TIROS QUE ATINGIRAM O CARRO DE PATRÍCIA AMIERO FRANCO FORAM DISPARADOS POR MEMBROS DA PM CARIOCA 1

Tiros que atingiram carro de engenheira saíram de arma de PM, diz polícia

O Chefe de Polícia, delegado Allan Turnowski, disse em entrevista ao RJTV nesta quarta-feira (24), que as investigações apontaram que os tiros que atingiram o carro da engenheira Patrícia Amieiro Franco, desaparecida desde junho de 2008, saíram da arma de um dos PMs que estavam no local onde o carro caiu, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. 

Os quatro policiais que estariam envolvidos na morte foram indiciados por ocultação de cadáver. Dois deles também vão responder por homicídio.

Ainda nesta quarta-feira, a Justiça deve decretar a prisão dos envolvidos pelo crime. Na terça-feira (23), a polícia anunciou que dois de seis PMs suspeitos seriam indiciados por homicídio e os outros quatro responderiam por ocultação de cadáver. Mas o Ministério Público só denunciou quatro.

PMs suspeitos de matar Patrícia Franco estão no Batalhão do Recreio
A Justiça analisa o pedido de prisão contra quatro policiais militares suspeitos de envolvimento no desaparecimento da engenheira Patrícia Franco. Eles são acusados de ocultação de cadáver.

Dois policiais militares também vão responder por homicídio. Nesta quarta-feira, o delegado o promotor e um perito apresentaram um laudo sobre o crime.

Uma entrevista coletiva foi organizada para explicar o que levou a polícia a indiciar quatro policiais militares por envolvimento na morte de Patrícia Franco, de 24 anos. Apesar do sofrimento, o pai e o irmão da engenheira acompanharam tudo de perto.

A apresentação do laudo traz respostas para o que aconteceu na noite de 14 de junho de 2008. As amigas contaram que Patrícia havia bebido durante um show no Morro da Urca e que ela foi embora dirigindo, embora estivesse sem a carteira de motorista.

Ao sair do Túnel do Joá, o carro da engenheira despencou nas margens do Canal de Marapendi. Dois policiais militares disseram que Patrícia teria se acidentado e sumido nas águas do canal. Mas mergulhadores nunca localizaram o corpo da jovem.

De acordo com o laudo, o banco do motorista estava reclinado quando o carro foi encontrado. A posição do banco se deu por ação humana, isto é: alguém mexeu no banco. O cinto de segurança estava preso. Para os peritos, este fato e o banco reclinado indicam claramente que Patrícia foi retirada do carro pela parte traseira. Os peritos chegaram à conclusão depois de constatar que o vidro traseiro foi manipulado.

“Para retirar um corpo, você reclina o banco e puxa o corpo pelos braços. Ela sairia pelo setor posterior do veículo”, explicou o perito Sérgio Henriques.

Ainda de acordo com o laudo, durante a simulação do crime, os policiais militares envolvidos prestaram esclarecimentos contraditórios com os que haviam feito no dia do desaparecimento.

Os peritos encontraram fragmentos de, pelo menos, três balas que atingiram o carro da engenheira. O laudo revela que estes vestígios são compatíveis com o calibre da arma de um dos policiais militares que estavam de plantão no dia em que Patrícia desapareceu.

“Foi constatado que o veículo sofreu diversas alterações visando ocultar provas no exame pericial. Alterações essas referentes à trajetória de um dos disparos”, afirmou o delegado Ricardo Barbosa.

A principal suspeita da polícia é que os policiais militares tenham tentado fazer Patrícia parar, não foram atendidos e atiraram. Depois, teriam pedido apoio a outros dois colegas do Batalhão do Recreio dos Bandeirantes da Polícia Militar.

Apesar de o corpo da engenheira Patrícia não ter sido encontrado, o promotor de Justiça Homero de Freitas disse que nada impede que dois policiais militares sejam condenados por homicídio.

“Tem o carro dela, tem a balística, tem destruição de prova, tem furo de bala no carro. Toda a prova indiciada é no sentido de que houve um homicídio. Eu, particularmente, não vejo dificuldades. Se eu visse, não teria indiciado”, enfatizou o promotor.

Depois de um ano sem a filha, Antônio Celso de Franco, pai de Patrícia, quer justiça. “A gente sempre lamenta, porque todo dia a gente quer notícia, quer saber o que aconteceu com a Patrícia. Hoje, nós estamos tendo essas “boas notícias”. Saber que os policiais vão ser presos é muito importante”, ressaltou ele.

A Polícia Militar informou que os policiais militares estão no Batalhão do Recreio e que, caso seja decretada a prisão deles, os quatro serão entregues à Justiça.

 

Entenda o caso  

No dia 14 de junho de 2008, o carro onde a engenheira estava despencou nas margens do Canal de Marapendi, na saída do Túnel do Joá, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo os investigadores, dois PMs, que estavam perto do local, disseram que Patrícia teria se acidentado e sumido nas águas do canal.
A principal suspeita, de acordo com os investigadores, é que os PMs tenham tentado fazer Patrícia parar, não foram atendidos e atiraram contra o veículo, provocando o acidente. Depois, eles teriam pedido apoio a outros colegas do batalhão do Recreio, também na Zona Oeste.

O delegado substituto da Delegacia de Homicídios, Ricardo Barbosa, descartou qualquer hipótese de acidente de trânsito no caso. “Ela não foi vítima de nenhum acidente de trânsito. Isso é certo”, disse Barbosa pouco depois de participar da reprodução simulada do caso, feita na quinta (4).

 

Foto: Reprodução/Internet Foto: Reprodução/Internet

O site foi lançado nesta segunda-feira (27) (Foto: Reprodução/Internet)

Família cria site

Em abril deste ano, a família de Patrícia lançou um site para divulgar todas as etapas da investigação e mostrar que o caso segue sem solução. 

Segundo o irmão da engenheira, Adryano Franco, o site (www.cadepatricia.com.br) foi criado para ser mais um instrumento para obter informações sobre o que aconteceu com Patrícia.

“Queremos divulgar tudo o que já foi dito pela imprensa sobre o caso e mostrar que muito ainda precisa ser feito”, disse o irmão da vítima.

vídeo na fonte: http://olhoseternos.blogspot.com/2009/06/tiros-que-atingiram-carro-de-engenheira.html