DESABAFO DE UM INVEJOSO ( continuação ) – Delegado do Camaro amarelado caiu na malha fina do Ministério Público, mas subiu para o DEIC…Por que a Administração não recolhe a arma , a funcional e o distintivo da Excelência ? 40

Delegado do Deic é alvo de investigação do MPE

Promotores suspeitam de enriquecimento ilícito do titular da Delegacia de Roubo a Bancos; ele teve os sigilos bancário e fiscal quebrados

31 de março de 2014 | 2h 02
Luciano Bottini Filho – O Estado de S.Paulo

O Ministério Público Estadual (MPE) obteve na Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal de um delegado do Departamento Estadual de Investigação Criminal (Deic), suspeito de enriquecimento ilícito com a prestação de serviços de segurança privada dentro da Delegacia de Roubo a Bancos.

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Segundo a investigação, Fabio Pinheiro Lopes possuiria um patrimônio incompatível com sua renda, como um Chevrolet Camaro de R$ 172 mil, e relógios avaliados em R$ 162 mil.

Procurado pelo Estado por meio de seus advogados, o delegado Lopes não se manifestou. A assessoria de imprensa do Deic também não comentou o caso.

Os rendimentos de Lopes como delegado de polícia de primeira classe, segundo a Secretaria de Segurança Pública, são de R$ 8.064,03. Dados obtidos pela Promotoria dão conta de que ele é sócio de uma empresa titular de glebas rurais de 95 alqueires e que teria recebido nos últimos 20 meses R$ 485 mil. Sua residência seria avaliada em R$ 1,233 milhão e uma consulta nas suas movimentações financeiras, segundo o MPE, indicou fluxos bancários considerados suspeitos pelos promotores.

Bancos. Um dos esquemas que podem ter levado ao enriquecimento de Lopes, apontam as investigações, seria o pagamento feito por bancos privados interessados em “atendimento preferencial no Deic”. Assim, agentes dariam prioridade para resolver os crimes em agências cobertas pela assessoria particular e até monitorariam quadrilhas para impedir assaltos.

A decisão contra Lopes foi dada pela Justiça no começo do mês e cabe recurso. As informações vão para o inquérito civil em que Lopes é investigado sob suspeita de improbidade administrativa. Ele já havia sido investigado pelo MPE em 2009, por suspeitas de corrupção ligada ao escândalo da venda de cargos na Polícia Civil durante a gestão do então secretário adjunto da Segurança Lauro Malheiros Neto. Nada foi comprovado na época contra o delegado.

https://flitparalisante.wordpress.com/2012/08/20/problema-social-e-delegado-desfilar-com-automovel-de-r-199-00000/

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Pois é , continua difícil de se entender  e explicar a prosperidade de alguns delegados de polícia. 

Como é que pode , enquanto a imensa maioria das autoridades policiais sobrevivem endividados , nem sequer podendo comprar um terno chinês da Colombo ,  alguns afortunados debochadamente continuando vestindo Armani.

Armani , Rolex , Hublot, Prada e Hermès.

Apartamentos de três milhões, Camaro pro papai e Evoque pra perua. 

Pior: por mais que aprontem CONTINUAM SEMPRE TRABALHANDO NAS BOCAS RICAS DA POLÍCIA CIVIL. 

Quanto custa a titularidade de uma delegacia do DEIC ? 

A Administração dá excelentes cargos para esses debochados notórios  ,  enquanto que por uma simples suspeita por conta de ninharia recolhe armas , funcional e distintivos de bons policiais; ainda exigindo que se aposentem como condição de dar uma aliviada nos procedimentos.

Escárnio!

Será que para ser delegado do DEIC ( e outras bocas-ricas ) é necessário ser rico empresário ou por ser delegado do DEIC ( e outras bocas- ricas ) é necessário criar empresa para lavagem da propina ?

ovo galinha 

PF tem de virar agência autônoma, diz Troncon 22

PF tem de virar agência autônoma, diz Troncon
Superintendente do órgão em São Paulo afirma que subordinação pode ser prejudicial
29 de março de 2014 | 2h 07
Fausto Macedo – O Estado de S.Paulo
O superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, delegado Roberto Troncon, defendeu ontem a transformação da corporação em uma Agência de Investigações Criminais, dotada de independência e autonomia financeira e administrativa e desatrelada do Executivo. Pela proposta de Troncon, o diretor-geral da PF seria sabatinado pelo Senado, como os ministros do Supremo Tribunal Federal, e nomeado diretamente pela Presidência da República, com mandato de 4 anos, sem direito à recondução.

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Marcelo Camargo/ABr

Sem interferência. Troncon: “Temos autonomia, mas não temos garantia legal nenhuma”
A PF é subordinada ao Ministério da Justiça e cabe a ela investigar crimes contra a União, fraudes ao Tesouro, desvios de verbas federais, narcotráfico e o combate às organizações criminosas. Seus policiais têm agido com desenvoltura, mas a legislação não lhes garante segurança e a certeza que não serão removidos de suas unidades se, eventualmente, atingirem interesses políticos ou de governo. A própria instituição não está livre de boicotes, como cortes no orçamento.

A PF completou ontem uma história de 70 anos. Troncon alertou seus pares que é hora de mudanças. “Avançamos muito na última década, somos reconhecidos por nossa atuação incansável, as pesquisas de opinião nos reconhecem como instituição respeitada e de credibilidade. E daqui para a frente? São muitos os desafios em termos de segurança pública que exigem uma reorganização da Polícia Federal. Temos um peso enorme nos ombros.”

Seu relato tem alcance excepcional porque, desde 1995 na carreira, ocupou cadeiras estratégicas, como a de diretor para o combate ao crime organizado em todo o País. Notabilizou-se pela condução de inquéritos sensíveis contra políticos e gestores. “Se o órgão de investigação é parte do Executivo pode haver, hipoteticamente, casos em que o investigador vai atuar contra ocupantes de cargos públicos relevantes. Se ele é subordinado, se o órgão de investigação está dentro da hierarquia do Executivo, essa relação de subordinação, em tese, pode prejudicar a apuração isenta.”

Troncon advertiu que “há muitos meios de se boicotar uma instituição e não é só com a ordem direta”. “Não quero ser leviano e nem mencionar nenhum caso específico, mas numa situação hipotética, pode-se boicotar recursos para uma instituição em determinado momento. Sem recursos financeiros para investimentos, para a gestão do dia a dia, não se consegue fazer tudo o que tem que fazer. Nem aqui, nem em nenhum outro órgão público e nem na iniciativa privada. O órgão de investigação criminal nunca vai atuar contra o interesse de Estado, jamais, mas contra o interesse de um governante qualquer.”

Troncon disse que sua polícia “não admite nenhum tipo de interferência nas investigações que faz”. “Temos autonomia e não há interferência interna e muito menos de fora, mas não temos nenhuma garantia legal. Quero enfatizar que, apesar de não haver uma proteção legal para sua ação, ao longo dos últimos 20 anos a PF desenvolveu e consolidou cultura de independência que está no coração de cada um de nós, policiais federais. Ela é hoje um dogma dentro da PF. Nós investigamos. Não interessa se um caso de fraude em licitação vai atingir ocupante de cargo público eleito pelo partido da situação ou da oposição. Investigamos fatos e não pessoas. Vale sempre para o mais humilde e para o mais poderoso.”

O delegado apontou para o Ministério Público, a quem a Constituição confere poderes e prerrogativas. “O MP adquiriu independência administrativa, financeira e funcional, o que deu resultados excelentes.” Para ele a configuração do MP deve ser aplicada “a um outro órgão de atividade muito específica, que é a atividade de investigação criminal, crucial para enfrentamento da impunidade”.

Esgotamento. O chefe da PF em São Paulo assinala que desde 1988, a corporação exerce atribuições “típicas do Executivo” – polícia preventiva, controle de armas e produtos químicos, fiscalização da segurança privada, emissão de passaportes e monitoramento de imigrantes em portos e aeroportos. Essa massa de tarefas sufoca a instituição, porque força o deslocamento de grande parte do efetivo para missões que não são de investigação propriamente – a fase pré processual.

Ele aponta para o esgotamento do sistema. “Hoje a Polícia Federal não reclama, missão dada é missão paga. Falo em meu nome. A gente não reclama, a gente se desdobra. Mas estamos chegando num ponto de utilização máxima da estrutura e dos nossos recursos humanos para equilibrar tantos pratos. Algo tem que ser reformulado.”

Troncon anota que cada organismo tem seu dever – a polícia é o Estado investigador, a procuradoria o Estado acusador, e a Justiça o Estado julgador. “Devem ser absolutamente independentes e autônomos entre si e dos Poderes Executivo e Legislativo”, prega o delegado.

Sugere que a PF execute atividade exclusivamente de investigação criminal. As demais tarefas, de polícia administrativa, ficariam sob comando do Executivo. “A PF deveria ser transformada em órgão com a conformação de uma Agência com autonomia administrativa, funcional e financeira. Os 14 mil cargos que a PF dispõe seriam suficientes para melhor desempenhar a e repressão criminal.”

Maior parte da população quer anular Lei da Anistia, aponta Datafolha 48

RICARDO MENDONÇA
FOLHA DE SÃO PAULO

31/03/2014 03h43

Uma pesquisa inédita do Datafolha sobre a Lei da Anistia mostra que a maior parte da população, 46%, é a favor da anulação da norma tal qual ela é aplicada hoje. Os que são contra somam 37%. Outros 17% não sabem dizer.

Hoje, exatos 50 anos após o golpe de 1964, também há mais brasileiros a favor do que contra à proposta de punição dos que torturaram presos políticos na ditadura.

Agora, 46% defendem castigo aos torturadores e 41% são contra. Indiferentes e pessoas que não souberam opinar são 13%. Em 2010, quando o Datafolha fez essa pergunta pela primeira vez, o resultado foi o inverso: 45% eram contra, 40% a favor.

A pesquisa atual, com 2.614 entrevistas, foi feita em 19 e 20 de fevereiro, antes da onda de eventos e reportagens sobre os 50 anos do golpe. E antes da repercussão do depoimento do coronel reformado Paulo Malhães à Comissão Nacional da Verdade.

No último dia 25, Malhães narrou como torturava, matava e dilacerava corpos de opositores durante a ditadura. Disse não ter qualquer arrependimento disso.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, os resultados mostram uma sociedade dividida: “Considerando a margem de erro [2 pontos], as taxas são parecidas”.

Segundo ele, a efeméride e o depoimento de Malhães influenciariam pouco nos resultados. “É um tipo de informação que atinge um segmento muito específico da população, só os mais informados e escolarizados”, diz.

Recortes por instrução e renda dão uma pista disso. Entre os que têm nível superior e ganham mais de R$ 7.240, o apoio à punição de torturadores sobe para 58%.

ATENTADOS

O Datafolha também perguntou se é o caso de reexaminar atentados contra o governo cometidos por militantes opositores da ditadura.

A proposta não tem força política ou jurídica. Autores de atentados já foram julgados e penalizados com prisões, conforme legislação da época. E muitos sofreram punições não previstas na lei, como tortura e morte.

Apesar disso, a ideia costuma ser repetida por alguns defensores da ditadura em resposta aos que pedem punição aos torturadores.

Resultado: 54% responderam que sim, esses casos merecem reexame. Quando o instituto perguntou se todos deveriam ser julgados hoje, torturadores e ex-militantes, 80% apoiaram.

O ex-ministro José Gregori (Justiça), presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, diz que o apoio crescente à punição de torturadores “é produto dos fatos aterrorizadores que têm vindo à baila na Comissão da Verdade”.

“Mas isso não modifica a minha posição de que a Lei da Anistia deve ser mantida como está”, diz. “Ela deu-se numa fase de muita complexidade. E embora não seja perfeita, cumpriu um papel importante para a redemocratização ser pacífica.”

O historiador Marcelo Ridenti vê influência externa nos resultados da pesquisa. “Em muitos países têm sido feitas comissões da verdade: África do Sul, vários na América Latina, leste europeu. É uma consciência internacional que tem sido incorporada por setores crescentes da opinião pública brasileira.”

POLÊMICA

Lei da Anistia e punição a torturadores são temas polêmicos nos meios político e jurídico. Criada em 1979, a Lei 6.683 anistiou todos os que haviam cometido “crimes políticos” entre 1961 e 1979.

Opositores foram perdoados, exilados puderam voltar.

Desde então, agentes do Estado acusados de sequestro, tortura, assassinato e ocultação de cadáver também passaram a recorrer à Lei da Anistia para evitar punições.

Eles alegam que se tratou de uma espécie de pacto nacional pelo esquecimento recíproco das violências. Juridicamente, se agarram a um trecho da lei segundo o qual a anistia também é válida para “crime conexo”.

A disputa está na interpretação dessa expressão. Para os acusados de tortura, conexos seriam todos aqueles crimes praticados no contexto geral da disputa política da época, independentemente do lado em que estavam.

Para os defensores da revisão da lei, essa interpretação não faz sentido jurídico, já que, na prática, representaria uma autoanistia.

Em 2010, o Supremo Tribunal Federal analisou o assunto e decidiu que a Lei da Anistia também valia para os torturadores do regime militar.

Meses depois, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil num caso da Guerrilha do Araguaia justamente por causa dos efeitos dessa interpretação da Lei da Anistia.