Por medo de morrer, dezenas de funcionários têm dormido em alojamentos dos Centros de Detenção Provisória (CDP) 1 e 2 de Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Segundo o sindicato da categoria, a execução de três agentes e a descoberta de uma lista com 11 nomes jurados de morte causaram pânico, fazendo com que cerca de 60 carcereiros passassem a morar nas unidades prisionais.
Entre 17 de abril do ano passado e maio deste ano, três agentes penitenciários dos CDPs de Osasco foram assassinados com sinais de execução no caminho entre suas casas e o trabalho.
“Garanto que 50% dos funcionários não estão indo embora por receio de serem perseguidos no caminho para suas casas. Não temos proteção nenhuma”, diz o diretor de saúde do Sinfusfesp, Luiz da Silva Filho. Segundo ele, a situação também é tensa em outros presídios de São Paulo. “As cadeias estão superlotadas e o Judiciário é lento em liberar quem já cumpriu pena. Tudo pode acontecer”, diz.
A solução para a insegurança foi a transferência dos ameaçados.
“O local não oferece a menor condição de conforto e até de higiene. Estão todos amontoados. Os carcereiros vivem tão mal quanto os próprios detentos”, disse João Rinaldo Machado.
Rigor
“O sentenciado acha que a culpa pelas regras impostas na unidade é do agente e desconta em quem está mais perto”, diz Filho.
Atualmente, a população prisional do Estado de São Paulo é de quase 200 mil detentos. O sindicato estima em 30 mil o número de servidores. Segundo cálculos do sindicato, divididos em turnos, cada funcionário precisa cuidar de 32 presos. De acordo com o Sinfusfesp, seria necessária a contratação de 15 mil novos agentes penitenciários para suprir a carência.






