DOS CRIMES CONTRA O ORGULHO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO 2

Capez perde mais uma

 

O deputado estadual Fernando Capez (PSDB-SP) acaba de ver derrotada sua pretensão de ser indenizado em R$ 50 mil pela revista “CartaCapital” por danos morais.

Em editorial cujo título era “Decifra-me se for Capez”, em março de 2003, a revista expressou sua opinião sobre o trabalho dele como promotor de Justiça que cuidava da violência de torcedores nos estádios paulistas.

O tucano não gostou e acionou a publicação, ganhando em primeira instância em junho de 2004. 

O Tribunal de Justiça de São Paulo, no entanto, acaba de fazer Justiça e absolver a revista. 

De maneira unânime: 3 a 0! 

Eis, abaixo, o texto de “CartaCapital”: 

MINISTÉRIO PÚBLICO 

Decifra-me se for Capez

Desde a decisão de banir as torcidas organizadas, o procurador esqueceu a causa e se fixou no palco

Há quase dez anos, o promotor público paulista fernando Capez encontrou uma boa causa que é também um grande palco: a luta contra a violência das chamadas torcidas organizadas.  

Prova provada de que nem tudo que reluz é ouro, Capez desfruta de seus 15 minutos de fama a cada nova briga e, infelizmente, a cada nova morte. 

Em 1995, depois de um conflito de proporções estarrecedoras entre os organizados são-paulinos e palmeirenses, numa simples decisão de futebol júnior, no Pacaembu, do qual resultou uma morte, Capez conseguiu banir as torcidas organizadas dos estádios paulistanos. 

Uma solução emergencial.  

Não resistiu às ações na Justiça que questionaram sua constitucionalidade, mas, de qualquer jeito, uma solução.  

Só que, de lá para cá, novas barbaridades se sucederam, mais torcedores morreram e quase nada mudou. 

Nem mesmo as aparições do promotor, que virou figura presente nos programas esportivos – e nos Ratinhos da vida, principalmente às vésperas de eleições que teriam alimentado em Capez o sonho de ser secretário de Segurança em um eventual governo Maluf. 

Capez, indo muito além de suas funções, passou a freqüentar o ambiente da cartolagem, seja na Federação Paulista de Futebol, seja no seu clube de coração, o Corinthians.  

Compareceu até a julgamentos na esfera da Justiça Desportiva, no Rio, sobre temas que nada tinham a ver com sua atuação – o que o levou a ser objeto da Corregedoria do MP/SP. 

Agora, novamente, fruto de confrontos entre blocos carnavalescos das três maiores torcidas de São Paulo, e com três mortes, uma em cada lado do triângulo, Capez reapareceu e brandiu seu discurso cansativo, ao denunciar o que é mais do que sabido, mas não prevenido: a existência de marginais, gente que vive do crime mesmo, traficantes, entre os organizados.Só falta prendê-los. Exatamente como dez anos atrás.  ( 23 de outubro de 2005 )

Um Comentário

  1. E, por ironia do destino, o jornalista Juca Kfouri é filho de um grande Promotor Público, da antiga, um homem íntegro, correto e probo, infelizmente já falecido, mas que, pelo que se nota, transmitiu ao filho os mesmos valores que o nortearam em vida.

    Trata-se do Dr. Carlos Alberto Gouvêa Kfouri, que se aposentou já como Procurador de Justiça. Ele atuou brilhantemente como Promotor, se não me engano, em cidades do Vale do Paraíba, como Taubaté.

    Conta Juca Kfouri que, certa feita, pouco antes de se aposentar, seu pai, o Dr. Carlos Alberto Kfouri, deu o seguinte conselho:

    “Meu filho, fique o mais longe que puder dos Fóruns e delegacias. Procure evitá-los até como testemunha. Porque eu sei como é feito o direito no Brasil.”

    Sintomático, não?

    Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=463CID009

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