Delegado não comete improbidade só por ter opinião diferente do Ministério Público 41

INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL

Delegado não comete improbidade só por ter opinião diferente do Ministério Público

Os delegados de polícia não cometem atos de improbidades administrativa só por apresentarem opinião diferente do Ministério Público ao registrarem crimes. Isso porque os delegados têm competência para analisar e interpretar o caso que lhes é apresentado.

Com esse entendimento, a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou sentença que condenou um delegado à perda de cargo por ter registrado como auxílio ao consumo de drogas um crime que o Ministério Público entendeu como tráfico.

Em primeiro grau, o juiz Bruno Machado Miano, da Vara da Fazenda Pública de Mogi das Cruzes (SP), afirmou ao aplicar a pena que agentes públicos também respondem por improbidade administrativa quando praticam atos baseados em opinião que transborda o lógico e as teses já pacíficas na jurisprudência e nas práticas da carreira.

O crime que motivou a divergência foi cometido por uma mulher flagrada com 40 gramas de maconha ao visitar seu companheiro no Centro de Detenção Provisória da cidade. Ao registrar o crime, o delegado justificou que a acusada apenas tentou levar a droga para o namorado, para que consumissem juntos.

O Ministério Público denunciou o delegado na esfera criminal, sob acusação de prevaricação, e na esfera cível, por improbidade. O réu foi absolvido no primeiro caso, em primeiro e segundo graus, e no outro processo negou dolo ou má-fé.

Para o relator da ação de improbidade na 1ª Câmara, desembargador Marcos Pimentel, destacou que a liberdade funcional de delegados é assegurada por previsão legal e também pela exigência de que sejam bacharéis em Direito. “Isto é, dotados de suficiente e adequado conhecimento jurídico”, afirmou.

“Não se está diante de um autômato, mas, antes, de legítimo operador do Direito, a autorizar a formulação de juízos de valor, sem prejuízo à aplicação das normas jurídicas de regência”, complementou. Mencionou também que as particularidades do caso concreto, ainda mais no Direito Penal, permitem diversas interpretações, “cumprindo ao Delgado de Polícia proceder àquela que, em concreto, reputar adequada”.

Sem improbidade
Segundo o relator, não há improbidade no caso por falta de dolo na atuação do delegado. “À luz dos fatos apresentados, não existe qualquer ilegalidade ou má conduta na sua capitulação pelo crime de ‘auxílio ao consumo de drogas’”, resumiu.

Disse ainda que não há adequação material ao ato de improbidade no caso, pois a norma que rege as punições a esse tipo de delito “tem caráter marcadamente repressivo”, ou seja, focada em punir agentes públicos que enriquecem ilicitamente, causam prejuízo ao erário ou atentem contra os princípios da administração pública.

Explicou por fim que esse ilícito enquadra as condutas que não seguem o bom trato da coisa pública, não diferenças de entendimento. “Não é possível se cogitar da omissão do demandado, já que lavrou o registro que julgara cabível na espécie.”

O delegado da Polícia Civil do Paraná e colunista da ConJur, Henrique Hoffmann, elogiou a decisão. Disse também que “o Delegado é autoridade dotada de independência funcional, possuindo liberdade para realizar sua análise técnico-jurídica sem receio de pressões de qualquer sorte, prerrogativa que protege o próprio cidadão”.

“Todo integrante do Ministério Público e do Judiciário deveria saber que inexiste hierarquia entre as diversas carreiras jurídicas, devendo ser rechaçada a tentativa de criação de ilícito de hermenêutica”, complementou ao criticar a atitude do MP.

Processo 1008253-56.2014.8.26.0361
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ADPESP – Chapa única assumirá desprestigiada e derrotada nas urnas : dos 3.500 sócios apenas 439 votos 33

ADPESP encerra pleito eleitoral para triênio 2018-2020

comunicado

A ADPESP encerrou na noite desta quinta-feira, 7, os trabalhos que conduziram a escolha de uma nova Diretoria Executiva e membros efetivos do Conselho Fiscal e do Conselho de Ética. Em eleição em chapa única, a primeira na história da Associação, Gustavo Mesquita Galvão Bueno foi eleito presidente para o próximo triênio.

Durante a votação, a Comissão Eleitoral recebeu diversos delegados associados para o registro dos votos presenciais na Sede, conforme previsto pelo Estatuto da Associação. A diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa, Elisabete Sato, esteve presente e destacou a atuação do novo presidente junto à Divisão Antissequestro do DHPP. “É um delegado de polícia brilhante. Quando assumi o Departamento de Homicídios, eu o convidei para integrar nosso time. Foi designado para a 3ª DAS, uma delegacia que tem demonstrado cotidianamente um excelente trabalho. Em que pese jovem, [o Dr. Gustavo] tem boas perspectivas, ideias, liderança e compromisso”, declarou.

O Delegado Geral de Polícia, Youssef Abou Chahin, esteve na votação e falou sobre o novo presidente. “É um colega jovem, dinâmico, que tem obviamente o apoio da experiência na figura do Dr. [Abrahão José] Kfouri. Eu tenho certeza que dará certo e vim prestigiá-lo e desejar boa sorte na gestão”, disse.

Marinósio Martins Santos, presidente da Comissão Eleitoral, por sua vez, exaltou o sucesso do processo eleitoral e reiterou a tranquilidade com que os procedimentos foram conduzidos, além do trabalho empenhado pelos demais membros da Comissão e pelos colaboradores da Associação.

Ao final do pleito, o presidente eleito falou à TV ADPESP e agradeceu aos votos recebidos. “Queria deixar uma mensagem de união, esperança e otimismo. Sabemos que o atual estado da nossa classe é de crescente desprestígio, crescentes ataques provenientes de outras instituições, da imprensa e até mesmo do governo. Mas, acreditamos sempre na força desse classe. Força essa que vem da Lei, da nossa atribuição constitucional, a investigação, que é um dos maiores poderes do Estado Democrático de Direito. E temos certeza de que se esse poder for usado com plenitude e tendo a sociedade como destinatário final, nós iremos resgatar esse respeito que nos falta hoje”, falou. O presidente eleito se dirigiu também aos associados. “Eu convido a todos os associados que participem conosco, deixando o meu agradecimento a eles e aos membros da chapa, me colocando à disposição sempre. À disposição pessoalmente para o diálogo, para intervenções, sempre a favor da classe. Contem comigo”, concluiu.

A presidente da Associação, Marilda Pansonato Pinheiro, recebeu o novo presidente durante a tarde e reafirmou os votos de uma transição tranquila, acessível e de total comprometimento com a classe e, principalmente com o delegado associado. Em declaração, ela desejou sorte a Gustavo Mesquita e reafirmou que estará à disposição para que a luta por valorização e dignidade permaneça fortalecida e firmada nos valores cultivados pela ADPESP desde sua criação.

O pleito contou com 519 votos, sendo 141 presenciais e 378 enviados por correio. A Diretoria Executiva recebeu, dos associados votantes, 439 votos, 76 votos brancos e 4 votos nulos. Gustavo Mesquita Galvão Bueno deverá tomar posse no dia 11 de janeiro de 2018.

Confira abaixo os nomes componentes da chapa eleita:

Presidente
Gustavo Mesquita Galvão Bueno

Vice-presidete
Abrahão José Kfouri Filho

Secretário Geral
Fernando David de Melo Gonçalves

Secretário Geral Suplente
Jaime Pimentel Júnior

Tesoureiro Geral
Rodrigo Lacordia

Tesoureiro Suplente
Ivan Cesar Alves Pereira

Diretor Jurídico e de Prerrogativas
Maurício José Mendes Rezende

Diretor Jurídico e de Prerrogativas Suplente
Mauro Argachoff

Diretor de Mobilização, Logística e Assuntos Profissionais
Arnaldo Rocha Junior

Diretor de Mobilização, Logística e Assuntos Profissionais Suplente
Gabriel Caputo Junior

Diretor de Relações Institucionais
Dario Elias Nassif

Diretor de Relações Institucionais Suplente
Francisco Sannini Neto

Diretor de Comunicação Social
Beatriz Vinha Paschoal Pestilli

Diretor de Comunicação Social Suplente
Jacqueline Valadares da Silva

Conselho Fiscal Efetivo

Francisco Petrarca Ielo Neto, eleito com 305 votos
Claudio Jose Meni, eleito com 295 votos
Milton Rodrigues Montemor, eleito com 282 votos
Antonio José Fernandes Vieira, eleito com 242 votos
Ronaldo Augusto Comar Marao Sayeg, eleito com 240 votos

Conselho Fiscal Suplente

Manoel Luiz Ribeiro Junior, 217 votos
Jose Ricardo Arruda Marchetti, 207 votos
Bruno Guilherme De Jesus, 199 votos

Conselho de Ética Efetivo

Roberto Mauricio Genofre, eleito com 350 votos
Edson Cardia, eleito com 314 votos
Luiz Carlos Freitas Magno, eleito com 280 votos
Celi Paulino Carlota, eleita com 279 votos
Renato Pupo De Paula, eleito com 246 votos

Conselho de Ética Suplente

Orildo Nogueira, 218 votos
Eder Galavoti Rodrigues, 184 votos
Marcio Marques Ramalho, 157 votos