PM fuzilou covardemente agentes penitenciários 120

Senti que ia morrer, diz agente baleado 6 vezes por PM após abordagem

Vítima diz que ele e colega, que morreu na ação, não puderam se defender.
PM alega que ambos são suspeitos de furto e atiraram contra policiais.

Do G1 Ribeirão e Franca

O agente penitenciário Lúcio Flávio de França, de 35 anos, baleado por policiais militares em uma suposta troca de tiros durante uma abordagem em São Carlos (SP) negou que ele e o companheiro de trabalho, Edson Honório Ferreira, de 46 anos, morto na ação, tenham atirado contra os PMs.

O sobrevivente disse que ambos faziam um bico como segurança e foram confundidos por suspeitos de furto. Já a Polícia Militar informou que a viatura chegou ao local, no bairro Jardim Embaré, para atender a ocorrência, foi recebida a tiros pelos agentes e revidou.

“Eu senti que ia morrer. Ele não pegou a nossa funcional, pegou somente o armamento e trouxe para a viatura dele, e começou a cochichar entre todos os policiais. Então, naquele momento, eu pensei ‘é o fim mesmo’. E foi o que aconteceu, ele descarregou a metralhadora na gente”, afirmou.

Internado em um hospital em Ribeirão Preto(SP), França contou que, apesar de ter se apresentado como agente penitenciário, ao ser abordado pelos PMs, o sargento Marcos de Souza pegou os revólveres dele e de Ferreira, e atirou contra os dois.

O sargento da PM foi indiciado por homicídio e tentativa de homicídio. Segundo a Polícia Civil, ele confessou ter efetuado o disparo que matou Ferreira. Souza também foi afastado do policiamento ostensivo e está realizando serviços administrativos internamente, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP).

O agente penitenciário Edson Honório Ferreira foi morto em setembro (Foto: Reprodução/ EPTV)

Agente penitenciário Edson Honório Ferreira foi morto em abordagem da PM (Foto: Reprodução/ EPTV)

Sem defesa
O caso ocorreu na madrugada do dia 6 de setembro. Segundo registro da PM, Ferreira e França foram abordados próximos a uma empresa de materiais de construção no Jardim Embaré, após denúncia anônima de furto. Ainda de acordo com a PM, Ferreira desceu do carro atirando, foi alvejado e morto.

França nega a versão, afirmando que em nenhum momento ele e o companheiro atiraram contra os policiais militares ou tiveram chance de se defender. O agente contou que os dois faziam bico como seguranças para uma empresa de telefonia e foram abordados no momento em que pararam o carro para ele urinar.

“Eu estava fora do carro e chegou a viatura só com o farol ligado, sem o giroflex aceso. Quando chegou na gente (sic), ela acendeu o giroflex e chegou outra viatura. Nesse momento aconteceu tudo: pediu para o meu parceiro descer, ele desceu, a gente se identificou como homem do estado, o que a gente fazia, onde estava o armamento e foi esse desfecho”, afirmou.

Saveiro usada pelos agentes penitenciários foi apreendida (Foto: Reprodução/EPTV)
Saveiro usada pelos agentes penitenciários foi apreendida (Foto: Reprodução/EPTV)

O agente disse ainda que explicou aos PMs que as carteiras de identificação funcional dele e de Ferreira estavam dentro do carro, mas os policiais não pegaram os documentos, apenas os revólveres calibre 38 que portavam.

“Um dos policiais foi até a nossa Saveiro, pegou o armamento nosso, levou para a viatura deles e, diante desse fato, eu acho que o sargento pegou a metralhadora e falou ‘pode correr porque vocês vão morrer’ e disparou, descarregou a metralhadora na gente”, relembrou.

Ferreira morreu no local. França foi atingido por seis tiros, foi internado na Santa Casa de São Carlos e depois transferido para um hospital em Ribeirão, cidade onde a família reside. O agente contou que sobreviveu porque se fingiu de morto.

“Eu escutei só o atirador falando que a adrenalina dele estava muito alta e mandou chamar o resgate. Eu não estou com medo porque quem fez essa lambança já está preso. Estou tranquilo, só penso na minha recuperação”, disse.

Investigação
A SSP/SP informou que um inquérito policial militar também foi instaurado para apurar o caso. “A investigação segue coletando provas para esclarecer a ocorrência e não serão passadas mais informações para não atrapalhar os trabalhos policiais”, comunicou a pasta nota nesta quarta-feira (28).

DEIC descobre que sargento da PM fornecia rádiocomunicadores para quadrilha que assaltava caixas eletrônicos em todo o estado de São Paulo 79

Sargento repassou rádios para quadrilha em São Paulo

Agência Estado

Publicação: 30/10/2015 09:16 Atualização:

A Justiça Militar decretou a prisão preventiva do sargento Cesar Alexandre Alves de Oliveira, suspeito de fornecer equipamentos de comunicação da Polícia Militar para uma quadrilha investigada por roubos a caixas eletrônicos. O objetivo era monitorar a frequência dos radiocomunicadores da corporação durante os assaltos aos terminais bancários.
O envolvimento do PM com a quadrilha foi descoberto na quinta-feira da semana passada, quando investigadores da Polícia Civil cumpriram mandado de busca e apreensão em um apartamento no bairro do Cambuci, região central da capital, onde funcionava uma espécie de central de comunicação dos bandidos. Foram encontrados, entre diversos materiais, dois rádios de comunicação com números de patrimônio da PM – um deles dava acesso ao Comando de Policiamento da Capital.
A Corregedoria da Polícia Militar foi acionada e apurou que os aparelhos saíram do Centro de Suprimento e Manutenção de Material de Telecomunicações (CSM/Mtel) da PM. O sargento Oliveira pediu aos colegas que os equipamentos fossem programados com as frequências de todas as unidades de policiamento ostensivo do Estado, sob o pretexto de colocá-los na sala de gerenciamento de crise, mas acabaram indo direto para as mãos dos bandidos.
Confissão
O sargento foi logo identificado como o responsável por retirar os equipamentos. Em depoimento à Corregedoria, ele acabou confessando o crime.
Disse que foi procurado por um rapaz chamado Leandro, no mês de abril, e que recebeu a proposta para fornecer os equipamentos. A entrega aconteceu na região central e o sargento afirmou que recebeu R$ 30 mil em dinheiro. Parte do valor (R$ 9 mil) depositou no banco, a outra deixou em casa para gastos em atividades do cotidiano, de acordo com ele.
A confissão do suspeito não foi suficiente para livrá-lo da cadeia. Em seu despacho, o juiz-corregedor Luiz Alberto Moro Cavalcante considerou que o sargento “em liberdade terá livre acesso ao quartel, terá farda e armamento para trabalhar. Terá o convívio dos demais policiais militares de serviço. No entanto, não será digno de confiança. Logo, a sua liberdade nesta fase é um disparate”.
O magistrado deferiu os pedidos da Corregedoria pela quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do policial militar, além de perícia em três celulares apreendidos na residência dele.