TEMPOS SOMBRIOS – O Juiz de Direito José Antonio Lavouras Haicki que prolatava suas próprias sentenças – em vez de apenas assinar os arremedos da serventia – é cassado pelo TJ-SP sob acusação de ser muito lento e escrever demais…Esse não tem padrinho! 160

TEMPOS MODERNOS

Elogiado por colegas, juiz é aposentado por só assinar 33 sentenças por mês

conjur

Por Felipe Luchete

A estatística fez uma vítima no Tribunal de Justiça de São Paulo. A corte decidiu aposentar compulsoriamente um juiz de 60 anos, porque ele não conseguiu acompanhar o ritmo dos colegas. Segundo o Órgão Especial – formado por 25 desembargadores –, o magistrado produzia até 2015 a média de 33 sentenças por mês, tinha mais de 150 processos aguardando decisão por mais de cem dias e manteve “tendência à prolixidade”, mesmo depois de ter sido punido com advertência e recebido recomendações da Corregedoria-Geral da Justiça.

José Antonio Lavouras Haicki, que atua na 6ª Vara Cível da capital paulista, deverá deixar a magistratura por baixa produtividade. O TJ-SP afirmou que uma série de advogados, juízes e servidores o descreveram como cordial, atencioso e culto, mas concluiu que ele descumpre deveres funcionais, como o de zelar pela eficiência e cumprir prazos.

No processo, Haicki discordou das estatísticas e alegou que trabalhou mesmo durante as férias. Em sustentação oral na sessão desta quarta-feira (28/6), o advogado Marco Antonio Parisi Lauria o definiu como um “magistrado diferenciado” e “muitíssimo atento a seus processos”.

A defesa disse que é baixo o índice de reforma das decisões em segundo grau e que o cliente melhorou o desempenho durante o processo administrativo disciplinar. Declarou ainda que o juiz já pediu para ser removido a uma vara com menos carga de trabalho, mas o pedido foi rejeitado pela cúpula do tribunal.

De acordo com o relator do caso, desembargador Sérgio Rui, o juiz já havia sido advertido em 2011, mas o acompanhamento de juízes corregedores e diversas representações demonstram a continuidade de “inoperância crônica” na atuação forense. Dos processos físicos conclusos para decisão até março deste ano, um deles estava na fila desde outubro de 2014. Entre os processos digitais na mesma situação, o mais antigo datava de setembro de 2015.

Norma interna do TJ (Resolução 587/2013) determina que processos conclusos devem ter despacho ou sentença em até cem dias. O relator viu descumprimento ao artigo 35 da Lei Orgânica da Magistratura, que proíbe juízes de excederem prazos de forma injustificada, e os artigos 14 e 20 do Código de Ética da classe, sobre o bom desempenho de magistrados.

Para Sérgio Rui, o próprio tribunal poderia responder por condescendência ou conivência se permitisse que Haicki continuasse em atividade. Ele citou texto publicado em 2010 na ConJur, escrito pelo desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, na coluna Segunda Leitura, sobre as qualidades exigidas de um bom juiz, incluindo a agilidade.

Produção artesanal
O desembargador Amorim Cantuária afirmou que o juiz mantém prática antiga da magistratura, trabalhando em ritmo “artesanal”. “Hoje, infelizmente, a nossa produção tem que ser industrial”, disse ele.

Já o desembargador Borelli Thomaz declarou que conhece o juiz há mais de 30 anos e, “com dor no coração”, concluiu que ele não tem mais condições de continuar, embora tenha uma série de atributos positivos.

O decano da corte, Xavier da Aquino, viu exagero na pena e votou pela remoção compulsória de Haicki para outra vara. Por maioria de votos, porém, o Órgão Especial entendeu que a lentidão continuaria em qualquer outro lugar.

Processo 188.392/2015

Nota da Secretaria de Segurança Pública em resposta ao manifesto do Dr.Waldir Antonio Covino Junior 77

Boa noite,

Solicitamos a publicação da nota da SSP anexa, em resposta a publicação: https://flitparalisante.wordpress.com/2017/08/03/do-delegado-geral-adjunto-em-exercicio-waldir-covino-filho-junior-nao-somos-irresponsaveis-mentirosos-moleques/
Atenciosamente,

Isabel Araujo Delalamo

 

 

 Snap 2017-08-03 at 19.45.01

A Secretaria da Segurança Pública reafirma que não há falta de recursos para a manutenção dos serviços da Polícia Civil, nem de qualquer órgão ligado à pasta. Apenas nos primeiros seis meses, houve elevação de 8% nos recursos empenhados pela Polícia Civil: foram R$ 380 milhões no primeiro semestre de 2017, contra R$ 352 milhões no ano passado. Esses valores estão sendo destinados para licitações de compras e contratações de serviços terceirizados. Vale ressaltar que já há complementação aprovada de verba de R$ 4,1 milhões para gastos consumo. Esses recursos estarão disponíveis nos próximos dias. Além disso, está em elaboração nova suplementação orçamentária para destinar mais recursos para custeio da Polícia Civil, que também serão disponibilizados em breve.

É importante ressaltar que os contingenciamentos citados pelo texto não atingem apenas a Polícia Civil ou a Secretaria da Segurança, mas sim a todos os órgãos governamentais, de maneira linear. A cautela com as contas públicas é fundamental para que sejam respeitados os compromissos assumidos em contrato, mesmo diante da maior crise econômica da história do país. Diferentemente de muitos outros Estados brasileiros, os servidores paulistas não sofrem com falta ou parcelamento de salários.

São Paulo, 03 de agosto de 2017

 

Nota SSP.docx

Do Delegado Geral Adjunto, em exercício, Waldir Antonio Covino Júnior: “Não somos irresponsáveis, mentirosos, moleques” 101

Vou dar uma satisfação aos meus pares, meus companheiros policiais.

Há anos lutamos em busca de melhorias, sem sermos ouvidos em nenhuma instância. Apesar disso não esmorecemos. Estou me referindo à toda equipe da DGP/DGPAD, tão desgastada na luta inglória, mas ainda mais por ver grande parte dos policiais afirmar que “não fazemos nada”, que “nos acomodamos”, que “não estamos nem aí com os problemas”, que “só queremos manter cadeiras e privilégios”, e coisas piores.

Não sei a que privilégios se referem. Desde que assumi as funções que exerço tenho enfrentado problemas e estresse crescentes. Nunca trabalhei tanto na vida, sem resposta de outros órgãos e atacado por tantos policiais.

Esses ataques são injustos, a maioria dos que os fazem não tem a menor ideia de tudo o que tem sido tentado na DGP/DGPAD, há anos.

Não vim aqui lamentar. Quero informar que a fala do governador causou forte mal estar, por ter afirmado que a Polícia Civil não enfrenta nenhuma restrição orçamentária e que é importante o “desmentido”.

Os gestores da situação, que há anos enfrentam involução orçamentária e de pessoal, que não tiveram nenhuma reivindicação institucional atendida e, ainda assim, lutam para que a Polícia Civil continue cumprindo sua missão, foram taxados de mentirosos pelo governador.

As determinações de redução de despesas tiveram início em 2015, foram intensificadas em 2016 e mantidas em 2017.

Enfrentamos redução orçamentária incessante desde 2015, agravada com bloqueio de expressiva parcela dos recursos aprovados.

Não vou detalhar números aqui, mas asseguro, a DGP/DGPAD agiu com responsabilidade, atendendo às determinações superiores e adotando as medidas necessárias à manutenção de mínimas condições de trabalho.

Os órgãos pertinentes foram informados (em expedientes e reuniões) da situação e dos riscos, desde o ano passado. Não deixamos de agir, não deixamos de pleitear, informar. Não esperamos confirmar o caos e não pegamos ninguém de surpresa. Fomos constante e sistematicamente ignorados.

Hoje, apenas para atendimento das necessidades essenciais, precisamos de R$ 38 mi (a necessidade total supera 114 mi) e, até agora, não recebemos sequer os tão propalados 4 mi.

Não somos irresponsáveis, mentirosos, moleques.

Conselho da Polícia Civil em reunião extraordinária faz um balanço de demandas institucionais 46

http://intra.policiacivil.sp.gov.br/artigos/modelo1ver.asp?cod=1659

[ 02/08/2017 ] Conselho da Polícia Civil em reunião extraordinária faz um balanço de demandas institucionais

Considerando inúmeras solicitações de entidades de classe (sindicatos e associações), o Conselho da Polícia Civil divulga expedientes que visam a atender às demandas institucionais e que foram objeto de pauta da reunião extraordinária desta data.
São Paulo, 02 de agosto 2017.

YOUSSEF ABOU CHAHIN
PRESIDENTE

Processo DGP nº NATUREZA Andamento
3.881/2017 Promoção na carreira de Agente de Telecomunicações Policial GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.882/2017 Promoção na carreira de Agente Policial GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.887/2017 Promoção na carreira de Atendente de Necrotério GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.886/2017 Promoção na carreira de Auxiliar de Necropsia GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.885/2017 Promoção na carreira de Auxiliar de Papiloscopista GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.880/2017 Promoção na carreira de Carcereiro GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
4.043/2017 Promoção na carreira de Delegado de Polícia GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.896/2017)
3.888/2017 Promoção na carreira de Desenhista Técnico Pericial GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.878/2017 Promoção na carreira de Escrivão de Polícia GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.884/2017 Promoção na carreira de Fotógrafo Técnico Pericial GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.889/2017 Promoção na carreira de Investigador de Polícia GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.879/2017 Promoção na carreira de Médico Legista GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.883/2017 Promoção na carreira de Papiloscopista Policial GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
3.877/2017 Promoção na carreira de Perito Criminal GS em 26/07/2017 (Remessa nº 4.895/2017)
1.899/2017 Promoção na carreira de Agente Policial – Art. 22 da Lei 1151/2011 GS em 26/05/2017 (Remessa nº 3.392/2017)
1.898/2017 Promoção na carreira de Auxiliar de Papiloscopista –
Art. 22 da Lei 1151/2011 GS em 26/05/2017 (Remessa nº 3.392/2017)
1.900/2017 Promoção na carreira de Carcereiro – Art. 22 da Lei 1151/2011 GS em 26/05/2017 (Remessa nº 3.392/2017)
1.741/2017 Promoção na carreira de Delegado de Polícia – Art. 22 da Lei 1152/2011 GS em 19/05/2017 (Remessa nº 3.392/2017)
1.901/2017 Promoção na carreira da Escrivão de Polícia – Art. 22 da Lei 1151/2011 GS em 26/05/2017 (Remessa nº 3.223/2017)
5.294/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Investigador de Polícia GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.295/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Médico Legista GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.296/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Papiloscopista Policial GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.297/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Auxiliar de Papiloscopista GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.298/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Agente Policial GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.299/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Escrivão de Polícia GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.300/2016 Consulta acerca da possibilidade de autorização governamental para
abertura de concurso na carreira de Agente de Telecomunicações Policial GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
5.570/2016 Pedido de autorização para deflagração de certame, visando à realização
de processo seletivo para provimento de cargos de Delegado de Polícia GS em 27/09/2016 (Remessa nº 6.902/2016)
6.516/2016 Minuta de decreto que define o tratamento protocolar de
“Diretor Adjunto” para os Delegados Divisionários de Polícia
das Assistências Policiais dos Departamentos. GS em 07/12/2016
2.826/2017 Pagamento de Honorários a título de horas-aula ministradas na
Academia de Polícia GS em 04/05/2017 (Remessa nº 2.830/2017)
Assessoria Técnica do Governo em 14/06/2017
2.647/2017 Minuta de Decreto que objetiva proporcionar nova regulamentação
para a concessão de ajuda de custo para alimentação de policiais
civis GS em 03/05/2017 (Remessa nº 2.796/2017)
CRH – Secretário do Governo em 01/06/2017
Ofício nº 160/2014,
Protocolo
GS nº 16.176/2014 Cinco anos na classe em que se der a aposentadoria GS em 21/06/2017 (Remessa nº 4.025/2017)

Ofício nº 17/2015 Cinco anos na classe em que se der a aposentadoria GS em 19/02/2015 (Recebido por Carla Vilela)
2.739/2015 Obrigatoriedade anual de prorrogação/renovação da autorização de
afastamento dos servidores em exercício na Assistência Policial
Civil da Assembleia Legislativa GS em 21/01/2016 (Remessa nº 479/2016
3.025/2015 Minuta de anteprojeto de Lei Complementar – regularização da
situação funcional dos servidores em exercício na Assistência
Policial Civil da Assembleia Legislativa GS em 04/08/2015 (Remessa nº 5.835/2015)
4.435/2017 Minuta de decreto que suspende no corrente exercício a aplicação
do art. 5º do Dec. 25.013/1986 e permite o indeferimento de férias
de Policiais Civis para serem usufruídas em 2018 e/ou 2019. GS em 20/07/2017 (Remessa nº 4786/2017)
2.826/2017 Reforma do Edifício Garagem Alfredo Issa GS em 26/04/2017
2.577/2017 Aquisição de três ônibus para a Academia de Polícia GS em 26/06/2017
6.247/2017-DGPAD Pedido de liberação de dotação contingenciada GS em 04/07/2017

APCS

Equipe de apenas três policiais ( Luiz Cesar, André e Éder ) do 5º DP de Santos apreende uma tonelada de maconha e prende em flagrante quatro traficantes 21

Polícia Civil apreende uma tonelada de maconha em Santos e captura quatro

Droga estava escondida sob carga de soja a granel e foi descoberta na noite de terça

EDUARDO VELOZO FUCCIA – A TRIBUNA DE SANTOS 
02/08/2017 – 10:14 – Atualizado em 02/08/2017 – 10:14
Droga estava escondida sob carga de soja a granel.
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Três homens moradores na Zona Noroeste de Santos e um quarto procedente de outro estado foram presos em flagrante transportando 1 tonelada de maconha. A apreensão da droga, que estava na carreta de um caminhão, escondida sob uma carga de soja a granel, aconteceu na noite de terça-feira (1º). A pesagem do tóxico terminou no início da manhã desta quarta-feira (2).

Investigadores do 5º DP de Santos já reuniam informações de que grande quantidade do entorpecente chegaria nesta semana na Cidade para ser distribuída em toda a Baixada Santista. Por esse motivo, eles faziam o monitoramento da chegada de caminhões na Via Anchieta, no trecho da Alemoa. Identificado qual seria o veículo, os investigadores o interceptaram.

À frente do caminhão, onde estava um dos acusados, seguia um Fiat Palio cinza com mais três homens, responsáveis pela escolta da carga de maconha. A abordagem aconteceu quando os veículos ingressaram na Avenida Nossa Senhora de Fátima. Os policiais estavam em número de três e levaram os, até então suspeitos, ao distrito para examinar o carregamento de soja.

Com a constatação de que havia centenas de tabletes de maconha na carreta, os quatro suspeitos receberam voz de prisão e foram autuados em flagrante. Os ocupantes do Palio tentaram negar vínculo com o motorista do caminhão, mas os investigadores reuniram provas de que os primeiros realizavam a segurança do condutor do segundo veículo.

Policiais monitoraram a chegada de caminhões na Anchieta para interceptar o veículo. (Foto: Divulgação)

Policiais montam banco de imagens para denunciar problemas em delegacias 58

Fotografias mostram infiltrações, fiação elétrica exposta e até entulhos em distritos da capital, da Grande SP, do litoral e do interior

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2017 | 07h00

Policiais montam banco de imagens para denunciar problemas em delegacias de SP
Mobília velha em delegacia de Pirituba Foto: Sindpesp

SÃO PAULO – Nas paredes, infiltrações. Nos muros, rachaduras. Portas estão quebradas. Alguns vidros, também. Sem proteção adequada, parte da fiação elétrica fica exposta. Do lado de fora, há até acúmulo de entulhos. As fotografias fazem parte de um banco de imagens que vem sendo alimentado por policiais civis, em condição de anonimato, a pedido do Sindicato dos Delegados (Sindpesp), para denunciar a situação precária de delegacias no Estado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que não há falta de recursos para custeio das atividades da Polícia Civil.

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Delegacias funcionam em condições precárias em SP; veja fotos 

 

De acordo com o Sindpesp, as imagens começaram a ser colhidas após mensagem do delegado-geral adjunto em exercício, Waldir Antonio Covino Junior, na semana passada, em que classificou a situação orçamentária da Polícia Civil como “caótica” e “alarmante”. No comunicado, Covino Junior chega a pedir que delegados elaborem planos de contingência, com previsão até de suspender atendimento em algumas unidades ou deixar de abastecer viaturas.  A SSP disse que está em fase final de tramitação a aprovação de crédito suplementar necessário.

“Pela impossibilidade de estar em todas as delegacias, pedimos para que essas fotos fossem enviadas”, afirma a presidente do Sindpesp, Raquel Kobashi Gallinati. “O sucateamento não é de agora, começou há mais de 20 anos. O que aparece nas fotos são pequenos reflexos face à realidade existente da Polícia Civil.”

Para a presidente do Sindpesp, a Polícia Civil está sofrendo um “desmonte”. “Em todos os aspectos: no contingente de policiais, de materiais, de investimento na estrutura e até investimento básico”, diz. “Não investir e não estruturar a Polícia Civil, para que ela possa investigar e desmantelar o cerne das organizações criminosas, é deixar a sociedade desprotegida.”

Banco de imagens

Até o momento, o Sindpesp reuniu fotos tiradas em 11 delegacias: três na capital, duas na Grande São Paulo, duas no litoral sul e quatro no interior. Para comparação, só na cidade de São Paulo há 93 distritos. Não há data específica de quando cada foto foi tirada.

Na delegacia de Boituva, no interior, por exemplo, as imagens mostram vazamento em uma pia, uma placa informando que o banheiro está interditado, rachadura no muro, além de entulhos na área externa. Em Cotia, na Grande São Paulo, azulejos da parede aparecem quebrados e também há infiltrações. No 33.º DP (Pirituba), há pneus empilhados dentro da unidade – e mobílias, como a cadeira usada pelos agentes, aparecem velhas e com revestimento corroído.

O cálculo do Sindpesp é que serão necessários mais R$ 38 milhões para custear as delegacias do Estado até o final de 2017. “Esse valor é para combustível, água, luz, telefone, papel higiênico: só o básico. Não inclui investimentos”, diz a presidente do sindicato.

Na semana passada, a SSP havia anunciado crédito suplementar de R$ 4,1 milhões para manter as unidades funcionando – valor insatisfatório, segundo o sindicato.

Recursos

Na ocasião, o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, classificou como “precipitada” a mensagem do delegado Waldir Antonio Covino Junior. “Ficou evidente a precipitação desse pedido de suplementação, já que o crédito tramita desde 2 de junho”, disse.

Em nota, a SSP diz que não faltam recursos para a Polícia Civil. “A execução orçamentária é acompanhada pelas áreas técnicas, tanto que já havia sido aprovada a verba complementar de R$ 4,1 milhões para gastos com a manutenção de prédios e equipamentos”, afirma. Segundo o comunicado, o dinheiro estará disponível “nos próximos dias”.

A pasta também diz que prevê novos aportes para a corporação, mas não detalhou valores. “Está em elaboração nova alteração orçamentária para destinar mais recursos para custeio da Polícia Civil, que também serão disponibilizados em breve”, afirma a nota.

“Em relação às imagens fornecidas pela reportagem, a SSP informa que todas serão analisadas e os recursos citados contemplarão as reformas necessárias”, finaliza o comunicado.

Sentença meramente simbólica – Justiça de primeira instância determina que governo Alckmin reponha policiais civis 71

Justiça obriga governo Alckmin a repor policiais civis, mesmo após fim de resolução

Venceslau Borlina Filho

Do UOL, em São Paulo

31/07/201704h00

  • Foto: ABr

    O governador Geraldo Alckmin (PSDB), responsável pela segurança no Estado de SP

    O governador Geraldo Alckmin (PSDB), responsável pela segurança no Estado de SP

Uma determinação que a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) criou em 2013 e que ela mesmo revogou no ano passado tem causado uma série de questionamentos e brigas judiciais entre o governo do Estado e os municípios. Há quatro anos, a gestão estabeleceu um número ideal de policiais para cada delegacia, mas sem conseguir cumprir a demanda, voltou atrás em abril de 2016. Agora, decisões na Justiça têm obrigado o governo Geraldo Alckmin (PSDB) a cobrir o deficit de delegados, investigadores, escrivães e agentes nas delegacias paulistas.

A primeira decisão de mérito nas ações ajuizadas pelo Ministério Público por todo o Estado saiu em maio. No entendimento da juíza Juliana Maria Finatti, a segurança é um direito constitucional do cidadão e obrigação do Estado. Coube a ela determinar que o governo estadual adotasse medidas cabíveis para garantir à Delegacia de Polícia de Águas de Lindóia, município de 18,4 mil habitantes na região de Campinas, o mínimo de 22 policiais.

“Certo é que a resolução foi revogada. No entanto, a obrigação do Estado não advém apenas de um ato normativo, mas da Constituição Federal, que instituiu a segurança pública como um direito fundamental do cidadão”, afirmou a juíza na sentença.

No despacho, Juliana rebateu os argumentos do Estado, que tinha afirmado que o pedido de reforço de policiais feito pelo Ministério Público feria o princípio constitucional da divisão dos poderes.

Danilo Verpa/Folhapress

O secretário de Estado da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho

Para o Estado, a demanda é ilegal, pois interfere no poder discricionário do Executivo, além de atingir os princípios da igualdade e equidade, não sendo possível planejar nomeações, afastamentos e aposentadorias.

“Nem se diga que haja ingerência indevida do Judiciário em assunto exclusivo do Poder Executivo, pois isso não se dá neste caso, onde se determina a implementação de políticas públicas para assegurar direitos fundamentais do cidadão, como a segurança”, afirmou a juíza.

Pela decisão, o governo do Estado tem de reservar para Águas de Lindóia, nas próximas nomeações, um delegado, sete investigadores, cinco escrivães, quatro agentes, um auxiliar e três carcereiros, sob pena de multa diária de R$ 1.000. O Estado pode recorrer da decisão.

Atualmente, a unidade conta apenas com cinco policiais, sendo um delegado, um investigador, dois escrivães e um agente. Nos últimos seis meses, os furtos na cidade cresceram 60,7% –para 90 casos– em relação ao mesmo período do ano passado.

“A investigação está parada. Nós temos quase 200 inquéritos aqui em andamento. Não tem como fazer um trabalho de qualidade”, disse o delegado Oswaldo Faria Júnior, que observou que os principais desafios no município são combater os furtos e o tráfico de drogas.

Faria Júnior afirmou que nas atuais condições, busca priorizar o registro de ocorrências e o atendimento ao público. “Aqui eu só tenho um investigador. Não dá para ele ir sozinho para a rua. Por isso a gente só faz uma apuração inicial e pede ajuda da Seccional para mandados de busca, por exemplo.”

De acordo com o delegado, o último servidor estadual chegou na delegacia em 2012. De lá para cá, não houve nenhuma notícia de reposição. A delegacia conta ainda com dois servidores cedidos pela prefeitura para auxiliar nos trabalhos administrativos.

Cidades maiores

No final de junho, o juiz Wander Pereira Rossette Júnior, da Vara da Fazenda Pública de Piracicaba, no interior paulista, determinou que o governo do Estado providencie, em um prazo máximo de seis meses, a nomeação e lotação de 110 policiais para as delegacias da cidade e de outros dois municípios da região, além do IC (Instituto de Criminalística) e a da Polícia Científica.

A decisão liminar foi obtida pelo Ministério Público, que investigou o deficit de servidores. Piracicaba tem quase 400 mil habitantes, de acordo com estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Os transtornos sofridos pela população se dão basicamente pelo descaso das autoridades responsáveis pelo funcionamento da segurança pública no Estado, bem como pela gestão equivocada e nefasta desenvolvida pelo governo estadual, gerando a debilidade do serviço essencial”, afirmou o juiz na decisão liminar.

Responsável pela ação, o promotor do Patrimônio Público e Social de Piracicaba, João Carlos de Azevedo Camargo, afirmou que a revogação da resolução pelo próprio Estado “demonstra o desinteresse em solucionar, de forma definitiva, o problema crônico de falta de policiais civis.”

Outros casos

Leme, no interior do Estado, foi um dos primeiros municípios a registrar decisão da Justiça obrigando o governo a repor os policiais em falta. A liminar foi dada em abril do ano passado. O governo recorreu, mas a Justiça manteve a decisão. Segundo a Promotoria, a cidade tinha 31 policiais, quando o necessário seria ao menos 49 funcionários.

Também no ano passado, a Justiça concedeu liminar na ação ajuizada pelo Ministério Público em Jales, determinando que o Estado apresentasse em 60 dias um cronograma de providências para garantir à Polícia Civil da cidade e da região o número mínimo de policiais. O Estado recorreu e a liminar foi suspensa. Agora, a decisão de mérito está pronta para ser dada.

Fernando Nascimento/Brazil Photo Press/Folhapress

Ex-secretário de Segurança de SP, o ministro do STF Alexandre de Moraes revogou a resolução em 2016

Segundo a Promotoria, faltam ao menos 32 delegados na comarca, sendo que oito deles estão às vésperas de se aposentarem. Além disso, cinco dos sete municípios da comarca não contam com delegado titular. Para o Ministério Público, “a deficiência da investigação criminal implica em impunidade, que, por conseguinte, estimula a criminalidade”.

Também foram ajuizadas ações em São José do Rio Preto, Dracena, Ilha Solteira, Itapura, Lindóia e Jacareí. Em nenhum dos casos há informações de que o efetivo recebeu reforço ou que foi cumprida integralmente a decisão.

Deficit

Segundo levantamento do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), o Estado de São Paulo tem um deficit de 560 delegados e cerca de 10 mil policiais civis, entre investigadores, escrivães, agentes e carcereiros. Ainda de acordo com o sindicato, 256 dos 645 municípios paulistas não têm delegado de polícia.

“A conta nunca fecha. O Estado não acompanhou o crescimento da população desde os anos 1990. Pelo contrário, houve enxugamento. E das nomeações feitas a partir do último concurso público, em 2013, não preencheu sequer os cargos vagos em razão de aposentadorias ou exonerações”, disse a presidente do sindicato, a delegada de polícia Raquel Kobashi Gallinati.

Segundo ela, o trabalho da Polícia Civil no Estado é “limitado”. Além da falta de profissionais, a estrutura é precária e há cinco anos o governo não paga a reposição inflacionária. “O governo paulista não trata bem o policial civil. Apesar de ser o Estado mais rico do país, é o que pior remunera o policial”, afirmou Raquel.

Joel Silva/Folhapress

A delegada Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindpesp

De acordo com a sindicalista, a demanda por policiais no Estado é “absoluta”. “O governo eleito não pode ficar dando justificativas para o descumprimento de suas obrigações. Alegar que não tem orçamento não coaduna com a realidade”, afirmou ela. “O Estado não é uma empresa para se vangloriar de ter superávit. Esse dinheiro precisa ser investido para a sociedade”, disse Raquel.

Outro lado

Em nota, a assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que a pasta “realiza estudos em conjunto com a área técnica do governo para viabilizar a abertura de novos concursos para reforçar a Polícia Civil.”

No entanto, ressaltou que “o Estado deve obedecer aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, para toda contratação, deve ser observado o seu impacto orçamentário”.

A assessoria da secretaria informou ainda que contratou 4.219 agentes desde 2011 e que 742 novos profissionais estão em formação e serão distribuídos para todo o Estado após a conclusão do curso na academia de polícia.

Atenção! Polícia Civil na falência! É hora de reverter este quadro! 325

27/07/2017

comunicado

O vazamento do memorando do Dr. Waldir Antonio Covino Junior, Delegado Geral Adjunto em exercício, expôs à sociedade uma das feridas mais profundas da Segurança Pública do estado: a situação calamitosa vivenciada hoje pela Polícia Civil. A mídia não tardou em apurar e constatar que a Instituição vive um de seus momentos mais delicados, beirando a falência completa e o esfacelamento do trabalho investigativo da Polícia Judiciária.

Esse é um cenário denunciado pela ADPESP há anos. A entidade, por sua vez, tem tentado de todas as formas alcançar uma solução cada vez mais distante, principalmente por carecer de um olhar mais atencioso do Poder Público. Esse é um trabalho que é exercido através da participação ativa dos policiais civis, verdadeiras vítimas de um cotidiano insalubre e incompatível com o fardo de suas responsabilidades.

Sendo assim, é imprescindível que a situação da Polícia Civil esteja exposta ao cidadão comum. Colabore e junte-se a nós, enviando fotos, vídeos e relatos que revelem as circunstâncias deletérias dos departamentos, viaturas, jornadas exaustivas e deficitárias, falta de profissionais, etc. São registros que podem ser feitos rapidamente pelo celular, por exemplo.

O material pode ser enviado para o e-mail imprensa@adpesp.com.br, ou, através do WhatsApp, no número (11) 95126-2000.

Polícia Civil passa por situação crítica na Baixada Santista 23

E-mail enviado pelo delegado-geral adjunto do Estado às diretorias regionais mostra que não há dinheiro nem para despesas básicas

MAURÍCIO MARTINS – A TRIBUNA DE SANTOS 
27/07/2017 – 15:10 – Atualizado em 27/07/2017 – 15:10

O fechamento do 3º Distrito Policial (DP) de Santos, na Ponta da Praia, das 20 às 8 horas e nos fins de semana e feriados, noticiado por A Tribuna em maio, é só um detalhe da falta de investimento na Polícia Civil na região e no Estado. A evidente crise pela qual passa a corporação foi detalhada em e-mail enviado esta semana pelo delegado-geral adjunto do Estado, Waldir Antonio Covino Junior, para todos os departamentos regionais.

De caráter “urgente”, a mensagem, que A Tribuna teve acesso, pede que todos encaminhem um plano de contingência para a “caótica situação orçamentária enfrentada pela Polícia Civil”. Segundo ele, a situação “faz com que se avizinhe quadro de absoluta indisponibilidade financeira, até mesmo para amparar despesas essenciais à manutenção das unidades existentes”.

Covino Junior manda os delegados informarem quais delegacias terão atendimento suspenso por falta de combustíveis para abastecer viaturas e ausência de serviços de limpeza e manutenção, por exemplo.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis em Santos e região (Sinpolsan), Márcio Pino, lembra que a categoria já vinha alertando o Governo Estadual há, pelo menos, três anos sobre a piora da situação.

“Mas segurança pública não é tratada por esse governo como prioridade ou investimento, aí dá nisso. Delegacias sendo fechadas, falta de material, além do excesso da jornada de trabalho que reflete diretamente no atendimento à população e no esclarecimento de crimes”.

Pino explica que contratos de limpeza não foram renovados e os próprios policiais se dividem para manter as delegacias limpas e arrumadas. “Além do baixo salário e da falta de policiais para exercer as atividades, eles ainda precisam recolher lixo nas delegacias. O secretário (da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho), precisa sair do gabinete dele e visitar os locais”.

A Reportagem conversou com um experiente investigador de Santos, que não terá o nome divulgado. Segundo ele, não há contingente suficiente para trabalhar de maneira razoável. “Não temos condições de atender a população. O governo cria delegacias especializadas e tira gente das outras, não aumenta o efetivo, fica só encobrindo as coisas. Aí fecha delegacia à noite e uma pessoa roubada na Zona Noroeste de madrugada precisa ir até o Centro registrar a ocorrência”.

Para o investigador, é injusto abrir concurso para policiais militares e não fazer o mesmo com a Polícia Civil. “Precisa ter um meio-termo. Está um caos, antigamente tínhamos viaturas do GOE (Grupo de Operações Especiais) rodando a noite toda. Hoje, quando precisamos de apoio, temos que acionar a PM”.

Falta de combustível para as viaturas está entre os problemas enfrentados (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Desmonte

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SindPesp), Raquel Kobashi Gallinati, ressalta que a Polícia Civil está em processo de sucatamento há mais de 20 anos e que durante esse período sempre trabalhou com limitações. “Temos um deficit de quase 10 mil policiais civis (no Estado) e um péssimo salário – o delegado de São Paulo é o que pior recebe na Federação e está sem reajuste há 5 anos. A polícia está envelhecida, há morosidade na abertura de concursos, o último foi em 2013, e muitos aprovados ainda nem foram chamados”, explica ela.

Raquel critica ainda a infraestrutura. “Não existe estrutura adequada para o trabalho de polícia judiciária, investigativa, que é a única que poderia desmantelar organizações criminosas, crimes organizados. Somente através de uma investigação robusta podemos dar uma resposta à sociedade”.

Para ela, quando nem o básico se tem para o trabalho, o Governo Estadual impõe uma situação de impedimento de polícia judiciária. “Isso é um absurdo, o governo não pode colocar uma instituição de Estado à mercê de suas atrapalhadas e equivocadas políticas. Absoluta incompetência na gestão de recursos”.

A presidente do sindicato critica, ainda, o crédito suplementar de R$ 4,1 milhões anunciado pela SSP, dizendo que o valor é irrisório para o que realmente é necessário. “Até o final deste ano há necessidade de, no mínimo, R$ 38 milhões”.

Seriam R$ 29 milhões para contratos de manutenção, limpeza, água, luz, emissão de RG e combustível. E mais R$ 5 milhões para material de consumo. “Além dos R$ 4,1 milhões que o secretário disse ter pedido, mas que ainda não chegaram, e que não são suficientes nem para as pendências urgentes”.

Raquel ainda diz que não basta entregar viaturas. “Para propagandas políticas, priorizam a compra de viaturas caracterizadas. Não servem para investigações, faltam carros descaracterizados. O armamento é o pior possível e as condições de muitos prédios são insalubres”.

OPINIÃO: ‘As duas filhas’
Por Eduardo Velozo Fuccia (repórter criminal e advogado)

O homem tem duas filhas: uma em colégio particular, a outra na escola pública. O nome do pai é Governo do Estado. A primeira filha chama-se Polícia Militar. A outra, Polícia Civil.

A comparação pode parecer exagerada, mas na unidade mais rica da federação, a discrepância de tratamento dispensado pelo Executivo estadual às polícias Civil e Militar é flagrante.

Em comparação com a Civil, a PM ainda recebe alguns recursos materiais e humanos para a reposição e ampliação de seus quadros, o que demonstra pretensa preocupação do Estado para com a segurança pública. Preocupação pretensa porque o mesmo não se verifica em relação à Polícia Civil, cada vez mais sucateada com a diminuição acentuada de seu efetivo ao longo de mais de duas décadas.

Isto sem enveredar nas carências de ordem material, evidenciadas nesta semana no e-mail do delegado geral adjunto aos delegados diretores de departamento, solicitando-lhes propostas para o contingenciamento de despesas.

A falta de pessoal na Polícia Civil é tamanha que unidades estão fechando e outras funcionando de teimosas. Delegacias e distritos abertos sem o contingente mínimo para realizar um trabalho à altura das necessidades da população.

O crime cada vez mais organizado só é combatido com eficácia por meio de investigações robustas de provas. Este é o papel da polícia judiciária, a Civil. Porém, com ela enfraquecida, até é possível o Governo se vangloriar de alguns números relacionados a prisões. No entanto, as prisões devem vir acompanhadas de inquéritos policiais sólidos, ou seja, não basta a quantidade, sendo primordial a qualidade das capturas.

Do contrário, quem é preso hoje, amanhã tem a grande probabilidade de ser absolvido e retornar a delinquir, devido a uma investigação sem a solidez necessária para um decreto condenatório.

Começamos com uma comparação e terminamos com outra. A Polícia Civil de São Paulo é um doente na Unidade de Terapia Intensiva e respira por aparelhos. Mas a vontade política do médico ainda é capaz de salvá-la com um choque de gestão. Só é necessário querer e agir antes que ela acabe.

Nomeação oficial administrativo PM – Governo despreza os direitos de cinco mil concursados 36

PRECISAMOS DE AJUDA

O Governador Geraldo Alckmin não nomeou ninguém do concurso  *OFICIAIS ADMINISTRATIVOS da PM-SP* e nem deu satisfação, é muito descaso, a prorrogação do concurso venceu dia 23/07/2017, e até agora o governo não deu uma posição sobre o assunto.

São *5 MIL* aprovados com seus direitos violados.

Isso caracteriza *CRIME* de improbidade administrativa.

Não tem desculpa para a não nomeação pois já foram autorizados novos concursos para a PM além de nomeações já realizadas.
O estado tem verba, só falta vontade.

Exigimos o nosso direito a nomeação!!!

ADMINISTRAR É PREVER E SE ANTECIPAR – Moção de apoio ao Dr. Waldir Antonio Covino Junior, Delegado Geral de Polícia Adjunto; que apenas bem cumpriu o seu dever de administrador público 24

Moção de apoio

comunicado

A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, os SIPOLs de Bauru, Presidente Prudente, São José do Rio Preto e o SINPOLSAN de Santos manifestam amplo e irrestrito apoio ao Dr. Waldir Antonio Covino Junior, Delegado Geral de Polícia Adjunto em exercício.

Frente à situação calamitosa vivenciada pela Polícia Civil, cenário já denunciado pela ADPESP e pela imprensa, os casos de delegacias funcionando em condições precárias são diversos e, infelizmente, cada vez mais comuns. São relatos de delegacias com deficiências estruturais gravíssimas, o que prejudica de maneira contundente o desempenho do policial civil e, portanto, de todo o trabalho investigativo exercido nos departamentos.

Dito isso, é importante frisar que o comunicado despachado pelo Delegado Geral Adjunto em exercício tem como principal objetivo a preservação das integridades física e psicológica do policial civil submetido a condições insalubres de trabalho, uma vez que condiz com a realidade e pode ser verificado em diversas delegacias da capital e do interior. A Associação ainda reforça seu compromisso com a verdade e, sobretudo, com a luta pela sobrevivência da Polícia Civil.

COVINO

Nota de esclarecimento do Conselho da Polícia Civil 20

O Egrégio Conselho da Polícia Civil, diante da repercussão dada a uma solicitação destinada ao público interno e que, sem autorização ou conhecimento da Administração, transitou por redes sociais e, consequentemente, pelos meios de comunicação na data de ontem, pela unanimidade de seus membros, em sessão realizada nesta data, aprovou a presente nota para esclarecer que:

O Dr Waldir Antonio Covino Junior, Delegado Geral de Polícia Adjunto em Exercício, recebeu do Dr. Youssef Abou Chahin, Delegado Geral de Polícia, a incumbência de solicitar aos Diretores de Departamento da Polícia Civil, estudos relativos a planejamento de ações a ser aplicado em caso de emergência, visando única e exclusivamente à manutenção em níveis ao menos satisfatórios dos trabalhos de polícia judiciária e do atendimento à população.

O Conselho da Polícia Civil entende que o momento financeiro pelo qual atravessa o País é crítico e, justamente por tal motivo, seus integrantes procuram sempre antecipar-se a eventuais situações de crise, a fim de que a população paulista não seja prejudicada em seus direitos e garantias. Nenhuma instituição pública – e particularmente uma do porte da Polícia Civil do Estado de São Paulo –  pode trabalhar olhando apenas para o dia a dia. Visão de futuro e planejamento estratégico são fundamentais em qualquer área de atuação.

O Dr. Waldir Antonio Covino Junior, dentre suas funções, é o responsável pela análise e pelos estudos referentes à finanças e orçamentos relativos à Polícia Civil. Assim, ele transferiu para o documento por ele redigido todas as preocupações que lhe são bastante conhecidas mercê de sua rotina diária, uma vez que tem sempre à sua frente todas as planilhas relativas aos recursos, as quais, dentre outros assuntos, são diariamente discutidas com o Excelentíssimo Senhor Delegado Geral de Polícia.

Ressaltamos que a administração da Delegacia Geral de Polícia, bem como a de todos os Departamentos que compõem a Polícia Civil Bandeirante – cujos respectivos Diretores integram este Conselho –  sempre foi e sempre será feita de forma prudente e responsável, visando única e exclusivamente à manutenção e à eficiência dos serviços prestados à população do Estado de São Paulo.

Sala de Reuniões do Conselho da Polícia Civil, aos 26 dias do mês de julho do ano de 2017.

Polícia Civil de SP pode parar de funcionar se não houver reestruturação, diz delegado 40

PLANO DE CONTINGENCIAMENTO

CONJUR

25 de julho de 2017, 16h51

Por Brenno Grillo

O delegado-geral adjunto em exercício da Polícia Civil de São Paulo, Waldir Antonio Covino Junior, pediu que a diretoria da corporação elabore um plano de contingenciamento de verbas. Segundo ele, a Polícia Civil paulista não tem dinheiro.

Polícia Civil de São Paulo vai parar se não houver plano de contingenciamento de veba, diz delegado.
Reprodução

Ele afirma no texto que a situação é “delicada” e que procedimentos “para amenizar a situação” não tiveram sucesso, o que pode resultar em “quadro de absoluta indisponibilidade financeira, até mesmo para amparar despesas essenciais à manutenção de unidades existentes”.

Covino Júnior pede que a diretoria da Polícia Civil coordene a verificação das contas das “unidades de despesa” para, com base no dinheiro disponível e nos compromissos assumidos, “seja elaborado um plano de contingência, apresentando quais atendimentos serão suspensos e os períodos respectivos”.

Essas informações, segundo o texto, devem ser enviadas à diretoria até esta sexta-feira (28/7). O delegado adjunto em exercício dá exemplos de que soluções podem ser adotadas pela diretoria da corporação.

“Sem possibilidade de novas aquisições de materiais de consumo, quais unidades deverão ser temporariamente suspensas e a partir de qual data; sem recebimento de recursos suplementares para despesas com combustíveis, a partir de quando não será mais possível abastecer viaturas e aeronaves; sem disponibilização de recursos suplementares para despesas contratuais, quando serão suspensos os serviços e quais unidades deverão ter o funcionamento temporariamente suspenso.”

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo negou que faltem recursos e destacou que já foi feito pedido de suplementação orçamentária de R$ 4,1 milhões. Afirmou ainda que o pedido do delegado-geral adjunto em exercício foi “precipitado”.

“A SSP esclarece que não há falta de recursos para a Polícia Civil. A mensagem foi precipitada, uma vez que o secretário Mágino Alves Barbosa Filho já havia solicitado suplementação orçamentária à Secretaria da Fazenda, com aval da Secretaria de Planejamento e Gestão, e o crédito de R$ 4,1 milhões já foi aprovado”, disse o órgão.

Sindicato reage
Em nota, o Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo criticou a medida. Também questionou os motivos do ato, pois, ao mesmo tempo em que a Polícia Civil sofre com cortes de gastos, a Polícia Militar paulista vai receber 72 viaturas e foi autorizada a abrir concurso para cargos de 221 alunos oficiais e de 2,2 mil soldados.

“É uma vergonha para o estado mais rico da federação que a sua Polícia Judiciária atravesse quadro tão caótico por falta de investimentos, a ponto de sugerir a real hipótese de fechamento de unidades pela ausência de recursos”, afirmou a entidade. Disse ainda que essa situação é resultado da falta de vontade política.

Para 2017, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou orçamento de R$ 4,1 bilhões para a Polícia Civil. Desse total, R$ 202,8 milhões foram destinados a “administração geral” do órgão, R$ 86,7 milhões para gastos com pessoal e encargos sociais, R$ 116 milhões para outras despesas correntes e R$ 47,5 milhões para investimentos em expansão e adequação da infraestrutura.

Para Henrique Hoffmann, que é delegado da Polícia Civil do Paraná e colunista da ConJur, o meio para evitar situações como essa é dar à organização autonomia orçamentária. “Negar autonomia à instituição predestinada à investigação criminal significa abandonar a polícia judiciária à própria sorte”, disse em um de seus textos publicados no site.

Clique aqui para ler o pedido do delegado-adjunto em exercício.

Leia a nota do sindicato:

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo vem a público alertar a sociedade para a gravíssima situação financeira vivida hoje pela Polícia Civil. Nesta segunda, 24, diretores de todos os departamentos terão que elaborar plano de contingência visando informar, diante do iminente quadro de “absoluta indisponibilidade financeira e para amparar despesas essenciais à manutenção das unidades existentes, quais atendimentos serão suspensos e em que períodos”.

O comunicado aos diretores prossegue, detalhando: “sem possibilidade de novas aquisições de materiais de consumo, quais unidades deverão ser temporariamente suspensas e a partir de qual data; sem recebimento de recursos suplementares para despesas com combustíveis, a partir de quando não será possível abastecer viaturas e aeronaves; sem disponibilização de recursos suplementares para despesas contratuais (limpeza, impressão corporativa, manutenção predial ou de viaturas), quando serão suspensos os serviços e quais unidades deverão ter o funcionamento temporariamente suspenso”.

É uma vergonha para o Estado mais rico da Federação que a sua Polícia Judiciária atravesse quadro tão caótico por falta de investimentos, a ponto de sugerir a real hipótese de fechamento de unidades pela ausência de recursos.

O Governador Geraldo Alckmin alega que o Estado não possui recurso para investir como deveria na Polícia Civil, mas o que se vê é diferente: na manhã de hoje, no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin pretende entregar 72 viaturas para a Polícia Militar, autorizar abertura de concurso público para provimento de cargos de 221 alunos oficiais e de 2.200 soldados.

Qual a lógica das prioridades? Pelo visto, recurso há, mas falta vontade política. É preciso investir na Polícia Civil do Estado de São Paulo, a única capaz de desmantelar as quadrilhas que assolam a sensação de segurança da população, através de uma investigação criminal robusta e eficaz, e colaborar para uma sociedade mais justa”.

*Notícia alterada às 11h06 do dia 26 de julho de 2017 para inclusão de informações.

Do couro sai a correia – Quem quer policial diligente e honesto paga bem e em dia, do contrário autoriza a tropa ao butim 16

Processos contra policiais e bombeiros militares disparam no Estado do Rio

  • LUCAS VETTORAZZO

LUIZA FRANCO
DO RIO

25/07/2017 02h00

José Lucena – 20.nov.16/Futura Press/Folhapress
PM durante ocupação de Cidade de Deus, no Rio; processos contra policiais disparam no Estado
PM durante ocupação de Cidade de Deus, no Rio; processos contra policiais disparam no Estado
A Auditoria da Justiça Militar do Rio, órgão ligado ao Tribunal de Justiça do Estado, abriu 149 processos contra policiais e bombeiros militares por crimes como corrupção, extorsão e roubo neste ano. O volume, alcançado em abril, já é igual ao registrado ao longo de todo o ano passado.

Em casos como corrupção passiva, extorsão e roubo, os valores apurados nos primeiros quatros meses de 2017 já superam os de 2016.

Segundo levantamento do TJ-RJ, os processos abertos são relativos à prática da seis tipos de crimes: corrupção ativa, corrupção passiva, extorsão, extorsão mediante sequestro, roubo e roubo qualificado.

A grave crise fiscal que o Rio enfrenta tem gerado também o caos na segurança pública do Estado. O governo luta para pagar salários enquanto os índices de violência atingem patamares de quase uma década atrás. Até domingo (23), 91 PMs já tinham morrido no Estado.

Policiais estão sem receber o 13º salário de 2016 e sem horas extras por trabalho fora do regime de serviço. Há falta de equipamentos, como coletes, armas e munição, além de ser comum faltar gasolina para os veículos.

Criminosos aproveitam para expandir territórios, o roubo de cargas é frequente e surgem cada vez mais casos de corrupção policial.

No final de junho, 66 policiais de um batalhão em São Gonçalo, região metropolitana, foram presos sob suspeita de integrar quadrilha de venda de armas e prestação de serviço de segurança para traficantes. A investigação mostrou que PMs chegaram a “assaltar” uma boca de fumo e assumir a venda de drogas.

Parentes de militares ouvidos pela reportagem relatam que têm surgido casos de corrupção entre policiais até então honestos em razão da piora das condições de trabalho.

Sob condição de anonimato, dizem que em algumas UPPs da zona norte, policiais estão tendo que negociar com o tráfico para garantir a própria vida, por estarem em desvantagem. Aceitam propina porque, sem coletes, armamentos e carros, não faria sentido “trocar tiro com bandido”, disse a mulher de um PM.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, no entanto, a precária situação da segurança pública não é, por si só, motivo para o aumento de processos por corrupção.

Segundo o ex-capitão do Bope e consultor em segurança Paulo Storani, a má condição de trabalho policial é uma realidade há décadas no país. O aumento recente ocorreria em razão da maior apuração dos casos, tese encampada também pelos ex-comandantes gerais da PM Ubiratan Ângelo e Mário Sergio Duarte.

Na visão do sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio), a alta, nessa intensidade, não poderia ser explicada por uma mudança súbita na realidade policial, mas pelo incremento dos mecanismos de controle.

Ele, porém, acredita que a crise seja um dos ingredientes que levam ao momento que o Rio se encontra. “Acredito que tenha algum impacto na corrupção, mas não tão súbito nem tão intenso”, disse.

Assim como Cano, o promotor da Auditoria Militar junto ao Tribunal de Justiça, Paulo Roberto Cunha, responsável por denunciar PMs e bombeiros à Justiça estadual, diz que uma reunião de fatores leva ao aumento. Entre eles, justamente o enfraquecimento dos mecanismos de controle.

Ele cita que em 2015, por exemplo, a Policia Militar reduziu a quantidade de homens na Corregedoria. No ano seguinte, o número de inquéritos abertos contra militares, que girava em torno de 3.000 em 2013, foi para 4.000.

“Não dá para dizer que os casos aumentaram somente em função da crise, embora ela tenha sua parcela de responsabilidade nisso tudo. O cenário vai além das questões de condições de trabalho e aumento da violência em geral.”