urbina: A polícia da Costa Rica é um órgão subordinado ao Ministério de Segurança Pública. É uma polícia nacional que tem suas especializações, como a força policial de controle de drogas e a polícia turística. A polícia investigativa não depende do Poder Executivo. Ela está vinculada à Corte Suprema de Justiça. Todas as polícias do país têm um caráter civil. No arsenal, não há armas de grosso calibre, nem tanques, nem canhões. É uma polícia com treinamento civil.

O treinamento tem foco na formação em direitos humanos e em cidadania?

É parte essencial da educação de um policial não apenas na Costa Rica, mas em qualquer país que tenha uma polícia não militarizada.

O modelo tem dado certo?

A Costa Rica é um dos países mais seguros da América Latina. Acredito que a pergunta deva ser feita ao contrário: uma polícia militarizada serve para combater o crime? E a resposta, invariavelmente, é não.

Por quais motivos?

O treinamento militar e o treinamento policial são essencialmente distintos. O treinamento militar consiste em eliminar um inimigo muito bem definido. Já o treinamento policial serve para prevenir a delinquência e proteger a população de atos criminosos comuns. O soldado não está treinado para isso. Um policial deveria estar treinado para ajudar a prevenir delitos, e basear suas ações na cidadania.

No Brasil, se discute a proposta de desmilitarização das polícias e a independência da corporação do Exército. É um caminho?

Francisco Urbina: “Policiais devem ver população como parceira na prevenção de delitos e não como um inimigo em potencial”

Uma das desgraças que temos na América Latina é o fato de que muitas polícias são heranças da ditadura. Elas seguem uma lógica militar, não uma lógica civil. Fico contente por o Brasil estar refletindo sobre esse tema. A consequência será visível: a polícia vai atuar com a população e não contra a população. Os policiais verão a população como uma parceira ativa na prevenção de delitos e não como inimiga ou um potencial a ser suprimido.

Qual seria a melhor forma de implementar esse modelo?

Na Costa Rica, a polícia é centralizada, apesar de haver unidades policiais municipais relativamente pequenas. Temos que considerar que a população da Costa Rica é apenas um terço da população de São Paulo. No Brasil, provavelmente, funcione melhor um sistema de polícia descentralizado, com polícias municipais e estatais. Eu acredito que possa haver uma coordenação entre todas sem que sejam necessariamente centralizadas. Um exemplo é a polícia dos Estados Unidos. À exceção do FBI, uma polícia muito especializada de investigação, o sistema de segurança se baseia em polícias locais. É um exemplo que o Brasil pode seguir.

E a proximidade com a população?

Para mim, isso é essencial. Nesses dias vi dois policiais fazendo uma ronda, comecei a conversar e eles perguntaram se eu poderia lhes dar um copo de água. Eu levei e conversamos tranquilamente. Posso dar outro exemplo: uma amiga hondurenha e eu fazíamos uma investigação na Costa Rica e seguimos caminhando com alguns policiais. Ela não entendia como era possível conversar com eles daquela forma descontraída. Mas, para mim, o que não é normal é ver policiais com metralhadoras de alto poder de fogo em Tegucigalpa [capital de Honduras], uma das cidades mais perigosas do mundo. E o interessante é isso: comparar os índices de criminalidade de Tegucigalpa e San José [capital da Costa Rica]. Esse é um bom exemplo para que se entenda a necessidade de uma polícia civil, e não de uma polícia militarizada.

Aécio Neves sugere privatização de presídios em seu plano de governo 28

O projeto é inspirado no primeiro presídio privado do país, em Minas Gerais; medida não tiraria poder da Polícia Estadual

O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, incluiu a privatização dos presídios federais em suas diretrizes de governo. A declaração é de Wilson Brumer, coordenador da campanha. “Vemos a situação dos presídios, tudo caindo aos pedaços, as rebeliões acontecendo. Há formas de modernizar os presídios. E as PPPs [parcerias público-privadas] são uma forma inteligente de fazer isso”, explica.

Nas diretrizes que nortearão os planos de governo, já entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Aécio Neves fez uma menção de apoio às PPPs no setor prisional. Aborda, ainda, a intenção de realizar uma reforma da segurança pública, inclusive da legislação penal, com o propósito de erradicar a impunidade e aumentar os níveis de segurança no País.

Consta também a ideia de propor um conjunto de medidas legislativas, sugeridas por grupos de juristas de excelência, visando à qualificação dos diversos projetos relativos à Lei Processual Penal e à Lei de Execução Penal, em tramitação no Congresso Nacional, para combater a impunidade. O material detalhado, com outras informações e alterações, será entregue pelo candidato à Justiça Eleitoral no início de setembro.

De acordo com Brumer, não há pretensão de tirar o poder de Polícia Estadual. “Não estamos falando de abrir mão da política de segurança pública. Esse sim é um papel do Estado brasileiro. Mas, a meu ver, a parte de hospedaria e hoteleira dos presídios é uma coisa que naturalmente pode ser feita pelo setor privado. Isso é aplicado em várias partes do mundo.”

Todas as diretrizes sobre a privatização foram inspiradas na experiência do governo de Minas Gerais que, em 2013, inaugurou o primeiro Complexo Penitenciário Público Privado (CPPP), em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte.

Atualmente, esse presídio mineiro tem duas unidades e 1.343 detentos. O governo gasta R$ 2.700, por mês, com cada preso. Nas cadeias públicas de MG, o gasto varia entre R$ 1.500 e R$ 2.000 por detento. Nesse presídio, há atendimento médico, odontológico e jurídico sob a responsabilidade da empresa contratada. A alimentação e o uniforme dos detentos também ficam a cargo do sistema privado.

Skaf – se eleito – não descarta Ferreira Pinto na segurança pública 61

Em visita ao Deic, Skaf diz que segurança pública em São Paulo é “uma calamidade”

Candidato do PMDB, porém, evitou fazer críticas diretas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB)

Skaf: ‘Temos talentosos delegados que perdem dias com burocracia’Leonardo Benassato/06.08.2014/Futura Press/Estadão Conteúdo

O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, visitou na tarde dessa quarta-feira (6) a sede do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), na zona norte da capital. Esse foi o terceiro compromisso do candidato com policiais.

Na semana passada, ele esteve no Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo e, ontem, no Centro de Operações da PM (Polícia Militar). Hoje, Skaf disse que “falta segurança pública” no Estado.

— Hoje, eu acho que é inegável que é uma calamidade a segurança pública do Estado de São Paulo.

Apesar disso, ele evitou críticas diretas à gestão do adversário e candidato à reeleição, governador Geraldo Alckmin (PSDB). Skaf destacou os altos índices de roubo que o Estado enfrenta: foram 13 meses consecutivos de alta. O primeiro semestre de 2014 fechou com aumento de 29,5%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em uma rápida conversa com o delegado Renato Marcos Porto, Skaf entendeu um pouco mais do perfil dos roubos de carga em São Paulo. Antes disso, reuniu-se com o diretor do departamento, delegado Wagner Giudice, e prometeu “recuperar a cultura investigativa” da Polícia Civil.

— Nós temos talentosos delegados, investigadores, que muitas vezes perdem seus dias com burocracia.

Um dos integrantes da campanha do PMDB ao governo estadual é o ex-secretário da Segurança Pública e também candidato a deputado federal, Antônio Ferreira Pinto. Ele ocupou o cargo entre 2009 e 2012 e recebeu críticas de policiais civis por ter feito uma gestão voltada à Polícia Militar.

Em novembro de 2011, a presidente da Associação dos Delegados de Polícia, Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, disse, em entrevista ao R7, que Ferreira Pinto se “esqueceu” da Polícia Civil. Segundo ela, o então secretário transferiu o serviço de interceptações telefônicas do Deic para a Rota (batalhão de choque da PM), o que teria contribuído para desestimular o trabalho investigativo.

Questionado se Ferreira Pinto voltaria à pasta, caso o PMDB vença, Skaf disse que ainda é cedo para tratar do assunto.

— No momento certo nós vamos pensar em equipe. Mas pode estar certo que a gente sempre olha para frente.

Por fim, ele garantiu que, caso vença, será um governador que vai “estar muito perto das polícias”.

— Teremos um secretário de Segurança, um delegado-geral na Polícia Civil, um comandante-geral na PM, mas eu estarei, como governador, muito próximo, para termos nossos policiais bem estimulados, bem atendidos, para que as polícias possam cumprir seu papel com a melhor eficiência possível

Candidato a Deputado Estadual Samuel Zanferdini 15200 ( Delegado de Polícia ) 155

Representante da Polícia Civil na Assembléia Legislativa de São Paulo.samuel

 

Caríssimos Irmãos,

 

Como é de conhecimento de todos os irmãos estou em plena campanha eleitoral para Deputado Estadual. É muito importante que os irmãos me ajudem a multiplicar esses votos já que  Sou Samuel Zanferdini, 46 anos, casado, pai de três filhos, Delegado de Polícia há 21 anos, 2a Classe, Titular do 6o Distrito Policial de Ribeirão Preto. Trabalhei em várias Unidades Policiais da capital (1º, 58º , 81º e 101ºDP’s). Fui eleito vereador pelo PMDB em 2004(3298votos), reeleito em 2008(6808). Estou no 3º mandato(eleito com 8101 votos – terceiro mais votado de Ribeirão Preto). Como vereador nunca me afastei da polícia, acumulei as funções, pois estou na política, mas sou Delegado de Polícia. Sou Pós Graduado em Administração Pública e Prevenção ao Uso Indevido de Drogas. Há cinco anos ministro palestras gratuitas de Prevenção às Drogas em escolas, igrejas e empresas. Sou mantenedor da Associação Grande Cidadão, que desenvolve trabalho social com instalação de bibliotecas e hortas comunitárias, fornecimento de alimentação e cursos profissionalizantes gratuitos. Sou candidato a Deputado Estadual, meu número é 15200. Meu compromisso é ser o representante da Polícia Civil na Assembléia Legislativa. Lutar, articular e defender os interesses da categoria como sempre fiz como vereador e Delegado. Participei ativamente das manifestações em apoio às nossas reivindicações. Preciso do seu voto, da sua família e dos seus amigos para ser o representante da Polícia Civil na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Contatos: Site: http://www.samuelzanferdini.com.br / E-mail:
samuelzanferdini@hotmail.com
Fone: (16) 99991-8315 / Facebook: Samuel Zanferdini / Twitter: @Zanferdini