Excesso de trabalho motiva queixa ao disque-denúncia
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Arquivo/TodoDia Imagem
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Aviso em quadro no 2º DP de Hortolãndia explica situação da polícia
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Excesso de trabalho e expediente de até 22 horas. Esses foram alguns dos argumentos de um policial civil que resolveu denunciar a situação das escalas de plantão dos estabelecimentos policiais de Sumaré e Hortolândia. Ele classificou a situação de “trabalho escravo” e por isso resolveu fazer uma denúncia anônima pelo telefone 181, cuja sede é em São Paulo. As queixas foram repassadas para Delegacia Seccional de Americana para apuração do caso.A Assessoria de Imprensa da SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) confirmou que a denúncia foi feita em nome de “Pedro Júnior”, mas de acordo com o delegado Seccional de Limeira, Sebastião Antonio Mayrinques, que respondia interinamente pela Seccional de Americana na semana passada, não há nenhum policial com esse nome na região da sede americanense.
O delegado esclareceu que essa foi a única reclamação feita sobre o esquema de plantões e que “não é necessário se valer do anonimato para se obter qualquer informação das providências que estão sendo tomadas nos municípios ou para que possíveis casos de excesso de trabalho sejam averiguados”. Caso a pessoa se apresente, será prontamente ouvida e suas reclamações serão devidamente apuradas.
O TodoDia apurou que Hortolândia, que teve os serviços essenciais da Polícia Civil comprometidos depois das demissões de 31 servidores municipais cedidos à corporação, também teve de indicar um escrivão para permanecer 60 dias durante a Operação Verão, realizada em cidades litorâneas. Devido à falta de funcionários, os trabalhos em Hortolândia ficaram parados.
Os delegados também estão sobrecarregados. Hortolândia e Monte Mor têm quatro delegados atuando de forma contínua. Mesmo à distância, eles têm escalas de finais de semana de 60 horas ininterruptas. Com início às 18h de sexta-feira e término às 9h de segunda-feira. Houve casos em que o mesmo delegado realizou sete ou oito prisões em flagrante durante o período.
A centralização de atendimento à população na delegacia do município também acarretou excesso de trabalho. Os delegados do 1º e 2º distritos policiais concorrem em escalas de atendimento ao público na delegacia do munícipio, em plantões policiais e na presidência de inquéritos policiais e diligências que estão em tramitação nos distritos policiais.
Um policial civil de Hortolândia que pediu o anonimato disse que poderia entrar com uma ação judicial contra o Estado, mas tem medo de sofrer represália. “O resultado da ação é praticamente certo, assim como as perseguições e punições”, comentou. “Independente da quantidade do trabalho, os inquéritos têm prazos e se não forem cumpridos no tempo correto temos sindicâncias administrativas. A correição está próxima e nossa tensão só aumenta”, acrescentou.
Em Sumaré, o TodoDia apurou que somente um escrivão cuida do expediente da delegacia do município. Assim como em outras cidades conta com servidores municipais cedidos para reforçarem o baixo número de policiais civis em atividade.
FUNCIONÁRIOS
A SSP informou que ainda não há definição se os policiais em preparação serão encaminhados para a região da Delegacia Seccional de Americana. Somente depois das respectivas formaturas serão definidas as cidades que serão beneficiadas. No momento, estão em andamento, em fases diversas, os concursos para seleção e contratação de 1.449 investigadores, 864 escrivães e 369 policiais científicos, além de 2,5 mil policiais militares. O Detran (Departamento de Trânsito) abriu, em 20 de fevereiro, concurso público para o preenchimento de 1.733 vagas para o cargo de oficial administrativo. Desde o começo da gestão, em 2007, cerca de 13 mil novos policiais civis e militares, entre os efetivamente contratados e as vagas autorizadas em concursos. No dia 30 de janeiro, 194 delegados foram empossados. No último dia 4, 68 peritos criminais e 21 desenhistas técnico-periciais tomaram posse.

GABINETE DO DELEGADO PLANTONISTA…



