Alunos da USP e PMs entram em confronto
Folha de S.Paulo
Um grupo de alunos tentou impedir que PMs detivessem três estudantes que fumavam maconha na USP na noite de ontem. Houve confronto. Policiais chegaram a usar bombas de efeito moral.
Um PM que fazia ronda na região encontrou o trio fumando maconha em um carro. Ele os abordou e, quando iria levá-los para uma delegacia, foi barrado por dezenas de estudantes.
O confronto ocorreu quando cerca de 300 universitários e funcionários da universidade faziam um protesto em frente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, na Cidade Universitária (zona oeste de SP), a fim de blindar os estudantes flagrados com a droga.
Segundo Diana Assunção, do sindicato dos trabalhadores da USP, a repressão foi violenta, com cassetetes, gás pimenta, além das bombas de efeito moral. Ela disse que alguns alunos se feriram.
A PM afirma que conteve a manifestação sem violência. A corporação diz que só houve confronto porque os estudantes atacaram um carro em que estava um delegado.
Após muita negociação, os jovens pegos com a maconha foram levados à delegacia. Eles assinariam um termo circunstanciado e seriam liberados, já que a droga era para uso pessoal.
Os alunos ocuparam um dos prédios da USP. O protesto continuava até a conclusão desta edição.
Esse foi o primeiro problema envolvendo policiais e universitários desde que a PM passou a fazer a segurança do campus, há 50 dias.
As rondas começaram após um convênio entre a PM e a USP para tentar reduzir a criminalidade no local. Em maio, o aluno Felipe de Paiva, 24, morreu com um tiro numa tentativa de roubo.
Parte da comunidade acadêmica é contra a presença da PM. O reitor João Grandino Rodas não se manifestou.
Segundo sua assessoria, a ocorrência era um caso policial e, por isso, a USP não se pronunciaria.
