O combate à corrupção é prioridade na Polícia Civil de São Paulo
Raquel Kobashi Gallinati e Gustavo Mesquita*
13 Novembro 2018 | 06h00

O aperfeiçoamento do combate à corrupção no País passa pelo fortalecimento das polícias judiciárias estaduais, o que significa incremento de autonomia, estabelecimento de mandato fixo para delegado geral, escolhido a partir de lista tríplice votada pelos delegados e outros quesitos não menos importantes que colaborem para barrar interferências políticas na atuação dos membros da Polícia Civil, a única instituição legalmente constituída em nível estadual para realizar a devida investigação criminal.
Legalidade, igualdade e dignidade são princípios e direitos garantidos pela Constituição Federal e estão ligados às atividades das polícias investigativas. O delegado de polícia, por ser o primeiro garantidor dos direitos do cidadão, precisa ter condições apropriadas e independência assegurada para a condução dos seus trabalhos, que lhes permitam adotar medidas legais necessárias em cada caso. A autonomia das polícias vai contribuir para o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento da Segurança Pública.
Em sintonia com o desejo da população de combate à corrupção, os delegados de polícia paulistas, representados por suas entidades de classe, redigiram e entregaram ao governador eleito, João Doria, e aos então candidatos ao governo, sugestões de medidas para modernização da Polícia Civil. Vários itens apontam exatamente para tornar eficiente o combate à corrupção, a saber:
Contratação de pessoal especializado para exercer a chamada atividade meio e atendimento da Polícia Civil, especialmente no que tange às complexas atividades de licitação, liberando policiais para cuidar da investigação criminal; ampliação dos Setores Especializados de Combate aos Crimes de Corrupção – SECOLD’S em todas as 70 Delegacias Seccionais; descentralização da investigação de Crimes de Corrupção; Instalação de Laboratório de Lavagem de Dinheiro na Corregedoria da Polícia Civil.
A forte presença do assunto corrupção na pauta demonstra a importância com que é tratado pelos delegados de polícia do Estado de São Paulo. Para as entidades de classe de delegados civis, é preciso que existam operações “Lava Jato” em escala estadual, não só em São Paulo, mas em todas unidades da federação, para que a corrupção endêmica que assola a nação seja seriamente atingida por um trabalho especializado e implacável, inclusive com mudanças pontuais na legislação, a fim de que corruptores e corruptos sejam punidos de fato, de modo a servirem de exemplo para demais criminosos que desviam bilhões de reais dos contribuintes, montante que deveria ser investido no bem estar social, mas segue nas mãos sujas da corrupção e do crime organizado.
Nessa mesma toada, a realização do I Fórum Nacional de Inteligência Aplicada para o Combate à Criminalidade, organizado pelas entidades de delegados civis e federais de São Paulo, nos dias 12 e 13 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, na região central de São Paulo (SP), com a presença de 1.000 delegados, é mais um indicativo de que as duas polícias estão em sintonia para não só atuarem contra os males da corrupção em todas as esferas, mas, sobretudo, trocarem informações a fim de aperfeiçoarem a investigação através de métodos e tecnologias que podem ser empregadas em situações semelhantes, mas de diferentes contextos, em ambas as instituições.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo vive hoje um momento de expectativa positiva pelo que há de vir, tanto em âmbito estadual quanto nacional, em que se tem, aliás, a já confirmada presença do juiz Sergio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública. É dentro desse escopo, o da esperança, que os delegados de polícia do Estado de São Paulo trabalham para melhorar, ainda mais, o seu papel enquanto garantidores de direitos do cidadão, para oferecerem à sociedade um ambiente mais justo, livre da criminalidade exacerbada e, principalmente, dos crimes financeiros cometidos por organizações, por vezes enraizadas no próprio estado. Todavia, com muito esforço e dedicação dos delegados e policiais civis, desde já podem ter a certeza de que estarão com os dias contados no envenenamento que tanto promovem contra o bem estar da sociedade.
*Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo
*Gustavo Mesquita, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

