A farra dos chaveirinhos – Oficiais da PM como ativo eleitoral da dupla Tarcísio e Derrite 4

O que é o “chaveirinho” na Polícia

  • Na cultura policial , o “chaveirinho” é todo aquele que vive dependurado em alguém com mais poder – delegados cardeais , titulares de Unidades, comandantes, políticos, chefes de gabinete – em busca de promoção, cargo ou vantagem, vendendo submissão por projeção e proteção. Enquanto conveniente, obviamente .
  • A reestruturação que infla o número de coronéis, sem reforçar praças nem melhorar serviço, cria as condições ideais para multiplicar esses “chaveirinhos” de luxo: oficiais cujo futuro passa mais pelos votos dados ao padrinho do que pelo desempenho profissional.

A “farra dos coronéis” que está em curso na PM paulista não é política pública de valorização da carreira, mas um projeto de cooptação de quadros para formar uma milícia de apoio político e operacional, em tudo semelhante ao modelo chavista de Nicolás Maduro – com uma diferença essencial: aqui, custa muito mais caro e entrega ainda menos.

A cooptação

O discurso oficial fala em “reestruturação” e “modernização” do comando, mas a movimentação concreta aponta para outra coisa: inflar o topo da pirâmide para garantir lealdades pessoais e eleitorais, não para melhorar o serviço prestado ao cidadão.
A multiplicação de coronéis e respectivos assessores, com carros, motoristas e mordomias, produz um exército de ocupantes de gabinete, dependentes do favor político, cuja função principal é blindar o governo e patrulhar dissidências internas, não patrulhar ruas.

O modelo Maduro, versão Ribeira do IguapeOu carioca?

Na Venezuela, o regime se sustenta na compra sistemática de fidelidade de oficiais, criando uma casta militar privilegiada em troca de obediência política irrestrita.

No Brasil de Tarcísio, copia-se o método: amplia-se artificialmente o número de coronéis, garantindo salários elevados, benefícios e poder de mando, desde que alinhados ao projeto de governo e dispostos a funcionar como guarda pretoriana do poder “civil” de turno.

A obscena diferença de custo

Em Caracas, um “general do regime” , apesar dos privilégios materiais paralelos, tem soldo oficial que gira em torno de poucas centenas de dólares mensais, cerca de 400 dólares, em moeda fraca e economia destruída.

Já em São Paulo, um coronel da PM – somando vencimentos , vantagens e penduricalhos – não sai por menos do equivalente a 10 mil dólares mensais, com piso em torno de dezenas de milhares de reais, bancados pelo contribuinte que anda em ônibus lotado e bairro sem viatura.

Não esquecendo , uma trombadinha aqui outra ali de leve, né?  

Já que são especialistas em licitações…

Meio batalhão fora das ruas para nada

A conta é simples e devastadora: dezenas de carros oficiais, motoristas, escolta e ordenanças para servir novos coronéis significam aproximadamente meio batalhão retirado do policiamento ostensivo, num estado que já não consegue atender minimamente sua demanda por segurança.

Esses coronéis adicionais não produzem doutrina, informação ,  formação , investigação, não lavram flagrante, não patrulham área sensível, não atendem ocorrência .

Produzem apenas mais hierarquia,  mais gastos , mais burocracia e mais pressão política dentro da corporação, convertendo a PM em plataforma de poder, não em serviço público.

Oficiais da PM como ativo eleitoral

Ao ampliar vagas no topo sem reforçar a base, o governo fabrica uma elite fardada que deve sua ascensão menos ao mérito e à antiguidade do que ao apadrinhamento político do momento.

Essa elite, que está subindo da sarjeta para o meio -fio , cercada de privilégios, passa a ter como missão prioritária sustentar o projeto de poder que a criou: controlar narrativas, enquadrar divergentes, garantir operações convenientes à pauta de governo ;  deixando a população à mercê de uma polícia cada vez mais verticalizada , cada vez mais violenta e cada vez menos presente nas ruas.