SEGURANÇA ZERO – Delegado do Deinter 5 – Departamento que nutre ÓDIO AO DIREITO DE INFORMAÇÃO – é morto com requintes de crueldade depois de deixar uma festa vespertina 25

Delegado do Deinter 5 é morto a tiros e encontrado às margens de rodovia

Guerino Solfa Neto tinha fio amarrado nas mãos em vicinal de Rio Preto.
Caminhonete, carteira e documentos da vítima foram roubados.

Renata Fernandes*Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Guerino Solfa Neto era chefe do Setor de Inteligência do Deinter-5 (Foto: Reprodução/Facebook)Guerino Solfa Neto era casado e deixa uma filha de 8 anos (Foto: Reprodução/Facebook)

O delegado do Deinter-5 Guerino Solfa Neto, de 43, anos, foi encontrado morto, com um fio de celular amarrado em uma das mãos e com marcas de tiros às margens de uma vicinal da rodovia Washington Luís, em São José do Rio Preto (SP), na noite deste sábado (25).

De acordo com o delegado assistente do Deinter-5, Raymundo Cortizo, por volta das 19h30 o Copom recebeu uma ligação de que havia um homem amarrado e sangrando na rodovia. No local, havia oito cápsulas de pistola .40 deflagradas, mesmo calibre da arma usada pelo delegado assassinado.

Segundo Cortizo, o delegado saiu de uma festa por volta das 18h em sua caminhonete. Uma das suspeitas da polícia é latrocínio. já que caminhonete, carteira e documentos de Guerino foram levados, mas Cortizo não descarta a possibilidade de um crime encomendado.

Local onde delegado foi encontrado assassinado  (Foto: Renata Fernandes/G1)Local onde delegado foi encontrado assassinado
(Foto: Renata Fernandes/G1)

A polícia recebeu a informação de que a caminhonete do delegado foi abastecida em um posto de Itirapina (SP), a 250 quilômetros de Rio Preto, por um rapaz que saiu do local sem pagar pelo combustível.

Abalado, Cortizo diz que há uma mobilização de delegados no Estado para identificar o assassino. Guerino atuava na Unidade de Inteligência Policial (UIP) do Deinter-5, como delegado interino nas delegacias de Pedranópolis (SP) e Fernandópolis (SP), além de ser conhecido na região pelo combate ao tráfico de entorpecentes. Ele era casado e deixa uma filha de 8 anos. O corpo será velado no Cemitério Jardim da Paz, onde ocorrerá o enterro às 17h.

*Com Janaina de Paula/TVTEM

Delegado era responsável pela Unidade de Inteligência da Polícia Civil  (Foto: Monize Poiani/TV TEM)Delegado era chefe do Setor de lnteligência do Deinter-5 (Foto: Monize Poiani/TV TEM)

 

Polícia Militar quer a Ouvidoria da Polícia ocupada por bate-pau nomeado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) 41

‘Bancada da bala’ tenta tirar poderes de ouvidoria da polícia de SP

ROGÉRIO PAGNAN
FOLHA DE SÃO PAULO

Um projeto do ex-comandante da PM de São Paulo coronel Alvaro Camilo (PSD) integrante da “bancada da bala” da Assembleia Legislativa, tenta reduzir os poderes e a autonomia da Ouvidoria da Polícia –órgão de controle da atividade policial.

A proposta foi apresentada na semana passada, após declarações do ouvidor, Julio Cesar Fernandes Neves, que colocou sob suspeita a ação policial que terminou na morte de um menino de 10 anos, no Morumbi (zona oeste).

Jorge Araújo/Folhapress
Julio Cesar Fernandes Neves, ouvidor da Polícia de São Paulo
Julio Cesar Fernandes Neves, ouvidor da Polícia de São Paulo, em entrevista à Folha

“Este fato foi a gota d’água. Mas é pelo conjunto da obra”, justifica Camilo, que integra a base de apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB). O projeto apresentado pelo coronel que comandou a PM –nas gestões José Serra, Alberto Goldman e Alckmin– deverá passar agora por comissões antes de ser votado na Assembleia Legislativa.

Ele prevê mudanças na escolha do ouvidor e facilita a sua destituição do cargo. Camilo afirma já ter apoio de outros deputados ligados à área da segurança pública, como Coronel Telhada (PSDB) e Delegado Olim (PP).

Pela proposta, não haverá mais poder do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana) de indicar nomes para a função. Esse conselho, formado por integrantes da sociedade civil, da Assembleia, Defensoria, OAB, Ministério Público e Justiça, é responsável pela indicação de uma lista tríplice –a partir da qual um representante é escolhido pelo governador do Estado.

“Ele [Condepe] é um órgão importante, só que ele não tem sido feliz na escolha da lista de indicações para ouvidor”, afirma Camilo.

Além de delegar a escolha só ao governo, a proposta do deputado ainda prevê dispositivo que permite a exoneração do ouvidor no meio do seu mandato em caso de “abuso de poder, conduta incompatível ou grave omissão nos deveres da função”.

O ouvidor, após ser nomeado pelo governador, permanece atualmente no cargo por dois anos. Pode ser reconduzido por mais dois anos.

Neste mês, Camilo enviou uma carta a Alckmin pedindo a exoneração do ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves. O deputado diz que tem feito críticas desde 2015 porque “ele está prejulgando”. “Sem ter conhecimento total dos fatos, ele vai até a mídia e faz críticas à Polícia Militar”, afirma. “Eu sou a favor da Ouvidoria, sou a favor da transparência. Mas sou contra a pessoa despreparada para esse cargo.”

Neves diz que a proposta é uma clara tentativa de acabar com a independência da Ouvidoria e mostra como os oficiais da PM têm dificuldade de lidar com fiscalização. “Se isso prosperar, estamos colocando em risco a democracia”, afirmou ele, advogado militante aos direitos humanos desde os anos 1970.

O advogado Ariel de Castro Alves, integrante do Condepe e que concorreu à vaga de ouvidor, diz que a proposta é uma afronta aos direitos humanos. “Eles querem um ouvidor que só ouve e não fala nada. É uma censura. Isso não pode ser aceito. Abriria um precedente muito perigoso.”


Bate-pau: cidadão que presta “serviços honorários” aos órgãos policiais.