Polícia mata – desde sempre matou – por qualquer motivo, especialmente pelo tesão de matar…Policial matador tem grande moral! 31

Polícia mata porque não acredita no sistema, diz coronel reformado da PM

Fabiana Maranhão
Do UOL, em São Paulo
26/08/201506h00 > Atualizada 26/08/201509h01
  • Junior Lago – 2.abr.2014/UOL

    O tenente-coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo Adilson Paes de Souza critica a violência policialO tenente-coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo Adilson Paes de Souza critica a violência policial

Policial militar durante 30 anos, o tenente-coronel da reserva Adilson Paes de Souza, 51, afirma que a polícia mata “porque não acredita no sistema”. No último dia 13, 18 pessoas foram mortas em um intervalo de três horas em Osasco e Barueri, na GrandeSão Paulo. PMs são apontados como principais suspeitos pelos investigadores.

“Isso acontece porque eles [os policiais] não acreditam no sistema. Se um suspeito de matar um PM ou um agente de segurança for preso, vai ser tido como herói; quem mata [um policial] chega ao estabelecimento prisional como herói”, diz Souza. As mortes em Osasco e Barueri ocorreram dias depois que um PM e um guarda municipal foram assassinados na região.

Mestre pela USP (Universidade de São Paulo), Souza publicou em 2013 um livro sobre a violência policial. A publicação traz depoimentos de ex-PMs que foram presos por homicídio, cumpriram pena e foram expulsos da corporação. No livro “O Guardião da Cidade”, o tenente-coronel transcreve a fala de um desses policiais: “Nós passamos a ser o sistema porque não acreditamos nele”.

Souza diz enxergar semelhanças entre os ataques do dia 13 e outras chacinas praticadas por policiais. “Existe um padrão que guarda muita semelhança com ações que aconteceram em outras retaliações em um passado distante e em um passado não tão distante. Morre um PM ou agente de segurança e depois ocorrem mortes em grande número”, analisa.

Na opinião do militar, a impunidade estimula que casos assim se repitam. “A impunidade é um combustível. O sistema é falho, com uma taxa de esclarecimento de delitos ínfima. Um sistema que premia a impunidade estimula criminosos, que têm certeza que não serão pegos. O que combate o delito é reduzir a impunidade”, declara.

Para mudar esse cenário, Souza sugere o aumento do efetivo policial nas ruas, que seja dado mais poder às ouvidorias e defende uma maior participação do MP (Ministério Público) nas investigações.

“É preciso que haja maior atuação do MP, que deveria assumir para si a investigação. Investigação de violência policial tem de ser do MP e não das polícias; do MP com as polícias colaborando, em nome da transparência”, analisa. O tenente-coronel diz acreditar que essa medida contribuiria para o aumento da confiança na polícia.

Professor da FVG afirma que a falta de infraestrutura da Polícia Civil é resultado de uma predileção do governo em investimentos na Polícia Militar, “que dá mais visibilidade” 51

Armas e drogas armazenadas em delegacias de SP estão em risco, afirma TCE

Em São Paulo

26/08/201507h38

  • Delegacias perderam 1.823 armas de fogo que deveriam estar sob guarda do EstadoDelegacias perderam 1.823 armas de fogo que deveriam estar sob guarda do Estado

As delegacias de polícia de São Paulo armazenam 155 toneladas de drogas em locais sem segurança, abrigam 155 mil veículos de forma precária, atraindo lixo, animais e insetos, e perderam 1.823 armas de fogo que deveriam estar sob guarda do Estado. É o que aponta relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o desempenho operacional da Polícia Civil, elaborado para a avaliação das contas do governo Geraldo Alckmin (PSDB) no ano de 2014.

“A destinação final das drogas e veículos apreendidos não atende às determinações legais impostas, havendo acúmulo de bens dessa espécie sob custódia da Polícia Civil. A grande quantidade de drogas encontradas nas unidades coloca em risco a segurança dos locais de armazenamento e dos servidores lá lotados”, afirma o TCE.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) destaca ações para resolver a situação, como articulação com a Justiça e o Ministério Público, para agilizar a destruição e incineração de materiais apreendidos.

“As recomendações feitas pelo Tribunal de Contas do Estado são importantes e já estão sendo levadas em consideração nesses programas”, diz a SSP, em nota.

O relatório, de 132 páginas, foi feito com base em entrevistas com policiais e visitas a 119 delegacias. O objetivo foi avaliar a eficácia dos controles empregados pelo governo Alckmin para cumprir as leis no que se refere a armazenar armas, drogas e veículos.

A conclusão é que a Polícia Civil tem instrumentos “ultrapassados” para o serviço e os “locais utilizados são inadequados”, “insuficientes” e sem “condições de segurança”.

Exemplos

“Em 48 unidades, foram encontrados entorpecentes depositados no chão”, diz o documento. Há também “deficiência na forma de lacração” dos materiais, o que coloca em dúvida se o que está armazenado é, de fato, o que foi apreendido. O relatório cita um caso flagrado em que as drogas haviam sido apreendidas em 3 de outubro de 2014 e só haviam sido encaminhadas para incineração 112 dias depois.

Há ainda o descontrole com relação às armas. “Do dia 31 de dezembro de 2012 para o dia 1º de janeiro de 2013, estão computadas 1.263 armas a menos e, do dia 31 de dezembro de 2013 a 1º de janeiro de 2014, há também uma diminuição de 560 armas. Essas divergências não dão segurança de que o total informado seja o correto e demonstram deficiências nos controles feitos”, diz o relatório.

No caso dos automóveis, o texto também destaca a falta de sistemas e de locais para guardar a frota, o que traz transtornos para os vizinhos. “Tem gente que vem roubar peça, tem usuário de droga que vem fumar crack, e garota de programa que faz do carro um motel. Tudo isso à luz do dia e na cara da polícia”, conta a dona de casa Patrícia Gimenez, de 36 anos, vizinha do 50º Distrito Policial (Itaim Paulista, na zona leste). “É um descaso total”, reclama.

Repercussão

Para o professor de estudos organizacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a falta de infraestrutura da Polícia Civil é resultado de uma predileção do governo em investimentos na Polícia Militar, “que dá mais visibilidade”.

Ele destaca que, além de estrutura, falta também gente para atuar nas delegacias. “É urgente que se invista em mais infraestrutura para a Polícia Civil”, diz o pesquisador, que estuda a rotina das delegacias de São Paulo há três anos.

“Há um deficit brutal de pessoal nas delegacias. A situação, principalmente nas periferias de São Paulo, é periclitante. Há, às vezes, 800 inquérito para um único delegado”, diz. A consequência da falta de infraestrutura e de pessoal é a baixa solução de crimes. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Josmar Jozino – PMs são suspeitos de atuar em chacina que matou bebê de 10 meses e em outros três massacres neste ano 20

PMs são suspeitos de atuar em chacina que matou bebê de 10 meses e em outros três massacres neste ano

Manoela Costa Romagnoli estava dentro de casa, na Vila Jacuí, e foi atingida por bala perdida

Josmar Jozino, da TV Record, e Alvaro Magalhães, do R7

Manoela foi morta na Vila JacuíReprodução

O cabo da PM Alexssandro Mora Olimpio é suspeito de dar cobertura aos matadores que, em 2 de fevereiro, cometeram uma chacina na Vila Jacuí, zona leste da capital. Na ocasião, três jovens e uma criança foram mortos.

Gabriel Silva Soares, Edvan Lemos Cordeiro e Mateus Lemos Cordeiro foram executados em uma praça. A pequena Manoela Costa Romagnoli, de dez meses, estava dentro de casa, e acabou atingida por uma bala perdida. O caso causou comoção na região.

O cabo Olimpio foi reconhecido por uma testemunha como o policial que, após a fuga dos atiradores, recolheu as cápsulas que estavam no local do crime. O material não foi apresentado na delegacia. A Justiça autorizou a Polícia Civil a realizar buscas e apreensões na casa do cabo e no armário dele no 2º Batalhão.

A prisão do policial chegou a ser pedida, no início do mês passado, mas foi negada.

O R7 apurou que a Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar identificaram PMs suspeitos de atuar nessa e em, ao menos, outras três matanças ocorridas neste ano na capital e na Grande São Paulo.

Na terça-feira (25), reportagem revelou que 10 das 14 chacinas registradas em 2015 na região metropolitana, incluindo o caso da Vila Jacuí, aconteceram depois de mortes de PMs.

Questionada na segunda-feira (24), a Secretaria da Segurança Pública se negou a responder sobre o andamento das apurações — a pasta limitou-se a dizer que um caso de Itapevi não foi concluído e que, até o momento, não há relação com as matanças de Osasco. Policiais civis ouvidos pelo R7, porém, disseram que os casos ainda não foram esclarecidos.

Confira abaixo as suspeitas que pesam contra policiais em chacinas deste ano:

Mogi das Cruzes (Grande SP)

24 DE JANEIRO: Três pessoas foram assassinadas no bairro Caputera. Cristian Silveira Filho, Ivan Marcos dos Santos Souza, Lucas Tomas de Abreu morrem na rua Waldir Carrião Soares. No mesmo dia, ocorrem outras duas mortes na cidade.

POLICIAL INVESTIGADO: Soldado Fernando Prado de Oliveira.

SUSPEITA: O soldado Oliveira foi indiciado pela Polícia Civil como um dos atiradores que atacaram o trio no Caputera.

ESTÁ ENVOLVIDO EM OUTROS CASOS? O policial é também suspeito de participar de outra chacina ocorrida na cidade. Entre 2014 e 2015, Mogi registrou cinco matanças.

O QUE DIZ A DEFESA? O soldado nega envolvimento nas chacinas. Colegas dizem que Oliveira é um policial bastante combativo e pode ser alvo de falsas denúncias.

Vila Jacuí (zona leste)

2 DE FEVEREIRO: Gabriel Silva Soares, Edvan Lemos Cordeiro e Mateus Lemos Cordeiro foram assassinados por homens encapuzados quando conversavam em uma praça da rua João Tavares. A pequena Manoela Costa Romagnoli, de apenas dez meses, que estava dentro de casa, também morreu, ao ser atingida por uma bala perdida.

POLICIAL INVESTIGADO: Cabo Alexssandro Mora Olimpio.

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SUSPEITA: O cabo Olimpio foi reconhecido por uma testemunha como o policial que, após a fuga dos atiradores, recolheu as cápsulas que estavam no local do crime. Resolução da Secretaria da Segurança Pública proíbe que policiais militares alterem cenas de assassinato.

ESTÁ ENVOLVIDO EM OUTROS CASOS? O policial é apontado também como autor do assassinato de Diogo Santos da Silva, ocorrido em 2014 na mesma região da chacina. Outro policial militar — o soldado Maxwell Leandro Wingerter — também foi indiciado.

O QUE DIZ A DEFESA? O cabo não participou diretamente da chacina. Ele não foi localizado pela reportagem.

Vila dos Remédios (zona oeste)

18 DE ABRIL: Oito integrantes da torcida Pavilhão Nove, do Corinthians, foram mortos na sede da agremiação. Foram executados André Luiz Santos de Oliveira, Jhonatan Fernando Garzillo, Jonathan Rodrigues do Nascimento, Fabio Neves Domingos, Marco Antônio Corassa Junior, Mateus Fonseca de Oliveira, Mydras Schmidt e Ricardo Junior Leonel do Prado.

POLICIAL INVESTIGADO: Soldado Walter da Silva Júnior.

Suspeita: O soldado Silva Júnior é apontado como um dos atiradores que cometeram a matança. Ele teria sido recrutado pelo ex-PM Rodney Dias dos Santos, que seria o chefe do tráfico na agremiação e teria decidido cobrar uma dívida.

ESTÁ ENVOLVIDO EM OUTROS CASOS? O policial é também suspeito de participar de uma chacina em 2014 na cidade de Carapicuíba.

O QUE DIZ A DEFESA? O soldado nega envolvimento no crime.

Osasco (Grande São Paulo)

13 DE AGOSTO: Oito pessoas foram executadas em um bar da rua Antônio Benedito Ferreira, em Osasco. E outras dez pessoas foram assassinadas em pontos diferentes do município e da cidade vizinha Barueri. Os criminosos usaram um Peugeot e um Renault Sandero e uma moto.

POLICIAIS INVESTIGADOS: Soldados Alex Bezerra, Angelo Ribeiro, Cláudia do Nascimento, Fabrício Eleutério, Felipe Pacheco Mariano, Maksuel Carneiro, Mateus de Sampaio, Paulo Henrique da Silva, Paulo Tavares, Rodrigo de Oliveira, Rogério Bastos Oliveira e Rogério de Oliveira; cabos Jean Juliano Camargo e Willian Lima; sargentos Camilo Pardo Junior, Edilson Sant’Ana, Marcelo da Silva, Rosenil da Silva e Valter Gonçalves; tenente da reserva Carlos do Nascimento.

SUSPEITA: Um grupo de extermínio formado para vingar a morte do cabo Avenilson Pereira de Oliveira, morto durante assalto no dia 7.

ESTÃO ENVOLVIDOS EM OUTROS CASOS? Parte dos investigados já respondeu processos. O soldado Fabrício Eleutério, único preso até o momento, responde a processos por assassinatos ocorridos em Osasco em 2013.

O QUE DIZ A DEFESA? O soldado Eleutério nega envolvimento nos crimes. Ele disponibilizou à Corregedoria da PM as senhas de suas contas no celular para provar que não esteve nos locais dos ataques no último dia 13. Os demais policiais investigados não foram encontrados. Todos negam participação no massacre