O estatuto insustentável
06 Dez 2014
TENDÊNCIAS/DEBATES
O Estatuto do Desarmamento deve ser revogado?
Sim
Rogério Peninha Mendonça – FOLHA DE SÃO PAULO
O recesso parlamentar batia à porta em Brasília quando, em 22 de dezembro de 2003, os deputados federais, em votação simbólica, aprovaram a lei nº 10.826, sancionada no dia seguinte. A data marca o começo de um erro banhado de sangue no Brasil.
Com a justificativa de reduzir o número de homicídios, o governo federal tirou as armas legais de circulação e impôs sérias restrições à sua aquisição, posse e porte. A lei, uma das mais rígidas do mundo, foi implacável na redução do comércio legal de armas.
No ano 2000, antes desse diploma, havia cerca de 2,4 mil lojas especializadas registradas junto à Polícia Federal. Dez anos depois, esse número caiu para menos de 280 –uma redução de 90%. Quando o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor, o Sinarm (Sistema Nacional de Armas), criado em 1997, continha 8 milhões de armas legais em seu sistema. Atualmente, restam cerca de 600 mil.
O remédio, contudo, teve efeito contrário ao que, ao menos declaradamente, se esperava. Em 2003, 51.043 brasileiros haviam sido assassinados e, em 2012, segundo o Mapa da Violência, o país atingiu a triste marca de 56.337 homicídios. Nunca antes na história desse país tanta gente foi morta.
Se, como se tentou fazer crer para a aprovação do estatuto, são as armas legais nas mãos dos civis as responsáveis pelos homicídios, por que o índice de assassinatos não teve redução de 90% também? E se não são essas as armas que matam, por que continuar insistindo em campanhas para desarmar o cidadão de bem?
Em 2005, em referendo, 63,94% dos eleitores brasileiros disseram “não” ao Estatuto do Desarmamento. Em números absolutos, foram mais de 59 milhões de votos contrários à iniciativa de desarmar a sociedade. Para se dimensionar esse número, basta dizer que nenhum presidente da República obteve tantos votos para se eleger no Brasil. Ainda assim, a lei permaneceu intocada.
Apresentei há dois anos um projeto para corrigir essa injustiça. O PL nº 3.722/12 revoga o Estatuto do Desarmamento e cria normas mais razoáveis, com critérios objetivos para que o brasileiro –que quiser e estiver preparado– possa adquirir uma arma para defender a sua vida, sua família e seu patrimônio.
A proposta figura entre as que mais repercutem em Brasília, com aprovação superior a 85% nos canais de interação do Congresso.
O projeto põe fim à discricionariedade na concessão da posse, diminui para 21 anos a idade mínima para a aquisição de uma arma e, dentre outras alterações, transfere a emissão dos registros para a Polícia Civil.
O texto, no entanto, não visa distribuir armas indistintamente ou banalizar o acesso a elas, como falsamente tem sido difundido por organizações que se dizem não governamentais, mas que sobrevivem graças aos repasses do governo.
Por ele, nem sequer é restaurada a realidade anterior ao estatuto, pois mantem-se rígido sistema de controle sobre a circulação de armas e são, inclusive, reforçadas penas pela prática de crimes com seu uso.
A realidade de que não se pode fugir é que legislações de grande impacto social têm seus efeitos facilmente mensurados por dados estatísticos e, no Brasil, restringir armas para o cidadão somente fragilizou a sociedade, fortaleceu os bandidos e, com isso, gerou mais assassinatos. O Estatuto do Desarmamento tirou as armas de quem cumpre a lei.
Os bandidos cospem na legislação, riem dos cidadãos de bem e apontam suas armas ilegais para a cabeça do trabalhador honesto. Precisamos pôr um ponto final nesta inversão de importâncias. Revogação do Estatuto do Desarmamento já!
ROGÉRIO PENINHA MENDONÇA, 61, é deputado federal pelo PMDB-SC, é autor do projeto de lei que propõe a revogação do Estatuto do Desarmamento
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
quando houve esta lei a policia se calou mais uma vez, pois sabiam que o governo temia era um golpe de estado e a população armada, isto é, cidadãos honestos foram obrigados entregarem sua arma por uma importância enganadora de cinquenta reais, desarmaram a população e armaram a bandidagem. AGORA EM MUDANÇAS para se ter uma base para você adquirir uma arma hoje pois a aposentadoria esta chegando e voce vai precisar de uma arma pois o governo vai tirar a sua . Pois bem acabei de adquirir uma arma e fazem três meses que espero uma AUTORIDADE para assinar um registro de arma. TANTA CANSEIRA PARA NADA. SERÁ QUE SE ESTADO DE SÃO PAULO NÃO ERA COMPETENTE PARA TER UMA DIVISÃO DE REGISTROS DE ARMA E PORTE. TANTA COMPETÊNCIA PARA A POLICIA FEDERAL. A NOSSA POLICIA CIVIL É MAIS COMPETENTE DO AQUELA INSTITUIÇÃO, POIS AQUI SE FAZ INVESTIGAÇÃO PURA , A NOSSA ÚNICA DIFERENÇA É O NOSSO SALÁRIO . ESTE ESTATUTO DEVE SER REVOGAVEL RAPIDAMENTE.
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a policia civil ,tinha que ter poder igual da pm,ela que fornece porte e registro de armas a seus policiais.
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Caro renato
Não é poder chama-se administração o que infelizmente eles tem e nós ………………..
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Renato muito bem lembrado, se a PM tem competência de administrar as armas dos policiais militares fazendo toda documentação para compra, transferência, renovação de registro e porte, bem como o fornecimento de cofre para guardar essas armas quando seus documentos estiverem em trâmite, e a PC deixa a merce da Policia Federal tudo isso, ou seja, são tratados como meros civis ou paisanos sem nenhuma diferença, é lamentável, ate o DGP tem que pedir pinico para um mero atendente da PF quando se trata desse assunto, pra mim isso tem nome, falta de vergonha na cara, depois vem um monte de babacas aqui se achando e falando besteiras em relação PC X PM, vamos pararem e lutar para conseguir o máximo e não contentar com migalhas.
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em 2015,o bla,bla vai mudar tudo armas e registro competencia da civil.
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O Efetivo da Polícia Militar é quatro vez maior que o da Polícia Civil, essa filosofia de extinguir o poder investigativo só tem alimentado o CRIME, é hora de aumentar o efetivo da Polícia Civil e não apenas ficar repondo vagas de maneira lenta, a investigação é o tendão de aquiles do crime, porque a Polícia Civil pega o CRIME dormindo.
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A polícia civil recebendo 120,00 de alimentação vocês acham certo, enquanto soldado receberá no ano que vem 702,00, continuaremos recebendo o mesmo ??????
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Eu sou civil, atirador desportivo (tiro pratico) tenho que ficar pedindo esmola pro EB pra soltar os documentos e autorizações.. eu acho que esta competencia deveria ser da PC, claro que deveria ter um aumento de efetivo pra dar conta do serviço e não sobrecarregar ainda mais os que já estão lá..
No meu clube tem um atirador que é PC, ele sempre fala do descaso para com a aquisição de armas e munições por parte da chefia!!
eu acho que desarmar o cidadão, só dá a certeza para o bandido que o ovelha estará desarmada, facilitando o trabalho do vagabundo!!
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