Região de Americana tem déficit de 61% no quadro da Polícia Civil, diz sindicato…Pois é, as bocas ricas estão superlotadas ! 4

 

Atualmente, das 548 vagas abertas, somente 212 estão preenchidas, segundo levantamento de sindicato

Por Cristiani Azanha

18 de janeiro de 2024, às 08h19 • Última atualização em 18 de janeiro de 2024, às 08h22

“defasômetro”, divulgado pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), apontou um déficit de 61% no quadro da Polícia Civil somente na região atendida pela Delegacia Seccional de Americana, que também responde por Sumaré, Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Nova Odessa, Artur Nogueira, Cosmópolis, Monte Mor e Engenheiro Coelho.

De acordo com o levantamento da entidade, faltam 336 pessoas no efetivo entre delegados, escrivães, investigadores, agentes policiais, agentes de telecomunicações, papiloscopistas e auxiliares de papiloscopistas. Atualmente, das 548 vagas, somente 212 estão preenchidas na região.

Os dados apontam ainda que, dos 58 delegados necessários, somente 26 ocupam o cargo. A situação é ainda pior para os escrivães, que somam 55 em atividade, de um total 136 vagas. Já no caso dos investigadores, trabalham 76 de 198 que deveriam estar na função.

A presidente do Sindpesp, Jacqueline Valadares, defendeu que o quadro reduzido afeta a força de trabalho, compromete o rendimento e ainda sobrecarrega as equipes que estão na ativa, que, por sua vez, sofrem com o estresse e têm a saúde mental abalada.

“Afinal, sem Polícia Civil, não há investigação. Inquéritos podem ficar sem andamento, sem solução”, observou Jacqueline.

O especialista em segurança pública e ex-delegado da Seccional de Americana, Roberto José Daher, compartilha a análise da sindicalista e entende que nos últimos 25 anos a categoria vem sentindo os reflexos da falta de investimentos do Estado.

 

“Ao longo dos anos, os governantes investiram muito mais na Polícia Militar do que na Polícia Civil, porque a PM, por ser um policiamento preventivo ostensivo, aparece mais e até se justifica, porque dá uma sensação de segurança maior quando se vê muitas viaturas nas ruas. No entanto, não se investiu na polícia de repressão, a Civil, que atua depois da ocorrência do crime, pois é a polícia investigativa que efetivamente traz o resultado”, completa o especialista.

OUTRO LADO

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) esclareceu que a recomposição e valorização do efetivo policial são prioridades da pasta, que reconhece o atual déficit da Polícia Civil, que se encontra em 34,6% no Estado, e está empenhada em implementar uma série de ações para reverter essa situação.

Neste momento, estão em andamento concursos para preenchimento de mais de 14,7 mil vagas em diversas carreiras, incluindo policiais civis, delegados de polícia, escrivães e investigadores. Essa iniciativa visa fortalecer e revitalizar os quadros, promovendo uma atuação mais eficaz e eficiente no combate à criminalidade