ENTREVISTA DO DELEGADO GERAL 10

DOUTOR DOMINGOS PAULO NETO: UMA GESTÃO COM FOCO NA UNIÃO
 
 
Transparência, saber ouvir sugestões, atender representantes de classe, ficha limpa e adepto do uso da inteligência, da coleta de informações, para a resolução de crimes. Estas são as principais virtudes apresentadas (e reconhecidas por todos) do novo delegado Geral de Polícia de São Paulo, Domingos de Paulo Neto, que concedeu ampla entrevista a esta publicação da ADPESP, revelando aspectos de sua vida pessoal e profissional, assim como sua metodologia de trabalho à frente do novo cargo.
 
Como exemplo de transparência, Domingos (como é conhecido) cita a forma como conduziu as recentes mudanças no quadro de diretores e a conduta que espera dos novos diretores.
 
“Chamei individualmente todos os diretores que estavam saindo, coloquei o motivo que me levaram a substituí-los e pedi a eles que continuassem trabalhando e na medida do possível foram designados para divisões, seccionais, enfim unidades que até certo ponto os agradasse. De igual maneira falei com aqueles que estavam ingressando como diretores, pedi a eles que agissem da mesma forma com seus divisionários, com transparência. Pedi, inclusive, que essa maneira de agir fosse estendida às demais carreiras, que os policiais, doravante, não ficassem mais sabendo pelo Diário Oficial sobre decisões que digam respeito à sua vida pessoal, pois é muito desagradável ficar sabendo dessa forma qualquer alteração em sua carreira. Precisamos resgatar nossa dignidade”.
 
Entre suas novas diretrizes, pretende fixar de vez por todas a cultura de investigação da polícia civil, a realização do Inquérito Policial bem-feito, efetivamente presidido pelo Delegado de Polícia.
“Para tanto você tem que dar condições mínimas para que os Delegados possam presidir os inquéritos e realizar as necessárias investigações. O que eu tenho feito é efetivar uma distribuição dos recursos humanos. Realizei levantamentos para saber qual o numero médio de inquérito secretariado, por cada escrivão de polícia e, na medida do possível, procedi à redistribuição desses profissionais. Não só de escrivães, como também investigadores de polícia”.
 
Outro requisito bastante relevante para o novo DG é o perfil de cada um de seus subordinados. “O perfil jamais pode ser esquecido, e dentro daqueles que tem o perfil adequado serão escolhidos os de confiança”.
 
Assim, procedeu nas trocas ocorridas na Corregedoria: “Foi também pelo perfil e conduta ilibada, conhecimento de direito administrativo disciplinar, vontade de trabalhar na Corregedoria, experiência profissional e de confiança da Diretoria, que escolhi seus novos membros, pois sei da importância desse órgão para resgatar a imagem da categoria”.
 
O plantão policial também será alvo de reestruturações: “Eu entendo que o plantão deva proporcionar o atendimento exemplar. Vamos reforçar o número de pessoas nessa tarefa. Mas não só, haverá uma mudança, uma valorização do profissional. Nós precisamos envolver esses policiais no trabalho. Por exemplo: o investigador de polícia no plantão tem que ser melhor aproveitado. Se houver um registro que seja de autoria desconhecida, ele tem que contar com o atendimento imediato do investigador. O investigador de polícia pode perguntar sobre os autores, as circunstâncias em que o evento ocorreu, ou seja, cor da pele, idade aparente, compleição física, até para facilitar o trabalho do escrivão. Depois, com o Boletim de Ocorrência, esses fatos serão distribuídos a quem de direito, a chefia. Mas por que não ir buscar um novo contato com a vítima até para se colher um novo detalhe? Isso é pertinente, muitas coisas podem ser aperfeiçoadas, basta boa vontade”.
 
Para ele é preciso mostrar a importância da polícia judiciária no contexto. “A Polícia Civil tem que investigar o cerne da questão. É a Polícia Judiciária bem feita, é uma questão de sobrevivência, incumbe à Polícia Civil a investigação e o policial tem que se sentir valorizado quando investiga”.
 
Outro setor a ser atingido é a Academia de Polícia. “A preparação desse policial deve ser voltada à investigação, inclusive providências estão sendo adotadas pelo novo Diretor da Academia, não só reforçando o número de horas no currículo para a investigação, ou seja, para a Polícia Judiciária de modo geral, mas também queremos que a forma de selecionar esse profissional seja aperfeiçoada com uma investigação social bastante adequada, inclusive com o auxílio da Corregedoria e que o período na academia faça parte do concurso, que a academia seja uma das fases do concurso”.
 
Pretende ainda, realizar concursos seccionalizados.
Para ele, não há como preencher todos os claros.
“Quem reside aqui na capital não quer trabalhar em Presidente Prudente, da mesma forma o candidato de Presidente Prudente não quer vir para a capital. Isso pode ser resolvido com a seccionalização dos concursos, e isso nós vamos fazer”.
 
Fez questão de esclarecer a situação dos grupos operacionais: “Eu não vou acabar com os grupos operacionais, eu vou dar um novo direcionamento a esse pessoal do GOE e do GARRA. Por exemplo, no que diz respeito ao GARRA, que tem um grupo de motociclistas, primeiro trabalharão nesse esquadrão investigadores e agentes policiais, os outros profissionais das demais carreiras, não vão continuar nesse grupo, inclusive esta foi uma das primeiras providências que adotei. Tanto no GOE como no GARRA, boa parte deste contingente será utilizado para o trabalho de investigação. Isto não quer dizer que deixarão o GARRA, que deixarão o GOE, mas trabalharão de uma forma diferente. Nós vamos ter menos equipe nas ruas, vamos ter equipes que darão apoio aos plantões, à questão dos presos e principalmente ao cumprimento de mandados de Prisão e de busca em apoio às próprias equipes, tanto do DECAP quanto a outros departamentos que tenham necessidades em casos de operações conjuntas com a Polícia Militar por exemplo: o meu objetivo é o reforço dos plantões”.
 
A Corregedoria terá atenção especial: “Ela tem que ser anunciada quando de alguma irregularidade, inclusive pelo Ministério Público, isso nos dá mais força e todo apoio será dado nesse sentido. Em recentes casos ocorridos, um no interior e outro na capital, onde a polícia civil foi cientificada, a Corregedoria desenvolveu a contento seu mister, e é isso que pretendo verificar principalmente na Corregedoria. Que esse trabalho seja desenvolvido com bastante profissionalismo, sem alarde, sem publicidade exagerada, mas com bastante vigor, realizado por policiais, por Delegados bastante experientes, como já disse, com perfil para trabalhar na Corregepol”.
 
Algumas questões são vitais para o Delegado Geral, que faz questão de explicitá-las: “O Inquérito Policial cabe à Polícia Judiciária, deve ser efetivamente presidido pelo Delegado de Polícia. Agora, a questão da investigação cabe à Policia Civil, daí minha preocupação em nos prepararmos cada vez mais, para que se possa realizá-la da maneira mais profissional possível. Entendo que o Termo Circunstanciado deva ser lavrado pela Polícia Civil. Estamos trabalhando nesse sentido junto ao Senhor Secretário da Segurança Pública, assim como outras questões de relevante importância, como é o caso das escoltas. Nós entendemos que boa parte dessa missão cabe à Policia Militar e estamos tentando resolver isso da maneira mais rápida possível.”.
 
Em linhas gerais, é o que pensa o novo DG, que deixa claro a que veio neste breve período de tempo: “Estamos à frente da Delegacia Geral de Polícia há pouco mais de um mês. Então eu tenho que dar conhecimento às nossas classes e todos os policiais civis sobre o que penso, sobre diretrizes, e é isso que eu tenho procurado falar agora. Nós temos vários projetos em andamento, como DIPOL, no próprio DECAP, na própria Academia de Polícia, mesmo na Corregedoria. Tudo isso depois vai se tornar público e vai facilitar o que eu estou colocando aqui, então nós temos que priorizar a Polícia Judiciária, valorizar o Inquérito Policial”.

fonte: ADPESP.

Um Comentário

  1. din din ninguem toca no assunto.

    Só escutar e receber oficio não adianta.

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  3. Juízes federais da 2ª Região brigam por reajuste

    O que mais preocupa os juízes federais da 2ª Região, atualmente, é o salário. O presidente da Associação dos Juízes Federais no Rio e Espírito Santo (Ajuferjes), juiz Fabrício Fernandes de Castro, reclama que há três anos não há reajuste na remuneração dos juízes.

    Para Castro, a situação é gravíssima. “Nosso salário está sendo digerido pela inflação.” A falta do reajuste contraria a Constituição Federal, diz. O juiz explica que a Constituição prevê que o reajuste deve ser anual. A correção visa compensar as perdas da inflação que, segundo ele, chegam a quase 30% desde a fixação do valor do subsídio, em 2006.

    O presidente da Ajuferjes reclama também que os juízes, ao contrário de outras carreiras, não têm adicionais como um terço por acumulação de cargos, auxílio alimentação ou moradia, licença prêmio, gratificação por atuar na Justiça Eleitoral também, entre outras. O salário inicial de juiz substituto federal na 2ª Região é de R$ 19,9 mil. Hoje, o teto do funcionalismo público é de R$ 24,5 mil, que é o que recebem os ministros do Supremo Tribunal Federal. Pela Constituição, salários mais benefícios no serviço público não podem ultrapassar esse teto.

    Para Castro, está havendo uma inversão, já que promotor, defensor e às vezes até delegado federal ganham mais que o juiz federal. “A carreira de juiz federal, dentre as carreiras jurídicas, como Ministério Público e Defensoria, é a que tem a pior remuneração. No entanto, é o cargo que deveria, como em qualquer país civilizado do mundo, ser o melhor remunerado”, defende.

    “Nossos projetos de lei que preveem o reajuste já estão no Congresso desde 2007.” Segundo o juiz, o Congresso não vota nada do interesse da Justiça Federal. “Não entendemos o motivo deste boicote.” Para o juiz, ao não estabelecer um reajuste anual, o Congresso desrespeita o Judiciário. “É um desrespeito ao Poder Judiciário e, principalmente, ao presidente do STF, que encaminhou os projetos e estes não são votados.”

    Fabrício de Castro também reclama que os juízes federais não têm adicional por tempo de serviço. “O juiz que toma posse ganha praticamente o mesmo que o desembargador que está há 30 anos prestando serviço à Justiça. Não há incentivo pra carreira.”

    Hoje, tramitam no Congresso duas Proposta de Emenda Constitucional para restabelecer o adicional por tempo de serviço para o Judiciário e para o Ministério Público. A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages) já entrou com pedido para participar de audiências públicas que acontecem na Câmara dos Deputados para discutir a PEC 210/2007, que trata do adicional.

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  4. Precisamos nos mobilizar temos que conquistar um aumento já antes que Serra venda o estadfo para a copa do mundo e para sua eleição a tendência é piorar perder o poder de comprar em nossos salarios é só ver os preços como subiram.

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