Presepada na boate – PM procurado por roubo qualificado continuava trabalhando e aprontando 43

Flagrante

Policial militar arruma confusão em casa noturna de Guarujá e é preso

Eduardo Velozo Fuccia
A TRIBUNA DE SANTOS

Lotado na 3ª Companhia do 24º Batalhão da Polícia Militar/Metropolitano (BPM/M), cuja área é o município de Santo André, o soldado Célio Nunes de Oliveira Lima, de 32 anos, foi preso em flagrante após se envolver em confusão em uma casa noturna, em Guarujá, na madrugada de sábado.

O acusado portava arma de fogo e, após se desentender dentro da casa noturna, disparou na direção de duas pessoas na rua, sem atingi-las. Uma terceira vítima ainda foi agredida pelo policial com uma coronhada na cabeça.

Policiais militares que estavam em patrulhamento pelas imediações foram acionados e compareceram até a frente da casa noturna, situada na esquina das ruas Manoel Albino e Presidente Kennedy, no Jardim Helena Maria. Eles chegaram a tempo de ver Célio empunhando a sua arma diante de uma aglomeração.

De acordo com os PMs em serviço, o colega de folga chegou a mirar a arma para eles, até guardá-la e se identificar como policial militar. Logo em seguida, um tenente da corporação, que também estava de folga e se encontrava na casa noturna, deu voz de prisão ao soldado Célio. O oficial pertence à Força Tática do 51º BPM/I, em Ribeirão Preto.

A situação de Célio já estava complicada, mas piorou na Delegacia de Guarujá. O delegado Caio Azevedo de Menezes apurou que o acusado está com prisão decretada pela 3ª Vara Criminal de Santo André, na qual responde a processo por roubo qualificado.

Autuado por tentativa de homicídio e lesão corporal dolosa (intencional), o soldado foi removido ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Durante a confusão, ele teria dispensado a sua arma, que não foi encontrada.

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Roubos crescem mais na periferia de São Paulo 48

REYNALDO TUROLLO JR.
FELIPE SOUZA
APU GOMES
FOLHA DE SÃO PAULO

23/03/2015 02h00

A alta de roubos que atinge a cidade de São Paulo afeta mais os bairros pobres que os bairros ricos. Na periferia, moradores estão mudando a rotina para fugir dos assaltos.

Mulheres já não vão mais sozinhas aos pontos de ônibus de manhã. Comércio aberto após as 19h conta com a “caixinha” do assaltante.

Pertences roubados que não têm serventia para o ladrão estão sendo descartados em pontos de desova, já mapeados pelos moradores.

Apu Gomes/Folhapress
Carro deixa mulheres em ponto de ônibus na rua São Caetano do Sul, Grajaú, zona sul
Carro deixa mulheres em ponto de ônibus na rua São Caetano do Sul, Grajaú, zona sul

Os DPs responsáveis pelas áreas dos dez distritos administrativos mais pobres da capital registraram juntos, em 2014, 18.972 roubos -aumento de 37% em relação a 2013.

Já os DPs que cobrem as áreas dos dez distritos mais ricos da cidade tiveram 15.030 roubos, 19,1% a mais, na mesma comparação (2013-2014).

Na capital como um todo, os roubos subiram 26,5% de um ano para o outro

Em janeiro deste ano, os roubos na cidade caíram 1,7% em relação a janeiro de 2014 -após 19 meses seguidos de aumento. Os DPs das dez áreas mais ricas tiveram queda de 19,1%. Os das dez áreas mais pobres, alta de 6,5%.

AUMENTO DO CONSUMO

“Isso rompe o mito de que são os ricos que sofrem mais com a violência”, diz Rafael Alcadipani, professor da FGV que pesquisa segurança.

Ele e o analista criminal Guaracy Mingardi, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmam que esses crimes cresceram mais na periferia porque, hoje, os mais pobres têm mais acesso a bens de consumo -com o crescimento da renda na última década, 54% da população hoje faz parte da classe C- e há menos policiais nesses locais.

“Hoje, o celular também está na mão do pobre. Então, o bandido tem na periferia um produto caro e com muita saída. E todo mundo sabe que na periferia tem menos polícia”, afirma Mingardi.

Alegando razões de segurança, a Secretaria da Segurança Pública não informa como é a distribuição dos policiais pelos bairros da cidade.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

O início da manhã, quando centenas de pessoas estão nos pontos de ônibus, virou horário crítico, segundo moradores. Os alvos são mulheres, cujas bolsas e celulares são levados por jovens que, normalmente, chegam em motos. Segundo os moradores, muitos bandidos moram por ali (leia texto nesta página).

“Eles pegam a bolsa, arrastam a pessoa, pintam o sete. Este Grajaú não era assim”, diz uma doméstica de 60 anos, que acorda antes das 5h para pegar o ônibus em direção ao Paraíso, onde trabalha.
No ponto de onde parte o ônibus, na rua São Caetano do Sul, as mulheres chegam a pé sempre em grupos. Muitas são levadas de carro pelos maridos -mesmo as que moram a três quadras dali.

PONTOS DE DESOVA

No Itaim Paulista (zona leste), a moradora Beatriz França, 19, teve a bolsa roubada a caminho do ponto de ônibus, por volta das 6h, por dois homens aparentemente armados. Após dicas de vizinhos, recuperou a bolsa e os documentos no córrego Tijuco Preto, a 500 m do local do crime.

Até o cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista (zona leste), é usado para esse fim. “Sempre aparece uma carteira ou mochila nos telhados. Algumas ficam grudadas na cerca em cima do muro”, conta o agente de apoio do cemitério Jorge de Aragão, 52.

Na região, o córrego que segue a avenida Rio das Pedras é ladeado por bolsas, malas e cartões de banco. “CNH eu acho sempre, mas o que vou fazer com isso? Os dias que mais têm são nos fins de semana e depois de pagamento”, diz um catador de lixo.

Abertas à noite, farmácias na avenida Belmira Marin, no Grajaú, zona sul, “colecionam” assaltos. Uma foi roubada três vezes em fevereiro, em três domingos seguidos.

Os ladrões eram um casal que levava leite, fraldas e o dinheiro do caixa. Ao assaltar outra farmácia na mesma avenida, pelo quarto domingo, o homem foi baleado pela PM.