Uma mudança sem precedentes na his tória da Polícia Civil da Baixada Santista.
É a que está sendo promovida pelo delegado seccional Rosier Pereira Jorge, e abrange a troca de comando de delegacias, distritos policiais e até mesmo unidades especializadas.
Alguns dos novos titulares de cargos já foram anunciados, e os demais o serão nas próximas horas, ficando assim completado o processo. Em entrevista a este jornal, no começo da semana, ao explicar seus objetivos, o delegado falou em “readequação do organograma”. “Com isso, não existirá mais o comissionamento, um delegado de classe inferior respondendo por uma unidade de classe superior”.
Muito bem.
Esses movimentos de renovação são sempre saudáveis em qualquer área.
Significam uma arma contra a acomodação e outros vícios, mas não podem se limitar a nomes, a uma simples dança de cadeiras.
É necessário haver também e principalmente um programa de ação, com metas a serem alcançadas.
Só dessa maneira as modificações farão sentido.
A violência, na Baixada Santista, não está fora do controle das autoridades.
Longe disso.
Todavia, não deixa de ser preocupante, como o atestam as estatísticas do setor, e precisa ser combatida tenazmente em suas diferentes formas.
Se as mudanças do delegado Rosier tiverem esse propósito, cabe apoiá-las irrestritamente, pela maior segurança que certamente trarão à nossa população.
( Editorial de A TRIBUNA DE SANTOS )
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A Polícia Civil possui os seus quadros senilizados; tudo por conta DE NEFASTAS políticas adotadas desde 1995.
Ou seja: O PSDB – mais do que qualquer outro partido – buscou impedir a progressão funcional o quanto pode. Reservando-se as promoções como moeda de troca. Desestimulou a aposentadoria para aqueles que contavam com tempo de serviço e contribuição preenchido (ping pong). Criou brutal diferença entre os ganhos na atividade e aposentadoria, de forma que para muitos ainda é impossível exercer o sagrado direito ao descanso na velhice. Além de o Sindicato dos Delegados cometer a desgraça de impetrar mandado de segurança em face da inconstitucionalidade de o candidato ao curso superior de Polícia , necessariamente, estar na primeira metade da lista de antiguidade da 1a. classe. O Judiciário acolheu a tese; ninguém reclamou.
Todos os atos acima, além de outros inconfessáveis, fez da Polícia Civil um órgão de bengalas, posto que aos 55 anos de idade grande parcela dos funcionários se encontra praticamente inválida para o exercício das funções.
Agora, depois de 14 anos de engessamento, o Governo Estadual espremido pelo movimento grevista, BUSCANDO EVITAR AUMENTOS SUBSTANCIAIS, extinguiu classes iniciais, de modo que – REPETINDO A MESMA FORMULA DO GOVERNO FRANCO MONTORO – da noite para o dia, novatos se tornaram 3 a. classe emparelhando-se com profissionais com mais de 15 anos na Carreira.
Um raciocínio perverso. As promoções, na verdade, foram um cala- boca para quem buscava aumentos substanciais.
Ora, não tem cabimento apenas dar promoção aos milhares que estavam na 4 a. classe, criando-se menos de 200 vagas na 2 a. classe, pouco mais de uma centena na primeira e duas ou três na classe especial.
Pois de uma fornada só verificamos Delegados alcançarem em pouco mais de 3 anos, a mesma 3 a. classe que a maioria demorou 15 anos para alcançar.
O pior é a Administração , sob o pretexto de PRIVILEGIAR A HIERARQUIA, também da noite para o dia , defenestrar excelentes Titulares de Distritos para os plantões policiais.
Substituindo-os pelos homens com mais de 50 anos de idade e mais de 30 anos de Polícia que, simplesmente pela extinção de classes e criação de cargos, acabaram por ser promovidos no ultimo dia 1 de maio.
Alguns: SEM NENHUM MERECIMENTO.
Não falarei nomes, mas gente bem sucedida financeiramente que mais vergonha na cara e consciência fariam com que buscassem a merecida aposentadoria .
Mas o exemplo vem de cima; como grande parte dos DELEGADOS BEM SUCEDIDOS nunca se aposenta antes do 70 anos, seria demais exigir-se comportamento contrário de quem conta 50 a 55 anos.
A mudança de organograma – ou qualquer outro nome que se dê às “mudanças – não me parece legítima, pois verificam-se suspeitíssimas exceções às justificativas apresentadas pelo Senhor Seccional. O qual parece querer reparar injustiças do passado, praticadas por diversas administrações, à custa de outras injustiças.
E posso dar exemplos de injustiças: Schneider, Lyra, Cruz, Evandro e Marcão foram titulares comissionados em classe superior – muitos anos – pelo fato de não existir colegas com a mesma capacitação para o exercício de tais funções. Com efeito, vários dos, agora, promovidos estavam ocupados com atividades que lhes tomavam grande parte do tempo exigido de um Titular de Unidade de 2 a. classe.
Sem falar nos PAULISTANOS que invadem a nossa praia, como se lá fosse terra de ninguém ou só de “merdas e bostas”.
Muitos não foram bem sucedidos sequer como adjuntos. Assim, não lhes assiste direito de tomar assento como titular.
Por outro aspecto, quero ver a administração respeitar a antiguidade entre os da mesma classe, comissionando os mais antigos apenas.
Quero ver mecher com a “trinca pitagórica” da Vila Rica, os terceirinhas titulares de Ciretrans. Há terceiras muito mais antigos do que os três.
Aliás, antigos e muito mais capacitados ( necessitados também ).
Enquanto tal não se verificar, não se pode falar em respeito à hierarquia, ou seja, classe, tempo de carreira.
Finalizo consignando a nossa condição funcional, ou seja, praticamente 21 anos na Carreira, 11 anos na 2 a. classe.
Titular, por dez anos ininterruptos , em Unidades de 2 a. classe; duas vezes “defenestrado” e substituído por 3 as. classe mais novos.
Tal condição poderia me levar a defender a hierarquia estrita, ou seja, o 2 a. classe deve ocupar Unidade de 2 a. classe ou ser comissionado em 1 a. Enquanto 3a. classe deve ocupar Unidade de 3a. ou chefiar equipe de plantão.
Contudo não defendo DIREITOS APENAS QUANDO ME APROVEITAM.
Não é correto um 2ª. acabar substituído por um inferior hierárquico. Menos correto ainda é um 3ª. , perdendo a Unidade para um recém promovido…
QUE MAL SABE REDIGIR UM OFÍCIO. Quanto aos ocupantes dos cargos de 1a. classe – segundo as palavras atribuídas ao filósofo Sayão – merda por bosta.
Sempre os mesmos.
Ah, serão praticamente os mesmos por mais uns 20 anos!