Policiais de SP suspendem greve por 48 horas e mudam proposta de reajuste
PAULO TOLEDO PIZAColaboração para a Folha Online
A Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo) decidiu suspender a greve em 48 horas a partir de quarta-feira (8) para abrir um canal de negociação com o governo.
Em uma reunião na tarde desta segunda-feira, a Adpesp apresentou a proposta que será encaminhada ao governo: 15% de reajuste ainda neste ano, aposentadoria especial de 30 anos de serviço; adoção de somente um adicional de local de exercício (atualmente são três valores); fim das quinta e quarta classes de delegados; estágio probatório a partir da terceira classe –primeiros três anos de carreira; 20% de aumento de salário entre as classes de delegados e incorporação de adicionais no salário.
Os dois dias de suspensão da paralisação serão usados, segundo a Adpesp, para a negociação com o governo. “Essa suspensão abre possibilidade de negociação. Se houver interesse do governo ele vai negociar”, disse Sérgio Marcos Roque, presidente da Adpesp.
Na semana passada, extra-oficialmente, os diretores dos Deinters (Departamento de Polícia Judiciária do Interior) e de integrantes de seccionais transmitiram aos policiais uma contraproposta do governo aos grevistas: 6,2% de reajuste, extinção das 4ª e 5ª classes de delegados e a redução de três para dois níveis de salários adicionais. Uma reunião entre os grevistas desta segunda-feira discutiu essa oferta do governo. O governo negou ter apresentado uma proposta à categoria.
Inicialmente, os policiais em greve reivindicavam reajuste de 60%. O movimento grevista alega que a categoria teve uma perda salarial de 96% entre abril de 1995 e julho de 2008. Após uma reunião no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), a reivindicação da categoria passou a ser de uma escala de reajustes que comece a vigorar já a partir deste ano, com 15%, seguido de 12% para 2009 e 12% em 2010.
A SSP, logo após o início da greve, divulgou um pacote de medidas que prevê aumento no piso salarial de todas as carreiras. Para os delegados o reajuste chegaria até 38%, investigadores 28% e médicos legistas e peritos 47%, com inclusões de benefícios.


