Dilma fecha 2014 golpeando trabalhadores e beneficiários da Previdência Social 37

Governo publica novas regras sobre pensão, auxílio-doença e seguro-desemprego

O governo federal publicou na noite de terça-feira (30), em edição extraordinária doDiário Oficial da União, as medidas provisórias 664 e 665, que alteram as regras da concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas, entre eles a concessão do seguro-desemprego.

Anunciadas ontem (29) pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, as medidas alteram regras do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Previdência Social, aumentando o rigor para a concessão do abono salarial, do seguro-desemprego, do seguro-defeso dos pescadores artesanais, a pensão por morte e o auxílio-doença. Segundo o governo, as mudanças vão acarretar uma economia de R$ 18 bilhões ao ano a partir de 2015.

Técnicos dos ministérios da Fazenda, da Previdência Social, do Trabalho e Emprego e do Planejamento detalharam, hoje, as alterações. Entre as principais estão as que determinam novas regras para a concessão do abono salarial e do seguro-desemprego, que começa a valer em 60 dias.

Atualmente, o trabalhador pode solicitar o seguro após trabalhar seis meses. Com as novas regras, ele terá que comprovar vínculo com o empregador por pelo menos 18 meses na primeira vez em que requerer o benefício. Na segunda solicitação, o período de carência será 12 meses. A partir do terceiro pedido, a carência voltará a ser seis meses.

De acordo com o diretor de Programas da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda, Manoel Pires, também haverá alteração no pagamento das parcelas. Pela regra atual, o trabalhador recebe três parcelas se tiver trabalhado entre seis e 11 meses. Para receber quatro, ele tem que ter trabalhado entre 12 e 23 meses e para receber cinco parcelas tem que ter trabalhado pelo menos 24 meses.

“Agora na primeira solicitação ele vai receber quatro parcelas se tiver trabalhado entre 18 e 23 meses e vai receber cinco parcelas se tiver trabalhado a partir de 24 meses”, explicou Pires. “Na segunda solicitação, o trabalhador vai fazer jus a quatro parcelas se ele tiver trabalhado entre 12 e 23 meses e cinco parcelas a partir de 24 meses. Na terceira, nada muda, vale a regra anterior”.

O governo também vai aumentar a carência do tempo de carteira assinada do trabalhador que tem direito a receber o abono salarial. Antes, quem trabalhava somente um mês e recebia até dois salários mínimos tinha acesso ao benefício. Agora, o tempo será de, no mínimo, seis meses ininterruptos. Outra mudança será o pagamento proporcional ao tempo trabalhado, do mesmo modo que ocorre atualmente com o décimo terceiro salário, já que, pela regra atual, o benefício era pago igualmente para os trabalhadores, independentemente do tempo trabalhado.

As regras introduzidas agora terão impacto maior a partir de 2016. Para o trabalhador que adquiriu o direito por ter trabalhado em 2014, vale a regra atual. “As regras novas para o abono terão impacto financeiro, em sua maioria, em 2016, em função desses trabalhadores terem adquirido o direito em 2015”, disse.

Também serão alteradas as regras para a concessão do seguro-desemprego do pescador artesanal, conhecido como seguro-defeso. Agora o governo vai impedir o acúmulo de benefícios assistenciais e previdenciários com o seguro. O benefício de um salário mínimo é pago aos pescadores que exercem a atividade de forma exclusiva durante o período em que a pesca é proibida, visando à reprodução dos peixes.

Segundo a medida, para receber o benefício haverá uma carência de três anos a partir da obtenção do registro de pescador. Hoje a carência é um ano. O beneficiário também terá que ter contribuído pelo período mínimo de um ano para a Previdência Social.

Além disso, a concessão do benefício não será extensível às atividades de apoio à pesca e nem aos familiares do pescador profissional que não satisfaçam os requisitos e as condições estabelecidos na MP.

O pescador profissional artesanal também não fará jus a mais de um benefício de seguro-desemprego no mesmo ano decorrente de defesos relativos a espécies distintas. As medidas começam a valer em 90 dias.

Além das medidas trabalhistas, as MPs também alteram as regras para a concessão de pensão por morte, com o estabelecimento de uma regra de carência mínimo de dois anos de casamento ou união estável para que o conjuge receba a pensão. A exceção é para os casos em que o óbito do trabalhador ocorrer em função de acidente de trabalho, depois do casamento ou para o caso de cônjuge incapaz.

A nova regra de cálculo do benefício também estipula a redução do atual patamar de 100% do salário de benefício para 50% mais 10% por dependente. Não terá direito à pensão o condenado pela prática de crime doloso que tenha resultado na morte do segurado. As novas regras começam a valer em 60 dias

O auxílio-doença também sofrerá alteração. O teto do benefício será a média das últimas 12 contribuições e o prazo de afastamento a ser pago pelo empregador será estendido de 15 para 30 dias, antes que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passe a arcar com o auxílio-doença.

Também haverá mudanças nas perícias médicas. A MP estabelece a possibilidade do governo fazer parcerias com empresas para que elas façam a avaliação médica dos empregados para a concessão do benefício, que deverá ser homologada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As regras para as parcerias ainda serão publicadas em decreto.

Defasagem de profissionais da Polícia Civil é de 25% 168

Aumento de roubos e efetivo reduzido desafiam a polícia

Operação da Polícia Civil, em Taubaté. Foto: Rogério MarquesOperação da Polícia Civil, em Taubaté. Foto: Rogério Marques

Casos de roubos em geral e roubos de veículos na RMVale entre janeiro e novembro de 2014 já superam o total registrado em 2013; para o diretor do Deinter-1 defasagem de profissionais da Polícia Civil é de 25%

Xandu Alves
São José dos Campos

A defasagem no efetivo da Polícia Civil ameaça a reengenharia que o delegado João Barbosa Filho, diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), pretende fazer em São José dos Campos.
A cidade concentra 28,5% da população da RMVale e registra 43,37% dos roubos de veículo e 31,36% dos roubos em geral, dois crimes que aumentaram em 2014.
Em todo a região, assim como no Estado, os crimes de roubo desafiam as forças de segurança.
Foram registradas 9.460 ocorrências de roubos em geral e 2.504 roubos de veículos na região, entre janeiro e novembro de 2014.
Os números já superam o total de ocorrências em todo o ano de 2013, que somaram 9.446 roubos em geral e 2.434 roubos de veículos.
“Temos aumento da população, da frota de veículos, do poder aquisitivo na região. Marginal vai atrás de onde está o dinheiro”, disse o diretor da Polícia Civil, em entrevista a O VALE, na qual faz um balanço do ano e aponta as prioridades para 2015. Leia a seguir os principais trechos.

A região desafia a polícia?
Temos aumento da população, da frota de veículos, do poder aquisitivo. São José está entre as maiores economias do país. A região é muito rica. Isso influencia a segurança pública. Marginal vai atrás de onde tem dinheiro. Temos uma população fixa de 2,358 milhões e há uma população flutuante que vem para as diversas formas de turismo na região. Quando se faz a estatística deveria levar isso em conta.

E quanto ao aumento dos roubos? Como combater?
O governador pediu empenho para diminuir o roubo de veículos, mas o nosso número é o mesmo de 10 anos atrás, só que hoje temos uma frota maior e uma população também maior. Proporcionalmente, então, nós conseguimos reduzir. Isso não justifica, temos que continuar combatendo e diminuir o número.

Como?
50% dos veículos roubados são recuperados e pouca coisa a vítima tem que repor, com prejuízo de 10% a 15%. Hoje, ou a pessoa não consegue mais recuperar o veículo ou o recupera com pouco prejuízo. Os jovens estão inseridos nesse tipo de crime. Os outros 50% são para o comércio clandestino de peças e de veículos. A população pode ajudar não comprando peças roubadas. Desconfie da procedência de peças muito baratas.

E o papel da polícia?
Continuaremos a fazer nossas operações mensais para cumprir mandados de prisão. Em 2013, prendemos 1.454 pessoas. Em 2014, 1.816. Na última delas, em dezembro, prendemos 130 pessoas. Isso inclui todos os delitos. Além de prender, o objetivo é afugentar os criminosos.

São José detém quase a metade dos crimes de roubo de veículo na região. O que fazer para reduzir essas ocorrências?
Vamos promover uma mudança administrativa para atender melhor a população. A distribuição dos distritos que temos hoje em São José foi feita há 20 anos. O 5º DP, no Parque São Jorge, atende hoje uma região que cresceu demais. O que pretendemos fazer de imediato é o remanejamento de distritos.

De que maneira?
O 1° e 2° distritos irão para um mesmo prédio, em um terreno na rua Henrique Dias, perto da prefeitura. Deslocaremos o 2º DP para o 6º DP, na Vista Verde, e este mais para frente, na região do Jardim Motorama, Santa Maria e Santa Inês. Isso eu vou fazer em 2015. Não preciso criar novos distritos, mas receber novos policiais.

Existe defasagem?
O nosso efetivo está defasado, em razão de aposentadorias de policiais, exonerações e do crescimento da população. Estamos defasados em 25%. Criar distrito sem policial não adianta.

Alguma perspectiva?
Há concursos públicos em andamento que contratarão 1.500 policias investigadores, 580 escrivães e 130 delegados, além de outras carreiras. Esperamos desses concursos que saia o nosso efetivo. Isso para até abril de 2015.

Qual o balanço do ano?
Positivo, mas há coisas que nos atrapalham. O fomento de quase todo crime está na droga, que tem que ser combatida por todos, incluindo a família, além de mudanças na lei.

Saiba mais

Efetivo
A Polícia Civil na região conta com 1.600 policiais, em todas as carreiras

Defasagem
25% do efetivo ou 400 policiais civis

Perda
Até março de 2015, a região perderá cerca de 5% do efetivo ou 80 policiais, por aposentadoria e exoneração

São José
A maior cidade da região conta com 400 policiais civis e vai precisar de ao menos mais 100 para a reengenharia que o Deinter-1 irá fazer na cidade

Concurso
Estão em andamento concursos para contratar 1.500 investigadores, 580 escrivães e 130 delegados para todo o Estado. O processo deve terminar em abril de 2015. Não se sabe quantos virão para a região

Crimes (jan-nov)
A região teve aumento nos crimes de roubo em geral e roubo de veículos, de 8,49% e 13,92%, entre 2014 e 2013

Droga tem relação com praticamente todos os crimes
São José dos Campos

João Barbosa Filho é duro ao expor suas opiniões sobre as drogas que, para ele, estão no epicentro de quase todos os crimes.
Ele cobra combate ao problema nas três esferas de governo –federal, estadual e municipal– e atitude das famílias, além de mudanças nas leis.
Para ele, famílias coniventes com o consumo de drogas estimulam o crime, especialmente entre adolescentes.
“O governador quer aumentar o tempo de reclusão dos adolescentes, que estão incontroláveis. A lei ajuda, a população tem dó e não denuncia e o jovem vai para o crime”, disse.
Ele defende que os consumidores de drogas tenham as mesmas punições dos traficantes, como ocorre no crime de receptação.
“Quem compra objeto furtado tem a mesma pena de quem furtou, mas não nas drogas.”
E completa: “O comprador de drogas, que é o coautor e receptador, tem pena menor do que o traficante. Ou seja, ele entende que vale a pena ser consumidor, pois a pena é diminuta. Quando a pena do tráfico for igual ao do consumidor, vai ocorrer o mesmo com furto e receptação”

fonte: O VALE

Colaboração: Mauro