Delegada da DISE de Sorocaba vai trabalhar com AUDI extorquido 43

Delegada e quatro investigadores vão ser julgados por susposta extorsão a traficantes

28/11/15 | Wilson Gonçalves Júnior – wilson.junior@jcruzeiro.com.br Ricci Anzuino – FÁBIO ROGÉRIO / ARQUIVO JCS (17/7/2015)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/Sorocaba) pediu à Justiça que a delegada Simona Ricci Anzuino e os investigadores João Paulo Heitaro Abe, Giuliano Roberto Marcon, Ramon Bachiega Angelini e Ricardo Shulze sejam condenados a prisão pelos crimes de extorsão, associação criminosa e falsidade ideológica. Segundo a acusação, a delegada e os investigadores, que em 2007 atuavam na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecente (Dise) de Sorocaba, teriam recebido propina de R$ 34 mil e mais um veículo Audi em troca da liberdade de duas das três pessoas que foram levadas à delegacia, após um flagrante de tráfico de drogas. Conforme a denúncia, apresentada pelo MP e acatada pela Justiça, os dois traficantes ficaram detidos na delegacia até que o pagamento fosse feito, e o boletim de ocorrência não trouxe nenhuma informação de que essas pessoas tivessem estado no prédio da Dise durante a elaboração do flagrante. As defesas da delegada Simona (que atualmente é delegada em Mairinque) e dos investigadores negam as condutas atribuídas a seus clientes, alegam que o Gaeco não tem provas para sustentar a acusação e procuram desqualificar as testemunhas, por serem criminosos.

O caso começou em 2007, com uma interceptação telefônica, autorizada pela Justiça, a pedido do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG), na investigação de um traficante na cidade de Alfenas. No áudio, uma pessoa dizia que estava sendo extorquida por policiais numa Delegacia de Investigações Sobre Entorpecente (Dise). Não se sabia, na época, em qual das cidades do Estado de São Paulo o crime estaria sendo praticado. Entretanto, o assunto, a pedido da Justiça de Minas Gerais, foi encaminhado ao MP-SP e à Corregedoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Somente em abril de 2009, o caso começou a ganhar contornos, já que o delegado de polícia da corregedoria, Mário Rui Aidar Franco, conseguiu identificar que uma loja de pneus citada na gravação existia em Indaiatuba. O delegado conseguiu, com autorização judicial, quebrar o sigilo telefônico e chegou até o proprietário do Audi, que era uma das pessoas que teriam sido extorquidas pelos policiais.

Num primeiro momento, a pessoa, que não pode ser identificada por fazer parte do programa de proteção a testemunha, disse que teve seu veículo Audi apreendido por policiais, sem entrar muito em detalhes dos motivos. Entretanto, já num segundo depoimento, dado ao delegado Aidar, a testemunha protegida — identificada como “número 1” — contou os detalhes da extorsão. Ele informou que no primeiro depoimento foi orientado pelo advogado Hélio Ercínio dos Santos Júnior a não incriminar os policiais. A testemunha 1 reconheceu o prédio da Dise de Sorocaba e disse que esteve na delegacia dias depois do ocorrido, justamente para entregar o documento do carro, conforme teria sido acertado na extorsão. Na ocasião, teria visto a delegada Simona Ricci Anzuino chegar com o Audi para trabalhar. A prisão do trio, que teria sido extorquido, ocorreu no estacionamento de um shopping existente na rodovia Raposo Tavares. Com essas informações, feitas em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil e Delegacia de Crimes Funcionais de São Paulo, o Gaeco apresentou a denúncia à 2ª Vara Criminal de Sorocaba, em dezembro de 2010.

DEIC desmantela violenta quadrilha da região de Campinas 29

Atualizado em 28/11/2015 13h21

Polícia prende membros de uma das quadrilhas mais violentas de São Paulo

Jovem Pan

fonte: Eduardo Ferreira/Futura Press/Folhapress

Quadrilha era investigada pelas principais ações na região de Campinas, sempre com o emprego de fuzis e pistolas.

 A Polícia Civil prendeu integrantes de uma das mais violentas quadrilhas de São Paulo. Os quatro criminosos, incluindo o líder do bando, foram detidos na quarta-feira (25/11) nos municípios de Sumaré, Hortolândia e Monte Mor, no Interior.

Eles são investigados pelas principais ações na região de Campinas, sempre com o emprego de fuzis e pistolas. Entre os crimes estão a invasão da área de cargas do aeroporto de Viracopos, em setembro, e roubos a bancos em Jundiaí e Itupeva, ambos em novembro, que resultaram em mortes de integrantes do bando e também de reféns.

Agentes da 2ª Delegacia do Patrimônio, que investiga Crimes Patrimoniais de Intervenção Estratégica, apuravam as atividades da quadrilha havia 3 meses. Ontem, foram presos Ânderson Parra Pereira, o Pezão, líder dos bandidos, Rafael Severo de Lima, conhecido como Salsicha, Bruno Alex Peluzo de Camargo, o Birolei, e Danilo dos Santos Albino, o Bonitinho. Todos apresentam passagens por roubo.

Com eles foram apreendidas quatro espingardas calibre 12, mas os policiais ainda continuam apurando a localização do arsenal da quadrilha.

Os detidos também participaram de, pelo menos, dois ataques contra carros-fortes e outras duas ações contra transporte de cargas. Eles foram encaminhados à sede do Deic, em São Paulo, onde serão indiciados.

Boi de Piranha – Delegado divisionário leva a culpa por suposto vazamento de informações 28

cabeça de ovo
cabeça de ovo
DR. GUERRA – WAR,
É COM MUITO PESAR QUE ESSA SEMANA FUI INFORMADO QUE A DIVISÃO DE OPERAÇÕES POLICIAIS (DOP) CAIU DEPOIS DAQUELA DILIGÊNCIA DE BUSCA E APREENSÃO NO DEIC, REALIZADA PELO GECEP.
QUEM CONHECE O DR. FERNANDO SABE QUE ELE É UMA BOA PESSOA E QUE NÃO AVISARIA NINGUÉM.
FOI BOI DE PIRANHA.
.
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO
DELEGACIA GERAL DE POLÍCIA DR. MAURÍCIO GUIMARÃES PEREIRA
Portaria do Delegado Geral de Polícia, de 25-11-2015
Designando, n/t do art. 6º da L.C. 731/93, o Dr. MITIAKI YAMAMOTO – RG.10.693.315, Delegado de Polícia de Classe Especial, padrão IV, lotado na Delegacia Geral de Polícia, classificado na CORREGEDORIA, para exercer a função de Delegado Divisionário de Polícia da Divisão de Operações Policiais, fazendo jus à gratificação de “Pró-labore” de 10% calculada sobre o valor do respectivo padrão de vencimento, cessados os efeitos da portaria DGP-3881, publicada em 14-07-2015 que o designou para exercer a função de Delegado Divisionário de Polícia da Divisão de Crimes Funcionais, ficando em consequência, cessado o “Pró-labore” correspondente. (DGP-4513/P)

Cessando os efeitos da Portaria DGP-659, publicada a 31-01-2015, que autorizou, em caráter excepcional, o Dr. FERNANDO COSTA AZEVEDO, RG.4.911.111, Delegado de Polícia de 1ª classe, padrão III, lotado na Delegacia Geral de Polícia, classificado na CORREGEDORIA, para exercer a função de Delegado Divisionário de Polícia da Divisão de Operações Policiais, ficando em consequência, cessados o “Pró-labore” correspondente e a classe superior. (DGP-4512/P)

APREENSÕES TURBINADAS – Por exclusiva culpa de seus dirigentes, a PC tal qual o PT, por fora bela oratória, por dentro pão bolorento. 18

O caso em questão merece uma abordagem mais sistêmica para demostrar a situação de falência em que a instituição se encontra, graças a sua desacreditada, quiça, mal intencionada cúpula dirigente.
Esse delegado titular do 1º Distrito Policial, trabalhou no DENARC de onde saiu graças a uma série de “piças” que por lá arrumou, delas só conseguindo se livrar há pouco tempo.
Não nos parece razoável que, diante desse pretérito funcional comprometedor, o escalão superior lhe tenha atribuído a titularidade de uma das mais importantes delegacias de São Paulo, com certeza não foi pelo critério da Meritrocracia.
Na certa o parâmetro adotado pelos seus superiores para atribuir-lhe uma delegacia da importância do 1º DP, que tem em seu entorno a cúpula do Poder Judiciário do Estado, é sua capacidade arrecadatória, vez que a área é sabidamente conhecida como fonte inesgotável de propina policial advinda de: pirataria, jogo de azar de todo tipo (máquinas caça-níqueis, bicho, video-poquer, vídeo-bingo), boca de ouro, puteiros, etc.
A origem de tudo está aí. Qual é o critério utilizado na designação de quem vai titularizar a unidade policial? Como pode e por que um funcionário com desabonadores antecedentes funcionais foi designado titular dessa importante delegacia da capital? Essa pergunta o Ministério Público tem que fazer para o Secretário da Segurança Pública, para o Delegado Geral de Polícia e para o Delegado Seccional Centro.
Acreditamos no Ministério Público, assim como toda a população do Estado, portanto se anunciou que vai auditar as estatísticas do Estado, isso com certeza ocorrerá e vamos fazer algumas sugestões que podem auxiliá-lo nessa difícil missão em dar confiabilidade a esses desacreditados dados criminais mensalmente divulgados pela SSP.
Inicialmente os homicídios,
– A totalização mensal, trimestral ou anual deve ser acrescida pelos homicídios praticados por policiais em serviço ou não;
– Deve ser implantada uma rotina no sentido do IML informar o resultado de todas as necropsias feitas por força de BO’s registrados como “Morte Suspeita” do mês em que serão divulgados os dados, para se saber quantas foram mortes violentas e destas, quais se deram por homicídios dolosos, culposos, latrocínios ou mortes acidentais.
– Atentar para casos de homicídios desmembrados em dois BO’s, ou seja, registra-se 1º BO de “Lesão Corporal Dolosa” e, logo em seguida, com diferença mínima de horário e na mesma sequência de numeração de BO’s da unidade policial, se registra outro BO com a natureza “Comunicação de Óbito”.
Auditar todos os BO’s de “Tentativa de Homicício” do mês para saber quantos se transformaram em “ Homicídios Consumadoa”. Isso é muito fácil de se fazer, é só pesquisar na própria base do RDO pelo nome da vítima se existe um BO posterior dela com a natureza “Comunicação de Óbito”.

Roubo de Veículo, Furto de Veículo e Veículo Localizado

Quando o furto ou roubo de veículo ocorre no mesmo contexto da subtração de outros bens, como por exemplo roubo a residência, estabelecimento comercial ou carga, embora solicitando o bloqueio do veículo junto a Prodesp, as vezes registram a ocorrência só como roubo a residência ou de estabelecimento comercial sem mencionar a natureza “Roubo de Veículo” subestimando o total de casos no período em análise.
Como filtro, ou parâmetro de comparação, para avaliar se os dados informados pela SSP sobre roubo, furto e localização de veículo está retratando o que efetivamente possa ter acontecido no período em análise SUGIRO AO MINISTÉRIO PÚBLICO requisitar da PRODESP a quantidade total ou por unidade policial do Estado de mensagens mensais, trimestrais ou anuais enviadas pelas unidades policiais solicitando o bloqueio de veículo por furto ou roubo ou o desbloqueio em razão de veículo localizado.
Quem sabe alguém com autoridade e respeito popular ponha ordem na casa.

Preocupado com o rombo orçamentário, Alckmin quer por fim aos privilégios previdenciários da PM 70

Major Olimpio fala da preocupação e desespero dos policiais militares de São Paulo com a Portaria do Comando Geral que estabelece uma comissão para avaliar o regime próprio de previdência dos Policiais Militares de São Paulo.
“É a sinalização de que o gato subiu no telhado e que depois vão derrubar e matar o gato” afirmou, revoltado, o Deputado Major Olimpio.

APREENSÃO DE BAGULHO – Policiais do 1º DP da Capital – DECAP – falsificam boletins de ocorrência para demonstrar produtividade 81

quinta-feira, 26 de novembro de 2015 – 21h35 Atualizado em quinta-feira, 26 de novembro de 2015 – 21h35

SP: policiais são acusados de inventar ocorrências

Intenção era turbinar os números para aumentar o índice de produtividade
Toda a equipe do 1º DP será trocada / BandToda a equipe do 1º DP será trocadaBand

Da redação com Jornal da Band noticias@band.com.br

O tráfico e o consumo de drogas estão entre os maiores problemas nas ruas do centro de São Paulo. Cabe à polícia fazer o combate. Só que policiais de uma delegacia da região são suspeitos de manipular as estatísticas de apreensões de entorpecentes nos arredores – tudo para aumentar o índice de produtividade.

Depois de uma operação policial de 24 horas envolvendo todas as delegacias da região, na semana passada, os investigadores do 1º distrito apresentaram números de fazer inveja às melhores forças de segurança do mundo. Mas, na verdade, o desempenho nas ruas não foi aquele que ficou no papel.

Foram quase 100 boletins de ocorrência praticamente iguais, registrados com minutos de diferença e com relatos sempre idênticos: alguém não identificado, ao ver a viatura, jogou algo no chão e saiu correndo. Depois, os policiais descobriam que era uma pequena porção de maconha.

Nos documentos, só mudavam os endereços e o nome dos policiais que assinaram os relatórios das apreensões. Em nenhum dos casos houve prisões.

O número, que colocou a delegacia na frente das outras, chamou a atenção da cúpula da corporação.

Dois dias depois, o investigador chefe fez um boletim corrigindo o que chamou de equívoco. Alegou que o erro aconteceu por cansaço e que das dezenas de BOs registrados, apenas 35 estavam corretos.

Toda a equipe do 1º DP será trocada.

Nesta semana, o Ministério Público abriu um inquérito para investigar supostas irregularidades cometidas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo na divulgação dos índices de criminalidade. O foco será nos dados de homicídios.

Harmonia entre as polícias Civil e Militar reduz criminalidade na Baixada Santista 26

Criminalidade segue em queda, aponta Estado

Dos delitos registrados em Boletins de Ocorrência, só furto teve ligeira alta na região

FERNANDA HADDAD – DE A TRIBUNA DE SANTOS 
26/11/2015 – 11:37 – Atualizado em 26/11/2015 – 11:54
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Coronel da PM atribui queda à harmonia entre as polícias

A criminalidade segue em queda na Baixada Santista, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Nos 10 primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2014, apenas o furto de veículos teve ligeira alta na região. Os outros seis indicadores apresentaram queda. Os dados levam em conta apenas crimes registrados em boletins de ocorrências.

A modalidade que mais caiu entre janeiro e outubro deste ano foi estupro, cujos números recuaram 21,8 %, passando de 284 ocorrências em 2014 para 222 neste ano, somando a quantidade de ocorrências nas nove cidades da Baixada.

O município que mais registrou casos de estupro foi Guarujá, seguido de Praia Grande e Santos, com 46, 44 e 41 ocorrências, respectivamente.

Em números absolutos, independentemente dos percentuais de queda, ainda chama a atenção a quantidade de furtos e roubos na região. Foram 21.321 furtos na Baixada somente este ano – Santos teve o maior número de casos, com 5.293.

Tratando-se de roubos, o total na região foi 15.081 ocorrências. Santos também é a Cidade que mais teve casos desse tipo de crime, acumulando 3.617 casos de janeiro a outubro de 2015. O furto de veículos aumentou de 3.723 ocorrências em 2014, para 3.732 este ano.

Homicídios

O número de homicídios dolosos nos 10 primeiros meses de 2015 teve o segundo pior recuo, em relação ao verificado em 2014. De 142 ano passado, baixaram para 126 – menos 11,3%. Ao mesmo tempo, registrou um aumento de 13 casos em relação a setembro, quando foram registrados 113.

Só em Praia Grande, ocorreram 31 homicídios dolosos. São Vicente registrou 22 mortes, Itanhaém, 17, e Guarujá, 15.

Já os latrocínios (roubo seguido de morte) recuaram 20,8%. Em 10 meses, 19 pessoas foram vítimas dessa modalidade criminosa. Em 2014, foram 24.

Insegurança

Apesar da queda nos índices, o comandante da Polícia Militar na Baixada Santista, Coronel Ricardo Ferreira de Jesus, reconhece a sensação de insegurança da população. Segundo ele, uma única ocorrência propagada é capaz de potencializar o sentimento. Quanto à redução da criminalidade, atribui ao trabalho em conjunto das polícias Militar e Civil.

Delegado Geral faz reunião de trabalho no Deinter 6 - Santos

SANTOS – Operação da Polícia Civil apresenta bons resultados 11

Operação da Polícia Civil resulta em 189 pessoas detidas na região

O trabalho ocorreu nas cidades de Bertioga, Guarujá, Cubatão, Santos, São Vicente e Praia Grande

BRUNO LIMA – DE A TRIBUNA 
Maconha, cocaína, crack, LSD e
ecstasy foram apreendidos

A Polícia Civil deteve 189 pessoas durante operação nas cidades de Bertioga, Guarujá, Cubatão, Santos, São Vicente e Praia Grande. O trabalho policial foi deflagrado às 13 horas de terça-feira e terminou no início da tarde desta quarta-feira (25) com nove armas de fogo e 3,680 quilos drogas (maconha, cocaína, crack, LSD e ecstasy) apreendidos.

Entre os capturados estão Fabiano Bravo Aguiar, de 31 anos, e Wisely Rodrigues, de 30. Ambos atuavam como disciplinas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e líderes do tráfico de drogas nos bairros do Macuco e da Encruzilhada, em Santos, respectivamente.

Condenados a 5 anos e 10 meses de reclusão pela 5ª Vara Criminal de Santos, os dois foram presos na manhã de terça-feira por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Wisely foi capturado em sua casa, na Rua Comendador Martins, na Vila Mathias, enquanto dormia. A prisão de Fabiano também ocorreu em sua moradia, na Rua Monte Alverne, na Aparecida.

Menores infratores

Do total de pessoas detidas, 34 estão à disposição da Vara da Infância e Juventude, pois são adolescentes. Somente policiais da Delegacia da Infância e Juventude (Diju) de Santos apreenderam 19 menores com mandado de busca e apreensão, além de outro por estar traficando drogas.

“Cumprimos 93 mandados de prisão, 34 de busca e apreensão e prendemos 33 pessoas em flagrante. Ainda recuperamos 11 veículos roubados. Por conta desses números vejo a operação com um saldo bastante positivo”, disse o delegado seccional de Santos, Manoel Gatto Neto.

Entorpecentes

A operação da Delegacia Seccional também causou baixa no comércio de drogas. A apreensão mais significativa foi feita por policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise).

Por volta das 12 horas, os investigadores da especializada avistaram um suspeito no Saboó, em Santos, que correu em direção ao morro e largou uma sacola. Dentro dela havia três tabletes de maconha pesando 2,418 quilos, além de uma faca e uma balança de precisão.

Na Cidade Náutica, em São Vicente, agentes da DIG prenderam em flagrante, na manhã de terça-feira, o balconista Fernando Batista do Nascimento Varella, de 33 anos. Na casa dele havia 42 comprimidos de ecstasy, 13 selos de LSD e dois tijolos de maconha pesando 800 gramas.

SOMBRA – Não há mais quaisquer dúvidas: o PT é uma verdadeira organização criminosa 57

Sombra, acusado de matar prefeito Celso Daniel (PT) é condenado a 15 anos de prisão

Sombra é um emblemático personagem do caso Santo André. Ele era muito próximo de Celso Daniel, ex-prefeito do PT executado a tiros em janeiro de 2002. Para o Ministério Público Estadual, o esquema de propinas abastecia caixa 2 do partido. Os promotores afirmam que Celso Daniel foi eliminado porque resolveu dar um fim na arrecadação ilícita em sua gestão ao descobrir que o dinheiro estaria sendo canalizado para o enriquecimento pessoal de Sombra e de outros personagens do caso.

A condenação de Sombra é a primeira imposta pela Justiça no episódio que se transformou em um pesadelo para o PT. Além de Sombra, a juíza condenou o empresário do setor de transportes e de comunicação em Santo André Ronan Maria PInto ( 10 anos e 4 meses de pena) e o ex-secretário municipal Klinger Luiz de Oliveira Souza (15 anos e seis meses). Todos poderão recorrer em liberdade.A Promotoria atribuiu a Sombra, Ronan e Klinger a liderança de um esquema de arrecadação de propinas no setor de transporte público da cidade do Grande ABC.

A suspeita sobre o suposto caixa 2 do PT surgiu com o depoimento do médico oftalmologista João Francisco Daniel, irmão mais velho de Celso Daniel. Ele revelou que a propina ia para o partido, na ocasião presidido por José Dirceu, mais tarde ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula.

CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA DA SENTENÇA

“Os réus, especialmente Klinger e Sérgio (Sombra), ligados que são ao Partido dos Trabalhadores, ocuparam posição de destaque no partido, em uma cidade que congregava a liderança partidária”, assinalou a juíza Maria Lucinda da Costa. “Da administração de Celso Daniel saíram pessoas que ocuparam cargos no primeiro escalão do governo federal petista, como Miriam Belchior e Gilberto Carvalho. Portanto, tinham eles condições de, em fazendo uma administração limpa, fazer frutificar frutos bons. Mas, não, optaram por ceder à corrupção, o que possibilitou a proliferação do esquema maléfico, como depois se tornou público e notório.”

A juíza cita na sentença uma ‘testemunha sigilosa’. “Ouvida no procedimento preparatório, (a testemunha) relatou que soube pela ex-mulher de Celso Daniel que as empresas contratadas pela Municipalidade desviavam recursos dos cofres públicos para o Partido dos Trabalhadores, para utilização em campanhas eleitorais e que os valores eram entregues em mãos do presidente do Partido, José Dirceu.”

A juíza destaca que ‘no caso específico dos autos, não se pode ignorar, ainda, que a estrutura criminosa se instalou em torno de serviço público essencial, utilizado pela camada mais sofrida da população que, não obstante seja a menos favorecida economicamente, foi a que mais sofreu com o aumento dos custos dos serviços impostos para suportar o pagamento da verba ilícita’.

“Como se não bastasse, são atos da espécie que prejudicam a evolução social, o crescimento da economia, a estruturação do Estado Democrático de Direito e, na medida em que causam o descrédito do administrador público, comprometem a imagem de todas as autoridades públicas e toda a estruturação dos entes federativos”, alerta a magistrada.

A juíza cita João Francisco Daniel, irmão de Celso Daniel. “Relatou que após o falecimento do prefeito Celso Daniel, soube por Miram Belchior, ex-esposa do alcaide, que havia um ‘caixa 2′, cuja receita era destinada ao Partido dos Trabalhadores. Ocorre que pouco antes do falecimento de Celso, cogitou-se que parte deste dinheiro estava sendo desviada em proveito próprio de Klinger, Ronan e Sérgio, tanto que Celso confidenciou ao irmão que estava fazendo um dossiê contra os réus. Posteriormente, Miriam teria relatado à testemunha que “…Klinger direcionava as licitações, o denunciado Ronan seria o beneficiário dessas licitações….e por fim o denunciado Sérgio era o responsável para manter o contato com os empresários de Santo André….Sérgio era um homem violento e responsável pela arrecadação junto aos empresários…”, inclusive, exibindo-lhes arma de fogo durante as reuniões. Finalmente, o dinheiro seria encaminhado ao PT, na pessoa de José Dirceu, por Gilberto Carvalho.”

Perante a CPI que se instalou na Câmara municipal de Santo André, João Francisco disse que ‘o esquema lhe teria sido relatado também por Gilberto Carvalho’.

Tais informações foram desmentidas por Miriam Belchior e por Gilberto Carvalho, segundo a própria sentença da juíza de Santo André. “Também não se ignora que, ouvida pela CPI, Miriam desmentiu o ex-cunhado, assim como Gilberto Carvalho o fez. Entretanto, ainda que não se tenha provado o conhecimento de Miriam e de Gilberto acerca do esquema criminoso, certo é que os depósitos, documentalmente comprovados, são mais que suficientes para provar a existência do grupo criminoso. As demais testemunhas, embora não contribuam para confirmar a acusação, também não bastam para afastar as robustas provas produzidas.”

A juíza cita, ainda, Ivone de Santanta, viúva de Celso Daniel. “Descreveu que no primeiro mandato de Celso, Sérgio trabalhou no gabinete do Prefeito e Klinger era funcionário da Prefeitura. No segundo e terceiro mandatos, Sérgio, por não residir em São Paulo, não ocupou cargo na Prefeitura Municipal e Klinger passou a Secretário. Asseverou que o relacionamento do falecido Prefeito com o irmão João Francisco não era próximo, porque Celso não gostava de ser procurado para atender interesses pessoais do irmão, cujo filho era patrocinado no basquete pela família Gabrilli (proprietária de uma empresa de transportes). Enfatizou que João Francisco pressionava o prefeito para interceder na Administração em favor de Gabrilli. Por outro lado, Ivone negou que Celso estivesse fazendo um dossiê contra Klinger, Ronan e Sérgio. Ao contrário, sustentou que a relação de amizade entre Celso e Klinger nunca foi abalada.”

As informações são do jornalista Fausto Macedo do jornal O Estadão de São Paulo

Vem aí mais uma semana das torturantes estatísticas criminais de São Paulo 74

Vem aí mais uma rodada das estatísticas policiais do Estado
Como convencer diante do que acontece diariamente?

No decorrer da semana teremos a recorrente tortura da divulgação mensal ou trimestral, ou ambas juntas, das contestadas, discutidas, manipuladas e não convincentes estatísticas da variação da criminalidade no tempo e no espaço no Estado de São Paulo.
Como porta voz, o nosso SSP num verdadeiro contorcionismo facial, tentando explicar o inexplicável, ou seja, a diminuição da criminalidade mesmo diante desse quadro de verdadeira guerra civil em que vivemos.
Desta feita, para não ficarmos na “mesmice” de sempre, acreditando nas palavras do nosso Governador sobre a transparência dos dados, o SSP talvez divulgue uma nota explicativa sobre a rotina implantada na SSP para a consolidação dos dados e a eventual possibilidade de não retratarem com fidelidade a realidade, face aos seguintes fatos:
– A SSP, em relação ao mês em que os dados são divulgados, não dispõe da relação de necropsias feitas pelo IML em todo o Estado requisitadas em razão de “Morte Suspeita”, explicitando quantas foram mortes naturais e quantas foram violentas e, dentre estas, quantas foram em razão de homicídio, latrocínio, homicídio culposo ou decorrente de acidente não intencional;
– No caso de roubo de veículo e carga, simultaneamente, como o dado é consolidado estatisticamente? É lançado como roubo de carga e também como roubo de veículo ou apenas um deles? Se for apenas um deles, é correto o procedimento? Não estará sendo subestimado um ou outro indicador, ou ambos? Para ocultar a verdadeira quantidade de modalidades específicas de determinados crimes, como por exemplo, roubo de carga, existe a possibilidade de, intencionalmente, os crimes serem agrupados como roubo-outros? Como entidades da sociedade civil organizada podem conferir essas bases de dados para avalizarem os indicadores divulgados pelo Governo?
– É sabido que, com base na consolidação desses indicadores criminais, o governo concede bônus às unidades que apresentarem melhor desempenho. “Crime Esclarecido” é indicador de avaliação de desempenho da unidade policial.Pergunta: Em qual ato normativo da Polícia Civil está definido um critério uniforme do que deva ser considerado como crime esclarecido para fins de consolidação?
– PM matou no “bico”, fora do serviço, é homicídio doloso ou não? Os homicídios praticados por PM’s, de serviço ou fora dele, apesar de consolidados em separado, no final, são somados aos demais homicídios para sabermos o total do Estado?
– Será informada a imprensa que as estatísticas não são extraídas em tempo real da Base de Dados do Registro Digital de Ocorrências e que existe uma rotina humana ao se lançarem esses dados na planilha eletrônica da Resolução 160, fonte oficial dos dados estatísticos criminais do Estado. Onde existe a mão humana, existe a possibilidade de manipulação.
– Será informada ainda que grande parte das ocorrências são registradas pela internet e que nem todas são lançadas na Base de Dados do Registro Digital de Ocorrências, pois a incorporação das mesmas ao sistema depende da convalidação do delegado de polícia titular da área onde, eventualmente, teriam acontecido ou por serem registradas como “local incerto” acabam agrupadas num arquivo morto da própria Delegacia de Polícia Eletrônica?
Se é pra ter transparência e já que fundamenta a concessão de bônus ou não, é necessário que a equipe técnica da SSP esteja preparada para não apenas responder essas perguntas, mas também para disponibilizar as bases de dados para qualquer tipo de conferência.
Aproveita e esclarece o que é “Carga” para fins de tabulação dos crimes de carga. No meu entendimento: Carga é toda e qualquer mercadoria destinada a revenda, com o devido demonstrativo fiscal, que seja roubada ou furtada em transporte. Ou “carga” é só o que tenha valor econômico? Uma caixa de medicamento pode custar 100 mil reais e ser furtada de um transeunte. Será considerado crime de carga?Um caminhão carregado de carvão vegetal avaliado em mil reais não será crime de carga?

Ministério Público de São Paulo foi contaminado pela corrupção…Ganham bem e roubam melhor ainda 37

Suspeito de receber propina, promotor é afastado para ser investigado em SP

lisboa

GRACILIANO ROCHA E ROGÉRIO PAGNAN SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

Suspeito de receber propina de empresas e fundações que deveria investigar, o promotor de Justiça Roberto Senise Lisboa, da 5ª Promotoria do Consumidor da capital, foi afastado no curso de uma investigação aberta pela corregedoria do Ministério Público de São Paulo. Pedido pela corregedoria, o ato do procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, foi assinado na quinta (19) e terá validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias.

Durante o período do afastamento, o promotor investigado continuará recebendo salário.

Lisboa foi denunciado pela ex-mulher, que afirmou que ele teria recebido R$ 700 mil em propinas desde 2003.

O promotor passou a ser investigado por corrupção passiva e concussão (exigir vantagem indevida) em processos ligados à fiscalização de fundações e à defesa do consumidor.

Procurado pela reportagem, Lisboa se disse surpreso com o afastamento, mas não quis fazer comentários sobre a decisão do procurador-geral de Justiça nem sobre as alegações da corregedoria.

À soldo da corrupção – Policiais civis do 34º DP praticaram arbitrariedades contra o blogueiro Paulinho 42

https://blogdopaulinho.wordpress.com/2015/11/16/milicia-aidar-detalhes-do-dia-em-que-o-blog-do-paulinho-foi-preso/

Milícia ? Aidar ? Detalhes do dia em que o Blog do Paulinho foi preso

Paulinho Procurado

Eram 13 horas do dia 06 de julho quando este jornalista, retornando de um PetShop em que havia adquirido um lindo Shih Tzu com apenas dois meses de vida (o nome é “blog”, por razões óbvias), teve seu veículo abordado, em movimento, poucos metros antes de chegar em sua residência, por dois homens armados, até então sem identificação.

A ação, cinematográfica, de extrema violência, com ares milicianos, foi realizada por policiais civis do 34º DP da Vila Sônia.

Este jornalista, sem opção, freou o carro, ergueu as mãos e escutou: “Desce do carro, Paulinho, caiu a casa…”

Abri a porta com cuidado, ainda sem saber do que se tratava (pensei em tudo, desde sequestro até execução) e, sem explicações, fui retirado do veículo como se fora bandido, algemado com as mãos para trás, sob o olhar atônito de comerciantes e transeuntes.

“Aqui é polícia! Você sabe porque está sendo preso. Vai aprender a não mexer com quem não pode”, gritou um alucinado (com ares de drogado) agente, enquanto levava-me para um desfile público pelo que restava do caminho da abordagem até a garagem do meu prédio (a intenção, evidente, era de proporcionar humilhação), em que observava o outro policial, mais ponderado, estacionar o veículo e entregar a chave à chefe de segurança do local.

“Do que se trata ? Cadê o mandado ?”, questionei.

“Fica na sua… a ordem está na delegacia, não crie problemas que vai ser pior”, respondeu o alucinado.

“Sem mandado não vou. Preciso, ainda, deixar o cachorrinho com alguém. Acabei de comprá-lo. É filhote, não posso deixar com estranhos, muito menos dentro do carro”, respondi.

“Dá um fim nesse bicho, joga fora”, disse o miliciano ao parceiro.

A discussão foi intensa e consegui (se é que se pode tratar essa vergonha como conquista), condicionar minha ida, sem “criar problemas”, ao DP, a que deixassem-me levar o “bloguinho” à casa de minha sogra (a intervenção do policial menos violento foi fundamental).

Entrei na viatura, ainda algemado, com o “miliciano” lutando para denegrir minha imagem, proferindo bobagens para os moradores, entre as quais “olha o bandido que morava ai e vocês nem sabiam”, e seguimos à residência de minha sogra (duas quadras do local), que, avisada por telefone, encontrou-me naquela situação deplorável.

Sem o menor constrangimento (e humanidade), o covarde agente, em ação criminosa, teve a coragem de jogar o cachorro (repito, de apenas dois meses) com um soco lateral, nos braços da referida senhora, empurrando-a bruscamente na sequencia.

“Avise à Fernanda (minha esposa) que estou sendo levado para o 34ª DP”, concluí, indignado, por sorte, algemado, o que impediu uma reação certa diante de cena tão surreal e deplorável.

No caminho para a Vila Sônia escutei diversas bobagens, mas que trataram, aos poucos, de esclarecer o que, de fato, estava acontecendo:

“Mexeu com o Aidar… ele vai por no seu rabo…”, “quem financia seu trabalho ?”, “qual a senha do seu celular ?”, “está fudido… não vai sair mais…”, “quem te passa as informações ?”, “como consegue acesso a tantos documentos e dados sigilosos, nós, para conseguirmos, temos grande dificuldade…”, “você foi caguetado… já era…”

Ao chegar no distrito, fui levado, como se fosse prêmio, a outro desfile, em que o policial gabava-se pela prisão, e levava-me aos diversos departamentos e salas do local.

Somente após alguma espera, colocaram-me em frente ao um escrivão, que disse ter sido minha prisão uma ação policial para garantir depoimento em inquérito movido por denúncia de Carlos Miguel Aidar, inconformado com publicações do Blog do Paulinho.

Ou seja, a constatação da arbitrariedade: um jornalista é preso, sem mandado, por policiais civis, para prestar depoimento num caso em que sequer foi intimado a depor.

Respondidas as perguntas do tal inquérito, chega a notícia de que não poderiam me soltar porque havia uma condenação solicitando minha prisão por difamação, numa pena de 5 meses e 10 dias (absolutamente suspeita), em processo movido pelo advogado Catta Preta.

Convenhamos, difícil acreditar em coincidência.

Levado à carceragem do DP, logo a imprensa foi avisada e começaram a chover ligações ao distrito (jornalistas, dirigentes de clubes e, pasme, desembargadores ligados ao Corinthians), motivando o delegado titular a descer e abordar-me:

“Cara, você é famoso mesmo… o telefone não para… ligou a Globo, Uol, Terra, Romeu Tuma, gabinete do Andres Sanches e até um desembargador de nome Ademir”, relatou, para depois, ato contínuo, ligar para um tal de “Milton”, que, tudo indica, seria o “Neves”, confirmando, na minha frente, a prisão.

Horas mais tarde, após minha família correr para comprovar, com o diploma, meu nível universitário, ficou certo que o único local que poderia me receber, no momento, com alguma segurança, seria o 31º DP da Vila Carrão, que possui três celas especiais (somente formados) com quatro camas e, no máximo, cinco pessoas (uma dormiria no chão).

Porém, durante a transferência, realizada por outros agentes, fez-se necessário (para eles) o último ato de maldade (e tortura): colocaram-me, após o exame de corpo de delito, algemado com as mãos para trás, na parte de traseira da viatura, que foi dirigida, maldosamente, com diversos movimentos bruscos (inclusive “cavalo de pau”), ação que ocasionou-me algumas lesões, além do constrangimento de vomitar o carro inteiro, sem que pudesse controlar a situação.

Espertos (ou se achando), os policiais pararam o carro antes da chegada ao destino, lavaram a viatura e depois colocaram-me, ainda algemado, cheirando azedo, no banco de trás.

Ao entrar no 31º DP, deparei-me com minha esposa, filho e duas mulheres, Doutoras Danúbia Azecedo e Claudia Mantovani (ainda não sabia que eram advogadas), que abordaram-me: “Fique tranquilo, somos sócias do Dr. Romeu Tuma Jr., ele está indignado com sua prisão e será seu advogado, por favor, assine as procurações.”.

Na sequencia, após conversarem com os policiais locais, cientificando-os de que tratava-se da prisão arbitrária de um jornalista, não de bandido, as doutoras despediram-se, avisando que tentariam livrar-me com um HC.

Eram pouco mais de 20 horas quando uma carcereira escoltou-me até a minha cela, o “X-3”, local em que entrei apreensivo, sem saber o que esperar, mas, por sorte, fui bem acolhido por três presos, Nelson, Herges e Leandro, que, após tomarem ciência de minha história, trataram de apresentar-me, na manhã seguinte, aos demais presos, não sem antes conversar com o sentenciado “Da Sul”, denominado “disciplina”, que esclareceu-me regras e dicas de comportamento para evitar problemas na prisão.

A noite foi longa, dormi pouco, envolto em diversos pensamentos, mas ciente de que precisava sobreviver para dar sequencia ao trabalho e continuar amparando meus familiares.

Permaneci no 31º DP por 44 dias, fechado (apesar da pena indicar regime “semi-aberto”), sem ter o nome lançado no sistema (irregularidade absoluta) em condições deploráveis de higiene, além doutros desconfortos, mas, por sorte, acolhido até com alguma admiração pelos outros presos (três deles, vítimas de injustiças claras).

Neste período, tive HCs negados pelo TJ-SP, STJ e STF (Ricardo Lewandowisky), que, de maneira adversa ao que prevê a legislação, disseram não enxergar constrangimento ilegal no fato referido acima.

Minha permanência no local, que terminou numa transferência ao Presídio de Tremembé – PII (um lixo), será detalhada num livro (ainda a ser escrito), embora, assim como ocorreu neste relato, continuaremos publicando, neste espaço, resumos do que consideramos importante e essencial para o conhecimento público.

Nos próximos dias, o leitor conhecerá a verdade sobre o “presídio das estrelas”, o comportamento do judiciário (principalmente a deplorável VEC de Taubaté), além doutros pormenores que levaram um jornalista sério, combativo, que acerta (bastante) e erra como todos, a amargar 130 dias de cárcere, para deleite de malfeitores (e seus seguidores) por ele denunciados, numa verdadeira ação de ataque contra a imprensa, repudiada pela grande maioria da população, mas, lamentavelmente, pouco notada pela própria profissão.

Policiais de São Paulo terão aulas para tratar melhor negros, gays e travestis 108

Secretário de Segurança Pública de SP, Alexandre de Moraes falou com exclusividade ao R7

Diego Junqueira e Érica Saboya, do R7

Secretário afirmou que PM não vai participar da reintegração de posse das escolas ocupadasEduardo Enomoto/R7

A partir de 2016, a formação de policiais militares e civis do Estado de São Paulo vai incorporar a questão da diversidade no treinamento. O objetivo é melhorar a abordagem dos agentes a minorias como os travestis, a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e os dependentes químicos, além dos negros. A promessa é do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes.

— Vamos fazer treinamentos práticos para que o policial saiba fazer uma abordagem melhor, mais respeitosa, em relação ao dependente químico, a negros. Isso vai ser incluído a partir do ano que vem na formação.

Em entrevista exclusiva ao R7, o secretário não admitiu que exista um excesso de violência policial na periferia da Grande São Paulo, mas afirmou que os casos não serão tolerados.

A violência policial no Brasil tem provocado constantes críticas de organismos internacionais. Em fevereiro de 2014, um relatório do Departamento de Estado dos EUA trouxe duras críticas à PM (Polícia Militar). Estudos da Human Rights Watch (HRW) e do Comitê sobre os Direitos da Criança da ONU (Organização das Nações Unidas) também apontam problemas semelhantes.

O secretário negou a existência de grupos de extermínio dentro das corporações paulistas, rebatendo declaração do ouvidor das polícias de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves.

— Ele, como ouvidor, deveria apresentar as provas. (…) Eu quero que alguém aponte uma prova de que existe isso. Não existe. O que existe são situações em que policiais, na verdade bandidos de farda, se excedem e matam.

Sobre as 48 escolas estaduais ocupadas em São Paulo, o secretário afirmou que a PM não será usada nos processos de reintegração de posse.

— A Polícia Militar só agirá se houver dano ao patrimônio público ou se houver uma briga.

Atual chefe da segurança pública do Estado, Moraes é formado em direito pela USP, onde é professor. Ele já foi secretário estadual de Justiça (2002-2005, na gestão Alckmin) e secretário municipal de Transportes (2007-2010, gestão Kassab).

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

R7 – A resolução SSP-40/2015 foi elogiada na época de sua edição. A redução da letalidade policial, porém, tem sido tímida. Como melhorar esse índice?

Alexandre de Moraes – Nesses nove meses, a letalidade da Polícia Militar, se comparada aos nove meses do ano passado, já diminuiu pouco, mas diminuiu, em torno de 1,39%. Mas se nós pegarmos os seis meses [anteriores à resolução], de setembro a março, a queda já é de 10%. O que demonstra isso? Nós conseguimos inverter a curva, que vinha ascendente desde o segundo semestre do ano passado. Tomamos [também] outras medidas, como mapear nos últimos cinco anos os policiais que tiveram três eventos de letalidade. Todos foram retirados e colocados num grau abaixo de confronto.

R7 – O que explica os altos números de letalidade registrados em 2014?

Moraes – Nós temos um fenômeno há algum tempo, há cerca de três anos, de uma entrada cada vez maior de fuzis, de armamento pesado no Estado, em virtude do total abandono das nossas fronteiras. O governo federal simplesmente abandonou o policiamento de fronteira. Não é culpa da Polícia Federal, que tem outras atribuições, é culpa de prioridade do governo federal que não libera as Forças Armadas, dentro do conceito que a lei autoriza, para patrulhar e auxiliar nesse combate. A partir disso, no Paraguai, nós temos 16 rotas de tráfico de drogas e de armas. Mais armas entraram. Basta ver o número de policiais feridos e mortos que nós tivemos neste ano por tiros de fuzil, infelizmente. Isso aumenta o confronto e aumenta a letalidade.

R7 – A polícia brasileira é uma das mais mortais do mundo. Pesquisa do Datafolha mostra que 60% da população da capital paulista têm medo das polícias do Estado. Por quê?

Moraes – Isso reflete uma indignação da população com o poder público como um todo. A polícia ficou com 60% de insatisfação, de medo, mas ainda assim fica acima do Congresso Nacional. Fica com uma avaliação melhor do que partidos políticos. É uma indignação justa, indignação pelo que vive o País. Obviamente que a indignação com o poder público armado, como é o caso da polícia, é uma indignação com receio.

R7 – A população tem motivo para ter medo da Polícia Militar?

Moraes – Na verdade, essa pergunta deveria ser feita à população. A metodologia da pesquisa confunde “insatisfação” com “medo”. Por isso eu digo que reflete uma insatisfação geral. Basta ver que, se a população tivesse medo da polícia, nós não teríamos 60 mil ligações por dia no Copom (Central de Operações Policias Militares). Mas nós temos nossa parcela de responsabilidade.

R7 – Qual é a responsabilidade?

Moraes – Nós temos que, primeiro, aproximar mais a polícia da população. [Isso] é importante para a população enxergar o policial não como uma farda armada andando, mas como uma pessoa. Além disso, é preciso divulgar [melhor] as sanções aplicadas a policiais que abusam. Temos que mostrar que o policial que excede é punido, é preso, é expulso. Nós temos centenas de policiais expulsos por ano.

R7 – E o caso do delegado que prendeu um sargento da PM suspeito de torturar um suspeito na zona leste de São Paulo? Houve uma reação de outros policiais militares na delegacia. Há uma dificuldade de lidar com PMs que cometem abusos?

Moraes – Não há nenhuma dificuldade. O delegado entendeu que era o caso de realizar a prisão em flagrante e realizou. Tudo foi realizado absolutamente dentro da legalidade. Alguns policiais à paisana — não havia nenhum policial fardado cercando a delegacia como colocaram, basta ver as imagens — foram até lá protestar. Eles têm o direito de protestar, desde que não estejam de farda nem armados.

R7 – Foi uma coação ao delegado? Não fica difícil para ele agir num outro caso contra um PM?

Moraes – Não acredito, senão ele não tem capacidade para continuar sendo delegado. Até porque em nenhum momento o delegado foi ameaçado. A imprensa diz que foi, mas ele disse à Corregedoria que não foi.

R7 – Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que 973 pessoas foram mortas por PMs em folga entre 2006 e março de 2015, o que dá, em média, 26 mortes por trimestre. No segundo trimestre deste ano foram 47 mortes e, no terceiro, 55. Por que esse aumento na violência?

Moraes – Policial militar que acaba matando em folga, se ele mata com dolo, criminosamente, vai responder por homicídio. [E há] os casos em que o policial reage, em legítima defesa e a de terceiro, e acaba matando um criminoso. O policial não está em atividade, de farda, mas ele é policial. Em virtude disso, ele se sente impulsionado a evitar o crime. Eu diria que, dessas mortes catalogadas pela Polícia Civil, quase 90% são reações a roubos praticados.

R7 – Mas o Estado saiu de uma média de 30 mortes por trimestre para 47 e 55. Então há mais crimes?

Moraes  Não. Se você comparar um ano, dá isso. Se você voltar alguns anos, se nós pegarmos 2014 e 2013, há mais mortes de policiais fora de serviço naquela época do que neste ano. Se nós pegarmos 2012, há menos [do que agora]. Então não houve nenhum crescimento.

R7 – Há suspeita de participação de PMs em ao menos seis chacinas ocorridas neste ano na Grande SP. Todas em áreas periféricas. Inclusive as abordagens policiais são mais violentas na periferia do que nas áreas centrais. Como reverter esse tratamento desigual?  

Moraes – Em primeiro lugar, eu já disse e reafirmo, não há grupo de extermínio na polícia. Nem na Polícia Civil nem na Polícia Militar.

R7 – O próprio ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves disse estar certo de que existem grupos organizados dentro da Polícia Militar para cometer crimes.

Moraes – O ouvidor disse e eu imediatamente afirmei que era uma declaração panfletária e que, se ele tivesse alguma prova, ele como ouvidor deveria apresentar. Isso foi no final de agosto, nós estamos em novembro e ele não apresentou nenhuma prova.

R7 – O senhor não vê evidências da existência de grupos de extermínio na Polícia Militar de São Paulo?

Moraes – Não. É muito fácil você falar o que quer. Agora, eu pedi para ele comprovar e obviamente não comprovou, porque não há grupo de extermínio na polícia. As pessoas confundem grupo de extermínio com policiais que são bandidos. São bandidos de farda e que praticam mortes.

R7 – Mas agem em grupos definidos.

Moraes – Não agem, aí que é o grande erro. O que que é um grupo de extermínio? É um grupo de policiais com uma finalidade de matar pessoas em determinadas condições, nas mesmas condições. É um grupo que mata comunistas, como já existiu grupo de extermínio. É um grupo que mata quem é contra o governo federal, contra o governo militar, é um grupo que mata pobres, é um grupo que mata negros, ou seja, é um monobloco que tem uma finalidade. Eu quero que alguém aponte uma prova de que existe isso. Não existe. O que existe são situações em que policiais que são bandidos de farda que se excedem e matam. E serão expulsos e presos.

R7 – É como se houvesse uma guerra entre eles. Um mata um policial, aí vem a revanche de um grupo e mata outros.

Moraes – Não. Não. Veja como são coisas descoordenadas. Não significa que não seja grave. É extremamente grave e por isso que nós atuamos com rigor para expulsar, mas não significa que é um grupo de extermínio porque morreu um policial, morreu um guarda civil, [daí] alguns policiais com guardas civis se uniram para vingar essas mortes, matando gente que não tem absolutamente nada a ver com isso. Então não tem isso de “mata policial então vamos matar bandido”, porque, dos 23 mortos, todos [eram inocentes]. A SSP foi absolutamente transparente porque a própria imprensa apresentou 19 mortos. Nós retroagimos a investigação até o dia 8 para somar indícios e chegamos a 23 mortos. Só que não tinham relação.

R7 – As investigações nos casos de Carapicuíba e o de Osasco/Barueri estão encerradas? Ou continuam as buscas por suspeitos?

Moraes –  No caso de Carapicuíba, já prendemos mais três policiais militares. Não propriamente por participarem do crime, nós não temos essa prova, mas por fraude processual, porque foram os três que chegaram e mudaram o local dos fatos, inverteram os corpos. [Eles] já estão presos.

Em Osasco e Barueri nós prendemos mais um [PM], que ameaçou testemunhas. Uma testemunha está para confirmar que ele também teria participado [da chacina], então nós já teríamos oito policiais militares e um guarda civil metropolitano [presos]. Ainda temos mais três ou quatro suspeitos, então nós continuamos investigando.

R7 – Mas e com relação à questão de a polícia agir com mais violência na periferia. É possível que tenha uma atuação do Estado para reverter isso?

Moraes – O policial não deve abusar nunca, seja na periferia, seja no centro, seja no interior. Aquele que abusa deve ser punido proporcionalmente ao seu abuso. Nós já montamos uma grade para complementar o curso de formação da Polícia Civil e da Polícia Militar, principalmente em relação a abordagens. Nós estamos incluindo dentro do que já existe hoje de direitos humanos a diversidade.

Vamos fazer treinamentos práticos para que o policial saiba lidar melhor numa abordagem com travesti, uma abordagem melhor, mais respeitosa, em relação ao dependente químico, a negros. Isso vai ser incluído a partir do ano que vem na formação.

“Sou a favor da privatização de determinadas atividades nas prisões”Eduardo Enomoto/R7

R7 – O senhor é apontado como um dos possíveis candidatos do PSDB à Prefeitura de SP em 2016.

Moraes – Eu não sou candidato nem pré-candidato, então não penso nisso. Eu penso em marca na Secretaria de Segurança Pública.

R7 – É a favor da redução da maioridade penal?

Moraes – Não. Em 2005, eu era Secretário da Justiça e levei junto com o governador Geraldo Alckmin a alteração do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Os crimes graves teriam uma internação maior e levamos de novo agora, em 2015. Acho que essa é a medida correta.

R7 – O terrorismo é um problema mundial e o Congresso brasileiro está votando um projeto que o tipifica. Qual sua opinião sobre o projeto?

Moraes – É absolutamente essencial que se tipifique o terrorismo para que se possa fazer um combate mais eficaz ao terrorismo.

R7 – Os Black Blocs serão tratados como terroristas?

Moraes – O que define o terrorismo, no mundo todo, não é a denominação a um grupo, e sim as atividades que praticam. Se os Black Blocs praticarem atividade terrorista serão tratados como terroristas.

R7 –  E os manifestantes que queimam ônibus, o que é bastante comum na periferia de São Paulo? Isso pode ser interpretado como um ato terrorista?

Moraes – Isso vai muito do caso concreto. Saber com qual finalidade queimaram o ônibus. Se foi uma finalidade “dano ao patrimônio público”, isso é dano, não é terrorismo. Então nós temos que ver qual a finalidade.

R7 – Você é a favor da privatização do sistema penitenciário?

Moraes – Eu sou a favor da privatização de determinadas atividades nas prisões. Eu não sou a favor do modelo norte-americano, que é a privatização total, inclusive do sistema de segurança e disciplinar. Isso é dever do Estado. Mas na construção, alimentação, a própria gestão de curso, acho que isso pode ser privatizado.

R7 – As leis brasileiras são muito brandas?

Moraes – Tenho absoluta certeza de que as leis são muito brandas. O Brasil prende muito, mas prende mal. Todo mundo vai preso e fica quase o mesmo tempo na prisão. Não há necessidade de se aumentar o tamanho da pena. Prisão [deve ser aplicada] só para crime grave. Só que aí que se cumpra a pena toda. Temos que prender menos e prender bem. Não justifica alguém que pratica roubo qualificado, com fuzil, condenado a cinco anos e quatro meses e, com um sexto, 11 meses, ele está na rua. Só o Brasil adota isso, e é ridículo. A sociedade não entende isso e com razão. A gente precisa mudar a lei de execuções penais.

R7 – O senhor acha necessária a presença da Polícia Militar em protestos estudantis como a da ocupação das escolas? Dois confrontos já foram registrados.

Moraes – Não há polícia em nenhuma das escolas. Nós tínhamos aqui na Fernão Dias, assim que houve a invasão, não só de alunos, mas de outros movimentos que não tinham nada a ver com a questão das escolas. Nós tínhamos informação de que havia depredação, porque estouraram algumas portas da dispensa para pegar comida. Então a polícia se dirigiu lá para garantir o patrimônio público.

R7 – Também houve confronto na Escola Estadual José Lins do Rego, no M’Boi Mirim, no último sábado (14).

Moraes – Assim que ficou caracterizado que só alunos estavam lá, nós determinamos a retirada. Não só de lá como de todas as escolas. Uma viatura só vai quando um dirigente de ensino pede por alguma questão de segurança pública não relacionada à invasão. Essa questão das invasões tem que ser tratada do ponto de vista da educação. Quem vai cumprir a reintegração de posse é a Secretaria de Educação.

R7 – Em que circunstância a PM vai agir?

Moraes – A Polícia Militar só agirá se houver dano ao patrimônio público ou se houver uma briga, uma violência entre os grupos que lá estão. Nas questões de segurança que agiria como em qualquer outra questão.

R7 – E em caso de reintegração?

Moraes – Em reintegração não.

Em dez anos, Estado perdeu 4.280 policiais civis 136

Pelos números atuais, cada investigador teria de solucionar 4 crimes por mês

11h15 | 18/11/2015
Jornal A Cidade / Cristiano Pavini

Mastrangelo Reino / Especial

Sou da Paz: Ivan Marques diz que é necessário reforçar a investigação(foto: Mastrangelo Reino / Especial)

O déficit de policiais civis atinge todo o Estado de São Paulo. De dezembro de 2006 a setembro de 2015, o efetivo encolheu 13,5%, com a perda sem reposição de 4.280 homens. A diminuição ocorre sem trégua, ano a ano, há dez anos.

Atualmente, a corporação conta com 27,3 mil policiais. Em 2006, eram 31,5 mil. Se comparado com setembro de 2013, a perda foi de 1.005 homens.

Para efeito de comparação, no mês retrasado, a Polícia Civil tinha 8.952 investigadores – 1.399 a menos do que há dez anos.

Levando apenas em consideração as estatísticas de roubo, homicídio, latrocinío e estupro só de setembro (33 mil ocorrências), cada investigador teria que solucionar um crime por semana para que a demanda não acumulasse. Se forem incluídas as ocorrências de furto, (82,4 mil) eles teriam que resolver o dobro.

Coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública da PUC-MG, Luis Flavio Sapori alerta que a aposentadoria intensiva de policiais civis sem reposição ocorre em todo o país.

“Os Estados priorizam o policiamento ostensivo e repressivo porque, principalmente, é mais visível para a população. Mas não basta ter uma Polícia Militar bem equipada, é necessário focar na investigação”, diz.
No Estado de São Paulo, o último crescimento da Polícia Civil ocorreu de 2005 para 2006, quando houve acréscimo de 650 policiais.

Ivan Marques, do Instituto Sou da Paz, alerta também para o envelhecimento do quadro atual de funcionários (ler abaixo).

Sigilo
Em vigor desde maio de 2012, a Lei de Acesso à Informação foi utilizada pela sociedade civil e pela imprensa, inclusive o A Cidade, para ter acesso ao efetivo policial de São Paulo, escancarando o encolhimento da Polícia Civil.

Após a divulgação dos dados, a Secretaria de Segurança Pública publicou em setembro do ano retrasado a portaria DGP 31/2013, que tornou os dados de efetivo sigilosos por cinco anos, pois são “imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado”.

Devido às críticas do sigilo em sua administração, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) revogou em 15 de outubro deste ano os atos sigilosos e criou uma comissão para reavaliar os casos. Quatro dias depois, o A Cidade solicitou o efetivo de Ribeirão e de todo Estado, dividido por departamento. Os dados do município foram negados, sob a alegação de que colocariam em risco a vida dos policiais.

Polícia Militar se recusa a informar seu efetivo 

Enquanto a Polícia Civil voltou a informar seu efetivo, embora de forma parcial, a Polícia Militar mantém a postura, adotada desde dezembro de 2013 pela portaria PM 6/3/30/13, de ocultar seus dados.

Antes de a corporação decretar sigilo sobre seus dados, o A Cidade mostrou, em abril daquele ano que o número de habitantes de Ribeirão Preto havia crescido, proporcionalmente, cinco vezes o efetivo policial entre 2003 e 2013.

Na ocasião, o município contava com 1.080 policiais militares – 36 a mais do que em 2013, uma alta de 3,4%. No mesmo período, a população ganhou 95 mil habitantes e aumentou 17,7%.

Além disso, um terço dos policiais militares em Ribeirão atuava em serviços administrativos, ou seja, sem participar diariamente do policiamento ostensivo nas ruas.

Após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) revogar os atos sigilosos, em outubro desse ano, o A CIdade solicitou, pela Lei de Acesso à Informação, o efetivo da PM em Ribeirão, no CPI 3 (Centro de Policiamento do Interior) e no Estado e quantos atuavam em serviço administrativo.

Os pedidos foram negados em primeira e segunda instância, sob a alegação de que o governo estadual ainda não regulamentou quais dados perderam o sigilo.

Análise – ‘Apenas a repressão é enxugar gelo’

O que o Instituto Sou da Paz sempre ressaltou é que a priorização das investigações policiais é determinante para a redução da sensação de impunidade, que só ocorrerá após a identificação e prisão do autor da crime. Investir apenas na repressão é enxugar o gelo.  A diminuição do efetivo da Polícia Civil em São Paulo vem aliada ao aumento no número de roubos, que têm um nível de esclarecimento muito baixo. Efetivo esse, aliás, que está envelhecendo e se aposentando em volume cada vez maior, e sem reposição. Contingenciar recursos e não repor esse quadro é uma política de segurança pública equivocada. A desinstrumentalização da Polícia Civil, aliás, ocorre em nível nacional, e não apenas no Estado de São Paulo, o que é preocupante, pois há uma necessidade constante de reforçar o modelo de investigação. E São Paulo, que é considerado modelo para os outros estados, tem sua capacidade de investigação corroída com essa situação, levando-nos a prever um futuro pior. Ivan Marques, Diretor Executivo do Instituto Sou da Paz, ONG que há 15 anos discute Segurança Pública no país. Ele foi o palestrante do debate Morar do Agenda Ribeirão deste  ano.

Governo de SP culpa aposentadoria

A Secretaria de Segurança Pública culpa a aposentadoria compulsória dos policiais civis para explicar o déficit de efetivo. Em nota, a pasta diz que a redução do teto máximo de idade para os policiais em serviço, que passou de 70 anos para 65 anos devido à uma Lei Federal em 2014, “resultou na saída de diversos servidores”.

O comunicado não explica por que, por dez anos consecutivos, não houve reposição adequada de policiais. Segundo a nota, desde 2011 foram contratados 2.960 policiais civis.

Apesar da PM se negar a informar o efetivo, a SSP diz que todo o número de funcionários das polícias civil, militar e científica é público.

Arte / A Cidade