TUMA EXPERIMENTA O PRÓPRIO MÉTODO DE TRABALHO – O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação 2

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS….

São Paulo, segunda-feira, 10 de maio de 2010

“PF cometeu abusos na minha investigação”, afirma Tuma Jr.
Secretário nacional de Justiça é acusado de ligação com a máfia chinesa em São Paulo

Tuma Jr. diz que objetivo não é investigá-lo, mas sim desmoralizá-lo e que é vítima do crime organizado e de grande armação política

Fotos Eduardo Knapp/Folha Imagem

O secretário Romeu Tuma Jr., durante a entrevista à Folha, em que disse ser vítima de armação política e do crime organizado

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

O secretário nacional do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Jr., diz que a investigação da Polícia Federal que vinculou seu nome ao de um suposto integrante da máfia chinesa cometeu abusos. “Não da PF, mas de pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que eu não deveria ser denunciado.
O caso foi “arquivado”, afirma.
Na investigação, a PF diz que há suspeitas de que Tuma Jr.
ajudou o chinês naturalizado brasileiro Paulo Li a regularizar a situação de imigrantes ilegais e interveio para liberar mercadoria apreendida.
Li, que foi assessor de Tuma Jr. quando ele era deputado estadual, está preso desde setembro do ano passado. O secretário não foi acusado formalmente à época porque o Ministério Público entendeu que não havia provas contra ele.
Em entrevista, Tuma Jr. diz que o caso foi encerrado no ano passado e voltou à tona por causa de seus ataques ao crime organizado. “O objetivo não é me investigar, é me desmoralizar”.

FOLHA – O sr. já comprou celular e videogame contrabandeado, como sugerem as conversas gravadas?
ROMEU TUMA JR. – Eu estava em Viena e minha filha pediu para eu comprar um Wii para minha neta. Liguei para ela e disse que o Wii custava caro, 350, quase R$ 1.200. Ela me perguntou se não seria melhor comprar no Brasil. Liguei para o Paulinho.
Uma coisa que tem de ficar clara é que eu tenho um amigo que é chinês. Não sou amigo de contrabandista. Se cometeu crime, deixa de ser meu amigo.
Falei para o Paulinho: “Vê quando custa um Wii na Paulista”. Ele liga de volta: “Custa R$ 950″. Minha filha liga de novo e diz que o namorado da minha outra filha estava nos EUA, onde o Wii custa US$ 250. O jogo veio dos EUA.
FOLHA – E o celular?
TUMA JR. – Tenho esse celular há três anos, quando fui para a China. Só tem em Hong Kong.
Tem um amigo meu, diretor do Corinthians, que ficou doente com o telefone. O Paulinho me liga: “Tá vindo um primo meu de Hong Kong”. Pedi para ele comprar um telefone igualzinho ao meu. O cara trouxe o preto, não dourado. O meu amigo não quis e eu não comprei. Não é pirata. É um Motorola que só tem em Hong Kong.

FOLHA – Paulo Li é conhecido como contrabandista há alguns anos. O sr., que é delegado, não sabia disso?
TUMA JR. – Se for verdade, para mim é uma decepção. Sou policial há mais de 30 anos e tenho obrigação de conhecer quem faz coisa errada. Nunca desconfiei, até porque ele vivia numa situação difícil. Tinha um filho que estava sem emprego e eu arrumei emprego para ele no Corinthians. Ele estava tirando outro filho da escola porque estava sem dinheiro. Esse é o grande líder do contrabando?

FOLHA – A polícia diz que o sr. ajudava Li a regularizar a situação de chineses ilegais no Brasil.
TUMA JR. – Conheço o Paulinho há 20 anos e tem uns quatro e-mails em que ele pede informação sobre estrangeiros. É minha obrigação como servidor atender qualquer pessoa de uma área sob minha responsabilidade. Ele, eventualmente, pode ter pedido alguma coisa.
Mas se houve atendimento é porque estava dentro da lei.

FOLHA – Mas Li é acusado de cobrar comissão para fazer isso.
TUMA JR. – Houve uma disputa muito grande sobre a data para anistia dos imigrantes. Decidimos que seria 1º de novembro de 2008. No Congresso, um deputado fez uma emenda colocando a data para 1º de fevereiro de 2009. Isso é um absurdo.
As pessoas iriam se aproveitar para colocar imigrantes no Brasil. É criminoso. Um deputado havia montado um esquema com policiais federais na Liberdade e cobravam por atestado. Foi o Paulinho que denunciou esse esquema.

FOLHA – O sr. avisou a polícia?
TUMA JR. – Pedi um inquérito. Foi um mês antes de o Paulinho ser preso. É por isso que ele me liga no dia da prisão. Tinha medo de que não fossem policiais, mas pessoas dessa máfia.

FOLHA – Numa gravação, um assessor do sr. tenta liberar aparentemente uma carga apreendida.
TUMA JR. – É outro absurdo. Se divulgassem a conversa inteira, veriam que não é mercadoria.
São livros contábeis. Um empresário me liga e diz: “Veio um fiscal na minha loja e pegou os livros. Para devolver, ele quer R$ 30 mil.” Falei: “Vamos prender o cara”. Pedi para um assessor descobrir quem era o delegado da Receita na região. O empresário foi lá e denunciou.
Não cometi nenhum crime.

FOLHA – O sr. também é acusado de tentar ajudar a família da deputada Haifa Madi, presa com US$ 123 mil no aeroporto de Cumbica.
TUMA JR. – Recebi dezenas de telefonemas nesse caso, inclusive de pessoas do Judiciário. Me perguntavam se podia sair do Brasil com US$ 10 mil ou R$ 10 mil. Eu não lembrava. Era domingo. Liguei para um assessor e contei o caso. Quando soube que eles tinham sido presos na sexta à noite, dois dias antes, falei: “Então tá morto, tá putrefato”. O que eu queria dizer é: por que me ligam se as pessoas já estão presas?
Como fazem divulgação seletiva e criminosa dos diálogos, acham que estou dizendo que já não dá para ganhar uma nota.

FOLHA – É normal um secretário da Justiça ter esse tipo de conversa?
TUMA JR. – Sou servidor público e tenho obrigação de atender as pessoas. É natural que uma deputada ligue quando tem parentes presos. Isso não é crime.

FOLHA – Um assessor seu, Paulo Guilherme Mello, é investigado sob suspeita de ajudar a máfia chinesa. Por que o sr. não o afastou do cargo?
TUMA JR. – Ele é um policial federal e não posso prejulgar uma pessoa por uma investigação a que eu não tive acesso.

FOLHA – O sr. sabe por que seu depoimento não está no inquérito?
TUMA JR. – Isso é muito grave. Fui delegado de polícia e, se ouvisse uma pessoa num inquérito e não juntasse o depoimento, estaria na rua. Isso é crime. Não tive direito a defesa.

FOLHA – O sr. acha que essa investigação da PF cometeu abusos?
TUMA JR. – Do jeito que essa investigação está sendo tratada, é um abuso. Não da PF, mas de algumas pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado.

FOLHA – Por que uma investigação de setembro veio à tona agora?
TUMA JR. – Estou sendo vítima do crime organizado e de uma armação política muito grande. Com a política que implantamos no ministério, virei símbolo do combate à lavagem de dinheiro, da cooperação internacional. Quando fui para a Comissão de Pirataria, é evidente que isso criou um desconforto.
O objetivo não é me investigar, é desmoralizar. O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação.

Fiesp apoia projeto de reengenharia da Polícia Civil de SP 8

Segurança
 
 
 
São Paulo – 04/05/2010

Fiesp apoia projeto de reengenharia da Polícia Civil de SP

Jantar realizado nesta segunda-feira (3) marcou o início da implantação do projeto piloto nas delegacias da região de Piracicaba, no interior paulista


Da esq. p/ a dir.: Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp; Ricardo Lerner, diretor do Deseg da Fiesp; Antonio Ferreira Pinto, secretário de Segurança Pública do Estado de SP; Paulo Skaf, presidente da Fiesp; Domingos Paulo Neto, delegado geral da Polícia Civil; Luis Donisete Campaci, prefeito de Capivari; e Oduvaldo Mônaco, diretor do Deinter 9

A Polícia Civil de São Paulo inaugurou uma nova fase nesta segunda-feira (3). Em evento realizado na sede da Fiesp, delegados seccionais e prefeitos da região 9 participaram do lançamento do projeto-piloto de reengenharia, que tem como objetivo otimizar sua estrutura e centralizar as operações.

No jantar, oferecido pelo Departamento da Indústria de Segurança (Deseg) da Fiesp, além de seu diretor-titular, Ricardo Lerner, estiveram presentes: o secretário de Segurança Pública do Estado, Antônio Ferreira Pinto; o delegado geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto; o presidente e o vice-presidente da Fiesp, Paulo Skaf e Benjamin Steinbruch.

Lerner contou que no início do ano passado foi procurado por três delegados da Deinter 9 (Delegacia de Interior, região 9, de Piracicaba), interessados em desenvolver projeto de reengenharia da Polícia Civil de São Paulo.

“Este projeto pode revolucionar a forma de gestão da Polícia e servir como modelo ao Brasil”, argumentou o diretor do Deseg. Ele disse ainda que, para que o projeto tenha sucesso, será “fundamental” o apoio político dos prefeitos na implantação.

Ousadia

O diretor do Deinter 9, Oduvaldo Mônaco, defendeu que a Polícia, uma instituição centenária, precisa “ousar”. “Conhecemos inúmeras mudanças ao sabor da vontade política de cada época, nas quais o amadorismo sempre esteve presente”, ponderou.

De acordo com Mônaco, estas mudanças nunca obedeceram a critérios técnicos e administrativos, o que resultou em grandes discrepâncias na estrutura da Polícia.

Situações observadas, por exemplo, em Piracicaba, que tem sete distritos policiais para atender uma população estimada em 490 mil pessoas, enquanto o bairro de Itaquera, na Capital, dispõe apenas de um plantão policial para atendimento de 300 mil pessoas.

O delegado-geral de Polícia Civil do Estado de São Paulo, Domingos Paulo Neto, se disse surpreso com o projeto, que foi ao encontro do planejamento inicial da Secretaria de Segurança Pública do Estado. “Precisamos distribuir melhor nossos recursos”, justificou.

Reconhecida a necessidade de distribuir de forma equânime a estrutura da Polícia no estado, contratou-se uma consultoria que mapeou e avaliou oportunidades de mudanças.

“Segurança pública se faz com unidades equipadas e com pessoas motivadas a exercer esta nobre função”, comentou o delegado-geral.

Otimização

O secretário de Estado de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, destacou a necessidade de otimização dos recursos humanos da Polícia Civil e acolhida do projeto pela Fiesp.

“Conclamo a Polícia de São Paulo a levar adiante este projeto, que bateu às portas de outras instituições e encontrou apoio da Fiesp, graças ao espírito público do Ricardo Lerner (diretor do Deseg da Fiesp)”, elogiou.

O secretário reconheceu que “sozinha a Polícia Civil não terá capacidade de responder aos anseios da sociedade”.

Estímulo

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, parabenizou o secretário Ferreira Pinto pelo “estímulo que vem dando ao bom policial e ao tratamento com rigor dado quando necessário”.

Skaf reiterou o total apoio da Fiesp na implantação do projeto de reengenharia da Polícia Civil e destacou o contato permanente da instituição com as forças policiais do estado. O Deinter 9 reúne 51 municípios da região de Piracicaba e engloba uma população de 3 milhões de habitantes.

Estiveram presentes ao evento os seguintes prefeitos: Ademir Alves Lindo, de Pirassununga; Antonio Benedito Salla, de Brotas; Emilio Bizon Neto, de São Sebastião da Grama; Palmínio Altimari Filho, de Rio Claro e Luis Donisete Campaci, de Capivari.

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

QUALQUER MOTIVO SERVE… Resposta

10 de maio de 2010 | N° 16331 ZERO HORA

FIM DE CARREIRA

Chefe deixa Polícia Civil após sumiço de pistola

Episódio, que ainda não está esclarecido depois de 74 dias, ajudou a desgastar João Paulo Martins

O delegado João Paulo Martins não é mais o chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Com 32 anos de serviço, Martins ruma para a aposentadoria, que deve ser publicada no Diário Oficial do Estado. O principal motivo para a saída de Martins é o desaparecimento de sua pistola funcional, em 24 de fevereiro. Setenta e quatro dias depois, o episódio não foi esclarecido.

Martins pediu para sair. É a versão oficial. Nos bastidores, porém, sabe-se que a história é um pouco mais delicada. O delegado, que já foi corregedor-geral da corporação, teria sido pressionado a deixar o cargo desde que o suposto furto de sua Taurus calibre.40, publicado na página 3 de ZH, se tornou público.

O desaparecimento da pistola, que leva um brasão do Estado do Rio Grande do Sul e o nome da Polícia Civil gravados na lateral direita do cano, tem pelo menos duas versões oficiais.

De acordo com Martins, antes de ingressar no prédio da Secretaria da Segurança Pública, na Rua Voluntários da Pátria, para um encontro com o secretário Edson Goularte, ele acomodou sua pistola no soalho do Focus utilizado pela Chefia de Polícia. Polido, Martins evita transitar com pistola na cintura em alguns prédios públicos para não constranger interlocutores.

O lapso se iniciou quando o delegado retornou ao veículo, no final daquela manhã, e não teria pego a arma. Ele só se daria conta de que não estava com a pistola às 14h30min do mesmo dia, já em seu gabinete.

Martins não sabia, mas logo após o almoço, o motorista – cujo nome o delegado prefere preservar – havia deixado o veículo no pátio da Divisão de Transportes da Polícia Civil para que fosse lavado. Ao ingressar no carro, por volta das 15h, a pistola havia sumido.

Na semana passada, uma hipótese diferente se tornou pública. Martins passou a admitir que a arma talvez tivesse sido levada quando o veículo estava estacionado no pátio da Secretaria da Segurança Pública. No prédio, trabalham presos em regime semiaberto. Em consequência, duas equipes de policiais civis estão rastreando os passos desses detentos. Uma delas chegou a receber dica com nome do homem que teria furtado a arma e inclusive do traficante que a teria comprado, na zona sul de Porto Alegre. Até agora, apesar da pressão que sabidamente a polícia faz nesse tipo de episódio, a pistola não reapareceu.

Pedido de prisão de coronel pode ser outro motivo

Outra hipótese para a saída seria o pedido, na sexta-feira, da prisão preventiva do ex-chefe da Casa Militar do Palácio Piratini, coronel Joel Prates Pedroso, de acordo com o blog Direto da Fonte (www.zerohora.com/diretodafonte), do jornalista jornalista Giovani Grizotti. O coronel foi indiciado no suposto envolvimento no desvio de telhas da Defesa Civil. Segundo Grizotti, fontes do governo apontam que Yeda Crusius teria ficado irritada porque só foi comunicada do caso pelo ex-chefe de Polícia após o pedido de prisão entrar na Justiça. A governadora teria pedido a Martins para que avocasse o inquérito, ou seja, assumisse a investigação, mas não houve tempo.

Uma terceira possibilidade é a recente animosidade envolvendo delegados e promotores que trabalharam na investigação da morte do ex-secretário municipal da Saúde Eliseu Santos. O Ministério Público apontou aquilo que considera um elenco de falhas no inquérito sobre esse assassinato, num desgaste que se tornou público. Todos os delegados consultados por ZH são unânimes: um embate com o MP seria incapaz de derrubá-lo.

Por enquanto, o cargo será ocupado pelo subchefe, Álvaro Chaves

DELEGADO CAMARADA?…O delegado José Carlos Chedid Junior arbitrou fiança para os quatro PMs por crime culposo 19

Zona Sul

PMs são presos por matar motoboy em São Paulo

Publicada em 10/05/2010 às 12h43m

O Globo, Bom Dia São Paulo, SPT

SÃO PAULO – Um motoboy de 25 anos foi morto por policiais militares depois de ser seguido até a porta de casa na Vila Marari, na Zona Sul de São Paulo. O crime teria ocorrido na madrugada de sábado, por volta de 3h40m. Alexandre Menezes dos Santos estaria dirigindo uma moto Honda CG, sem placa. De acordo com a polícia, ele estava na contramão e em alta velocidade e não obedeceu o sinal para parar. A família do motoboy diz que a moto estava sem placas porque ele havia acabado de comprar e que deve ter ficado com medo, por isso fugiu.

Na porta da casa, o rapaz teria reagido à abordagem dos PMs. Segundo a secretaria de Segurança Pública, Santos ele lutou com os soldados, que pediram reforço. Outros dois PMs chegaram ao local e um deles aplicou uma “gravata” em Santos. O motoboy conseguiu se soltar, mas depois foi imobilizado novamente pelo mesmo golpe. Porém, desmaiou. “Durante a abordagem, após luta corporal com os policiais e em função do uso de força física excessiva praticada por estes, o civil foi lesionado no pescoço”, explicou nota da PM.

A mãe do rapaz diz que ouviu o pedido de socorro do filho e tentou impedir que os policiais continuassem a bater nele.

– Pedi de joelho, parem de bater no meu filho, meu filho nao está respirando. Tentei pegar o capacete e eles disseram ‘não mexe aí’, contou a mãe, Maria Aparecida de Oliveira.

O rapaz foi levado para Pronto-Socorro do Hospital Sabóia. Morreu por traumatismo, hemorragia interna e asfixia.

Um soldado que teria colocado o rapaz na maca disse que, ao chegar no hospital, viu que o motoboy estava armado, com uma pistola calibre 357 na cintura, fato que os PMs não perceberam durante a abordagem.

– Como é que bate meia hora e só foram achar a arma depois que chegaram no hospital e tiraram a roupa dele? – indaga a mãe.

Os quatro PMs do 22º Batalhão foram presos e autuados em flagrante por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), por ter havido excesso de força física. Foram detidos nove horas depois do episódio.

A ocorrência foi registrada no 43º Distrito Policial. O delegado José Carlos Chedid Junior arbitrou fiança para os quatro PMs, mas eles estão recolhidos no Presídio Militar Romão Gomes, à disposição da Justiça. A Corregedoria da Polícia Militar acompanhou o registro do caso. O delegado solicitou exame necroscópico para para o cadáver, além de perícia na moto e na arma encontrada com o motoboy. Segundo a secretaria de Segurança Pública, a causa da morte de Santos será investigada.

Em 28 de abril, a Justiça Militar decretou a prisão de 12 policiais militares acusados de torturar e matar outro motoboy , Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, de 30 anos. A agressão aconteceu na noite do dia 9 de abril, dentro de um quartel da Polícia Militar, ao lado do 13º Distrito Policial (Casa Verde), na Zona Norte de São Paulo.

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Que o Criador nos livre dos bandidos e de policiais desse tipo.

PMs de Alckmin espancam motoboy até a morte na frente da mãe Resposta

2010/05/10 at 13:01 – A A A A

olha aí a pm trabalhando
Saiu no Agora, na primeira página :
PMs de Alckmin espancam motoboy até a morte na frente da mãe
“Alexandre dos Santos, 25 anos, foi agredido em frente à sua casa, em Cidade Ademar (Zona Sul) . Segundo os policiais, que estão presos, ele foi abordado porque, na contramão, tentou fugir na sua moto sem placa.”

Segundo a mãe de Alexandre, “foram 30 minutos de pontapés e socos”.

“Entregador de pizza e pai de uma menina de três anos, Santos morreu por asfixia e traumatismo craniano.”

A corporação diz que houve “uso excessivo de força”.

“Nos primeiros três meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2009, o número de pessoas mortas em confronto com policiais militares cresceu 40%.”

Foram 146 mortes em 2010.

OUTRO CASO ISOLADO DE VANDALISMO 8

09/05/2010

Para a Polícia Militar, ação foi um caso isolado

Vinícius Dominichelli
do Agora

A assessoria da Polícia Militar trata o ataque em Osasco (Grande SP) como uma ocorrência isolada.

Segundo a corporação, os tiros não podem ser atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital), apesar de admitir que existe uma operação especial para o período do Dia das Mães (leia mais ao lado).

A Polícia Militar afirmou que “é natural o surgimento de boatos relativos aos ataques de 2006. Portanto, a fim de que a população se sinta mais segura, serão desencadeadas, de forma ininterrupta, ações especiais de polícia ostensiva em todo o Estado.

A nota ainda pede à população que “colabore e compreenda que a polícia intensificará bloqueios, abordagens, revistas e demais procedimentos de polícia preventiva durante o Dia das Mães”.

TERRORISMO…TERRORISMO! 2

Sábado, 8 de maio de 2010 – 21h58

Crime

Bandidos disparam contra colégio da Polícia Militar em São Vicente

De A Tribuna On-line

Créditos: Rogério Soares

Bandidos dispararam vários tiros em um colégio da Polícia Militar de São Vicente na madrugada deste sábado.

A PM acredita em vandalismo.

O crime ocorreu por volta das 2h30. Um vigilante de 38 anos estava na guarita da escola, que fica na Praça Rui Barbosa, quando ouviu o som de uma moto.
Logo depois, viu dois homens no veículo, que começaram a atirar em sua direção. Para não ser baleado, ele se atirou no chão.

Um dos disparos atingiu o vidro da guarita e, outros dois, um pouco acima. Mais cinco tiros acertaram o muro.

O tenente-coronel Marcelo Prado, a PM acredita que houve uma ação de vandalismo. “Há um videomonitoramento que será analisado pela Polícia Civil, para chegar à autoria. A princípio, entendemos o fato como um caso de vandalismo”.

Ele explica que a escola, que possui ensinos Fundamental e Médio, é particular e funciona para filhos de policias militares e para a comunidade em geral.

Para o tenente-coronel, quem tem a perder com atos como esse é a própria comunidade. “Por isso pedimos ajuda da população para que passem informações sobre os autores pelo telefone 181”.

Prado garantiu que a instituição funcionará normalmente a partir deste domingo. “Vamos repor rapidamente o vidro danificado. Será solicitado reforço na segurança e a PM vai intensificar ainda mais o policiamento nas imediações”.

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Vandalismo é  sair jogando  lixo no quintal alheio.

CARTA DIGNIDADE É REQUERIMENTO DE EXONERAÇÃO…MAS NÃO SOU DIGNO E CORAJOSO O SUFICIENTE 43

Dr Guerra será que ainda dá tempo para o Senhor fazer uso da Carta de Dignidade?

:: Carta da Dignidade sobre a Portaria DGP-22/2010

A Portaria DGP-22/2010 procurou resgatar a dignidade da carreira dos delegados de polícia, fazendo valer preceitos constitucionais adormecidos, e que procuravam, desde 1989, proteger a autoridade policial de eventuais ingerências políticas no exercício da atividade de investigação, com franco prejuízo à sociedade, que requer um serviço público de qualidade, sem desvios alheios à boa técnica. Foi imbuída do mais alto espírito público – que deve nortear os atos daqueles que ocupam os altos escalões da Administração -, que a Delegacia Geral de Polícia resolveu pela edição da sobredita portaria, merecendo a justa homenagem prestada pela ADPESP.

Remoção é ato administrativo e como tal deve ser suficientemente motivado. Antes dela, delegados de polícia corajosos que não se curvam diante de interesses alheios recebiam o mesmo tratamento destinado a transgressores disciplinares, em nítido desvio de poder. As remoções desmotivadas, que serviam tanto para calar os bons profissionais quanto como uma forma abrandada e ilegal de punição devem acabar.

Se o policial é bom profissional que permaneça onde está e cumpra com o seu legítimo dever. A Portaria nasceu para protegê-lo. Mas não pensem na Portaria DGP-22/2010 como um prêmio para os maus policiais. Pelo contrário, ela é um mau presságio para os que não cumprem com seus deveres disciplinares e não dignificam a Polícia Civil.

Outrora, ao invés de responder a processos disciplinares policiais faltosos eram simplesmente removidos e o assunto dava-se por encerrado. A punição decorrente de uma remoção sem processo disciplinar, sem qualquer demonstração de motivos, em flagrante hipótese de desvio de finalidade – sempre foi uma alternativa até mesmo vantajosa. Afinal, o “bonde” não deixa máculas em seu histórico funcional e nem desencadeia sanções jurídicas. Não se resolviam os problemas, apenas os mudavam de lugar.

E é nesse ponto que a Portaria 22/2010 revigora o poder dissuasório da Lei Orgânica da Polícia. Agora, os maus policiais não poderão mais receber tratamento abrandado fruto de desvio de finalidade. Seja por omissão, condescendência ou liberalidade. Aquele que transgredir normas disciplinares, que receba a punição adequada após o tramite do ordinário procedimento administrativo. E isso não obsta a remoções desde que sejam motivadas. E faltas disciplinares ou crimes funcionais são motivos legítimos a fundamentar remoções.

( MENTIRA, falta disciplinar ou crime funcional importa no afastamento do funcionário, pois remoção no interesse do serviço, como o próprio nome conceitua, não é penalidade, muito menos  espécie de antecipação de penalidade…A remoção compulsória foi abolida como medida cautelar. )

Apenas com o cortar na carne, com o respeito às leis mediando todos os níveis hierárquicos que resgataremos nossa dignidade funcional.

A ADPESP acredita e apóia a Portaria DGP-22/2010 por ver nela um instrumento de fortalecimento da autonomia dos delegados de polícia.

Doravante, com a colaboração de todos os seus associados, fiscalizará o seu fiel cumprimento, para que não ocorram desvios de finalidade e o interesse público seja resguardado. Para isso, será colocado à disposição do público em geral, por meio do seu site, um painel contendo todas as informações referentes às remoções de delegados de polícia. Vamos, juntos, construir uma polícia republicana, independente e democrática! Colabore! Acredite! Denuncie! prerrogativas@adpesp.com.br.

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Conversa mole da DGP e da ADPESP.

https://flitparalisante.wordpress.com/2010/04/17/jow-a-verdade-deve-ser-dita-esta-portaria-e-de-autoria-do-doutor-alberto-angerami-conforme-sempre-defendeu-doutrinariamente/

https://flitparalisante.wordpress.com/2010/05/04/e-por-falar-em-cubatao-informalmente-soubemos-que-o-delegado-que-informalmente-incendiou-o-pedro-dos-anjos-sobre-os-efeitos-da-cronica-do-1530-teria-tentado-ganhar-uma-notinha-de-correligionario-da/

SINDICATOS DOS LADRÕES 2

09/05/2010 – 07h45

Com rejeição a Serra, sindicatos criam chapa híbrida Dilma-Alckmin

BRENO COSTA
da Reportagem Local

A rejeição ao pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, está levando parte do movimento sindical de São Paulo alinhada com Geraldo Alckmin (PSDB), postulante ao governo paulista, a defender a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Alckmin tem a simpatia de pelo menos 40% dos sindicatos filiados à Força Sindical em São Paulo, segundo cálculo do tucano Antonio Ramalho, vice-presidente da entidade que, no Estado, tem uma base de cerca de 4,5 milhões de trabalhadores.

Os elogios a Alckmin entre dirigentes sindicais ouvidos pela Folha são diretamente proporcionais às críticas a Serra. Mesmo entre aqueles que defendem um apoio puro-sangue Serra-Alckmin, pipocam ressalvas ao pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto.

“O entusiasmo é [com] Alckmin. Ele é da escola do [Mario] Covas, do [Franco] Montoro. Ele [Covas] falava “não” direto pra gente, mas falava na cara”, resume Ramalho, que preside o Sindicato da Construção Civil.

Ao mesmo tempo em que defende a ideia de que um apoio a uma dobradinha Dilma-Alckmin seria um “tiro no pé”, Ramalho diz que Serra “não tem conversa com ninguém, só quatro pessoas falam com ele”.

Chapa híbrida

Filiado ao PDT, Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, defende pessoalmente o híbrido Dilma-Alckmin. A posição do sindicato, diz, ainda não está definida oficialmente. A Federação dos Comerciários também tende a essa posição.

Torres conta que os principais líderes sindicais têm o número do celular de Alckmin. Quando não atende, o pré-candidato ao governo estadual pega os recados na caixa-postal e liga de volta.

Na última terça-feira, Alckmin foi a um café da manhã oferecido pela Federação dos Trabalhadores na Indústria Química do Estado de São Paulo. Líderes sindicais de outros quatro setores também compareceram. Ele chegou a vestir a camisa dos químicos.

“Não temos um problema sistêmico com o Serra, mas o diálogo que nós tínhamos com o Alckmin nós não tivemos com o Serra”, diz Sérgio Leite, presidente da Federação dos Químicos, que prevê apoio a Dilma na disputa presidencial.

Ele e outros dirigentes apontam como um dos principais fatores de apoio a Alckmin as reduções de alíquotas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para diversos setores promovidas durante o seu governo.

No 1º de Maio, Serra ficou longe de São Paulo, onde as centrais sindicais realizaram suas tradicionais festas –neste ano com a presença de Dilma Rousseff e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os eventos, tanto da Força quanto da CUT, tiveram patrocínio de R$ 2 milhões de estatais do governo Lula (R$ 1 milhão para cada central).

O tucano optou por um evento evangélico em Santa Catarina –que também teve verba de gestões tucanas. As centrais dizem que convidaram Serra. O tucano nega que tenha recebido convite.

MAJOR OLÍMPIO ACUSANDO ALCKMIN DE O MAIOR RESPONSÁVEL PELO DESCONTROLE NOS SISTEMAS PRISIONAL E SEGURANÇA PÚBLICA…ALCKMIN DIZ QUE ASSUNTO ERA DE CLÁUDIO LEMBO 9

2010/05/07 at 23:13 – PLEBE RUDE

Posta esses vídeos ai Dr Guerra. Isso é Alckmin “fujão”

ESTE VÍDEO DEVE SER VISTO EM CADA LAR PAULISTA

REPORTAGEM DA TV AUSTRALIANA SOBRE ATAQUES DO PCC EM 2006, POLICIAIS MORTOS BESTIALMENTE, E A OMISSÃO TUCANALHA em SP.
http://www.youtube.com/watch?v=vsRynm18_Eg

http://www.youtube.com/watch?v=w0tTY1sSLIU VERSÃO COMPLETA Mean Streets – brazil

FAMÍLIA ROMEU TOMA…DO VERBO “TOMAR” UMA NOTA 5

 2010/05/08 at 13:19 – FORA TUMA

Escuta da PF mostra Tuma Jr. tentando relaxar apreensão de US$ 160 mil
Operação Wei Jin.

A pedido do secretário, o policial Paulo Guilherme Mello, seu braço direito no Ministério da Justiça, tentou evitar, sem sucesso, o flagrante a familiares da deputada estadual Haifa Madi (PDT), que carregavam dólares na bagagem
08 de maio de 2010 | 0h 00
 O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA

Encarregado de coordenar as ações federais de combate à lavagem de dinheiro, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, foi gravado pela Polícia Federal tentando evitar um flagrante no aeroporto de Guarulhos que levou à detenção de sete pessoas e à apreensão de US$ 160 mil que estariam sendo levados ilegalmente para Dubai.

Veja também: Diálogo entre Tuma Júnior Regiane Diálogo entre Paulo Guilherme Mello e Grego

As conversas, interceptadas com autorização da Justiça, revelam que Tuma Júnior foi acionado horas depois de agentes da PF lotados no aeroporto descobrirem, em 28 de junho do ano passado, os dólares na bagagem de familiares da deputada estadual Haifa Madi (PDT).

A tentativa de Tuma Júnior de evitar o flagrante apareceu na investigação graças à interceptação do telefone de seu braço direito no Ministério da Justiça, o policial Paulo Guilherme Mello. O assessor foi destacado pelo secretário para solucionar o problema. Num dos diálogos, é o próprio Tuma Júnior quem trata do assunto.

De acordo com relatório da PF a que o Estado teve acesso, Tuma Júnior e Mello foram acionados por um escritório de advocacia. Ao ser informado de que já não era mais possível evitar o flagrante, Tuma Júnior lamenta. “É, paciência, né”, diz. Em seguida, diz a Mello: “O doutor lá era daquele esquema, entendeu? Entendeu? Fala hoje lá com aquela autorid… com aquela pessoa lá”. “O cliente do doutor lá tava empepinando, entendeu?”, completa o secretário.

Ao dar satisfação a Tuma Júnior, Mello usa uma figura de linguagem para dizer que já não havia mais tempo: “O corpo já perecia há mais de doze horas, mais de doze horas, quase dezoito horas quando me trouxeram a informação, entendeu? Os destinos já estavam consumados”. “Já tá com via de… guia de encaminhamento”, disse, referindo-se ao fato de que, naquele instante, o flagrante já havia sido lavrado. “É, o corpo já estava putrefato”, lamenta Tuma Júnior.

O próprio secretário afirma, no diálogo, ter sido acionado tardiamente. O “pedido de socorro”, de acordo com a PF, foi feito por Francisco Teocharis Papaiordanou Júnior, amigo de Tuma Júnior. Papaiordanou é conselheiro do Corinthians, clube do qual Tuma Júnior foi diretor de Futebol. Nos diálogos, o secretário se refere a Teocharis como “Grego”. “Falei pra ele: “Muito tarde, mas vou chamar Guilherme”. Eu chamei (você) no rádio, mas essa p… não atendia”, diz Tuma Júnior.

Para atender o pedido de Tuma Júnior, Mello disparou uma série de telefonemas e acionou policiais federais em serviço no aeroporto. Mesmo não havendo mais possibilidade de evitar o flagrante, o assessor relata ao chefe Tuma Júnior ter tomado outras providências. Conta ter acionado um contato na delegacia da PF em Cumbica para ao menos minimizar o problema. Grego, àquela altura, já havia sido avisado da providência “Hoje, pelo menos tava o Relê tava lá no aeroporto, eu mandei… eu passei a informação pra ele (Grego) pra pessoa procurar o Relê lá pra obter algum privilégio, né, alguma coisa que… alguma…conforto pelo menos lá pro amigo dele, né”, diz Mello a Tuma Júnior.

Lobby.

Em relatório encaminhado à Justiça Federal, os investigadores da PF apontaram a necessidade de avançar em relação ao lobby do secretário.

No relatório, antes de defender novas diligências para apurar a atuação de Tuma Júnior e de seu assessor no caso, os policiais afirmam que os dados de inteligência permitem formar alguma convicções, como “conhecimento prévio de Romeu Tuma Júnior, de eventual prática ilícita, envolvendo crimes financeiros, por parte das pessoas envolvidas na apreensão de valores”.

O documento realça o fato de Tuma ter entre suas atribuições o combate à lavagem de dinheiro. Diz que os diálogos evidenciam “eventual favorecimento de Romeu Tuma Júnior, na sua área de alçada, em crimes relacionados à evasão de divisas ou lavagem de dinheiro”.

Coordenar as ações de combate à lavagem de dinheiro é uma das principais atribuições da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), ocupada por Tuma Júnior desde 2007. É sob o guarda-chuva da secretaria que funciona o Departamento de Recuperação de Ativos, o DRCI, que tem por função promover a repatriação de recursos remetidos ilegalmente para fora do país. Outra atribuição da SNJ é cuidar de assuntos relativos à entrada de estrangeiros no País.

Na última quarta-feira, o Estado revelou as ligações de Tuma Júnior com Li Kwok Kwen, o Paulo Li, apontado pela PF como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo. Documentos apreendidos durante seis meses de investigação revelaram que, de um lado, Li cobrava para legalizar a situação de chineses ilegais no País e, de outro, contava com a ajuda de Tuma para facilitar a tramitação dos documentos no Ministério da Justiça.

Com base nas ligações de Tuma Júnior com Li, os encarregados do caso defenderam a abertura de inquérito à parte para investigar o secretário. Até ontem, porém, o inquérito não havia sido aberto.

Ações sob suspeita

O amigo da máfia
Telefonemas e e-mails interceptados Ligaram Tuma Jr. com Pauli Li, apontado como expoente da máfia chinesa

Passe livre
Com o Departamento de Estrangeiros sob seu comando, operou para dar vistos a chineses em situação irregular.

O pistolão
Inconformado com reprovação do futuro genro no concurso da Polícia Civil de SP, Tuma Jr. articulou para aprová-lo.

Mão amiga
Relatório da PF mostrou ação de Tuma Jr. para liberar mercadorias apreendidas de Fang Ze, do esquema de Paulo Li.

Diálogos interceptados

28 de junho de 2009

16h01min09s

Após o registro de um flagrante no aeroporto de Guarulhos, com prisão e apreensão de US$ 160 mil, Paulo Guilherme Mello, assessor de Romeu Tuma Jr., é procurado por Francisco Teocharis Jr, conhecido como Grego. Começa uma operação, com participação de Tuma Jr., para tentar reverter o flagrante

Grego: Deixa eu falar uma coisa! É… o negócio é o seguinte Guilherme! É… então aguarda um pouquinho que eu vou conversar com a pessoa que quem tá aqui falando aqui é o advogado dele que é amigo do homem que é advogado! E (inaudível) a serviço entendeu? Então eu quero saber… eu vou falar pra ele ver se ele quer que você vá até lá, entendeu? Se há necessidade de você sair de casa!

Mello: Tá bom! Eu vou tentar mais um pouco ver se o Tião atende, porque eu tô ligando daqui da casa da minha mãe e não pega o… direito! Eu não sei o que acontece com o telefone (inaudível).

Grego: Entendeu? Porque daí é o seguinte! Qualquer coisa cê… pra passar no posto lá!

Mello: Mas de qualquer forma o Grego… rolando a situação o cara não tá mais lá! Se foi cana, entendeu? Eu tô achando que tem mais coisa! Só por evasão de divisa não ia enfiar um flagrante nele! Acho que não! Não sei! Só se mudou a lei!

29 de junho de 2009

22h21min21s

Tuma Jr. fala com Mello sobre a apreensão dos dólares em Guarulhos. Mello fala para o chefe que, quando foi procurado por Grego, já não dava para fazer mais nada. Tuma lamenta e diz que o doutor, envolvido no caso, era ”aquele esquema”

Mello: Oh, Romeu, que m. é essa aí do negócio do Grego? Cê não… cê não me falou nada, cara. Agora, ele tava delirando, né, com a estória. Ele não entende como é que funciona.

Tuma Jr.: O cara lá era o…o doutor lá era aquele esquema, entendeu? Entendeu? Fala hoje lá com aquela autorid… com aquela pessoa lá e… pra ver se resolvia aquela parada, mas o Grego não sabe. O cliente do doutor lá tava empepinando, entendeu?

Mello: Não, isso eu sei Romeu, mas é…você é delegado. O negócio já…o corpo já perecia há mais de doze horas, mais de doze horas, quase dezoito horas quando me trouxeram a informação, entendeu? Os destinos já estavam consumados.

Tuma Jr.: É, paciência, né? Paciência. Fica frio que “campei” aqui em Brasília (…) Mas tive um resultado positivo. Mas falei pra ele: “Muito tarde, mas vou chamar Guilherme”. Eu chamei no rádio, mas essa p. não atendia. Mas tudo bem, né?

(…)

Mello: Eu liguei pro Grego, quando me falou eu falei “Grego, primeiro que acho que tem boi na linha, segundo, pelo tempo que você… da ocorrência pra você tá me acionando agora, o negócio já… já tá consagrado. Mas aí eu fui atrás (…) e os caras falaram “esquece”. Já tá e já tá com via de… guia de encaminhamento.

Tuma Jr.: É, o corpo já tava putrefato (…)

Mello: É, paciência, mas tudo bem. Hoje, pelo menos tava o Relê tava lá no aeroporto, eu mandei… eu passei a informação pra ele pra pessoa procurar o Relê lá pra obter algum privilégio, né, alguma coisa que… alguma… conforto pelo menos lá pro amigo dele, né.

30 de junho de 2009

09h14min21s

Mello liga para a PF em Guarulhos e conversa com a uma policial identificada como Regiane. Diz que Tuma Jr. queria informações sobre o flagrante.

Regiane: Então, e os seus amigos saíram ontem. Os seus não, quer dizer, as pessoas as quais você queria informação, né?

Mello: Foram pro hotel?

Regiane: Não, não foram pro hotel não, foram pra casa. Era uma família de sete pessoas, inclusive a filha do ex-prefeito do Guarujá, cuja mãe é deputada. (…) Eles tavam tentando ir pra Dubai com aproximadamente cento e sessenta mil dólares.

Mello: P., é turismo isso? (…) Na verdade eu quero que se f. a família, só… eu queria é dar informação pro meu chefe. Porque se tinha parlamentar no meio, alguém… alguém lá em Brasília consultou ele, né? Ele só queria informação, entendeu, pra dar notícia correta, porque fica aquele tumulto, né? (…)

Regiane: Pois é, meu bem, mas felizmente agora eu to conversando com você com mais tranquilidade porque ontem disse que o que ligou de colega, o que ligou de político, o que veio de gente querendo saber de informações, a gente não podia falar nada, né?

Mello: Não, mas tá ótimo. Eu acho que ontem o Romeu não… ligou só uma vez a respeito, de manhã, acho que depois ele obteve a informação de outra forma.

Regiane: É. Veio o Arnaldo Faria de Sá no final da tarde, né, veio ele. Mas tá tudo bem. E você, tá bem?

ÁUDIO

Romeu Tuma Júnior liga para a PF e conversa com uma policial identificada como Regiane

// Encarregado de coordenar as ações federais de combate à lavagem de dinheiro, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, foi gravado pela Polícia Federal tentando evitar um flagrante

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowAudios.action?destaque.idGuidSelect=4597CC8C377548398FC30EFFF48024BF

ÁUDIO

Diálogo interceptado entre Paulo Guilherme Mello e Francisco Teocharis Jr., conhecido como Grego

// Encarregado de coordenar as ações federais de combate à lavagem de dinheiro, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, foi gravado pela Polícia Federal tentando evitar um flagrante

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowAudios.action?destaque.idGuidSelect=364B2B1DE080427DA7EBE9F1B62F02C9

4ª Reportagem da Série Crimes de Maio:Estava trabalhando na PM em uma cidade da região. Houve incursões, sim. Policiais linhas de frente foram enérgicos na periferia. Todas as mortes foram ilegais e colocamos tudo na conta do crime organizado. 11

4ª Reportagem da Série Crimes de Maio: A Tribuna

www.atribuna.com.br

 

CRIMES DE MAIO – 4ª PARTE

 

OS POLICIAIS QUE AGEM NA TOUCA

 

RENATO SANTANA 
DA REDAÇÃO

 

O comando da Polícia Militar (PM) pode negar, o seccional da Polícia Civil afirmar ser preconceito e o Poder Judiciário e o Ministério Público não ter provas para chegar aos criminosos. O fato é que os grupos de extermínio, denominados assim pela Ouvidoria da Polícia e Defensoria Pública, responsáveis por parte dos homicídios dos Crimes de Maio, atuam e são compostos por policiais.

 

A entrevista com os dois ex-policiais foi negociada durante duas semanas e realizada de maneira separada. Eles explicam como esses grupos funcionam, de que forma se organizam, o planejamento das ações, o que o comando da PM sabe e a verdade dos casos de resistência seguida de morte. As revelações desmascaram os bastidores de uma guerra travada na escuridão. Os policiais terão suas identidades preservadas por nomes fictícios.

 

 

Entrevista

 

O LENDA

 

QUANDO O CAMISA DEZ ENTRA EM CAMPO

O nome faz jus. O Lenda. Sempre teve apetite, espírito policial. É o típico justiceiro. Age sozinho, no máximo com mais um. Já apagou muitos. Com farda e sem farda. Nunca se pode dizer quantos. Fosse por prazer, cada um seria lembrado. Mas não há  prazer. Tampouco culpa. Trata-se de uma cruzada: “A pessoa que pega no machado para arrancar a erva daninha da raiz, um fruto venenoso, não vai ter má consciência de ter matado uma erva daninha”.

 

Não concorda muito em chamar de grupos de extermínio a ação clandestina de policiais, cuja existência confirma. Encapuzados e sem farda, são os matadores nas madrugadas das periferias, inclusive da região. Para o Lenda “são pessoas que diante da ineficácia do sistema acabam agindo por meios próprios”. Mesmo fora da Polícia Militar, continua sendo um camisa dez, um bilão, no jargão do submundo policial. Mata com a permissão de Deus. Depois que se aposentou, ficava injuriado ao ver ex-companheiros dizendo, na televisão, que escondiam a farda e saíam de casa com ela embaixo do tapete do carro.

 

O sangue subia. Não queria continuar jogado no sofá. O dedo coçou. Para ele, é bem nítido que hoje em dia os policiais fazem o papel de espantalho na horta. Faltam os bilões, os camisas 10. Ele era um. Ele é um. Seu fogo, diz, é contra o satanás, contra a “ferramenta do diabo para causar mal ao semelhante”. É devoto. Instrumento do Deus que acredita.

 

Na polícia se aprende tudo isso quando se quer ser um camisa 10. Virou professor para os policiais mais novos e o salvador dos descuidados. Certa vez, um colega PM executou um rapaz. O comando pediu a arma para balística. Lenda entrou em ação. Com vinagre, limpou o corpo da arma e o cano. Depois, pegou uma bala, untou-a na graxa e passou-a na areia, à milanesa. Um disparo já é o suficiente para provocar ranhuras dentro do cano e despistar o exame balístico. É assim que se faz nas ações clandestinas da polícia. Há os que preferem armas frias, carros roubados e capuz para fazer trabalhos. Lenda usa o próprio carro, arma registrada e prefere pintar o rosto de graxa, usar disfarces e até mesmo peruca, óculos. Se for pego no caminho, está completamente dentro da legalidade.

 

– Aí ladrão! Pam! Pam! Pam!

 

Vai se esgueirando pelas sombras da lei, tal qual cada PM que decide ser camisa dez. Sorrateiramente, volta para o carro. Dispara: “O policial veste o papel do bandido para repreender o crime”. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

O sr. participou de incursões na periferia para matar em maio de 2006?


Estava trabalhando na PM em uma cidade da região. Houve incursões, sim. Policiais linhas de frente foram enérgicos na periferia. Todas as mortes foram ilegais e colocamos tudo na conta do crime organizado. As ações eram em represália aos ataques do PCC. Também existem pessoas que são simpatizantes da polícia e, inconformadas com a falta de ação, a inércia, vão lá e fazem. Seguranças privados, por exemplo, são vítimas do crime. Com a ajuda de policiais, agem. O caso mais recente é o do Dino Marreta. Foi sequestrado do bairro dele e executado. Era liderança do PCC na Vila Sônia. Era o chefe operacional do crime organizado. Não dá p ara dizer que eram só policiais, mas vamos dizer que era o lado de direita combatendo o de extrema esquerda.

O sr. confirma o uso de carros roubados e armas frias?


Tem policial que faz isso mesmo. Eu, particularmen- te, nunca participei nem recomendo porque está muito próximo da conduta do bandido. Corre o risco de, no caminho, você ser surpreendido (pela própria polícia) e não ter como escapar. Então, teria que usar dos meios mais normais e mais lícitos possíveis. Sobres as armas, há situações e situações. Fica muito mais viável usar a própria arma do Estado porque está na legalidade. Depois, é só descaracterizá-la.

Como é que o sr. faz para descaracterizar uma arma?


Na alma do cano (parte interna do cano) se você pegar uma bala, passar graxa, ou qualquer material adesivo, areia, e der um tiro, no exame técnico vai ser constatada outra arma. Vai mudar a sua característica interior. Vai criar ranhuras que anteriormente a arma não tinha. Um projétil coletado antes vai ter características diferentes desse coletado depois, para confronto, ou seja, balística.

E com os veículos?

Se numa determinada área o policial está utilizando um veículo autorizado, não está no ato ilegal. Para ninguém pegar a placa, a gente não vai com o carro até o local da ação. Estaciona nas proximidades, fica um lá esperando. Quem vai fazer o trabalho vai a pé, descaracterizado e com a pele camuflada. Encapuzar é burrice porque se você for visto com capuz é ruim (caracteriza grupo de extermínio). Enquanto uma barba postiça, uma peruca é melhor.

Essas ações não são mais tão explícitas como eram antes, certo?


O que ocorre: qualquer domicílio, inclusive na perife- ria, tem uma câmera registrando tudo ali. Hoje um garoto de favela tem um celular com capacidade para gravar. Então, o policial ou o justiceiro que queira agir tem que contar com tudo isso. Tem que ser extremamente ninja. Tem que se camuflar, não ser visto, pois há o risco de perder a vida. As ações dessa natureza são uma reação ao que os bandidos fazem. Alguns policiais levantam a bandeira da represália e fazem o que o Estado não faz. 
Foi o que aconteceu em 2006…

De lá para cá. É uma guerra fria, silenciosa. Ninguém declara raiva de ninguém, mas, na hora que um vira as costas, vem a faca. Hoje o crime organizado e os policiais estão nesse pé. Os grupos de ação fazem parte dessa guerra. O Estado não assume que existe esse confronto, mas policiais militares vão para o combate. Está acontecendo há muito tempo e tem se intensificado. O político quando entra na favela pede autorização para o traficante. Reconhece que existe uma autoridade local. Oficialmente, político nenhum admite isso, mas, na prática, é diferente. Estão matando os policiais no bico, na folga e na porta de casa. Para a administração pública fica sendo um caso isolado, como se o policial tivesse contraído para si um problema com o bandido.

 

(Segundo levantamento feito pela Secretaria de Segurança do Estado, em 2009, 66 policiais morreram no período de folga e 16 em serviço. Em 2008, foram 55 policiais mortos sem a farda e 19 trabalhando).

 

Mas nos ataques de 2006 muitos inocentes, gente sem sequer ter passagem, entrou na conta.


Discordo totalmente. O suposto inocente, ou citado como inocente pela mídia, que está às duas horas, três horas da madrugada num boteco que fica numa biqueira (ponto de tráfico) da periferia não é inocente. Ele está ali e tem uma função no crime. Às vezes, não é pegar uma arma para assaltar. Ele exerce uma atividade no crime, ou está de olheiro. Leva e traz a droga para alguém. O inocente não existe.

Como funciona isso no comando?


O comando é fechado em relação aos níveis operacio- nais. Cabos, soldados e sargentos, que são os profissionais linha de frente, de rua, também são. Os grupos são compostos por um número restrito de pessoas, que confiam um no outro e estão ali para agir.

E as ocorrências de perseguição seguida de morte?


Vamos ilustrar: ocorrência de confronto real. Quan- do se apresenta a arma do bandido na delegacia e se constata que tem seis cápsulas deflagradas no tambor do revólver, sabe-se que é um álibi para o Ministério Público, uma vez que o bandido não tinha mais poder de resistência. Por conta disso, o policial tira uma das cápsulas estouradas e coloca uma intacta para provar que o bandido tinha como resistir. Isso chama-se arredondar a ocorrência. O rigor da justiça e da sociedade exige essa habilidade. O Caso da Cavalaria (crime ocorrido em fevereiro de 1999 em São Vicente, quando três jovens foram assassinados  por policiais em serviço), por exemplo. Acredito eu que eram policiais inocentes, sem intenção e foram vítimas de um ato de desespero. Os jovens foram para cima dos policiais, um dos meninos bateu com a cabeça na guia, ficou desacordado e os policiais, num ato de desespero, chegaram aos extremos. Havia várias maneiras de maquiar a ocorrência e tornar tudo legal e não fazer o que fizeram. Hoje em dia existem menos policiais capacitados para tornar legal um ato ilegal.

Na ação dos grupos de execução em 2006…


Queria tomar uma outra linha aqui. Muito se fala dos bandidos mortos e pouco dos policiais mortos. A mídia vem mostrando muito a ação violenta da polícia que, na verdade, é como um mulher que mata o marido quando está sendo agredida. Ela era agredida há muito mais tempo e ninguém se importou. Isso faz com que ela mate o marido quando está dormindo. E quando os policiais saem hoje estudando as possibilidades de executar um bandido na área é esse comportamento da mulher. A polícia está dessa forma. Acuada, amarrada. Um jovem para entrar na polícia pede autorização para o traficante. Esse policial se torna um refém e comprometido com o c rime.

O policial também se envolve no crime?


No ano passado morreram vários policiais na região. Vou contar um caso: em Praia Grande, houve uma denúncia de que em um barraco havia grande número de armas do crime organizado. Policiais fizeram o cerco. O trabalho certo seria abordar, prender os elementos e apreender as armas. Porém, ao contrário, os policiais negociaram a liberdade dos criminosos e a liberação das armas. Fizeram um boletim de ocorrência com armas mais fajutas e pegaram uns bandidos envolvidos só para fazer cena. Já na hora de fechar o negócio, não foram fiéis ao combinado. Haviam acertado não prender ninguém e prenderam  três. Ficaram com a grana dos bandidos. A primeira retaliação foi uma rajada de tiros de fuzil contra um policial quando saía de casa para o trabalho. O santo estava de plantão e ele não morreu. Depois disso, começaram os homicídios. O policial que age pelo crime acaba perdendo respeito e a coisa vira pessoal.

Quanto aos direitos humanos, o que você pensa?


Hoje o Estado estuda um monte de possibilidades sobre o que fazer para melhorar o ser humano. Você consertando o homem, conserta o mundo. A causa disso tudo é a falta de Deus na vida do homem. Temer a Deus e amar o seu próximo. Hoje fala-se muito em direitos humanos. Uma teoria que me trouxe bastante conforto na época, que me dá liberdade para exterminar um bandido como se extermina um verme, e que uma característica peculiar do ser humano é o amor ao próximo. Quando é o caso de um cidadão pôr uma arma na cintura e sair para levantar um dinheiro, disposto a tirar a vida do seu semelhante, ele já abriu mão da condição humana. Saiu como o próprio satanás, ferramenta do diabo para causar mal ao seu semelhante. Um sujeito bandido age como bicho e tem de ser tratado como tal. É jaula ou buraco.

 

 

 

Entrevista

 

JUCA

 

“SE REÚNE UM GRUPO COM APETITE”

Juca fala em tom de desabafo. Policial Militar não pode falar, fazer greve ou criticar a corporação. Durante os dez anos em que esteve na PM, atuando na Capital e Interior (incluindo a Baixada Santista), participou dos grupos de extermínio. Na sua época, final dos anos 80 e decorrer dos 90, prevalecia esse tipo de ação. Era a época dos esquadrões da morte. Juca ainda respira o meio policial. E sabe quem age no capuz.

 

Deixou a corporação porque “trabalhava” muito. Na gíria, policial que trabalha muito é o que mata muito, prende acima da média e tem apetite para ações encapuzadas. É camisa 10, um bilão.

 

Policial assim é uma via de duas mãos para o comando. Na guerra urbana, pacificam áreas mesmo sem conquistá-las e sempre com ações encapuzadas ou em ocorrências de resistência seguida de morte. Por outro lado, trazem dor de cabeça, cobranças hierárquicas e se a bomba estoura, por mais que assumam seus atos, o comando fica marcado.

 

No submundo ninguém sabe de nada, não vê nada. Na verdade, é preciso fingir. Juca diz que todo batalhão tem seu grupo de camisas 10. O comando sabe. Como também há os “dedos cansados”. No modo de dizer dos que gostam de “trabalhar”, policiais que ficam longe da turma apetitosa. E também da ação direta.

 

Juca é o tipo de policial que segura um batalhão. Com amigos na ativa, afirma que as ações da polícia nos dias seguintes aos primeiros atentados do PCC, fardada ou não, foram “por conta da revolta com o que estava acontecendo e por ver o comando esconder”. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

 

Os grupos de extermínio são integrados por policiais?


Sim, vou explicar o que acontece. Você presta um serviço fardado, legal. E o grupo é formado porque algumas coisas que você tem vontade de fazer é contido pelo regulamento. No caso, um regulamento interno. Para mim, esse é o motivo maior de o policial ficar de mãos atadas. Se conseguimos reunir três, quatro policiais, falamos na nossa linguagem, com pouco mais de apetite, atitude. O pensamento bate, é igual e acaba se formando o grupo que atua no caso… para a gente não é ilegal, mas atuamos mais no horário de folga. É um grupo fechado que atua descaracterizado, com a chamada touca. O pessoal aconselha: age na touca. A gente faz aquilo q ue tem vontade de fazer em serviço. Só que o regulamento nos impede de fazer.

Como é a organização dos ataques?


Geralmente, tem a área que o policial trabalha. Então, ali existem marginais que são mais destacados: assaltantes, homicidas, traficantes. No nosso caso, agimos assim: Há um bandido que está matando policial, dando trabalho na região. Então, o grupo se reúne e traça um plano. Quem é o cara? Fulano de tal é o chefe, tá mandando assassinar policial, fazer roubo. Esse é a bola da vez. O grupo define um dia, levanta os modos do bandido: por onde ele sai, onde ele fica, onde mora, hora que sai. Marca o dia e sai à caça do cara.

E se o marginal estiver com pessoas inocentes na hora do ataque, num bar, por exemplo?


Existe uma coisa no meio policial chamado tirocínio. Essa aí é uma experiência que se adquire com tempo de serviço. Um policial olha para você e faz uma análise rápida. Às vezes, acontece de errar. Olhar e achar que o cara é bandido e não é, pelo  modo de o cara se vestir e de agir. Você faz aquela análise rápida e vê. Se achar que o cara é bandido também, vai junto.

O comando da polícia sabe deste tipo de ação?


Eu trabalhei no Tático Móvel, hoje Força Tática. O meu comandante sabia. Ele dizia: “Quer fazer faz, mas faz direito. Se sujar eu não sei de nada”. A partir da hora que você sai para matar bandido, para o comando é melhor. A criminalidade na região dele vai abaixar. O comando quer é isso. Quem ganha os elogios é ele. A região que ele comanda vai ter índices de criminalidade mais baixos. Tudo isso por conta dos grupos de extermínio. Porque nem sempre em serviço dá para você fazer o que faz nesse tipo de operação.

Como vocês conseguem os carros, as motos, as armas? E depois, como vocês despacham a vítima?


O policial sai trabalhando e existem esses carros roubados por bandidos, que os abandonam e tal. Então, a gente localizava dois, três carros roubados. Um policial pegava e levava para a toca, como a gente chama. Ficava guardado para o dia da ação. Fazia a operação e depois abandonava. O veículo era localizado posteriormente como um carro roubado normal. Armas frias, com numeração raspada. Armas que eram apreendidas no dia a dia. Às vezes a gente parava na rua um indivíduo armado. Pegava aquela arma e mandava a pessoa embora.

De quantas incursões o sr. participou?


Participei de várias. A PM sempre foi rigorosa, mas no meu tempo não era tanto. Eu não me adaptaria para trabalhar na PM de hoje. Trabalhei em parte da década de 80 e prevaleciam os grupos de extermínio. No finalzinho dessa época. Não só eu, mas vários outros policiais. Participei de várias ações. Às vezes, de folga e até de serviço mesmo. Fazia a chamada montagem de ocorrência.

Os grupos de extermínio que atuaram em maio de 2006 também eram de policiais?


Sim. A gente sabe como acontece pelos amigos. As ações que ocorreram depois dos ataques do PCC foram mais por conta da revolta com o que estava acontecendo e por ver o comando esconder. O serviço de inteligência sabia que iam acontecer os ataques. mas subestimava o crime organizado.

Depois também começaram as ações dos grupos.


Os policiais mais antigos se reuniram com os mais jovens de apetite e começaram a matar. Como funcionava essa matança? O pessoal se reunia, descaracterizado, com o carro comum e ia aos bairros da periferia onde a situação era mais carregada. Quem estivesse no local já conhecido pelos policiais como ponto de droga, a chamada boca de fumo, morria. Foi pego na rua de madrugada: tem passagem? Tem! Não era nem levado para a delegacia. Era executado e jogado na primeira viela que encontrasse pela frente.

Dá para dizer que os comandos da Policia Civil e da PM não sabiam?


Sabem também que se forem a fundo o final mesmo acaba em policiais. Se for investigado como tem que ser, vai chegar em algum policial. Tá claro que é a resposta: o bandido matou o policial, o policial matou o bandido. Aí o policial vai e se envolve numa ocorrência com resistência seguida de morte. Se você se envolve numa ocorrência assim, é afastado das ruas, mudado de horário, obrigado a passar por um curso de reciclagem por 15 dias. Então, arruma o bico de acordo com o horário de trabalho. O comando também sabe disso, mesmo sendo proibido. A primeira coisa que ele faz é mudar o policial de horário. É castigo.

Isso no caso de ocorrências de resistência seguida de morte?


Vou te falar a verdade: 90% das ocorrências de resistência seguida de morte são montadas. A polícia pega o bandido, vamos supor, dentro de sua casa. Só está o policial e o bandido, que não vai encarar 20 policiais. Só que você sabe que ali é uma guerra. Se o bandido te pegar numa situação que não tem como fugir ou reagir ele vai te matar. Principalmente o ladrão 157, que mata para roubar. Esse não tem perdão. A gente já andava com o chamado kit. Era uma mochila contendo várias armas frias. Porque se o alvo não tivesse armado, mas tivesse uma situação que a gente podia matar, a gente matava e colocava uma arma fria na mão dele. < /span>

O que acontece com as armas usadas nos crimes?


São escondidas porque acabam sendo usadas novamente. O policial vai matar o cara, mas ele não atirou em você. A perícia vem para dizer se o cara atirou ou não. Aí o policial faz a montagem do local da ocorrência. Se matou o cara, o policial não vai dizer o número de tiros. Dá dois ou três tiros em locais fatais e sabe que o cara vai morrer. Mas como vai saber se o cara é destro ou canhoto? A gente “faz a mão” do indivíduo. Coloca a arma fria na mão esquerda e efetua o disparo. Na mão direita, outro disparo. Pode fazer o residuográfico que consta pólvora nas duas mãos.

Tem a coisa de recolher provas, tipo cápsulas?


Exatamente. Ângulo de tiro. Ir e dar um tiro na viatura. Já cheguei a ver um policial dar um tiro no outro, de raspão, para simular troca de tiros. No colete também. Tudo para deixar a ocorrência mais redonda com a simulação de troca de tiros.

Existe a prática de mexer no corpo da vítima de um ataque desse tipo para atrapalhar a perícia?


Para o policial não deixar provas para a perícia, no local dos fatos, você sempre socorre. Uma para você não entrar na omissão de socorro. Depois porque também quando você efetua o disparo no indivíduo ele não morre na hora. Aí a gente diz que está vivo. Agora, não chega vivo no pronto-socorro. Damos longas voltas, a viatura vai a 20 km por hora. Às vezes, até asfixia o cara  dentro da viatura.

O que motiva este tipo de atitude?


A situação não vai mudar. É questão de baixos salários, problemas psicológicos. Muitos policiais são alcoólatras, viciados em drogas. Conheço vários. Tudo tem relação com a vida particular da pessoa. O cara mora de aluguel, mora na favela. Tem três, quatro filhos. O salário que ele tem não dá para sustentar e o cara vai fazer bico.

Agora no caso de um policial que não trabalha muito, é sossegado?


O sem apetite escolhe um serviço mais ameno. Agora se entrar tem que participar. Já vi casos de policiais que não quiseram participar e foram executados. A equipe fica com medo de ser caguetada. Mas um policial mata outro policial? Numa troca de tiros, com uma arma fria, o cara está de costas e outro policial o acerta com uma arma fria. Depois fala que foi o bandido que matou.

 

 

As ações são feitas
por pessoas com
consciência e
formação.

Um ato

de extermínio é um
ato de desespero
para se preservar”
O Lenda 

A história do Lenda na PM durou três décadas. Duas delas na região. Aprendeu a montar ocorrências “redondas”, organizar ações sem fardas e não deixar provas nos 10 anos em que passou pela Rota, na Capital. O Lenda é devoto. Executa suas sentenças nas entrelinhas da palavra do Senhor.

 

 

“Nos primeiros

ataques pegaram
vários policiais.

Depois foi

diminuindo, os
policiais não eram
mais pegos
marcando”

JUCA

 

Juca atuou nos esquadrões da morte, nos anos 1980, e saiu da polícia porque não queria deixar de trabalhar bastante. Na gíria, este é o policial que mata e prende muito. Sua experiência na região, fardado ou não, mostra a realidade dos crimes oriundos dos grupos de extermínio.


“Em 2006
eu acredito que houve um acordo do governo com o crime. Um
dos acordos era para não ter ataques aos policiais que estivessem fardados.
Pode ver isso. Por quê? Para não ficar em evidência que o sistema é vulnerável”

O Lenda


“Quando
baixa ordem do PCC para matar policial, os primeiros que caem são os
policiais que trabalham demais e os corruptos. Matam na porta de casa, no bico”

Juca


66

este é o número de policiais que morreram em 2009

“O policial que trabalha demais, dá cana e mata não vai sobreviver. Outros porque são corruptos. É o chamado carteirinha: aquele policial que todo mês vai receber a grana dele” ( Juca).


Uma viatura da polícia, de acordo com relatos, sempre passa antes no local de ação dos encapuzados Motos e carros são usados para fazer a ação. Param de modo a não permitir possibilidade de fulga das vítimas Atiram sempre na região da cabeça e tronco. Os membros inferiores são atingidos também para evitar fuga Recolhem cápsulas deflagradas, par a não deixar provas. Há relatos de que atiram nas vítimas ainda vivas Fogem. Logo na sequência a viatura da PM retorna ao local para atender a ocorrência.

Agora, Tuminha arrumou dois advogados notáveis e impolutos:O PAI e JOSÉ SARNEY que acha legal O secretário Romeu Tuma [Jr.] comprar um telefone e, ao mesmo tempo, pedir emprego para o genro” 10

2010/05/06 at 14:56 –  DELTA UNO

Agora, Tuminha arrumou dois advogados notáveis e impolutos:

1) O próprio pai, nosso querido “Xerife” –

2)O ex-Presidente José Sarney, nosso querido chefe do Poder Legislativo da União –

3) O deputado “lulo-malufista” Cândido Vaccarezza – Disse Sarney: “Acho que as notícias que li nos jornais não têm nenhuma substância. O secretário Romeu Tuma [Jr.] comprar um telefone e, ao mesmo tempo, pedir emprego para o genro”, disse ao se referir às denúncias da Polícia Federal.”

http://noticias.uol.com.br/politica/2010/05/06/romeu-tuma-defende-filho-acusado-de-envolvimento-com-a-mafia-chinesa.jhtm

06/05/2010 – 12h43

Romeu Tuma defende filho acusado de envolvimento com a máfia chinesa

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizada às 14h39

Ex-superintendente da Polícia Federal paulista, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) saiu em defesa do filho nesta quinta-feira (6), após as denúncias da PF de que o secretário nacional de Justiça e ex-deputado estadual, Romeu Tuma Júnior, estaria envolvido com integrantes da máfia chinesa que atuam em São Paulo.

 

“[Tuma Júnior] é uma pessoa digna e correta e construiu a carreira dele dessa forma”, alegou o senador, pela primeira vez, desde que o caso foi publicado ontem no jornal “O Estado de S. Paulo”. No mês passado, Tuma Jr. assumiu o CNCP (Conselho Nacional de Combate à Pirataria), órgão do governo encarregado de combater produtos contrabandeados.

 

Incomodado em ter de responder às questões feitas por jornalistas, no Congresso, o parlamentar preferiu não se estender sobre a possibilidade de Tuma Jr. ter relações amistosas com Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li, preso no ano passado com mais 13 pessoas sob acusação de formação de quadrilha e descaminho. De acordo com a Polícia Federal, o grupo movimentava cerca de R$ 1,2 milhão por mês com a pirataria em São Paulo e no Nordeste.

 

“Amizade qualquer um de nós tem, uma série de amigos. Fui chefe de polícia em São Paulo e cuidava do setor de estrangeiros. Conheci muita gente. Amizade, nós temos até o momento em que se acha que a pessoa não cometeu qualquer ilícito, a partir do momento que considera que ela tenha praticado não pode ser solidário com prática de ilícitos”, afirmou.

Segundo a reportagem do diário paulista, o secretário pedia produtos como celulares, computadores e videogame para o negociador chinês em troca de, possivelmente, facilitar o contrabando de produtos chineses para o Brasil e de providenciar vistos para imigrantes chineses que estavam em situação irregular no país.

Nesta quarta-feira, Tuma Jr. não quis falar sobre o assunto, alegando que não teve contato com os autos do inquérito e que, por isso, seria impossível fazer qualquer defesa própria.

Para Sarney, não há provas suficientes
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também defendeu Tuma Jr. hoje. Sarney disse que não há provas suficientes que comprovem o envolvimento do secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., com a máfia chinesa que atua em Sao Paulo

“Acho que as notícias que li nos jornais não têm nenhuma substância. O secretário Romeu Tuma [Jr.] comprar um telefone e, ao mesmo tempo, pedir emprego para o genro”, disse ao se referir às denúncias da Polícia Federal.

Sair do cargo só depois de processo, diz Vaccarezza
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), avalia que Romeu Tuma Jr. não deve sair nem se licenciar dos cargos que ocupa por causa das denúncias de envolvimento com a máfia chinesa.

O deputado defende que apurações sejam feitas, inclusive para confirmar a veracidade das gravações telefônicas em que Tuma Jr. foi flagrado conversando com Paulo Li.

“Eu acho que esse processo será rápido. O governo se preocupa [com a imagem negativa do fato]. O maior defeito seria cometer uma injustiça com o cidadão”, ponderou o parlamentar.

Bem defendido, o moço.