CASO BRIAN – AÇÃO ARTICULADA DA PM DESTRÓI PROVAS E OBSTRUI JUSTIÇA 27

O FUZILAMENTO DE BRIAN: “ELES EXECUTARAM MEU FILHO”

AÇÃO ARTICULADA DA PM DESTRÓI PROVAS E OBSTRUI JUSTIÇA

Fotos do perfil do Facebook de Brian Cristian Bueno da Cruz

Fotos do perfil do Facebook de Brian Cristian Bueno da Cruz

Reportagem de Mauro Lopes e edição de vídeo de Iolanda Depizzol, especial para Jornalistas Livres

A pequena Santa Cruz do Rio Pardo, de menos 50 mil habitantes, no interior de São Paulo, está em profunda comoção, em estado de choque. O jovem Brian Cristian Bueno Silva, de 22 anos, muito querido na cidade, foi assassinado a queima-roupa por um PM na quarta-feira da última semana (8). “Eles executaram meu filho”, diz, desconsolada, Valdinéia Pontes, mãe do jovem.
Brian foi assassinado dentro do carro em que estava com mais quatro amigos quando saíam da FAIP (Feira Agropecuária e Industrial), em Ourinhos, na madrugada de quarta-feira, cerca de 2h30. As cidades são bem próximas, a cerca de 30 km uma da outra, e ambas distam mais de 350 km da capital.
A cena da execução é brutal, incompreensível. Leia a seguir e assista os vídeos com os depoimentos da mãe de Brian e de Jonas Luis, um dos amigos que estava no carro:

Os rapazes saíram da feira pela avenida Jacintho Sá, uma das principais de Ourinhos, que estava congestionada. Brian conhecido como brincalhão, sentado ao lado do motorista, esticou o braço para fora do carro e ergueu um cone de sinalização. Os amigos avisaram-no de que havia polícia à frente e ele pousou o objeto no chão. Imediatamente aproximaram-se dois PMs do carro, um de cada lado, um com uma lanterna nas mãos e outro, Luís Paulo Izidoro, de arma em punho. O testemunho do amigo Jonas Luís no vídeo: “Veio o policial do lado do Brian e tentou tirar ele pela janela (do carro); pegou no colarinho dele, na blusa, e aí eu ouvi o disparo. Eu até pensei que ele tinha atirado pro alto ou pro chão, pra qualquer lugar, menos pro carro”. A bala atingiu Brian no pescoço.
O que se viu a seguir foi, na definição do advogado Lúcio França, foi uma verdadeira “operação orquestrada de acobertamento, destruição de provas, obstrução da Justiça” encetada pela PM em Ourinhos. França é conselheiro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (CONDEPE) e membro do Tortura Nunca Mais e esteve em Ourinhos e Santa Cruz do Rio Pardo, onde conversou e entrevistou a mãe, parentes e amigos de Brian. O que fez a PM depois do assassinato do jovem? A sequência é aterrorizante:
1. O PM assassino desapareceu em segundos do local;
2. Grupos de PMs chegaram em menos de dois minutos e levaram o carro onde foi morto Brian embora e o lavaram – uma ação ilegal de destruição da cena do crime;
3. A PM não acionou a Polícia Civil – “o delegado de Ourinhos só ficou sabendo do crime porque foi avisado por uma funcionária da Santa Casa”, relatou França;
4. Quando a Perícia da Polícia Civil chegou ao lugar, muito depois do razoável, pela ocultação da PM, não existia mais a cena do crime;
5. Os PMs arrancaram as câmeras da rua e das casas comerciais ao redor e desapareceram com elas, em mais um crime de obstrução da ação da Justiça, segundo o advogado do CONDEPE.
6. A comandante da PM na cidade, a tenente-coronel Cenise Araújo Calasans, afirmou em entrevistas seguidas à imprensa local que o fuzilamento de Brian foi um acidente, buscando minimizar o assassinato.
7. O assassino, preso pela Polícia Civil por homicídio culposo (sem intenção de matar), conduzido ao Presídio Militar Romão Gomes, no Jardim Tremembé (zona norte de SP), já estaria de volta à cidade, segundo informação de parentes de Brian.
Lucio França disse que o clima em Santa Cruz do Rio Pardo é de indignação, comoção e medo: “Mataram um jovem de 22 anos, arrimo de uma família paupérrima, alegre, de bem com a vida, num ato inominável”.

( O assassino foi preso em flagrante por crime culposo pela própria PM, só depois o fato foi noticiado à Polícia Civil sem apresentação do criminoso e omissão de sua identidade )

CICLO COMPLETO DOS EMBUSTEIROS – Comando da PM oculta imagens da execução de rapaz ; coronel que lavrou o flagrante por homicídio culposo está muito sensibilizada com a “fatalidade” 55

Polícia Civil vai à Justiça em Ourinhos contra a PM por imagens de morte de jovem

Wagner Carvalho
Colaboração para o UOL, em Bauru

13/06/201619h41

  • Brian da Silva, jovem que foi morto pela PM em Ourinhos

    Brian da Silva, jovem que foi morto pela PM em Ourinhos

A Polícia Civil de Ourinhos (a 374 km de São Paulo) informou que vai acionar a Justiça para ter acesso às imagens de um circuito de segurança que registraram toda a ação de uma abordagem policial que acabou na morte de um jovem de 22 anos na quarta-feira (8). O delegado responsável pelo caso informou que essas imagens são essenciais para a investigação.

O delegado João Beffa, responsável pelas investigações, disse que há dias solicita ao comando da PM (Polícia Militar) no município a entrega das imagens, mas sem resultado. Várias testemunhas foram ouvidas no caso, inclusive parentes da vítima. No entanto, A polícia não ouviu ainda o comando da PM em Ourinhos, nem o policial envolvido no crime.

A reportagem tentou entrar em contato com a o comando 31º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I) e com a assessoria de imprensa da PM em São Paulo, mas não obteve resposta sobre os motivos para a demora na entrega das imagens.

O policial que fez o disparo foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, de acordo com informações da PM de Ourinhos, e encaminhado ao presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.

Entenda o caso

Brian Cristian Bueno da Silva, 22 anos, morador de Santa Cruz do Rio Pardo, cidade vizinha a Ourinhos, estava com mais quatro amigos em um veículo trafegando pela avenida Jacinto Ferreira de Sá, via de acesso a uma feira agropecuária que acontecia no município.

Segundo a comandante do 31º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Cenise Araújo Calasans, um dos policiais avistou o carro ocupado pelos jovens seguindo em direção à feira e deu ordem de parada ao motorista, que obedeceu.

“Os policiais observaram que os indivíduos que estavam dentro do carro pegavam cones de sinalização de rua e tiravam do posicionamento”, afirmou.

Durante a abordagem, de acordo com a coronel Calazans, um segundo policial se posicionou ao lado do colega, com arma em punho e determinou que os jovens saíssem do carro para que fosse iniciada uma vistoria pessoal e a vistoria no veículo.

De acordo com os amigos que estavam com Silva no veículo, ao avistar o policial com a arma em punho, ele ergueu os braços para mostrar que não tinha armas. Foi nesse momento que ocorreu o disparo, que atingiu o pescoço do jovem.

A comandante do batalhão conta que o soldado alegou que estava com a arma em posição de segurança, com o cano apontado para baixo. Como a vítima estava sentada, o projétil atingiu seu pescoço e saiu abaixo do braço esquerdo.

“O policial não declara que teria acionado o gatilho. E também não teria nem motivo para fazer isso porque os jovens não se recusaram a sair do carro ou tentaram fugir. Foi uma coisa muito rápida”, diz a comandante da PM.

Nenhum dos ocupantes do veículo tinha passagem pela polícia. Brian Silva era funcionário da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo e morreu antes de chegar à Santa Casa de Ourinhos.

Duas vidas foram atingidas’, afirma a comandante do 31º BPM-I de Ourinhos

Para a comandante do 31º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Cenise Araújo Calasans, essa ocorrência trágica afeta de forma direta a vida de dois jovens – o que morreu baleado e o autor do disparo, considerado por ela acidental. “Entendemos que houve uma fatalidade nessa ocorrência. Esse profissional de polícia é um profissional jovem, que não tem outros antecedentes nesse sentido”, alega.

“A gente percebe que são dois jovens que tiveram a vida atingida. Um, infelizmente, faleceu, mas o outro também está bastante abalado com o ocorrido. Nós lamentamos tudo isso. Não nos engrandece. Estamos muito tristes e preocupados com essas famílias. A gente fica pensando o que será dessas famílias e, nesse momento, pedimos sinceramente forças a Deus para que ele possa dar o alento nesse momento difícil que estão passando”.


Esse “profissional” de polícia não pensou na própria família, muito menos na família da vítima ao cometer o crime. 

Deve sofrer vitaliciamente pelos seus atos!

Além de cadeia e demissão deve indenizar moral e materialmente a família do morto e os cofres públicos ( o nosso dinheiro  que a Fazenda desembolsará indenizando os pais ).

No popular: TEM QUE SOFRER! 

Quem morre,  morre pra sempre… 

Culpar a Taurus não gruda mais.

Quanto à conduta da Drª. Coronel: o que diria ela se um “profissional” de polícia metesse a pistola na cara de um filho seu e diante de um gesto do “abordado” efetuasse um disparo fatal ?

Homicídio culposo na polícia – de regra – só motorista de viatura pode cometer.

De resto, tudo pela maior gloria da sacrossanta PM. 

BO morte em Ourinhos – PM desrespeita Resolução SSP-110, de 19-07-2010, para beneficiar policial que cometeu homicídio doloso 37

GABINETE DO SECRETÁRIO
Resolução SSP-110, de 19-07-2010
 
Disciplina o procedimento em ocorrências que envolvam crimes dolosos contra a vida, praticados por policiais militares contra civis.
Considerando a necessidade de padronizar o procedimento a ser adotado nas ocorrências que envolvam crimes dolosos contra a vida, praticados por policiais militares, eliminando interpretações geradoras de desinteligências entre a Polícia Civile a Polícia Militar;
Considerando ser indevida a condução de autores desses crimes, em razão de prisão em flagrante delito,às unidades da Polícia Militar, para a prática de atos de polícia judiciária militar, causando embaraços e prejuízos à imediata
coleta de provas e demais providências a cargo da autoridade policial civil, o Secretário da Segurança Pública, resolve:

Artigo 1º – Nos crimes dolosos contra a vida, praticados por policiais militares contra civis, os autores deverão ser imediatamente apresentados à autoridade policial civil para as providências decorrentes de atividade de polícia judiciária, nos termos da legislação em vigor (art. 9º, parágrafo único do

Código Penal Militar e art. 10, § 3° c/c art. 82 do Código de Processo Penal Militar);

Artigo 2º – a imediata apresentação determinada pelo artigo anterior não inibe a autoridade de polícia judiciária militar de instaurar, por portaria, Inquérito Policial Militar (IPM) para apuração de eventuais delitos conexos, propriamente militares, dada a imperiosa cisão das ações penais no concurso de crimes comuns e militares, a teor do disposto no art. 79, inc I, do CPP e art. 102, alínea “a” do CPPM.

Artigo 3º – Esta Resolução passa a vigorar na data de sua publicação.

OURINHOS.pdf