Sem resposta do governo sobre salários, delegados ameaçam retomar paralisações na próxima semana 156

NOTÍCIA DE HOJE NO R7.COM
8/10/2013 às 01h00

 

Eles ensaiam nova Operação Blecaute e não descartam possibilidade de uma greve geral

Ana Cláudia Barros, do R7
Na avaliação da presidente da ADPESP, governo está desrespeitando os delegados de “forma acintosa”Arquivo Pessoal
Os delegados de Polícia Civil de São Paulo ensaiam retomar, já a partir da próxima semana, a série de paralisações que realizaram em todo o Estado, entre julho e setembro deste ano. A mobilização, conhecida como Operação Blecaute, seria uma resposta ao governo estadual, que no dia 25 do mês passado, anunciou projetos de leis prevendo reajuste salarial para a Polícia Civil. A alegação dos delegados é de que, até agora, nada de concreto foi apresentado, o que tem revoltado a categoria.
Em entrevista ao R7, a presidente da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), Marilda Aparecida Pansonato, afirmou que a situação está provocando “desgaste e desconfiança”.
— Em um primeiro momento, houve essa “disposição” do governo em nos atender, ainda que muito aquém daquilo que a gente precisa e merece. Isso, por ora, não passou de mero discurso. Foi um anúncio, mas por enquanto, não tem nada na Assembleia Legislativa de São Paulo, não foi enviado nenhum projeto, o que está causando um desgaste, uma revolta muito grande na classe.
Marilda completou, dizendo que a operação deverá ser por tempo indeterminado:
— Penso que, na próxima semana, tenhamos que retornar a Operação Blecaute por tempo indeterminado, o que significa uma greve até que nós sejamos atendidos, que o governo nos respeite.
Ela enfatizou que a possibilidade de uma greve geral não está descartada e que isso dependeria também dos resultados das assembleias das demais carreiras.
— Estamos em estado de greve e continuamos assim até o momento. O estado de greve é uma pré-greve. E é o que tentamos evitar de todas as formas, mas pelo visto, é o governo que quer uma greve.
O presidente do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), George Melão, também cogitou a possibilidade. Ele disse que a categoria está em “assembleia permanente”.
— Na semana passada, foi deliberado que a assembleia será permanente até que o projeto seja apresentado à Assembleia [Legislativa] pelo governador [Geraldo Alckmin], para que a gente possa tomar conhecimento do teor dessa proposta. Até agora, nós só sabemos o que saiu na imprensa.
Marilda Aparecida Pansonato fez reclamação semelhante.
— Ninguém teve acesso ao projeto, ninguém viu esse projeto. Procurei de todas as formas ter acesso e ainda não consegui. Obviamente que a Associação dos Delegados não vai endossar um projeto do qual não participou. Queremos participar desse processo, dessa elaboração. Agora, quando é que ele vem?

CAIEIRAS – Policiais civis serão demitidos por tortura…( Parabéns por esquecerem que lugar de PM e GCM é do balcão prá fora! ) 112

08/10/2013 – 03h30

Vídeo flagra policiais espancando jovens em delegacia de São Paulo

ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Imagens gravadas na delegacia de Caieiras, na Grande São Paulo, mostram dois jovens apreendidos sendo interrogados sob ameaça e agressões, como tapas no rosto.

Folha apurou que o grupo era formado por policiais civis e guardas municipais.

O registro está em poder da Ouvidoria e da Corregedoria Geral da Polícia Civil, que abriram investigações sobre a sessão de espancamento. Os autores das imagens são mantidos sob sigilo para preservar sua segurança.

A gravação, com 50 segundos, foi feita em 20 de agosto, quando os adolescentes, de 17 anos, foram apreendidos pela Guarda Municipal local sob suspeita de tráfico.

No vídeo, é possível contar ao menos seis pessoas em torno dos dois jovens, que estão algemados e em pé. Ao ser agredido com tapas no rosto, o jovem ouve de um deles: “Tem que apanhar, rapaz, apanhar e apanhar!”.

Na sequência, um dos policiais pergunta: “cadê o patrão?”, em referência a um suposto chefe do tráfico. Com o silêncio do rapaz, o policial se dirige ao amigo e puxa seu cabelo para também dar tapas no rosto.

É possível ver o policial segurar a cabeça do jovem com a mão esquerda e estapeá-lo com a direita.

“Vocês não falam que lá no [Jardim] Eucalipto [que] são muita treta, que é partido [referência à facção PCC] e o caralho?”, questiona um deles. Outro agressor diz: “Que matam polícia [sic] e tal?”

“Cadê os caras lá, cadê os irmãos [membros do PCC], os malandros?”, continua.

Enquanto o rapaz diz não conhecer ninguém, o homem volta a bater no seu rosto: “Não chora por que você é homem! Homem não chora”. Na sequência, há mais um tapa gravado e o vídeo termina.

“É muito difícil documentar em vídeo a tortura. A punição tem de ser exemplar”, diz o advogado Ariel de Castro Alves, do Movimento Nacional de Direitos Humanos e do grupo Tortura Nunca Mais.

Em 10 de setembro, um dos jovens disse ao advogado também ter sido sufocado com um saco plástico. Os jovens também disseram ter sofrido ameaças de morte.

Ainda segundo eles, os policias falavam que, caso eles denunciassem a tortura, ambos seriam mortos, assim como seus familiares.

Após 41 dias internados na Fundação Casa, um dos jovens foi libertado no dia 1º. O outro segue apreendido.

OUTRO LADO

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou ontem, por meio de nota oficial, que o vídeo com as imagens da tortura contra os dois adolescentes está sendo investigado pela Corregedoria Geral da Polícia de São Paulo, desde 30 de agosto.

“A Polícia Civil do Estado de São Paulo não compactua com qualquer tipo de irregularidade no exercício da função policial e adotará as medidas cabíveis de acordo com o resultado das investigações –dentre elas, a eventual exoneração dos policiais”, afirma a nota.

Questionada pela Folha sobre as identidades dos homens envolvidos na sessão de agressões dentro da delegacia central de Caieiras, a pasta não se manifestou, assim como um pedido de entrevista com Fernando Grella Vieira, secretário da Segurança.

O órgão informou também que tenta identificar primeiro as duas vítimas da tortura para depois identificar quem eram os policiais que os agrediu dentro da delegacia.

Os nomes dos dois jovens constam no boletim de ocorrência de suas apreensões.

VÍDEO