24/05/2009
Vítima leva 4 h para registrar ocorrência em DP
Gilberto Yoshinaga
do Agora
Depois de passarem por situações traumáticas ou constrangedoras, vítimas de crimes ainda têm de encarar um procedimento que, em muitos casos, pode ser mais penoso do que se imagina: registrar um boletim de ocorrência. Devido à estrutura insuficiente e ao despreparo de alguns funcionários, em boa parte das delegacias de São Paulo a demora para ser atendido pode chegar a quatro horas.
Diante de tão cansativas filas de espera, há quem desista de aguardar a vez de ser atendido para retornar ao DP (Distrito Policial) em outro dia ou horário. Principalmente nos bairros de periferia, não é difícil encontrar pessoas que tiveram de ir três ou quatro vezes a uma delegacia na tentativa de registrar um boletim de ocorrência.
O Vigilante Agora verificou a estrutura física e a qualidade de atendimento de 15 dos 93 DPs da cidade de São Paulo, sendo três na região central e mais três em cada uma das zonas da cidade (norte, sul, leste e oeste). Apenas uma delegacias foi aprovada em ambos os quesitos avaliados: o 30º DP (Tatuapé)
A maioria das delegacias visitadas possui problemas estruturais básicos. Por exemplo: em dois terços dos locais verificados, os banheiros de uso público não tinham papel higiênico, sabonete nem papel-toalha. Em alguns casos, como nos DPs de Vila Brasilândia (45º), São Mateus (49º) e Cidade Tiradentes (54º), os vasos sanitários não possuem assento nem tampa. Na unidade do Capão Redondo (47º), o bebedouro público estava cheio de fungos e de poeira.
Por outro lado, existem DPs com estrutura exemplar, como o do Carandiru (9º), em que a sala de espera lembra a de um consultório médico, com sanitários impecáveis e ambiente aconchegante, equipado com televisor moderno e bebedouro limpo. O DP da Lapa (7º) é bastante parecido e possui até máquinas de venda de bebidas, doces e salgados.
Com relação ao atendimento, o “recorde” constatado pelo Vigilante Agora ocorreu no DP da Lapa (7º), onde uma mulher demorou mais de quatro horas para ser atendida. No de Cidade Tiradentes (54º), um rapaz gastou mais de dez horas, somando as cinco idas ao DP, para recuperar sua moto roubada, que foi encontrada pela polícia.
Vale lembrar que, há pouco mais de uma semana, o secretário de Estado da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, declarou ser “inadmissível” uma pessoa esperar quatro horas para registrar ocorrência em uma delegacia.
O secretário admitiu que há “situações de mau atendimento” nas delegacias e disse que planeja valorizar mais os policiais civis para tentar melhorar o trabalho desenvolvido nos DPs.
Polícia admite falhas
Gilberto Yoshinaga
do Agora
O delegado Marco Antonio de Paula Santos, diretor do Decap (departamento de polícia judiciária), admite que existem falhas na estrutura e no atendimento das delegacias. “Sabemos que o atendimento não está bom, mas estamos trabalhando para melhorá-lo”, afirma ele
Santos disse que um projeto deverá reformar a estrutura e o sistema de atendimento dos DPs. “Entre outras medidas, serão criados terminais de autoatendimento para acelerar o processamento das ocorrências. Também vamos redistribuir o número de policiais, conforme a demanda”, diz. Santos estima que dez unidades sejam reestruturadas em seis meses. Sobre os problemas nas unidades visitadas, ele diz que todos os DPs têm recurso para oferecer estrutura à população.
Ele afirma que não é correto passar na frente os flagrantes. “Já relatei estes problemas a todos delegados e vou cobrar providências”, diz Santos.
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Só não é proibido: ENGANAR.





