Manobra da gestão Alckmin diminui número de homicídios em SP 85

ROGÉRIO PAGNAN
LUCAS FERRAZ
DE SÃO PAULO

09/11/2015 02h00

Uma manobra estatística do governo Geraldo Alckmin (PSDB) ampliou a queda dos homicídios em São Paulo.

A redução dessas ocorrências em patamares recordes neste ano tem sido usada como bandeira do secretário Alexandre de Moraes (Segurança Pública), cotado para disputar a prefeitura da capital paulista nas eleições de 2016.

A mudança de metodologia começou em abril, sem divulgação, quando a gestão tucana passou a excluir das estatísticas de homicídios dolosos as mortes cometidas por PMs de folga em legítima defesa.

A estratégia permitiu ao Estado retirar, em apenas seis meses, 102 mortes das estatísticas oficiais de homicídios —equivalentes a mais de cinco chacinas como a registrada no dia 13 de agosto em Osasco e Barueri (Grande SP).

Os casos de assassinatos em São Paulo continuam em queda este ano, mas a revisão dos dados mostra que ela é bem mais tímida do que a das divulgações do governo.

No período de seis meses em que houve a mudança de metodologia, os números divulgados pela gestão Alckmin apontam diminuição de 16,3% dos homicídios na capital e 13,2% no Estado em relação ao mesmo período de 2014.

Na prática, no entanto, considerando os critérios adotados nos últimos dez anos, essa queda é de 6,7% e 8,1%, respectivamente.

A publicidade oficial também diz que, em setembro, pela primeira vez desde 2001, a taxa de homicídios no Estado ficou em 9,1 casos por grupo de 100 mil habitantes.

Mas isso só foi possível porque foram retiradas das estatísticas deste ano as mortes por PMs em horário de folga. O índice real foi de 9,4, já atingido antes, em julho.

O governo defende os critérios adotados e afirma seguir “metodologia internacional” —não explica qual. Diz considerar que os critérios estão explicados em um asterisco colocado em uma tabela.

Taxa de homicídios – Por 100 mil habitantes no Estado

A comparação com os números dos últimos dez anos, porém, fica contaminada, levando a uma queda artificial dos homicídios em 2015 -já que os anos anteriores incluem mortes de PMs de folga em legítima defesa.

‘IRRESPONSABILIDADE’

Pelo novo critério adotado, se um PM de folga matar alguém ao reagir a um roubo, esse caso não é mais contabilizado como homicídio. Com isso, a gestão Alckmin passou a classificar essa ação em separado, assim como na chamada “morte em intervenção policial” em serviço.

Se um cidadão comum matar alguém em reação a um assalto, daí não há mudança —esse caso continua sendo classificado como homicídio.

Para a pesquisadora Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é preciso uma alteração em toda a série histórica para poder voltar a comparar os casos de homicídios.

“Quando muda uma metodologia que impacta não só nos indicadores de letalidade policial como nos homicídios, é preciso explicitar isso ao público. Então, isso foi absolutamente negativo. Diria até que foi uma irresponsabilidade da Secretaria da Segurança. Porque induz a erro. Se eles falam em transparência, isso não foi nada transparente”, afirma.

A mudança de metodologia foi detectada por Samira ao analisar, a pedido da Folha, os dados de letalidade policial omitidos pelo governo. A pesquisadora é uma das principais especialistas do país em estatísticas de violência.

O secretário Alexandre de Moraes diz que a queda de homicídios é “consequência da eficácia do trabalho policial”.

Ele tem neste ano adotado uma iniciativa criticada por especialistas, ao fatiar a divulgação -feita antes de uma só vez e completa- e antecipar alguns números positivos.

OUTRO LADO

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que a mudança nas regras de contagem de homicídios dolosos e letalidade policial segue “metodologia internacional”.

O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse, em nota, que a alteração dos critérios partiu da Corregedoria da Polícia Militar, padronizando sua publicação com a Polícia Civil —que já excluiria dos homicídios as mortes de agentes de folga em legítima defesa.

Os dados envolvendo policiais civis, porém, pouco interferem nas estatísticas gerais —em agosto, por exemplo, não foi registrado nenhum caso no Estado inteiro, contra 22 envolvendo PMs.

Questionado sobre por que divulga comparações de estatísticas com critérios diferentes, que levam à redução artificial dos homicídios, Moraes não deu resposta direta —limitou-se a negar alterações de contabilidade.

Ele afirma ainda que as mortes cometidas por PMs que não sejam em legítima defesa, como chacinas, continuam classificadas nas estatísticas de homicídio.

Moraes também argumenta que a metodologia adotada a partir de abril consta de um “asterisco” em tabela de dados criminais —embora a mudança não esteja informada em comunicados oficiais.

O secretário de Alckmin diz que a decisão de mudar a metodologia foi correta porque, para ele, um homicídio com “excludente de ilicitude” (legítima defesa, por exemplo) deixa de ser homicídio.

“Trata-se de metodologia internacional, adotada tanto pelo direito penal brasileiro quanto pelo direito comparado, onde o crime de homicídio somente existirá se a conduta for típica e ilícita”, diz.

Ele continua. “O fato típico (art. 121 – matar alguém) deixa de ser homicídio quando presente alguma das excludentes de ilicitude. Absolutamente todas as democracias ocidentais utilizam essa metodologia no sistema penal.”

Os especialistas em segurança pública Luís Flávio Sapori, professor da PUC-MG, e Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dizem desconhecer outro lugar do mundo em que a polícia contabilize homicídios com a nova metodologia adotada pelo Estado de São Paulo. “É uma idiossincrasia paulista”, afirma Sapori.

Moraes criticou os questionamentos feitos pela Folha. “Dessa forma, nos parece que aqueles que realizaram as indagações não entenderam até o presente momento a metodologia internacional, pois não podemos acreditar que haja leviandade e má fé em insinuação de manipulação de números e na continuidade de confusão entre homicídios dolosos e letalidade policial”, afirma, em nota.

Os questionamentos foram encaminhados ao secretário após, em 26 de outubro, ele declarar que havia feito mudanças na contagem de letalidade da polícia paulista para aperfeiçoar e abarcar dados desprezados anteriormente.

“A mudança foi para deixar muito mais transparente, para auxiliar no combate à letalidade em serviço e fora de serviço. […] Aqui é transparência total”, disse na época.

Colaborou MARCELO SOARES, de São Paulo

60% dos paulistanos têm medo da PM, aponta Datafolha 133

LUCAS FERRAZ
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

06/11/2015 02h00

As polícias Civil e Militar despertam mais medo do que confiança na maioria dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha.

A desconfiança com os policiais, registrada em levantamento da semana passada na capital, representa uma piora em relação à pesquisa anterior, de junho de 2013.

Os números do Datafolha evidenciam o atual momento de desgaste na imagem das polícias, sobretudo a PM, que tem alguns de seus integrantes sob suspeita de participação em crimes como a chacina que, em agosto, deixou pelo menos 23 mortos em cidades da Grande São Paulo.

Atualmente, 60% dos paulistanos têm mais medo do que confiança na PM –eram 50% na pesquisa anterior, há dois anos, em meio às manifestações que tomaram as ruas de São Paulo pela redução da tarifa do transporte público e acabaram em confronto com policiais militares.

Infográfico: Medo x confiança na PMhttp://arte.folha.uol.com.br/graficos/P5Udt/?

Além das chacinas, crimes como o assassinato à queima roupa por PMs de dois jovens que já estavam rendidos na zona oeste da capital, em setembro, podem ter contribuído na piora da avaliação.

O atual índice, contudo, é menor do que a desaprovação histórica (74%) verificada pelo Datafolha no primeiro semestre de 1997, quando o caso da Favela Naval, em Diadema (SP), ganhou repercussão nacional com imagens de policiais militares espancando, extorquindo e assassinando moradores do local.

Em relação à Polícia Civil, a imagem não é muito melhor: 55% dos entrevistados disseram temer os integrantes da corporação, o pior índice em 20 anos.

Infográfico: Medo x confiança na Polícia Civilhttp://arte.folha.uol.com.br/graficos/7qrry/?

O temor às polícias Civil e Militar é generalizado entre os paulistanos, não importando a região da cidade onde eles vivem, o sexo e a faixa de renda. O quadro de desconfiança se mantém entre os mais escolarizados.

Quanto mais velho o entrevistado é, contudo, maior a confiança nos policiais.

Para quase um terço dos paulistanos, o medo provocado pelos policiais é igual ao dos bandidos. Entre os entrevistados, 49% disseram temer mais os bandidos, enquanto 21% responderam sentir mais medo dos policiais. Esse índice tem se mostrado estável desde o final da década de 1990.

Infográfico: Medo da polícia x dos bandidoshttp://arte.folha.uol.com.br/graficos/2h3Q8/?

Para especialistas, levará tempo para que a população mude sua percepção em relação às polícias. O principal caminho, dizem, é investir na formação de quadros mais qualificados nas corporações.

Segundo o sociólogo Álvaro Gullo, da USP (Universidade de São Paulo), a má imagem das polícias vem desde o final dos anos 1980, após a redemocratização do país.

“O problema básico é que falta treinamento adequado e preparação psicológica. A Polícia Militar é vista como violenta, a Polícia Civil, como corrupta”, disse.

O deputado Delegado Olim (PP), presidente da comissão de Segurança da Assembleia Legislativa de São Paulo, diz que, como delegado há 23 anos, vê com tristeza os números sobre desconfiança e medo da população.

Para ele, esse quadro só poderia ser revertido com muito trabalho.

“Mas está difícil isso, porque até as polícias estão brigando. Como vão mostrar um belo trabalho se as duas estão se matando?, indaga.

O deputado se refere a uma proposta em discussão na Câmara dos Deputados que pretende dar à PM a atribuição de investigar crimes, hoje exclusividade das polícias civis e federal. Os delegados são contrários a essa mudança.

Viatura Discovery do cel. PM comandante do CPI 4 – Bauru 66

CICLO COMPLETO PM com requintes de crueldade 40

        O 4º Tribunal do Júri da Capital condenou ontem (4) seis policiais militares a penas que variam de 14 a 18 anos de reclusão, acusados de homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e envenenamento. Segundo a denúncia, em novembro de 2008 dois jovens foram abordados pelos PMs, que os obrigaram a beber solvente. Um morreu e o outro conseguiu se salvar após fingir ter ingerido o líquido.

        “Dois dos réus praticaram crimes mais graves, por ação e não omissão como os demais. Por isso os efeitos da condenação com relação a eles devem ser diferenciados”, diz a sentença proferida pela juíza Liza Livingston. Um deles foi condenado a 18 anos de reclusão, 1 ano e 1 mês de detenção e ao pagamento de 60 dias-multa, e o outro a 18 anos de reclusão, 1 ano de detenção e 40 dias-multa.

        “A ordem dos réus para que as vítimas ingerissem substância entorpecente revelou total falta de compaixão e sensibilidade. Mesmo sabendo que se tratavam de vítimas primárias, de 18 e 19 anos de idade, decidiram impor-lhes sofrimento atroz por ingestão de tricoletileno. Agiram com crueldade e de forma ilegal, deixando de efetuar a prisão para dar vazão aos instintos agressivos”, afirmou a magistrada, que decretou ainda a perda do cargo de ambos.

        Os outros quatro policiais militares envolvidos foram condenados à pena de 14 anos de reclusão, 6 meses de detenção e 20 dias-multa. A pena privativa de liberdade será cumprida inicialmente em regime fechado.

        Comunicação Social TJSP – RP (texto) / AC (foto)
imprensatj@tjsp.jus.br

Perícia policial de SP tem déficit de 40% no quadro de funcionários 64

Com defasagem, polícia científica não entregou 112 mil laudos em 2015.
Equipes cobrem áreas que podem ter até 100 km de uma ponta a outra.

Will SoaresDo G1 São Paulo

Retroescavadeira trabalha em terreno perto da casa de pintor na Zona Sul (Foto: Will Soares/G1)Perícia técnica atua no caso das ossadas encontradas na casa de pintor na Zona Sul (Foto: Will Soares/G1)

A Polícia Técnico-Científica de São Paulo, responsável pelo trabalho de perícia nos crimes ocorridos no estado, tem uma defasagem de 40% em seu quadro total de funcionários, conforme levantamento realizado pelo G1 por meio das últimas informações atualizadas no Portal da Transparência do Governo.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) diz que “a complementação dos efetivos policiais é prioridade do governador Geraldo Alckmin”. A pasta afirmou que a falta de pessoal acontece, principalmente, por conta da Lei Complementar federal 144/14, que antecipou para 65 anos a aposentadoria compulsória das carreiras policiais. (confira a nota abaixo, na íntegra).

Segundo estatísticas do sistema de Gestão de Laudos, de janeiro a setembro de 2015, mais de 112 mil exames, entre clínicos, laboratoriais, criminalísticos e necroscópicos, não tiveram seus laudos expedidos pelos institutos Médico Legal ou de Criminalística. No último trimestre, os órgãos ainda emitiam 56 mil laudos de exames realizados no ano passado.

De acordo com a SSP, seis cargos estão submetidos à Superintendência da Polícia Técnico-Científica. São eles: auxiliar de necropsia, atendente de necrotério, desenhista, fotógrafo, médico-legista e perito. Em todos eles há pelo menos 30% menos funcionários do que o estabelecido como ideal pelo próprio governo do estado.

VEJA O ÍNDICE DE OCUPAÇÃO DOS CARGOS DA POLÍCIA TÉCNICO-CIENTÍFICA DE SP
Cargos Vagas Ativos Déficit
Atendente de Necrotério 523 319 39%
Auxiliar de Necropsia 489 265 46%
Desenhista Técnico-Pericial 253 177 30%
Fotógrafo Técnico-Pericial 844 566 33%
Médico-Legista 774 428 45%
Perito Criminal 1706 1019 40%
Fonte: Portal da Transparência do Governo do Estado de São Paulo

A falta de efetivo é apontada por servidores como um desafio para atender à demanda de um estado em que, só nos nove primeiros meses deste ano, mais de 2,8 mil pessoas foram assassinadas. Além dos casos relacionados a todos os tipos de crime, as equipes também se dividem para atuar em outras situações, como acidentes de trânsito e perícias de informática.

Um dos casos mais alarmantes é o da carreira de médico-legista. Com um dos salários mais altos dentro da instituição, o profissional é o responsável, dentre outras coisas, por realizar autópsias e exames periciais em vivos para apurar lesões corporais ou embriaguez, por exemplo. No cargo, a defasagem atinge 45%. Enquanto o número de médicos fixado por lei é de 774, apenas 428 estavam trabalhando em setembro.

Na carreira de perito, o déficit de funcionários é de 40%. Apenas 1019 das 1706 vagas estavam ocupadas, conforme aponta o último balanço do governo. Para o secretário-geral do Sindicato dos Peritos Criminais de São Paulo (Sinpcresp), Claudemir Rodrigues, a falta de efetivo está diretamente ligada ao atraso dos laudos. Segundo ele, a corregedoria ainda pune quem não consegue se “desdobrar” para entregar os documentos dentro do prazo.

“Com o atual efetivo, os peritos da capital e da região metropolitana precisariam trabalhar uma média de 56h semanais para atender à demanda. Na baixada santista, seriam 78h. A gente sabe que é inviável. O edital prevê 40h, a constituição prevê 40h. A consequência disto é o atraso dos laudos e, algo ainda mais nefasto, que é punir os peritos por isto”, contou Rodrigues.

Não há dúvidas de que temos sobrecarga de trabalho. Atender cerca de 15 locais de crime em um plantão de 12 horas não é nada fácil.”
Fotógrafo da perícia

Já no cargo de fotógrafo técnico-pericial – encarregado de registrar em fotos as ocorrências policiais em qualquer local de crime, com ou sem vítimas -, a situação não é muito diferente: a defasagem é de 33%.

Um destes profissionais, que preferiu não se identificar, relatou as dificuldades que o baixo número de colegas de profissão impõe: “Não há dúvidas de que temos sobrecarga de trabalho. Atender cerca de 15 locais de crime em um plantão de 12 horas não é nada fácil”.

“A área de cobertura das equipes periciais é incompatível com a demanda. No local que eu trabalho, por exemplo, entre os dois extremos da área, há pelo menos 100 km de distância. Se houver dois homicídios ao mesmo tempo, um em cada local, é evidente que a perícia vai demorar, no mínimo, duas horas”, acrescentou ele.

Para o fotógrafo, a falta de pessoal faz com que até os erros da perícia sejam compreensíveis e perdoáveis: “Com mais equipes, haveria melhor distribuição de tarefas e as ocorrências não esperariam tanto tempo pela chegada da perícia. Temos que periciar um local com a maior rapidez possível, já que outras ocorrências estão sempre chegando. Humanamente, é até compreensível se algum vestígio ou indício de autoria não for encontrado”.

Em setembro deste ano, no caso do pintor serial killer da favela Alba, coube a familiares de uma das vítimas achar vestígios e restos mortais na casa do suspeito. A perícia já havia averiguado e liberado a área sem encontrar as evidências. Depois, ao todo, seis corpos foram encontrados no local. Na ocasião, a delegada que investiga o crime defendeu os peritos, a quem classificou como “eficientíssimos”. “Foi feito o que se podia em um final de semana chuvoso e sem nenhuma informação”, disse ela.

Baixas em 2015
Os últimos fotógrafos nomeados foram selecionados após concurso público realizado em 2008. Desde então, nenhum outro profissional foi contratado e o número de profissionais ativos só despenca. Levantamento oficial do governo realizado em dezembro de 2014 e divulgado apenas em abril deste ano, apontou que existiam 599 fotógrafos na ativa. Nove meses depois, o número já caiu para 566.

Desde o início de 2015, a maior baixa, entretanto, também ocorre no quadro de médico-legistas. Mais de 100 médicos foram exonerados ou aposentados desde o começo do ano. Uma queda de aproximadamente 14% no número de especialistas.

A SSP até pretende reforçar o efetivo de médicos por meio de um concurso já em andamento, mas a nomeação não parece ser encarada como urgente: o edital é de 2013 e, até o momento, não houve nenhuma convocação. Além da questão do tempo, o concurso prevê a posse de apenas 140 legistas, enquanto o estado precisa de 436 profissionais.

No caso da carreira de perito, em que a defasagem aumentou em 4% no acumulado dos nove primeiros meses do ano, também há um concurso em andamento. Aberto há dois anos, também não tem previsão de colocar os aprovados na ativa.

De acordo com cronograma divulgado pelo governo, as admissões estão sob análise orçamentária. Por conta da longa espera, os aprovados para perito criaram até uma comissão para pleitear a posse com mais urgência. O grupo pretende realizar uma manifestação na Avenida Paulista, no próximo dia 7, para protestar contra a demora para a nomeação.

“O próprio sindicato dos peritos (Sinpcresp) vai apoiar a manifestação. Eles compraram faixas, bancaram o ato, para apoiar a gente. Para eles está muito complicado também. Estão fazendo umas escalas desumanas. Fizemos um levantamento com eles e alguns peritos estão trabalhando quase 80h por semana”, disse uma representante da comissão.

Sede do Instituto de Criminalística, na Zona Oeste de SP (Foto: Will Soares/G1)Sede do Instituto de Criminalística, na Zona Oeste
de São Paulo (Foto: Will Soares/G1)

Governo regula férias e veda contratações
Em meio à falta de efetivo, o governador Geraldo Alckmin assinou um decreto, publicado na edição de 30 de setembro do Diário Oficial do Estado (DOE), que suspendeu a garantia de férias dos policiais civis do estado. A medida inclui também as carreiras ligadas à perícia.

A determinação revogou, por tempo indeterminado, o artigo 5º, de um decreto de 1986, que proibia a SSP de negar o período de férias aos policiais com a justificativa de absoluta necessidade de serviço. Agora, o governo pode indeferir pedidos de férias caso seja de seu interesse. A secretaria diz que a decisão “permite um melhor planejamento da chefia da polícia”.

Ainda em setembro, o governo paulista também proibiu a admissão e a contratação de pessoal para todas as autarquias e fundações instituídas ou mantidas pelo Estado, como a própria SSP. Segundo Alckmin, a proibição levou em conta o “cenário econômico nacional que exige medidas restritivas no âmbito da administração pública”.

O decreto assinado pelo governador ressaltou, entretanto, que excepcionalmente vai autorizar as contratações caso elas sejam devidamente justificadas pelos dirigentes dos órgãos e aprovadas pelas secretarias de Planejamento e Gestão e da Fazenda.

Outro lado
Veja a nota da secretaria na íntegra sobre o déficit de funcionários:

A complementação dos efetivos policiais é prioridade do governador Geraldo Alckmin, que autorizou em 2013 a realização de novos concursos com o total de vagas então existentes.

O efetivo legal fixado para médicos legistas na SPTC é de 773 cargos.

Em dezembro de 2013, o Governador autorizou a abertura de concurso para o preenchimento dos cargos vagos à época. O número de vagas autorizadas foi de 140.

Esse concurso já foi homologado pelo SSP, em outubro, e encaminhado às Secretarias do Planejamento e Fazenda para o cálculo orçamentário financeiro e, posterior, nomeação e posse.

Com a posse dos novos aprovados, o número de médicos legistas será de 635, ou seja, haverá necessidade de novo concurso para completar as 138 vagas restantes, ou seja, 18% do quadro total.

Em relação aos peritos criminais, o efetivo legal é de 1.706, havendo 1.059 peritos em atividade.

O concurso autorizado em 2013, para completar o efetivo então existente, foi homologado pelo SSP em setembro de 2015, para 447 vagas. Com a posse dos novos peritos, o quadro existente será de 1.506, e haverá necessidade de novo concurso para completar as 220 vagas restantes, ou seja, 12% do quadro total.

A necessidade de complementação de vagas ocorreu, principalmente, pela aprovação da Lei Complementar federal 144/14 que antecipou para 65 anos a aposentadoria compulsória dos membros da SPTC.

A SPTC informa que, entre de abril a setembro de 2015, houve queda de 33% no número de laudos em atraso.

Em relação ao decreto sobre indeferimento de férias, ele permite um melhor planejamento da chefia da Polícia.”

População LGBT poderá usar nome social para fazer BOs em SP 47

Wellington Ramalhoso
Do UOL, em São Paulo

05/11/201512h32

  • Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

    O governador Geraldo Alckmin entre representantes de grupos LGBT em evento no Palácio dos Bandeirantes

    O governador Geraldo Alckmin entre representantes de grupos LGBT em evento no Palácio dos Bandeirantes

Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros poderão, a partir desta quinta-feira (5), incluir o nome social no momento de registrar um boletim de ocorrência em distritos policiais no Estado de São Paulo. No entanto, o nome de registro continua obrigatório. Ao prestar queixa, também será possível apontar a orientação sexual e a identidade de gênero da vítima como motivo presumido de atos de discriminação e agressões.

As duas medidas foram anunciadas na manhã desta quinta-feira pela Secretaria da Segurança Pública. Segundo o secretário Alexandre de Moraes, o objetivo é reduzir a subnotificação de crimes de homofobia e transfobia.

O governador Geraldo Alckmin, que esteve presente ao anúncio, afirmou que 20% dos crimes de homofobia cometidos no Estado de São Paulo são de lesão corporal.

Palestras para futuros policiais

Moraes também anunciou que levará militantes LGBT para dar palestras sobre diversidade sexual nos cursos de formação de policiais civis e militares. A intenção é melhorar o atendimento e a abordagem dos policiais a este público

As medidas foram propostas por um grupo de trabalho criado em 2013 pela secretaria. Outras 11 sugestões do grupo ainda estão em estudo – entre elas a ampliação do efetivo da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).

O secretário comentou que também está em estudo, desde o começo de 2015, um novo tipo de documento de identificação que poderá permitir à população LGBT usar oficialmente o nome social.

R$ 20.000,00 por informações que levem à captura de Dionatan Lucas da Silva, vulgo “Closeup” 42

Resolução SSP-138, de 03.11.15.
Prot. GS- 14963/14
Fixa o valor a ser pago a quem fornecer informa-
ções válidas quanto a captura de Dionatan Lucas
da Silva, vulgo “Closeup”
O Secretário da Segurança Pública, a vista do disposto no
art. 2º do Dec. 46.505-2002, e da Resolução SSP-43, de 06-05-
2014, resolve:
Artigo 1º – Nos termos do art. 2º da Resolução SSP-43, de
6-5-2014, fixar em até R$ 20.000,00 o valor a ser pago a quem
fornecer informações válidas que levem à captura de Dionatam
Lucas da Silva, R.G. 33.341.884, vulgo “Closeup”, pela prática
do crime de homicídio, ocorrido em 21-08-2014, no Município de
Praia Grande, de que foi vítima o Diretor do Centro de Segurança
e Disciplina de Praia Grande, Charles Demitre Teixeira.
Artigo 2º – Esta Resolução entra em vigor na data de sua
publicação.

imgProcurado13

São Vicente, terra do nada e de ninguém…Cidade nobre, povo pobre, prefeito rico! 8

Snap 2015-11-03 at 23.35.35

Em meio a crise financeira, Prefeitura de São Vicente cancela Encenação de 2016

Dificuldades econômicas na cidade impediram que a Prefeitura destinasse orçamento para o evento

DE A TRIBUNA ON-LINE
03/11/2015 – 18:15 – Atualizado em 03/11/2015 – 18:26
Encenação foi cancelada por crise orçamentária

Em razão da crise financeira, o maior espetáculo em areia de praia do mundo não será realizado em 2016. A Prefeitura de São Vicente anunciou nesta terça-feira (3) o cancelamento da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente do ano que vem.

A Administração Municipal disse que, diante das dificuldades econômicas, decidiu priorizar os recursos para pagamento de demandas urgentes. O espetáculo tinha custo estimado de R$ 3,3 milhões para o próximo ano.

De acordo com a Prefeitura, as encenações de 2013 e 2014 tiveram apoio e patrocínio do Governo do Estado e de empresas estatais. Já na edição deste ano, a Prefeitura arcou com todo o custo.

Por se tratar de um evento tradicional, criado em 1982, a Administração vicentina informou ter mantido contato com os governos Federal e Estadual e com empresas, mas não conseguiu apoio financeiro para promover o evento em 2016.

A Prefeitura ainda citou diminuição de 30% nos recursos do Ministério da Cultura neste ano, com previsão de novos cortes para 2016, e de 10% em programas mantidos pela Secretaria de Estado da Cultura.

“As condições financeiras implicam na readequação do calendário artístico, fato que infelizmente vem acontecendo em vários municípios já em 2015, onde eventos culturais tradicionais foram cancelados ou tiveram suas edições adiadas para o ano seguinte por falta de recursos e apoiadores”, afirmou a Prefeitura de São Vicente em nota.

No início dos 90, a Encenação também teve edições canceladas pelo mesmo motivo.

Por noite, milhares de pessoas assistiam aos shows

Referência

Considerada o maior espetáculo em areia de praia do mundo, a Encenação foi criada em 1982. No começo, ela era feita em uma pequeno cercado na praia do Gonzaguinha para comemorar o aniversário da cidade. O show começou por 1998, quando foi feita pela primeira vez a arena de apresentação, próximo à Biquinha.

O ano foi um divisor de águas: pela primeira vez, a história da chegada de Martim Afonso seria contata à noite. O espetáculo ganhou repercussão nacional com os números que foi alcançando ao longo dos anos. Em média, segundo dados da Prefeitura, são 56 mil espectadores e 1.300 atores do povo, que ensaiam por meses.

A réplica da caravela do Descobrimento do Brasil, a “Espírito Santo”,  também tornou-se um atrativo do show. Aliado a ela, estão os recursos tecnológicos, que a cada ano proporcionavam uma interação diferente com o público, que trocava o ingresso por um alimento não perecível. Nos últimos anos, a apresentação era em formato de musical.

Renomados atores da TV e do teatro já fizeram parte do maior espetáculo em areia de praia do mundo. Entre eles estão Francisco Cuoco, Humberto Martins, Marcos Pasquim, Jonas Melo, Alexandre Borges, Ney Latorraca, Júlia Lemmertz, Luigi Baricelli, Isadora Ribeiro, Werner Schünemann, Cecil Thiré, Elke Maravilha, Bete Mendes, Antônio Abujamra, John Herbert, Bianca Rinaldi, Iran Malfitano, Taumaturgo Ferreira, Luciano Szafir, Ewerton de Castro, Flávia Monteiro, Solange Frazão, Nuno Leal Maia, Malvino Salvador, Mauro Mendonça, Luciana Vendramini, Ary Fontoura, Leonardo Brício, Mônica Carvalho, entre outros. E diretores como Tanah Corrêa, Abílio Tavares, Charles Möeller, Antonio Roberto Marchese, Amauri Alves, Luiz Mário Vicente, e Roberto Perez

EXEMPLO DE MORALIDADE ADMINISTRATIVA – O 6º BPM/I de Santos – além de passar a caneca nos trouxas e amigos interessados – apura malversação de verbas e desfalques orçamentários por meio de simples sindicância 13

Nova sede da Polícia Militar será entregue até o final do mês

Batalhão de Ações Especiais mudará para prédio na Av. Ana Costa, ao lado do Corpo de Bombeiros; hoje, se localiza no 6º BPM/I

JOSÉ CLAUDIO PIMENTEL – A TRIBUNA DE SANTOS 
A princípio, Comando do Policiamento do Interior (CPI-6),
lotado no Batalhão, no Canal 6, ocuparia imóvel
Prédio, com 1,1 mil metros quadrados, ficou abandonado
por oito anos, devido a problemas na construção

O comando do Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar na Baixada Santista mudará, definitivamente, para a nova sede no Gonzaga, em Santos, até o final deste mês. O prédio, abandonado por oito anos devido a problemas na construção, foi recuperado com o apoio da comunidade e está pronto para ser o quartel da tropa, a elite dos oficiais.

Paralelamente, será entregue ao Estado o resultado da sindicância que apura as circunstâncias que ocasionaram, à época, a não conclusão do edifício. Com mais de 1,1 mil metros quadrados, ele foi planejado para abrigar, originalmente, o Comando do Policiamento do Interior (CPI-6), responsável pela região e o Vale do Ribeira, e que hoje está no Batalhão do Canal 6.

A mobilização ocorreu depois que A Tribuna denunciou a precariedade do prédio, em maio deste ano. A Reportagem entrou no imóvel abandonado e encontrou um cenário de degradação e descaso com o dinheiro público: infiltração nas paredes, pisos de mármore quebrados, aparelhos de ar condicionado depredados e, ainda, documentos e registros de ocorrências no chão.

A partir daí, ocorreu a autorização do Comando Geral da PM em São Paulo para que a corporação fizesse a ocupação. Definiu-se que o comando do Baep, instalado provisoriamente em salas do Batalhão, fosse transferido em definitivo para lá. O problema é que não havia condições operacionais e estruturais de a mudança ocorrer, já que o prédio exigia reforma.

“Fomos atrás do apoio da comunidade para que tudo isso fosse rápido. Sensibilizamos e as empresas conseguiram nos ajudar a recuperar todo aquele espaço com o apoio de material e conhecimento. A mão de obra foi nossa”, explicou o comandante regional da PM, coronel Ricardo Ferreira de Jesus. O receio era ter que abrir licitação pública, o que protelaria todos os planos.

Foram doados 810 litros de tintas, 800 sacos de cimento e mais de 60 metros cúbicos de areia, entre outros materiais. Houve a participação da Associação Comercial de Santos, além do Ciesp de Cubatão, Senai de Santos e das Associações de Engenheiros e Arquitetos da região. O coronel Ricardo estima que o valor que seria gasto para toda a recuperação ultrapasse o R$ 1 milhão.

Sindicância

A quantia é quase o dobro do total pago para que a RM Queiroz Construções construísse o prédio: R$ 659.573,41. A Polícia Militar alega que ele não foi finalizado e, por isso, não pode ser ocupado quando entregue, em 2010. Mais tarde, o tempo revelou outros problemas. “A laje não estava impermeabilizada e a drenagem da água escorria pelas paredes internas do prédio”, constatou o comandante regional.

A alegação da construtora é que o Estado deve à empresa ao menos R$ 319 mil, referentes a obras civis, instalações elétricas, juros e correção monetária de 96 meses de paralisação, além de 20% da multa por rescisão contratual. O imbróglio se prolongou até este ano, quando o Ministério Público também passou a investigar o caso.

A expectativa é que o coronel Ricardo de Jesus, que preside a sindicância, entregue-a ao Estado até o final de novembro. A partir daí, caberá à Fazenda e ao departamento Jurídico de São Paulo estabelecer o que será feito. “Se ele já estivesse ocupado, teríamos os problemas do mesmo jeito”, pondera o coronel.

——————————————–

“Fomos atrás do apoio da comunidade para que tudo isso fosse rápido. Sensibilizamos e as empresas conseguiram nos ajudar a recuperar todo aquele espaço com o apoio de material e conhecimento. A mão de obra foi nossa”, explicou o comandante regional da PM, coronel Ricardo Ferreira de Jesus.

O receio era ter que abrir licitação pública, o que protelaria todos os planos.

Leitor do blog:

Sou vizinho desse prédio, foram mais de cinco anos de total abandono e minha família inteira contraiu dengue.
Sempre quis uma solução, mas saber que quem deu um jeito foram os comerciantes e empresários “sensibilizados ?????” que vergonha, ainda falam isso como se tivessem resolvido
“receio de abrir licitação pública ?????” seria uma justificativa de dispensa de licitação ??? quem falou essa asneira?? MP, TCE e SEFAZ cadê vocês ???
“protelaria os planos ???” Que planos seriam esses??

Cade o responsável por esse absurdo, se eu não pago meu imposto sou punido na mesma hora.
Quem vai ressarcir o erário e o dono da construtora que tomou o chapéu ???

A sindicancia ainda será entregue no final de novembro ????? crime agora se apura com sindicancia ????

Quem falou isso ai foi um dos chefes da corporação que quer o ciclo completo, afinal seria bem mais facil “sensibilizar” a população com esse poder nas mãos.

Delegado de Polícia considera legítima defesa a ação de PM que resultou na morte do menino Eduardo 18

Anistia diz que é “aberração” inocentar PM que matou criança no Rio

Do UOL, no Rio

03/11/201520h40

  • Gabriel de Paiva/Agência O Globo

    Ativistas da ONG Rio de Paz fizeram um protesto dias após a morte de Eduardo

    Ativistas da ONG Rio de Paz fizeram um protesto dias após a morte de Eduardo

A Anistia Internacional classificou como “uma aberração” o inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre a morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10, atingido por um tiro quando estava na porta de casa, no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense, em 2 de abril deste ano.

As investigações da DH (Delegacia de Homicídios), concluídas nesta terça-feira (3), sete meses após a ocorrência, apontaram que o disparo foi feito por um policial militar, mas o delegado Rivaldo Barbosa decidiu não indiciar o PM por considerar que ele agiu em legítima defesa, já que a equipe da qual fazia parte havia sido atacada a tiros por criminosos.

Em nota oficial, a ONG afirmou que a Delegacia de Homicídios “conferiu legitimidade” a ação de policiais militares que mataram uma criança na porta de casa com um tiro na cabeça e que a tese defendida pela Polícia Civil “reforça a rotina de impunidade, falta de responsabilização e de controle do uso da força letal pela polícia fluminense”.

“É uma verdadeira aberração. Este fato reitera a percepção de que as favelas são vistas e tratadas como territórios de exceção e que qualquer morte provocada pela polícia pode ser legitimada pelo sistema jurídico”, afirmou o diretor-executivo da organização, Atila Roque.

“O crime aconteceu à luz do dia e os policiais estavam a cerca de cinco metros de distância de Eduardo, como consta no laudo divulgado pela imprensa”, apontou a Anistia, na nota. “Não há legítima defesa de policiais quando um menino de 10 anos, desarmado, morre com um tiro de fuzil na cabeça disparado por um policial militar.”

A Anistia citou apurações próprias para contestar a informação do inquérito de que não havia confronto ou troca de tiros no momento da morte do menino. “Eduardo estava sentado na frente de casa, esperando a irmã e brincava com o celular quando foi atingido. Os policiais militares ainda tentaram modificar a cena do crime, retirando o corpo, o que só não ocorreu por mobilização da família e vizinhos”, disse a nota.

O texto divulgado pela ONG ainda lembrou um encontro relatado pela mãe de Eduardo, Terezinha de Jesus, com PMs que estavam no local: “Em desespero gritou aos policiais ‘Você matou meu filho’, teve como resposta um fuzil apontado para a sua cabeça e uma ameaça: ‘Assim como eu matei seu filho, eu posso muito bem te matar porque eu matei um filho de bandido, um filho de vagabundo'”.

O inquérito seguiu para o MP-RJ (Ministério Público do Estado), que pode discordar da decisão e denunciar o policial. Na nota, a Anistia disse esperar que a entidade “rejeite a conclusão equivocada do inquérito e que os autores desse homicídio sejam responsabilizados”.

“Não se conformam”

Em entrevista à Globo News no início da noite, o defensor público Fábio Amado, que representa a família de Eduardo, disse que os parentes do menino discordam e “não se conformam” com o resultado do inquérito. “Não é admissível para a família e para a sociedade que um crime como esse permaneça sem a identificação do autor e sem uma resposta adequada”, afirmou Amado, que é coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos do órgão.

Segundo o defensor, há depoimentos nos autos do inquérito que divergem da conclusão, informando que não havia confronto no momento em que Eduardo foi baleado. Ele afirmou ainda que uma efetiva punição do autor do disparo teria caráter pedagógico. Amado disse aguardar que o MP-RJ “ofereça denúncia à Justiça ou pelo menos requisite novas investigações à Polícia Civil”.

A reportagem tentou entrar em contato com Terezinha de Jesus, mas o celular dela se encontrava desligado até a publicação deste texto. (Com Agência Estado)

PM fuzilou covardemente agentes penitenciários 120

Senti que ia morrer, diz agente baleado 6 vezes por PM após abordagem

Vítima diz que ele e colega, que morreu na ação, não puderam se defender.
PM alega que ambos são suspeitos de furto e atiraram contra policiais.

Do G1 Ribeirão e Franca

O agente penitenciário Lúcio Flávio de França, de 35 anos, baleado por policiais militares em uma suposta troca de tiros durante uma abordagem em São Carlos (SP) negou que ele e o companheiro de trabalho, Edson Honório Ferreira, de 46 anos, morto na ação, tenham atirado contra os PMs.

O sobrevivente disse que ambos faziam um bico como segurança e foram confundidos por suspeitos de furto. Já a Polícia Militar informou que a viatura chegou ao local, no bairro Jardim Embaré, para atender a ocorrência, foi recebida a tiros pelos agentes e revidou.

“Eu senti que ia morrer. Ele não pegou a nossa funcional, pegou somente o armamento e trouxe para a viatura dele, e começou a cochichar entre todos os policiais. Então, naquele momento, eu pensei ‘é o fim mesmo’. E foi o que aconteceu, ele descarregou a metralhadora na gente”, afirmou.

Internado em um hospital em Ribeirão Preto(SP), França contou que, apesar de ter se apresentado como agente penitenciário, ao ser abordado pelos PMs, o sargento Marcos de Souza pegou os revólveres dele e de Ferreira, e atirou contra os dois.

O sargento da PM foi indiciado por homicídio e tentativa de homicídio. Segundo a Polícia Civil, ele confessou ter efetuado o disparo que matou Ferreira. Souza também foi afastado do policiamento ostensivo e está realizando serviços administrativos internamente, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP).

O agente penitenciário Edson Honório Ferreira foi morto em setembro (Foto: Reprodução/ EPTV)

Agente penitenciário Edson Honório Ferreira foi morto em abordagem da PM (Foto: Reprodução/ EPTV)

Sem defesa
O caso ocorreu na madrugada do dia 6 de setembro. Segundo registro da PM, Ferreira e França foram abordados próximos a uma empresa de materiais de construção no Jardim Embaré, após denúncia anônima de furto. Ainda de acordo com a PM, Ferreira desceu do carro atirando, foi alvejado e morto.

França nega a versão, afirmando que em nenhum momento ele e o companheiro atiraram contra os policiais militares ou tiveram chance de se defender. O agente contou que os dois faziam bico como seguranças para uma empresa de telefonia e foram abordados no momento em que pararam o carro para ele urinar.

“Eu estava fora do carro e chegou a viatura só com o farol ligado, sem o giroflex aceso. Quando chegou na gente (sic), ela acendeu o giroflex e chegou outra viatura. Nesse momento aconteceu tudo: pediu para o meu parceiro descer, ele desceu, a gente se identificou como homem do estado, o que a gente fazia, onde estava o armamento e foi esse desfecho”, afirmou.

Saveiro usada pelos agentes penitenciários foi apreendida (Foto: Reprodução/EPTV)
Saveiro usada pelos agentes penitenciários foi apreendida (Foto: Reprodução/EPTV)

O agente disse ainda que explicou aos PMs que as carteiras de identificação funcional dele e de Ferreira estavam dentro do carro, mas os policiais não pegaram os documentos, apenas os revólveres calibre 38 que portavam.

“Um dos policiais foi até a nossa Saveiro, pegou o armamento nosso, levou para a viatura deles e, diante desse fato, eu acho que o sargento pegou a metralhadora e falou ‘pode correr porque vocês vão morrer’ e disparou, descarregou a metralhadora na gente”, relembrou.

Ferreira morreu no local. França foi atingido por seis tiros, foi internado na Santa Casa de São Carlos e depois transferido para um hospital em Ribeirão, cidade onde a família reside. O agente contou que sobreviveu porque se fingiu de morto.

“Eu escutei só o atirador falando que a adrenalina dele estava muito alta e mandou chamar o resgate. Eu não estou com medo porque quem fez essa lambança já está preso. Estou tranquilo, só penso na minha recuperação”, disse.

Investigação
A SSP/SP informou que um inquérito policial militar também foi instaurado para apurar o caso. “A investigação segue coletando provas para esclarecer a ocorrência e não serão passadas mais informações para não atrapalhar os trabalhos policiais”, comunicou a pasta nota nesta quarta-feira (28).

DEIC descobre que sargento da PM fornecia rádiocomunicadores para quadrilha que assaltava caixas eletrônicos em todo o estado de São Paulo 79

Sargento repassou rádios para quadrilha em São Paulo

Agência Estado

Publicação: 30/10/2015 09:16 Atualização:

A Justiça Militar decretou a prisão preventiva do sargento Cesar Alexandre Alves de Oliveira, suspeito de fornecer equipamentos de comunicação da Polícia Militar para uma quadrilha investigada por roubos a caixas eletrônicos. O objetivo era monitorar a frequência dos radiocomunicadores da corporação durante os assaltos aos terminais bancários.
O envolvimento do PM com a quadrilha foi descoberto na quinta-feira da semana passada, quando investigadores da Polícia Civil cumpriram mandado de busca e apreensão em um apartamento no bairro do Cambuci, região central da capital, onde funcionava uma espécie de central de comunicação dos bandidos. Foram encontrados, entre diversos materiais, dois rádios de comunicação com números de patrimônio da PM – um deles dava acesso ao Comando de Policiamento da Capital.
A Corregedoria da Polícia Militar foi acionada e apurou que os aparelhos saíram do Centro de Suprimento e Manutenção de Material de Telecomunicações (CSM/Mtel) da PM. O sargento Oliveira pediu aos colegas que os equipamentos fossem programados com as frequências de todas as unidades de policiamento ostensivo do Estado, sob o pretexto de colocá-los na sala de gerenciamento de crise, mas acabaram indo direto para as mãos dos bandidos.
Confissão
O sargento foi logo identificado como o responsável por retirar os equipamentos. Em depoimento à Corregedoria, ele acabou confessando o crime.
Disse que foi procurado por um rapaz chamado Leandro, no mês de abril, e que recebeu a proposta para fornecer os equipamentos. A entrega aconteceu na região central e o sargento afirmou que recebeu R$ 30 mil em dinheiro. Parte do valor (R$ 9 mil) depositou no banco, a outra deixou em casa para gastos em atividades do cotidiano, de acordo com ele.
A confissão do suspeito não foi suficiente para livrá-lo da cadeia. Em seu despacho, o juiz-corregedor Luiz Alberto Moro Cavalcante considerou que o sargento “em liberdade terá livre acesso ao quartel, terá farda e armamento para trabalhar. Terá o convívio dos demais policiais militares de serviço. No entanto, não será digno de confiança. Logo, a sua liberdade nesta fase é um disparate”.
O magistrado deferiu os pedidos da Corregedoria pela quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do policial militar, além de perícia em três celulares apreendidos na residência dele.

Governo de SP e secretário defendem manutenção do segredo de efetivo policial 78

Em São Paulo

30/10/201508h00

  • Fernando Nascimento/Brazil Photo Press/Folhapress

    Alexandre de Moraes, secretário da Segurança Pública

    Alexandre de Moraes, secretário da Segurança Pública

O secretário de Estado da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, não concedeu entrevista para tratar dos sigilos de informação em sua gestão. Sua pasta enviou uma nota em que reafirma o sigilo das informações sobre distribuição do efetivo policial na cidade. Já o Palácio dos Bandeirantes informou que a resposta da secretaria era a do governo para o assunto.

A nota diz que “todas as informações de interesse coletivo” são fornecidas pela secretaria, “salvo aquelas imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado”.

“Dessa maneira”, segue o texto, “os efetivos das Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, assim como o quadro geral, são públicos. Porém, todas as informações referentes diretamente ao planejamento estratégico do combate à criminalidade devem ser preservadas pela necessidade de garantir a segurança da sociedade”.

Segundo a secretaria – e o governo Alckmin -, “o decreto 61.559/2015 (que trata da revogação dos sigilos), expressamente, determinou a competência dos secretários de Estado para classificar documentos, dados e informações e estabeleceu o prazo de 30 dias para a publicação de novas tabelas.

As informações e dados sobre controle, distribuição e utilização do efetivo existente, bem como sobre as distribuições, alocações e registros de viaturas, com fundamento nos incisos 3 e 8, do artigo 23 da Lei 12.527/11 (a Lei de Acesso à Informação), são considerados sigilosos de caráter reservado, uma vez que são imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado, por estarem relacionados à atuação logística e operacional da Secretaria da Segurança Pública, Polícia Militar, Polícia Civil e Superintendência da Polícia Técnico-Científica”.

“Em virtude do caráter sigiloso, houve o indeferimento do pedido (feito pela reportagem) e não serão fornecidos os dados reservados solicitados. Trata-se de um procedimento-padrão nas Forças Armadas e nas Forças Policiais”, continua o texto.

Dados

Após seis meses sem divulgar o número, na quinta-feira, 29, a secretaria atualizou o déficit de laudos da Polícia Técnico-Científica: 2,5 mil laudos pedidos não realizados em 2015. A pasta diz que o dado não foi divulgado antes por problemas técnicos. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”

Tenente cuzão – após prevaricar – delata homicídio praticado por sargento 66

Tenente da PM acusa sargento de matar suspeito desarmado em SP

Jornal o Estado de São Paulo – 29OUT15.

O sargento Marcos de Souza foi preso depois de ser denunciado por um tenente como autor do assassinato de um ladrão, que estava desarmado e deitado no chão.

A prisão em flagrante havia sido feita por policiais militares do 35º Batalhão, responsável pelo policiamento de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Na quarta-feira (27), o policial teve a prisão temporária prorrogada pela Justiça Militar.

Segundo as investigações, o policial atirou depois de receber uma ordem para algemar e levar o rapaz para a viatura, a fim de conduzi-lo à delegacia. Este é o quinto caso envolvendo PMs suspeitos de execução nos últimos três meses.

A Corregedoria da Polícia Militar apurou que David Samuel Alves da Silva, 23, dirigia uma Captiva roubada no limite de Itaquaquecetuba com a zona leste de São Paulo, quando foi localizado pelos policiais.

A perseguição só terminou depois que o suspeito bateu o carro e fugiu a pé em direção a um matagal, perto de um campo de futebol. Segundo as investigações, Silva foi cercado e se rendeu. Ele entregou uma arma para o sargento e deitou no chão com as mãos visíveis.

Na presença de outros policiais, um tenente deu ordem para o sargento Souza algemar e levar o preso para a viatura. Mas, quando o oficial se virou, o policial deu dois tiros nas costas do assaltante, que morreu na hora.

A primeira versão apresentada pelos policiais no boletim militar diz que Silva morreu depois de uma troca de tiros. Mas, antes de registrar o caso na delegacia, o tenente responsável pela equipe admitiu a outros oficiais que o sargento matara o suspeito desarmado.

A Corregedoria da PM foi chamada e apurou que o sargento Souza, depois de matar o assaltante, ainda falou para o tenente registrar o caso como intervenção policial seguida de morte.

“Chefe, qualquer coisa, foi troca de tiros”, teria dito. Segundo a investigação, a postura do PM teria intimidado os colegas e, por isso, ele não foi preso em flagrante por homicídio.

Uma eventual conivência por parte dos outros PMs ainda é investigada. A Corregedoria ainda aguarda a conclusão de laudos balísticos e necroscópico, além de depoimentos de mais testemunhas. A prisão do sargento é por mais 30 dias.