Delegado Guerra,
Fui um dos Diretores do antigo DEGRAN, há tempos aposentado. Acredite ou não, ainda que idoso e bastante perto de conhecer o Criador, não sou anacéfalo ou senil a ponto de negar a realidade deste país e seus políticos.
Cansei de receber pedidos e súplicas de deputados, secretários e assessores de governadores, para contribições financeiras de caixas eleitorais. Corrupção pura e bem mais escrachada do que é hoje. Nada mudou, apenas talvez as formas e os meios. Mas a essência permanece. Todo mundo nega e todo mundo promete combater, mas a corrupção acompanha a sociedade desde quie o homems assim se organizou. Não seja ingênuo.
Este país tem exatamente a polícia que merece. Tem a política a que faz jus.
E o governador, presidente, assim como o senado, câmara estadual, federal ou de edis, sempre teve a tônica da locupletação como objetivo. O Poder fascina, corrompe e atrai os homens.
Levei a minha parte nesse latifúndio. Tenho riqueza material, patrimônio invejável e consegui viajar e conhecer um pouco mais desse mundo.
Estamos todos corruptos. Não há exceção. Não me venha com falso moralismo ou eufemismo de retóricas infantilizadas.
Toda sociedade tem sua podridão. Mas o Brasil tem a corrupção aceita no subterrâneo da consciência coletiva de sua imensa massa populacional. Não confunda essa maioria absoluta, com aquela parcela que lê a revista Veja e o jornal Estadão. Essa massa maior é aquela que elegeu o beócio Lula; que se enfastia com o bolsa-família; que mora nos tais Cingapuras; que assiste o programa do Gugu, achando que é sofisticado e que acha que está no paraíso quando pode comprar iogurte no mercado e tv nova em 72 prestações fixas no carnê.
É essa a população que mantém o status quo que permeia este país desde a promulgação da tal independência em 1822, ( golpe das elites).
Polícia é odiada, execrada e alvo de preconceito e ódio discriminatório. Somos e seremos sempre corruptos, violentos, ignorantes, racistas, opressores e mão longa do governo elitista.
Essa imagem é perpetuada pelos políticos, igualmente odiados mas também venerados pela massa ignara que vende sua alma por barracos, iogurtes e televisores em prestações fixas, pois ela é também corrupta, acomodada, inerte e promíscua com essa prostituta chamada Brasil.
Não há cidadania. Não há coletividade. Não existe colaboração, sentimento de união, pátria, nação e muito menos Estado. Salvo quando há jogo decisivo na Copa do Mundo…
Somos uma nação de vadios. De hipócritas e de vendilhões. Nos falta o sentimento cívico de unidade; de construção de uma nação. Do orgulho de estarmos construindo uma pátria melhor a cada dia, para nossos filhos, netos, bisnetos e tetranetos.
Delegado Guerra,
O senhor, jovem como é, não é no entanto imbecilizado a ponto de clamar por CPI’s hipócritas de raposas azuis contra raposas vermelhas, ( ou verdes contra amarelas, etc).
Aqui, tais instrumentos de “apuração” servem tão somente para mudança das quadrilhas que se locupletam do erário. Derruba-se fulano e instaura-se o feudo de Sicrano. A merda da roubalheira continua a mesma.
A Polícia Civil não vai acabar. Ela é útil tanto ao governador quanto ao parlamentar. Quem mais irá arrecadar? ( é tão harmônico que até rima…)
A Polícia Militar também não pode morrer. Quem poderá o governo socorrer, quando o maltrapilho para dentro de nossas casa começar a correr? ( outro poema da triste realidade…)
Vivemos num mundo podre. Podre como é a política. Podre como são todos os políticos. Mesmo se houvesse um só realmente bem intencionado, nada ele poderia fazer. O sistema é contra. O sistema o engole. O sistema manda. O sistema te fode. Ou você se acasala com o sistema ou ele te arromba.
MATRIX.
Sou velho e fisicamente decrépito. Mas nunca antes tive, ao longo dos meus setenta e poucos anos muito bem vividos, tamanha lucidez.
Se eu soubesse e tivesse a consciência afiada que hoje tenho, não faria o que fiz. Faria mais . Faria melhor.
Pelo menos não fiquei aqui. Não permaneci aqui. Visito aqui, mas aqui não é o meu lugar. Sou um errante. Não tenho lugar fixo. Não moro. Me hospedo.
Felicidade não existe. Felicidade é apenas para quem ignora. A ignorância é uma bênção, meu jovem. Por isso, ao lhe chamarem de ignorante, sorria.
Seja feliz.









