Santa Catarina precisa ser investigada de fora para dentro …Melhor o pé no capim do que o pé na cova …Nóis vai descer …vais descer…vai descer : prá vala no finalzinho de ano! 3

Florianópolis, janeiro de 2026. A “ilha da magia” cavou mais um buraco na terra e enfiou dentro quatro rapazes que vieram de Minas e São Paulo em busca de trabalho  e um gole de futuro barato.

Foi recebê-los com execução e inumação em  vala clandestina e um recado muito claro: aqui quem manda é a facção;  e quem finge mandar veste farda, terno ou toga e diz que está “apurando os fatos”.

O roteiro é velho, mas em Santa Catarina ganha uma estética própria: o estado que se acha Europa tropical, loiro de catálogo, com bandeira hasteada no poste e olhar torto para quem vem de fora : nordestino, mineiro, paulista preto, pobres em geral ou apenas inconveniente.

A elite branca de condomínio e a malandragem uniformizada, engravatada e togada compartilham o mesmo incômodo: esse Brasil mestiço, barulhento e inconveniente que insiste em atravessar a ponte e pisar na areia que eles imaginam privada.

Os quatro meninos desapareceram numa quinta-feira qualquer, depois de um bar qualquer, porque o Brasil é isso: a linha que separa “sair para beber” de “sumir do mapa” é o primeiro beco sem câmera e o primeiro camburão que resolve olhar para o lado errado.

Em Florianópolis, o lado errado costuma ter CEP de periferia e sotaque de fora; em Minas eles eram filhos, amigos, trabalhadores de promessa miúda; aqui viraram “elementos”, “suspeitos”, “possíveis envolvidos com facção”, aquele carimbo mágico que autoriza a indiferença.

A versão oficial, por enquanto, é a mais cômoda: facção local, PGC, cemitério do crime, revanchismo com facção rival.

É a narrativa perfeita importada do governo Paulista : atribui tudo ao “crime organizado”, esse espantalho conveniente que esconde a promiscuidade estrutural entre Estado, polícia e mercado ilegal ;  como se cemitério clandestino brotasse sem vista grossa, sem controle territorial frouxo, sem conivência de quem diz “não sabia” enquanto passa de viatura a menos de uma quadra. 

E quem garante que não seja o cemitério clandestino da PM catarina?

Muito mais grave, quando um estado inteiro se acha “diferente do Brasil”, o passo seguinte é tratar brasileiro  mestiço de fora – salvo o Neymar – como invasor.

Racismo aqui não é só cor da pele, é também CPF de origem, sotaque  e a  roupa fora do padrão da tribo local.

A polícia catarinense já produziu seu desfile de casos de racismo explícito, a ponto de MP e Judiciário terem de impor medidas cautelares contra PM da reserva por vomitar ódio racial em vídeo , mas o discurso dominante segue o mesmo: “casos isolados”, “não representa a instituição”, “exagero da mídia”.

Enquanto isso, quatro corpos amarrados, mutilados, enterrados em Biguaçu, esperam identificação completa e laudo, enquanto as famílias em Minas e São Paulo sobem o calvário burocrático de reconhecer cabeça, fragmento, dente, qualquer coisa que prove que o filho agora é mais uma na estatística.

A morte em série, no Brasil, é processada em cartório, em planilha, em nota oficial de três linhas; o sofrimento é artesanal, feito à mão, de mãe em mãe, de pai em pai.

E aí entra o ponto que ninguém gosta de encarar: num caso desses, não basta “deixar a polícia trabalhar”.

Quando a polícia faz parte do problema – por ação, omissão ou promiscuidade – “deixar trabalhar” pode significar exatamente isso: garantir que não se chegue nos verdadeiros mandantes, nem nos elos incômodos da cadeia de comando, públicos e privados.

A mesma estrutura que finge se horrorizar com a vala é aquela que, na prática, negocia território, horários, favores e silêncio.

Ora…ora , onde não há drogas e putas a rodo não há turismo lucrativo!  

A Polícia Federal, quando não está capturada por ministro oportunista e diretor carimbador de despacho, já mostrou que sabe mexer em colmeia sem pedir benção a coronel local nem a cacique estadual.

É justamente por isso que incomoda: porque, em tese, tem fôlego e estrutura para chegar aonde a polícia “da casa” tropeça, desvia o olhar ou recebe uma “orientação” de cima: “deixa quieto” , coloca na conta do PCC.  

Num caso em que vítimas são migrantes internos, há suspeita de motivação discriminatória difusa, atuação de facção interestadual e histórico de racismo institucional, pedir federalização não é exagero; é instinto de sobrevivência democrática.

Santa Catarina precisa ser investigada de fora para dentro.

Não só o buraco na terra em Biguaçu, mas o buraco moral que transforma parte da população em hóspede indesejado no próprio país.

O separatismo não é só fantasia de rede social com bandeira confederada de fundo; está nas abordagens, nos xingamentos, nos “aqui não é lugar para vocês”, nas decisões administrativas que punem quem denuncia racismo e protegem quem pratica.

Os quatro rapazes mortos são o Brasil colidindo com o sonho europeu catarinense: um conflito que termina, claro, com os de sempre enterrados e os de sempre dando entrevista em frente a painel personalizado com brasão do Estado e do órgão policial.

Vão prometer “rigor”, “investigação imparcial”, “integração das forças”, enquanto nos bastidores combinam a narrativa aceitável, ajustam termos técnicos e distribuem culpas que não respingam em gente importante.

Neste palco, o mínimo aceitável é tirar o inquérito da mão da confraria local e jogar no colo de quem, ao menos em tese, não depende do churrasco de domingo com político da região nem da indicação para cargo em comissão no governo estadual. Federalizar não é panaceia; é só uma forma de dizer aos donos do pedaço que, desta vez, talvez não dê para empurrar tudo para o PCC de praxe e o PGC da vez, lavando a honra das instituições na água suja da vala comum.

Florianópolis gosta de vender a imagem de ilha da magia. A magia está aí: transformar quatro garotos em inimigos invisíveis, em alvos legítimos, em corpos descartáveis ;  sem que ninguém de farda ou caneta se sinta realmente responsável.

Enquanto não vier alguém de fora abrir essas covas simbólicas e institucionais, a única magia garantida será essa: fazer desaparecer, junto com os rapazes, qualquer esperança de que a vida de quem vem de longe valha alguma coisa na república branca da praia gelada.

En lugar de “el petróleo es nuestro”: queremos que nos devuelvan nuestro petróleo… ¡Con intereses y actualización! 8

Existe un fenómeno meteorológico muy peculiar en la geopolítica contemporánea: la “guerra humanitaria” tiene la curiosa propiedad de evaporarse justo encima de los mayores depósitos de recursos naturales ajenos. Qué coincidencia tan notable.

Tomemos a Venezuela. Nación que posee aproximadamente 300 mil millones de barriles de petróleo comprobado – algo así como cinco veces el arsenal energético de los propios Estados Unidos. Un detalle geográfico y geológico particularmente desafortunado, digámoslo así. Porque, fíjense bien, es precisamente en ese territorio bendecido por las reservas donde florece, de repente, una preocupación humanitaria tan candente, tan urgente, que exige decapitación con aviones de guerra, aprensión de tanqueros y, claro está, la captura de un Presidente de la República.

Todo muy moral. Muy democrático.

La fórmula es vieja como el imperio, pero funciona con la precisión de un reloj. Primero, fabricas un enemigo público: el “dictador perverso”, el “narcoterrorista”, la “amenaza para la región”. Después, construyes una narrativa que cabe perfectamente en treinta segundos de noticiero: “estamos aquí para salvar al pueblo”, “estamos aquí para combatir las drogas”, “estamos aquí para restaurar la democracia”. Y, muy discretamente, también mencionas que hay petróleo, pero solo en los informes internos, en los memorandos clasificados, en aquellos documentos que solo circulan entre las agencias de inteligencia.

Trump, sin embargo, perdió la elegancia tradicional. El hombre abrió la boca y dijo en voz alta: “queremos que nos devuelvan nuestro petróleo”, “nos vamos a quedar con el petróleo”, “Venezuela se apoderó de nuestros derechos energéticos”. Como si el petróleo fuera un reloj de oro que un niño travieso hubiera robado en el patio de la escuela y ahora el profesor viniera a recuperarlo, con derecho a castigo corporal.

No es invención de un blog de opinión. Es registro público. Vídeos. Declaraciones presidenciales. La candidez del imperio, de repente, sin barniz.

La Doctrina Monroe, Ahora en Versión “Trump Remix”

¿Saben aquella vieja máxima de 1823 – “América para los americanos”? Pues bien, no murió. Simplemente entró en receso, esperando el momento adecuado para una gira de reencuentro.

La Casa Blanca ya se encargó de explicitar: se trata de una actualización de la Doctrina Monroe para el siglo XXI, un corolario lógico de Trump.
¡La confiscación, el robo siguen siendo los mismos! Lo que cambió, técnicamente, es solo el arsenal. La lógica persiste: el hemisferio occidental es zona de influencia americana, y cualquier gobierno que no se alinee, que se arriesgue a asociarse con China, Rusia o Irán, que se atreva a pensar en recursos propios como propiedad propia: ese gobierno necesita ser “corregido”. Por su propio bien, naturalmente.

Dicho de otra forma: América Latina es, todavía hoy, el patio trasero de Washington. Y el patio trasero tiene dueño.

La Industria del “Narcoterrorista de Turno”

Hay un personaje recurrente en esta obra teatral de Estado: el “narcoterrorista”. Es una etiqueta elástica, cómoda, que sirve tanto para justificar bloqueos económicos como para autorizar operaciones militares, confiscación de activos, aprensión de barcos y ejecuciones extrajudiciales – siempre que sean televisadas con la debida solemnidad.

El problema es que, mientras Washington acusa a Caracas de narcotráfico, el mayor mercado consumidor de drogas ilícitas sigue en casa. Miles de muertes por sobredosis anualmente. Una epidemia de opioides que ya le ha costado a la economía de EE.UU. cerca de 1,5 billones de dólares, según reconocen sus propios analistas.

Nadie obliga a un estadounidense a volverse adicto al fentanilo, a la oxicodona, a nada. Son libres elecciones de una población libre en un país libre. Pero curiosamente, cuando se trata de Caracas o La Habana, la narrativa cambia: de repente, la culpa es del gobierno, de la dictadura que exporta criminales, de la industria del narcotráfico que conspira contra la libertad de las naciones.

¡La hipocresía es tan transparente que casi desaparece!

¿Entre el Autócrata y el Libertador de Portaaviones?

¡Aquí reside la amargura central de todo esto!

Nicolás Maduro es, a los ojos de organismos internacionales respetables, un dirigente que preside un régimen con serios problemas de autoritarismo, represión y violaciones de derechos humanos. Nadie por aquí viene a cantar himnos de alabanza al bolivarianismo en su forma actual.
Pero Trump – o cualquier presidente estadounidense que lance bombas en nombre de la democracia – tampoco es agente de virtud alguna.
Al contrario: es agente de una tradición imperial que ha volcado a demócratas elegidos, apoyado a dictadores útiles, financiado golpes militares, todo con la narrativa de “protección del mundo libre”.
El drama es que, entre el autócrata bolivariano de un lado y el libertador de portaaviones del otro, quien sangra es siempre el mismo personaje: el pueblo, aquel que no dirige una empresa estatal ni comanda un cuartel, aquel que muere en Caracas tanto en manos de la policía política como bajo el estruendo de una bomba “quirúrgica”.
Y ese pueblo no aparece en ningún comunicado oficial. No es citado cuando se habla de “salvación”, no es mencionado cuando se enumeran los “daños colaterales”. Es pura abstracción moral: la excusa que hace posible todo aquello que, de otra forma, se llamaría por su verdadero nombre: invasión, robo, recolonización.
Lo que más incomoda de toda esta historia no es siquiera la maldad – la maldad es explícita, dejó de esconderse hace tiempo. Lo que incomoda es la certeza blindada de que funciona. La convicción de que la población estadounidense – aquella que muere de sobredosis de opioides en un apartamento de Detroit, aquella que perdió su pensión en la Bolsa, aquella que reza para no enfermarse porque la salud cuesta un riñón – esa población ve una bomba cayendo sobre Caracas y concluye: “bueno, al menos estamos salvando la democracia allá afuera”.

Es la operación de marketing político más exitosa del siglo: transformar la rabia interna en agresión externa, convertir la frustración doméstica en una cruzada moral internacional.

Cualquier cronista que supiera ver el absurdo cuando nadie más lo percibía, diría algo así: “Agarré la noticia del noticiero y me reí. Después lloré. Después me reí de nuevo. Porque reír es la única respuesta honesta para quien ve al imperio gritar ‘humanidad’ mientras cuenta barriles de petróleo con los dedos.”
El pueblo que no aparece en el comunicado oficial es el personaje principal de esta farsa. Y mientras esté invisible en la letra pequeña de la geopolítica, seguirá sangrando en los dos márgenes: debajo de la bota del autócrata local o debajo de las alas del libertador importado.
Qué coincidencia tan notable, ¿no es cierto?
Es la regla del juego: detrás del lenguaje de la moralidad universal (derechos humanos, democracia, lucha antidrogas), opera una lógica férrea de poder y acumulación de riquezas.
Venezuela, con su petróleo, se ha convertido en el escenario perfecto para este montaje, donde la tragedia real de su pueblo es el telón de fondo ignorado para un conflicto mucho más antiguo: la disputa sobre quién tiene el derecho a poseer y controlar las riquezas del planeta, y a quién se le permite contar su propia historia.
Y los americanos no son americanos, son los viejos europeos de siempre hablando un inglés inculto.

Instead of “the oil is ours”: we want our oil back… With interest and adjustment! – Resposta

There is a very peculiar meteorological phenomenon in contemporary geopolitics: “humanitarian war” has the curious property of evaporating precisely over the largest deposits of other people’s natural resources. What a remarkable coincidence.

Let’s take Venezuela. A nation holding approximately 300 billion barrels of proven oil – about five times the energy arsenal of the United States itself. A particularly unfortunate geographical and geological detail, let’s say. Because, look, it is precisely in this territory blessed by reserves that suddenly blooms a humanitarian concern so fervent, so urgent, that it demands decapitation with warplanes, seizure of tankers, and, of course, the capture of a President.

All very moral. Very democratic.

The formula is as old as empire, but it works with clockwork precision. First, you manufacture a public enemy: the “vicious dictator,” the “narco-terrorist,” the “threat to the region.” Then, you build a narrative that fits perfectly into thirty seconds of news: “we are here to save the people,” “we are here to fight drugs,” “we are here to restore democracy.” And, very discreetly, you also mention that there is oil, but only in internal reports, in classified memoranda, in those documents that only circulate among intelligence agencies.

Trump, however, lost the traditional elegance. The man opened his mouth and said out loud: “we want our oil back,” “we’re going to take the oil,” “Venezuela took over our energy rights.” As if the oil were a gold watch that a mischievous child had stolen in the schoolyard and now the teacher came to recover it, with the right to corporal punishment.

This is not some opinion blog’s creation. It’s public record. Videos. Presidential statements. The candor of empire, suddenly, unvarnished.

The Monroe Doctrine, Now in “Trump Remix” Version

You know that old maxim from 1823 – “America for the Americans”? Well, it didn’t die. It merely went on hiatus, waiting for the right moment for a comeback tour.

The White House has already made it explicit: it is an update of the Monroe Doctrine for the 21st century, a logical corollary of Trump.


The confiscation, the theft, remain the same! What changed, technically, is only the arsenal. The logic persists: the Western Hemisphere is an American zone of influence, and any government that doesn’t align, that risks partnerships with China, Russia, or Iran, that dares to think of its own resources as its own property: that government needs to be “corrected.” For its own good, naturally.

Put another way: Latin America is, to this day, Washington’s backyard. And a backyard has an owner.

The “Narco-Terrorist of the Week” Industry

There is a recurring character in this state theatrical play: the “narco-terrorist.” It’s an elastic, comfortable label, good for justifying economic blockades as well as authorizing military operations, asset seizures, ship apprehensions, and extrajudicial executions – provided they are televised with due solemnity.

The problem is, while Washington accuses Caracas of drug trafficking, the largest consumer market for illicit drugs remains at home. Thousands of overdose deaths annually. An opioid epidemic that has already cost the U.S. economy about $1.5 trillion, as their own analysts acknowledge.

No one forces an American to get addicted to fentanyl, oxycodone, anything. They are free choices of a free population in a free country. But curiously, when it comes to Caracas or Havana, the narrative changes: suddenly, the blame is on the government, the dictatorship that exports criminals, the drug trafficking industry that conspires against the freedom of nations.

The hypocrisy is so transparent it almost disappears!

Between the Autocrat and the Aircraft Carrier Liberator?

Here lies the central bitterness of it all!

Nicolás Maduro is, in the eyes of reputable international organizations, a leader presiding over a regime with serious problems of authoritarianism, repression, and human rights violations. No one here is singing hymns of praise to Bolivarianism in its current form.
But Trump – or any American president who drops bombs in the name of democracy – is no agent of virtue either.
On the contrary: he is an agent of an imperial tradition that has toppled elected democrats, supported useful dictators, financed military coups, all with the narrative of “protecting the free world.”
The tragedy is that, between the Bolivarian autocrat on one side and the aircraft carrier liberator on the other, the one who bleeds is always the same character: the people, those who don’t run state companies or command barracks, those who die in Caracas either at the hands of the political police or under the blast of a “surgical” bomb.
And these people do not appear in any official statement. They are not cited when talking about “salvation,” not mentioned when listing “collateral damage.” They are pure moral abstraction: the excuse that makes possible all that which, otherwise, would be called by its true name: invasion, theft, recolonization.
What is most disturbing in this whole story isn’t even the wickedness – the wickedness is explicit, it stopped hiding long ago. What is disturbing is the armored certainty that it works. The conviction that the American population – those dying from opioid overdoses in a Detroit apartment, those who lost their retirement in the Stock Market, those who pray not to get sick because healthcare costs an arm and a leg – that this population sees a bomb falling on Caracas and concludes: “well, at least we’re saving democracy over there.”

It’s the most successful political marketing operation of the century: turning internal anger into external aggression, converting domestic frustration into an international moral crusade.

Any chronicler who knew how to see the absurd when no one else did would say something like this: “I caught the news on TV and laughed. Then I cried. Then I laughed again. Because laughing is the only honest response for those who see the empire shouting ‘humanity’ while counting barrels of oil on their fingers.”
The people who don’t appear in the official statement are the main characters of this farce. And as long as they remain invisible in the fine print of geopolitics, they will keep bleeding on both margins: under the boot of the homegrown autocrat or under the wings of the imported liberator.
What a remarkable coincidence, isn’t it?
It’s the rule of the game: behind the language of universal morality (human rights, democracy, the war on drugs), operates an iron logic of power and wealth accumulation.
Venezuela, with its oil, has become the perfect stage for this performance, where the real tragedy of its people is the ignored backdrop for a much older conflict: the dispute over who has the right to own and control the planet’s riches, and who is allowed to tell their own story.
And the Americans are not Americans, they are the same old Europeans speaking uncultured English.

Em vez de “o petróleo é nosso” : queremos o petróleo nosso de volta…Com juros e correção! 2

03/01/25 – 15h52

Em vez de “o petróleo é nosso” : queremos o petróleo nosso de volta…Com juros e correção! 

Existe um fenômeno meteorológico muito peculiar na geopolítica contemporânea: a “guerra humanitária” tem a curiosa propriedade de evaporar justamente acima dos maiores depósitos de recursos naturais alheios. Que coincidência notável.

Peguemos a Venezuela. Nação que detém aproximadamente 300 bilhões de barris de petróleo comprovado – algo como cinco vezes o arsenal energético dos próprios Estados Unidos.

Um detalhe geográfico e geológico particularmente infeliz, diga-se.

Porque, vejam só, é precisamente nesse território abençoado pelas reservas que floresce, de repente, uma preocupação humanitária tão candente, tão urgente, que demanda  decapitação com aviões de guerra, apreensão de tanqueiros e, claro, a captura de um Presidente da República

Tudo muito moral. Muito democrático.

A fórmula é velha como o império, mas funciona com a precisão de um relógio. Primeiro, você fabrica um inimigo público: o “ditador perverso”, o “narcoterrorista”, o “ameaça à região”. Depois, você constrói uma narrativa que cabe perfeitamente em trinta segundos de noticiário: “estamos aqui para salvar o povo”, “estamos aqui para combater as drogas”, “estamos aqui para restaurar a democracia”.

E, muito discretamente, você menciona também que há petróleo, mas apenas nos relatórios internos, nos memorandos classificados, naqueles documentos que só circulam entre as agências de inteligência.

Trump, porém, perdeu a elegância tradicional. O homem abriu a boca e disse em voz alta: “queremos nosso petróleo de volta”, “vamos ficar com o petróleo”, “a Venezuela tomou nossos direitos de energia”.

Como se o petróleo fosse um relógio de ouro que uma criança travessa tivesse roubado no pátio da escola e agora o professor viesse recuperar, com direito a castigo corporal

Não é criação de um blog opinativo. É registro público. Vídeos. Falas presidenciais. A candura do império , de repente , sem verniz.

A Doutrina Monroe, agora em Versão “Trump Remix”!

Sabe aquela velha máxima de 1823 – “América para os americanos”?

Pois bem, ela não morreu. Apenas entrou em recesso, esperando o momento certo para uma turnê de reencontro.

A Casa Branca já se encarregou de explicitar: trata-se de uma atualização da Doutrina Monroe para o século XXI, um  corolário lógico de Trump .

O confisco , o roubo continuam os mesmos! O que mudou, tecnicamente, é apenas o arsenal. A lógica persiste: o hemisfério ocidental é zona de influência americana, e qualquer governo que não se alinhe, que arrisque parcerias com China, Rússia ou Irã, que ouse pensar em recursos próprios como propriedade própria:  esse governo precisa ser “corrigido”. Para o bem dele, naturalmente.

Dito de outra forma: América Latina é, ainda hoje, o quintal de Washington.

E quintal tem dono.

A Indústria do “Narcoterrorista da Vez” – há um personagem recorrente nessa peça teatral de Estado: o “narcoterrorista”. É um rótulo elástico, confortável, que serve tanto para justificar bloqueios econômicos quanto para autorizar operações militares, confisco de ativos, apreensão de navios e execuções extrajudiciais – desde que televisionadas com a devida solenidade.

O problema é que, enquanto Washington acusa Caracas de narcotráfico, o maior mercado vendedor e consumidor de drogas ilícitas continua em casa.

Milhares de mortes por overdose anualmente. Uma epidemia de opioides que já custou à economia dos EUA cerca de 1,5 trilhão de dólares, conforme reconhecem seus próprios analistas

Ninguém força um americano a se viciar em fentanil, em oxicodona, em nada. São livres escolhas de uma população livre num país livre. Mas curiosamente, quando a questão é Caracas ou Havana, a narrativa muda: de repente, a culpa é do governo, da ditadura que exporta criminosos, da indústria do narcotráfico que conspira contra a liberdade das nações.

A hipocrisia é tão transparente que quase desaparece!

Entre o Autocrata e o Libertador de Porta-Aviões?

Aqui reside a amargura central da coisa toda!

Nicolás Maduro é, aos olhos de organismos internacionais respeitáveis, um dirigente que preside sobre um regime com sérios problemas de autoritarismo, repressão e violações de direitos humanos.

Ninguém por aqui vem cantar hino de louvor ao bolivarianismo em sua forma atual.

Mas Trump – ou qualquer presidente americano que lance bombas em nome da democracia – também não é agente de virtude alguma.

Ao contrário: é agente de uma tradição imperial que tem capotado democratas eleitos, apoiado ditadores úteis, financiado golpes militares, tudo com narrativa de “proteção do mundo livre”.

O drama é que, entre o autocrata bolivariano de um lado e o libertador de porta-aviões do outro, quem sangra é sempre o mesmo personagem: o povo, aquele que não dirige estatal nem comanda quartel, aquele que morre em Caracas tanto nas mãos da polícia política quanto sob o estrondo de uma bomba “cirúrgica”.

E esse povo não aparece em nenhum comunicado oficial. Não é citado quando se fala em “salvação”, não é mencionado quando se listam os “danos colaterais”. É pura abstração moral: a desculpa que torna possível tudo aquilo que, de outra forma, chamarem-se pelo seu verdadeiro nome: invasão, roubo, recolonização.

O que mais incomoda nessa história toda não é nem a maldade – a maldade é explícita, deixou de esconder-se há tempos. O que incomoda é a certeza blindada de que funciona. A convicção de que a população americana – aquela que morre de overdose de opioides num apartamento de Detroit, aquela que perdeu a aposentadoria na Bolsa, aquela que reza para não ficar doente porque a saúde custa um rim – essa população vê uma bomba caindo em Caracas e conclui aspirando uma carreira de cocaína: “bem, pelo menos estamos salvando a democracia lá fora”…Mas e o nosso pó de cada dia?

É a operação de marketing política mais bem-sucedida do século: transformar a raiva interna em agressão externa, converter a frustração doméstica em cruzada moral internacional.

Qualquer cronista que saiba  ver o absurdo quando ninguém mais perceba, dirá algo assim: “Peguei a notícia do telejornal e ri. Depois chorei. Depois ri de novo. Porque rir é a única resposta honesta para quem vê império berrar ‘humanidade’ enquanto conta barris de petróleo nos dedos.”

O povo que não aparece no comunicado oficial  é o personagem principal dessa farsa. E enquanto estiver invisível nas letras miúdas da geopolítica, seguirá sangrando nas duas margens: debaixo da bota do autocrata de casa ou debaixo das asas do libertador importado.

Que coincidência notável, não é mesmo?

É a regra do jogo: por trás da linguagem da moralidade universal (direitos humanos, democracia, luta antidrogas), opera uma lógica férrea de poder e acumulação de riquezas.

A Venezuela, com seu petróleo, tornou-se o palco perfeito para essa encenação, onde a tragédia real de seu povo é o pano de fundo ignorado para um conflito muito mais antigo: a disputa sobre quem tem o direito de possuir e controlar as riquezas do planeta, e a quem é permitido contar sua própria história.

E os americanos não são americanos , são os velhos europeus de sempre falando um inglês inculto.

CARTA DE REPÚDIO – 3o ATO : O PODER E A LEI 3

CARTA DE REPÚDIO

3o ATO : O PODER E A LEI

Todo poder emana do povo e, em seu nome, será exercido.

Um sonho chamado democracia, tão distante de ser aclamado. Inocentes são aqueles que acreditam que o sufrágio universal e a liberdade de expressão, por si, sem serem associados a outros valores, consagram um regime democrático.

A estrutura do Estado, representado pela tripartição do poder, por sinal, único, deveria aparelhar os seus órgãos e investir seus agentes da verdadeira missão a ser buscada. Longe de ser alcançada.

Como dizer aos súditos, nomenclatura mais apropriada, sobre a falência do poder constituído, que continuam à margem de todos os compromissos assumidos pelo Estado.

Seria preciso uma eternidade. Homens que não conhecem a realidade e sequer a dimensão das políticas públicas a serem implementadas, sempre com a mesma retórica: “não há recursos, não há como fazer em tão pouco tempo o que está abandonado há anos, décadas ou gerações”.

Tais frases devem ser esquecidas, sem a necessidade de reflexões mais aprofundadas.

Não há um novo compromisso, pelo menos, sério e viável.

Uma ameaça fantasma se espalha, em discursos, palanques e textos de leis, sem se preocuparem com o mais importante: “a dignidade do ser humano”. O poder está corrompido, sem legitimidade. Já as leis, padecem de credibilidade, enquanto as instituições adoecem.

Talvez, um pacifista jamais proferiu um ensinamento tão profundo: “há dois dias no ano, que não podemos fazer nada, ontem e amanhã”.

Mahatma Gandhi incitou os homens, mas não à violência ou ao discurso do ódio. Simplesmente, a refletirem em um mundo melhor, uma sociedade mais justa, na qual todos possam ser vistos, ouvidos, respeitados e valorizados.

Assim o é em relação à Segurança Pública.

O propósito não é tornar todos iguais, com os mesmos direitos, à luz do capitalismo. Todavia, sim, diante da Justiça, cujas demandas, sob o aspecto criminal, chegam através da Polícia Judiciária, que proporciona ao cidadão o direito de ver os transgressores da lei identificados, punidos e, por conseguinte, segregados, tornando o convívio social suportável, ainda, por um tempo.

Albert Camus foi extremamente feliz em um dos seus mais brilhantes pensamentos: “vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro, não espere o Juízo Final, ele realiza-se todos os dias”.

Magnifico.

Buscais assegurar os teus direitos nesta existência, sem ilações ou conjecturas sobre a espiritualidade, sagrada, que jamais deve ser profanada, pela inércia daqueles que habitam este plano. Tenhamos piedade de “Anúbis”. Ainda há o que fazer e muito!

Um momento de união se aproxima, não de aceitação.

Anos de dedicação, trabalho árduo, compromisso e seriedade não merecem um tratamento tão cruel, hostil e sórdido.

Vós não sois desprezíveis, tens um valor inestimável.

“De um certo ponto adiante, não há volta, este é o ponto que deve ser alcançado”

(Franz Kafka).

Caso contrário, nada valeria a pena.

São Paulo, 31 de dezembro de 2025.

LEANDRO ARABE, Escudeiro.


Que esta Carta de Repúdio — “3º ATO: O PODER E A LEI” — sirva de espelho e de alerta.

Não há democracia viva sem consciência, nem poder legítimo sem dignidade.


As palavras de Leandro Árabe ecoam o clamor de uma sociedade – de membros de um órgão como a Polícia Civil – que resiste à indiferença e à corrupção moral das instituições.

Que cada leitor, ao percorrê-las, reencontre em si a dimensão do dever público: o de vigiar, questionar e agir.

O tempo da apatia findou.

É chegada a hora de reivindicar o sentido maior da Justiça : a serviço do povo, e não do poder.