Olimpíada à brasileira: policiais da Força Nacional estão passando fome em ambientes insalubres 37

Agentes da Força Nacional ameaçam abandonar segurança da Olimpíada

MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO

13/07/2016 13h45

força

Policiais e bombeiros da Força Nacional que estão no Rio para a Olimpíada realizaram protesto na tarde desta terça (12) por atraso nos pagamentos das diárias e pelas más condições dos apartamentos em que estão alojados, na zona oeste da cidade.

Atualmente, são 3.000 servidores da Força no Rio. Outros 3.000 chegarão à cidade para os Jogos. A Força Nacional será responsável pela segurança no interior das arenas e na área entorno dos locais de competição.

Os agentes da Força estão em apartamentos de dois quartos do programa Minha Casa, Minha Vida. Como vizinhos há favelas dominadas por milicianos e por traficantes da facção Comando Vermelho. No imóvel, recém-entregue, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, não há chuveiro ou camas. Por isso, há servidores dormindo no chão.

Na reunião desta terça, os agentes pedem uma solução até a sexta (15). Caso não aconteça, prometem pedir baixa e retornar aos seus Estados.

O governo federal já enviou à tropa informações de que solucionará o problema até quinta (14). Nesta manhã de quarta (13), o secretário nacional de Segurança Pública, Celso Perioli, se reuniu em Brasília com representantes da categoria para tentar resolver o problema. Oficialmente, o Ministério da Justiça ainda não se pronunciou.

“Eles fizeram panelaço nesta terça e alguns estão pedindo para ir embora, desmobilizando. O que acontece ali é um absurdo. Existe hoje no Brasil uma falta de respeito das autoridades com os direitos dos trabalhadores da segurança pública”, afirmou o cabo Elisandro Lotim, presidente da Associação Nacional dos Praças, entidade que representa soldados, cabos, sargentos e subtenentes da PM e do Corpo de Bombeiros.

“Os policiais estão passando fome em ambientes insalubres. E isso na preparação para um evento como a Olimpíada”, disse.

Há um ano, o planejamento era que 9.600 agentes da Força Nacional fossem deslocados para o Rio para atuar na Olimpíada. Serão apenas 6.000. A apresentação do grupo aconteceu no último dia 5 e contou com a presença do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

Por conta do efetivo, abaixo do previsto, as escalas de trabalho estão em 12h com 24h de folga. A Folha apurou que o comando da Força no Rio promete mudar a escala até o dia 30 de julho, mas que voltará ao horário atual a partir de 1º de agosto, quatro dias antes da abertura da Olimpíada.

Em cada apartamento usado como alojamento há seis policiais ou bombeiros.

Todos receberam os imóveis sem chuveiros. Os colchões foram comprados pelos servidores que improvisam armários com sapateiras ou espalham as roupas pelo chão. Alguns apartamentos têm vazamento nas paredes ou têm as pias entupidas. A água é cortada constantemente, já que a concessionária de água realiza ajustes no condomínio recém concluído.

Na madrugada de segunda (11), alguns policiais foram para as janelas durante a madrugada e começaram a gritar pedindo por água. Segundo bombeiros, que pediram para não serem identificados, eram 3.000 agentes nas janelas.

DIÁRIA

Outra preocupação do grupo tem sido o pagamento das diárias. Em missões, os integrantes da Força recebem R$ 220 por dia. Para a Olimpíada, a promessa é de que o vencimento será dobrado. Nesta terça, boa parte da revolta dos agentes era que não haveria o pagamento dobrado.

Um policial do Rio Grande do Norte conta que o grupo que veio do Estado pensava com a Olimpíada garantir um melhor salário, mesmo que temporário, mas que há colegas que até agora sequer receberam a diária paga em missões. Um outro de Santa Catarina lamenta a situação que chama de “bagunça”.

Ele ainda conta que as comidas servidas nas arenas, neste período pré-Olimpíada, chegam azedas ou com pouca variedade: só carne e arroz. Segundo o agente, quem está de folga precisa procurar por alimentação já que, diferente do combinado, não há “quentinhas” para todos os policiais e bombeiros que estão no Rio.

Grande SP tem quatro crimes contra policiais civis e GCMs 57

DE SÃO PAULO
DO “AGORA”

12/07/2016 21h23 – Atualizado às 21h37

Entre a noite de segunda-feira (11) e a manhã de terça-feira (12), a região metropolitana de São Paulo registrou quatro crimes contra policiais civis e guardas-civis metropolitanos, incluindo latrocínio e tentativa de assalto.

Desta vez foram registrados ataques a guardas-civis e policiais civis. Na Vila Leopoldina, zona oeste da capital, um policial civil foi morto com dois tiros nas costas.

Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública do Estado de SP, o agente Edson da Silva Júnior, 50, chegou a um bar na avenida José César de Oliveira e estacionou o veículo oficial a poucos metros, às 22h48 de segunda-feira (11). Imagens das câmeras de segurança do bar mostram que ele se envolveu em uma briga corporal com três homens e foi atingido por disparos de dois indivíduos diferentes –o segundo a atirar levou a pistola do policial.

Júnior morreu no local. Sua carteira funcional também não foi encontrada. O dono do bar e um funcionário foram ouvidos pela polícia, mas disseram que não presenciaram a discussão e que não sabiam informar a identidade dos envolvidos. O caso foi registrado pelo DHPP como latrocínio (roubo seguido de morte).

ASSALTO

Em Colônia (zona leste), um guarda-civil de 51 anos reagiu a uma tentativa de assalto na madrugada desta terça-feira (12) e matou um dos criminosos. O fato ocorreu na rua Chubei Takagashi.

De acordo com a Secretaria, o GCM ia ao trabalho de carro por quando teve o caminho bloqueado na rua por um Corsa prata, na contramão, às 5h18. Quatro homens desceram do veículo e, segundo o guarda, informaram se tratar de um assalto. Ele então abriu a sua porta e disparou três tiros, atingindo um deles, Wilson Edilson Carlos de Oliveira, de 18 anos.

Os demais fugiram no Corsa, que foi encontrado abandonado na avenida Souza Ramos, em Guaianases, a 2,5 km. O veículo tinha sido roubado pouco antes –o dono, após ser assaltado, seguiu a pé e pouco depois encontrou o jovem atingido pelo GCM na rua, e o reconheceu como um dos assaltantes. O rapaz foi levado ao hospital Planalto, onde morreu.

OUTROS CASOS

Um policial civil foi baleado por bandidos na manhã de terça, na Penha (zona leste), por volta das 7h30. De acordo com a polícia, ele teria reagido a um assalto e estava em um carro descaracterizado da corporação. O policial estaria trabalhando disfarçado e, após sair de uma padaria, na avenida Cangaíba foi abordado por dois homens, quando já estava dentro do veículo.

Ele não reagiu, mas, segundo relato de uma testemunha, um dos homens reconheceu o rádio policial instalado no carro e atirou. A dupla fugiu sem levar nada. O policial está internado em estado grave, com uma bala no abdômen.

Em Diadema (Grande SP), às 5h50, dois guardas-civis que iam trabalhar foram abordados por um carro e uma moto. Houve troca de tiros e além do suspeito morto, um dos agentes foi ferido.

Na madrugada de segunda, duas bases da Polícia Militar foram alvo de ataques em bairros da periferia de São Paulo por criminosos sobre motos, sem feridos.

Não há suspeitos das ações. Questionada, a Secretaria da Segurança Pública afirma que “rechaça qualquer possibilidade de ligação” entre os crimes. O órgão exclui, também a hipótese de participação do crime organizado nas ações.