Secretário de Segurança de SP quer armas mais potentes 156

Terra

O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), Mágino Alves Barbosa Filho, disse nessa segunda-feira (11) que está negociando com o Exército para que possa fazer licitação internacional para compra de armamentos – atualmente as polícias do País só podem comprar da indústria nacional – e também para ter acesso a “calibres mais potentes”. Para ele, esses dois itens estão entre as soluções que garantiriam a segurança da população e aumentaria a sensação de segurança. A declaração foi feita durante um evento na Associação Comercial de São Paulo.

São Paulo- SP- Brasil- 16/05/2016- O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta segunda-feira (16) a escolha do procurador de Justiça Mágino Alves Barbosa Filho para ser o novo secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Ele substituirá Alexandre de Moraes, que assumiu o ministério de Justiça e Cidadania. "O Dr. Mágino tem grande experiência na área criminal. Ele dará continuidade ao trabalho desenvolvido pelo dr. Alexandre em benefício do nosso Estado", declarou o governador. Foto: GESP

Foto: GESP
Segundo Mágino, a polícia de São Paulo tem o melhor armento que é autorizada a comprar, mas, para ele, isso não é suficiente: “Nós vamos ter até uma reunião essa semana com o Comando de Logística do Exército para tratar da venda de outros tipo de calibre e outros tipos de armamento, permitir que façamos licitação internacional para aquisição de armamentos”, disse. “Quanto ao calibre, o calibre também é o que é autorizado. Isso nós também estamos negociando com o Exército para que tenhamos acesso a calibres mais potentes”.

O secretário disse que sua gestão à frente da SSP-SP será de continuidade do que estava sendo feito pelo ex-secretário Alexandre de Moraes, que hoje é Ministro da Justiça. Mágino era secretário-adjunto na gestão anterior e disse que os serviços eram feitos “a quatro mãos”, referindo-se ao trabalho conjunto que tinha com Moraes.

Bases comunitárias

Mágino disse ainda que o modelo de base comunitária não é a melhor forma de policiamento. “Um pedido recorrente da sociedade civil [é a] instalação de uma base comunitária da Polícia Militar em tal região. Isso vai dos Jardins a Sapopemba, é um pedido que é uniforme, em todos os setores da sociedade. Esse pedido hoje dificilmente vai ser atendido”, disse o secretário.

Segundo o secretário, é muito mais ágil ter um policiamento de duas horas, com motos, do que um policiamento estático. De acordo com Mágino, os policiais que permanecem em uma base comunitária ficam “presos”, enquanto poderiam estar em um atendimento de ocorrência na região. Ele diz que a sensação de segurança para a sociedade é gerada pela presença da polícia na rua.

Letalidade policial

Nos últimos meses, dois casos de assassinato tiveram destaque na imprensa. No dia 2 de junho, Ítalo, uma criança de 10 anos e um amigo da mesma idade furtaram um carro na garagem de um condomínio no bairro Morumbi. Os policiais perceberam o furto e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios. Ítalo foi baleado pelos PMs e morreu no carro.

Em 27 de junho, o estudante Julio César Alves Espinoza foi baleado por policiais durante uma perseguição. Ele morreu no hospital na manhã seguinte. Questionado pela reportagem da Agência Brasil sobre a insegurança transmitida pela própria corporação após casos como esses, o secretário respondeu que “eu não posso aceitar a afirmação de que a polícia mata”.

“A polícia de São Paulo enfrenta situações de confronto com criminosos, responde da forma menos letal possível e isso vem sendo demonstrado com a redução do número de eventos letais no estado de São Paulo pelo menos nos dois últimos anos”, disse Mágino. Apesar da diminuição nos índices de letalidade policial, ele diz que “o número de confrontos é que aumentou absurdamente nesse período”.

Delegado-geral de SP contesta reportagem sobre elo com a Lava Jato 61

painel do leitor – Folha de S. Paulo

O Delegado Geral de Polícia de São Paulo, Youssef Abou Chahin, repudia a forma leviana, tendenciosa e equivocada da reportagem “Delegado-geral de SP é investigado por relações com delatores da Lava Jato”, que tenta relacionar seu nome, de maneira irresponsável, com irregularidades inexistentes. A reportagem se baseia em uma investigação do Ministério Público de Estado de São Paulo que já foi concluída e está para ser arquivada pela Justiça. No dia 30 de junho último, o subprocurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, Nilo Spinola Salgado Filho, propôs o arquivamento do caso à Justiça por não existir quaisquer indícios de relacionamento do Delegado Geral com atos praticados por dois delatores da Lava Jato. Cabe destacar que a Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado de São Paulo permite que policiais civis possam tem participação acionária em empresas, desde que não sejam administradores.

No despacho, o Subprocurador afirma textualmente que o arquivamento, que já estava proposto, não foi abalado pela reportagem televisiva veiculada pelo Jornal da Band, em 16 de junho de 2016, relacionada com o mesmo tema. Portanto, é inverídica a informação da reportagem de que o Ministério Público de São Paulo teria desistido do arquivamento. Outro equívoco cometido pelo autor da reportagem foi a afirmação de que o “delegado havia saído formalmente da Oregon Blindados porque sua participação era investigada pelo Estado (….) porque o então chefe do Deic (Departamento de Estadual de Investigações Criminais) participava de uma empresa de segurança privada”, o que poderia configurar conflito de interesses. No entanto, a Oregon Blindados nunca atuou no ramo de segurança privada. Youssef Chahin transferiu suas cotas em 2008. Não houve qualquer contato do repórter Reynaldo Turollo Jr com a DGP nas últimas semanas. Se procurada, teria informado da propositura de arquivamento da investigação pelo Ministério Público e sua matéria não teria mais fundamento para publicação.

FABÍOLA DE OLIVEIRA ALVES, delegada de polícia da comunicação da Delegacia-Geral de Polícia (São Paulo, SP)

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RESPOSTA DO JORNALISTA REYNALDO TUROLLO JR.- As apurações do Ministério Público estadual e federal são mencionadas, mas não são o fundamento da reportagem, diferentemente do que diz a missivista. O texto é sobre as relações de Youssef Chahin com dois delatores da Lava Jato e não faz insinuações.

A saída de Chahin da Oregon Blindados ocorreu em 2007, seis dias após a Folha revelar que a empresa anunciava serviços de segurança privada, como atuação em casos de sequestro.

Hoje, estão em andamento duas apurações sobre as empresas de Chahin ligadas aos delatores: uma no MPF e outra no Ministério Público do Estado, na área cível. Sobre o inquérito criminal no órgão estadual, os responsáveis haviam desistido de arquivá-lo, mas voltaram atrás e pediram à Justiça novo arquivamento. A informação foi corrigida no texto.