O PCC (Primeiro Comando da Capital), por exemplo, não para de crescer. O que caracteriza o maior crime organizado privado no Brasil (PCC) é a expansão, diversificação, tentáculos internacionais, conexões com grupos estrangeiros assim como a capilaridade nacional. Trata-se de um crime organizado de comando privado que se incrementa a cada dia, tendo potencialidade para se tornar uma grande organização mafiosa, que emerge quando ela se infiltra profundamente nas estruturas do Estado, ou seja, na política, na polícia e na Justiça, para garantir o sucesso dos seus “negócios” assim como a impunidade, agindo por meio da fraude, da corrupção, da violência, da ameaça, do medo e daomertà = silêncio. ( Professor Luís Flávio Gomes )
Autor: Flit Paralisante
PCC resgata presas de delegacia na Grande São Paulo 86
PCC resgata presas de delegacia na Grande São Paulo
Três criminosos invadiram delegacia e espancaram policial civil que atuava como carcereiro
Integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), fortemente armados, invadiram o 7º DP de São Bernardo do Campo (ABC paulista), na madrugada desta sexta-feira (12), e resgataram presas que estavam na carceragem da delegacia.
A ação aconteceu por volta das 3h, quando apenas um policial civil tomava conta das 86 mulheres presas no 7º DP de São Bernardo do Campo.
Policiais civis ouvidos pela reportagem informaram que 24 das 86 presas foram resgatadas e que as outras 62 não fugiram porque não quiseram.
A delegacia fica na divisa entre as cidades de São Bernardo do Campo e Diadema e, durante o resgate, só tinha o policial civil que atuava como carcereiro.
Esse policial civil foi agredido pelos três criminosos que invadiram a delegacia, trancado em uma cela e só encontrado na manhã desta sexta-feira, quando outros policiais chegaram para trabalhar.
A arma do policial que atuava como carcereiro foi levada pelos criminosos, segundo a Polícia Civil.
O alvo da ação era uma detenta que integra a facção criminosa PCC e cujo nome é mantido em sigilo pelas autoridades.
A reportagem solicitou entrevista com o secretário da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Fernando Grella Vieira, e aguarda um posicionamento de sua assessoria de imprensa sobre o resgate das presas.
fonte; r7.com
Luiz Flávio Gomes – Em um paraíso da cleptocracia o PCC cresce sem parar 8
Publicado por Luiz Flávio Gomes –
No momento em que as atenções estão voltadas para o grande crime organizado político-empresarial (disso são exemplos Petrobra$, metrô$P, mensalões do PT e do PSDB etc.), importa sublinhar que os outros crimes organizados não estão estacionados. O PCC (Primeiro Comando da Capital), por exemplo, não para de crescer. O que caracteriza o maior crime organizado privado no Brasil (PCC) é a expansão, diversificação, tentáculos internacionais, conexões com grupos estrangeiros assim como a capilaridade nacional. Trata-se de um crime organizado de comando privado que se incrementa a cada dia, tendo potencialidade para se tornar uma grande organização mafiosa, que emerge quando ela se infiltra profundamente nas estruturas do Estado, ou seja, na política, na polícia e na Justiça, para garantir o sucesso dos seus “negócios” assim como a impunidade, agindo por meio da fraude, da corrupção, da violência, da ameaça, do medo e da omertà = silêncio.
02. Em 2006, quando aterrorizou a cidade de São Paulo, entrando em conflito armado com a polícia (mais de 40 policiais foram mortos e, ao mesmo, mais de 500 jovens foram assassinados), sua potência residia mais na violência que nas contas bancárias. Seu poder hoje, como confirmam as recentes investigações policiais e do Ministério Público, é incomparavelmente maior que há oito anos (faturava mais de R$ 120 milhões por ano em 2013). O mundo está permanentemente em movimento. Quem não cresce (quem não avança), parado não fica; quem pensa que se encontra parado, na verdade, minuto a minuto, está indo para trás. O escândalo da Petrobra$ passou a ser o centro dos holofotes, mas não podemos esquecer que esse tipo de crime organizado (político-empresarial e não violento) não é o único que está destruindo nossa sociedade e nossa democracia. A percepção comum capta enormes concorrências (dentre aqueles que pretendem se apoderar do Brasil) nas religiões, na política, na ideologia, no mercado, nas comunicações etc. O que ignoramos? Que esse fenômeno também existe entre os vários crimes organizados (os privados, os milicianos, os da banda podre da polícia e o politico-empresarial).
03. Pela primeira vez, como sublinhou editorial do Estadão, “a ligação que se suspeitava existir entre o PCC e a máfia foi confirmada por meio de denúncia do Ministério Público Federal (MPF) apresentada à Justiça no fim do mês passado (outubro/14); o PCC se associou à N’Drangheta, o mais atuante dos quatro ramos da máfia italiana, que opera a partir da Calábria, para levar cocaína da Bolívia para Itália, Espanha e Holanda pelo Porto de Santos. Do lado brasileiro, havia 34 pessoas envolvidas no embarque da droga; a operação que resultou na apreensão de 56 quilos de cocaína e na prisão de várias pessoas nela diretamente envolvidos com € 230 mil foi fruto das investigações da Polícia Federal (PF) – nas quais se baseou o MPF para sua denúncia – que permitiram desvendar a ligação entre as organizações, por meio da interceptação de mensagens trocadas entre seus integrantes”.
04. As organizações citadas, ademais, contam com empresa offshore no Uruguai, que era usada para movimentar o dinheiro obtido com o negócio criminoso. Em uma reportagem do O Globo se soube, posteriormente, da ligação do PCC com o Hezbollah, facção política e militar radical que atua no Líbano. Associaram-se para uma troca de favores: o PCC, que manda em vários presídios brasileiros, vem dando proteção aos traficantes de origem libanesa presos no Brasil e ligados ao Hezbollah, enquanto este lhe paga com armas e explosivos contrabandeados. Com tanto dinheiro e tanto armamento, o previsível é que o PCC cresça desenfreadamente, à sombra do Estado oficial, cada vez mais vulnerável e mais débil, para fazer frente ao tráfico de drogas. O PCC já deixou de ser apenas paulista, posto que se “nacionalizou” (já está presente em 22 Estados).
05. “Foi-se o tempo em que vivia de contribuições de seus associados, fruto de ações criminosas acanhadas, dentro e fora dos presídios. O tráfico de drogas, com o qual faturava R$ 120 milhões por ano (em 2013), segundo trabalho feito pelo Ministério Público de São Paulo, já é uma das suas principais fontes de renda” (agrega oEstadão). O Ministério Público (acrescenta o editorial citado) “também acaba de denunciar à Justiça duas pessoas ligadas ao PCC acusadas de utilizar vans que integram o serviço de ônibus de São Paulo para lavar dinheiro obtido com o tráfico”. Uma ligação que há muito se suspeitava existir e que agora começa a ser comprovada (uma correspondência encontrada num presídio seria mais indício desse vínculo do PCC com o transporte público em São Paulo – Estadão 9/12/14).
06. Mas a área em que o PCC mais tangencia a nossa cleptocracia (Estado governado também por ladrões) diz respeito ao comando dos presídios. O PCC está governando mais de 90% dos presídios no Estado de São Paulo, conforme Camila Dias, “PCC – Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência”, Editora Saraiva. A fraqueza institucional sistêmica (ausência do império da lei para, sobretudo, desmantelar o poder econômico do crime organizado assim como a inexistência de políticas públicas preventivas) está na raiz do problema (que se agiganta a cada dia, porque não para de crescer).

Saiba mais:
07. Falta ainda muita coisa para o PCC se transformar num grupo mafioso, mas não se pode afirmar que isso seja impossível ou mesmo improvável, bastando adequar seus métodos à tradição siciliana, que teve um dia Don Calò (Don Calogero Vizzini) como poderoso líder (chefão). Para se ter uma ideia do seu poder na máfia siciliana (que se desenvolveu desde o século XVIII e foi reconhecida como tal no século XIX) basta recordar que seu corpo foi velado (no início de 1950) com honras de Estado em uma igreja de Villalba, sua cidade natal, que o teve como prefeito. A ligação do crime organizado com a política é da essência da máfia (veja Jo Durden Smith, A história da Máfia). No anúncio da sua morte se dizia: “Sábio, dinâmico, incansável, ele foi o benfeitor dos que trabalham na terra e nas minas de enxofre. Sempre fazendo o bem, a sua fama se alastrou pela Itália e pelo estrangeiro. Grande em face da perseguição, maior ainda na adversidade; era um cavalheiro”. Don Calò morreu rico e poderosíssimo. Sua vinculação com o partido democrata cristão (PDC), que foi presidido, durante longo período, por Giullio Andreotti (1919-2013), era profunda. Aliás, Andreotti acabou sendo acusado de ter ligações com a máfia, bem como com esquemas de financiamento ilegal de partidos políticos. Também lhe foi imputada a participação na morte do jornalista Mino Picorelli.
08. Em uma reportagem de março de 2014 a revista Carta Capital destrinchou a história da maior facção criminosa privada no Brasil, o PCC, que teve início em São de Paulo, em 1993, no presídio de Taubaté (SP), como resposta às péssimas condições do sistema penitenciário paulista e aos excessos de violência praticados pelas forças de segurança contra detentos (somente no massacre do Carandiru, em 1992, 111 presos foram assassinados). A organização piramidal nasceu comandada pelos “generais” “Geleião” e “Cesinha”. No final de 2002 houve troca de comando, com a ascensão de Marcos Camacho (Marcola) ao poder (até hoje esse comando não se alterou). A segunda fase do grupo foi marcada pela natureza empresarial da organização criminosa. Foi nesse período que Marcola descentralizou o comando ao indicar apadrinhados para a formação da Sintonia Final Geral (sete membros), a cúpula do PCC (que só deve obediência ao Marcola). Essa fase termina com os ataques em São Paulo, de 2006, que ocorreram depois que todas as lideranças da organização foram recolhidas no Presídio de Presidente Venceslau. Em um só dia (maio/06) foram transferidos 765 presos. O objetivo das transferências, de quebrar o comando e a articulação da facção, só seria alcançado se, transferidos, os líderes fossem isolados e impossibilitados do acesso ao celular. O que se viu foi o contrário. De dentro dos presídios os chefes continuam comandando o PCC, que já começa a se enraizar nas estruturas políticas do Estado.
Um pouco mais da história do PCC
09. Com medo das proporções alcançadas pelos ataques e rebeliões, o governo mandou uma comitiva para a citada penitenciária, acompanhada de uma advogada da facção, para pedir que Marcola enviasse um sinal aos seus seguidores pedindo o fim dos ataques (era, ademais, um ano eleitoral). Marcola diz não ter passado o sinal, mas confirma a indicação de outro integrante para executar a missão. Executada, acabaram-se os ataques e os líderes acomodaram-se na nova casa, sem punições ou sanções que pudessem mantê-los longe do comando da facção por muito tempo. Desse modo, o que restou à cúpula do PCC foi, de posse de celulares e na companhia dos “irmãos” da cúpula, traçar o plano de ação destinado a expandir os “negócios” do grupo. A reportagem da Carta Capital mostra que dados do setor de inteligência do Ministério Público de São Paulo, primeira e única instituição a colocar no papel o tamanho, o modelo organizacional, métodos e números sobre o PCC, apontam para um crescimento monstruoso (a estratégia prisional “rígida” do período de 2006 a 2010 foi para o PCC o que a política da lei seca representou para a máfia norte-americana entre 1920 e 1933).
10. Em apenas cinco anos (2006-2010) o PCC se consolidou e se expandiu exponencialmente. Em São Paulo, de todas as 152 unidades prisionais, 137 (90% delas) foram dominadas pelos 6 mil membros da facção de presos (a facção teria hoje cerca de 7.600 membros). Do lado de fora, outros 1.800 integrantes começaram a pagar 650 reais como mensalidade para o PCC e a comprar rifas de carros, apartamentos e casas. Somente com essa renda, 2 milhões de reais passaram a entrar nos cofres da organização mensalmente. O tráfico de drogas, em seguida, se transformou na fonte principal de arrecadação da facção. Segundo o Ministério Público, mesmo após três anos de combate à organização e denúncia contra 175 integrantes, ainda assim, ela continua a se expandir aumentando o volume de arrecadação. Entre 2010 e 2013, quando a organização foi acompanhada de perto pelo MP, seus lucros dobraram e ultrapassaram os oito milhões arrecadados por mês.
Gestão hierarquizada
Os lucros de causarem inveja aos grandes empresários paulistas são resultado de uma gestão hierarquizada e extremamente organizada, subdividida em setores, chamados de Sintonias. Em última instância, encontra-se a Sintonia Geral Final, cúpula formada por Marcola e seus apadrinhados (sete membros). É essa cúpula, de forma colegiada, quem toma todas as decisões do PCC. Mas dentro da principal atividade da organização, o Progresso (tráfico), encontramos três instâncias:
(a) A primeira é a Disciplina: grupo ou integrante responsável por disseminar e fiscalizar a implantação da ideologia em um bairro ou cidade. Cabe ao Disciplina a primeira decisão sobre problemas da comunidade onde a facção atua, resolução para brigas entre integrantes e cumprimento de punições. Na hierarquia o Disciplina deve reportar-se ao Sintonia Geral.
(b) Sintonia Geral: Esse grupo, ou membro único, da segunda instância, cuida de uma grande região ou cidades vizinhas e deve se reportar ao Sintonia Final.
(c) Sintonia Final: Última instância antes da cúpula, os Sintonias Finais são líderes responsáveis pelas grandes regiões da capital paulista, pelas subdivisões do estado paulista estipuladas por DDD e pela baixada santista. Devido à expansão para outros estados e países produtores de drogas, como Paraguai e Bolívia, foram criadas também a Sintonia Geral dos Outros Estados e a Sintonia de Outros Países.
A comunicação entre as sintonias se dá por meio de Pipas (bilhetes) entregues por visitas, celulares e advogados. Quando é preciso mandar um aviso para todos membros, a cúpula emite um Salve: informe gestado em consenso pelos integrantes da cúpula. O Salve é utilizado para informar uma decisão sobre assuntos da comunidade, ou avisar sobre punições ou sanções. A eficiência da comunicação é um dos pontos fortes da facção e é capaz de fazer a informação chegar ao líder de cada setor, sem atravessadores.
Sintonia dos Gravatas: Com a ajuda de uma rede de advogados instalados na Sintonia dos Gravatas (diz ainda a Carta Capital), pagando até 2 mil reais para mulheres visitarem presos levando informações e 25 mil reais por um celular, a cúpula e os Sintonias Gerais e Finais conseguem comandar toda a cadeia produtiva da organização, mesmo trancafiados no sistema penitenciário. Desde a negociação da pasta base de cocaína e Bob Esponja (maconha), no Paraguai e Bolívia, comandada pela Sintonia de Outros Países, passando pela mistura e distribuição para diversas cidades e estados, até a Sintonia da FM (pontos de venda nas ruas).
Sintonia Financeira: Todo dinheiro arrecadado no Progresso, Progresso 100% (tráfico dentro dos presídios), da Cebola (mensalidade para membros em liberdade) e das Rifas são administrados pela Sintonia Financeira, formada apenas por membros de alta confiança da cúpula. Como reserva para momentos de dificuldades, a facção criou as chamadas Minerais, espécie de cofres preenchidos com 1 milhão de reais cada. Interceptações telefônicas do Ministério Público apontam a existência de ao menos sete Minerais escondidas em imóveis comprados pela facção. A localização delas é desconhecida.
Marcola, o líder
Embora a descentralização do poder no PCC seja real, a cabeça por trás de toda essa estruturação burocrática é Marcola. Dos 46 nos de idade, Marcola passou metade em presídios de todo Brasil. Nesse período, dizem que a inteligência do jovem ladrão de banco foi afinada por intermináveis leituras. Afirma-se que teria lido Lênin, Mao Tse-Tung, Friedrich Nietzsche, Dante Alighieri, Maquiavel e outras centenas de autores. Sem poder contar com Deus, morto em seu livro predileto, Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche, Marcola conquistou a confiança da massa penitenciária ao fazer o PCC ocupar o espaço abandonado pelo Estado. Sagaz, o ex-batedor de carteira do centro de São Paulo percebeu a força angariada na prestação de serviços básicos aos detentos (também aqui se vê o crime organizado privado cumprindo tarefas estatais).
Assim como deveria caber ao governo paulista, o PCC dá as condições mínimas de seguranças, higiene e saúde aos detentos. Nos presídios superlotados, é a facção a provedora do sabonete, do colchão, cigarro e do espaço mínimo nas celas. É ela quem garante também a solução dos problemas internos entre detentos, primeiro por meio de conversas e depois com as devidas punições.
A Sintonia da Ajuda: cuida exclusivamente da entrega de cestas básicas e da manutenção de uma renda mínima para membros da facção em situação de dificuldade e famílias de integrantes mortos em caminhadas (missões). Cabe ao PCC também, por meio da Sintonia dos Ônibus, providenciar transporte aos familiares de detentos residentes longe das cidades nas quais estão presos. Ou seja, o PCC faz o que o Estado na faz.
O resultado prático do poder exercido pela facção é a proibição do uso de crack nos presídios, os trâmites instaurados para execuções de desafetos e a burocracia criada para o “bom andamento” do dia a dia no crime. Em uma das duas vezes nas quais caiu no grampo telefônico, Marcola chegou a afirmar ter sido essas ações capitaneadas por ele e não pelo governador Geraldo Alckmin; ele, portanto, é o responsável por diminuir os homicídios em São Paulo. Na outra ponta, depois de cumprida a pena e sem ter sido “ressocializado” pelo Estado, o detento livre e convicto da falta de oportunidades é obrigado a voltar ao crime, dessa vez sob a tutela da facção, para abastecer os cofres do PCC com o tráfico de drogas ou desempenhando alguma função administrativa na rua. Dessa forma, abastece o ciclo vicioso do crime.
É essa expertise organizacional, aliada aos erros de planejamento das forças de segurança paulistas e a descrença dos detentos em relação ao poder público, que sustenta a afirmação sobre a qual o PCC vai se tornar hegemônico em todo país.
Mesmo a cúpula alojada em São Paulo, a facção já possui tentáculos em todos os estado do país. São 2.398 membros espalhando o “método PCC” pelo Brasil.Os estados com maior concentração de integrantes, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, servem de exemplo para como se deu a gênese do crescimento pelo país. É o caso do Paraná, com 626 membros. O estado, a partir de 1997, recebeu em seus presídios lideranças enviadas pelo governo paulista. O objetivo era desarticular o grupo, mas teve efeito contrário, apenas contribuiu para sua expansão.
Outro exemplo interessante é o caso do Maranhão, e da penitenciária de Pedrinhas. Após contato com maranhenses presos em presídios federais, a facção exportou seu modelo para o estado e deu início a primeira fase de domínio representada pelo enfrentamento aos rivais e rebeliões em busca de melhores condições nos presídios. O objetivo é bem claro e está documentado na última versão de seu estatuto do grupo, apreendido pelo Ministério Público. Da sua parte, o Ministério Público de São Paulo tentou desarticular a cúpula da facção. Entre 2010 e 2013, as seguidas apreensões, permitidas pela ação controlada utilizada pelos promotores, atingiram os cofres do PCC. A situação chegou ao ponto de membros serem flagrados em conversas nas quais reclamavam de, pela primeira vez na sua história, terem umdéficit mensal de quatro milhões.
Na visão dos promotores do Gaeco, primeiro era preciso enfraquecer a facção. Em três anos, foram presos 144 integrantes, 5 toneladas de drogas e 47 fuzis. O segundo passo, com todas as provas e detalhes da organização criminosa no papel, seria ver concedida a prisão preventiva de 112 integrantes e a transferência de 32 membros da cúpula para o RDD. Segundo o Ministério Público, a surpresa da ação executada em um só dia desencadearia uma quebra no comando do grupo.
Isolado pelo Tribunal de Justiça, pelo governo estadual e forças de segurança, o Ministério Público viu os pedidos de prisão e RDD serem negados. Na opinião dos promotores, esse foi mais um dos erros cometidos no combate à facção e propiciou o surgimento de planos de fuga.
O fato é que enquanto o PCC vivia sua primeira fase de organização, bastava ao Estado dar as condições mínimas de segurança, higiene e saúde aos detentos para, em seguida, investir na educação de sorte a ressocializá-los. Isso esvaziaria o poder de Marcola e sua facção ainda incipiente. O custo político seria mínimo. No segundo momento, além das questões anteriores, seria preciso combater a organização que já mostrava seu poder de persuasão dos presos e começava a se expandir. O custo político maior, mas ainda possível de se enfrentado.
Hoje, o problema deixou de ser apenas do governo paulista e, caso queiram reverter essa situação, todos os governos estaduais e o federal precisarão revolucionar o sistema penitenciário, investir pesadíssimo em inteligência e unificar o combate à facção. Aliado a isso, é mais que necessária (segundo a opinião dos órgãos estatais) a criação de varas especializadas no julgamento de organizações criminosas para garantir a segurança necessária para o judiciário defender suas posições. Entretanto, nesse momento, o que eles mais temem é o fato do custo político ser altíssimo. O Ministério Público de São Paulo apontou qual o caminho a ser seguido. Agora, a população aguarda uma posição das forças de segurança de São Paulo. Mas é bom lembrar que a decisão é política, não jurídica.
Cooptação de profissionais
Hoje em dia, a atuação do PCC não se restringe apenas às celas dos presídios. Na tentativa de favorecer e proteger o grupo, o comando criminoso conseguiu, ao longo dos anos, cooptar até advogados, que passaram de defensores de detentos, para aliados ao “partido”. Vários advogados já foram presos acusados de levar ordens de uma cadeia a outra a mando do PCC. Sabe-se que o PCC paga curso de direito para estudantes com o objetivo de que, no futuro, quando formados, eles venham a defendê-los. De acordo com informações do Instituto Marconi até 2007, o Deic havia prendido e indiciado dez advogados, incluindo três advogadas. Dois advogados chegaram a ser condenados. A. N. M. Foi preso em 2001 e, indiciado por favorecimento ao crime foi para a cadeia onde cumpriu dois anos da pena. Foi solto em Novembro de 2003. O advogado M. S. M. Foi acusado de formação de quadrilha e, condenado, passou quatro anos na cadeia. Em 2006 foi presa M. C. S. R. (defensora de Marcola e outros da facção) acusada de pagar propina para que o funcionário do som da Câmara dos Deputados do Congresso Nacional, cedesse a ela a gravação dos depoimentos de dois delegados do Deic à CPI do Tráfico de Armas, que acontecia em Brasília. Os depoimentos eram sigilosos e reservado mas a advogada conseguiu a cópia, pagando ao funcionário. As conversas dos dois delegados com os deputados chegaram às mãos o Marcola e de outros líderes da facção.
A participação de policiais e agentes na tentativa de favorecer o comando também não é raro. Muitos começaram a se aliar ao PCC no momento de seu maior crescimento, em 2006, passando para o lado da facção. Outros, ao encontrar bandidos da facção, ao invés de prendê-los, cobravam altos valores para que eles continuassem em liberdade. Em alguns casos, além do dinheiro, ainda ficaram com a droga encontrada com os bandidos.
A cooptação de jovens para participar do “Partido” também é comum. Uma reportagem da Folha, de 2006, apontava que membros do PCC estavam se deslocando ao norte e nordeste do Brasil em busca de jovens sem antecedentes criminais para ensinar a “função”.
De acordo com a revista Veja, em 2014, o deputado estadual Luiz Moura foi afastado de suas funções partidárias no PT, obrigando-o a se desfiliar do partido ou seria expulso, depois de levantada uma suspeita de ele ter participado numa reunião com membros do PCC, cujo objetivo era incendiar ônibus. Também é suspeito de receber dinheiro do PCC. O político é ligado a cooperativas de perueiros, assim como seu irmão Senival Moura, vereador pelo PT na cidade de São Paulo. O deputado nega envolvimento com o crime organizado e diz estar sendo alvo de preconceito por ter sido condenado, no passado, a 12 anos de cadeia por vários assaltos à mão armada. Ele fugiu da cadeia e não cumpriu a pena. Obteve perdão judicial em 2005 e conseguiu até um atestado de pobreza, em que declarava não ter condições de arcar com o custo de sua defesa ou de ressarcir suas vítimas. Cinco anos depois, já candidato a deputado estadual, declarou um patrimônio superior a R$ 5 milhões. Moura pertence ao grupo político de Jilmar Tatto, que também tem sua base política entre as cooperativas de perueiros. A polícia continua investigando a infiltração do PCC no setor.
Sacudiu a poeira dando a volta por cima – Absolvida por direito e justiça, Carla Cepollina volta ao Júri como advogada 7
Absolvida do caso Ubiratan, Carla Cepollina volta a fórum como advogada
Márcio Padrão
Do UOL, em São Paulo
Folhapress
Em foto de 2012, Carla Cepollina deixa o Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, após ser absolvida do assassinato do Coronel Ubiratan
Carla Cepollina voltou ao Fórum Criminal de Barra Funda, em São Paulo, mas desta vez foi diferente: não na condição de acusada pelo caso que a tornou famosa –o julgamento do assassinato do coronel Ubiratan Guimarães, em 2006– mas de volta à profissão, como advogada. No último dia 2 de dezembro, Carla foi como advogada auxiliar de um réu julgado por homicídio qualificado. O acusado defendido por ela foi inocentado.
Carla passou os últimos anos nos tribunais provando sua própria inocência. O Fórum da Barra Funda foi o mesmo local onde ocorreu seu julgamento, em 2012, do qual saiu absolvida. Em setembro deste ano, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) rejeitou agravo do Ministério Público e manteve a decisão da Justiça.
A última decisão do STJ foi definitiva e Carla agora quer retomar a vida profissional. Anteriormente especializada em antipirataria, ela agora está atrás de casos na área de Direitos Humanos, tentando trazer sua experiência como ré para auxiliar outros acusados.
Antes de seu retorno ao mesmo fórum em que foi julgada, ela prestou consultoria a colegas advogados e conversas informais para orientar acusados a se portar no julgamento. “Se o réu não está se sentindo fortalecido, explico pra eles a parte penal, como se comportar. Estou muito feliz com essa nova fase da minha vida. Para mim o Fórum da Barra Funda agora é sinônimo de vitória”, disse a advogada aoUOL.
Com a absolvição, diz ela, a reação das pessoas à sua presença também está mudando. “Ninguém nem me pergunta mais do caso, só sabe que ganhei e fui absolvida. Provei que o caso Ubiratan não tem nada a ver com minha vida”, afirmou.
O caso
Comandante da operação conhecida como massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 presos em 1992, o coronel Ubiratan foi morto a tiros em seu apartamento, no bairro dos Jardins, de São Paulo, em 9 de setembro de 2006. Na época, era deputado estadual de São Paulo pelo PTB. A arma do crime nunca foi encontrada.
Segundo a investigação da polícia, Carla Cepollina foi considerada a única responsável pelo crime por ter sido a última a ser vista entrando no apartamento. Testemunhas ouviram uma discussão entre os dois antes da morte. Namorada do militar na época, a investigação apontou ciúme como sua motivação –Ubiratan estaria tendo um caso com a delegada da Polícia Federal Renata Madi.
Carla foi indiciada pela polícia e denunciada pelo Ministério Público sob a acusação de homicídio duplamente qualificado –por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Em 2012, foi julgada e inocentada por falta de provas, no entender do júri. Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou os recursos da acusação. Neste ano, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou novo e último recurso do MP.
Reforma da polícia 16
Investigação feita por rede social é premiada 14

O prêmio principal será para um sistema que cruzou informações dos Leitores Automáticos de Placas (LAPs) dos radares de Guarulhos com informações da polícia sobre roubo de veículos.
Desde maio, cada vez que um carro com queixa de roubo ou furto passa pelos radares – que, assim como na capital, têm tecnologia para identificar todas as placas, não só aquelas de veículos que excedem o limite de velocidade – um aviso é disparado para as viaturas da PM a até 10 quilômetros de distância. “Já recuperamos 89 veículos. E o importante é que foi possível prender mais de 140 pessoas”, diz o capitão da PM Douglas Shoichi Sano, que coordenou a implementação do sistema e receberá o prêmio.
Houve tentativas de promover integração em outras cidades, mas uma série de dificuldades técnicas impediu o avanço da ideia. A equipe de Sano superou os problemas em parceria com a prefeitura de Guarulhos, integrando radares e polícia em 33 pontos. Agora, o projeto deve seguir para a capital, que tem mais de 840 radares.
Capital
A segunda iniciativa vencedora é da capital paulista. Também é resultado da integração entre os sistemas policiais já existentes com novas ferramentas, no caso, as redes sociais. Mas, desta vez, voltadas para o trabalho de investigação.
No fim de 2011, a região do Brooklin, na zona sul, registrava um caso de sequestro relâmpago a cada dia, segundo o investigador da Polícia Civil Luís Fernando Ferreira de Souza. O trabalho da polícia apontava para um mesmo grupo de suspeitos. “A diferença na investigação é que cruzamos as informações dos nossos sistemas com as redes sociais”, explica o policial.
Ao identificar os primeiros suspeitos, os policiais passaram a segui-los no Facebook e coletar fotos dos investigados. “Eles colocavam fotos em baladas, na praia, com mulheres, esbanjando”, diz Souza. “Conseguimos formar uma teia de suspeitos, com banco de fotos, com imagens das redes sociais. Então, começamos a chamar as testemunhas para que fossem reconhecidos.” A ação resultou em mais de 30 prisões. A quantidade de provas coletadas permitiu que todos fossem condenados. O caso ficou conhecido como a “gangue dos playboys”.
Ambiental
Em Bauru, a experiência vencedora foi uma iniciativa que associou as atividades de patrulhamento da Polícia Militar Ambiental com ações de prevenção e repressão a crimes comuns. Os policiais ambientais passaram a trocar informações sobre delitos que a Polícia Civil colhia em suas áreas de atuação e fazer patrulhamento misto, voltado principalmente para coibir a prática de roubo.
Ivan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, diz que os projetos são escolhidos por uma comissão independente. “São policiais de outros Estados”, afirma. Além de premiar em dinheiro, o instituto homenageia projetos com menções honrosas e dá prêmio para uma categoria eleita por voto. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo
MORDAÇA E CABRESTO – Desembargador Decio Notarangeli nega liberdade de manifestação para policiais civis 32
Rolex do Luciano Huck – 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal e Justiça reforça a “Lei da Mordaça” para Policiais Civis
Liberdade de Manifestação
A 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, unanimamente, negou provimento ao recurso de Apelação do ex-investigador Roger Franchini que impetrou em primeira instância Mandado de Segurança, objetivando anular a suspensão de 30 dias que lhe foi aplicada pelo então Secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto, porque, em outubro de 2007, teve publicada uma polêmica carta enviada ao painel do leitor da Folha de São Paulo.
A barafunda envolveu o Luciano Huck, Capitão Nascimento e o BOPE.
“Os policiais que estão na linha de frente do combate ao crime (todos os que não são delegados ou oficiais da PM), sabemos onde está o ‘rolex roubado’ do Luciano Huck –metáfora para o graal da segurança pública brasileira. Mas não vou trocar tiro com bandidos recebendo um salário base de R$ 568,29 ao mês (e agora sem o tícket alimentação de R$ 80,00 que nos foi retirado em agosto de 2007).
“Prefiro correr risco no bico para sustentar meus filhos. Se Huck não está feliz conosco, pode entrar para o movimento CANSEI e cobrar do governador Serra o motivo do PSDB ter tanta raiva da policia paulista e mantê-la na miséria há 14 anos. Eu queria fazer minha inscrição lá, mas será que aceitam um policial sem dinheiro?
Roger Franchini”
Foi massacrado; pelo público interno e externo.O externo odeia a Polícia; o interno ama ver o próximo arrumando uma “bronca”.
As autoridades corregedoras – os “chefões” de sempre – fizeram todo aquele barulho em defesa dos pilares da “instituição”: disciplina e hierarquia .
Empregaram as próprias palavras do investigador , que na verdade – salvo melhor entendimento – agiu na qualidade de leitor da folha, como confissão de prevaricação.
A figura de linguagem lhe custou caro; delegados gostam de confissões, por mais absurdas que sejam!
Além de processo administrativo, instauraram inquérito policial, inclusive.
O investigador pediu exoneração.
Foi embora!
Depois de exonerado sofreu a penalidade de suspensão por 30 dias.
Entendem, suspender de um serviço quem já não mais trabalha nele?
Algo do tipo: matar um morto!
Impetrou mandando de segurança; e perdeu!
Apelou: e perdeu !
Invocou a “Lei da Mordaça” , ou seja, a revogação do Estatuto dos Funcionários do Estado de São Paulo dos dispositivos semelhantes àqueles da Lei Orgânica da Polícia Civil.
O desembargador relator Decio Notarangeli, com todo respeito, lançou uma argumentação confusa e contrária à CF; além de uma suposta lógica do “tudo ou nada” que estaria sendo invocada pelo apelante para sustentar o seu direito de livre manifestação.
Toda jocosidade será castigada!
O magistrado, em linhas gerais, afirma que enquanto funcionário, Roger não possuía imunidade administrativa para escrever o que bem entendesse.
Verdade!
Roger não escreveu o que bem quis!
Respeitou integralmente a nossa Lei Maior.
Não valeu-se do anonimato, não investiu contra a honra, intimidade e a vida privada de pessoas.
Impedir funcionário de criticar a administração pública é incentivar a cultura do deixa tudo como está, ou seja, de mal a pior.
O erro, a incompetência e a corrupção sempre no comando.
Por outro aspecto, lógica do tudo ou nada foi a empregada pelo então Secretário que, contrariando pareceres precedentes , aplicou penalidade a quem não era mais funcionário público.
Permissa venia, é o que se pode chamar de somatória da lógica da arbitariedade, com a logíca da maldade , com a lógica da safadeza, pois a única finalidade foi elevar a “estatística de punições” mercadejadas pelo Antonio F.P. como marca de sua eficiência administrativa.
O desembargador bate palmas, ou melhor, lava as mãos…
A Administração faz o que bem quer!
Não adianta, funcionário público comum na Seção de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo parece que nunca tem vez.
Com todo respeito, a colenda câmara agiu contra o bom direito.
Espero que o douto desembargador leia esta postagem; que no futuro ao julgar o subscritor não seja tão implacável.
Eu fiz pior!
Por fim, trago para lembrança o contraponto de um investigador que reprovou o Roger,
Nilton Cesar de Azevedo (1) 09/10/2007 12h10 GUARUJA / SP
O Policial errou.
O particular não tem que ser prejudicado pelas péssimas condições salariais que tem a Polícia Paulista.
Aliás, o servir ao público está sempre em primeiro lugar.
È o que se espera de um servidor público.
Não é esse tipo de atitude que se deve enaltecer.
O Luciano deve estar chateado em razão de que de todo lado só há decepção.
Não é o pensamento de todo policial que foi externado no Painel do Leitor pelo policial do 36º DP da capital.
Há outras formas de se reivindicar salários.
O povo, destinatário final dos serviços públicos não pode arcar com decisões que o prejudique ainda mais.
Se soubesse onde estava o rolex, iria apreendê-lo e entregá-lo ao dono, no caso, Luciano Huck ou outra vítima qualquer. ( nos comentários do noticiário da Folha )
O Niltinho , na época do DENARC, era tido pela “administração” um policial exemplar; para muitos : quase excepcional!
O Roger já meio queimado e aborrecido com o órgão pediu exoneração; foi exercer a advocacia e escrever seus livros.
Prestou concurso no Tribunal de Justiça e foi aprovado.
Tem um longo e brilhante futuro.
Niltinho, não demorou muito tempo, foi preso; num dia de Natal suicidou-se. O delegado que o chefiava e outros policias da equipe foram recentemente demitidos; todos acusados de extorsão mediante sequestro, carcere privado , tráfico de drogas, fraude processual…etc
Niltinho reprovou a conduta do Roger…
( a Administração deu-lhe parabéns )
Antonio F.P. penalizou a conduta do Roger…
Sabem qual a diferença do Niltinho para o Ferrerira Pinto?
O F.P. é um Niltinho que deu sorte na vida!
roger ( Acórdão )
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O respeitável acórdão no fundo segue a lógica da autopreservação; ninguém reconhece direito alheio que poderá vir enfraquecer a si próprio.
Dar provimento à apelação seria incentivar o funcionalismo – especialmente os servidores do Judiciário – a falar coisas que talvez muitos julgadores não queiram que sejam ditas sobre eles juízes.
Luiz Flávio Gomes – Polícia Federal autônoma num paraíso da cleptocracia 16
Publicado por Luiz Flávio Gomes
Em 1910 o estadista francês Georges Clemenceau declarava sua perplexidade pelos níveis da corrupção em Buenos Aires: “a economia da Argentina só cresce porque de noite os políticos e empresários estão dormindo e não podem roubar”. Foto de Clemenceau, nos anos 20, já aposentado (disponível em Ariel Palacios, acessado em 6/12/14). Se a economia brasileira anda crescendo pouco, isso significa que os políticos e empresários envolvidos na corrupção endêmica andam dormindo pouco, muito menos que “los hermanos” do princípio do século XX.
01. Hoje, 9/12, se celebra, no mundo inteiro, um dos dias mais relevantes para o calendário da sociedade civil cidadã (agora globalizada): trata-se do Dia Internacional de Combate à Corrupção. A data não foi escolhida por acaso, sim, porque foi nesse dia que as Nações Unidas assinaram a histórica Convenção contra a Corrupção, em 2003 (conhecida como Convenção de Mérida-México), que foi parida para estimular todos os países membros a desenvolver e, mais que isso, a implementar iniciativas que signifiquem efetivo combate à chaga da corrupção que, diga-se de passagem, não é um fenômeno exclusivamente humano (H. Schwartsman), visto que já constatada inclusive em vespas e formigas. A trapaça social (invadir o alheio para aumentar o próprio), como se vê, tem base biológica. Reforçou-se, com a citada Convenção, a cooperação internacional, em especial na área das informações sobre movimentações financeiras que sinalizem os malfeitos cleptocratras (como os da Petrobra$ e do metrô$P, por exemplo). Se a data 9/12 tornou-se relevante no mundo todo, com maior fortuna deve sempre ser recordada nos paraísos da cleptocracia, como é o nosso caso (recorde-se: cleptocracia significa Estado governado – também – por ladrões).
02. Dois pontos chamam nossa atenção nesta emblemática (simbólica) data: (a) os agentes financeiros (bancos, especialmente, casas de câmbio etc.), incluindo-se os internacionais, como os suíços, já começam a colaborar mais firmemente com as investigações da corrupção; (b) por lei, a Polícia Federal brasileira se tornou autônoma (um feito inigualável em termos de América Latina e até mesmo invejável em nível planetário). Quanto aos agentes financeiros, no entanto, salta à vista ainda a ambiguidade: de um lado fazem parte das atividades das organizações criminosas (são também criminosos do colarinho branco), lavando os dinheiros sujos conquistados ilicitamente nos incontáveis paraísos mundiais da cleptocracia; de outro, com bloqueios e devolução desses dinheiros depositados em contas bancárias, mostram-se cumpridores da Convenção Internacional citada. De dia colaboram com as investigações (ponto positivo), de noite continuam lavando os dinheiros sujos do mundo todo (ponto negativo).
03. Não há como controlar (reduzir drasticamente) o “estilo mafioso de ser” dos paraísos da cleptocracia, salvo (1) pela otimização máxima da transparência (“A luz do sol é o melhor dos desinfetantes”, afirmou, já quase um século, o juiz norte-americano Louis Brandeis – 1856-1941) bem como (2) pela institucionalização da vida pública (efetividade dos órgãos de controle de todos os poderes). A autonomia que acaba de ser conquistada por lei (Lei 13.047/14, sancionada sem vetos pela presidenta Dilma Rousseff) pela Polícia Federal (PF), teoricamente, constitui um desses mecanismos institucionalizantes (tal qual acontece com a autonomia funcional do Ministério Público), tendentes a tornar realidade o império da lei (que integra um dos quatro eixos dos Estados civilizados, fundados na democracia real, na economia distributiva, no império da lei e na sociedade civil cidadã). Com ela, desde logo, o cargo de diretor-geral da Polícia Federal passou a ser privativo de delegados de carreira de classe especial. Na prática isso já vinha ocorrendo desde 1995 (antes o cargo era ocupado por militares). Reforçar as instituições da República, sua independência e transparência, é (enfatizou C. A. Di Franco, Estadão), “o melhor caminho de defesa da democracia. A lei citada cumpre esse papel”.
04. A PF, “órgão permanente de Estado [não de governo], organizado e mantido pela União [continua a dependência financeira], para o exercício de suas competências previstas no § 1º do art. 144 da Constituição Federal [investigação dos chamados “crimes federais”], fundada na hierarquia e disciplina [princípios organizacionais], é integrante da estrutura básica do Ministério da Justiça”. A autonomia funcional (agora inequívoca) não se confunde com a subordinação burocrática (ao MJ). Os delegados federais, responsáveis pela direção das atividades do órgão, exercem função de natureza jurídica e policial, essencial e exclusiva de Estado (não de governo). Na prática, isso significa que a PF não é um órgão exclusivamente técnico (policial), sim, jurídico (por fazer parte, ao lado do Ministério Público, da Magistratura, do TCU, da CGU etc. Do poder jurídico de controle de todos os poderes). É inadmissível, de outro lado, qualquer tipo de interferência de qualquer outro órgão ou poder nas suas atividades (nesse ponto a autonomia da PF se distingue completamente das demais polícias do país, que continuam sujeitas à interferência governamental).
05. Com a autonomia da PF, de outro lado, fica descartada a ideia de que a polícia judiciária deveria fazer parte do Poder Judiciário (é assim que funciona nos países que adotam os Juizados de Instrução, tal qual o sistema anglo-saxão) ou deveria se subordinar ao Ministério Público, tal como ocorre no sistema norte-americano (e tantos outros países como Itália, Espanha etc.). Afastados esses sistemas alienígenas, privilegiou-se a atuação isenta e republicana da PF, na fase pré-processual. O ingresso na carreira de delegado, privativa de bacharel em direito, se fará agora por concurso público (meritocracia), cuja transparência e lisura vai doravante contar com o aval da OAB. Alinhando-se a outras instituições, exige-se três anos de atividade jurídica ou policial, comprovados no ato de posse. A regra permite que policiais experientes da própria instituição possam lograr aprovação para o cargo de delegado de Polícia Federal. Os ocupantes do cargo de Perito Criminal Federal são responsáveis pela direção das atividades periciais do órgão (aqui reside a autonomia funcional da chamada polícia técnica ou pericial).
06. As alterações legislativas aprovadas, como sublinhou a OAB-SP, “vêm em abono do aprimoramento da Polícia Federal, cujas garantias revertem em benefício da cidadania, de modo que a instituição possa cumprir seu papel constitucional, que é promover a investigação criminal em crimes de sua competência, de forma republicana e, sempre, com respeito aos ditames legais e aos direitos humanos”. A questão agora é saber se a PF vai mesmo se comportar como órgão de Estado.Sabemos que as instituições são feitas por humanos. São esses humanos que enaltecem ou esfarelam as instituições. As críticas à nova lei (desde sua tramitação, especialmente emanadas de órgãos do Ministério Público) foram intensas. Devem ser recebidas não como ataques, sim, como advertências, para que a cada dia se alcancem novos aprimoramentos institucionais. Em princípio, soa estranha a existência de “uma PF autônoma”, bem num dos paraísos da cleptocracia. Isso redobra a responsabilidade da PF, que deve vigiar e investigar os malfeitos frequentes do paraíso, mas, antes de tudo, vigiar a si própria, vigiar seus atos, para mostrar que realmente é um órgão de Estado, republicano (não de governo, muito menos de partidos políticos ou ainda longa manus de uma ou outra ideologia).
07. A PF, que já teve incontáveis investigações anuladas pela Justiça (por violação do Estado de Direito: Castelo de Areia, Satiagraha etc.), ainda conta com excelente reputação perante a população, em razão dos relevantes serviços já prestados à nação (num dos paraísos mais rentáveis da cleptrocracia ninguém diria que um órgão policial fosse capaz de investigar, com independência, os crimes dos ladrões do colarinho branco, que são os donos do poder). Para se ter uma ideia do volume do trabalho feito pela PF, basta considerar que entre 2003 e 2014 (novembro) ela promoveu 2.311 operações, contabilizando um total de 24.837 presos, sendo que 2.393 eram servidores públicos e 119 policiais federais. Veja tabela aqui
08. Para além de aparar várias arestas internas (seu relacionamento com os demais policiais federais: agentes, escrivães etc.) e externas (com o Ministério Público, com a Justiça, com o Ministério da Justiça etc.), fundamental é que a PF, como órgão de Estado, (1) se esmere no respeito estrito ao Estado de Direito (regras legais, constitucionais e internacionais que regem o devido processo legal), (2) não caindo nunca na tentação de dele fazer uso indevido (abusos cometidos dentro da lei, como é o caso da profusão de pedidos de prisões juridicamente desnecessárias, que dão ensejo a tiranias: Montesquieu dizia que toda medida penal desnecessária é tirânica), (3) aprimorando seus mecanismos de investigação para o ressarcimento dos dinheiros desviados ao erário (a devolução do dinheiro público e o empobrecimento de todos os ladrões, especialmente dos poderosos de colarinho branco) e (4) que jamais tenha como horizonte funcional, em pleno século XXI, o estado paralelo policialesco (sombra do Estado de Direito), regido pela forma mentis inquisitiva (forma inquisitorial de pensar e de atuar), que nasceu com o Malleus Maleficarum (O martelo das feiticeiras), escrito, em 1487, pelos padres Sprenger e Kraemer: “vamos parar de rir da Idade Média, de suas técnicas de obscurantismo, sempre eludidas, sempre presentes” (Legendre); a Idade Média inventou uma série de coisas “com as quais ainda estamos ajustando contas” (diz Umberto Eco) (ambos citados por Salo de Carvalho, Boletim IBCCRIM 262).
P. S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja fimdopoliticoprofissional. Com. Br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!
Comunicado do SINPOLSAN 47
A
Flit Paralisante
Att.: Roberto Conde Guerra
Gostaríamos de comunicar que a gestão do atual Presidente Dr. Walter de Oliveira Santos, Sindicato dos Policiais Civis do Estado de São Paulo na Região de Santos e Vale do Ribeira – SINPOLSAN, terá seu encerramento no dia 31/12/2014, onde se conclui o triênio 2012 a 2014. Para o próximo triênio 2015 a 2017, tomará posse uma nova diretoria, em 01/01/2015.
O Sinpolsan terá atendimento aos associados e ao publico em geral, até o dia 22/12/2014, e retornara as atividades normais no dia 05/01/2015.
Aproveitamos a oportunidade, para agradecer a todos pela atenção, parceria e consideração, por esta diretoria.
Um grande abraço
Atenciosamente
Dr. Walter de Oliveira Santos
Presidente do SINPOLSAN
Comissão da Verdade termina com pedido de julgamento de militares; fim da PM e outras viadagens ( Fim da PM, mas qual a relação da bunda com a Levi’s ? ) 61
Fonte: UOL
Após mais de dois anos de funcionamento, a Comissão da Verdade chega ao fim nesta quarta-feira (10) tendo detectado “graves violações aos direitos humanos” cometidas de 1946 a 1988. Para evitar a repetição de tais atos, “assegurar sua não repetição e promover o aprofundamento do Estado democrático de direito”, o documento final da comissão encaminha 29 propostas que devem ser adotadas pelo governo e por órgãos públicos.
A principal recomendação é que as Forças Armadas assumam responsabilidade, inclusive juridicamente, pelos atos cometidos durante os regimes militares. A comissão também quer o fim das polícias militares, a proibição de atos que comemorem o golpe de 64 e a revogação da Lei de Segurança Nacional. A revisão da Lei da Anistia, que chegou a ser cogitada pelos integrantes do grupo, não foi incluída no relatório.
A reportagem do UOL entrou em contato com o Ministério da Defesa, que responde pelas Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), mas o órgão federal informou que não se pronunciaria sobre o conteúdo do relatório. Por meio de sua assessoria de comunicação, a pasta informou ainda ter colaborado com os trabalhos da comissão desde a sua criação. Já os representantes do Clube Militar não foram localizados.
A lei de 2011 que criou a comissão já estipulava que seus integrantes deveriam encerrar os trabalhos com propostas e “recomendar a adoção de medidas e políticas públicas para prevenir violação de direitos humanos, assegurar sua não repetição e promover a efetiva reconciliaçãoo nacional”.
Das quase 30 recomendações, 17 são medidas institucionais, oito são iniciativas de mudanças de leis ou da Constituição e quatro são medidas para dar seguimento às ações da CNV. Segundo o grupo, foram recebidas 399 recomendações pelo site da CNV, e algumas delas foram incluídas no relatório. Há ainda recomendações específicas no volume 2 do relatório, onde existem capítulos temáticos sobre assuntos como perseguição a religiosos e a indígenas.
Medidas institucionais
A mais enfática recomendação da comissão é que as Forças Armadas reconheçam sua responsabilidade. “Além da responsabilidade que pode e deve recair individualmente sobre os agentes públicos que atuaram com conduta ilícita ou deram causa a ela, é imperativo o reconhecimento da responsabilidade institucional das Forças Armadas por esse quadro terrível”, cobra a comissão.
Em relação à Lei da Anistia (lei nº 6.683, de 1979), que impede a responsabilização de agentes do Estado e militares acusados de crimes de lesa humanidade, como os de tortura, a comissão entende que os delitos cometidos durante o regime militar não se enquadram como crimes políticos –se assim fossem, estariam enquadrados pela lei.
“A CNV considerou que a extensão da anistia a agentes públicos que deram causa a detenções ilegais e arbitrárias, tortura, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres é incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais ilícitos, dadas a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, imprescritíveis e não passíveis de anistia”, declara o relatório. Apesar da recomendação da não aplicabilidade da norma, a revisão da lei não foi pedida no relatório final.
“Só poderíamos tirar recomendações que saíssem dessas conclusões [de que houve graves violações de direitos humanos]. Em relação à autoria, qual é a recomendação natural que surge? A responsabilização. Por isso que a comissão não entra na discussão jurídica se a Lei da Anistia se aplica ou não se aplica, se ela deve ser revogada ou não. Não compete a ela”, disse Pedro Dallari, coordenador do grupo, na entrevista coletiva após a entrega do relatório à presidente Dilma Rousseff.
O relatório da comissão enfatiza ainda que os autores dos crimes devem ser julgados. “Prevalece o dever jurídico do Estado de prevenir, processar, punir e reparar os crimes contra a humanidade, de modo a assegurar o direito à justiça e à prestação jurisdicional efetiva.”
Mudanças em leis e continuidade
Outro trecho do relatório faz um apanhado de leis e normas que, na opinião da comissão, deveriam ser reformulados. Destacam-se o pedido do fim da Lei de Segurança Nacional, o fim dos chamados “autos de resistência” (mortes em confronto com a polícia) e o fim da militarização em vários níveis –desde as polícias militares estaduais até a Justiça Militar nos Estados–, além do fim do julgamento de civis pela Justiça Militar federal.
“Torna-se necessário, portanto, promover as mudanças constitucionais e legais que assegurem a desvinculação das polícias militares estaduais das Forças Armadas e que acarretem a plena desmilitarização desses corpos policiais, com a perspectiva de sua unificação em cada Estado”, afirma o documento.
Por fim, o relatório faz quatro propostas para que o trabalho da comissão tenha seguimento em outros órgãos e sugere até a criação de um Museu da Memória em Brasília para lembrar as agruras do período militar.
Medidas específicas para gays e índios
Em texto de Maria Rita Kehl, no segundo volume do relatório, a conselheira sugere também 13 ações sobre os povos indígenas.
Entre elas, estão um “pedido público de desculpas do Estado brasileiro aos povos indígenas pelo esbulho das terras indígenas e pelas demais graves violações de direitos humanos”. Maria Rita sugere ainda que seja instalada uma Comissão Nacional Indígena da Verdade e a regularização das terras indígenas como forma de reparação coletiva.
No capítulo dedicado à comunidade LGBT, o conselheiro Paulo Sérgio Pinheiro, outro integrante da CNV, faz sete recomendações. A principal é a criminalização da homolesbotransfobia, seguida da aprovação de uma lei garantindo a livre identidade de gênero. O sociólogo também sugere que haja um pedido de desculpas oficiais do Estado “pelas violências, cassações e expurgos cometidos contra homossexuais”.
O segundo volume do documento tem ainda capítulos dedicados a militares, camponeses, trabalhadores, religiosos, civis e universitários, mas não há recomendações específicas para estes grupos.
Clique aqui para acessar o relatório final da Comissão Nacional da Verdade na íntegra
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Viadagem = postura ou comportamento de TRANSVIADO!
Ou seja, quem se desviou dos padrões morais vigentes.
Relação da bunda com a calça Levi’s?
Diz a lenda que a calça era feita de lona de barraca com os fundilhos bem reforçados para suportar a fricção da bunda com a sela das montarias dos Cowboys.
Não tinha a finalidade precípua de não deixar cair no esquecimento as violências da ditadura?
Conclusão, essa comissão foi um ajuntamento de juristas bem intencionados, mas distantes da realidade , com desocupados , oportunistas de todos os tipos e mais umas bichas.
Misturando-se alhos com bugalhos.
No popular, o relatório nem sequer servirá como substituto de papel higiênico.
Ditadura, se não querem que aconteça novamente seria muito mais fácil então propor:
1. DEIXEMOS DE ROUBAR;
2. EXTINGAMOS NÓS TODOS OS PARTIDOS E AS NOSSAS FORÇAS ARMADAS.
Só não foi lesado pela TAM quem ainda não viajou de avião; o Juiz dá sua versão sobre os fatos e parece que está com toda a razão 48
Juiz Marcelo Baldochi dá versão dos fatos ocorrido em Imperatriz no caso TAM
Na contramão do turbilhão de notícias veiculadas pelas novas mídias digitais principalmente, (WhatsApp, Blogs e Facebook) nas últimas 36hrs, o magistrado Marcelo Testa Baldochi dá a sua versão dos fatos acerca dos fatos no tocante a condução de funcionários da TAM. Aproveitando deste incidente, muitos se valeram de noticias anteriores, algumas já sanadas na esfera do judiciário, outras ainda em análise e pra efeito de condução, seria mais que um grande equívoco midiático quanto a sua utilização neste momento específico do caso TAM.
Guardadas as devidas proporções, segue abaixo a luz do que pensa o Magistrado, Baldochi o outro lado da história:
“Muitos se contentam com as aparências, permitindo que a fantasmagoria prevaleça sobre a razão. Mas a razão não admite equívocos!
O vôo marcado para as 21.02 horas admitia o embarque, segundo as normas de aviação civil e do que consta do próprio bilhete, 15 minutos antes da partida.
Todavia, mesmo com o chek-in em mãos, as 20hr32min os passageiros Marcelo Baldochi e Camila Costa foram impedidos de embarcar sob a alegação de que deveriam estar no local às 20 horas.
Feito isso o agente da TAM não prestou qualquer informação e disse que não era problema dele, isolando-se numa saleta da companhia. Apesar de se insistir para que através do rádio tentasse o embarque disse que não o faria.
Os passageiros as 20hr42min horas registraram a ocorrência na INFRAERO/ANAC, contra a companhia e seu agente que não prestou informação alguma das razões e o que faria com os passageiros.
A empresa, através de seus agentes, tem a obrigação de informar e de atender as demandas, adequadamente e do modo que se obrigou a prestar os serviços (Código de Defesa do Consumidor e L 1521/51).
Ao ofender isso o agente incorreu em ilícito civil e criminal, e toda e qualquer pessoa pode dar voz de prisão, chamar a polícia. Está na lei e ali se fazia presente um consumidor que exigia seus direitos. Essa é a democracia. Sem rótulos.
E na verdade, até quem não frequenta aeroportos sabe o quanto as empresas aéreas abusam, deixam de honrar com seus deveres. As reclamações são constantes e agora se quer inverter os fatos. O peso econômico da TAM deve valer para se expor uma situação a tal ordem.
Diante do equívoco a TAM (por sua conta e sem ônus) promoveu o embarque dos passageiros para São Luis através da concorrente GOL. De lá os passageiros fizeram conexão para TAM e daí até São Paulo.
O que acabou sendo informado em São Paulo é que no voo original da TAM de Imperatriz para São Paulo foram vendidas mais passagens do que assentos (overbooking) e por isso os passageiros não puderam embarcar.
Numa democracia um juiz ou gari, como consumidores, têm o direito a ser tratado com dignidade. Informado e tudo mais.” Finaliza Baldochi.
Por telefone, O Magistrado salienta ainda, que por aproximados 30min fez diversos contatos com a ANAC, reguladora do setor Aéreo, a fim de garantir o direito de embarque como prevê a legislação, sem privilégios de quem quer que seja o usuário, não obtendo êxito em sua manifestação. Portanto, seria importante na mesma velocidade que se julga e destrói um dos lados da história jornalística, há de ser preservar a história e, sobretudo a índole e a verdade particular de cada momento e face dos acontecimentos, se não for, incorremos em injustiças e injúrias, seja a um gari, religioso, político e neste caso singular, um Magistrado.
Luiz Flávio Gomes – O Brasil é governado por uma organização criminosa? 31
O Brasil é governado por uma organização criminosa?
Publicado por Luiz Flávio Gomes
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que não perdeu a eleição para um partido político, sim, para uma “organização criminosa” (falou isso sob o calor e o impacto gerado pela estrondosa corrupção na Petrobra$). O PT seria, então, uma organização criminosa? Aécio lançou um “factoide” e o PT reagiu com outro, seja porque levou o tema ao Judiciário, seja porque continua falando em “golpe” e “terceiro turno”. Chegou a hora de pensarmos no Brasil, na nação, nos seus mais graves e profundos problemas: gestão/governança, corrupção, violência e desigualdade. A casa está pegando fogo e seus moradores estão discutindo quem esqueceu o feijão no fogão! O país permanece em clima eleitoral (sublinha Marco Aurélio Nogueira, Estadão-Aliás7/12/14): “Os protagonistas das urnas de 2014 não retocaram a maquiagem. Continuam lambendo as próprias crias e as próprias feridas, a mastigar a mesma ração insossa que ofereceram aos eleitores. Nenhuma manobra diferente, nenhuma análise prospectiva, nenhum realinhamento de forças, nenhuma atitude de grandeza. O diálogo anunciado pela presidente ficou no terreno protocolar, as oposições nem sequer estão pagando para influenciar o que virá pela frente. Todos parecem encantados, à espera dos frutos que virão do escândalo da Petrobras (…) O parafuso espanou e quanto mais petistas e tucanos insistirem em forçar a chave de fenda maior será o estrago”.
02. O Brasil constitui desde sempre (de 1500 até hoje) um dos paraísos mundiais da cleptocracia (Estado governado por ladrões: para o período colonial leia-se Padre Antonio Vieira, O sermão do bom ladrão, e Padre Manuel da Costa, suposto autor do livro A arte de furtar). Ainda vivemos “a transição do estilo mafioso de manter a ordem para o institucional que nosso País ainda não concluiu” (H. Schwartsman). No plano legal (formal, institucional), muita coisa já foi feita (criação de um poder jurídico para o controle da corrupção e dos ladrões do dinheiro público, leis anticorrupção, lei da transparência etc.); o problema continua residindo na eficácia concreta de todos esses mecanismos de controle e de transparência, que funcionam muito precariamente, fomentando desse modo, dentro do Estado, a roubalheira, a gatunagem, a rapinagem, o patrimonialismo (confusão do patrimônio público com o privado) etc. A cleptocracia (como regime político-econômico que sufoca a democracia), sem sombra de dúvida, tem como combustível as organizações criminosas. Para se saber o quanto a cleptocracia já usurpou da democracia brasileira, portanto, vale a pena passar os olhos nas nossas organizações criminosas, especialmente a dedicada à pilhagem do patrimônio público, comandada pelaplutocracia (Estado governado pelo poder das grandes riquezas) que, com certa frequência, usa seu poder não só para promover a concentração da riqueza (gerando desigualdade extrema e muita pobreza), senão também para a prática de ilícitos penais (inserindo-se assim na constelação das várias organizações criminosas).
03. Hoje estão operando (no território brasileiro) quatro grandes organizações criminosas: (1ª) o crime organizado dos poderes privados, que exploram particularmente a venda de drogas e se caracterizam pelo uso constante da violência (PCC, PGC, CV, Alcaeda, Narcotráfico dos morros do RJ etc.); (2ª) o crime organizado das milícias (que exploram favelas e bairros pobres de muitas cidades); (3ª) o crime (mais ou menos) organizado que emerge de dentro das bandas podres das polícias (que praticam assassinatos, desaparecimentos, extorsão, roubos, sequestros e que também morrem amiúde) e (4ª) o crime organizado multibilionário, composto por poderosos bandidos do colarinho branco (membros da plutocracia, da política e dos altos escalões administrativos), que eram chamados (nos EUA) no século XIX de “barões ladrões”; por meio de fraudes, proteções, monopólios e conluios licitatórios (carteis), como nos casos da Petrobra$ e do metrô$P, o crime organizado multibilionário está estruturado sobre a base de uma troyka maligna (partidos, políticos, e outros agentes públicos + intermediários (brokers) + agentes econômicos e financeiros) que se unem em Parceria Público/Privada para a Pilhagem do Patrimônio Público (P6).
04. Os crimes organizados são protagonizados, evidentemente, por ladrões (cujos escopos consistem em fazer do alheio o próprio), que se valem da trapaça e do engodo, da corrupção e da violência, para alcançarem suas vantagens (normalmente econômicas) em prejuízo de terceiras pessoas ou de toda sociedade. O Estado brasileiro, como um dos paraísos da cleptocracia, vem provando a experiência de compartilhar suas funções com as organizações criminosas citadas, que exercem ou comandam várias das suas funções (ou seja: os ladrões “estão governando” porções consideráveis do Estado). Vejamos: o crime organizado privado como o PCC governa os presídios (mais de 90%, conforme Camila Dias, “PCC – Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência”, Editora Saraiva); as milícias substituem o Estado prestando ajudas sociais às favelas e aos bairros pobres; os policiais da banda podre organizada são representantes diretos do Estado (e governam a segurança pública); por fim, o crime organizado multibilionário (incluindo o da Petrobra$, do metrô$P etc.) é comandado por integrantes da plutocracia nacional ou estrangeira (que governa o Estado por meio do poder do dinheiro das grandes riquezas, que cooptam o poder político mediante o “financiamento” das caríssimas campanhas eleitorais, “comprando-o” dessa maneira).
05. O Brasil, como era de se esperar, sendo um dos mais pujantes paraísos da cleptocracia mundial, não ocupa boa posição no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional – 69º colocado. Já com cinco séculos de tradição, não é governado apenas por gente bem intencionada, senão também por várias organizações criminosas (repita-se: cada uma cumprindo ou comandando parcelas das funções estatais). No que diz respeito ao papel desempenhado pelos político$ e partido$ políticos, sabe-se que (a quase totalidade deles, com raríssimas exceções), desde que foram constituídos (na época do Império), são useiros e vezeiros no desvio do dinheiro público de seus fins legítimos (o PT e o PSDB, claro, com seus respectivos mensalões bem como com os escândalos da Petrobra$ e do metrô$P, dão evidências exuberantes do que acaba de ser afirmado). É por meio dessas formas criminosas de exercício do poder que os políticos e os partidos (feitas as ressalvas devidas) forjam os famosos “fundos de campanha”, que pagam os serviços eleitorais, que arranjam afilhados e asseclas e que remuneram as custosíssimas campanhas marqueteiras (que transformam os candidatos e os partidos em verdadeira mercadoria de consumo).
06. É mais que visível, depois de 514 anos, o desmoronamento de todo nosso edifício social, político e moral, que não passa de efeito funesto e deplorável do engodo, da corrupção e das maledicências impingidos a toda sociedade pelos acelerados ladrões, egoístas e gananciosos, que buscam o lucro com os nossos males, dissabores, misérias e discórdias (reais e virtuais). O que mais nos causa estupefação, na contemplação deste desonroso quadro de monstruosidades morais, é ver como que muitos brasileiros (direta e diariamente afetados pelas nefastas consequências da cleptocracia, que é uma das formas mais anômalas de democracia) ainda se comprazem em persistir na sua indiferença e cegueira, como se o horizonte tosco e deletério desenhado para nosso país fosse decorrência de uma lei implacável e irremovível da natureza ou algo despejado sobre os ombros dos compatriotas como punição de um raivoso ser sobrenatural (um daqueles deuses embrutecidos da imaginosa mitologia grega).

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07. Desde Heródoto, na Grécia Antiga (como sublinha Antonio Gasparetto Júnior, texto-net acessado em 6/12/14), o humano sonha com um governo cristalinamente democrático. Sonho nunca realizado integralmente. Para quem ostenta a fama de ser um cobiçado paraíso da cleptocracia (de sobra, autoritário e violento), um governo eficiente e honesto, desgraçadamente, nunca passou de uma utopia. Somente na literatura (ver A Cidade do Sol, de Tomasso Campanhella e Utopia, de Tomas Morus) é que vemos sociedades bem geridas onde não teríamos problemas sociais, morais e políticos. “Mas é claro que lugares assim são, se não impossíveis, pelo menos muito improváveis, já que homens possuem interesses que, mesquinhos ou não, são suficientes para causar grandes desavenças e romper com qualquer possibilidade de equilíbrio em uma sociedade” (Gasparetto, citado).
08. Infelizmente, para nós e para toda a humanidade desde a época de Heródoto, passando pela Idade Média (séculos V-XV), pré-modernismo (séculos XVI-XVII) e modernismo (séculos XVIII-XX), até chegar ao contemporâneo pós-modernismo, a utopia do governo democrático honesto possui uma expressão bem real e tangível de seu oposto, o governo cleptocrático, onde o Estado cumpre a tarefa de uma “máquina de extração e concentração de renda e, ainda por cima, também por meios ilegais”. Isso quer dizer que, “além da arrecadação de impostos, taxas e tributos que os Estados cobram para acúmulo legal de renda, muitos dos indivíduos que formam a máquina administrativa, insuflados normalmente por gente da plutocracia, ainda fazem uso benéfico de suas posições para enriquecimento próprio”. Não é por menos que o significado literal do termo cleptocracia seja a de um Estado governado por ladrões.
09. A ciência política nos explica (continua Gasparetto, citado) “que todos os Estados tendem a se tornar cleptocratas na ausência de manifestação da sociedade”. Os economistas e filósofos argumentam “que o capital social da sociedade é forte elemento para impedir a instauração de tal governo cleptocrático”. Não encontrando obstáculos sociais (reação enérgica da sociedade civil, que continua inerte e indiferente), a cleptocracia avança e o resultado mais nefasto acontece quando ela “substitui ao Estado de Direito” ou, pior, o utiliza indevidamente (ver Ugo Mattei e Laura Nader, Pilhagem), para se apropriar do poder e do dinheiro público, como se fosse patrimônio privado (patrimonialismo). O estágio último (já alcançando píncaros inimagináveis) dessa degenerada construção societal e estatal se aperfeiçoa quando se concretiza a captura do sistema público governamental pela junção da corrupção política com a econômica (empresarial).
10. Um dos executivos da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, disse (24/11/14) que parte da propina que pagou ao PT, entre 2008 e 2011, foi por meio de doações legais, que se transformaram, como se vê, em instrumento de lavagem de dinheiro sujo. Quem garante que os demais partidos políticos não receberam as mesmas propinas por meio dessas doações declaradas ao TSE? Isso é o que significa o uso indevido do Estado de Direito para a pilhagem do patrimônio público (uma pilhagem dentro da lei). Outro executivo da mesma empresa, Júlio Camargo, afirmou que o dinheiro sujo teria circulado por dutos paralelos (caixa 2), sendo parte dele depositada em contas no exterior. Pior ainda: tanto Paulo Roberto Costa como Youssef estão declarando que o escândalo da Petrobra$ era apenas uma das pontas do monstruoso iceberg, a comprovar a nossa qualidade degradante de paraíso da cleptocrática, onde os partidos políticos indicam diretores para as grandes empresas públicas, com o fito de forjarem os abjetos “fundos de campanha”. Como devemos ler a notícia de que Sérgio Machado vai deixar a presidência da Transpetro, mas que o cargo continuará sendo de indicação de Renan Calheiro$?
11. Bem poucos são (parafraseando João Francisco Lisboa, Jornal de Timon) os que confidencialmente e nas conversações particulares (reservadas) não reconhecem e confessam a situação deplorável a que chegou nosso paraíso da cleptocracia, governado não só por gente de bem, senão também por ladrões e organizações criminosas de todas as estirpes e colorações ideológicas e partidárias. Mesmo assim, muitos ainda continuam a se prestar de instrumento (por ação ou por omissão, que nesse caso significa conivência) para a perpetuação do exercício dessa infernal política falaz e perniciosa praticada diuturnamente por ladrões sem consciência e amor à pátria, à nação. É bem provável que o despotismo de uma causa tão mesquinha acabe por amortecer nos corações dos que o sofrem o brio da independência, da luta, do grito de libertação, que emergiria inconteste e retumbante de todas as gargantas se elas fossem alimentadas pelo fogo do patriotismo e do amor pela construção de uma verdadeira e decente nação. Nosso grito de libertação (se acontecer) tem que ter destino certo: (a) tolerância zero com os políticos corruptos (cassação imediata dos que comprovadamente praticaram corrupção); (b) rígido controle da coisa pública, que inclui punições severas (dentro do Estado de Direito) a todos os bandidos do colarinho branco; (c) o fim da reeleição para cargos no executivo e (d) o fim do político profissional (limitação de mandatos no legislativo).
P. S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja fimdopoliticoprofissional. Com. Br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!
Juiz perde voo e dá voz de prisão a funcionários da TAM no Maranhão 18
08/12/2014 12h43
O juiz Marcelo Testa Baldocci, da comarca da cidade de Senador La Roque, no Maranhão, deu voz de prisão a três funcionários do check-in da companhia aérea TAM no aeroporto de Imperatriz (630 km de São Luís) na noite de sábado (6).
Segundo depoimento dos funcionários, o magistrado quis embarcar em um avião da companhia aérea após o encerramento dos procedimentos para embarque.
Ao ter o acesso à aeronave negado, o juiz deu voz de prisão dos funcionários e chamou a Polícia Militar. Os trabalhadores da TAM foram encaminhados para uma unidade da Polícia Civil no centro de Imperatriz (MA).
Os três funcionados foram ouvidos e liberados. O magistrado não prestou depoimento e embarcou em outro voo no mesmo aeroporto.
O caso será investigado pela 3º Delegacia de Polícia de Imperatriz.
O juiz Marcelo Baldocci não foi localizado pela Folha.
Em nota, a TAM informou que “segue todos os procedimentos de embarque regidos pela legislação do setor” e que “está colaborando e prestando todos os esclarecimentos às autoridades”.
Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.
Triplex no Guarujá: Lula sabe como bem governar as próprias finanças 47
Jefferson ironiza o triplex de Lula: ‘piada pronta’
Josias de Souza
08/12/2014
Em texto veiculado no seu blog, o ex-deputado Roberto Jefferson, mensaleiro condenado do PTB, reagiu com ironia à notícia do repórter Germano Oliveira sobre o novo imóvel de Lula, uma cobertura de três pavimentos à beira-mar. Sob o título ‘Lula, o barão das zelites‘, o delator do mensalão resumiu assim a novidade:
“…A Bancoop, cooperativa que deixou milhares de pessoas na mão devido às fraudes de seu diretor, o tesoureiro do PT João Vaccari (investigado na Lava Jato por atuar na quadrilha do petrolão), está entregando o triplex de Lula. A obra, fiscalizada por Lulinha, fica em área nobre do Guarujá e foi tocada pela OAS (envolvida nos escândalos da Petrobras). Então quer dizer que Lula, paladino dos pobres, recebeu triplex da Bancoop de Vaccari, reformado pela OAS, onde as elites paulistanas passam férias? É a própria ‘piada pronta’.”
O imóvel de veraneio de Lula fica na Praia das Astúrias, reduto da elite paulista no Guarujá, no litoral Sul de São Paulo. Mede 297 m². As chaves foram entregues em dezembro de 2013. Mas só na semana passada foi concluída a reforma que ajustou o apartamento ao gosto da família Silva. Antes unidos apenas por uma escada interna, os três andares foram atravessados por um elevador. O piso ganhou revestimento de porcelanato. E a cobertura foi equipada com um ‘espaço gourmet’, ao lado da piscina.
Lula adquirira o imóvel em 2006, ainda na planta, da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. Até 2010, a entidade era presidida pelo atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Que figura como réu em ação penal na qual o Ministério Público o acusa de ter praticado, junto com outros ex-diretores, os crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ainda pendente de julgamento, a ação aponta o desvio de verbas da cooperativa para o PT e para dirigentes petistas.
A Bancoop deu o calote em mais de 3 mil famílias, deixando de entregar os apartamentos que comercializara. Para conseguir terminar alguns dos seus empreendimentos, a cooperativa contratou a empreiteira OAS. Foi o caso do Edifício Solaris, onde fica o apartamento de Lula. Na campanha presidencial de 2006, Lula incluiu o triplex do Guarujá na declaração de bens à Justiça Eleitoral. Informou que, até aquele ano, pagara R$ 47,7 mil.
Para terminar a obra, a OAS cobrou de cada morador do prédio de Lula um adicional de R$ 120 mil. Hoje, o imóvel do ex-presidente está avaliado no mercado em cifras que variam entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. É coisa para o bolso de um tipo de elite que Lula costuma praguejar em todos os seus discursos.
FERIADO NO JUDICIÁRIO – 8 de dezembro, Dia da Justiça 5
Tribunais suspendem prazos nesta segunda, Dia da Justiça
Em virtude das comemorações pelo Dia de Justiça, 8 de dezembro, os tribunais irão suspender o expediente e os prazos processuais nesta segunda-feira. Somente o Tribunal de Justiça do Paraná terá expediente normal.
A data é considerada feriado em toda a Justiça Federal e nos tribunais superiores, conforme estabelecem o Decreto-Lei 8.292, de 1945, e a Lei 5.010, de 1966.
Os tribunais de Justiça estadual também irão parar em comemoração à data. Com isso, prazos processuais iniciados ou completados nesse dia ficam automaticamente prorrogados para o dia 9 de dezembro.









