
“Eis aqui o que eles fazem, eis por que não são atingidos“.
“Se não é narcoestado, estamos a poucos passos”, afirmou o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital; assim determinando a prisão – e desgraça social – da delegada Layla Lima Ayub após informações superficiais indicando suposto envolvimento da moça com o PCC.
Narcoestado , paradoxalmente, com a magistratura mais bem paga do Universo!
A decisão que desgraça uma delegada pobre – advogada , do Norte , ex- PM – em estágio probatório
Na sentença , que atendeu a representação do delegado Kleber de Oliveira Granja, da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, o magistrado vocifera que a contaminação do crime organizado no país já classifica o Brasil como um “narcoestado”.
Obviamente, fala em conformidade com o discurso da extrema-direita endinheirada que governa o Estado de São Paulo .
Perfeitamente alinhada ao governo!
Mas esquecendo de um sistema em que absolvições e “habeas corpus”, na prática, parecem circular como mercadoria em feira de “Corpus Christi”.
Fala-se , neste ponto , apenas de alguns poucos juízes , desembargadores e ministros distribuídos isonomicamente por todos os tribunais do Brasil.
A ordem de prisão contra a delegada Layla – nos termos das passagens vazadas para a imprensa , em regra alimentada de órgãos de persecução penal – é um exemplo acabado de como a retórica do “narcoestado” serve mais para produzir espetáculo do que para fundamentar, com serenidade, uma medida extrema contra uma servidora em início de carreira.
Ao falar em Brasil “a poucos passos de se tornar um narcoestado” e tratar a hipótese acusatória como se fosse prova de captura institucional, o juiz abandona a linguagem técnica e assume um tom político-apocalíptico incompatível com a imparcialidade que se espera da jurisdição.
Em vez de se ater a fatos demonstrados, a decisão se apoia em um mosaico de postagens em redes sociais , relações pessoais e ilações sobre “infiltração”, convertendo investigação em sentença moral antecipada.
Nesse proceder, abre espaço para todos os preconceitos que já rondavam o caso – misoginia, racismo e xenofobia regional – e contribui para desgraçar biograficamente uma jovem delegada antes que qualquer prova seja validada no devido processo legal.
Se o Juiz conhecesse um pouco da história deveria ter dito que o PCC – e o narcotráfico organizado – é uma criação Paulista , sempre com Secretários de Segurança , de Justiça e Assuntos Penitenciários escolhidos a dedo entre Desembargadores , Procuradores de Justiça e , um ou outro , Coronel da PM,
Um narcoestado que tem sido muito benéfico para alguns, não é Sr. Juiz de Garantias ?