A PM de São Paulo  dita as regras da reestruturação 14

A reestruturação das forças policiais em São Paulo escancara uma contradição que não pode ser ignorada: enquanto a Polícia Militar conseguiu ampliar horizontes de carreira e valorização, a Polícia Civil permanece aprisionada em um modelo antiquado, que condena seus servidores à estagnação precoce.


Na Polícia Militar, o soldado que antes se aposentava como Terceiro Sargento agora pode chegar até Subtenente. Essa mudança não é apenas simbólica: significa que o militar terá 35 anos de progressão funcional, acumulando aumentos salariais e reconhecimento ao longo de toda a vida profissional. É um avanço concreto, que valoriza o praça e dá dignidade à sua trajetória.


Já na Polícia Civil, o cenário é desolador. O policial civil encontra seu “fim de carreira” por volta dos 18 anos de serviço, quando atinge o topo da progressão possível. A partir daí, sua vida funcional se torna uma espera pela aposentadoria, sem horizontes de crescimento. A reestruturação ignorou a Lei Orgânica Nacional da Polícia Civil, que prevê a aglutinação de cargos como Escrivão, Investigador e Papiloscopista em um único cargo de Oficial Investigador. Essa medida poderia simplificar a estrutura, ampliar a mobilidade e valorizar de fato a categoria.

Mas São Paulo preferiu manter a fragmentação, perpetuando a duplicidade de funções e a estagnação salarial.


O contraste é brutal: o policial militar terá uma carreira longa e ascendente, com ganhos significativos até o fim; o policial civil, por sua vez, terá sua vida funcional “morta” na metade da trajetória. É uma injustiça institucionalizada. Se a PM conseguiu avançar, por que a PC não pode ter um modelo semelhante, iniciando na 6ª classe e chegando à 1ª classe ao se aposentar, com aumentos proporcionais e equivalentes aos da PM?


A verdade é que a reestruturação paulista foi tímida e desigual. Valorizou os militares, mas deixou os civis à margem. Se o objetivo é fortalecer a segurança pública, não faz sentido manter uma corporação motivada e outra desanimada. A sociedade precisa de policiais civis e militares igualmente valorizados, com carreiras dignas e horizontes de crescimento.


Enquanto essa disparidade persistir, a mensagem transmitida é clara: em São Paulo, há policiais de primeira e de segunda categoria. E isso, em um Estado que depende da integração entre suas forças, é um erro estratégico que mina a eficiência e a justiça dentro da própria segurança pública.

Título: Flit

Texto: Agente da Entorpecente

Um Comentário

  1. E os policiais penais que são muito importantes porque seguram os ladrões nos presídios cheios de facções. Deveriam ser reconhecidos e valorizados.

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  2. Há um erro, os praças sem puderam chegar ao posto de Subtenente na ativa, segundo tenente da reforma/aposentadoria!

    Isso desde dos anos 80, quando entrei na PM!

    Está havendo uma confusão ou desinformação!

    Na minha época era assim, ano de 1986, entrava aluno soldado, formatura soldado pronto, passado 1(um) poderia prestar concurso para cabo.

    Nova escola, nova formatura, ficando disponível paras onde houvesse vaga, sempre tendo o critério que os primeiros colocados poderiam escolher entre as vagas disponíveis!

    Passado 1(um) ano como Cabo possibilidade de prestar concurso para sargento, naquela época chamava CFAP (Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praça). Formando os terceiros Sargentos, mais uma vez sendo transferidos para unidades que havia vagas para os terceiros Sargentos.

    Promoção para segundo sargento por tempo, em geral entre 7 a10 (dez) anos, dependendo das punições!

    Para primeiro sargento dois caminhos na aposentadoria, posto imediato, ou prestando concurso para fazer o CAS (Curso de Aperfeiçoamento de Sargento) que só abria de tempos em tempos, com poucas vagas, formado e promovido a primeiro sargento a promoção a Subtenente era por antiguidade, ou na aposentadoria !

    Nem e preciso dizer que eram poucas vagas para os da atividade, chegando a Subtenente a promoção a segundo tenente, agora oficial, só na aposentadoria!

    Sempre teve a possibilidade de um soldado chegar a Subtenente ou Segundo Tenente, depende o esforço pessoal da cada um!

    Havia também o Chacal, graduado de Cabo a Subtenente que poderia prestar concurso interno para fazer academia, curso de atividades de apoio, nunca de comando, onde o máximo que poderia chegar era a Major, mas na reserva, ficando como Capitão a maior parte do tempo!

    Atualmente as coisas mudaram um pouco, há promoção por tempo de serviço, muito parecido com a PC.

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  3. se demora pra ser promovido, reclama. Se chega ao topo da carreira “rápido” aos 18 anos, reclama também.

    ah vcs merecem ganhar mal mesmo, na moral.

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  4. Enquanto Policiais Civis fazem investigações com designação do famoso dia da pedra que é o dia de transporte de presos para audiência de custódia e transferências para penitenciárias longes.

    Policiais Civis fazem Polícia Judiciária investigação de cartório, investigação de campo, grupos operacionais fazendo serviços de GCM, Polícia Militar e Penal; Atendimento as GCM, PM, Penal, ao publico e carceragem…

    Cadê nosso reconhecimento?

    93.000 PMs beneficiados não se vê 1 viatura nas ruas, quando liga cai na secretaria eletrônica e não tem viatura para atender, ficam aquartelados fazendo exercícios, enquanto a 26.000 PCs passa o dia inteiro nas ruas investigando e transportando presos.

    Policial Civil trabalhando por 3 e ganhando por 1. Explorando Agentes e Auxiliares de Papiloscopistas com salários inferiores. É sabido por todos dentro da PC que todos fazem de tudo.

    A Lei Orgânico Nacional da Polícia Civil veio para acabar com esta discrepância, mas continuam desvalorizando e se aproveitando dos Agentes.

    Queremos todos direitos da LONPC, exclusivo, o novo cargo de Oficial Investigador traz reconhecimento onde todo policiais civis fazem serviço de Polícia Judiciária na Delegacia.

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    • Exato. Todos são capazes de exercer todas as atribuições. Vou lembrar disso ao quando todos se fundirem com auxiliar de necropsia. Afinal também é carreira policial Civil (visto q não existe carreira polícia científica). Lembrando q não separou de fato e não está na CF. Isso posto a única coisa que forma a Científica são Peritos e Legistas. Todos os demais são agentes da autoridade (leia-se Delegado). Tanto que os Peritos se autodeclaram “Autoridade Administrativa ou científica”. Aposto q nessa reestruturação vão querer fazer duas carreiras distintas p “Científica”. Provavelmente irão fazer o Atepol virar carreira técnica e deixar de ser operacional em um estalar dedos. Os fotógrafos e desenhistas provavelmente não vão querer se unir a Atepol e Auxiliares. Vamos aguardar. O correto era seguir a LONPC a risca. Igual a Minas Gerais. Lá Auxiliar de necropsia se tornou investigador. Porém o povo pensa q ao se tornar “OIP” ou algo assim que será um oba oba. Tipo escrivão já abandonar o cartório e o Investigador já ter q abraçar um cartório. Não tem como acontecer isso. Os servidores teriam de passar por reciclagem na ACADEPOL e etc. Porém todos sabemos que você aprende a ser polícia na prática. ACADEPOL não ensina praticamente nada. Isso vai Dos administradores até os “bunda rachada”. Aposto que vira mais uma reestruturação azeda. Carreiras e pessoas com interesses escusos. Provavelmente fodendo salarialmente também. Meu antigo chefe tinha dado uma excelente sugestão (algo q eu já tinha em mente)…

      Todos entram como Agentes Policiais com nível médio, todas as outras carreiras são extintas e se tornam “funções”. Aí depois de passado o estágio probatório e tendo nível superior, você poderia galgar as outras funções (escrivão, investigador, Atepol, Papi e etc), quando houvesse vaga e após reciclagem. Com isso não mexeria em ninguém, quem não tem NU e a carreira for de NU também não iria mudar, não iria roubar chefia e etc. Todos seriam contemplados, não mexeria com quem está quieto e o principal… Carreira forte. Porém conhecendo a PC e SPTC isso é utopia. Querem manter “castas”, ou seja, interesses escusos e peões para desempenhar (aliviar o serviço) a atividade.

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  5. Quem tem quase 20 de casa, está há 8 anos na 2a classe e tem curso de promoção irá automaticamente para a 1a classe ou agora terá de esperar os tais 6 anos?

    Se for isso tomarei no coco e no relógio pois mais tardar 1 ano e meio vou na antiguidade.

    Aqui é sem correria. Só na antiguidade mesmo.

    Me ajuda aí….

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    • COITADO nao recebe nenhuma das duas verbas.E triste estar de fora. Mais tem o que fazer: ” Vai na corregedoria e diz que recebe e quem paga. Entra com uma acao civil contra o gate e explica porque e igual ao arrego do jogo do bicho” ps aproveita e diz paravo judiciario que os penduricalhos sao parecidos tambem.

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  6. Depois dessa desfeita vou me limitar apenas ao que o delegado mandar. Assim como manda em Investigador, escrivão, agente policial e agente de telecomunicações.

    O governo deixou os carcereiros da polícia civil num limbo juridico sem sanar o problema da extinção da carreira, sem reenquadramento, sem direito a integralidade e pararidade já que não terá ninguém na ativa num futuro próximo.

    Não faço mais nada, não vou mais ficar me matando na investigação a mando do delegado porque o investigador quer se encostar num plantãozinho…

    O governo extinguiu o cargo de carcereiro, não reenquadrou em cumpriu a lei organica federal, então, dane-se a policia civil e a população, só vou fazer o básico do básico como muitos investigadores

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    -Unificação de cargos: todos os cargos operacionais (Agente Policial, Telecomunicações, Carcereiro, Escrivão e Investigador) seriam fundidos em Oficial Investigador.

    – Mobilidade funcional: o servidor poderia atuar em investigação, cartório, telecomunicações ou custódia, conforme necessidade da instituição.

    – Progressão: estruturada em 5 classes + Classe Especial, garantindo evolução contínua até o fim da carreira.

    – Valorização: o salário praticamente dobra ao longo da trajetória, semelhante ao modelo da PM, que garante progressão até Subtenente.

    Esse modelo corrige a crítica central: o policial civil não ficaria “morto” aos 18 anos de carreira, mas teria progressão contínua até a Classe Especial, com valorização equivalente à da Polícia Militar.

    Garantia e eficiência do serviço público, com isso acabaria a vadiagem e vagabundagem de alguns que falam que não tenho senha ou com a desculpa de que esta não é minha função.

    Classe V (início) R$ 7.000,00 Execução de tarefas operacionais básicas: diligências externas, custódia de presos, atendimento inicial em cartórios, apoio em telecomunicações e suporte administrativo.

    Classe IV R$ 8.500,00 Condução de inquéritos simples, lavratura de autos, coordenação de equipes menores, gestão de comunicações internas e apoio em investigações de baixa complexidade.

    Classe III R$ 10.000,00 Investigação de crimes complexos, liderança de equipes em operações de maior porte, elaboração de relatórios técnicos, coordenação de cartórios e supervisão de custódia.

    Classe II R$ 11.500,00 Coordenação de setores especializados (homicídios, crimes cibernéticos, narcóticos), | supervisão de equipes multidisciplinares, integração com outras forças policiais, planejamento de operações estratégicas.

    Classe I R$ 12.500,00 Gestão de departamentos, planejamento de operações de grande escala, representação institucional em órgãos externos, supervisão de formação e treinamento de novos policiais civis.

    Classe Especial (topo) | R$ 13.000,00 Liderança máxima da carreira operacional: assessoramento direto à direção da Polícia Civil, formulação de políticas de investigação, coordenação de projetos estratégicos e inovação tecnológica na corporação.

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  8. Aspectos sobre a reestruturação – IA

    Multiplicidade de carreiras (≈13) gera fragmentação institucional e enfraquece a identidade comum.
    Estrutura favorece disputas internas e reduz cooperação entre funções semelhantes.
    Diferenças remuneratórias relevantes criam sensação de injustiça entre quem exerce atividades próximas.
    Segmentação dificulta a formação de uma pauta coletiva forte da categoria.
    Fragmentação é politicamente conveniente, pois reduz pressão por reformas estruturais.
    Unificação tende a exigir aumento de gastos públicos, o que desestimula o Executivo.
    Resistência interna: quem ganha mais teme perda de status; quem ganha menos exige equiparação.
    Argumento meritocrático (concursos distintos) dificulta nivelamento entre carreiras.
    Risco de aumento de atribuições sem correspondente valorização em eventual unificação.
    Modelo atual gera ineficiência administrativa e redundâncias operacionais.
    Excesso de cargos dificulta gestão, planejamento e mobilidade funcional.
    Redução de carreiras com manutenção de especialidades pode ser alternativa intermediária.
    Carreira única com níveis internos pode preservar diferenciação sem fragmentação.
    Equalização salarial gradual reduziria conflitos sem impacto abrupto.
    Fortalecimento da identidade institucional é essencial para qualquer reforma.
    Cenário atual configura equilíbrio ruim: reconhecidamente ineficiente, mas politicamente estável.

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  9. Com essa reestruturação os policiais civis estão comemorando que podem chegar à classe especial com 18 anos. Isso é um equívoco. Há requisitos a cumprir. Se o policial não for reprovado em nenhuma das passagens vai em 18anos, mas com azar, talvez tenha que esperar mais três anos, ou seja, 21 anos até a classe especial. Não esqueça que haverá avaliação anual pela chefia superior. E que isto não sirva de mecanismo para assédio moral dentro da polícia. A Administração tem de dar condições para o policial trabalhar e não exigir mais do que ele pode dar. Que não haja dois pesos de uma medida. Será que delegado vai ser fiscalizado? Será que os puxa sacos serão fiscalizados ou os critérios de avaliação serão só para oprimir os desapadrinhados? Também há uma inconstitucionalidade no projeto, uma vez que o critério de avaliação é anual, não pode haver mais um outro critério bienal, no caso, inclusão de punições até dois anos do início do processo de avaliação(multa e suspensão). Porque isso além de confrontar com o estabelecido na constituição estadual e federal, as quais estabelecem que as avaliações são compreendidas no período de um ano, seria um requisito desprovido de proporcionalidade porque inclui na avaliação um critério de uma avaliação do ano anterior!! E por fim, lembrando que a avaliação de desempenho também é utilizada para demissão do servidor, claro que com os famosos direitos “ampla defesa e o devido processo legal”.

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