LARANJINHA DA FIEL – Corinthians patrocina um adolescente para que se declare “único culpado” pela morte do adolescente boliviano 28

24/02/2013-13h56

Adolescente que assumirá culpa por morte levou sinalizadores do Brasil

MARCEL RIZZO DE SÃO PAULO

Um adolescente, 17, vai informar nesta segunda-feira na Vara de Infância e Juventude de Guarulhos que disparou acidentalmente o sinalizador que matou Kevin Espada, 14, torcedor boliviano do San José.

Autor de disparo a ser apresentado pela Gaviões pode pegar até 25 anos de prisão

O artefato atingiu o olho direito de Espada, durante a partida entre San José e Corinthians, realizada na quarta-feira em Oruro.

Filiado à torcida uniformizada Gaviões da Fiel desde outubro de 2010, o garoto mora em Guarulhos. Ele vai contar que embarcou em um dos quatro ônibus da caravana de organizadas para a Bolívia com seis sinalizadores –não está claro se todos navais, como o que atingiu Espada.

San José x Corinthians – Libertadores

Alguns dos sinalizadores comprados eram apenas fumaças que produzem luzes. No Brasil, artefatos como este são proibidos desde 2010 em estádios, quando foi acrescentado no texto no Estatuto do Torcedor. Por isso torcedores aproveitam para usar os artefatos em jogos fora do Brasil.

Na Bolívia também há a proibição, mas a aposta dos torcedores era que a revista seria menos rigorosa.

Outro ponto que será abordado pelo garoto para tentar mostrar que o tiro foi acidental é que, logo depois de ter disparado, ele precisou deixar o local com medo de represália dos próprios corintianos. Pelo menos três deles, também membros de organizadas, alegaram quase terem sido atingidos pelo sinalizador.

O argumento do advogado do menor, Ricardo Cabral, será de que a possibilidade de ter atingido pessoas próximas a ele mostra que não direcionava o sinalizador para a torcida adversária.

A mãe do adolescente soube na quinta-feira que o filho chegaria ao Brasil no sábado e que contaria que disparou o sinalizador. Os ônibus da caravana tiveram problema com quebra e demora para atravessar território boliviano porque, segundo relatos, houve hostilidade quando eram identificados como corintianos devido à morte de Espada.

Doze pessoas estão com prisão preventiva decretada na Bolívia e serão indiciados pela morte de Espada por assassinato. Dois como autores do disparo (Cleuter Barreto Barros, 24, e Leandro silva Oliveira, conhecido como Soldado, 21), e outros dez como cúmplices.

Entre os dez “cúmplices” está Tadeu Macedo de Andrade, 30, que é um dos principais dirigentes da Gaviões da Fiel atualmente e candidato informal à presidência, em eleição que deve acontecer em 2014 –ele foi o mais votado na eleição do Conselho Deliberativo, em 2012, e cuida do departamento financeiro da organizada.

A Folha apurou que há o temor na torcida que de o garoto que vai se entregar seja tratado como “laranja” para que Tadeu e outros integrantes da torcida voltem ao Brasil –a polícia e o Ministério Público boliviano já informaram que as investigações devem durar seis meses.

Há um vídeo, que segundo o advogado mostra sem dúvidas que o menor foi o responsável pelo tiro.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress


24/02/201307h37

Torcedor do Corinthians preso tinha sinalizador igual ao de crime

RAFAEL REIS DE SÃO PAULO

A polícia boliviana encontrou com um dos 12 torcedores do Corinthians presos em Oruro desde a quarta-feira um sinalizador com marca, modelo e série iguais ao que matou o adolescente Kevin Douglas Beltrán Espada, 14.

Autor de disparo a ser apresentado pela Gaviões pode pegar até 25 anos de prisão Adolescente que assumirá responsabilidade por morte levou sinalizadores do Brasil

A Folha teve acesso a parte do inquérito da delegada Abigail Saba que mostra que Cleuter Barreto Barros, 24, portava três sinalizadores, um deles do modelo Rocket Parachute Flare Signal HGS40-30000, que atingiu o jovem torcedor do San José.

Barros é um dos dois corintianos indiciados como autores do homicídio ocorrido durante o jogo de estreia do time paulista na Libertadores.

O outro é Leandro Silva de Oliveira, 21. Ele é conhecido como Soldado e também carregava um “artefato pirotécnico”, mas de outro modelo.

Apesar de apenas Barros e Oliveira serem apontados pelo inquérito como possíveis autores do disparo, os 12 brasileiros vão responder por homicídio. A perícia aponta os outros dez como cúmplices e facilitadores do assassinato.

“As investigações preliminares estabelecem que os acusados cooperaram com a ação, já que existem gravações em vídeo de canais televisivos, e também testemunhos, que os acusados, imediatamente após o disparo, balançam as bandeiras para ocultar o tiro e os restos do projétil”, diz o inquérito.

O teor do documento complica a defesa dos corintianos, que dizem ser inocentes e que o verdadeiro autor do disparo já está no Brasil.

O relatório implica ainda uma chance maior de os acusados responderem por homicídio doloso (com intenção de matar), cuja pena vai de cinco a 20 anos de prisão.

“Um grupo de brasileiros que assistia à partida, de forma premeditada e com intenção de causar dano, dispara de forma direta um artefato explosivo contra o menor Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, causando-lhe a morte”, diz trecho do inquérito, que foi publicado ontem pelo Globoesporte.com.

O corpo de Kevin foi enterrado ontem em Cochabamba.

Os dois torcedores apontados como possíveis autores do disparo têm ligação estreita com a Gaviões da Fiel, principal organizada corintiana.

O perfil de Barros no Facebook traz várias menções à facção. Já Oliveira é, segundo fontes ouvidas pela Folha, integrante do grupo.

Via assessoria de imprensa, a Gaviões se recusou a informar se os torcedores são sócios da organizada.

Os 12 corintianos, nem todos vinculado a facções uniformizadas, tiveram a prisão preventiva decretada anteontem e podem ficar por até seis meses nesta situação para não abandonarem o país.

Eles já foram submetidos a testes para detecção de pólvora em suas mãos e roupas e prestaram depoimento.

Polícia investiga elo entre prisão de policiais e mortes em Guarujá 10

24/02/2013 08h17 – Atualizado em 24/02/2013 08h17

Policiais escoltavam carro com cocaína quando foram presos. Morte de dois estrangeiros no litoral pode ter ligação com os policiais.

Do G1 Santos

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga a relação entre a prisão de policiais no último fim de semana, na região de Sorocaba, interior do Estado, e duas mortes que aconteceram em 2011 dentro de um condomínio de luxo, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O ponto em comum das duas histórias é a presença do policial Alexandre Cassemiro Lages, agente do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc). Ele é um dos presos no  dia 16 de fevereiro, na rodovia Castelo Branco, que liga São Paulo ao interior do estado.
Segundo a Polícia Federal, que fez a prisão, Alexandre e mais dois policiais faziam a escolta de dois carros onde traficantes levavam 133 quilos de cocaína. O destino da droga seria a cidade de São Paulo. “No decorrer da investigação nós descobrimos que havia então, por parte desses policiais, desses traficantes internacionais e de traficantes daqui da região um certo esquema de apreensão parcial de droga. E parte dessa droga era distribuída nas regiões aqui vizinhas”, afirma o delegado chefe da Polícia Federal de Sorocaba, Roberto Boreli Zuzi.
No carro de Alexandre, a Polícia Federal encontrou também seis malas cheias de reais, euros e dólares. E mais de 300 quilos de cocaína.Segundo a investigação, os policiais desviavam parte da droga que era apreendida e revendiam para outros traficantes. A corregedoria da Policia Civil investiga se este mesmo esquema teria causado a morte de um argentino e um colombiano há pouco mais de um ano, em um condomínio de luxo em Guarujá.
O crime foi na noite do dia 26 de novembro de 2011. Os dois estrangeiros foram encontrados mortos depois de uma troca de tiros na mansão que fica no Jardim Acapulco, em Guarujá. O primeiro a chegar no dia do crime foi Alexandre, um dos policiais presos. Na época, ele justificou em depoimento que foi ao local porque o colombiano morto era seu informante. Além dos dois mortos, estavam na mansão outros dois argentinos que são suspeitos pelo crime e estão foragidos até o momento. Para a polícia, todos participavam de uma reunião para negociar a venda de cocaína.