Acho qu esta história arruinou a reputação de muitas pessoas honestas que teverou só a culpa de ter encontrado alguns salafrários. Resposta

mercoledì 2 luglio 2008
ATTUCH E L’AMICO ANONIMO.
Come Anticipatovi, di seguito troverete le mail scambiate lo scorso anno con il giornalista brasiliano Leonardo Attuch, che violando qualunque deontologia professionale e con finalità più che diffamatorie, scrisse un reportage dedicandomi la copertina del settimanale brasiliano.
Le mail che seguono dimostrano la raffinatezza dell’inganno.
L’Attuch mi scrive che un mio verbale di sommarie informazioni (sostanzialmente teste) rese alla Procura di Milano, era giunto anonimamente in Brasile (da parte di chi?) e mi poneva delle domande a cui io fornivo delle risposte.
Il risultato è stato la mancata pubblicazione dell’intervista e il titolo in copertina “la confessione di una spia”, con stralci del verbale che era tutt’altro che una confessione.
L’articolo veniva poi consegnato al PM Napoleone, indovinate da chi? dall’avvocato/socio di Bernardini. Curioso no?
“Da: Angelo Jannone Inviato: venerdì 14 settembre 2007 19.09
A: ‘Leonardo Attuch’
Oggetto: R: pergutas sobre seu depoimento
Aguardo seu retorno. Obrigado.
Angelo J. Qual foi o papel da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante a disputa entre Telecom Italia e Opportunity em torno do comando da Brasil Telecom?
Abin, para qunto de meu conhecimento, não teve nenhum papel na disputa para Brasil Telecom como qualquer outra Instituição brasileira.Acho que nesta história são ditos muitas tolices na esteira das investigações judiciais. E a tolices ditas antes às vezes fossem terminados nos depoimentos, por parte de pessoas de credibilidade discutível. Isto eu acredito que ambos uma premissa fundamental entende os fatos
Por que o sr. fez um desabafo a um amigo (Pedro Rogério) temendo ser pressionado pelo sr. Eloy Lacerda a fechar um “accordo corrutivo” com Mauro Marcelo?
Eloy Lacerda como outros, para minha chegada no Brasil, ele/ela ostentou de créditos para acordos de precedentes de trabalho. Quando eu tentar parar os pagamentos que aconteceram de modo indireto por contratante principal (Spinelli) de rotina, perto do ELOY LACERDA brotou o MAURO Marcelo. O suspeito que o MARCELO pudesse ser um sócio escondido do Lacerda, era para mim uma razão dentro não pagar.Mas está claro que a coisa me preocupou. Afinal de contas eu era um estrangeiro ao centro de uma paisagem complexa
Numa das reuniões com Eloy Lacerda, estiveram presentes Mauro Marcelo e Robson Tuma. Marcelo pediu mesmo patrocínio para uma escola do serviço secreto? Esse patrocínio foi concedido? E quanto a Tuma? A Telecom Italia chegou a fazer o call-center num de seus redutos eleitorais?
Realmente Eloy Lacerda o apresentou uma vez com Mauro Marcelo e Robson Tuma, sem me prevenir.Pretendeu mostrar para me ter amizades importantes talvez. Obviamente as pergundas do Tuma e o MARCELO dos quais o senor fala não tiveram nenhuma pararou là mesmo.
O sr. narra ainda uma discussão que teve com Marcelo Elias no Aeroporto do Rio de Janeiro. Ele lhe disse que “Demarco é estranho, mas não cria problemas”. Ao que o sr. respondeu: “Não contratamos ninguém para não ter problemas”. Que tipo de problemas Luís Demarco e Marcelo Elias poderiam causar à Telecom Italia?
Como considera o DE Marco ou ELIAS, os pagamentos ele o qual o BERNARDINI também fala, forom finalizado para sustentar os gastos legais para as ações contra Oportunidade. Disto eu forneci amplo e documentei provas aos juízes e eu aguardo que o Bernardini seja investigado para as declarações pesadas contra mim e contra Elias. Eu nunca tive simpatia para o De Marco, mas excluo que ele cometeu ações de corrupção, nenhum tantomeno o MARCELO Elias
Qual foi a natureza do trabalho feito pelo Dr. Eloy Lacerda?
Lacerda era um investigador privado. Seus relatórios eram informaçães comerciais. Mas no meu período ele produziu só um relatório na história Tecnosistemi e um relatório em um fraude de um provedor da Tim
Qual é a relação entre o ex-policial Álvaro (citado por Bernardini) e a cúpula da Polícia Federal?
Alvaro foi me sinalizado em minha aplicação de um funcionário italiano da embaixada italiana. Eu procuravo uma pessoa capaz e honesto com um passado em polícia para o antifrode. Alvaro nunca abusou de suas relações em polícia. E’ falso também-como diz o Bernardini – que eu obitve o relatorio da investigação Chacal por Alvaro. Eu lhe perguntei e o obtivi de um jornalista bem conhecido e serio.Acho qu esta história arruinou a reputação de muitas pessoas honestas que teverou só a culpa de ter encontrado alguns salafrários. Eu só assisto agora a justiça, também da imprensa.
Da: Leonardo Attuch [mailto:attuch@revistadinheiro.com.br]
Inviato: martedì 14 agosto 2007 16.51
A: angelo.jannone
Oggetto: pergutas sobre seu depoimento
Prezado Angelo, Seu depoimento à Procura di Milano tem sido distribuído por fonta anônima a alguns jornalistas no Brasil. Diogo Mainardi, de Veja, teve acesso a ele e fez um pequeno comentário em seu blog na internet. Eu também recebi o mesmo documento e decidi publicá-lo. Eu o considero autêntico porque as pessoas que foram citadas confirmam, em grande parte, a veracidade das informações ali contidas. Falei, por exemplo, com Pedro Rogério, Alexandre Paes dos Santos, Mauro Marcelo e Eloy Lacerda. Diante disso, gostaria de lhe perguntar o seguinte: – Qual foi o papel da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante a disputa entre Telecom Italia e Opportunity em torno do comando da Brasil Telecom? – Por que o sr. fez um desabafo a um amigo (Pedro Rogério) temendo ser pressionado pelo sr. Eloy Lacerda a fechar um “accordo corrutivo” com Mauro Marcelo? – Numa das reuniões com Eloy Lacerda, estiveram presentes Mauro Marcelo e Robson Tuma. Marcelo pediu mesmo patrocínio para uma escola do serviço secreto? Esse patrocínio foi concedido? E quanto a Tuma? A Telecom Italia chegou a fazer o call-center num de seus redutos eleitorais? – O sr. narra ainda uma discussão que teve com Marcelo Elias no Aeroporto do Rio de Janeiro. Ele lhe disse que “Demarco é estranho, mas não cria problemas”. Ao que o sr. respondeu: “Não contratamos ninguém para não ter problemas”. Que tipo de problemas Luís Demarco e Marcelo Elias poderiam causar à Telecom Italia? – Qual foi a natureza do trabalho feito pelo Dr. Eloy Lacerda? – Qual é a relação entre o ex-policial Álvaro (citado por Bernardini) e a cúpula da Polícia Federal? Por ora é isso. Desde já, agradeço a sua colaboração. Atenciosamente, Leonardo Attuch11 36184252 / 11 76484374
DOPO LA PUBBLICAZIONE DEL REPORTAGE SCRIVO AL GIORNALISTA UNA MAIL DI PROTESTA.
Da: Angelo Jannone
Inviato: domenica 16 settembre 2007 12.23A: ‘Contato Jannone’
Oggetto: R: R: novos documentos
Distinto Attuch,
scrivo in italiano, così non vi saranno dubbi su come esprimo i miei pensieri. Ma veda in Italiano è scritta la mia deposizione ed ho seri dubbi che lei abbia saputo o voluto correttamente leggerla. Pedro Rogerio è una persona che io stimo profondamente proprio per il suo garbo. Ma io sono un pò più franco: lei non comprende o non vuole comprendere?Le ho allegato una serie di mail che ci siamo scambiati:- le ho risposto alle sue domande, ma lei non ha tenuto conto delle mie risposte,mentre mi ha detto che lo avrebbe fatto. Mi ha altresì detto che non aveva fatto in tempo ad apportare solo gli errori da me evidenziati nella seconda mia mail,ma non immaginavo che non tenesse conto delle mie risposte;- alcune delle cose che penso del suo reportage glile ho già scritte ieri,mettendo in copia Pedro(la mail è allegata)- il reportage è fedele alla mia (documentate, lo ripeto) deposizione ai Pubblici Ministeri? No,no lo è, nè tanto meno lo sono i titoli. ad esempio “la deposizione del capo dello spionaggio alla giustizia rivela come l’impresa si avvicinò alla polizia federale e alla Abin….” . Lei scrive :Os pontos mais surpreendentes do testemunho de Jannone dizem respeito à forma como a Telecom Italia se aproximou de duas instituições do governo brasileiro – a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – numa tentativa de conseguir apoio na guerra comercial empreendida contra Dantas. Ma io ai giudici italiani non dico assolutamente questo! questo lo dice Bernardini ed io spiego ai giudici, portando documenti, report e mail, che ciò è falso! Io ho sempre rispettato il lavoro della polizia federale e non mi sarei mai permesso di interferire e/o di domandare. Ma a quanto pare questa mia correttezza continua a non essere evidenziata. – Io non sono venuto in Brasile, come lei dice a Pedro per coordinare il lavoro di controspionaggio.Io ero un direttore dell’azienda ed un manager non si occupa di controspioaggio, o non solo di questo. Nella mia deposizione io non dico mai questo. Se avessi dovuto fare solo questo, avrei continuato a farlo dall’Italia, come quando sono venuto in Brasile a intervistare Tiago Verdial .- Come può non essere falsa e capziosa una frase come questa ” Com esse time, Jannone montou sua ofensiva contra Dantas, que, em 2004, foi alvo de uma ação da Polícia Federal: a Operação Chacal.” ossia lei lascia credere che tutti i soggetti pagati o presuntamente pagati, sarebbero stati il mio Team nella guerra contro Dantas a colpi di indagini della polizia federale. E mi domanda ancora se il suo reportage è fedele? a cosa? ad altre esigenze, ma non certo a quanto io sostengo da tempo con documenti. Il mio lavoro è stato ben altro che fare “la guerra” a Dantas. Piuttosto è 3 anni che continuo a difendermi prima dalle guerre interne contro di me, di invidiosi e farabutti, dalle convinzioni errate di Dantas e dei suoi sostenitori, circa il mio ruolo e da giornalisti poco scrupolosi. Questo è quello che io ho da dire.Angelo Jannone
IN QUESTO PUNTO INTERESSANTE RISPONDO AD ATTUCH CHE RITIENE DI ESSERE STATO INFORMATO DA QUALCUNO (QUALCUNO CHE CAPISCE SEMPRE MALE) CHE TRA LE MAIL CONSEGNATE AI PM DA ME VI SAREBBERO STATE QUELLE IN CUI ELIAS (AVVOCATO DI DE MARCO) ORDINAVA INTERCETTAZIONI ILLEGALI NEI CONFRONTI DI UNA SERIE DI AMICI DI DANTAS TRA CUI LO STESSO ATTUCH.
angelo jannone wrote:
Prezado, eu penso que vc esteve mal informado. Eu entreguei todas as correspondências trocadas com DE Marco e Elias , mas alem alguma referência para Attuch como jornalista amigo do Dantas, nunca fui feita – e esta é a pura verdade no amor por minha filha – alguma referência para pessoas ser espiada. Além seja o DE Marco seja ELIAS semper eles mostraram uma opiniao ruim de LACERDA e MARCELO, até mesmo achando que os dois trabalharam para DANTAS. Foi próprio ELIAS para me fazer subir a suspeita que MAURO MARCELO era o sócio de ELOY, revelando-mim ter visto o MARCELO dirigir um carro FERRARI do Eloy. Eu procurarei e eu lhe enviarei todas as correspondências nas quais si fala de você. Mas, eu repito, o par o ELIAS /DE Marco, pelo menos com minha administração não atuarom nada de crime. Eles, a coisa mais imoral isso fez para mim, foi me cruzar informação que aprendivam aprofeitando do bom relazionamento com advocatos de Citygroup. Esta é a pura verdade.Obrigado. Aguardo vc nà Italia
Da: Contato Jannone [mailto:contatojannone@yahoo.com] Inviato: venerdì 14 settembre 2007 20.56 A:angelo jannone
Oggetto: novos documentos
Observação: se você quiser escrever em italiano, para se expressar de forma mais rápida, eu entendo. Apenas não falo, ok? Caro Angelo, Criei este email apenas para que possamos ter uma comunicação mais reservada. Eu penso que a matéria foi feita de forma fiel ao depoimento e que também teve a preocupação de tratar você com muito respeito. Até o final do dia, pretendo enviá-la a você. Evidentemente, eu e a nossa revista fomos muito atacados durante a Operação Chacal. No meu caso houve até uma investigação paralela, a Operação Gutenberg, da qual você deve ter ouvido falar. Em função disso, naturalmente, demos um peso grande à reportagem, porque ela confirma a linha de cobertura que adotamos desde o início. Mas por que eu estou escrevendo esta mensagem agora? Eu soube que você enviou à Procura di Milano (e isso está no depoimento) as mensagens que recebeu de Marcelo Elias. Algumas pessoas me contaram que Elias fez uma lista de pessoas que deveriam ser monitoradas (ou seja, grampeadas, hackeadas) pela Telecom Italia ou por Eloy Lacerda. Uma dessas pessoas seria eu. Coincidência ou não, a Polícia Federal tentou interceptar meu telefone. Em função de tudo o que aconteceu, eu, de fato, tenho muito interesse em obter cópia desses documentos que o Elias mandou a vocês. Olhando hoje para o passado, concordo plenamente com você. O governo brasileiro sempre trabalhou pela Telemar e usou a Telecom Italia quando isso pareceu conveniente. Vocês acreditaram na ilusão e foram usados. No final, muita gente honesta foi atingida. E eu me lembro também de reuniões que tivemos aqui na editora com Della Seta e Dal Pino, quando eles me diziam que jamais tinham tido qualquer contato com Demarco. Não consigo entender como vocês puderam contratar uma pessoa como ele, que já foi capaz até de falsificar emails meus. Mas essa é outra história. Enfim, quero apenas lhe pedir que me mande, se possível, as informações que vocês recolheram a meu respeito. Não pretendo nem publicar, mas isso tem valor moral. Um abraço e obrigado, Leonardo http://www.angelojannone.com/

DIOGO MAINARDI E VEJA SÃO CONFIÁVEIS? Resposta

Mauro Marcelo de Lima e Silva disse…
Todo relacionamento, encontro ou conversas que tive com os ex-chefes de segurança da Telecom Itália no Brasil (Sr. Bonera e depois o Sr. Jannone) ocorreram antes de assumir a Abin e foram tratados exclusivamente assuntos referentes aos cursos que eu daria aos seus funcionários. Foram três ou quatro encontros.
O único contato que tive durante o período em que fui diretor-geral da Abin, foi quando apresentei projeto de parceria para a reforma da Escola de Inteligência ao Sr. Jannone/Telecom Itália, mas ele não teve interesse em participar. Sou credor da Telecom Itália por serviços prestados na área educacional (palestras/cursos), cujos valores até hoje não foram pagos.

Sugiro a leitura do blog de Angelo Jannone (www.angelojannone.com), capitulo “brasile”.
Mauro Marcelo de Lima e Silva
DelPolTit.23DP
delegadomauro@terra.com.br
14 de Julho de 2008 11:28

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Impressão pessoal: não são confiáveis.
Exemplo, a matéria da última edição desqualifica o Delegado e o Inquérito “produzido”(sic) pela Polícia Federal, preparando terreno para futuras decisões absolvendo Dantas e Nahas.
“É um exemplo de como não deve ser conduzido um trabalho policial com ambição de ter impacto no resultado final do julgamento sobre seus alvos, como mostra a reportagem.
O inquérito tem relatos imprecisos sobre os investigados e intermináveis transcrições literais de grampos telefônicos a partir dos quais são feitas suposições e emitidas opiniões.
Ao fim e ao cabo, o amadorismo demonstrado pelo delegado Protógenes, como diz a Carta ao Leitor da presente edição da revista, facilitará, provavelmente, a impunidade dos acusados.
Daniel Dantas e o especulador Naji Nahas decerto têm muito a explicar à Justiça, mas nada do que realmente interessa ou possa levá-los a uma condenação está no inquérito que motivou a prisão de ambos e dos demais envolvidos.”
A propósito da credibilidade e veracidade dos documentos e depoimentos colhidos por Mainardi, de se ler http://luis.nassif.googlepages.com/home.

As relações entre um Mentiroso “Diogo Mainardi” da Veja e um orelhudo “Daniel Dantas” 1

As relações entre um Mentiroso “Diogo Mainardi” da Veja e um orelhudo “Daniel Dantas”
Escrito por Imprensa, postado em 3 de Março de 2008

Dossiê: Nassif x Veja

novo capítulo: A IMPRENSA E O ESTILO DANTAS

Dossiê Veja do Blog do Nassif

Conforme fartamente demonstrado nos capítulos anteriores, antes de fechar com Dantas a direção da Veja o tinha em conta como alguém que comprava reportagens, fabricava dossiês falsos e subornava jornalistas.
No capítulo “Os Primeiros Ataques a Dantas“ e “O dossiê falso” esmiuço as sucessivas denúncias de Veja antes de ser cooptada pelo banqueiro. Qual a lógica que leva uma revista a se associar a um empresário que, segundo ela mesmo, espalha dossiês falsos, compra reportagens e jornalistas? Há muitas explicações para isso, nenhuma boa, do ponto de vista jornalístico.
Essa atuação da revista, no entanto, era apenas a ponta final de uma linha de operação que passava por várias instâncias antes de desembocar nos dossiês e informações repassadas ao quarteto de Veja.
O jogo fica mais claro quando se começa a penetrar no mundo de Dantas e a entender melhor a linha de montagem preparada para suas guerras empresariais.
Nelson Tanure ganhou rios de dinheiro entrando em ações judiciais que tinham por único objetivo criar dificuldades para a concretização de algum negócio. Com a lentidão da justiça brasileira, as partes envolvidas achavam mais barato pagar para se ver livre das ações. Caso típico foi a compra do Banco Boavista pelo Bradesco.
A partir das lições de Tanure, Dantas percebeu que ações judiciais, matérias na imprensa, com espionagem, dossiês falsos, faziam parte de uma mesma estratégia, portanto deveriam estar sob um mesmo comando.
Assim, montou uma estrutura de lobby interna, com os diversos elos das disputas empresariais sob o comando de Humberto Braz, diretor corporativo da Brasil Telecom no período em que Dantas esteve no comando da companhia.
Braz integrava e comandava os trabalhos jurídicos (legais e de lobbies), os contatos com espionagem (da Kroll a jornalistas infiltrados no meio), a cooptação de publicações e jornalistas, através do controle das verbas publicitárias e da contratação de assessorias de imprensa incumbidas de atrair jornalistas para o esquema Dantas.
Grosso modo, se poderia desenhar assim o organograma da operação.
Vamos nos fixar na parte jornalística, que é objeto dessa série, e já é dor-de-cabeça o suficiente.
No campo da mídia propriamente dita, a coordenação de Humberto Braz consistia dos seguintes movimentos:
Agências de Publicidade: não apenas opinava sobre as campanhas da Brasil Telecom, quando sob controle de Dantas, como dava a última palavra nas campanhas da SMP&B e DNA (de Marcos Valério), que eram agências da Telemig Celular e da Amazônia Celular.
Mantinha contratos formais com sites de informação.
Tinha contratos polpudos, muito acima dos preços de mercado, com assessorias como FSB e Andreolli, I. Em muitos casos (como a FSB), não havia nenhum relatório de serviços prestados. Pelos valores envolvidos, havia suspeitas de que, por trás de algumas delas, poderiam se esconder jornalistas profissionais militando na mídia.
Mantinha contato com a Kroll e com jornalistas ou empresários do setor incumbidos do trabalho de informação e espionagem.
O modo de operação obedece a um padrão.
1. Montagem de dossiê, para a qual, além da Kroll, Braz conta com as próprias assessorias de imprensa, além de outros personagens que serão mostrados no decorrer deste capítulo.
2. Depois, o lobista passa as informações para o jornalista cooptado, mastigadas e com a receita pronta sobre como manipulá-las. Nos capítulos “O Post-It de Maianardi” e “Primeiros serviços” descrevo em detalhes em que consistia esse sistema de manipulação das informações.
3. O jornalista publica sem mencionar a fonte, ou mentindo sobre sua origem (caso recente de Diogo Mainardi sobre o dossiê da Telecom Italia).
4. Outros jornalistas, cooptados, repercutem a denúncia.
5. O lobista faz um apanhado do conjunto de informações e agrega ao processo (quando for o caso), como se viesse de fonte neutra.
6. Finalmente, o uso das agências de publicidade para “adoçar” a boca das publicações.
É nesse ambiente de atuação do lobby de Dantas, que o quarteto de Veja se torna um dos operadores mais audaciosos.
O caso Nassif
Vamos a alguns exemplos práticos de como funciona essa linha de produção de escândalos.
Ao longo de 2003, 2004 em diante, andei escrevendo sobre Daniel Dantas, tentando trocar em miúdos o intrincado roteiro de que se valia o banqueiro para confundir a opinião pública.
Fui alvo de uma tentativa de “assassinato de reputação” praticada por Diogo Mainardi através de duas colunas na revista Veja, em 17 e 24 de agosto de 2005. Como relatei no início da série, foi o primeiro serviço prestado pela revista dentro da nova fase de aliança com Dantas.
Na época em que sofri os ataques, tinha escrito colunas informando que as agências financiadoras do “mensalão” – SMP&B e DNA – trabalhavam para a Telemig Celular e Amazônia Celular, controladas por Dantas.
Anote os ataques de Mainardi e me acompanhe por um passeio pela agenda do lobista Humberto Braz.
Dossiê – Sérgio Thompson Flores é um ex-diplomata que enriqueceu com privatizações e tentou seguir os passos de Nelson Tanure, de entrar na mídia como reforço para manobras de lobby. No começo de 2005, estava montado uma revista e me procurou propondo se associar à Dinheiro Vivo. Me atazanou por um mês, querendo um plano de negócios com os dados da empresa. Depois que recebeu, sumiu com as informações. Na mesma época, foi trabalhar na agência Rodrigo Squizatto. Quando estourou o escândalo Kroll, seu nome apareceu em um CD e ele admitiu que trabalhava para a Kroll e seu contato era o português Tiago Verdial.
Thompson Flores reuniu-se com Braz sucessivamente em 11, 15 e 25 de junho, em 2, 6, 9 e 16 de julho de 2004. A Brasil Telecom anunciou na capa da revista durante praticamente todo o ano. Braz reunia-se periodicamente com a Kroll. Provavelmente vem daí a origem do “dossiê” manipulado por Mainardi.
Jornalista -o passo seguinte era encontrar o jornalista “sela”. Conforme relatado nos primeiros capítulos, a cooptação da Veja se dá em meados de 2005, assim como a transformação de Mainardi de parajornalista em agente do lobby. O primeiro serviço prestado foi ele me atacando.
Publicidade – apesar de presidente da holding da Brasil Telecom, Braz dava a palavra final para todas as campanhas preparadas pelas agências SMP&B e DNA, de Marcos Valério. Por exemplo, reúne-se com Marcos Valério e Christiano Paz nos dias 21 e 22 de junho de 2004, 13 e 22 de julho de 2004 e 5 de agosto de 2004.
É de Humberto Braz a autorização final para a veiculação de 12 páginas de publicidade na revista Veja, seis em cada uma das duas edições contendo os ataques de Mainardi. Ou seja, enquanto denunciava a plenos pulmões o “mensalão”, Veja recebia 12 páginas das empresas do “mensalão”, aparentemente como contrapartida pelo ataque combinado com seu colunista para desviar a atenção sobre as fontes de financiamento do “mensalão”.
O caso Márcia Cunha
Vocês se recordam do capítulo “O Caso Edson Vidigal“, onde se narrava a tentativa de “assassinato de reputação” pela Veja em cima do então presidente do Superior Tribunal de Justiça, por ter confirmado a sentença que apeou o Opportunity do comando da Brasil Telecom. Foi na edição de 21 de setembro de 2005.
Em 13 de abril de 2004, os fundos e o Citigroup propuseram uma ação para anular o chamado contrato guarda-chuva (que conferia plenos poderes ao Opportunity para gerir as empresas de telefonia).
Em maio de 2005 a juiza Márcia Cunha, da 2a Vara Empresarial do Rio de Janeiro proferiu a sentença, anulando os efeitos de um acordo guarda-chuva que dava plenos poderes a Dantas. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio.
Foi alvo de uma campanha pesada, que culminou com advogados do Opportunity recorrendo a linguistas, para tentar provar que a sentença não tinha sido escrita por ela.
Através de Mauro Salles, tentaram comprar o parecer de um funcionário da Academia Brasileira de Letras, que recusou. O “imortal” Antonio Olintho não se fez de rogado e aceitou a encomenda. Um dia a ABL ainda terá que colocar essa história em pratos limpos.
Pressionada, a juiza denunciou ter sido alvo de uma tentativa de suborno por parte de Eduardo Rascovisky, falando em nome do Opportunity. Atenção: entre 6 de fevereiro de 2004 e 20 de outubro de 2004, Rascovisky teve 16 reuniões com Humberto Braz.
Qiando a juíza denunciou a tentativa de suborno, a “Folha” incumbiu a repórter Janaína Leite de ir ao Rio cobrir o episódio (clique aqui).
Em vez de se concentrar nas acusações da juíza, Janaína comete uma tentativa de “assassinato de reputação” – sem identificar a fonte da informação. Semanas atrás se ficou sabendo que sua principal fonte de informação era um diretor do Opportunity.
Não é a primeira vez que Márcia Cunha sofre questionamentos administrativos. A primeira foi no início dos anos 1990 e envolvia tentativa de fraude fiscal. A juíza também foi alvo de críticas por aceitar passagens de cortesia da Varig quando julgava processos envolvendo a companhia aérea. (…)
A decisão da juíza foi dada poucos dias após a apresentação da defesa do Opportunity, que contava com mil páginas. Ao todo, mesmo o julgamento sendo liminar e não de mérito, a sentença contava com 40 páginas impressas. Causou estranheza ao Conselho de Magistratura a rapidez e a diferença no padrão de decisões proferidas por Márcia Cunha – geralmente manuscritas e com, no máximo, quatro páginas.
O mesmo modelo da Veja, o mesmo modelo das colunas de Mainardi, um conjunto de informações incompletas, de fatos banais distorcidos que se transformam em escândalos, no formato de um dossiê.
O que seria uma “tentativa de fraude fiscal”? Uma declaração de renda incorreta, algum lançamento errado? A matéria não avançava em informações.
O Opportunity apresentara uma defesa de mil páginas. Suspeita seria a juiza se respondesse com uma sentença manuscrita de quatro páginas. No entanto, era “acusada” de ter escrito uma sentença de 40 páginas no computador.
Era a subversão do conceito de escândalo, mas fazia parte de um procedimento padrão do esquema jornalístico montado, e que seria repetido por Mainardi, Veja, Leonardo Attuch e outros jornalistas que atuavam de forma sincronizada.
Um ano depois, a juíza foi inocentada das acusações. A cobertura da “Folha” voltava às mãos sérias de Elvira Lobato (clique aqui).
Em 20 de janeiro de 2006, os repórteres Chico Otávio e Maria Fernanda Delmas, de “O Globo”, escreviam ampla reportagem sobre a influência de Eduardo Raschkovsky no TJ do Rio de Janeiro (clique aqui).
Em 4 de março de 2006, Elvira Lobato e Pedro Soares mostram as perseguições sofridas pela juiza (clique aqui).
Em quase todos os casos havia a mesma articulação de interesses, a manipulação de denúncias, a chantagem explícita – caso de Mainardi nas suas últimas colunas na Veja.
Algumas vezes o jornalismo conseguia sair vitorioso, como nesse episódio.

Pacientes de Rafael deixam Clínica Terapêutica Resposta

Domingo, 13 de julho de 2008 – 08:38
Pacientes de Rafael deixam Clínica Terapêutica
O ex-polegar já é conhecido nos meios policiais. Rafael ainda continua preso em São Paulo
(São Paulo) – O advogado José Vanderlei Santos informou que todos os pacientes das duas clínicas do ex-Polegar Rafael Ilha, 35 anos, deixaram os estabelecimentos. As casas da Comunidade Terapêutica Ressurreição, localizadas em Embu-Guaçu e Juquitiba, ambas na Grande SP, foram lacradas pelas Vigilâncias Sanitárias municipais por atuarem irregularmente.
Segundo Santos, que atua na defesa do ex-cantor, preso desde o último dia 1º acusado de tentativa de seqüestro, os parentes dos 45 pacientes de Juquitiba e de oito que ainda permaneciam em Embu-Guaçu retiraram os doentes, pois “não querem a imagem deles relacionada à prisão”.
O advogado diz que está atuando na regularização das unidades. “Rafael está bem, confiante que deixará a prisão logo. Quando ele for absolvido, vai olhar para trás e ver o estrago”, diz Santos, que pediu novamente à Justiça a liberdade do ex-cantor. Um pedido de liberdade provisória foi negado nesta semana.
Interditada pela Prefeitura de Embu-Guaçu (Grande SP) há um mês, a casa terapêutica Ressurreição, do ex-integrante do grupo Polegar, Rafael Ilha, 35, ainda mantém 42 internos dependentes de drogas. A Secretaria Municipal da Saúde interditou o local após constatar que o tratamento oferecido era de clínica e não havia alvará para isso.
A prefeitura diz que, após a interdição, telefonou para familiares das 52 pessoas que estavam internadas à época, mas apenas seis decidiram deixar o local. “A maioria das famílias prefere evitar transtorno”, afirma a secretária da Saúde, Maria Dalva Amim.
Ilha, acusado de tentativa de seqüestro, tem até a próxima semana para entrar com recurso contra a interdição apresentando documentos que comprovem a atividade desenvolvida.
Junto com Ilha, foram presos, na Bela Vista (região central), a auxiliar de enfermagem Neusa Camargos Antunes, 42, que trabalha na Ressurreição, e o interno Cristiano da Silva e Andrade, 25, sob acusação de tentativa de seqüestro e formação de quadrilha. O ex-Polegar também é acusado de usurpação de função pública porque teria se identificado como policial do Denarc (departamento de narcóticos). Testemunhas relataram que eles tentaram levar à força para a clínica a esteticista e estudante de direito Karina Souza da Costa, 28, suposta usuária de drogas.
Na delegacia, Karina afirmou que Ilha foi até ela a mando do marido, que quer ficar com a guarda dos dois filhos. Ex-interno da clínica, Pedro José de Santana Vaz, 35, está com as crianças no Amapá. A mulher diz que nunca usou drogas e se ofereceu para exame toxicológico.
O advogado do trio preso, José Vanderlei dos Santos, entrou com pedido de habeas corpus anteontem e espera que a Justiça decida em favor de seus clientes. “Acredito que esses delitos não serão comprovados. Eles não queriam seqüestrar ninguém”, diz o advogado.

FATURANDO PACIENTES NO LAÇO Resposta

Rafael Ilha diz que foi usado por cliente que queria prejudicar ex-mulher
Fabiano Nunes, Diário de S.Paulo
SÃO PAULO – O ex-polegar Rafael Ilha Alves Pereira, de 35 anos, está preso há 12 dias no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros I, zona oeste de São Paulo, acusado de tentar seqüestrar a estudante de Direito Karina Souza da Costa , de 28 anos, no dia 1º de julho. Ele alega que foi fazer uma abordagem para internar Karina após receber um pedido do ex-marido dela, Pedro José de Santana Vaz, que acusava a estudante de ser viciada em drogas.
Em entrevista ao Diário de S.Paulo o ex-polegar conta sua versão da tentativa de seqüestro – considerada por ele apenas uma abordagem para tratamento de drogas. Ele acredita que foi enganado pelo ex-marido de Karina. O casal está em fase de separação e luta pela guarda dos filhos.
– Eu creio que ele tentou mesmo prejudicá-la. Ela não é viciada – disse.
Durante a semana, o juiz David Capelatto, do Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária, negou o pedido de liberdade provisória para Rafael. Ao longo de toda a entrevista, realizada numa sala da diretoria do CDP, Rafael permaneceu algemado pelas mãos e pés. Ele chorou ao comentar sobre os dois filhos e disse que lutará para concorrer na eleição para vereador em São Paulo. Após sua prisão, o PTB cassou a inscrição de sua candidatura.
– Eu ainda não fui julgado e nem condenado, minha candidatura não pode ser cassada. Diário de S.Paulo – O que aconteceu quando você foi abordar a Karina naquela noite?
Rafael – O Pedro, que esteve internado na clínica, ligou mais de 40 vezes e disse que estava com um problema sério com a mulher. Ela estaria viciada em crack ou cocaína. Quando encontrei com a Karina, ela estava vindo da academia. Ela pensou que eu estava lá para resgatá-la e avançou em mim, começou a me arranhar. Um cara chegou, e ela disse que eu estava tentando seqüestrá-la. O marido da Karina esteve em sua clínica em Juquitiba para encomendar o resgate?
Não, ele me ligou do Amapá. E eu comentei com ele que não tinha como fazer o resgate da pessoa sozinho. Teria que chamar uma ambulância, ter um pedido do psiquiatra, o encaminhamento médico junto. Você acredita que ele usou dessa artimanha para prejudicá-la numa disputa judicial pela guarda dos filhos?
Eu creio que ele tentou mesmo prejudicá-la. Só depois eu soube que o casal está se separando. Entrei de gaiato no navio? Entrei. Fui totalmente ingênuo nesse caso.
Porque uma pessoa que vai para a academia às 6 horas da tarde não é viciada. Pode ser que ele realmente tenha me usado. Por que você levou as faixas de quimono e as injeções com calmante?
As faixas estavam no carro porque eu havia transferido dois pacientes para uma psiquiatria. As injeções estavam com prescrição, se necessário.
Mas a abordagem precisa ser na presença de um responsável da família e do médico. Eu falei isso pra ele. Por isso que de qualquer forma eu não poderia fazer essa intervenção. Fui apenas para conversar. Por que você levou um paciente para abordagem e estava com a camiseta do Denarc?
O Cristiano é um paciente que estava para sair naquela semana e pediu para dar uma volta. Ele ficou dentro do carro. E eu não usei a camiseta, ela ficou no banco de trás, foi um presente que ganhei. E o que você achou da decisão do PTB de cassar sua candidatura a vereador?
Eu fiquei decepcionado. Eu nunca procurei o PTB, foi o partido que me procurou. Isso não pode ser cassado, não é bem assim do jeito que eles pensam. Quem são eles para me julgar? Mas o que me deixa mais preocupado agora é minha família, meus filhos. Quantos filhos você tem?
Tenho um casal. Quando fui preso, minha mulher pegou as crianças e saiu de São Paulo. Meu filho é muito apegado a mim. Ele teve febre na noite da minha prisão. Então minha maior preocupação é essa: meus filhos e minha mulher. Mas eu tenho certeza de que o Senhor vai abençoar, e a Justiça vai ser feita.

São Paulo expulsou 69 Policias Militares e afastou 71 em 6 meses Resposta

SP expulsou 69 PMs e afastou 71 em 6 meses
Crimes gravíssimos foram o motivo; OAB diz que falta preparo a policiais

Camilla Haddad, JORNAL DA TARDE
Pelo menos 69 policiais militares do Estado de São Paulo foram expulsos da corporação, de janeiro a junho deste ano, por cometerem crimes considerados gravíssimos, incluindo homicídios intencionais. Outros 64 soldados foram demitidos após sindicâncias internas e sete deixaram a instituição por corrupção, problemas psicológicos ou por excesso de faltas ao serviço diário. Os números podem ser ainda maiores, pois há casos de PMs até presos cujo processo administrativo de expulsão não foi concluído.
Ao todo, 140 policiais foram afastados pela corporação, o que equivale a 84% dos 166 casos registrados em todo o ano passado. A comparação fica ainda mais próxima com 2006, quando 153 soldados foram obrigados a deixar a PM.
A corporação admite maior rigidez nas avaliações. “Existe uma grande preocupação nossa em não manter esse tipo de pessoa (que comete crimes gravíssimos)”, diz a tenente-coronel Ângela Dimarzio Godoy, da Corregedoria da PM. “É sempre temerário dizer que esses números (de expulsão) estão dentro da média. O ideal é não haver nenhum caso. Não gostamos de saber quando ocorrem mortes de civis. É sempre muito negativo para nós.”
Ângela ressalta que, no caso de expulsão, “o PM fica proibido de participar de novas seleções”. Já os demitidos podem tentar ingressar no serviço público mais uma vez, por meio de concurso, desde que não seja na área de segurança.
A Polícia Militar de São Paulo matou 55% a mais no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2007. Ao todo, foram 107 “mortes em confronto” em 2008, ante as 69 registradas no ano passado, entre janeiro e março. Índices correlatos, como prisões em flagrante e feridos em tiroteios com PMs, mantiveram-se estáveis.
Todas as ocorrências são acompanhadas pela Corregedoria. Após participarem de um caso que termina na morte de um civil, os soldados são afastados por pelo menos um mês. Se surgem indícios de crime, o inquérito segue para a Justiça Militar.
A corporação considera que a explicação sobre o maior número de processos abertos passa pelo aumento no registro de denúncias na Ouvidoria da Polícia. Nos últimos quatro anos, as queixas contra policiais militares saltaram de 852 para 1.044 somente na capital paulista. A maioria dessas reclamações envolve casos de violência e de morte.
ABORDAGEM AGRESSIVA
No entanto, para o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Mário de Oliveira Filho, falta preparo. “O policial militar tem de ficar em constante treinamento, como o bombeiro.” Ele acrescenta que as abordagens atualmente são “agressivas” e precisam mudar. “A gente vê as pessoas com a mão no capô do carro. Muitas vezes o policial chuta as pernas do averiguado para que elas fiquem abertas.”

Há quase dois anos, a família do menino Kleyton Pedro de Souza espera que algum oficial da Corregedoria da Polícia Militar apareça na casa da criança, Resposta

”Kleyton gostava de policial, queria dar oi”
Mãe viu filho ser executado e nunca recebeu pêsames

Camilla Haddad, GUARULHOS

Há quase dois anos, a família do menino Kleyton Pedro de Souza espera que algum oficial da Corregedoria da Polícia Militar apareça na casa da criança, localizada em uma viela no município de Guarulhos, na Grande São Paulo. A visita tão esperada é para saber se houve justiça no caso. Foi ali, no ano de 2006, exatamente na véspera de ano-novo, que o garoto de apenas 7 anos foi morto com um tiro disparado por um PM. Na ocasião, o soldado alegou que o disparo aconteceu durante uma perseguição a três rapazes que eram procurados na região.

“Mas não foi nada disso que aconteceu. Eu me lembro como se fosse hoje. Um PM apareceu na viela onde só estava meu menino, cobriu a arma com um chapéu que eles (policiais) costumam usar e atirou, do nada”, lamenta a mãe da vítima, a dona de casa Cleusa Souza, de 26 anos. Ela presenciou toda a cena pela janela de casa.

Desde aquele dia, Cleusa passa as tardes olhando o álbum de fotos do filho e chorando. “Meu menino gostava de policial. Quando passava um aqui na rua, ele sempre queria dar ?oi?. Tinha admiração mesmo”, revela. “Agora quando vejo um deles atravesso a rua. Dá medo”, afirma.

“O que mais me deixa triste é que ninguém da Corregedoria vem nos ver, dar uma notícia de como está o caso do Kleyton. Eu ouvi dizer que o PM foi afastado,mas eu já vi ele por aí, dentro de viatura, às vezes leio algo na imprensa. Mas não é justo. Sei que pode parecer perigoso ficar falando isso, ainda mais no jornal, só que eu tenho de lutar pelo meu filho”, diz a dona de casa, revoltada com o “descaso sem motivo aparente”.

“Somos negros e pobres. Ninguém quer saber de dar satisfação para nós”, diz Cleusa. Procurada pela reportagem, a Polícia Militar informou que o soldado foi autuado em flagrante, recolhido ao Presídio Romão Gomes e cumpre, atualmente, expediente administrativo.

Além de Kleyton, Cleusa tem outros três filhos. “Eu não deixo eles brincarem por aí ou na rua da minha casa. A gente imagina que pode acontecer de novo.” A família pretende mudar de endereço e, se possível, até de cidade. “Guarulhos, para nós, não tem mais sentido. Morar aqui causa muita dor. São lembranças que quero esquecer.”

RATEIO NO ENTERRO

Segundo outros parentes de Kleyton, no dia do enterro, nenhuma autoridade prestou apoio à família. “Ninguém apareceu nem para dar os pêsames”, recorda um tio. O garoto foi enterrado no Cemitério Vila Rio e o funeral foi pago por meio de um rateio entre os vizinhos dos pais.