Não se pode esperar a verdade de quem declarou falso domicílio em São Paulo para candidatar-se a governador…Só mesmo sendo terrivelmente evangélico para acreditar no governo cariocador 5

Um texto da VEJA relata que o Sindpesp acusou o governador Tarcísio de divulgar dado enganoso ao dizer que policiais civis e militares tiveram 45,2% de reajuste entre 2022 e 2025, porque parte relevante desse índice, cerca de 20 pontos percentuais, foi concedida ainda na gestão João Doria, em 2022, e não pelo atual governo

Não causa surpresa que um governo que “turbinou” números de reajuste salarial também tenha chegado ao Palácio dos Bandeirantes sob o signo da ficção.

Quem for capaz de divulgar como “reajuste de 45,2%” um índice construído à base de somatória de gestões distintas ,  misturando aumentos concedidos por João Doria, em 2022, com os percentuais magros de sua própria administração ,  não pode, honestamente, ser tomado como fonte idônea de informação sobre a realidade remuneratória da Polícia Civil.

O Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo expôs o truque: o tal “acúmulo de 45,2%” não corresponde a um ganho efetivo na gestão atual, mas a um artifício contábil que soma o que já foi dado no governo anterior com os parcos reajustes recentes, incluindo um ano sem correção e outro com mero 5% linear para todo o funcionalismo.

A presidência do Sindpesp , delegada Jacqueline Valadares, afirma que isso é “desinformação” e desafia qualquer policial civil a mostrar no holerite um reajuste de 45% apenas na gestão 2023–2026.

Até agora, silêncio!

Mais grave do que a maquiagem de números é a coerência moral do quadro: não se pode esperar a verdade, em matéria de recomposição salarial ou de política de segurança pública, de quem começou sua trajetória paulista declarando domicílio eleitoral de conveniência, apenas para viabilizar sua candidatura a governador.

Quem é capaz de falsear o próprio vínculo com o estado que pretende governar não terá pudor em falsear percentuais, gráficos e discursos para vender como “valorização” o que, na prática, é perda real de poder aquisitivo.

O resultado é esse: a Polícia Civil de São Paulo segue com delegados entre os piores remunerados do país, enquanto o governo se refugia em propaganda e números montados, e não em reconstrução séria da carreira.

A farsa do domicílio eleitoral encontrou sua continuidade natural na farsa do “reajuste histórico”.

Quem começou pela mentira formal ao Poder Judiciária ( que a engoliu ) , hoje apenas aperfeiçoa o método: agora a fraude é contábil, estatística e política.

A crise de Tarcísio de Freitas com a Polícia Civil 7

Entidade de delegados afirma que Tarcísio de Freitas cortou verba de combate ao crime organizado pela metade

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05/01/2026

Tatiana Farah

Tarcísio de Freitas, Guilherme Muraro Derrite

Foto: Marcelo S. Camargo/Governo do Estado de SP

Tarcísio de Freitas começa o ano enfrentando uma crise com a polícia paulista. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) afirma que o governador cortou pela metade os recursos para combater o crime organizado, enquanto seu então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, voltava ao Congresso para relatar o PL Antifacção.

Em pé de guerra com o governador, o Sindicato divulgou, na semana passada, uma nota comparando os recursos investidos pelo prefeito Ricardo Nunes com os de Tarcísio. O prefeito de São Paulo aumentou em 26% a verba de segurança para 2026 e Tarcísio, 3,6%, de acordo com o sindicato. A comparação incomoda o governador duplamente, até porque Nunes estava cotado para ser seu sucessor na corrida ao governo paulista.

O orçamento da Segurança Pública de Tarcísio é de R$ 21 bilhões para 2026. Para combater o crime organizado, a verba caiu de R$ 666,4 milhões em 2025 para R$ 325,8 milhões este ano.

“É uma contradição muito grande. Principalmente porque nós sabemos que hoje o estado de São Paulo tem sido frequentemente atacado por diversas organizações criminosas nos mais variados segmentos de crimes, afirmou à coluna o delegado e professor de direito Edson Pinheiro, dirigente do sindicato.

O delegado diz que o governo cortou também o programa de seleção e aperfeiçoamento dos policiais civis de R$ 984,8 milhões para R$ 562,4 milhões.

“Nossa instituição, dos delegados da polícia, está na ponta da lança, lida diretamente com a investigação e prisão de organizações criminosas. Então, quando você tem um valor reduzido, é passado um recado muito claro de que esse não é um fator importante para o o governo”, disse o delegado.

Pinheiro afirmou que a entidade tentou negociar com o governo, mas não houve diálogo. O delegado criticou também a declaração recente de Tarcísio de que o domínio do PCC nos presídios de São Paulo havia acabado.

“Soa até engraçado isso. Negar uma realidade. Nós sabemos que [a afirmação] não condiz ali com a verdade dos fatos. Basta verificar as conversas, as informações prestadas pelos agentes que trabalham no sistema carcerário”, disse ele.

Apesar da tensão com os delegados, não está prevista nenhuma paralisação. O tema, no entanto, deve virar mote de campanha. “São promessas feitas e promessas que não são cumpridas. E isso acende um alerta à toda a população. Nós não temos esse poder de interferir no pleito, mas a população tem que ser comunicada”, disse o delegado.

Em nota à coluna, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que o orçamento da pasta aumentou 33,3% em relação ao governo anterior.

Leia a íntegra da nota da SSP:

“A Secretaria da Segurança Pública esclarece que a média orçamentária da pasta nos últimos quatro anos cresceu 33,3% em relação ao período anterior. Descontados os gastos previdenciários, que, por determinação da Secretaria do Tesouro Nacional, desde 2023 são registrados e executados exclusivamente pela São Paulo Previdência, os investimentos da atual gestão em segurança atingiram R$ 19 bilhões em 2025 e estão previstos mais R$ 21 bilhões para 2026.

Desde o início da atual gestão, a SSP tem mantido um índice médio de execução orçamentária superior a 95%, e avançado na recomposição dos efetivos, na valorização dos profissionais e na modernização das polícias. Nesse período, 11 mil novos policiais foram contratados, foi concedido um reajuste salarial médio de 25,2% a todos as carreiras das forças de segurança, R$ 1,1 bilhão em bônus foram pagos e mais de 62 mil equipamentos entre novas viaturas, armamentos e coletes balísticos adquiridos e incorporados ao patrimônio das corporações. Essas aquisições complementam as compras realizadas nos dois últimos anos da gestão anterior, quando foram adquiridos equipamentos de maior valor como helicópteros e viaturas blindadas, que seguem em uso pela administração.

Paralelamente, a atual gestão reforçou os investimentos em sistemas de inteligência e novas tecnologias, o que permitiu ao Estado de São Paulo alcançar, em 2025, os menores índices de homicídios e latrocínios desde 2001, além de expressivo aumento na produtividade policial: mais de 202,3 mil infratores presos, 196,4 toneladas de drogas apreendidas e 12,8 mil armas de fogo ilegais retiradas de circulação.


A nota da SSP é tipicamente auto celebratória e genérica: selecionando dados, misturando conceitos diferentes e omitindo detalhes essenciais (por órgão, por função, por tipo de gasto e por indicador criminal), o que a torna inconsistente como prestação de contas sérias.

É um piada !