A Presidente da ADPESP, Marilda Pansonato Pinheiro, não aceita os sofismas e falácias da bancada da PM na ALESP e exige participar dos debates 71

São Paulo recebe audiência pública sobre Ciclo Completo

comunicado

A Presidente da ADPESP, Marilda Pansonato Pinheiro, participou hoje, na Assembleia Legislativa, da audiência pública que discutiu o projeto do Ciclo Completo. O evento, que já aconteceu em outras capitais, faz parte de uma série de sessões programadas para acontecer ao longo do ano em outros estados. Ela reuniu-se com o presidente da sessão, o Deputado Federal Raul Jungmann, no final do evento, que garantiu que o debate não parou por ali. Ela apresentou também ao Deputado o Fórum Nacional de Entidades de Delegados de Polícia, o FONAED, e requereu participação da entidade em todos os trâmites do debate. A ADPESP esteve presente, junto com outros 600 Delegados de todo o estado, durante todo o evento e detalhes da cobertura serão divulgados na próxima semana.

Promotor amigo da PM – e do G7 de Santos – desapareceu com os autos da chacina 10

Promotor é homenageado com colar ‘Cadete PM Ruytemberg Rocha’
Publicado em Quarta, 29 Outubro 2014 11:13

Edson Correa Batista recebeu a honraria durante solenidade realizada na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, com presença de inúmeras autoridades civis e militares

O promotor de Justiça Edson Correa Batista foi homenageado em 22/10 com o colar “Cadete PM Ruytemberg Rocha”, durante solenidade na Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB). A honraria foi concedida pelos relevantes serviços prestados ao Núcleo Cadete Ruytemberg Rocha, à Sociedade Veteranos de 32, à Academia de Polícia Militar do Barro Branco e à Polícia Militar do Estado de São Paulo. Participaram da solenidade inúmeras autoridades civis e militares.

Na foto em anexo, o promotor Edson Corrêa Batista recebe os cumprimentos do comandante da APMBB, o coronel da Polícia Militar Reynaldo Rossi Simões.

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Mudança de promotor pode anular processo sobre chacina na Grande SP
Em São Paulo

09/10/201510h32
A operação da força-tarefa para investigar a chacina que deixou 19 mortos na Grande São Paulo correu o risco de não acontecer porque um promotor do MPE (Ministério Público Estadual) teve de ser substituído às pressas, em razão de ter demorado para dar seu parecer a respeito dos pedidos de prisões dos policiais feitos pela Corregedoria da PM. A troca de promotores no caso pode anular todo o processo, segundo juristas ouvidos pela reportagem.

O jornal “O Estado de S. Paulo” apurou que os corregedores entregaram os pedidos de prisão e de busca e apreensão na terça-feira (6), na Justiça Militar. O promotor Edson Correa Batista pegou o inquérito original do caso e o levou para casa para estudar melhor o processo, antes de dar o seu parecer sobre o pedido.

Até as 19h de quarta-feira (7), nem o inquérito nem o promotor haviam aparecido no TJM (Tribunal de Justiça Militar). Sem a manifestação dele, não seria possível o juiz Dalton Abranches Safi decidir sobre os pedidos dos corregedores. A Corregedoria da PM até chegou a oferecer uma viatura para buscar os autos na casa do promotor, que mora no litoral, mas ele recusou.

Enquanto isso, policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) já tinham em mãos os mandados expedidos pela Justiça Comum de Osasco. Assim, a operação foi montada. Para contornar o atraso do promotor, o MPE decidiu que a promotora Carmen Pavão Pastorelo Kfouri iria despachar no lugar do colega. Foi feita cópia do inquérito da Corregedoria para que o procedimento fosse possível. Os mandados foram expedidos às 20h.

Para o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Arles Gonçalves Júnior, não há motivos legais para trocar de promotor de um dia para o outro. “Isto fere o princípio da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. Isso pode sim anular a investigação.”

O TJM informou que o “Ministério Público é uno e indivisível. Por isso, qualquer contestação deve ser feita judicialmente.” O MPE informou que o “Ministério Público se manifestou no inquérito e não houve prejuízo à investigação”.

As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

CIRCO COMPLETO DA PM – Por que o DHPP – vergonhosamente – está participando e coonestando as patifarias da PM e de sua “comarquinha” particular: TJM-SP ? 15

Prisão de PMs da chacina de Osasco é ilegal, diz OAB

Erros processuais devem determinar nulidade das provas e ilegalidade das prisões+A

Lumi Zúnica, especial para R7

Corregedoria da PM é acusada de usurpar a função da polícia civilReprodução/Rede Record

As prisões dos PMs envolvidos na chacina de Osasco são ilegais, segundo relata o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados de SP, dr. Arles Gonçalves Jr.

Erros graves de procedimento judiciário, desentendimentos e corporativismo devem determinar uma reviravolta no caso da chacina que terminou com a morte de 19 pessoas. A Corregedoria da Polícia Militar é acusada de usurpar a função constitucional da polícia civil como titular legal da investigação.

Segundo Gonçalves, o promotor encarregado do caso teria levado o original do inquérito para estudar o pedido de prisão solicitado pela Corregedoria da PM. O prazo legal para emitir parecer é de cinco dias, porém a Corregedoria decidiu pedir a prisão dos policiais antes do vencimento deste prazo e sem que a Justiça Militar estivesse de posse dos autos originais do inquérito.

Para atender a este pedido, conforme relata o representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o procurador-geral de Justiça nomeou outra promotora, segundo informações por ele recebidas, que emitiu parecer favorável à prisão em base a uma cópia simples da qual sequer se sabe se está completa.

A Justiça Militar seguindo o parecer da promotoria decretou as prisões sobre a mesma cópia, o que as torna ilegais.

Arles Gonçalves acrescentou que “a conduta da Justiça Militar de despachar a prisão em cima de uma cópia de inquérito fere o estado democrático de direito, os princípios da legalidade, o do devido processo legal e o da ampla defesa só para citar algumas das gravíssimas faltas cometidas”.

Perguntado pelos motivos que teriam levado à Justiça Militar a agir desse modo, ele se disse perplexo já que os caminhos legais são de amplo conhecimento de todos os envolvidos e não teria como se admitir ignorância da lei.

Disse também que a situação é muito mais grave ainda ao considerar que, segundo informações obtidas,  provas foram colhidas de forma ilegal durante as investigações, referindo-se a materiais apreendidos nos últimos 30 dias, aproximadamente .

— Quem colhe provas é a polícia judiciária, a polícia civil, e tem a obrigação de encaminhá-las ao Instituto de Criminalística, mas não foi isto que ocorreu.

Segundo declarou, policiais militares recolheram armas e outros objetos durante as investigações e eles próprios os encaminharam até o instituto, o que vai contra as normas do código de processo penal, tornando as provas nulas, ou seja, elas não podem fazer mais parte de qualquer julgamento que por ventura vier a acontecer.

— Essa conduta é o típico exemplo do princípio da árvore dos frutos envenenados ou seja, se a árvore está envenenada, seus frutos também estão. Procedimentos ilegais geram provas ilegais.

Perguntado sobre o que motivaria o Instituto de Criminalística a ter aceitado receber as provas sabendo que elas foram colhidas e encaminhadas de forma ilegal, preferiu se abster de responder, alegando que quem tem que se pronunciar por essa conduta são os responsáveis pelo IC.

— Em outras palavras, as prisões são ilegais, as provas estão contaminadas e o processo se transformou num verdadeiro circo de horrores judiciais.

Quem é Raul Jungmann, o mais novo vassalo da PM 12

DUALIDADES

Jungmann posa de exemplo da moralidade, mas recebe por cargo que não exerce

Mesmo tendo assumido mandato de deputado federal, em Brasília, parlamentar se mantém vereador em Recife
por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual
publicado 02/04/2015 12:25, última modificação 02/04/2015 16:11
ZECA RIBEIRO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

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Telhado de vidro. Jungmann (dir), Carlos Sampaio (centro) e Mendonça Filho pedem à PGR para investigar Dilma

Na última terça-feira (31), o deputado Raul Jungmann, do PPS de Pernambuco – correligionário e conterrâneo de Roberto Freire –, juntou-se a colegas deputados do DEM e PSDB para bater na porta do  procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para pedir que ele reconsidere sua decisão e peça abertura de inquérito para investigar se a presidenta Dilma Rousseff estaria de alguma forma envolvida no esquema de propinas na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Jungmann, aliás, é o autor do pedido. Mas se a preocupação do recém empossado deputado for moralização e zelo com a coisa pública, ele deveria começar dando o exemplo.

Raul Jungmann mantém dois mandatos eletivos, um de deputado federal e outro de vereador em Recife. Há um mês e meio, ele assumiu na Câmara Federal a vaga deixada por Sebastião Oliveira (PR), também de Pernambuco e atual secretário estadual dos Transportes. Porém, em vez de renunciar ao cargo na Câmara Municipal de Recife, ele apenas se licenciou do mandato de vereador.

Em fevereiro, inclusive, Jungmann recebeu o salário integral pela vereança, mesmo tendo deixado a Câmara no dia 14 daquele mês. As informações estão no Diário Oficial e no Portal da Transparência da Câmara Municipal.

Jungmann assumiu o mandato de deputado federal oficialmente  em 12 de fevereiro, passando a receber salário da Câmara. Mas entre 12 e 28 de fevereiro, ele foi um “vereador fantasma” na folha de pagamento municipal de Recife, acumulando dois salários por cargos que não podem ser exercidos ao mesmo tempo.

A atitude é incompatível com o discurso de “paladino da ética” que o deputado tenta imprimir em seu mandato. A Constituição Federal diz, em seu artigo 54, que os deputados e senadores não poderão, desde a posse, ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

Jungmann licenciou-se do mandato de vereador conforme Resolução 2.595/2015 da Câmara de Recife, publicada no Diário Oficial do dia 14 de fevereiro, “sem ônus para o erário municipal, por tempo indeterminado, a fim de que possa assumir a função de suplente em exercício de deputado federal, enquanto perdurar o afastamento dos titulares”. Porém, o Portal da Transparência da Câmara Municipal que Jungmann foi pago usando-se o salário integral de R$ 15.031,76 como base de cálculo, igual ao dos demais vereadores que trabalharam o mês inteiro.

A assessoria de Jungmann disse ao Jornal do Commércio, de Recife, que devolverá aos cofres públicos R$ 5.366,14. “Uma guia de recolhimento foi enviada ao deputado com a informação que ele deixou a Câmara do Recife no dia 20 de fevereiro e recebeu um valor maior. O documento foi assinado pelo diretor da divisão de pessoal”, diz a nota.

Continua errado. Como o deputado começou a receber em Brasília a partir de 12 de fevereiro, como comprova o portal da transparência da Câmara dos Deputados, só pode ser remunerado pela Câmara do Recife até o dia 11, pois é proibido acumular os dois cargos. Se receber até o dia 20 de fevereiro, como informou a assessoria, continua na situação de vereador “fantasma” na folha de pagamento por nove dias.

Mas até a licença de Jungmann do cargo de vereador é polêmica. Alguns juristas consideram que, se o parlamentar optou por exercer o mandato federal, deveria renunciar ao de vereador em vez de apenas licenciar-se. Há quem defenda que, ainda que não receba salários, ele continuará acumulando dois cargos. Seria interessante saber porque Jungmann prefere continuar vereador, mas ser deputado e não seguir a Constituição à risca.

Segundo a assessoria do polivalente parlamentar, a Câmara Municipal lhe deu um parecer jurídico favorável à licença, que foi aceito pela Câmara dos Deputados, alegando ser ele suplente e não titular do mandato federal. Disse ainda que “essa mesma decisão já foi tomada em situações semelhantes, em outros lugares, como São Paulo”. É mais do mesmo e mais uma vez. Pode ser até legal, mas importaria debater se é ou não imoral, especialmente vindo de quem chega se dizendo mais um arauto do combate à corrupção.

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Lembrança

Só pra recordar, em 2011 o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na época no DEM, arrumou uma ocupação para Jungmann na administração paulistana.

Apesar de residir em Recife e estar frequentemente em Brasília, Jungmann não viu problemas em ser nomeado para o Conselho de Administração da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) , que monitora e organiza o trânsito em São Paulo, com salário mensal de módicos R$ 12 mil

Corregedoria da PM continua tentando confundir investigação sobre a chacina 29

Relato de briga de casal ajudou a prender PMs suspeitos por chacina

Zanone Fraissat/Folhapress
Um dos suspeitos é levado para a sede do DHPP, na região central de São Paulo
Um dos suspeitos é levado para a sede do DHPP, na região central de São Paulo

ROGÉRIO PAGNAN
LUCAS FERRAZ
DE SÃO PAULO

Uma briga de casal em Osasco, na Grande São Paulo, despertou o interesse de um vizinho, que registrou os detalhes da confusão ao lado.

A mulher, aos gritos, xingava o marido, um policial militar conhecido no bairro. Ela o havia identificado, a partir das roupas, nas imagens divulgadas na TV desde o dia 13 de agosto como um dos executores daquela que seria a maior chacina do ano no Estado de São Paulo.

As informações, repassadas à própria polícia pelo indiscreto ouvinte, que se transformou em uma testemunha protegida da investigação, ajudaram a prender nesta quinta-feira (8) os PMs suspeitos de envolvimento nos assassinatos em série, realizados há quase dois meses.

Foram presos pela suspeita de participar da chacina sete policias militares (dois deles em flagrante por porte ilegal de armas) e um guarda civil de Barueri (Grande SP).

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) também confirmou que os crimes, uma vingança aos assassinatos de um PM e um guarda civil na região de Osasco, começaram a ser executados dias antes, e não em 13 de agosto, quando foram mortas 19 pessoas.

Conforme a Folha revelou há duas semanas, a força-tarefa –formada pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil– que investiga a chacina trabalhava com a hipótese de que um mesmo grupo matou um total de 32 pessoas.

As mortes ocorreram em municípios da região metropolitana como Osasco, Barueri, Carapicuíba, Itapevi e Santana do Parnaíba.

Segundo o secretário de Segurança Pública do governo paulista, Alexandre de Moraes, os PMs queriam vingança e mataram 23 inocentes –ele disse que a força-tarefa ainda está investigando se o número de mortos chega a 32.

“Não temos dúvida de que a motivação dessas mortes foi uma junção de vingança da morte do policial e do guarda municipal. Nenhuma das 23 vítimas tinha qualquer relação [com o caso]”, afirmou.

O corregedor da PM, Levi Félix, disse que ainda não é possível precisar quantos agentes de segurança do Estado participaram dos crimes.

“Não há prova determinante da participação de qualquer um desses suspeitos. Os indícios decorrem de uma análise conjuntural. Cada mínimo detalhe, cada contradição, detalhe do álibi que não foi confirmado, serviu para convicção”, disse Félix.

Até as prisões desta quinta, a investigação da chacina foi marcada por divisões internas entre as polícias Civil e Militar e pela ausência de provas contundentes que levassem aos autores do crime.

Contando com o soldado da Rota Fabrício Emmanuel Eleutério, 30, detido desde agosto, são nove os agentes de segurança presos pela suspeita de realizar a chacina.

Como o processo está em sigilo, não foram divulgados os nomes dos PMs, o que impossibilitou localizar os respectivos advogados.

A mulher de um dos presos, localizada pela Folha, disse que a polícia estava fazendo o seu trabalho: “Não há o que falar, não foi meu marido. Infelizmente ele trabalhava no local onde aconteceram aquelas coisas”.

Ao todo, foram autorizados pela Justiça Militar e pela Justiça Comum de Osasco o cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão em 36 pontos diferentes da Grande SP. Além de armas, foram apreendidos capacetes e celulares.

Nesta quinta-feira, também foram presos três outros PMs acusados de alterar a cena de uma chacina em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em 19 de setembro, que deixou quatro jovens mortos. Eles foram assassinados de madrugada na porta da pizzaria onde trabalhavam.

SÓ UM DETIDO

Das oito pessoas presas pela força-tarefa sob suspeita de participação na chacina de agosto nesta quinta –seis por determinação da Justiça e duas em flagrante–, apenas uma estava na lista dos 19 suspeitos apresentada pela Corregedoria da PM ainda em agosto.

O único policial que figurava naquela lista, segundo a Folha apurou, é o sargento Edilson Camargo Sant’Ana, colega de trabalho do policial morto em um assalto em Osasco, no dia 7 de agosto, um dia antes do início da série de mortes. Sua mulher, localizada pela reportagem, disse que o marido é vítima de uma série de “mentiras”.

Ficaram de fora das buscas realizadas nesta quinta os sete policiais de Osasco que foram a um bar na noite do crime e, segundo a própria PM dizia, poderiam ter ido comemorar as mortes ocorridas no dia 13.

Segundo o corregedor da PM, coronel Levi Anastácio Félix, que também participou do anúncio das prisões dos policiais nesta quinta, nada foi provado contra eles e seus comandantes.

Todos os 19 suspeitos –18 PMs e um segurança particular– foram alvos de busca e apreensão numa ação isolada da PM que atropelou a força-tarefa liderada pela Polícia Civil.

A diretora do DHPP (divisão de homicídios), Elisabete Sato, admitiu, ao lado de Félix, que essa ação casou mal-estar entre as instituições. “Na época, fiquei um pouco estressada. Depois, nós conversamos bastante e, hoje, não existe rusga”.

Colaboraram THIAGO AMÂNCIO, FERNANDA ATHAS e SIDNEY GONÇALVES DO CARMO

O QUE PESA PARA A PRISÃO

  • Reconhecimento de imagens por testemunhas e depoimentos
  • Ligações telefônicas e mensagens suspeitas
  • Denúncias anônimas
  • Numeração de lotes de munição
  • Celulares desligados antes do início dos crimes

*

CRONOLOGIA

Sexta – 7.ago Cabo da PM Ademílson Oliveira, 42, é morto em assalto em Osasco

Sábado – 8.ago Três rapazes são mortos em Itapevi; uma pessoa é morta em Carapicuíba; cinco homens são assassinados em Osasco

Domingo – 9.ago Assassinato de outro homem, em Osasco

Segunda – 10.ago Um homem é assassinado em Carapicuíba

Quarta – 12.ago Guarda civil Jefferson Luiz da Silva, 40, é morto em assalto em Barueri

Quinta – 13.ago Um homem é morto em Itapevi; chacina em Osasco e Barueri com 19 mortes

Sábado – 22.ago Prisão administrativa do soldado da PM Fabrício Emmanuel Eleutério, 30

Sábado – 19.set Quatro adolescente são mortos a tiros em Carapicuíba

Quinta – 8 out. Dez policiais militares e um guarda municipal suspeitos de participar em chacinas são presos

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.‏

Audiências de custódia registram ao menos 473 relatos de violência policial 16

SOB INVESTIGAÇÃO

Fonte: CONJUR

Ao menos 473 supostos casos de tortura e outros tipos de violência policial foram relatados em cinco capitais do país por pessoas autuadas em flagrante e ouvidas nas chamadas audiências de custódia, que examinam prisões em até 24 horas. O levantamento foi divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça, com base em informações de defensorias públicas e tribunais de Justiça de São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Segundo o CNJ, que desde fevereiro tem “vendido” o modelo para os tribunais, todos os relatos estão sendo investigados em seus locais de origem. O objetivo das audiências é avaliar se as prisões podem ser substituídas por outras medidas e se cada preso tem sua integridade física preservada.

São Paulo registrou o maior número de denúncias de presos. Foram 277 em um total de 9.532 pessoas atendidas na capital entre fevereiro e setembro. A maioria dos depoimentos apontou violência promovida por policiais militares (220), seguidos por agentes da Polícia Civil (45) e guardas-civis metropolitanos (12). As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público, à Defensoria Pública e às corregedorias dos três órgãos de Segurança Pública.

Nas 1.600 audiências de custódia do Espírito Santo, houve 24 apontamentos de violência envolvendo policiais desde maio. Em Minas Gerais, onde o projeto do CNJ foi implantado em agosto, foram registradas 958 audiências e 73 denúncias de agressão policial até 29 de setembro.

Presos também denunciaram agressões no Rio Grande do Sul (88) e em Santa Catarina (11), onde o relato foi dado já no lançamento da medida, com a presença do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski.

O CNJ ainda não tem dados sobre outros 20 estados onde o projeto é executado. De acordo com Lewandowski, o conselho estuda uma resolução para uniformizar os procedimentos a serem adotados pela magistratura diante de denúncias de tortura e outras formas de maus-tratos aos presos.

Para o coordenador do departamento de fiscalização do sistema carcerário do CNJ, juiz Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, “a experiência com as audiências de custódia está servindo para desnudar uma realidade subterrânea e que não alcançava visibilidade formal e institucional, que é a violência decorrente de atos e procedimentos adotados pelo aparato de segurança pública do Estado”.

Com informações da Agência CNJ de Notícias

PM à paisana baleado ao tentar impedir roubo será indenizado pela Caixa 2

DANOS ESTÉTICOS

Policial à paisana baleado ao tentar impedir roubo será indenizado pela Caixa

8 de outubro de 2015, 9h16

Transportar valores de forma segura e que não cause risco a outras pessoas é uma obrigação dos bancos, seja esse transporte feito de forma eletrônica, por carros ou até mesmo a pé. Por não ter proporcionado essa segurança, a Caixa Econômica Federal terá que indenizar por danos materiais, morais e estéticos um policial militar que estava à paisana e de folga e foi baleado ao tentar evitar o assalto a um funcionário da instituição que carregava R$ 50 mil a pé pela cidade de Tupã, no interior de São Paulo.

Segundo a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, o banco deve ser responsabilizado objetivamente pelos danos sofridos ao militar pelo fato ter decorrido da atividade desenvolvida pela instituição financeira, mesmo fora das dependências da agência.

O caso aconteceu no dia 10 de setembro de 2011: um funcionário realizava o transporte, a pé e sem segurança, de R$ 50 mil, de agência da Caixa até uma do Banco do Brasil, quando foi abordado por um assaltante, que tentou roubar o dinheiro. O policial militar à paisana, que passava pelo local, interveio para interromper o crime. Porém, o assaltante conseguiu pegar o dinheiro e disparou vários tiros, que atingiram o policial, causando-lhe lesões corporais gravíssimas.

Para o relator do processo no TRF-3, desembargador federal Hélio Nogueira, apesar de fora da agência, o crime ocorreu em razão do transporte de valores, operação bancária típica. Desse modo, a Caixa deve ser responsabilizada pelo evento. Ele acrescentou que o transporte da quantia foi efetuado por apenas um funcionário da instituição financeira, sem a utilização de qualquer veículo.

A sentença fixou os danos morais em metade do valor arbitrado na ação, correspondente a 400 salários mínimos vigentes ao tempo do evento danoso, equivalentes a R$ 72 mil. Os danos estéticos foram arbitrados, cumulativamente, no mesmo montante.

Segurança sonegada
A legislação sobre a segurança para estabelecimentos financeiros, Lei 7.101/1983, determina que a vigilância ostensiva e o transporte de valores devem ser executados por empresa especializada contratada ou pelo próprio estabelecimento financeiro. O serviço deve ser organizado e preparado com pessoal próprio e aprovado em curso de formação de vigilante autorizado pelo Ministério da Justiça.

“No presente caso, nem o funcionário que transportava o dinheiro possuía aprovação em curso de formação de vigilante nem foi utilizado veículo especial para o transporte do numerário”, salientou Nogueira.

De acordo com a decisão, ao transportar valores sem a observância das cautelas legais, o banco assumiu o risco da atividade e prestou serviço defeituoso. Segundo o magistrado, o desrespeito às normas de segurança e a ineficiência dos métodos empregados pela CEF resultaram em risco aos cidadãos que passavam pelo local. Também resultou em graves danos ao autor da ação que sofreu lesão corporal gravíssima, ficando definitivamente incapacitado para atividades habituais.

“É dever da instituição financeira a segurança em relação ao público em geral, nos termos da Lei 7.102/1983, o qual não pode ser afastado por fato doloso de terceiro (roubo), não comportamento acolhimento a alegação de força maior ou caso fortuito. Desse modo, encontrando-se o roubo inserido no risco do empreendimento desenvolvido pela ré, o banco deve ser responsabilizado objetivamente pelos danos sofridos por terceiros, independentemente de o fato ocorrer no interior da agência bancária ou fora das suas dependências, como no caso em análise, desde que decorra da atividade desenvolvida pela instituição financeira”, afirmou.

A decisão ratificou as indenizações por dano material, moral e estético da sentença de primeiro grau. O magistrado confirmou ser devida a pensão vitalícia em favor do policial, já que ele ficou impossibilitado de retornar ao trabalho. O montante a ser pago corresponde ao salário que recebia em virtude da profissão de policial militar, inclusive 13º salário, atualizado. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-3.

Apelação Cível 0000049-76.2006.4.03.6122/SP

PMs queriam vingança e mataram 23 inocentes na Grande SP, diz secretário 9

Wellington Ramalhoso
Do UOL, em São Paulo

08/10/201519h21

  • Fernando Nascimento/Brazil Photo Press/Folhapress

    Alexandre de Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo

    Alexandre de Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo

A investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo aponta que pelo menos nove agentes de segurança — oito PMs e um guarda civil — se envolveram com as mortes de 23 pessoas em Osasco, Barueri, Carapicuíba e Itapevi, na Grande São Paulo, entre os dias 8 e 13 de agosto. Além disso, também são acusados de mais sete tentativas de homicídio. O motivo da matança seria a vingança pelos assassinatos de um PM e de um guarda civil da Barueri. No entanto, as vítimas não tiveram nenhuma relação com essas mortes.

“Todos eram inocentes. Nenhuma das vítimas tinha relação com a morte do PM e do guarda civill”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. O corregedor da PM, Levi Félix, reconheceu que a inocência das vítimas torna os crimes ainda mais cruéis.

Um dos policiais militares presos já é réu acusado de participar de uma chacina na região em 2013. Moraes afirmou que pensa em fazer mudanças no comando da PM em Osasco.

Todos os PMs presos serão indiciados. No total, 11 pessoas foram presas na operação realizada nesta quinta-feira (8): dez pms (dois por porte ilegal de armas) e um guarda.

A apuração continuará, e o corregedor Félix disse que outros PMs podem ser presos. “Não dá para precisar quantas pessoas estão envolvidas nos crimes”. Félix e a diretora do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa), Elisabete Sato, ressaltaram a dificuldade de investigar o caso. Segundo Félix, os envolvidos “deixaram poucos rastros”.

Exames de balística foram fundamentais para identificar o uso de determinadas armas em mais de um local onde foram praticados os homicídios.

Razões contra o Ciclo Completo da Polícia Militar: Por um modelo de Polícia unificada e desmilitarizada 149

comunicado

Está em plena execução um movimento que busca instituir no Brasil o denominado Ciclo Completo da Polícia Militar.

A proposta é capitaneada especialmente pelos oficiais das Polícias Militares, os quais entendem que a Polícia Militar deve realizar as funções das Polícias Civis, ou seja, presidirem investigações criminais de civis, por crime comum, e ainda realizarem a lavratura de autos de prisão em flagrante e de termos circunstanciados.

Essa pretensão encontra-se em gestação em Propostas de Emenda à Constituição, notadamente nas PECs 423/2014, 431/2014 e 127/2015.
Essas propostas tramitam em conjunto com outras que tratam da desmilitarização das Polícias Militares e da criação de uma polícia única estadual, de natureza civil, a partir da unificação das Polícias Civil e Militar (PEC 430/2009, 432/2009).

As propostas que tratam de polícia estadual unificada e desmilitarizada não são de interesse dos oficiais das Polícias Militares, pois acabariam com sistema que apenas privilegia o oficialato em detrimento das praças e da sociedade.

O relator de todas as propostas é o Deputado Raul Jungmann, do Partido Popular Socialista de Pernambuco (PPS/PE), o qual, mesmo indo contra os ideais de seu partido, já demonstrou o claro intuito de atender exclusivamente as propostas de conceder às Polícias Militares todo o poder de investigação criminal, mesmo de civis, e não admitir as demais PECs.

Assim, a fim de esclarecer e rechaçar os argumentos que vêm sendo implantados na sociedade e junto aos formadores de opinião em geral, passamos a expor alguns argumentos que comprovam o risco e a inconveniência de se dotar a Polícia Militar de poderes investigatórios plenos para presidir inquéritos policiais e para proceder à lavratura de Autos de Prisão em Flagrante.

Em primeiro lugar, é assombroso o número de crimes no Brasil, situação provocada em grande parte por graves falhas na prevenção. A atividade de policiamento preventivo no Brasil ainda encontra-se em patamares provincianos, semelhantes àqueles que se vê em países como Honduras, onde estão os maiores índices de homicídios do mundo.

Isso provoca uma sobrecarga nas Polícias Civis, que ficam inviabilizadas de dar cabo do elevado número de infrações penais provocadas por falha na prevenção.

Diante da falência do sistema de prevenção e de sua incapacidade em dar conta de sua própria tarefa, a Polícia Militar passa agora a avançar sobre as funções de investigação criminal, de incumbência das Polícias Judiciárias.

Ainda que tivéssemos policias ostensivas que cumprissem com seu dever de prevenir e evitar o número assombroso de crimes que assola o país, ainda assim não seria razoável ou constitucionalmente viável impor à sociedade um modelo de investigação militar de civis por várias outras razões.

Autorizar a Polícia Militar a fazer investigações criminais, fora dos casos de crimes militares, representa um retrocesso de décadas em matéria de direitos humanos, que vai de encontro aos princípios da cidadania e da dignidade da pessoa humana, insculpidos no art. 1º da Constituição Federal.

Não por acaso, a ONU já se pronunciou a favor da desmilitarização das Polícias Militares brasileiras, e pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública demonstra que mais de 70% (setenta por cento) dos policiais, incluindo militares, são a favor da desmilitarização das Polícias Militares.

Nesse diapasão, vale destacar que entidades representativas de classes das praças são contra o Ciclo Completo da PM e a favor da desmilitarização, pois entendem que são propostas que fortalecem apenas a classe dos oficiais, que em regra não estão nas ruas exercendo as atividades própria de policiamento ostensivo e preventivo.

Por exemplo, vale mencionar a Associação das Praças Policiais Militares da Ativa e Reformados do Estado de São Paulo – APPMARESP, que possui várias manifestações nesse sentido disponíveis no site: http://www.appmaresp.com/news/ciclo-completo-de-policia-a-quem-interessa/
Ainda que fosse possível superar tais incongruências, a investigação de civis por militares implica dizer que cidadãos, em pleno exercício de seus direitos civis e políticos, serão levados para quartéis e batalhões, onde serão autuados e permanecerão detidos.
Vale lembrar que as unidades militares não são locais propensos ao exercício de direitos, haja vista serem aquarteladas e se submeterem a regramentos castrenses, em que se cerceia até o acesso às suas instalações, que dizer então em exercer direitos constitucionalmente assegurados no interior dessas estruturas.

Para elucidar, estima-se que 71% (setenta e um por cento) dos conduzidos por policiais militares até as delegacias de polícia de todo país correspondem a detenções ilegais ou desnecessárias.

Isso demonstra a importância do delegado de polícia no controle de legalidade das prisões realizadas pela Polícia Militar, evitando um considerável número de prisões ilegais e arbitrárias.

Afinal, não é sem razão que desde o Código Processual Penal do Império que toda pessoa presa deveria ser levada perante o juiz de paz ou Chefe de Polícia e seus delegados, pois a garantia do cidadão deve vir antes de mirabolantes “métodos de policiamento completos”.
Aliás, caso o modelo militarizado fosse o mais adequado, a Polícia Federal adotaria esse modelo altamente criticado e de questionável legitimidade. Contudo, a Polícia Federal é civil.

Não se olvida que a Polícia Federal foi dirigida por militares no passado, porém evoluiu consideravelmente, tornando-se um referencial em termos de eficiência e também de respeito à cidadania, sendo importante registar que hoje a lei impõe a direção da instituição por delegados de polícia federal, de natureza civil.

Na medida em que se avança no aperfeiçoamento das estruturas sociais, vem se demonstrando que o regime democrático somente deve se valer de estruturas militares em situações restritas e excepcionais, o que se sobreleva em importância quando se trata de instituição policial.
A militarização da segurança pública, notadamente das investigações criminais, criará uma duplicidade de regime jurídico, em que alguns serão investigados por órgãos civis, enquanto outros serão submetidos a processo de investigação diferenciado, trazendo insegurança jurídica e limitações ao pleno exercício do direito de defesa.

Por isso, não se pode admitir a submissão de um cidadão a uma investigação militar em razão de crime comum, visto que isso limita até mesmo o exercício do direito de se contrapor a eventuais atos ilegais praticados pelo policial militar, que não se sujeitará ao mesmo regime jurídico aplicável aos demais cidadãos e servidores da segurança pública.

Por outro lado, não se olvida que, para a Polícia Militar realizar investigações criminais, ela terá que retirar policiais das ruas para que passem a exercer essa outra atividade.

Para contrapor esta constatação, terão que criar mais cargos de policiais militares, contratar mais pessoas e inchar as já robustas fileiras militares, instituindo um novo modelo de federalismo militarizado.

Não se olvida ainda que terão que criar cartórios e estruturas para realização de investigações criminais, onerando ainda mais os Estados, para o exercício de uma atividade para a qual já existe um órgão específico e qualificado, que historicamente foi esquecido em razão de políticas de segurança pública equivocadas e eleitoreiras.

Ademais, não são apenas essas as razões que desaconselham a institucionalização de um sistema militar de investigação de civis.
Quando se fala de ciclo completo, não se pode perder de vista que a União e os Estados já exercem ciclo completo de policiamento. No caso da União, a Polícia Federal, que é de natureza civil, exercem funções preventivas e repressivas.

Os Estados, por sua vez, por concentrarem o maior número de infrações penais, especializam as funções de prevenção e repressão. Todavia, bom repetir, todas as funções são de titularidade do Estado, cujo chefe maior na hierarquia das instituições policiais é o Governador.
Por essa razão, não procedem as alegações de que se tratam de duas polícias incompletas, visto que se trata de especialização de funções, cujo titular é o mesmo – o Estado, que detém o ciclo completo de policiamento no âmbito de seu território.

Da mesma forma, não se sustenta a alegação de que seria necessário o ciclo completo pela Polícia Militar porque não existem delegacias de polícia em todos os municípios brasileiros.

De fato, não existem delegacias em todos os Municípios, bem como não existem juízes e promotores, o que não autoriza a usurpação das funções constitucionais de outros órgãos pela Polícia Militar.

Dessa forma, o que se nota é o oportunismo diante de uma situação provocada pelo equívoco e pela omissão de muitos governantes que decidiram, como política de segurança pública, investir em grandes efetivos militares nas ruas como forma de gerar uma falsa sensação de segurança para somar votos, a despeito de investir nas polícias investigativas.

Não resta dúvida de que essa política de segurança se mostrou falida, pois foi incapaz de prevenir os crimes, razão pela qual não nos surpreende a intenção da Polícia Militar de avançar sobre a atividade que pode fazer a diferença em matéria de segurança pública – a polícia judiciária.

Aproveita-se da omissão, do descaso e do desrespeito para com a Polícia Civil para tentar retirar-lhe o que restou de ar para viver, com a pretensão de retirar-lhe as funções.

Não resta dúvida de que a proposta de Ciclo Completo da PM não trará benefício algum à sociedade, havendo medidas mais urgentes e importantes, como a proposta de desmilitarização das Polícias Militares, bem como a destinação obrigatória e vinculada de recursos para melhoria de condições das Polícias Judiciárias Civil e Federal, não se admitindo a usurpação de suas funções.

Por fim, a única discussão possível no que tange à reforma dos órgãos de segurança pública – mesmo sabendo que as causas da violência e insegurança são outras – passa pela desmilitarização e unificação em polícias únicas estaduais, de natureza civil, sendo esta a única possibilidade de se falar em ciclo completo.

Aos que resistem à ideia de uma polícia unificada de natureza civil, bom saber que conceder o ciclo completo para a Polícia Militar será pior, pois instituirá uma polícia única estadual militar, pois não há dúvida de que a necessidade de aumentar o efetivo militar para dar conta das novas atribuições representará a aniquilação das Polícias Civis e a instituição de um novo modelo de “estado federado militarizado”, colocando sobre a cabeça de cada Governador uma verdadeira espada de Dâmocles.

A propósito, é intrigante o fato de a palavra mais utilizada por muitos gestores da segurança pública ser “integração”, quando a prática e os movimentos políticos tendem à maximização das divergências e do isolamento entre as instituições, como parece ficar claro por parte dos defensores de uma Polícia Militar com superpoderes.

Afinal, não existe melhor forma de integrar que unir.

Forte nessas razões, não temos dúvida que o caminho da segurança pública passa pela civilização das polícias.

FÓRUM NACIONAL DAS ENTIDADES DE DELEGADOS DE POLÍCIA – FONAED