“O papel da Assembleia é fiscalizar o Executivo. Esse caso não tem relação com governo do Estado, nem com a Casa. É uma CPI para intimidar.” 1

11/03/2010 – 07h00

PSDB diz que CPI da Bancoop em SP não será partidarizada; PT vê retaliação política

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Depois de instaurada a CPI da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo – caso que envolve petistas importantes e mutuários que até hoje não receberam casas financiadas pela cooperativa ligada ao sindicato dos bancários –, o líder tucano na Casa afirmou que a investigação não terá cunho eleitoral. Já o vice-líder do PT diz que a iniciativa é uma retaliação à única CPI nos últimos anos que investigou a gestão do presidenciável e governador de São Paulo, José Serra (PSDB). O petista refere-se à comissão que investigou supostas fraudes em licitações da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

“Sabemos que é difícil evitar partidarismos, mas nosso objetivo é dar uma resposta aos prejudicados pelo caso”, disse ao UOL Notícias o líder do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira. O vice-líder do PT, Simão Pedro, vê uso eleitoral do caso. “O papel da Assembleia é fiscalizar o Executivo. Esse caso não tem relação com governo do Estado, nem com a Casa. É uma CPI para intimidar.”

Na terça-feira (9), o Diário Oficial publicou o ato assinado pelo presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), em que são instauradas três Comissões Parlamentares de Inquérito, incluindo a que tem como foco as denúncias de desvio de recursos da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). Desde então os partidos têm 15 dias para indicar os membros da CPI. Moreira, autor do pedido, é cotado para assumir a presidência dos trabalhos.

A revista “Veja” informou que o Ministério Público de São Paulo investiga a denúncia de que R$ 26 milhões da entidade teriam financiado campanhas eleitorais do PT, incluindo a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. O presidente nacional da legenda, José Eduardo Dutra, rejeitou as acusações e foi à Justiça contra a publicação e contra o promotor José Carlos Blat, responsável pela investigação.

A investigação, que teve início em 2007, ainda não foi encerrada, mas na última sexta-feira, Blat pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de João Vaccari Neto, ex-presidente da Bancoop e atual secretário de Finanças do PT. Vaccari era cotado para ser tesoureiro da campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável adversária de Serra nas eleições de outubro.

Ex-subprefeito durante a gestão de Serra na capital paulista, Moreira foi ao Palácio dos Bandeirantes na quarta-feira (10), mas disse não ter conversado com o governador. “Nós estamos tratando CPI no âmbito interno da Assembleia. Não queremos criar polarização política com esse tema e, por isso, não tem sentido o governo do Estado se meter nesse assunto. Temos autonomia”, disse. O deputado afirmou que a indicação dos membros do partido na CPI será feita pelo deputado Celso Giglio, líder eleito da bancada e que assume o posto no dia 15 deste mês.

Manipulação
O vice-líder do PT vê na instauração da CPI da Bancoop uma “manipulação política” em retaliação ao sucesso da oposição em São Paulo de abrir a comissão que investigou supostas fraudes em licitações da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). “Foi a única CPI que instamos com 32 assinaturas, mas não aprovavam requerimento de supostos envolvidos. Quando aprovavam, eles não eram ouvidos. Eles passaram o trator, guardaram o rancor e agora estão levantando um assunto sobre o qual o senhor Blat ficou sentado por anos, até chegarem as eleições.”

Sobre os prejudicados pela Bancoop, Pedro respondeu que “o Ministério Público faz essa investigação há cinco anos. Nunca fez denúncia, nunca concluiu nada. O promotor Blat deixou o tema em ‘stand by’ para usar no momento oportuno como disputa política eleitoral. Não tem como vermos isso de outro jeito”.

Um Comentário

  1. Por que as leis não são iguais?
    verifique . Policiais civis são presos e de imediato seu salario é confiscado
    Vai lá no presidio da policia civil ver.
    Tem gente presa a muito mais de 6 meses e nem se quer foi ouvida
    Cade os direitos humanos
    Policial cumpre pena sem ser condenado

    Curtir

ADVERTÊNCIAS SOBRE A LIMITAÇÃO DO CONTEÚDO O conteúdo deste blog , salvo quando expressamente indicada a fonte , não possui valor acadêmico , científico , acusatório/probatório. Trata-se de obra diletante, de caráter exclusivamente informativo e opinativo, desprovido dos conhecimentos técnicos específicos. Apesar do esforço constante na busca da exatidão e do compromisso com a verdade dos fatos, este material está sujeito a equívocos inerentes à limitação de meios, dados públicos e interpretação de fontes s disponíveis. Não há, em nenhuma hipótese, intenção de alimentar ódio específico ou institucional. Busca-se apenas contribuir para o debate público e a necessidade de defesa da sociedade. Incentiva-se a análise crítica, o respeito a todas às pessoas e instituições do Estado de Direito e o acolhimento de eventual retificação/retratação caso se faça necessário. Solicita-se a compreensão de possíveis limitações linguísticas nos textos publicados neste espaço decorrentes de opinião subjetiva e da diversidade de assuntos tratados. Ressalta-se que, em hipótese alguma, se pretende promover generalizações negativas ou atribuir condutas impróprias indiscriminadamente a categorias profissionais ou instituições. Por princípio , em todos os campos da atividade humana – especialmente no funcionalismo público – a maioria das pessoas e titulares de cargos é integra, desempenhando suas funções de forma digna, legal e comprometida com a construção de uma sociedade mais justa. Eventuais críticas ou análises aqui apresentadas são pontuais e opinativas, jamais configurando juízos generalizantes. Recomenda-se, especialmente, a consulta a fontes e oficiais para informação definitiva sobre os fatos. Contato: dipolflitparalisante@gmail.com