Tarcísio foge da pergunta, mas até que se apresentem provas o seu Vice de forma suspeita remeteu e  ocultou por 13 anos cerca de R$ 7.500.000,00 em paraíso fiscal …Em nome da esposa : mulher bela, conservadora e do lar! 2

O vice de Tarcísio de Freitas ,  Felício Ramuth é investigado em Andorra por suposta lavagem de cerca de U$ 1,6 milhões de dólares, com bloqueio de aproximadamente U$ 1,4 milhões em conta ligada a offshore panamenha em nome da esposa, o que é um arranjo típico de estruturas usadas em esquemas de lavagem de capitais e ocultação patrimonial.

O que já se sabe do caso

A Justiça de Andorra apura movimentações entre 2009 e 2011, quando ele era secretário de Transportes de São José dos Campos.

A conta foi aberta no Andbank em outubro de 2009, na mesma época da constituição da offshore Visio Corporation LTD SA, no Panamá, vinculada à esposa.

Sem ironias, as primeiras vítimas do político manipulador são as próprias esposas. Na prática , tratando-se da instrumentalização da participação – em especial da mulher – como laranja ou “testa de ferro” afetivo.

O marido – seja político , empresário ou chefe de máfia travestido de chefe de família de lata de conserva – apresenta os documentos como mera “formalidade”, omitindo o alcance penal e tributário, de modo que uma mulher acaba , de escudo patrimonial, transformada em coautora e fonte probatória.

E o relatório em desfavor de Ramuth , da Unidade de Inteligência Financeira de Andorra, fala em suspeitas de “delito grave de branqueamento de capitais”, mencionando sociedades instrumentais sem informações disponíveis, com valores que provêm de países como EUA e Luxemburgo.

Em vez de remessa por meio de banco brasileiro.

Ora, ao contrário do que se quer vender , a investigação não diz respeito apenas ao estabelecimento bancário que recebeu os depósitos. Diz muito mais respeito àqueles que inventaram as empresas , abriram as contas e movimentaram os valores.

E de se considerar que , Felício Ramuth , entre 2005 e 2008,  foi diretor-presidente da Urbam – empresa pública municipal , da empresa Direct Serviços Digitais e Sistemas e de outra registrada como CSJ.

Em concurso com sócios da empresa CSJ e da Direct , foi denunciado pelo Ministério Público por supostas fraudes em licitações que causaram grandes prejuízos ao município de Praia Grande ;  histórico reduto do PSDB . Segundo o Ministério Público, Felicio e sócio Angelo usaram suas empresas para fraudar ao menos três licitações da Prefeitura de Praia Grande, cidade administrada pelo PSDB.

As supostas irregularidades teriam contado com a participação de pelo menos 11 servidores municipais. Os réus negaram todas as acusações e , ao final , foram absolvidos .

As licitações , conforme descreveu o MP , envolviam serviços de gestão eletrônica de resíduos e tiveram a participação de apenas duas empresas: a Direct, de Felicio, e a CSJ, de Angelo.  

Coincidentemente , na mesma cidade onde o ex-delegado geral Ruy Ferraz Fontes foi cinematograficamente assassinado , em setembro do ano passado , por motivos , executores e mandantes ainda não identificados .

Jogando-se tudo , providencialmente , na conta genérica do PCC. 

Mas que policiais e observadores locais dizem – em conversas de bastidores e até programas no modelo Podcast – que  a execução foi praticada por profissionais de segurança pública mediante pagamento de grupo de poder prejudicado pela atuação do então Secretário de Administração .

Para quem gostar de saborear teorias conspiratórias sirvam-se…

Deixando claro que se trata de mera percepção e boato, não fato investigativo oficial. E boato muito mais do que fundo de verdade tem mesmo é fundo de maldade!

Mas seria uma boa razão para que as investigações sobre a morte de Ruy Fontes permaneçam apenas na conta de vingança do PCC.

Retomando a questão ,  segundo a imprensa profissional , na campanha de 2022, Ramuth declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de cerca de 1,4 milhão de reais, incluindo pequena quantia em conta bancária no Brasil, valores em espécie e nenhum bem ou aplicação no exterior.

Em maio de 2023, já como vice-governador, a Justiça de Andorra determinou o bloqueio de cerca de U$ 1,4 milhão da conta ( então cerca de R$ 7.000.000,00, ao câmbio da época ) .

Ramuth afirma que os recursos têm origem lícita, anterior à vida política, e que tanto os valores quanto a empresa no Panamá foram declarados à Receita Federal, alegando que uma investigação em Andorra seria dirigida ao banco e não a ele diretamente.

De sinceridade contestável.

Felício Ramuth  – desde jovem – ocupava cargos no partido e na Administração Pública ; construiu sua carreira em São José dos Campos, onde – além de presidente do diretório do PSDB – foi secretário municipal (incluindo a pasta de Transportes) e, depois, prefeito da cidade entre 1º de janeiro de 2017 e 2022, tendo sido reeleito em 2020.

Suas empresas , exclusivamente , eram voltadas ao  fornecimento de bens e serviços à administrações públicas , notadamente dos governos do PSDB .

Em resumo, a trajetória anterior a 2016 é a de um administrador , formado pela FGV , ligado ao grupo tucano  estadual , que ocupou cargos estratégicos no Executivo joseense (planejamento/comunicação e transportes) até se tornar o candidato natural à sucessão na prefeitura e depois aspirante ao cargo de governador .

Com a mudança dos ventos , juntou-se a Kassab e foi catapultado ao cargo de vice de Tarcísio. 

Incomoda questão

Durante agenda em Embu das Artes, o governador  – o vestal da moralidade e honestidade – respondia sorridente sobre obras e inaugurações, até que surgiu o tema que realmente importa: a investigação em Andorra envolvendo o seu vice, Felício Ramuth, por suposta lavagem de 1,6 milhão de dólares, com bloqueio de cerca de 1,4 milhão em conta ligada a offshore panamenha.

Bastou um  repórter mencionar o caso para que Tarcísio encerrasse abruptamente a entrevista e deixasse o local, em silêncio constrangido e registrado em vídeo. 

O governo paulista, pela via burocrática da “nota oficial”, tenta dourar a pílula: diz que não há processo no Brasil contra o vice, que Andorra estaria apenas fazendo diligências em relação ao banco  e repete o mantra de que “todos os recursos foram declarados” e tributados.

Será que tal declaração de recursos se deu na mesma base da declaração de domicílio do governador?

Certamente , a justiça eleitoral estadual – cega – não viu irregularidade na declaração de domicílio , mas se o próprio Tarcísio coloca em dúvida o STF alegando a injusta condenação de golpistas, com mais razão não se pode confiar em promotor e magistrado eleitoral , atuando singularmente.

Ademais , ele nunca foi – de fato – domiciliado neste Estado!

A defesa de Ramuth segue o mesmo roteiro de negar e justificar , sem exibir provas ,insistindo na licitude da origem e na regularidade fiscal, como se declaração de IR, por si só, fosse antídoto contra lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial no exterior.

Mas o que o vice-governador não quer explicar  é qual a lógica de um político que até então era secretário de transportes de São José dos Campos,  em nome da mulher , abre empresa , justamente no Panamá , paraíso das offshores de papel , para depositar , em seguida, mais de um milhão e meio de dólares em banco que não paga juros sobre o capital; pelo contrário contrário: cobra taxas de custódia.

Sim, em vez de investimento rendendo juros , o correntista tem que pagar para o banco guardar o dinheiro.

Ora , se o dinheiro era de fato lícito poderia – e deveria – ter sido investido em fundos de moedas estrangeiras mantidos por instituições como a CEF – por exemplo .

Ou melhor: em quaisquer investimentos na nossa moeda que , ao longo do tempo, rende – historicamente – mais do que a moeda americana , quando , meramente , custodiada em cofre de  banco  europeu, não é?

A lógica econômica é nenhuma; a lógica é típica de ocultação patrimonial e de arquitetura de “dinheiro difícil de rastrear.

Por que Panamá e Andorra fazem sentido para quem quer se esconder?

O Panamá é um polo clássico de offshores “de papel”: empresas sem atividade real, usadas para separar formalmente o dinheiro do verdadeiro beneficiário, com forte tradição de sigilo e baixíssima tributação sobre capital  auferido fora daquele país.

Andorra, por sua vez, é (ou foi por muito tempo) um microestado com sistema bancário conservador, alta confidencialidade e regime fiscal mais amigável do que a média europeia, historicamente associado ao planejamento tributário agressivo e, em alguns casos, às estruturas usadas para evasão ou lavagem.

O cinismo de quem bate carteira e grita pega ladrão

Tarcísio , todos os dias , discursa seu falso moralismo contra o governo Lula e contra o PT , mas é – como a maioria dos políticos – o mais acabado figurino do moralista seletivo.

Com agravantes: invoca a formação militar como atestado de competência, de honestidade e altivez , mas vive lambendo pastores neopentecostais mendigando votos do rebanho infeliz!

O contraste  entre o que diz e faz é eloquente quando lembramos o discurso das “maçãs podres” usado por Tarcísio ao minimizar a prisão de seu então chefe de segurança – um Capitão da PM – em operação contra o PCC.

Quando o problema é no andar de baixo, trata-se de um desvio isolado que deve ser apurado com todas as garantias e com a presunção de inocência .

Quando a mera suspeita alcança os adversários ela condena sem provas; afirmando que o Brasil vive sobre escombros da imoralidade , da corrupção e do crime organizado protegido pelo Governo Federal.  

Quando vestígios levam à suspeitas de crime de corrupção passiva , improbidade administrativa e de lavagem de dinheiro podem atingir o segundo homem do seu governo , Tarcísio simplesmente dá as costas e vai embora. 

Fujão!

Tarcísio , hipotético crime de corrupção – se cometido – deve estar prescrito (ou na iminência de ser ) , mas eventual crime de ocultação  de bens tem como termo inicial a data em que dele se tomou conhecimento , no caso , foi quando o bloqueio se tornou oficialmente conhecido .

Ademais , a lavagem de dinheiro é autônoma em relação à infração penal antecedente. Portanto, a prescrição ou a extinção da punibilidade do crime anterior não impede a punição pela lavagem de dinheiro.

Obviamente ,  seria pedir demais que a Polícia Civil – por uma das suas delegacias de investigações de crimes contra a ordem tributária ou de lavagem de capitais – instaurasse inquérito policial para apurar a conduta pretérita de Ramuth. 

Aliás, a polícia judiciária estadual é mantida sucateada e sob a direção de “delegados de confiança” justamente para jamais incomodar os medalhões da elite e da política estadual ; ainda mais os políticos da vez.

Contudo lhe digo o seguinte: para o Flit Paralisante – no tocante a ocultação de bens e valores no exterior – o ônus da prova da origem lícita do dinheiro cabe a quem remeteu e o mantém , especialmente em nome de pretensa empresa de papel domiciliada no exterior tendo como titular a esposa, segundo consta : mulher honesta e do lar!

E nesse sentido havendo dúvidas , diante do conjunto das circunstâncias , de que o dinheiro é produto de crime, ainda que parcialmente , o dono precisa provar a licitude (ex: holerites, contratos, declarações de imposto de renda, rastreamento bancário) para afastar a presunção de ilicitude, o que caracteriza a inversão do ônus da prova.

Diga-se , para restituição de quaisquer objetos apreendidos exige-se , até da própria vítima do crime , a prova de que se é o dono e de que a origem do bem é legítima.

Se vale para a bicicleta velha do operário pobre , com muito mais razão vale para o milhão e meio de dólares do vice-governador!

E , salvo melhores entendimentos , eventual declaração de IRPF mesmo com o devido recolhimento dos tributos federais  ( sem esquecer dos estaduais e municiais  ) ,  além de, necessariamente,  anteceder a remessa internacional , por si só , não faz prova da origem lícita do dinheiro.

O lançamento na declaração gera a obrigação tributária sobre o valor que o contribuinte disse ter auferido e  possuir.

Mas a  prova da origem  honesta se faz com ampla documentação, especialmente contabilidade e balanço no caso de empresas.

Cá entre nós : secretário municipal de transporte , em 2009 , remetendo e ocultando cerca de R$ 3.000.000,00 ou o equivalente a U$ 1.500 milhão – justamente quando os estrangeiros mais investiam seus dólares do Brasil –  cheira muito mau.  

O vice Ramuth, obviamente , não pode ser condenado antecipadamente , mas politicamente a questão é sensível e do ponto de vista dos deveres patrióticos , um político – um administrador público – que guarda o seu dinheiro no exterior – ainda que seja honesto e permitido – não merece os nossos votos.

Eis o recado: não confiem no Brasil , pois nós da Administração Pública não somos de confiança! Nem o nosso dinheiro aqui deixamos!

E confirma as lições do nefasto Bolsonaro: soneguem tudo o que puder!

Sempre lembrando que dizem que o nosso nariz é defeituoso …

Mas não é grande como o do Ramuth ( risos ) !

E a Receita, em regra, limita-se a verificar a consistência formal da declaração e se o tributo correspondente foi recolhido; nem sempre exige prova da licitude ou da própria existência física de todos os ativos declarados.

Isso faz com que a DIRPF seja, na prática, usada por alguns agentes públicos como etapa de “branqueamento documental”: ao constar no banco de dados da Receita, o patrimônio ganha aparência de legitimidade, ainda que a origem criminosa permaneça intocada.

Tratando-se,  justamente, de  modalidade sofisticada de lavagem , usando uma máquina fiscal – que pode ser corrompida – para dar verniz de boa-fé.

Resta à Polícia Federal e ao Ministério Público seguir o caminho do dinheiro – entre Andorra, Panamá e Brasil – enquanto o chefe do Executivo paulista foge de perguntas incomodas  sobre o seu vice como se fossem balas perdidas disparadas pela PM.   

Um Comentário

  1. Meu Caro Dr. Guerra! Seus artigos, sempre impecáveis na redação, por vezes me levam a refletir sobre o conteúdo e conclusões, recostado em meu sofá reclinável, de seis lugares, revestido de tecido de fios egípcios, cuja aquisição foi por mim devidamente declarada em meu “imposto de renda”, porque o preço pago na época me levou exatamente 60% dos meus felpudos proventos de juiz aposentado. E nas reflexões que faço agora sobre os tais 1,4 milhões de dólares depositados em Andorra, onde inclusive tenho parentes por parte de minha mãe e que não são banqueiros e são pobres, e nem sequer conhecem o Brasil ou o vice-governador, beneficiário em “cascata” dessa “grana”, e chego à seguinte conclusão: é uma “mixaria” que, se encerrada em si mesma, compromete em muito o 2º mandatário do Estado, não pelo eventual “desvio para si desse dinheiro”, mas pelo reduzido valor (se total) empalmado. Consulte, meu amigo, os autos do IPe 1510288-40.2024.8.26.0050 e ali verá que, sob os olhares cândidos da Corregedoria da PMESP, da ilustre autoridade policial que preside o feito e do representante do MP afeto, já se constata o desvio de mais de 50 milhões de reais, pasme!, de policiais militares da ativa e reformados, inclusive com a utilização indevida de “códigos de descontos” fornecido pela Secretaria da Fazenda de SP, tudo inicialmente denunciado por uma Cabo do Corpo de Bombeiros, possível beneficiária arrependida ou filete de água limpa em cano de esgoto. Então, vamos deixar o vice-governador em paz, pela “insignificância” de seu eventual “desvio”.

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    • Dr. Tovani , de fato , mesmo considerando o período de 2009/11, não era tanto assim. Um delegado de polícia mantinha na Suissa mais de 250 milhões de dólares. Não que ele tenha roubado no exercício do cargo. Ele vendeu uma grande empresa de segurança e , segundo boatos , deu um capote no Fisco e nas irmãs…Não sei o final da estória, se ele trouxe o dinheiro pagando os tributos conforme o governo federal propunha para todos em idêntica situação. De qualquer forma, o Ramuth só progrediu …Quem garante que hoje não tenha 150 milhões? kkk Quanto aos oficiais , peculatar é a especialidade deles , tanto que reformados são convidados para dar uma roubadinha nas prefeituras…Desde que dividam!

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