O Café , o Advogado e os Estudantes de Direito – Ah, Esses Moços… 2

 

Na esquina da rua quase sempre vazia, há um café antigo, daqueles que resistem ao tempo e às modas.

Ali, entre o aroma forte do café passado na hora e o tilintar das xícaras e do barulho vindo dos malditos caça-níqueis, senta-se quase todas as manhãs um homem de olhar atento e gestos contidos.

Não usa mais o distintivo, mas carrega nos olhos a experiência de quem já viu o melhor e o pior das pessoas.

O ex-delegado , agora advogado diletante, observa a cidade acordada.

Os telefones celulares sobre a mesa trazem manchetes dos jornais digitais que se repetem: corrupção, violência, escândalos políticos.

Ele sorri de canto, não por ironia, mas por resignação!

No noticiário,  velhos conhecidos: personagens e enredos que, de tanto se repetirem, já parecem parte do folclore paulista.

Enquanto mexe o café, lembra-se dos tempos em que era ele quem investigava ou às vezes era vítima das fraquezas e das podridões humanas, especialmente dos bastidores do poder.

Lembra das noites em claro, das audiências tensas, dos depoimentos cheios de meias-verdades.

Lembra-se, sobretudo, de como a linha entre justiça e injustiça pode ser tênue, quase invisível, quando interesses maiores estão no jogo.

Quando , de regra, a injustiça vence de goleada!

Há quem acredite na Justiça burocrática, os corruptos e criminosos ricos!

E há quem , ainda, acredite na Justiça Divina .

O velho advogado – que nunca aprendeu a rezar nem gosta de pedir nada para ninguém – não acredita numa nem outra !

No balcão, a garçonete comentou sobre a última operação policial da Polícia Federal, aquela operação contra o tráfico internacional que prendeu duas dúzias de estivadores , marinheiros e pescadores , mas, de pronto , libertando-se o CEO da lavanderia do dinheiro do crime.

Aliás, que nem sequer seria preso acaso não fosse encontrada uma arma de fogo dentro da sua Ferrari.

Aquele rapaz, da geração que fica milionária antes dos 30 anos, que sorteou um resto de rico (um Jeep bem usado) para uma humilde funcionária.

Um  “presente de grego” – além de defeituoso – condicionado a metas de produção, tais como captação de “clientes”: músicos sem talento, mas com dinheiro, jogadores de futebol e, especialmente, traficantes.  

O ex-delegado ouve, mas não opina.

Aprendeu, com o tempo, que a verdade é paciente: ela sempre encontra um jeito de aparecer, mesmo que demore.

Ao sair, ajeita o paletó, cumprimenta os conhecidos e segue para o escritório.

Sabe que, do outro lado da cidade, há quem ainda acredite em Juiz e Promotor para fazer justiça; em vez de apenas ganharem muito dinheiro fazendo muito pouco.

É por essas pessoas que ele continua a lutar contra arbitrariedades, erros e injustiças.

No fim do dia, voltará ao café.

Talvez  beba cerveja e escreva algumas linhas para um Flit Paralisante qualquer ou talvez apenas observe os estudantes da faculdade de direito indo e vindo sorridentes.

Ah, se esses moços , pobres moços , soubessem o que ele sabe …

No fundo a cidade é feita dessas pequenas crônicas cotidianas, de cafés, bares, de olhares, de esperanças desesperançosas , de lutas silenciosas e de corações de estudantes.

E ele, cronista sem talento segue atento em busca de alento sorvendo o tempo em goles lentos…

E reflexivo ouvindo mentalmente a canção de Lupicínio Rodrigues:   

Esses moços, pobres moços

Ah! Se soubessem o que eu sei

Não amavam, não passavam

Aquilo que eu já passei

Por meus olhos, por meus sonhos

Por meu sangue, tudo enfim

É que eu peço a esses moços

Que acreditem em mim

Se eles julgam que a um lindo futuro

Só o amor nesta vida conduz

Saibam que deixam o céu por ser escuro

E vão ao inferno à procura de luz

Eu também tive nos meus belos dias

Esta mania que muito me custou

Pois só as mágoas que trago hoje em dia

E estas rugas o amor me deixou

Se eles julgam que a um lindo futuro

Só o amor nesta vida conduz

Saibam que deixam o céu por ser escuro

E vão ao inferno à procura de luz

Eu também tive nos meus belos dias

Esta mania que muito me custou

Pois só as mágoas que trago hoje em dia

E estas rugas o amor me deixou

Rcguerra

MAGA: “Matando, Acobertando, Garantindo a Anistia” 2

MAGA: “Matando, Acobertando, Garantindo a Anistia”

  • Matando: Porque a letalidade policial em São Paulo explodiu sob Tarcísio: só em 2024, a PM matou 737 pessoas, um aumento de 60% em relação ao ano anterior e 86% a mais que no governo anterior.
  • O ápice foi a Operação Escudo, verdadeira “operação vingança”, com dezenas de mortos em poucos dias, inclusive crianças e adolescentes.
  • Descobrindo: A gestão Tarcísio virou referência nacional em obscurantismo: nega sistematicamente o acesso a dados sobre assassinatos cometidos por policiais a pesquisadores, advogados e jornalistas, sempre invocando genericamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Na prática, é o velho truque de esconder cadáveres e dificultar investigações, perpetuando a impunidade e impedindo qualquer controle social ou acadêmico da violência estatal .
  • Garantindo a Anistia: O governo não só recusa transparência, como desmonta mecanismos de controle, como as câmeras corporais, e trata denúncias graves como “casos isolados” a serem resolvidas com afastamentos burocráticos e promessas vazias de rigor. O resultado? Os policiais continuam matando, o Estado finge que pune e a sociedade segue sem respostas – a anistia está garantida, desde que o gatilho seja rápido e a câmera , de compra lenta , desligada .
  • Anunciando a Mentira: Para completar o ciclo, o governo vende a ilusão de que a queda dos homicídios é obra da polícia, quando, na verdade, o que há é  a proibição pelo PCC de matança a céu aberto .
  • O PCC, é quem “administra” a violência e esconde corpos, distorcendo as estatísticas e alimentando a narrativa oficial de sucesso . O PCC não matou Gritzbach!

“Quem precisa do devido processo legal quando se tem um gatilho tão sensível quanto o ego frágil de um PM? […]

Porque, convenhamos, quem precisa de provas quando se pode simplesmente calar todo mundo, não é mesmo?

Afinal, testemunha que não fala é testemunha que não atrapalha.

E câmera inoperante não serve para nada!

Enquanto a sigla MAGA era para ser “Make America Great Again”, na São Paulo de Tarcísio virou:
“Matando, Acobertando, Garantindo a Anistia” – tudo para manter a máquina de impunidade azeitada, a letalidade policial nas alturas e a sociedade na mais profunda ignorância, sob o manto da “proteção de dados”.

O que se esconde, na verdade, é uma vergonha de um Estado que prefere sumir com cadáveres – seja pela mão do policial jogando corpos nas profundezas de pedreiras , seja pelo silêncio cúmplice do governo – do que enfrentar a própria podridão.

No fim, a única coisa realmente protegida é a confiança dos que matam, escondem os cadáveres e garantem a anistia para si mesmos.

Justiça?

Só se for para o Trump ver.