Publicado em 21/05/2013
Deputado Major Olímpio fala das atitudes covardes do governador Geraldo Alckmin e do secretário Fernando Grella.
Basta, daqui a 501 dias varreremos o PSDB do governo deste estado!
Publicado em 21/05/2013
Deputado Major Olímpio fala das atitudes covardes do governador Geraldo Alckmin e do secretário Fernando Grella.
Basta, daqui a 501 dias varreremos o PSDB do governo deste estado!
PDT lança Major Olímpio ao governo de SP
Fonte: IG
Em meio à negociação de alianças para a eleição do ano que vem, o PDT decidiu anunciar o deputado estadual Major Olímpio como candidato ao governo do Estado. Os pedetistas investem justamente colocar na mesa o tema da segurança pública, assunto incômodo no Palácio dos Bandeirantes, no momento em que o governador corre para fechar acordos para disputar a reeleição. Em seu segundo mandato, Olímpio chegou a ser cotado para ser vice do ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT), na última eleição. Oficialmente, a ideia de colocar o nome do deputado na relação de candidatos saiu de reunião ocorrida ontem, entre o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, que preside a legenda no Estado. “Para a minha surpresa, Paulinho e Lupi lançaram a minha candidatura porque há uma expectativa de crescimento do partido ao ponto de termos candidatura própria, mas isso não quer dizer que estamos rompendo alianças”, afirmou o major referindo-se ao fato do PDT ter ocupar a Secretaria Estadual de Emprego e Relações do Trabalho e Alckmin ser pré-candidato tucano à reeleição. O anúncio ocorre após Dilma ter reabilitado Lupi, ao assegurar ao presidente do PDT e ex-ministro a indicação do ministro do Trabalho, Manoel Dias. Em São Paulo, entretanto, o partido segue integrando o governo Alckmin.
Será que ele teria o apoio dos policiais do Estado?
Gil Alessi Do UOL, em São Paulo
21/05/201308h52
Os policiais militares do Estado de São paulo estão novamente autorizados a socorrer vítimas graves, desde que o resgate especializado não esteja disponível ou o tempo de resposta previsto pelos bombeiros ou SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência) não for adequado à situação. A decisão da Secretaria de Segurança Pública foi publicada nesta terça-feira (21), no Diário Oficial do Estado.
A regulamentação anterior, publicada em janeiro deste ano, não previa casos em que a PM poderia socorrer as vítimas e provocou confusão na tropa. Em alguns episódios, os policiais foram acusados de omissão, como no caso do jovem baleado próximo à PUC (Pontifícia Universidade Católica), no dia 14, que esperou 18 minutos pelo resgate especializado.
A nova resolução prevê o socorro em casos específicos desde que o Copom (Centro de Operações de Polícia Militar) autorize a intervenção. Caso a vítima apresente sinais de morte evidente, a medida diz que “o corpo não deve ser removido”.
O policial também está autorizado, desde que se sinta habilitado, a prestar primeiros socorros à vítima, se isso não prejudicar o trabalho do resgate.
Familiares ou amigos da vítima não devem ser impedidos de prestar socorro, desde que já o estejam fazendo quando a PM chegar ao local.
Também foram detalhadas na resolução as medidas necessárias para a preservação da cena do crime, como o isolamento da área com uma fita (ou barbante, em último caso) e a proibição do acesso de parentes e amigos da vítima no perímetro determinado.
O secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella Vieira, afirmou na semana passada que a queda de 4% dos homicídios em abril era uma consequência da resolução, que segundo ele “preservando o local para perícia, você aumenta o número de casos esclarecidos. Aumentando o número de casos esclarecidos, há um efeito pedagógico, que faz crescer a punição efetiva”.
Diversos especialistas disseram que a justificativa do secretário era ‘improvável’, uma vez que não foi acompanhada por nenhum dado referente à resolução de crimes. .

4.1. O policial militar deverá proceder ao transporte imediato da vítima para pronto socorro ou unidade hospitalar, sempre que:
4.1.1. não existir na localidade Unidade de Resgate, SAMU ou outro serviço de emergência;
4.1.2. autorizado pelo COPOM/CAD, quando o tempo previsto de resposta da Unidade de Resgate, SAMU ou serviço de emergência, não for adequado para a situação.
5. Informar ao COPOM o número de feridos para o encaminhamento.
6. Se houver sinais de morte evidente, não remover o corpo de local e providenciar o acionamento da perícia e das autoridades competentes, via COPOM/CAD.
9. Isolar o local de crime (de preferência utilizando fita apropriada), cuidando para que não ocorram, salvo nos casos previstos em lei, modificações por sua própria iniciativa ou por terceiros, impedindo o acesso ou permanência de qualquer pessoa, mesmo familiar da vítima ou de outros policiais que não façam parte da equipe especializada, exceto o delegado do Distrito Policial e ou da Divisão de Homicídio do DHPP, peritos do Instituto de Criminalística e ou Instituto Médico-Legal.
10. Para sair da cena de crime, adotar o mesmo trajeto da entrada, observando onde pisa.
11. Preservar a área imediata e, se possível, também a área mediata, não lhe alterando a forma em nenhuma hipótese, salvo quando absolutamente necessário para preservar outras provas, para tanto o policial militar deverá:
11.1. não tentar localizar objetos (do crime ou ilícitos) na cena do crime;
11.2. em nenhuma hipótese, mexer em qualquer objeto que componha a cena de crime: não revirar os bolsos das veste do cadáver, não recolher pertences, não mexer nos instrumentos do crime, principalmente armas; não tocar no cadáver, principalmente movê-lo de sua posição original; não tocar nos objetos que estão sob guarda, não fumar, não beber e nem comer no local, não utilizar telefone nem sanitário da cena de crime, ou qualquer objeto existente no local de crime;
1. Se houver dúvidas quanto ao estado de saúde da vítima, providenciar seu socorro por meio do SAMU, serviço local de emergência ou Unidade de Resgate (UR), inclusive, se necessá- rio, acionar o Corpo de Bombeiros para que providencie o envio de outros recursos destinados ao atendimento do(s) ferido(s):
1.1. sem prejuízo da providência acima, será permitido ao policial ou a terceiro que se sinta habilitado aplicar primeiros socorros a vitima.
2. Se ao chegar ao local, a vítima localizada estiver sendo socorrida por familiares ou terceiros, os policiais militares deverão:
2.1. permitir o socorro por familiares e/ou terceiros e escoltar o veículo que realizará o transporte da vítima.
Despacho do Secretário, de 20-5-2013
Protocolo 1078/2013
Assunto: POP 2.05.01, que regulamenta a Resolução SSP
05, de 30-01-2013.
Polícia Militar do Estado de São Paulo
Pop: 2.05.01
Estabelecido Em: Ação do Policial Militar para Preservar o
Local de Crime
Revisado Em: 16-05-2013
Nº Da Revisão: 6
Autoridade Responsável: Chefe do Estado-Maior PM.
Nível de Padronização: Geral
Atividades Críticas
1. Isolar e preservar o local de crime.
2. Evitar que pessoas não autorizadas entrem ou permaneçam
no local de crime.
3. Registro das pessoas que realizaram o levantamento do
local de crime e daqueles que ficaram responsáveis pelas coisas,
objetos do crime (cadáver, armas, instrumentos, veículos, etc.).
SEQÜÊNCIA DE AÇÕES
1. Verificar se há necessidade de apoio para aproximar-se
do local de crime.
2. Aproximar-se do local de crime com cautela, sem que seja
alterado seu estado e disposição do corpo de delito.
3. Contatar o solicitante e buscar informações que possam
contribuir para o esclarecimento dos fatos.
4. Identificar se há vítimas feridas e providenciar, por meio
do acionamento imediato do SAMU, serviço local de emergência
ou Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros, o pronto e
imediato socorro das vítimas;
4.1. O policial militar deverá proceder ao transporte imediato
da vítima para pronto socorro ou unidade hospitalar,
sempre que:
4.1.1. não existir na localidade Unidade de Resgate, SAMU
ou outro serviço de emergência;
4.1.2. autorizado pelo COPOM/CAD, quando o tempo previsto
de resposta da Unidade de Resgate, SAMU ou serviço de
emergência, não for adequado para a situação.
5. Informar ao COPOM o número de feridos para o encaminhamento.
6. Se houver sinais de morte evidente, não remover o corpo
de local e providenciar o acionamento da perícia e das autoridades
competentes, via COPOM/CAD..
7. Avaliar o local em que o corpo de delito se encontra e
dimensionar as proporções do campo pericial que deverá ser
preservado.
8. Transmitir ao COPOM/CAD as informações necessárias
para que seja providenciado o acionamento da perícia e das
autoridades competentes.
9. Isolar o local de crime (de preferência utilizando fita
apropriada), cuidando para que não ocorram, salvo nos casos
previstos em lei, modificações por sua própria iniciativa ou
por terceiros, impedindo o acesso ou permanência de qualquer
pessoa, mesmo familiar da vítima ou de outros policiais que
não façam parte da equipe especializada, exceto o delegado do
Distrito Policial e ou da Divisão de Homicídio do DHPP, peritos do
Instituto de Criminalística e ou Instituto Médico-Legal.
10. Para sair da cena de crime, adotar o mesmo trajeto da
entrada, observando onde pisa.
11. Preservar a área imediata e, se possível, também a área
mediata, não lhe alterando a forma em nenhuma hipótese, salvo
quando absolutamente necessário para preservar outras provas,
para tanto o policial militar deverá:
11.1. não tentar localizar objetos (do crime ou ilícitos) na
cena do crime;
11.2. em nenhuma hipótese, mexer em qualquer objeto que
componha a cena de crime: não revirar os bolsos das veste do
cadáver, não recolher pertences, não mexer nos instrumentos do
crime, principalmente armas; não tocar no cadáver, principalmente
movê-lo de sua posição original; não tocar nos objetos
que estão sob guarda, não fumar, não beber e nem comer no
local, não utilizar telefone nem sanitário da cena de crime, ou
qualquer objeto existente no local de crime;
11.3. manter portas, janelas, mobiliário, eletrodomésticos,
utensílios, tais como foram encontrados, não abrindo ou fechando,
ligando ou desligando, salvo o estritamente necessário para
conter risco eventualmente existente.
12. Verificar se há testemunhas que possam ajudar na
elucidação dos fatos e qualificá-las.
13. Permanecer no local até a chegada da perícia ou da
autoridade competente.
14. Passar todos os dados do local de crime para as autoridades
competentes que comparecerem no local.
15. Aguardar a conclusão dos trabalhos da Polícia Técnico-
Científica (IC, IML), e a liberação do local por parte da autoridade
competente.
16. Registrar as pessoas que realizaram a perícia do local
de crime e aqueles que ficaram com a responsabilidade pelas
coisas, ou objetos relacionados ao crime (cadáver, armas,
objetos, etc.).
17. Informar ao COPOM/CAD que o local foi liberado.
18. Relacionar corretamente os objetos envolvidos na preservação
do campo pericial.
19. Providenciar o registro no respectivo Distrito Policial.
20. Elaborar o BOPM e registro no RSO.
RESULTADOS ESPERADOS
1. Isolamento correto do local, sem tocar ou alterar o estado
das coisas e disposição do corpo de delito.
2. Preservação do local até a chegada da perícia ou das
autoridades competentes.
AÇÕES CORRETIVAS
1. Se houver dúvidas quanto ao estado de saúde da vítima,
providenciar seu socorro por meio do SAMU, serviço local de
emergência ou Unidade de Resgate (UR), inclusive, se necessário,
acionar o Corpo de Bombeiros para que providencie o envio
de outros recursos destinados ao atendimento do(s) ferido(s):
1.1. sem prejuízo da providência acima, será permitido ao
policial ou a terceiro que se sinta habilitado aplicar primeiros
socorros a vitima.
2. Se ao chegar ao local, a vítima localizada estiver sendo
socorrida por familiares ou terceiros, os policiais militares
deverão:
2.1. permitir o socorro por familiares e/ou terceiros e escoltar
o veículo que realizará o transporte da vítima;
2.2. verificar qual o destino que a vítima será encaminhada;
2.3. arrolar os nomes das pessoas que estão socorrendo;
2.4. informar o COPOM/CAD que o socorro está sendo
realizado por familiares ou terceiros;
2.5. solicitar que outra equipe policial realize as atividades
de preservação do local de crime, conforme descrito neste POP.
3. Se houver necessidade de deslocamento de viatura para
uma diligência, condução ao Distrito Policial ou outra missão
ligada ao evento delituoso, o local de crime deverá ser guarnecido
por outra equipe policial.
4. Caso não tenha fita para isolar o local, utilizar outros
meios (corda, barbante, etc.).
5. Se o local for de difícil acesso, acionar o Corpo de
Bombeiros.
6. Se o policial militar perceber que no local de crime há
duas ou mais áreas interligadas, providenciar seu isolamento,
considerando como mesmo local de crime.
7. Se houver a suspeita da prática de crime militar, além
das providências elencadas neste POP, deverá comunicar imediatamente
o Comando de Força Patrulha, para que sejam
acionados o Plantão de Polícia Judiciária Militar (PPJM) e a
Corregedoria PM.
8. Se a preservação do local envolver vias de trânsito,
sinalizar o local para evitar novos acidentes e acionar eventuais
órgãos de apoio que sejam necessários, como equipes de trânsito,
Bombeiros, guincho, etc.
9. Se por motivos de força maior (intempéries, socorro imediato,
perigo de novos acidentes, etc) o policial observar que a
perícia poderá ser prejudicada, adotar as ações necessárias para
proteger o corpo de delito e informar a perícia e Delegado de
Polícia a alteração do local.
10. Se houver necessidade de rendição da equipe, transmitir
ao sucessor as informações necessárias, para que haja continuidade
a preservação do local.
11. Se o local já tiver sido violado, cientificar os responsáveis
pela perícia e ou autoridade competente, constando o
fato em BOPM.
12. Se houver pedido de informação por parte de órgãos
da mídia, o policial militar de maior grau hierárquico, responsável
pelo gerenciamento dos trabalhos, poderá fornecer dados
básicos do fato (são considerados dados básicos: a natureza
da ocorrência, quantidade de vítimas, detidos e de materiais
apreendidos).
13. As causas, circunstâncias, efeitos, consequências ou
detalhes de qualquer natureza relativos a fato no qual houve ou
deve haver a interveniência da Polícia Militar deverá ser objeto
de pedido de informação, o qual deve ser dirigido ao Centro de
Comunicação Social (CComSoc) da Polícia Militar do Estado de
São Paulo.
14. Se houver pessoas exaltadas, procurar entender os
sentimentos dos parentes, amigos ou conhecidos da(s) vítima(s),
sem, contudo deixá-las prejudicar o campo pericial.
POSSIBILIDADES DE ERRO
1. Alterar a posição da(s) pessoa(s), (cadáver) ou objeto(s),
sem necessidade.
2. Revistar os bolsos das vestes da vítima.
3. Deixar resíduos pessoais durante e após a preservação,
como: papéis de bala, cigarro, etc.
4. Mexer nos instrumentos e ou objetos do crime (armas
principalmente)
5. Não proteger o local de crime de intempéries.
6. Deixar parentes ou outras pessoas entrarem no local
de crime.
7. Não isolar corretamente o local de crime.
8. Não solicitar apoio quando necessário.
9. Considerar morte da vítima a ausência de pulso ou
respiração.
10. Não realizar registro ou fazê-lo de forma irregular.
11. Não registrar os apoios e quem ficou responsável por
coisas, objetos do crime.
ESCLARECIMENTO
1. Local de crime: é todo sítio onde tenha ocorrido uma
infração penal que necessite de providência da Polícia Técnico
Cientifica, na busca de vestígios produzidos ou deixados durante
a prática do delito, indispensável à persecução penal.
2. Local de crime interno: é todo sítio que abrange ambiente
fechado.
3. Local de crime externo: é todo sítio não coberto.
4. Área Mediata: local de crime que cobre as adjacências ou
cercanias de onde ocorreu o evento.
5. Área Imediata: local de crime em que ocorreu o evento.
6. Morte Evidente: Decapitação, rigidez cadavérica, estado
de putrefação, carbonização, seccionamento do tronco, e etc.
7. Autoridades competentes: Delegado do Distrito Policial
e ou da Divisão de Homicídio do DHPP, peritos do Instituto de
Criminalística e ou Instituto Médico-Legal, responsáveis pela
equipe de socorro especializado.
PM do PSDB confessa ‘corpo mole’ na segurança pública em evento da Prefeitura do PT.
Ao iG, PMs admitiram que fizeram vistas grossas durante o evento após suposto atraso nos salários de policiais que participam da Operação Delegada.
Wanderley Preite Sobrinho e Ricardo Galhardo – iG São Paulo | 20/05/2013 19:15:07 – Atualizada às 20/05/2013.
Depois de um dia de reuniões para tratar do recorde de violência na edição deste ano da Virada Cultural, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) adotou a postura de despolitizar o assunto ao negar que tenha partido do comando da Polícia Militar – subordinada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) – a ordem para que os policiais fizessem vistas grossas aos assaltos e arrastões, que deixaram pelo menos dois mortos no último fim de semana. No entanto, à reportagem, soldados da PM admitiram que cruzaram os braços durante o evento em retaliação à prefeitura, que estaria atrasando os salários de quem participa da Operação Delegada, uma parceria com o governo do Estado em que o município contrata os serviços de oficiais em dia de folga. Já em nota oficial, a PM negou os atrasos.
Haddad iniciou a entrevista coletiva na sede da prefeitura isentando o comando da PM pelo suposto boicote policial. De acordo com o prefeito, o aumento das ocorrências foi notado a partir das 2h30 de sábado (18). Ao conversar com a cúpula militar, ele teria recebido a garantia de que qualquer denúncia contra a polícia seria averiguada.
Leia também: Para Alckmin, é preciso escolher melhor locais da Virada
Mais: Capital paulista registra a Virada Cultural mais violenta desde 2005
“Do ponto de vista da programação cultural, a Virada foi um sucesso”, disse ele ao lembrar que, embora confie no comando da PM, “é uma obrigação dar respostas a essas informações [de corpo mole] que estão sendo recebidas”.
O petista só mostrou irritação quando questionado sobre uma declaração de Alckmin, para quem é preciso escolher melhor os locais da Virada nos próximos anos . “Mas são os mesmos lugares [dos outros anos], não? O que isso tem de errado?”, perguntou Haddad. “Quem fez o planejamento da segurança foi a PM. Em nenhum momento isso foi colocado como obstáculo. Foi tudo feito de comum acordo. Nada foi decidido só pela prefeitura.”
Vista grossa
A reportagem conversou com policiais militares, que, sob condição de anonimato, admitiram ter cruzado os braços diante da violência na Virada Cultural. A decisão foi uma retaliação à prefeitura, que estaria atrasando os salários de quem participa da Operação Delegada pelo quarto mês seguido. “A prefeitura não paga em dia, e o Estado, para manter a boa convivência, não fiscaliza o pagamento.”
Em nota oficial, no entanto, a PM negou os atrasos e disse que “a Prefeitura de São Paulo vem cumprindo com as suas obrigações quanto ao pagamento da atividade delegada voltada ao comércio irregular de ambulantes”.
Haddad também não teria cumprido, segundo policiais ouvidos pela reportagem, a promessa eleitoral de ampliar o programa, considerado o “bico oficial” dos soldados. O prefeito teria apenas realocado alguns homens para trabalhar no período noturno em áreas de preservação ambiental e em comunidades que organizam bailes funk. O prefeito respondeu à questão lembrando que esse tipo de serviço é voluntário e que sobram vagas para trabalhar em três regiões da zona sul: Capela do Socorro, M’Boi Mirim e Jardim Ângela.
A prefeitura também negou qualquer atraso de pagamento. O que está ocorrendo, afirmou Haddad, é uma mudança no repasse. Antes, pagava-se o policial adiantado com base em uma estimativa de trabalho. Agora, o dinheiro só deixa o cofre municipal depois da análise de uma planilha com as informações de quem efetivamente trabalhou.
Ocorrências
Moradora de um prédio no viaduto Santa Ifigênia, a publicitária Vivi Cristina Dias (29) tomou o primeiro susto ainda em casa, às 3h do sábado, ao avistar da janela um assalto a “poucos metros de dois policiais parados no meio da multidão”. Em outro momento, um grupo de crianças na Ladeira da Memória “armava um arrastão, mas lá não havia policiamento nenhum”. “A Virada é um evento que reúne pessoas de classes e gostos diferentes, além de mostrar a beleza do centro. Essas ocorrências são ruins porque reforçam o estigma de cidade perigosa.”
O artista multimídia Uala Vandeik (29) correu de “cinco arrastões”. “Os policias nas guaritas não faziam nada. Era uma terra de selvagens. Durante uma briga, precisei ficar 20 minutos dentro de um bar. Os donos fizeram um cordão humano para evitar que a confusão invadisse o lugar. Depois disso eu fui para casa e não voltei no outro dia. Essa virada foi uma furada.”
Já a fotógrafa Tatiana Abitante (25) passou por um sufoco por volta das 4h30 de sábado na Praça da República, onde “um grupo de moleques girava na direção dos outros um pedaço de madeira com pregos na ponta. Isso tudo a sete metros de uma base policial”, lembra. “No cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, seis PMs assistiam a um grupo de homens atirarem garrafas contra as pessoas na rua.”
A estudante Niami Correia (22) deixava um restaurante no Largo do Arouche quando entregou uma pizza inteira a um morador de rua. “Nesse momento, vi uns 40 meninos correndo, gritando e empurrando as pessoas. Dez deles seguravam um menino enquanto pegavam tudo que estava no bolso dele. Até a pizza que dei para o senhor eles levaram. Só deixaram um pedaço.”
Niami também assistiu à venda de drogas. “Vendiam como se fosse banana. Gritando ‘olha o lança, balinha, ácido aqui’. “Fico me questionando se vou ter coragem de ir na próxima Virada. Dessa vez eu tive sorte, mas e na próxima?”
Segundo dados divulgados pela Prefeitura, foram registrados 12 arrastões, duas mortes, quatro feridos por arma de fogo e outros seis por armas brancas.
Camila Maciel Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Representantes de movimentos sociais da capital paulista criticaram novamente hoje (20), em reunião com o secretário de Segurança Pública (SSP), Fernando Grella, a forma como são recebidas as denúncias de crimes cometidos por policiais militares no estado. De acordo com Caroline Borges, integrante do movimento Periferia Ativa, as famílias das vítimas temem represálias porque os relatos são feitos aos próprios policiais, por meio das corregedorias das polícias Civil e Militar. “Não temos mecanismos seguros para denunciar o próprio Estado”, criticou.
Caroline informou que, para amenizar esse ambiente de insegurança das famílias, o corregedor da Polícia Militar (PM), coronel Rui Conegundes de Souza, disponibilizou um contato direto com o gabinete dele. “O objetivo é que possamos repassar as denúncias que estamos compilando diretamente para ele, para que não tenha interferência dos batalhões nas comunidades. Isso é um avanço, mas queremos que isso esteja disponível para toda a sociedade”, argumentou. Nesse sentido, o movimento defende o fortalecimento das ouvidorias, organismo autônomo, como principal canal de denúncia.
Além de seis representantes de movimentos sociais, do secretário de Segurança Pública e do corregedor da PM, estiveram representes no encontro o comandante-geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira; o delegado-geral da Polícia Civil, Mauricio Souza Blazeck; e o corregedor da Polícia Civil, Nestor Sampaio Penteado Filho. O encontro foi marcado após protesto no último dia 14, no saguão do prédio da secretaria. De acordo com a assessoria de imprensa da SSP, Grella agendou a reunião para que as denúncias apontadas pelos manifestantes fossem apresentadas diretamente aos representantes das polícias.
A comerciante Rita de Cássia de Souza, 50 anos, teve o filho Bruno, 17 anos, morto em 4 de janeiro deste ano em uma chacina com sete mortos no Jardim Rosana, zona sul de São Paulo. “Meu filho estava em um bar e 15 homens chegaram atirando. Tem policiais que foram presos, mas tem gente solta ainda. Eu temo pela minha família”, declarou. De acordo com a SSP, oito policiais militares são acusados de participar do crime. Este ano, 40 policiais paulistas já foram presos por suspeita de envolvimento em homicídios.
Uma das denúncias apresentadas pelo movimento informa que Bruno, logo após a chacina, foi acolhido ainda com vida por uma vizinha, que chamou a polícia para levá-lo até um posto de saúde. Segundo o testemunho da vizinha, o adolescente estava ferido apenas com um tiro no pé. O jovem, no entanto, foi levado ao Hospital Campo Limpo com oito tiros, inclusive um na nuca.
Em outro caso denunciado, a mãe de um jovem assassinado em outubro do ano passado no Capão Redondo, também na zona sul, disse estar inconformada com a demora para que sejam apontados os culpados para a morte do filho, de 19 anos. “O exame de balística mostrou que era munição utilizada pela polícia, mas até agora nada foi feito”, relatou. Ela não quis se identificar com receio de represália. “Estou aqui, mas com medo de que alguém me reconheça”, explicou.
O movimento reivindicou ainda à secretaria a retomada da Comissão Especial de Redução da Letalidade em Ações Policiais, criada em 2001, mas atualmente desativada. “É um grupo de interlocução, de análise dos homicídios cometidos por policiais. Isso ajuda a ter o olhar da sociedade civil em torno dessa questão”, argumentou Guilherme Boulos, também integrante do Periferia Ativa.
Edição: Davi Oliveira
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