
O mais recente assassinato de um trabalhador inocente praticado por um policial militar – que vítima de tentativa de assalto foi buscar vingança pela afronta seguido pela farsa de encobrir o homicídio qualificado que acabou registrado por um delegado, talvez defensor de indultos , sob a classificação de “culposo”, – escancara uma ferida aberta na sociedade paulista: a ausência de liderança comprometida com a justiça e a dignidade humana.
Pouco importa o fato de o PM não estar fardado; da situação de vítima ele demonstrou o que é e faz em sua rotina: alguém que atira pelas costas e em qualquer preto.
Depois, na Delegacia, mente deslavadamente e tenta assassinar a honra da sua vítima.
Um trabalhador , preto , pobre , periférico e com vocação a presbítero.
Enquanto isto os assaltantes devem estar agradecendo a Deus…
Sim, bandido também acredita e reza!
O episódio não é um caso isolado – é sintoma de um governo militarizado e intoxicado pela ideologia da “lei da bala” – que prefere a violência gratuita seguida de omissão fraudulenta ; a conivência à responsabilidade legal e política , o discurso mentiroso à ação efetiva.
Em vez de síntese de Abrão e Moises temos uma simbiose que deu origem a outra espécie de líder : o enganador!
Enquanto famílias choram seus mortos e a população clama por respostas, o governador de São Paulo se esconde atrás de palavras piedosas, mas não demonstra a coragem de Davi para enfrentar o mafioso corporativismo policial, tampouco a sabedoria de Salomão para julgar com justiça.
O que São Paulo precisa é de um líder paulista – ou que aqui tenha domicílio , família e trabalho há décadas – que una moderação , bravura e discernimento, capaz de romper o ciclo de impunidade que transforma policiais em assassinos de trabalhadores.
E as vítimas ( em geral ) – verdadeiros “homens de Deus” – em estatísticas.
Davi: O Governador que Enfrenta os Gigantes da Impunidade
Davi, o jovem pastor que derrotou Golias, tornou-se símbolo de coragem diante do impossível.
Um governador à altura desse exemplo deveria:
- Desmantelar o mafioso corporativismo policial que protege criminosos fardados ou não e impede a responsabilização efetiva.
- Exigir a punição não só do executor, mas também de todos os envolvidos na fraude do flagrante, ou seja, uma infelicidade do “meganha” nervoso que se tivesse a sorte de matar os ladrões pelas costas ganharia elogios . Deu azar: atirou na cabeça – sem capacete – do preto errado !
- Enfrentar as milícias e grupos de extermínio dentro do Estado, mesmo que isso custe capital político. Lembrando que, dias atrás, o Dr. Fábio Pinheiro – o Caipira – afirmou que há diversos grupos de policiais militares que atual como matadores de aluguel.
No entanto, o que se vê é um governo que trata a violência policial como “caso isolado diário ” ou “fora do serviço” e permite que a máquina estatal distorça a justiça para proteger seus próprios agentes.
A ausência de enfrentamento ao corporativismo alimenta o ciclo de impunidade e desmoraliza as instituições.
E pior: comprando com grandes recursos e privilégios a omissão do MP, Defensoria Pública , da PGE e , logicamente, a himenal complacência do nosso abastado – e por vezes abestalhado – Poder Judiciário.
Salomão: O Governador que Julga com Justiça, sem Conivência
Salomão, reconhecido por sua sabedoria e senso de justiça, não hesitava em cortar pela raiz a mentira e a injustiça. Inspirado por esse exemplo, um governador sábio , além de ter repulsa pela violência gratuita , deveria:
- Rejeitar e cobrar punição das fraudes e a reclassificação de homicídios dolosos como “culposos” para beneficiar policiais envolvidos em assassinatos. Vejam o vexame para as instituições diante das filmagens reveladas globalmente de mais esse covarde assassinato.
- Garantir investigações independentes, especialmente , sem interferência da cúpula da PM e do Secretário de Segurança.
- Investir em formação , qualificação e prevenção, priorizando políticas públicas que reduzam a violência sem recorrer à truculência e ao armamento desenfreado.
O atual governo, entretanto, age como os Romanos e falsos profetas: utiliza a lei para proteger os poderosos e abandona os trabalhadores à própria sorte, perpetuando a injustiça e a insegurança.
Ou Mudamos o Governo, ou a Barbárie Continuará
São Paulo não precisa de um governador que apenas se finja de crente e de pacificador , enquanto legisla metendo a mão no bolso do contribuinte e aniquilando os direitos do funcionalismo público mais humilde .
Precisa de um líder que lute como Davi e julgue como Salomão.
Enquanto isso não acontecer, policiais corretos e trabalhadores pacíficos – filhos de Deus – continuarão sendo mortos.
E processos seguirão sendo arquivados sem apuração de autoria ou fraudados em nome do corporativismo mafioso dessa polícia que nunca está presente – sequer para a proteção preventiva dos seus membros nas atividades cotidianas como cidadãos comuns .
Aparecer depois do fato e para garantir a versão defensiva do irmão de armas serve apenas para desmoralizar o governo.
Chega de governantes que investem mais em armas , equipamentos e viaturas do que na qualidade da seleção , formação , qualificação continuada e dignidade funcional e salarial dos funcionários que carregam o fardo peso dos serviços e atividades da administração direta.
É urgente um líder que não hesite em cortar a mentira pela raiz – mesmo que isso exija reformar profundamente o sistema de segurança pública.
Por um governo de coragem e sabedoria.
Por um São Paulo onde a segurança e justiça não sejam promessas , palavras vazias em discursos de eventos , mas prática cotidiana.









