Autor de denúncias que levaram à prisão de policiais civis agora é acusado de extorquir familiares e amigos de agentes 21

Delegado de plantão na Corregedoria teria se recusado a registrar a ocorrência

  • 17/abril/2025 por Poder

 

Por Jair Viana

O responsável por denúncias que culminaram na prisão de policiais civis agora é acusado de tentar extorquir amigos e familiares de outros agentes. Segundo uma fonte próxima às vítimas, ele teria exigido o pagamento de R$ 200 mil para não apresentar novas acusações à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.

De acordo com os relatos, o homem enviou mensagens de texto e áudios ameaçadores, afirmando que protocolaria denúncias formais caso o valor não fosse pago. Ele ainda teria alegado possuir contatos dentro da Corregedoria que facilitariam o andamento das acusações.

A mesma fonte relata que o suspeito se gabava do impacto de suas denúncias anteriores, que resultaram na prisão de alguns policiais, e ameaçava que o mesmo poderia acontecer com outros agentes caso o pagamento exigido não fosse realizado.

As vítimas procuraram a Corregedoria para registrar a tentativa de extorsão, mas, segundo o relato, o delegado de plantão teria se recusado a formalizar a ocorrência.

O autor das ameaças seria o mesmo que apresentou denúncias anteriores contra policiais civis. Ele teria utilizado, inclusive, o mesmo número de telefone empregado nas denúncias anteriores para realizar as extorsões.

O episódio evidencia tensões internas e acusações cruzadas dentro da corporação. Enquanto isso, os envolvidos aguardam providências oficiais sobre a conduta do autor das novas ameaças.

A Corregedoria ainda não se pronunciou oficialmente sobre a suposta recusa em registrar a denúncia. Já o delegado plantonista não respondeu aos pedidos de entrevista.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, por meio de nota, declarou:

“O boletim de ocorrência está sendo elaborado pela Corregedoria da Instituição e, em nenhum momento, houve recusa no registro dos fatos. Tanto a pessoa mencionada como autora quanto a suposta vítima não integram os quadros da Polícia Civil. No entanto, como houve citação ao nome de um policial civil investigado em outra ocasião, o registro está sendo realizado pela Corregedoria, conforme os trâmites internos da Instituição. A Polícia Civil reitera seu compromisso com a transparência e a apuração rigorosa de todos os fatos apresentados.”

https://revistapoder.uol.com.br/2025/04/17/denunciante-de-policiais-civis-e-acusado-de-extorsao

O CASO PABLO MARÇAL E O VELHO DITADO: pimenta no olho alheio é refresco… No meu arde!    3

A recusa do Tribunal de Justiça de São Paulo em censurar o livro Pablo Marçal – A trajetória de um criminoso não é apenas uma vitória pontual da liberdade de imprensa.

É um lembrete de que o passado, especialmente quando envolve figuras públicas, não é propriedade privada — é matéria de interesse coletivo. 

Marçal, empresário, influenciador digital e ex-candidato à prefeitura de São Paulo, alega que a obra é difamatória e fictícia, mas a Justiça, ao menos em primeira análise, reconheceu algo fundamental: há indícios documentais suficientes para que a narrativa do jornalista Cristiano Silva circule sem cerceamento prévio.

A desembargadora Clara Maria Araújo Xavier foi clara: quando se trata de personalidades que procuram espaço político , a sociedade tem o direito de conhecer sua trajetória — inclusive as partes mais sombrias. 

O livro resgata episódios que Marçal preferiria deixar no esquecimento: sua prisão em 2005, acusado de crimes cibernéticos, e sua condenação em 2010 por furto qualificado.

A defesa argumenta que se trata de uma “obra de ficção”, mas a Justiça Federal de Goiás, anos atrás, não pareceu ter dúvidas sobre a materialidade dos fatos.

A prescrição pode ter livrado Marçal do cárcere, mas não apaga os autos do processo. 

Há aqui uma lição que transcende o caso específico: a tentativa de silenciar críticas ou investigações através de ações judiciais é uma estratégia cada vez mais comum, mas que esbarra num princípio democrático básico — a verdade não é monopólio de ninguém.

Se Marçal considera o livro inverídico, o caminho não é suprimi-lo, mas rebatê-lo com provas e contranarrativas.

A censura prévia, felizmente, ainda é exceção no Brasil, e a decisão do TJ-SP reforça que o debate público deve ser livre, ainda que incômodo para alguns. 

O processo segue, e Marçal pode recorrer.

Mas, por ora, a mensagem é clara: quem escolhe a vida pública não pode exigir que o público ignore seu histórico.

A memória, afinal, é um tribunal sem data de prescrição.

A Mclaren e a Memória do Velho Soldado 10

Na sala modesta de um apartamento antigo, repousa uma foto amarelada: um policial militar dos anos 80, farda surrada, olhar cansado, mas digno.

Era de um amigo, daqueles tempos em que ser PM significava viver no limite – de salário, de esperança, de reconhecimento.

Em sua casa, como em tantas outras, faltava quase tudo, menos honestidade.

Carro?

Só nos sonhos ou no bico como taxista. .

Escola, só pública.

O convênio, restrito à Cruz Azul.

O luxo era a roupa lavada, uma cerveja e o macarrão com frango no domingo.

Hoje, a paisagem mudou.

O noticiário estampa o caso do tenente Fernando Genauro da Silva, preso e acusado de envolvimento com o PCC e CV.

Assassino de aluguel !

O que chocou a opinião pública não foi apenas o crime em público deboche , mas o que veio depois: cinquenta dias após o homicídio, Genauro comprou uma McLaren 570S Spider, avaliada em R$ 2,2 milhões, prometendo quitar a dívida em 12 parcelas.

 “Não resisti, mano”, confidenciou a um contato, segundo o laudo pericial requisitado pelo DHPP.

A imagem da McLaren reluzente, motor bi turbo, cor de ouro líquido, corta a avenida como um míssil britânico.

O contraste é gritante: enquanto filhos de PMs do passado disputavam vaga em escola pública, hoje há oficiais ostentando carros de luxo, filhos em colégios particulares, casas de alto padrão, roupas de grife.

 O abismo entre a velha e a nova polícia nunca foi tão visível – e tão ruidoso.

O caso do tenente e sua McLaren de R$ 2 milhões não é isolado.

Os novos policiais  –  civis e militares – ostentam nas redes sociais carros de luxo, viagens, festas, mansões.

O dinheiro circula fácil, a origem nem sempre é clara.

Para muitos, o sonho do serviço público virou bilhete premiado.

Mas a que custo?

O velho PM, aquele da foto amarelada, talvez não reconhecesse mais a farda que um dia vestiu com orgulho.

Talvez, sentado à mesa simples, ele se perguntasse: “Quando foi que a honra deu lugar ao luxo?

No fim, esta crônica policial se escreve entre extremos: a dignidade silenciosa dos que serviram com sacrifício e a ostentação ruidosa dos que se perderam no caminho.

A McLaren do tenente é só um símbolo: veloz, brilhante, mas, como toda ilusão, passageira.

O que fica mesmo é a memória – e o preço que cada um escolhe pagar por ela.

Lei transforma cargos de agente e escrivão em oficial investigador na Polícia Civil do Tocantins 13

Publicado em 13 de abril de 2025

por Angélica Florêncio, Na Hora da Notícia

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, sancionou a Lei nº 4.653, que unifica os cargos de agente e escrivão de polícia no Tocantins, criando o cargo de Oficial Investigador de Polícia. A lei, publicada no Diário Oficial do Estado em 11 de abril de 2025, altera a nomenclatura dos cargos, mas mantém os servidores em suas respectivas classes e referências salariais. A mudança também se aplica aos servidores aposentados.

Detalhes da Mudança:

-Aprovação: O projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) em 25 de março de 2025.Continua depois da publicidade

-Salários: A tabela salarial publicada no Diário Oficial mostra que os salários podem chegar a R$ 21 mil, dependendo da classe.

-Objetivo: A unificação dos cargos visa a melhorar a eficiência nas investigações e atender à Lei Orgânica Nacional da Polícia Civil.

A nova lei representa uma significativa alteração na estrutura da Polícia Civil do Tocantins, impactando diretamente os servidores e suas carreiras

Polícia Civil de SP: pilar da segurança pública 6

A Polícia Civil paulista celebrou, recentemente, 183 anos de história

*Jacqueline Valadares e *Mário Leite de Barros Filho

15 de abril de 2025

(Divulgação/ Polícia Civil)

(Divulgação/ Polícia Civil)

A Polícia Civil paulista celebrou, recentemente, 183 anos de história e de protagonismo, como um dos pilares da Segurança Pública bandeirante. A instituição tem como marco de seu nascimento a data de 3 de abril de 1842, quando o conselheiro Rodrigo Antônio Monteiro de Barros tomou posse na qualidade de primeiro chefe de Polícia da então Província de São Paulo.

Nessa trajetória, outro momento decisivo ocorreu em 1905, com a criação da Polícia Civil de Carreira, pelas mãos do então presidente do Estado (como se denominava o cargo de governador à época), Jorge Tibiriçá. A iniciativa teve como objetivo fortalecer a segurança da população e garantir uma atuação mais técnica e profissionalizada dos agentes da lei.

Ao completar 183 anos em 2025, com toda a sua relevância histórica e social, a Polícia Civil paulista está novamente em pauta, num momento de extrema importância. O Governo do Estado se prepara para encaminhar à Assembleia Legislativa (Alesp) projeto que regulamenta, no âmbito estadual, a Lei Federal 14.735, de 23 de novembro de 2023, que instituiu a Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis.

A proposta tem a finalidade de estabelecer a nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado, com a definição de direitos, de deveres e de prerrogativas dos agentes civis, além de assegurar, em tese, melhores condições de trabalho aos profissionais lotados na instituição, em diferentes setores e funções.

Embora possa parecer uma medida voltada exclusivamente aos integrantes desta força de segurança, seus impactos se estendem para toda a sociedade. Além disso, a criação de uma lei orgânica moderna e justa pode influenciar a legislação de outros estados, dado que, a Polícia Civil bandeirante é frequentemente adotada como referência nacional. Desta forma, a medida não apenas fortalece a instituição de São Paulo, mas, também, contribui para o aperfeiçoamento da Polícia Judiciária em todo o Brasil.

Importante considerar que, por outro lado, preocupações surgem quanto à possibilidade de restrição de direitos e de prerrogativas dos policiais civis – o que poderia comprometer a atuação da instituição, especialmente no que se refere à investigação criminal. Limitações impostas neste âmbito podem enfraquecer a capacidade da polícia no combate ao crime e na garantia de proteção dos cidadãos.

Diante deste cenário, é fundamental reconhecer que a Polícia Civil não pertence apenas aos seus integrantes, mas à sociedade paulista como um todo. A criação de uma lei orgânica compatível com as tradições e os desafios da Polícia Civil paulista representa uma conquista não apenas para os seus servidores. Trata-se de algo fundamental para a sociedade. A iniciativa tende a valorizar seus profissionais, ao passo em que constitui importante legado para o futuro da Segurança Pública em solo bandeirante.

*Jacqueline Valadares. Delegada de Polícia, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) e especialista em Defesa da Mulher

*Mário Leite de Barros Filho. Delegado de Polícia; assessor jurídico institucional do Sindpesp e professor de Direito Administrativo Disciplinar da Academia de Polícia do Estado de São Paulo (Acadepol)

https://www.atribuna.com.br/opiniao/tribuna-livre/policia-civil-de-sp-pilar-da-seguranca-publica-1.458253

Deputado Antônio Olim : a “Justiça prevaleceu” 1

Dr. Guerra mais uma vez a mídia falha ofende julga e depois conserta e o MP também

por favor divulgue essa matéria pois quando é para difamar a gente ajuda, agora temos que ajudar a retratar, PARABÉNS OLIM

Leitor: Nascimento

https://www.metropoles.com/sao-paulo/caso-gritzbach-deputado-celebra-arquivamento-apos-citacao-de-delator

Caso Gritzbach: deputado celebra arquivamento após citação de delator

O deputado Antônio Olim disse que estava com a consciência limpa e que a “Justiça prevaleceu”. Olim foi citado por Gritzbach em delação

Enzo Marcus

02/04/2025 21:31, atualizado 02/04/2025 21:31

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Google News – Metrópoles

Marcelo S. Camargo / Governo doEstado de SP

Imagem colorida mostra o deputado delegado Olim, homem branco, de cabelo preto, vestindo terno escuro e camisa branca, falando em um púlpito transparente com um fundo de vegetação - Metrópoles

São Paulo — O deputado estadual Antônio de Assunção Olim (PP) comemorou, na noite desta quarta-feira (2/4), o arquivamento da investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que o tinha como investigado, após o parlamentar ter sido citado na delação premiada de Antônio Vinícius Gritzbach, executado no dia 8 de novembro de 2024.

Ao Metrópoles, o parlamentar afirmou que “a justiça prevaleceu” e disse que, desde o começo, “estava com a consciência tranquila”.

Segundo as declarações, obtidas pela reportagem à época das investigações, Gritzbach, acusado de mandar matar o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, teria pagado propina a um advogado que prometia livrá-lo da investigação, dizendo ser próximo a Olim e ao então diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Fábio Pinheiro Lopes, conhecido como Fabio Caipira.

O advogado Ramsés Benjamin Samuel Costa Gonçalves teria cobrado R$ 5 milhões para livrar Gritzbach da acusação. Seriam R$ 800 mil em honorários e o restante em propinas pagas às autoridades. Como forma de pagamento, Gritzbach diz ter entregue dois apartamentos e feito uma transferência bancária de R$ 300 mil.

Homenagem ao Doidão Val Kilmer, Protagonista de “Heat” – FOGO CONTRA FOGO 5

Homenagem ao Doidão Val Kilmer, Protagonista de “Heat”

Hoje, o Flit Paralisante – Jornal da Polícia presta uma homenagem ao lendário ator Val Kilmer , que nos deixou , ontem , dia 1º de abril de 2025, aos 65 anos.

Kilmer – polêmico e meio “13” – foi um dos grandes nomes do cinema e eternizou seu talento em filmes icônicos como The Doors – O Filme, e o clássico policial Heat (1995), dirigido por Michael Mann.

Sua atuação como Chris Shiherlis , um criminoso ” um tanto dividido entre o bem e o mal “, extremamente leal à sua equipe, deve ser lembrada como uma das mais marcantes do gênero policial.

“FOGO CONTRA FOGO “: Um Marco no Cinema Policial

Em Heat , Kilmer dividiu a tela com os gigantes Robert De Niro e Al Pacino, em uma obra que redefiniu o gênero policial.

E a criminalidade organizada!

Serviu como fonte inspiradora …

O filme não apenas explorou o lado sombrio do crime organizado e da investigação policial, mas também mergulhou profundamente nas vidas pessoais dos personagens, mostrando suas fragilidades e dilemas morais.

Kilmer trouxe intensidade e humanidade ao papel de Shiherlis, um homem dividido entre suas responsabilidades familiares e sua vida criminosa.

Sua performance foi essencial para tornar Heat um dos maiores filmes policiais de todos os tempos.

Todo nosso respeito a “Dia de Treinamento , a mais completa personificação da realidade em forma de arte

Embora Dia de Treinamento (2001), estrelado por Denzel Washington e Ethan Hawke, seja outro grande marco do cinema policial, Heat ocupa um lugar especial no nosso coração e , verdadeiramente, na história do gênero.

Mas , enquanto o Dia de Treinamento explora as nuances da corrupção policial (retrato da polícia brasileira) e os dilemas éticos de seus protagonistas, Heat foca na relação entre criminosos e policiais como lados opostos de uma mesma moeda.

Ambos os filmes são obras-primas, mas o legado de Kilmer é inegável.

Outros trabalhos marcantes dele, como Tombstone (Doc Holliday), The Doors (Jim Morrison) ou Top Gun (Iceman).

Kilmer tinha um talento único para transformar personagens secundários em figuras inesquecíveis.

I’m So Tired – Desabafo de um Policial Civil no  Apagar  da Carreira 5

Desabafo de um Policial Civil no  Apagar  da Carreira

Estou cansado.

Não é o cansaço físico, aquele que o corpo sente após anos de jornadas extenuantes, noites mal dormidas e confrontos com o lado mais sombrio da sociedade.

É um cansaço mais profundo, que corrói a alma e mina a esperança.

É o cansaço de quem dedicou uma vida ao serviço público, à segurança das pessoas, e percebe que, ao fim da jornada, pouco ou nada mudou.

Minha insatisfação não é novidade para muitos colegas.

É um sentimento compartilhado por aqueles que vestem o distintivo ou a farda e que, dia após dia, enfrentam não apenas os desafios da profissão, mas também o descaso de quem deveria valorizá-los.

A falta de reconhecimento é uma ferida aberta.

Direitos básicos são tratados como favores; precatórios se acumulam como promessas esquecidas; licenças-prêmio se tornam armadilhas para a saúde, sem qualquer compensação justa pela insalubridade enfrentada.

O problema não é apenas econômico ou administrativo.

É cultural.

Vivemos em um país onde a segurança pública é tratada como um mal necessário, algo que precisa existir, mas que não merece investimento ou atenção real.

E nós, policiais, somos vistos como peças descartáveis de uma engrenagem que nunca para de girar.

Ao longo dos anos, vi governos de todas as cores e ideologias passarem pelo poder. Vi promessas serem feitas com palavras bonitas e sorrisos ensaiados.

Vi discursos inflamados em palanques e campanhas que prometiam “revolucionar” a segurança pública e valorizar seus profissionais.

Mas o que realmente mudou? Muito pouco.

O PSDB, com sua postura fria e distante, ao menos tinha a “honestidade” de não fingir proximidade com os policiais.

Outros grupos políticos preferem a “conversa mole”, aquela que ilude com tapinhas nas costas enquanto perpetuam o mesmo ciclo de abandono.

Como bem disse Boris Schnaiderman (sempre tem um Judeu a defender a humanidade) , “palavra bonita e tapinha nas costas” são as moedas de troca de quem nada tem a oferecer.

E nós?

Nós acreditamos.

Somos a “massa bovina fardada ou de distintivo”, sempre prontos para nos agarrar à próxima promessa eleitoral como se fosse a tábua de salvação em um mar revolto.

Mas as promessas não se concretizam, e o desgaste emocional e físico só aumenta.

A verdade é que o problema vai além dos governos.

Está enraizado em uma cultura que aceita pouco e se contenta com migalhas.

Somos treinados para resistir, para aguentar firme diante das adversidades.

Mas até quando?

Até quando vamos permitir que nossas vidas sejam consumidas por um sistema que nos vê apenas como números?

Chego ao último ano da minha carreira como policial civil com mais perguntas do que respostas.

O que deixo para os que vêm depois de mim?

Um sistema melhor?

Uma profissão mais valorizada?

Ou apenas as mesmas lutas intermináveis contra a indiferença e o descaso?

Talvez seja hora de repensarmos nossas estratégias como classe.

De nos unirmos não em torno de partidos ou ideologias, mas em torno de nossos direitos e nossa dignidade.

De fortalecermos movimentos independentes que não sejam reféns das promessas eleitorais.

Porque o problema não é apenas político; é também cultural.

E mudar uma cultura exige coragem, persistência e união.

Não podemos mais aceitar pouco.

Não podemos mais nos contentar com migalhas.

Este é meu desabafo, mas também meu chamado à reflexão.

Que meu cansaço sirva como alerta para os que ainda têm energia para lutar por um futuro melhor.

Porque eu acredito – ou quero acreditar – que ainda há tempo para mudar essa história.

Inspirado em texto – comentário/desabafo – de seguidor do Flit: EDUARDO, O TROUXA…A quem agradecemos!

Mais de 70% das pessoas perderam mais dinheiro do que ganharam 19

Jornal da Orla

29/03/2025● Josi Castro

reprodução/pexels

O Procon-SP realizou uma enquete sobre a percepção do consumidor em relação a jogos e apostas, que indicou resultados preocupantes.

Entre os participantes que afirmaram fazer apostas e/ou jogar on-line, 71% confirmam mais perdas financeiras do que ganhos e 39% atualmente possuem dívidas em razão da atividade.

O convite ao risco vem de toda parte.

A sedução é grande: propagandas que prometem ganhos gigantescos, formato acessível via celular ou computador; as apostas e os jogos on-line podem até ser um momento de diversão, mas têm se mostrado grandes armadilhas financeiras.

Perto de 48% dos que afirmaram “fazer sua fé” nos sites tipo ‘bet’ já comprometeram, em algum momento, parte da sua renda mensal, impactando diretamente o orçamento familiar e deixaram de pagar contas de consumo ou retiraram dinheiro de aplicações financeiras ou pediram dinheiro emprestado para jogar.

O questionário, com perguntas abrangentes sobre o tema, foi respondido por 1.533 consumidores que acessaram o site e as redes sociais do Procon-SP entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025.


Dentre os entrevistados, 89% declaram que recebem ofertas de jogos ou apostas em suas redes sociais ou celular; e 52% declararam que a publicidade com “celebridades” os influenciam na decisão de jogar ou apostar.

Estas informações chamam a atenção diante de um contexto em que cada vez mais personalidades conhecidas na internet – os influencers – fecham contratos com empresas do setor, sem que haja clareza sobre o vínculo ser comercial.

REDES SOCIAIS

O Jornal da Orla, por meio das redes sociais, também inquiriu seus seguidores quanto ao ato de jogar on-line. Entre os que afirmavam que arriscavam nesses sites, 82% afirmaram gastar menos de R$100 por mês e 18% jogam com mais de R$1000. Destes seguidores, 14% jogam por adrenalina, 29% apenas por diversão, 7% por vontade de enriquecer e 50% sem um motivo específico.

Neste mesmo universo, 6% confessaram que usaram aplicações financeiras ou pediram dinheiro emprestado para apostar on-line.

PATOLOGIA

Os dados expõem o que os consultórios de psiquiatria já constatam. “Tive um paciente que me procurou quando sua esposa deu um ultimato.

Naquela ocasião, ele já devia cerca de R$ 100 mil para pessoas que emprestaram dinheiro que ele usou para jogar pôquer. Ele estava tão viciado que não havia percebido”, revela a médica psiquiatra Ana Beatriz Tanios.

A especialista aponta que existem alguns sintomas que revelam a ludopatia, isto é, o vício de jogar e apostar. “Existem alguns aspectos que podem chamar a atenção e que é quando a pessoa deve começar a procurar ajuda.

Quando há uma certa irritação ou inquietude apenas pelo fato de não jogar; quando começa a desviar dinheiro que era destinados a necessidades básicas, como moradia, escola, alimentação; quando o ‘azar’ e a perda de dinheiro prejudicam relacionamentos afetivos, de trabalho ou educação, entre outros sintomas. No viciado, o jogo vira uma obsessão na maior parte do dia, e quando se tenta controlar por algum motivo, ele falha.

Há uma necessidade de aumentar os riscos, porque o cérebro acostuma com a liberação de noradrenalina e dopamina”, explica Tanios.

Para o médico psiquiatra Miguel Rezende, do hobby ao vício, basta uma emoção mais forte. “Se ganhar, vai querer jogar mais; se perder, vai querer recuperar o valor apostado.

O que vira compulsão.

Aquilo que para alguns pode parecer apenas uma brincadeira, pode se tornar um grande problema que impacta no bolso de quem joga.

E dentro de um quadro compulsivo, o jogador não tem noção da realidade, nem autocrítica suficiente para parar de disputar. Mas existe tratamento. Assim que reconhecer o vício, deve-se procurar um profissional especializado”.

YOUTUBE

Há pouco mais de 15 dias, o YouTube emitiu uma nota em que dizia sobre a proibição dos criadores de conteúdos mencionarem casas de apostas e sites de jogos de azar não aprovados pelo Google.

Desde o dia 19 de março, qualquer canal que cite as empresas proibidas poderá sofrer consequências listadas na política de uso da plataforma.

Os youtubers não poderão divulgar endereços de internet das bets e jogos de azar proibidos, incorporar links em imagens ou textos, publicar artes dos serviços (incluindo logo) ou falar sobre eles nos vídeos.

Antes dessa atualização, a plataforma já proibia meios de direcionar espectadores para casas de apostas ou cassinos.

A Vetusta Omissão da Polícia Civil e os Elos entre Ferros-velhos, Crimes Patrimoniais e Narcotráfico  8

A recente operação em ferros-velhos de Praia Grande, liderada pela GCM e parceiros, expõe um problema estrutural grave: a ausência de atuação do DEINTER-6 (por meio de suas Divisões, Seccionais , Delegacia de Investigações dos Municípios e Distritos ) nas ações de fiscalização e repressão a esse tipo de comércio ilegal.

Enquanto a força-tarefa multidisciplinar logrou apreensões e notificações, a omissão de um órgão especializado em investigações complexas revela uma lacuna estratégica, especialmente diante da articulação crescente entre receptação, crimes patrimoniais e tráfico de drogas. 

É notório que ferros-velhos funcionam como pontos de escoamento de mercadorias roubadas, como portões, janelas , torneiras , marcadores de água e luz , fios elétricos e equipamentos públicos, alimentando um ciclo de violência e prejuízos sociais.

No entanto, o cenário atual vai além: essas estruturas – os ferrolhos –  têm sido usadas como fachadas para o narcotráfico, principalmente para a venda de crack, que se alastra em áreas urbanas periféricas.

A falta de atuação proativa do DEINTER-6 — cuja competência inclui justamente o enfrentamento a redes criminosas organizadas — permite que esses estabelecimentos operem sob um véu de impunidade, onde o comércio de objetos ilícitos coexiste com a distribuição de drogas. 

A operação citada na matéria, embora relevante, limita-se a ações pontuais de fiscalização documental e apreensão de materiais, sem avançar na desarticulação das redes criminosas que sustentam esses negócios.

Enquanto a GCM e a Polícia Militar atuam na superfície, a ausência da Polícia Civil  impede investigações profundas, como o rastreamento de financiamento do tráfico  através da receptação e  a identificação de líderes que coordenam essas atividades.

A própria apreensão de réplicas de armas e veículos abandonados sugere vínculos com a segurança de facções, algo que demanda expertise investigativa especializada. 

Além disso, a descoordenação institucional fragiliza a eficácia das políticas públicas.

Não esquecendo que para a população há corrupção policial .

Se, por um lado, a participação de concessionárias como a Sabesp é essencial para identificar furtos, por outro, a falta de integração com o DEINTER-6 perpetua a fragmentação das informações, dificultando o mapeamento de conexões entre crimes patrimoniais e o narcotráfico.

O secretário de Segurança menciona a redução de índices de roubo ignorando os milhares de roubos e furtos qualificados não noticiados em razão do descrédito nas policiais .

A  omissão no combate ao tráfico/receptação  mina qualquer avanço, já que o crack alimenta outros delitos, como furtos  e roubos para sustentar vícios. 

Em síntese, é urgente que o DEINTER-6 assuma seu papel central nesse cenário, atuando não apenas de forma reativa, mas com inteligência policial e operações integradas, capazes de desmantelar as redes que se beneficiam da ilegalidade.

Enquanto isso não ocorrer, as ações contra ferros-velhos serão apenas medidas paliativas, incapazes de romper o elo perverso entre receptação, violência urbana e tráfico de drogas.